sexta-feira, maio 01, 2026

HISTÓRIA DA SAÚDE EM ITAÚNA (IX)

A LEPRA EM ITAÚNA MG

Saúde, medo e defesa social:

A lepra como problema estruturante em Itaúna (década de 1930)

A análise dos textos produzidos em Itaúna nas primeiras décadas do século XX, especialmente “Itaúna: os males da época”, a entrevista com o dr. Alcides Gonçalves de Souza e o texto “Ação benemérita”, publicado no Jornal de Itaúna em 1933 , permite identificar a construção de um discurso articulado em torno da lepra que ultrapassa a dimensão estritamente sanitária. 

Em conjunto, esses documentos revelam não apenas a presença da doença no município, mas a forma como ela foi interpretada, problematizada e mobilizada como questão central para a organização da vida local.

No texto “Itaúna: os males da época”, observa-se inicialmente uma tentativa de sistematização das enfermidades que atingiam a população, como impaludismo, verminoses e sífilis, todas apresentadas como doenças conhecidas, tratáveis e, sobretudo, evitáveis mediante práticas higiênicas e acompanhamento médico. 

Essa abordagem estabelece um contraste fundamental com a lepra, descrita como um mal de natureza distinta, tanto por sua gravidade quanto pela ausência de tratamento eficaz no período. A doença é caracterizada como “hedionda” e aterrorizante, sendo associada à inevitabilidade do isolamento, o que já indica uma ruptura com as estratégias aplicadas às demais enfermidades.

Esse contraste não é apenas médico, mas estrutural. Enquanto as outras doenças são tratadas no âmbito da prevenção individual e da higiene, a lepra é deslocada para o campo da coletividade, sendo apresentada como uma ameaça direta à comunidade. 

Essa percepção se intensifica quando o texto associa a presença da doença à possibilidade de desvalorização econômica do município, destacando que produtos agrícolas poderiam ser rejeitados e terras consideradas “amaldiçoadas”. 

Assim, o problema sanitário é articulado a uma preocupação com a estabilidade econômica e com a imagem de Itaúna perante outras regiões.

A entrevista com o dr. Alcides Gonçalves de Souza reforça essa dimensão ao introduzir uma leitura que legitima o movimento em curso. Ao afirmar que a lepra prejudica “as relações sociais, econômicas e comerciais”, o entrevistado desloca o problema para além do campo médico, inserindo-o na dinâmica das interações sociais e do mercado. 

A menção a episódios de rejeição de produtos locais por parte de comerciantes externos evidencia que o estigma associado à doença já produzia efeitos concretos sobre a circulação de bens e sobre a reputação do município. 

Ao mesmo tempo, sua fala busca equilibrar a necessidade da campanha com a correção de “equívocos”, sugerindo uma preocupação em controlar não apenas a doença, mas também a percepção externa sobre Itaúna.

O texto “Ação benemérita”, por sua vez, opera em um registro distinto, marcado por forte apelo moral e emocional. Ao convocar diretamente os “itauenses” e, em especial, os “pais de família”, o texto constrói uma narrativa de responsabilidade coletiva, na qual o combate à lepra se apresenta como um dever cívico. 

A caracterização da doença como um “terrível mal” e a ênfase na necessidade de proteger as “pessoas sãs” reforçam a ideia de perigo iminente, contribuindo para a mobilização social em torno da campanha. Além disso, ao mencionar a existência de áreas fortemente afetadas no município, o texto amplia a percepção de urgência e legitima as medidas propostas.

Apesar das diferenças de tom e abordagem, os três textos convergem em um ponto fundamental: a defesa do isolamento dos doentes como principal estratégia de enfrentamento da lepra. 

A referência recorrente ao Leprosário Santa Isabel, em Minas Gerais, indica a existência de uma estrutura institucional já consolidada, para a qual os indivíduos diagnosticados deveriam ser encaminhados. 

Dessa forma, o discurso presente no jornal não se limita a uma construção retórica, mas se insere em uma prática concreta de encaminhamento e exclusão, refletindo o temor local diante da doença e a tentativa de evitar que o município fosse atingido por seus efeitos sociais e econômicos. 

Tal dinâmica pode ser interpretada à luz do conceito de biopolítica, conforme formulado por Michel Foucault (1988), no qual o controle da doença se articula à regulação dos corpos e à organização da vida social. 

No caso de “Itaúna: os males da época”, essa proposta é acompanhada de um plano detalhado de mobilização financeira, envolvendo diferentes segmentos da sociedade — fazendeiros, comerciantes, industriais e mulheres, evidenciando um esforço coletivo organizado em torno da construção de instalações no leprosário.

Essa mobilização revela um aspecto central do processo: o combate à lepra em Itaúna não se limitava a uma política sanitária imposta externamente, mas envolvia a participação ativa das elites locais e da população, que eram convocadas a contribuir material e simbolicamente para a solução do problema. 

As assinaturas de médicos, autoridades e figuras de prestígio ao final do texto reforçam esse caráter, indicando que a campanha era conduzida por setores com capacidade de influência e organização.

Dessa forma, a análise articulada dessas fontes permite compreender que o enfrentamento da lepra em Itaúna, na década de 1930, configurou-se como um processo complexo, no qual saúde, economia e organização social estavam profundamente interligadas.

 A doença, mais do que um problema médico, foi construída como uma ameaça à ordem do município, exigindo respostas que combinavam mobilização coletiva, intervenção institucional e redefinição das relações sociais. 

Nesse contexto, o isolamento dos doentes no Leprosário Santa Isabel aparece não apenas como medida sanitária, mas como elemento central de um projeto de defesa e preservação da cidade.

Como complemento à análise apresentada em “Saúde, medo e defesa social: a lepra como problema estruturante em Itaúna (década de 1930)”, segue abaixo a transcrição do texto original “Ação benemérita”, publicado no Jornal de Itaúna em 25 de junho de 1933. 

O documento permite observar, de forma direta, a linguagem, as preocupações e os apelos mobilizados à época no enfrentamento da lepra no município.


Ação benemérita – Fonte Jornal  de Itaúna 1933

A campanha de protecção aos lazaros e defeza contra a lepra, que se promove em Itauna, sob a direcção do dr. Lima Coutinho, é dessas campanhas santas e dignificadoras que por si só elevam os seus propagadores à categoria de semi-deuses.

Esta guerra titanica que ora se inicia contra o terrivel mal de Hansen, contra essa horrenda doença que arruina inexoravelmente a integridade physica da pessoa que é victima, levando-a paulatinamente ao tumulo, 

é sem duvida uma das nossas mais prementes necessidades, e infelizmente uma necessidade que se impõe pela urgencia que se tem de evitar a propagação do mal, preservando do perigo as pessoas sãs.

Itauenses, é preciso saibas a nossa terra, o municipio de Itauna, é infelizmente em todas Minas um dos mais infestados pela morféa.

Ha no districto da cidade um pequeno povoado denominado “Corrego do Soldado” onde, desgraçadamente, quasi uma população inteira soffre da terrivel molestia.

E essa gente, como todos nós, quer viver. Para viver trabalha, e o producto desse trabalho, farinha, polvilho, queijo, mantimento, é vendido sem menor escrupulo pela cidade.

Itauenses, precisamos conjurar o mal! Paes de familia, Itauna, hoje mais do que nunca, necessita do seu valioso e indispensavel concurso!

A idéa está lançada. Itauna vai ter o seu pavilhão na Colonia de Leprosos S. Izabel, em Bello-Horizonte. Para lá deverão seguir, depois de construido o pavilhão, todos os demais contaminados pelo hediondo mal, em todo o municipio de Itauna.

E assim, desse modo, em pouco tempo, sanearmos Itauna da morféa.

O homem domador do mar, fecundador da terra, conquistador do ar, senhor dos animaes, construtor de maravilhas, autor da linguagem, do pensamento, dos costumes, da arte e da sciencia só à morte não poderá fugir. 

A morte é mesmo inevitavel, mas poderá ser adiada. E a doença? Esta pode não existir, pois que todas as doenças infecciosas são de certo modo evitaveis.

Evitemos, pois, o mal, itauenses, concorrendo e trabalhando em prol da Santa Campanha!


NOTA

O termo “lepra” era amplamente utilizado nas primeiras décadas do século XX para designar a doença hoje conhecida como hanseníase. A substituição terminológica ocorreu ao longo do século XX, especialmente no Brasil, com o objetivo de reduzir o estigma historicamente associado à enfermidade. 

No presente trabalho, opta-se por manter o uso do termo “lepra” quando referido às fontes históricas, preservando sua linguagem original, enquanto “hanseníase” é utilizado em referência ao conceito contemporâneo.

Referências:

 Organização, arte e pesquisa: Charles Aquino – Historiador Registro nº 343/MG

JORNAL DE ITAÚNA. Ação benemérita. Itaúna, ano I, 25 jun. 1933.

ITAÚNA EM DÉCADAS. História da saúde em Itaúna – parte VII. Disponível em: https://itaunaemdecadas.blogspot.com/2022/04/historia-da-saude-em-itauna-parte-vii.html  Acesso em: 10 abr. 2026.

FOUCAULT, Michel. História da sexualidade I: a vontade de saber. Rio de Janeiro: Graal, 1988, p.129-144.

IMAGEM:

A imagem apresentada não se configura como registro histórico, mas como uma representação artística interpretativa, construída com o propósito de evocar o contexto social e sanitário de Itaúna nas primeiras décadas do século XX. 

Ao representar a mobilização coletiva, a atuação de agentes locais e os discursos de combate à lepra, a imagem dialoga com os elementos identificados nas fontes históricas, evidenciando as dimensões sociais, morais e organizacionais que caracterizaram o enfrentamento da doença no município.

A imagem utilizada nesta publicação foi gerada por meio de inteligência artificial, com finalidade exclusivamente ilustrativa.

terça-feira, abril 28, 2026

LUGAR CERTO

AUTISMO EM QUADRINHOS

Cada coisa no seu lugar — e o amor também no lugar certo

Esta HQ (História em Quadrinhos) não apresenta apenas uma situação familiar simples.

Ela expõe um ponto de ruptura silencioso, cotidiano e, ao mesmo tempo, profundo.

Um gesto comum para um adulto, como mudar um objeto de lugar, pode significar desorganização interna para uma criança no espectro do autismo.

E é justamente aí que a história começa a falar mais alto.

Não pelo que é dito.

Mas pelo que é sentido.

A mala fora do lugar não é apenas um detalhe.

Ela representa quebra de previsibilidade, perda de controle e insegurança.

A HQ, portanto, não explica.

Ela mostra.

E ao mostrar, convida o leitor a deslocar o seu próprio olhar.

É nesse momento que a HQ se transforma em algo maior.

Ela deixa de ser apenas narrativa e passa a ser instrumento.

É aqui que entra o QH (Quadro de Habilidades).

O QH não interpreta a história de forma superficial.

Ele organiza o olhar.

A partir da cena, torna-se possível identificar elementos fundamentais do desenvolvimento.

Comunicação não verbal, expressa nas reações, no silêncio e no olhar.

Processamento sensorial e a necessidade de previsibilidade.

Regulação emocional diante de mudanças.

Mediação social, evidenciada pela intervenção da tia.

Flexibilidade cognitiva, percebida no momento em que o pai revê sua postura.

A HQ sensibiliza.

O QH estrutura.

A HQ toca.

O QH revela.

E aqui está um ponto que precisa ser enfrentado com seriedade.

Se a história for vista apenas como algo bonito, o seu propósito se perde.

Essa proposta não é estética.

Ela é formativa.

Ela exige mudança de postura.

Porque inclusão não é agir rápido.

É olhar melhor.

O erro do pai não foi mover a mala.

Foi não perceber o significado daquele ato para o filho.

E esse é exatamente o erro mais comum nos contextos educacionais.

Interpreta-se comportamento sem compreender função.

Julga-se antes de observar.

Corrige-se antes de entender.

Essa HQ, associada ao QH, rompe com esse padrão.

Ela propõe uma inversão clara.

Primeiro observar.

Depois compreender.

E só então intervir.

Quando essa lógica é aplicada com consistência, a prática muda.

Quando é ignorada, os mesmos erros continuam sendo repetidos, ainda que com boas intenções.

E boas intenções não garantem inclusão real.


História: Professor Antônio Marcos

Elaboração: Charles Galvão de Aquino
Graduando em Educação Especial (Licenciatura)
Desenvolvedor do QH (Quadro de Habilidades)
Desenvolvedor da HQ (Histórias em Quadrinhos)


segunda-feira, abril 27, 2026

HÉLICES DO SILÊNCIO (HQ/QH)

AUTISMO EM QUADRINHOS

Hélices do Silêncio

Esta HQ (História em Quadrinhos)...

não é apenas uma história...

Ela é um convite para observar.

Cada cena revela formas de perceber o mundo que, muitas vezes, passam despercebidas no cotidiano escolar. 

O que pode parecer simples à primeira vista, como o interesse por um ventilador de teto, pode representar organização, segurança e uma forma legítima de interação com o ambiente.

Mais do que contar uma narrativa, este material propõe um exercício de olhar.

É nesse ponto que entra o QH (Quadro de Habilidades).

O QH é um instrumento analítico que permite transformar a história em campo de observação pedagógica. 

A partir da HQ, é possível identificar evidências relacionadas à comunicação, à interação social, ao processamento cognitivo e à regulação emocional.

Ou seja, a narrativa sensibiliza, mas a análise estrutura a compreensão.

Essa proposta nasce da necessidade de ir além da explicação pronta e desenvolver uma prática baseada na observação consciente

Antes de intervir, é preciso compreender. Antes de interpretar, é preciso olhar.

A inclusão não começa na adaptação imediata. Ela começa na forma como enxergamos.

Charles Galvão de Aquino

Graduando em Educação Especial (Licenciatura)

Desenvolvedor do QH (Quadro de Habilidades)

Desenvolvedor da HQ (Histórias em Quadrinhos)

Hélices do Silêncio by Itaúna Décadas

sábado, abril 25, 2026

PENA ENCANTADA II

AUTIMO HISTÓRIA

Você se lembra de Helber? O menino de Itaúna que atravessou caminhos até a África em busca da misteriosa Pena Encantada. 

Mas há uma pergunta essencial: o que acontece depois que a jornada termina? Helber voltou. E é exatamente aí que tudo começa.

Antes de seguir, uma provocação: você conhece storytelling

Mais do que contar uma história, é fazer sentir, refletir e se reconhecer no que está sendo vivido.

O retorno de Helber não foi como ele imaginava. O mundo não mudou e o verdadeiro desafio passou a ser outro.

Se você está pronto para ir além de uma simples narrativa, continue. Porque, a partir daqui essa história pode dizer mais sobre você do que imagina.

 “O Retorno que Ninguém Esperava”

Helber voltou para Itaúna carregando a pena...

com o mesmo cuidado de quem guarda um segredo.

Durante toda a viagem de volta, acreditou que algo havia mudado.
Não apenas dentro dele — mas ao redor.

Afinal, ele havia feito o pedido.

E pedidos feitos com verdade… deveriam transformar o mundo.

Mas Itaúna estava igual.

As ruas, as casas, os olhares.
Nada parecia ter percebido o que ele viveu.

Nos primeiros dias, Helber tentou compartilhar sua arte.

Organizou pequenos encontros. Separou suas penas. 

Preparou cada detalhe com dedicação quase silenciosa.

Mas quase ninguém veio.

E os poucos que apareceram não ficaram.

Olhavam com curiosidade, mas não com presença.
E antes de sair, sempre diziam:

— É bonito…, mas difícil de entender.

A frase começou a ecoar dentro dele.

Difícil de entender.

Difícil.

Talvez o problema não estivesse no mundo.

Talvez estivesse nele.

Helber então fez algo que nunca imaginou fazer.

Guardou as penas.

Começou a produzir uma arte diferente.
Mais simples.
Mais direta.
Mais aceitável.

E, dessa vez, as pessoas gostaram.

Elogiaram.
Compartilharam.
Sorriram.

Pela primeira vez, Helber foi compreendido.

Mas não foi visto.

Numa noite silenciosa, sentado diante de suas próprias criações, 

Helber percebeu algo que não soube explicar de imediato.

Tudo estava certo.

Mas ele não estava.

A aprovação que antes parecia distante agora era fácil, 

constante, quase automática.

E ainda assim…

vazia.

Ele abriu uma pequena caixa esquecida.

Lá estava a Pena Encantada.

Imóvel.

Sem brilho.

Sem resposta.

Como se esperasse.

Helber a segurou com cuidado.

E, naquele silêncio, entendeu.

A pena nunca foi feita para tornar sua vida mais fácil.

Nunca foi sobre aceitação.

Nunca foi sobre caber.

Era sobre verdade.

E a verdade, agora clara como nunca, era dura:

O mundo não havia mudado.

E talvez nunca mudasse completamente.

No dia seguinte, Helber tomou uma decisão.

Voltou às penas.

Mas não tentou mais alcançar todos.

Começou pequeno.

Muito pequeno.

Uma criança apareceu.
Depois outra.
Depois mais uma.

E, pela primeira vez, alguém não apenas olhou ...

mas permaneceu.

Não era fácil.
Não era rápido.
E não era reconhecido.

Mas era real.

Helber entendeu, então, o verdadeiro sentido do seu pedido.

O mundo não passaria, de repente, a compreender tudo.

Mas algumas pessoas… começariam a enxergar.

E talvez sempre tivesse sido isso.

Não transformar o mundo inteiro.

Mas acender pequenas compreensões dentro dele.

Helber já não esperava aplausos.
Nem aceitação imediata.
Nem respostas fáceis.

Aprendeu algo maior:

Ser compreendido por todos era impossível.

Mas ser verdadeiro para alguém…

isso era suficiente.

E, naquele pequeno espaço, naquela troca silenciosa, 

naquela construção paciente ...

a Pena Encantada voltou a brilhar.

 

Texto, arte e concepção: Charles Galvão de Aquino — Historiador (Registro nº 343/MG). 

A imagem utilizada nesta publicação foi gerada por meio de inteligência artificial, com finalidade exclusivamente ilustrativa. 

Pena Encantada II by Itaúna Décadas

sexta-feira, abril 24, 2026

LENDA CÓRREGO DO SOLDADO

DISTRITO DE ITAÚNA MG

A LENDA DO “CÓRREGO DO SOLDADO”

Você já ouviu falar da história por trás desse nome?

Entre memórias, mistérios e acontecimentos que atravessaram o tempo, nasce uma narrativa que vai muito além de uma simples curiosidade. 

A história em quadrinhos “A Lenda do Córrego do Soldado” convida você a mergulhar em um episódio marcante, onde realidade e tradição se entrelaçam para explicar a origem de um dos lugares mais conhecidos da região.

Hoje, o povoado Córrego do Soldado está localizado no município de Itaúna, em Minas Gerais, mas seu nome carrega ecos de um passado que ainda desperta curiosidade e reflexão.

Nesta HQ, cada cena foi construída para transportar você para aquele momento: a tensão, as escolhas, o desfecho… e o legado que permanece até hoje.

Agora é com você:
Venha ler, interpretar e descobrir…
Porque algumas histórias não apenas explicam nomes ...
...elas revelam memórias que o tempo nunca apagou.

Quer ir além da história em quadrinhos?
Conheça mais detalhes e aprofundamentos acessando:

CÓRREGO DO SOLDADO


 Elaboração:

Charles Aquino / Alexandre Campos 

Nota sobre a imagem:

A imagem apresentada foi produzida por meio de inteligência artificial com finalidade exclusivamente ilustrativa e didática. Trata-se de uma construção visual interpretativa, baseada em referências históricas e narrativas orais/documentais, não correspondendo a registros iconográficos originais, fotografias de época ou documentos históricos autênticos. Seu uso visa auxiliar na mediação do conteúdo, sem pretensão de substituição ou validação como fonte primária.

quinta-feira, abril 23, 2026

STORYTELLING

AUTISMO HISTÓRIAS EM QUADRINHOS

SORYTELLING

(HQQH)

Narrativas como Instrumento de Análise na Educação

Há narrativas que apenas relatam acontecimentos e outras que ampliam a forma como compreendemos o mundo. 

A proposta aqui apresentada insere-se nessa segunda perspectiva, ao estruturar um espaço em que histórias são concebidas não apenas como recursos de sensibilização, mas como instrumentos de observação e análise pedagógica.

Nesse contexto, o uso de HQ (Histórias em Quadrinhos) assume um papel central, uma vez que articula linguagem visual e textual, permitindo representar experiências complexas de forma acessível, dinâmica e significativa.

As narrativas em HQ, neste modelo, não são utilizadas como ilustrações complementares ou estratégias didáticas secundárias. 

Elas são concebidas como campos estruturados de observação, nos quais se tornam visíveis comportamentos, formas de comunicação, modos de interação e estratégias de regulação emocional.

A partir dessa perspectiva, cada história apresenta elementos que podem ser analisados de forma sistemática, possibilitando uma leitura que ultrapassa a dimensão narrativa e se insere no campo da reflexão pedagógica.

É nesse ponto que se insere o QH (Quadro de Habilidades), entendido como um instrumento analítico estruturado que sistematiza evidências observáveis presentes nas narrativas.

O QH organiza, de forma criteriosa, aspectos relacionados a habilidades cognitivas, comunicação, interação social e regulação emocional e comportamental, permitindo que esses elementos sejam identificados, descritos e interpretados com base em dados extraídos diretamente da narrativa.

Trata-se, portanto, de um recurso que reduz a subjetividade interpretativa, ao ancorar a análise em evidências observáveis, como falas, gestos, reações e interações representadas nas HQs.

A relação entre HQ e QH não é de complementaridade externa, mas de integração estrutural. O QH é derivado da própria narrativa, sendo construído a partir dos elementos que ela apresenta. 

Enquanto a HQ mobiliza a dimensão sensível e experiencial do leitor, o QH organiza essa experiência em categorias analíticas, permitindo sua leitura pedagógica de forma sistematizada. 

Essa articulação estabelece uma dupla camada de compreensão: a vivência da história e a análise estruturada dessa vivência.

As narrativas podem transitar entre o real, o fictício e o híbrido, sendo construídas a partir de vivências, inspirações e possibilidades.

Em todas elas, considera-se a diversidade das formas de sentir, comunicar, aprender e interagir, especialmente no contexto do Transtorno do Espectro Autista, no qual diferentes modos de percepção e organização do mundo se manifestam de maneira singular.

Nesse sentido, o foco não está em padronizar comportamentos, mas em ampliar a compreensão sobre as múltiplas formas de existência e aprendizagem.

A proposta não se orienta pela transmissão direta de conteúdos ou pela oferta de respostas prontas. Ao contrário, busca ampliar a capacidade de observação e análise, convidando o leitor a desenvolver um olhar mais atento, consciente e fundamentado.

Cada narrativa configura-se como um campo de observação, enquanto o QH funciona como um instrumento que orienta a leitura desses elementos, possibilitando que a compreensão construída a partir da experiência seja convertida em ação pedagógica.

Ao integrar narrativa e análise, essa abordagem promove uma articulação entre sensibilidade e rigor metodológico. 

A história permite acessar dimensões da experiência que, muitas vezes, não são alcançadas por explicações diretas, enquanto a análise estruturada possibilita transformar essa compreensão em prática educativa.

Dessa forma, o uso combinado de HQ e QH configura-se como uma estratégia que não apenas comunica, mas também investiga, interpreta e orienta, contribuindo para o desenvolvimento de práticas pedagógicas mais inclusivas, conscientes e alinhadas à complexidade do sujeito em processo de aprendizagem.

  Charles Galvão de Aquino

Graduando em Educação Especial (Licenciatura)

Desenvolvedor do QH (Quadro de Habilidades)

Desenvolvedor da HQ (Histórias em Quadrinhos)


PENA ENCANTADA (DISPONÍVEL)

PENA ENCANTADA - HQ/QH (Em breve)✔

PENA ENCANTADA II (DISPONÍVEL)

PENA ENCANTADA II - HQ/QH (Em breve)✔

 HÉLICES DO SILÊNCIO (DISPONÍVEL)

HÉLICES DO SILÊNCIO - HQ/QH (DISPONÍVEL)

OS SEGREDOS DE MARIA (DISPONÍVEL)

OS SEGREDOS DE MARIA - HQ/QH (Em breve)✔

LUGAR CERTO - HQ/QH (DISPONÍVEL)✔


A imagem utilizada nesta publicação foi gerada por meio de inteligência artificial, com finalidade exclusivamente ilustrativa. 

quarta-feira, abril 22, 2026

O BRASIL EM XEQUE (1831)

CORCUNDAS X PATRIOTAS

O Brasil volta a ferver...

Opiniões rígidas. Discursos inflamados. Certezas absolutas de todos os lados.

Mas antes de achar que estamos vivendo algo inédito, vale uma pergunta incômoda:
isso é realmente novo… ou apenas mais um capítulo de uma velha história?

Em 1831, o país já enfrentava um cenário de intensa divisão política. De um lado, os chamados “corcundas”, defensores da ordem tradicional e da monarquia.

Do outro, os “patriotas”, que questionavam esse modelo e defendiam mudanças profundas na organização do país.

O texto do historiador itaunense João Dornas Filho, ao apresentar esse embate em forma de diálogo popular, revela algo que atravessa o tempo: a dificuldade de lidar com o diferente sem transformá-lo em inimigo.

Ali, como agora, não faltavam acusações, certezas morais e discursos carregados de verdade absoluta.

Ali, como agora, o debate muitas vezes dava lugar ao confronto.

Revisitar “Corcundas x Patriotas” em 2026 não é apenas olhar para o passado.
É reconhecer padrões que insistem em se repetir.

Porque talvez o problema nunca tenha sido apenas quem estava certo…

mas a forma como escolhemos discordar.

Leia o texto completo:

CORCUNDAS X PATRIOTAS

E depois reflita:

Mudaram os nomes… ou continuamos vivendo o mesmo conflito?

Referência:

AQUINO, CharlesGalvão de. Organização, arte e pesquisa. Historiador. Registro nº 343/MG.

FILHO, João Dornas: A abdicação e a musa popular em 1831 — CULTURA POLÍTICA — Revista mensal de estudos brasileiros. - INVENTÁRIO - BN - Rio de Janeiro, Ano IV Nº 41- Junho de 1944, p.155-159.

A imagem utilizada nesta publicação foi gerada por meio de inteligência artificial, com finalidade exclusivamente ilustrativa.