sexta-feira, julho 31, 2026
terça-feira, julho 28, 2026
PRIMEIRA AGROPECUÁRIA
Rumo aos 60 anos
de um marco, o registro intitulado “Primeira Exposição Agropecuária – 1967”,
redigido pelo vigário Cônego José Ferreira Netto, constitui uma fonte primária
de grande relevância para a compreensão das dinâmicas sociais, econômicas e
simbólicas de Itaúna na segunda metade do século XX.
À frente da
Paróquia de Santana por mais de quatro décadas, o sacerdote não apenas exerceu
funções religiosas, mas também se afirmou como um agente ativo na construção da
memória local, registrando eventos que extrapolavam o campo estritamente
eclesiástico.
Inserido no Livro
Tombo II (1948–1992), o texto revela a centralidade da Igreja na
organização e legitimação de iniciativas públicas, como a realização da
primeira exposição agropecuária do município. A abertura do evento com uma
missa campal, assistida por autoridades, organizadores e uma expressiva
multidão, evidencia a intersecção entre religiosidade, poder institucional e
vida comunitária, característica marcante de cidades do interior brasileiro no
período.
O relato também
destaca elementos que permitem observar práticas culturais e representações
sociais da época, como o cortejo até o Campo da Vargem, a valorização da
pecuária como eixo econômico e, de maneira particular, a presença das chamadas
“amazonas”— jovens mulheres montadas, cuja participação sugere tanto um
componente festivo quanto uma dimensão simbólica de distinção social e
estética.
Ao registrar os
nomes dos organizadores e enfatizar o sucesso do evento, o texto assume um tom
celebrativo, próprio da escrita paroquial, que tende a valorizar a ordem, a
participação coletiva e os êxitos da comunidade. Nesse sentido, mais do que uma
simples descrição factual, o documento deve ser lido criticamente, como uma
narrativa que constrói memória, seleciona protagonistas e reforça determinadas
visões sobre o desenvolvimento local.
Assim, o escrito
de José Ferreira Netto não apenas documenta a realização da primeira exposição
agropecuária de Itaúna, mas também ilumina o papel da Igreja como mediadora
entre tradição, progresso e identidade social, oferecendo ao pesquisador uma
janela privilegiada para a compreensão das relações entre fé, economia e
sociabilidade no contexto itaunense.
"Teve
seu início com uma missa campal em frente a matriz, assistida por todas as
autoridades e organizadores proprietários dos animais e uma grande multidão,
apesar de ter sido em dia útil em 25 de agosto.
Formou-se
em seguida grande cortejo, para o local da exposição Campo da Vargem. Aí foram erguidos
diversos galpões, neles belos tipos de gado.
O
que mais se destacou foi o grupo das amazonas, jovens moças tipicamente
vestidas, montadas em seus vistosos cavalos, perto de umas cinquentas. Foram três dias de grande movimento em Itaúna.
Foi encerrada a exposição no dia 28 de agosto com a entrega dos valiosos
prêmios.
Foram
os grandes batalhadores desta exposição os senhores Ibsen Drumond e Dr. Oscar".
Vigário Cônego José Ferreira Netto
Referências:
Livro Tombo II (1948-1992), página 84, 1967. Paróquia Santana de Itaúna/MG
Imagem:
Reconstituição
visual ilustrativa inspirada no registro da
Primeira Exposição Agropecuária de Itaúna (1967), descrita pelo vigário
Cônego José Ferreira Netto no Livro Tombo II (1948–1992), página 84.
A composição não
corresponde a um registro fotográfico do evento, mas a uma interpretação
artística baseada na narrativa paroquial, buscando representar o contexto
social da época, a centralidade da Igreja na abertura da exposição, marcada
pela missa campal em frente à matriz , o cortejo até o Campo da Vargem e a
dinâmica rural evidenciada pela presença de carros de bois, criadores e
público.
Destaca-se,
ainda, a inclusão das chamadas “amazonas”, jovens montadas que participaram do
evento, elemento mencionado na fonte e que revela aspectos simbólicos, sociais
e culturais da celebração.
A imagem, portanto, deve ser compreendida como uma construção visual interpretativa, orientada pela fonte escrita, com o objetivo de evocar a ambiência, os agentes envolvidos e as práticas coletivas associadas à realização da primeira exposição agropecuária do município.
Organização, arte e pesquisa: Charles Aquino – Historiador Registro nº 343/MG
segunda-feira, julho 20, 2026
PORTAL SERTÕES DE MINAS
Portal Sertões de Minas: História, Memória e Patrimônio
Os sertões de Minas não são apenas um espaço geográfico. São territórios marcados pela formação de povoados, pela abertura de caminhos, pela religiosidade, pelas tradições populares e pelas histórias de homens e mulheres que construíram a identidade do interior mineiro ao longo dos séculos.
O Portal Sertões de Minas nasce com a missão de reunir, preservar e divulgar esse patrimônio histórico e cultural, oferecendo um ambiente dedicado à pesquisa, à memória e à valorização da história regional.
Mais do que um repositório de informações, o portal pretende aproximar pesquisadores, professores, estudantes e todos aqueles que reconhecem na história um instrumento essencial para compreender o presente e preservar o legado do passado.
Aqui, o visitante encontrará artigos, documentos históricos, fotografias, mapas, livros, biografias, estudos acadêmicos e conteúdos voltados aos municípios que compõem os antigos sertões mineiros.
Cada publicação busca unir rigor histórico, linguagem acessível e compromisso com a preservação das fontes, contribuindo para fortalecer a identidade cultural das comunidades do Centro-Oeste e de outras regiões de Minas Gerais.
O portal também nasce como um espaço de colaboração. Historiadores, pesquisadores, instituições culturais e arquivos são convidados a compartilhar conhecimentos e documentos que ampliem o acesso à história regional, promovendo a circulação do conhecimento e incentivando novas pesquisas.
Inspirado nos antigos mapas, nas rotas dos desbravadores e na riqueza do patrimônio material e imaterial de Minas Gerais, o Portal Sertões de Minas reafirma seu compromisso com três pilares fundamentais:
História, como conhecimento baseado em pesquisa e documentação;
Memória, como preservação das experiências e das identidades coletivas;
Patrimônio, como reconhecimento e valorização dos bens culturais que constituem nossa herança histórica.
Mais do que contar histórias, o Portal Sertões de Minas busca preservá-las para as futuras gerações, transformando documentos, imagens e pesquisas em uma ponte entre o passado e o presente.
Seja bem-vindo ao Portal Sertões de Minas. Um espaço dedicado à história, à memória e ao patrimônio do interior mineiro.
Institucional
quinta-feira, julho 02, 2026
O PRIMEIRO SACERDOTE
A história de Itaúna, cidade do Centro-Oeste de Minas Gerais, é marcada por profundas raízes coloniais e encontra em suas origens figuras que exerceram papéis determinantes na formação espiritual, social e cultural da localidade.
Entre
elas destaca-se o Padre José Teixeira de Camargo, o primeiro sacerdote a
celebrar missa no então arraial de Sant’Ana do São João Acima, marco inicial da
vida religiosa e comunitária que viria a moldar o futuro município de Itaúna,
Minas Gerais.
José Teixeira de Camargo nasceu em 12 de maio de 1740, na cidade de Congonhas do Campo/MG, filho do casal Tomás Teixeira e Ana Maria Cardoso de Camargo.
Por
parte materna, trazia uma linhagem ilustre, típica das famílias que
participaram da formação do interior paulista e mineiro: era neto de João Lopes
de Camargo e Isabel Cardoso de Almeida, e tetraneto de José Ortiz de Camargo e
Leonor Domingues Carvoeiro (nomes vinculados à expansão bandeirante e à
ocupação do sertão do Brasil colônia).
José
Teixeira de Camargo, portanto, cresceu em meio à tradição da religiosidade e do
prestígio familiar, o que lhe garantiu condições de buscar o sacerdócio. No
entanto, a entrada nos quadros do clero na segunda metade do século XVIII
exigia muito mais do que vocação. Na época em que este jovem padre ingressou no
seminário, a Igreja Católica vivia sob forte conservadorismo. Ser ordenado
sacerdote implicava enfrentar um rígido processo de comprovações.
O
primeiro desafio era a prova de “pureza de sangue”, exigência que visava
atestar que o candidato “não era descendente de penitenciado pelo Santo
Ofício (inquisição), nem de judeu, mouro, mourisco, preto, mulato ou qualquer
outra nação infecta.”
Vencida essa barreira racial e religiosa, processo comum àquele tempo, seguia-se a avaliação dos costumes morais e da reputação “ilibada”, feita por testemunhas em segredo, sob juramento. Era necessário demonstrar uma vida “sem manchas”, íntegra e respeitável, tanto do ponto de vista pessoal quanto familiar.
Por fim, o terceiro requisito consistia em doar um patrimônio à
diocese, condição indispensável à ordenação. Era exigido que esse patrimônio
fosse legítimo e desvinculado de bens de raiz ou escravizados. No caso de José,
foram seus pais que realizaram a doação de parte da fazenda adquirida pela
família, o que permitiu que o processo fosse concluído.
Àquela altura, a cidade de Mariana, sede do bispado, passava por um período de transição, sem um bispo titular, sendo então administrada pelo Cabido Eclesiástico. Nesse contexto, coube ao influente cônego Ignácio Corrêa de Sá, também comissário do Santo Ofício e juiz das Justificações de Genere, conduzir os trâmites e nomeações eclesiásticas.
Para julgar o processo de
moralidade e origem, “de moribus”, de José Teixeira, nomeou-se o padre
Jorge de Abreu Castelo Branco, bacharel pela Universidade de Coimbra e vigário
da Freguesia de Pitangui e “pai da Joaquina do Pompéu, ordenado viúvo”.
Com
o processo aprovado, o próprio padre Jorge de Abreu nomeou, em 4 de fevereiro
de 1766, José Teixeira de Camargo como capelão da Capela de Sant’Ana do São
João Acima, então filial da Matriz de Nossa Senhora do Pilar de Pitangui.
Tratava-se da primeira nomeação formal de um sacerdote para atuar de forma
permanente no arraial, localizado em ponto estratégico de passagem de tropas e
de expansão da ocupação do sertão, já densamente povoado e carente de
assistência espiritual.
Aos
23 dias de abril, José Teixeira Camargo, ainda na condição de diácono,
formalizou um requerimento ao Juiz das Dispensas em Mariana, explicando as
razões para sua ordenação imediata. Alegava que a capela de Sant’Ana já estava
concluída há seis meses, mas seguia sem sacerdote, e que havia grande carência
de clérigos em toda a região do bispado de Mariana, não apenas para as terras
povoadas, mas para aquelas que vinham sendo recentemente descobertas e
colonizadas. Seu apelo foi atendido.
Ainda
no mesmo ano de 1766, José Teixeira foi finalmente ordenado sacerdote e
assumiu a capela de Sant’Ana, sendo o primeiro padre a celebrar oficialmente
uma missa naquele espaço sagrado. Com esse ato inaugural, inaugurava-se também
uma nova etapa no processo de enraizamento da fé católica e da vida comunitária
no arraial, que com o tempo viria a se tornar o município de Itaúna.
Por
mais de dois séculos, a sua memória permaneceu
viva sobretudo em registros históricos e nos relatos da tradição oral local.
Entretanto, seu nome demorou a ser reconhecido oficialmente nos espaços
públicos da cidade que ajudou a fundar.
Em
4 de setembro de 1968, foi promulgada a Lei Municipal nº 908, que deu à praça
localizada em torno da Igreja do Rosário o nome de “Praça Manoel Pinto
Moreira”. Conforme reconheceu posteriormente Guaracy de Castro
Nogueira, o nome homenageado nunca existiu, sendo fruto de um equívoco
administrativo que ele próprio admitiu: “Este cidadão nunca existiu e eu sou
o culpado, até que mude a denominação. Espero que tenha o nome do primeiro
sacerdote que nela celebrou a primeira missa.”
A
correção desse erro histórico foi finalmente realizada em 23 de março de 2004, trinta
e seis anos após a nomeação anterior, com a promulgação da Lei Municipal nº
3.861, que modificou oficialmente o nome da praça para “Praça Pe. José Teixeira de Camargo”, reconhecendo de forma institucional o papel daquele que foi o
primeiro sacerdote a atuar oficialmente em Itaúna.
A
nova lei, além de revogar a anterior, determinou à Prefeitura a colocação de
placas indicativas e a comunicação às instituições públicas e concessionárias
de serviços essenciais sobre a alteração do logradouro.
A
trajetória do Padre representa um elo vital entre a
expansão da fé católica, os processos de ocupação do sertão mineiro e a
consolidação das comunidades locais durante o período colonial. Ao ser o
primeiro a celebrar missa na capela de Sant’Ana, ele não apenas cumpriu um rito
litúrgico inaugural, mas fundou espiritualmente um povoado, ajudando a definir
suas identidades, valores e referências religiosas.
Mais
do que o primeiro a erguer a hóstia consagrada no altar de Sant’Ana do São João
Acima, certamente, foi também uma figura que encarnou os ideais da Igreja
colonial, o peso das tradições familiares e o impulso civilizador que moldou o
interior de Minas Gerais. Seu percurso, da rígida formação eclesiástica à
atuação pastoral em terras remotas, revela os bastidores de um tempo em que o
sacerdócio representava mais do que vocação: era um caminho árduo de
legitimação social, étnica e econômica.
Recuperar sua história é mais do que prestar homenagem: é restaurar a memória de um dos pilares invisíveis que sustentaram a fé, a esperança e a formação comunitária do que viria a ser Itaúna. A posterior reparação toponímica feita em 2004 sela um compromisso da cidade de Itaúna com sua própria história. Dar nome a um espaço público é também reconhecer a relevância de um passado que não pode ser esquecido.
E nesse caso, o passado do arraial de Sant’Ana do Rio São João Acima
também passa necessariamente pela figura de seu primeiro padre, cuja presença, hoje gravada no nome da praça, ecoa como sinal de pertencimento e permanência.
Que
seu nome seja enfim reconhecido onde deve: na “Praça Pe. José Teixeira de
Camargo” que hoje ocupa o mesmo chão em que ele certamente, pela
primeira vez, levantou a voz para dizer “Dominus vobiscum” no coração do
povoado de Sant’Ana.
Referências:
Pesquisa
e elaboração: Charles Aquino
CMI
- CÂMARA MUNICPAL DE ITAÚNA. Lei nº 908, de 4 de setembro de 1968. Dá
denominação à praça situada em volta da Igreja Nossa Senhora do Rosário como
“Praça Manoel Pinto Moreira”, Itaúna, MG, 4 set. 1968. Disponível em: https://sapl.itauna.mg.leg.br/norma/8986
CMI – CÂMARA MUNICIPAL DE ITAÚNA. Lei nº 3.861, de 23 de março de 2004. Modifica denominação de logradouro público para “Praça Pe. José Teixeira de Camargo”, Itaúna, MG, 23 mar. 2004. Disponível em: https://sapl.itauna.mg.leg.br/norma/9841
Fonte
Impressa: Itaúna em Detalhes – Pesquisa Guaracy de
Castro Nogueira - Enciclopédia Ilustrada de Pesquisa. Edição: Jornal
Folha do Povo, 2003, p. 4, 6-7,
Ilustração inspirada no conteúdo do texto.
sábado, junho 27, 2026
PADRE CÁUPER
quinta-feira, junho 25, 2026
ÚLTIMO DESEJO 1834
terça-feira, junho 23, 2026
FRANCISCO 1884
Em
1884, um jovem escravizado desapareceu de uma fazenda no interior de Minas
Gerais. Seu nome era Francisco.
Inspirado
em documentos históricos do período da escravidão, este livro reconstrói, de
forma narrativa, a trajetória de um homem que ousou buscar a liberdade em uma
época marcada pelo cativeiro, pela perseguição e pela incerteza. Entre
fazendas, estradas, quilombos e os últimos anos do regime escravista, o leitor
acompanha uma jornada de coragem, resistência e esperança.
Mais
do que a história de um indivíduo, Francisco 1884 revela aspectos da vida
cotidiana dos escravizados, das redes de solidariedade que ajudavam fugitivos e
das transformações que culminaram na Abolição da Escravidão em 1888.
Uma obra que combina pesquisa documental e narrativa histórica para resgatar a humanidade daqueles que muitas vezes aparecem nos arquivos apenas como nomes, descrições ou anúncios de fuga.
Saiba mais:
sexta-feira, junho 12, 2026
NOVA RAINHA
Temos uma Nova Rainha Perpétua de Santa Ifigênia
Um registro da cerimônia documenta a coroação de Samara Regina Ferreira como nova Rainha Perpétua de Santa Ifigênia do Reinado de Nossa Senhora do Rosário de Itaúna (MG), sucedendo sua avó, D. Maria da Conceição de Jesus (D. Sãozinha), que durante décadas exerceu papel central na preservação da tradição congadeira local.
A escolha da nova Rainha Perpétua representa a continuidade de um legado familiar, religioso e cultural profundamente vinculado à Irmandade das Sete Guardas e à preservação das festividades do Reinado. A sucessão reafirma a transmissão da missão desempenhada pela Rainha Perpétua entre gerações, fortalecendo a memória coletiva e a permanência das tradições afro-brasileiras que caracterizam o Reinado de Nossa Senhora do Rosário em Itaúna.
A trajetória de Samara Regina Ferreira no Reinado teve início ainda na infância, quando foi coroada princesa e passou a integrar as celebrações do Reinado de Nossa Senhora do Rosário, evidenciando a continuidade da tradição entre gerações.
Com a coroação, Samara Regina Ferreira passou a assumir, ao lado do Rei Congo Dilermando e da Rainha Conga Maria Ana, a responsabilidade pela condução dos festejos do Reinado, mantendo viva uma herança cultural transmitida entre gerações.
O registro descreve ainda o ritual de coroação realizado na Capelinha das Sete Guardas. A cerimônia é marcada por cortejo, cânticos, orações e pela entrega dos principais símbolos da realeza congadeira: a coroa, o manto e a insígnia.
Cada etapa é acompanhada por versos tradicionais entoados pelo Capitão-Mor e respondidos pela assembleia, reforçando o caráter sagrado da coroação e a devoção a Nossa Senhora do Rosário.
Por se tratar da coroação da Rainha de Santa Ifigênia, o rito inclui ainda elementos específicos ligados à santa, como a entrega simbólica da Casinha de Santa Ifigênia, além de cantos, homenagens e do ritual de cumprimentos realizado pelos congadeiros.
As guardas de Moçambique e Candombe participam ativamente da celebração, saudando a nova rainha com flores, cânticos e toques de caixas e gungas.
Ao final, o cortejo conduz a nova Rainha até a residência de D. Sãozinha, que permanece como quartel das guardas, simbolizando a continuidade da tradição.
Ao final, o registro reafirma o Reinado como expressão de fé, memória, ancestralidade e resistência cultural, ressaltando que o respeito a essa manifestação passa pelo conhecimento de suas tradições e pela convivência com a comunidade congadeira de Itaúna.
Nota metodológica
A presente síntese foi elaborada com base em um relato de observação produzido pelo Professor Geraldo Fonte Boa durante a cerimônia de coroação da Rainha Perpétua de Santa Ifigênia. Como registro contemporâneo ao acontecimento, a fonte documenta aspectos da liturgia, dos cânticos e das práticas cerimoniais do Reinado de Nossa Senhora do Rosário em Itaúna, constituindo relevante testemunho para o estudo dessa tradição.
Nota complementar
A cerimônia de coroação da Rainha Perpétua de Santa Ifigênia, realizada em 2024, também foi registrada em vídeo por Gilson Antônio e encontra-se disponível no YouTube. O registro audiovisual constitui uma importante fonte complementar para a preservação da memória do Reinado de Nossa Senhora do Rosário de Itaúna, permitindo acompanhar os ritos, cânticos, símbolos e homenagens que marcaram a coroação de Samara Regina Ferreira como sucessora de D. Sãozinha na função de Rainha Perpétua de Santa Ifigênia.
Referências
FONTE BOA, Geraldo. Temos uma nova Rainha Perpétua de Santa Ifigênia! Itaúna, 24 mar. 2024. Disponível em: https://phonteboa.blogspot.com/2024/03/temos-uma-nova-rainha-perpetua-de-santa.html. Acesso em: 3 jun. 2026.
Registro audiovisual da cerimônia: Coroação da Rainha Perpétua de Santa Ifigênia (2024) – Gilson Antônio. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=w4A4QzSEt9Y
© AFRO MEMÓRIA ITAUNENSE
Projeto independente de memória, história e patrimônio cultural.
Síntise, pesquisa, arte e concepção:
Charles Galvão de Aquino — Historiador (Registro nº 343/MG).
Nota sobre a imagem de capa
A imagem de capa consiste em uma representação artística inspirada em referências históricas, culturais e iconográficas relacionadas ao Reinado de Nossa Senhora do Rosário de Itaúna (MG). Não se trata de um registro fotográfico de um evento específico, mas de uma composição concebida para ilustrar o universo simbólico e religioso abordado nesta obra.
https://orcid.org/0009-0002-8056-8407











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