domingo, maio 03, 2026

ITAÚNA FOOT-BALL CLUB

PRIMEIRA AGREMIAÇÃO ESPORTIVA ITAÚNA

PRIMEIRA AGREMIAÇÃO ESPORTIVA

Em maio de 1914, rapazes da época fundaram a primeira agremiação esportiva da cidade denominada “Itaúna Foot-Ball Club”, que tinha por presidente o Sr. Josaphat Santiago, secretário Solon Melo, tesoureiro José Santiago e o juiz treinador Abelardo Lima. 

O campo dos jogos ficava na “Vargem”, nos fundos do Itaúna Hotel, e aos domingos havia partidas frequentadas por grande parte da população. (Dornas, 1936).


Nota histórica sobre a colorização digital da imagem

Destaca-se que a imagem que apresenta o jogador isolado, com boné e o pé apoiado sobre a bola, não corresponde a um registro fotográfico original. Trata-se de uma reconstrução visual gerada por meio de inteligência artificial, elaborada a partir da extração e interpretação de um dos indivíduos presentes na fotografia histórica original.

A partir dessa referência, foram aplicados comandos específicos com o objetivo de produzir uma representação individualizada, inexistente no acervo original. 

Dessa forma, a imagem deve ser compreendida como uma criação digital interpretativa, baseada em elementos históricos, não se configurando como documento primário, mas como recurso visual auxiliar voltado à mediação e à ampliação da compreensão do contexto retratado.

Trata-se de um registro visual cuja materialidade e características técnicas indicam produção em contexto histórico anterior à popularização da fotografia em cores, o que limita a identificação precisa dos elementos cromáticos originais.

A versão colorida apresentada foi produzida por meio de técnicas de inteligência artificial (IA), com o objetivo de oferecer uma reconstituição visual interpretativa das possíveis cores da cena.

Ressalta-se que não existem registros cromáticos da fotografia original, sendo, portanto, impossível determinar com precisão absoluta as cores utilizadas no momento do registro. Nesse sentido, a imagem colorizada deve ser compreendida como uma aproximação visual fundamentada, e não como reprodução fiel.

A colorização adotou como base critérios históricos e técnicos, considerando estudos sobre vestuário esportivo do período, padrões de contraste em fotografia monocromática e a cultura material associada ao futebol nas primeiras décadas do século XX. 

Todavia, a utilização de inteligência artificial em contextos de preservação e interpretação do patrimônio cultural demanda reflexão crítica.

Conforme aponta Bravo (2024), embora tais tecnologias apresentem elevada capacidade de processamento e reconstrução visual, sua aplicação exige avaliação quanto à viabilidade, à sustentabilidade e, sobretudo, às implicações éticas relacionadas à autenticidade e ao valor cultural dos bens patrimoniais. Nesse contexto, torna-se fundamental a atuação interdisciplinar entre especialistas das áreas de arte, tecnologia e conservação.

Além disso, a interpretação da imagem não deve ser entendida como um processo fixo ou definitivo. De acordo com Rodrigues e Rodrigues (2013), interpretar uma imagem implica atribuir sentidos e significados que variam conforme o contexto, a experiência e o olhar do observador, configurando-se como uma leitura possível entre múltiplas alternativas.

Assim, a colorização aqui apresentada constitui apenas uma dentre diversas interpretações plausíveis, construída a partir de critérios técnicos e referências históricas. No campo da preservação e restauração de imagens, a dimensão ética também se impõe como elemento central.

Costa destaca que intervenções visuais devem manter um equilíbrio rigoroso entre a recuperação estética e a preservação da integridade do documento original, evitando que a ação interpretativa ultrapasse os limites da reconstituição e se configure como alteração indevida. 

Tal princípio orientou o processo de colorização, buscando minimizar anacronismos e respeitar as características históricas da imagem.

A presente imagem consiste em uma versão colorizada, por meio de inteligência artificial, de uma fotografia originalmente em preto e branco, provavelmente datada das primeiras décadas do século XX, representando uma equipe de futebol acompanhada de um adulto, possivelmente treinador, dirigente ou professor, posando em ambiente externo.

Dessa forma, a versão colorizada constitui um recurso interpretativo que amplia a legibilidade e a acessibilidade do registro histórico, especialmente para públicos contemporâneos.

No entanto, não substitui o documento original em preto e branco, que permanece como fonte primária e referência fundamental para a análise histórica. Ambas as versões devem ser compreendidas de maneira complementar: a original como suporte documental autêntico e a colorizada como instrumento de mediação cultural.


Justificativa técnica

Camisas dos jogadores (azul escuro / azul-marinho):

Escolha baseada na tonalidade muito escura observada na imagem original em escala de cinza. Tecidos utilizados em uniformes esportivos do início do século XX frequentemente apresentavam cores sóbrias como azul-marinho, preto ou verde escuro, devido à durabilidade e disponibilidade de pigmentos.

Calções (branco / off-white):

A alta refletância na fotografia indica tonalidade clara. Registros históricos mostram que calções brancos eram amplamente utilizados no futebol da época, sendo uma convenção comum.

Lenços ou gravatas (branco):

Elementos visivelmente claros na imagem original. O uso de lenços ou gravatas leves fazia parte de uniformes esportivos iniciais, especialmente em contextos amadores ou escolares.

Meias (azul escuro):

Harmonizadas com a cor das camisas, seguindo práticas comuns de uniformização visual em equipes.

Calçados (marrom couro):

Baseado no uso predominante de botas de couro natural no período, frequentemente em tonalidades marrons.

Bola (marrom):

Coerente com bolas de futebol antigas, confeccionadas em couro cru ou tratado, com costuras aparentes.

Traje do adulto (terno marrom/cinza):
Inspirado na moda masculina formal da época, caracterizada por tecidos como tweed e cores neutras.

Vegetação (tons naturais de verde):
Aplicados de forma realista, considerando iluminação difusa e textura de vegetação densa.

Considerações metodológicas

   A colorização não deve ser interpretada como reprodução fiel, mas sim como uma interpretação cromática plausível, baseada em: análise de contraste da fotografia original; referências históricas de vestuário esportivo; conhecimento sobre materiais e pigmentos disponíveis no período; e padrões visuais de equipes de futebol do início do século XX.

   Adicionalmente, a geração da imagem individualizada por inteligência artificial constitui uma reconstrução interpretativa derivada da fotografia original, elaborada a partir da extração e reconfiguração de elementos visuais, não correspondendo a um registro histórico autêntico.

   Todas as intervenções foram realizadas com o compromisso de minimizar anacronismos e manter coerência histórica, respeitando a distinção entre documento original e produções derivadas.

PRIMEIRA AGREMIAÇÃO ESPORTIVA ITAÚNA

 Identificação do objeto

Título atribuído:  Itaúna Foot-Ball Club

Datação estimada: c. 1900 - 1914

Tipologia: Fotografia histórica (retrato coletivo)

Suporte original: Fotografia monocromática (preto e branco)

Localização: Município de Itaúna (MG)

Estado da imagem original: Baixa definição, granulação acentuada, perda de detalhes finos

Acervo:  DORNAS FILHO, João (1936)

Natureza da intervenção

Tipo de intervenção: Colorização digital interpretativa e geração de imagem derivada por inteligência artificial

Tecnologia empregada: Modelos de inteligência artificial para reconstrução cromática assistida e geração de imagens a partir de referência visual

Mediação humana: Curadoria e ajuste manual das cores, bem como definição de parâmetros e comandos para geração da imagem derivada, com base em referências históricas

Finalidade: Mediação cultural, difusão e ampliação da legibilidade visual, bem como exploração interpretativa de elementos presentes na fotografia original

Caráter: Não substitutivo — a imagem original permanece como documento primário, sendo as demais versões compreendidas como derivações interpretativas

 Sobre o uso de inteligência artificial

A imagem foi processada utilizando modelos de inteligência artificial treinados em reconhecimento visual e geração de imagens, capazes de aplicar cores de forma contextual. A intervenção humana orientou as escolhas cromáticas, garantindo alinhamento com referências históricas.

Adicionalmente, a inteligência artificial foi empregada na geração de uma imagem derivada, correspondente à representação individualizada de um dos jogadores presentes na fotografia original.

Essa imagem foi produzida a partir da interpretação de elementos visuais extraídos do registro histórico, mediante comandos específicos, não correspondendo, portanto, a um documento fotográfico original.

  Conclusão

A versão colorizada constitui um recurso interpretativo que amplia a legibilidade e a acessibilidade do registro histórico, especialmente para públicos contemporâneos. Sua elaboração baseou-se em critérios históricos e técnicos, orientados pela busca de verossimilhança e pela minimização de anacronismos.

Ressalta-se, contudo, que a imagem colorizada não substitui o documento original em preto e branco, o qual permanece como fonte primária e referência fundamental para análise histórica. Ambas as versões devem ser compreendidas de forma complementar, sendo a primeira um instrumento de mediação e a segunda o suporte documental autêntico.

Adicionalmente, a imagem individual gerada por inteligência artificial deve ser compreendida como uma reconstrução interpretativa derivada da fotografia original, não se configurando como registro histórico, mas como recurso visual auxiliar voltado à ampliação da compreensão do contexto representado.

 

Organização e pesquisa: Charles Galvão de Aquino. Historiador – Registro nº 343/MG.

Referências:

BRAVO, Teddy Alex Cevallos. Tecnologías para la conservación del arte y patrimonio cultural: algoritmos de inteligencia artificial en aplicaciones. Revista ASRI. Universidad Técnica de Manabí, 2024. Disponível em: https://revistaasri.com/article/view/6741/7327. Acesso em: 2026.

COSTA, Júnior. Revitalizando o passado: IA transforma restauração de imagens. Disponível em: https://juniorcosta.com.br/revitalizando-o-passado-ia-transforma-restauracao-de-imagens/. Acesso em: 2026.

DORNAS FILHO, João. Itaúna: contribuição para a história do município. 1936. p. 86-87.

RODRIGUES, Iara; RODRIGUES, Liliana. Fotografia e a interpretação do real. In: INTERCOM – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, 2013. Disponível em: http://www.intercom.org.br/papers/nacionais/2013/resumos/R8-1342-1.pdf. Acesso em: 2026. 

ITAÚNA FOOT-BALL CLUB by Itaúna Décadas