Em maio de 1914, rapazes da época fundaram a primeira agremiação esportiva da cidade denominada “Itaúna Foot-Ball Club”, que tinha por presidente o Sr. Josaphat Santiago, secretário Solon Melo, tesoureiro José Santiago e o juiz treinador Abelardo Lima.
O campo
dos jogos ficava na “Vargem”, nos fundos do Itaúna Hotel, e aos domingos havia
partidas frequentadas por grande parte da população. (Dornas, 1936).
Nota histórica sobre a colorização digital da imagem
Destaca-se que a imagem que apresenta o jogador isolado, com boné e o pé apoiado sobre a bola, não corresponde a um registro fotográfico original. Trata-se de uma reconstrução visual gerada por meio de inteligência artificial, elaborada a partir da extração e interpretação de um dos indivíduos presentes na fotografia histórica original.
A partir dessa referência, foram aplicados comandos específicos com o objetivo de produzir uma representação individualizada, inexistente no acervo original.
Dessa forma, a imagem deve ser compreendida como uma criação digital interpretativa, baseada em elementos históricos, não se configurando como documento primário, mas como recurso visual auxiliar voltado à mediação e à ampliação da compreensão do contexto retratado.
Trata-se de um registro
visual cuja materialidade e características técnicas indicam produção em
contexto histórico anterior à popularização da fotografia em cores, o que
limita a identificação precisa dos elementos cromáticos originais.
A versão colorida
apresentada foi produzida por meio de técnicas de inteligência artificial (IA),
com o objetivo de oferecer uma reconstituição visual interpretativa das
possíveis cores da cena.
Ressalta-se que não existem
registros cromáticos da fotografia original, sendo, portanto, impossível
determinar com precisão absoluta as cores utilizadas no momento do registro.
Nesse sentido, a imagem colorizada deve ser compreendida como uma aproximação
visual fundamentada, e não como reprodução fiel.
A colorização adotou como base critérios históricos e técnicos, considerando estudos sobre vestuário esportivo do período, padrões de contraste em fotografia monocromática e a cultura material associada ao futebol nas primeiras décadas do século XX.
Todavia,
a utilização de inteligência artificial em contextos de preservação e
interpretação do patrimônio cultural demanda reflexão crítica.
Conforme aponta Bravo (2024),
embora tais tecnologias apresentem elevada capacidade de processamento e
reconstrução visual, sua aplicação exige avaliação quanto à viabilidade, à
sustentabilidade e, sobretudo, às implicações éticas relacionadas à
autenticidade e ao valor cultural dos bens patrimoniais. Nesse contexto,
torna-se fundamental a atuação interdisciplinar entre especialistas das áreas
de arte, tecnologia e conservação.
Além disso, a interpretação
da imagem não deve ser entendida como um processo fixo ou definitivo. De acordo
com Rodrigues e Rodrigues (2013), interpretar uma imagem implica atribuir
sentidos e significados que variam conforme o contexto, a experiência e o olhar
do observador, configurando-se como uma leitura possível entre múltiplas
alternativas.
Assim, a colorização aqui
apresentada constitui apenas uma dentre diversas interpretações plausíveis,
construída a partir de critérios técnicos e referências históricas. No campo da
preservação e restauração de imagens, a dimensão ética também se impõe como
elemento central.
Costa destaca que intervenções visuais devem manter um equilíbrio rigoroso entre a recuperação estética e a preservação da integridade do documento original, evitando que a ação interpretativa ultrapasse os limites da reconstituição e se configure como alteração indevida.
Tal princípio orientou o processo de colorização, buscando
minimizar anacronismos e respeitar as características históricas da imagem.
A presente imagem consiste em uma versão colorizada, por meio de inteligência artificial, de uma fotografia originalmente em preto e branco, provavelmente datada das primeiras décadas do século XX, representando uma equipe de futebol acompanhada de um adulto, possivelmente treinador, dirigente ou professor, posando em ambiente externo.

Dessa forma, a versão colorizada constitui um recurso interpretativo que amplia a legibilidade e a acessibilidade do registro histórico, especialmente para públicos contemporâneos.
No entanto, não substitui o documento original em preto e branco, que permanece como fonte primária e referência fundamental para a análise histórica. Ambas as versões devem ser compreendidas de maneira complementar: a original como suporte documental autêntico e a colorizada como instrumento de mediação cultural.
Camisas dos jogadores (azul escuro / azul-marinho):
Escolha baseada na tonalidade muito escura
observada na imagem original em escala de cinza. Tecidos utilizados em
uniformes esportivos do início do século XX frequentemente apresentavam cores
sóbrias como azul-marinho, preto ou verde escuro, devido à durabilidade e
disponibilidade de pigmentos.
Calções (branco / off-white):
A alta refletância na fotografia indica tonalidade
clara. Registros históricos mostram que calções brancos eram amplamente
utilizados no futebol da época, sendo uma convenção comum.
Lenços ou gravatas (branco):
Elementos visivelmente claros na imagem original. O
uso de lenços ou gravatas leves fazia parte de uniformes esportivos iniciais,
especialmente em contextos amadores ou escolares.
Meias (azul escuro):
Harmonizadas com a cor das camisas, seguindo
práticas comuns de uniformização visual em equipes.
Calçados (marrom couro):
Baseado no uso predominante de botas de couro
natural no período, frequentemente em tonalidades marrons.
Bola (marrom):
Coerente com bolas de futebol antigas,
confeccionadas em couro cru ou tratado, com costuras aparentes.
Traje do adulto (terno marrom/cinza):
Inspirado na moda masculina
formal da época, caracterizada por tecidos como tweed e cores neutras.
Vegetação (tons naturais de verde):
Aplicados de forma realista,
considerando iluminação difusa e textura de vegetação densa.
Considerações
metodológicas
A
colorização não deve ser interpretada como reprodução fiel, mas sim como uma
interpretação cromática plausível, baseada em: análise de contraste da
fotografia original; referências históricas de vestuário esportivo;
conhecimento sobre materiais e pigmentos disponíveis no período; e padrões
visuais de equipes de futebol do início do século XX.
Adicionalmente,
a geração da imagem individualizada por inteligência artificial constitui uma
reconstrução interpretativa derivada da fotografia original, elaborada a partir
da extração e reconfiguração de elementos visuais, não correspondendo a um
registro histórico autêntico.
Todas
as intervenções foram realizadas com o compromisso de minimizar anacronismos e
manter coerência histórica, respeitando a distinção entre documento original e
produções derivadas.
Título
atribuído: Itaúna Foot-Ball Club
Datação
estimada: c. 1900 - 1914
Tipologia:
Fotografia histórica (retrato coletivo)
Suporte
original: Fotografia monocromática (preto e branco)
Localização:
Município de Itaúna (MG)
Estado
da imagem original: Baixa definição, granulação acentuada, perda de detalhes
finos
Acervo:
DORNAS FILHO, João (1936)
Natureza da intervenção
Tipo
de intervenção: Colorização digital interpretativa e geração de imagem derivada
por inteligência artificial
Tecnologia
empregada: Modelos de inteligência artificial para reconstrução cromática
assistida e geração de imagens a partir de referência visual
Mediação
humana: Curadoria e ajuste manual das cores, bem como definição de parâmetros e
comandos para geração da imagem derivada, com base em referências históricas
Finalidade:
Mediação cultural, difusão e ampliação da legibilidade visual, bem como
exploração interpretativa de elementos presentes na fotografia original
Caráter:
Não substitutivo — a imagem original permanece como documento primário, sendo
as demais versões compreendidas como derivações interpretativas
A
imagem foi processada utilizando modelos de inteligência artificial treinados
em reconhecimento visual e geração de imagens, capazes de aplicar cores de
forma contextual. A intervenção humana orientou as escolhas cromáticas,
garantindo alinhamento com referências históricas.
Adicionalmente,
a inteligência artificial foi empregada na geração de uma imagem derivada,
correspondente à representação individualizada de um dos jogadores presentes na
fotografia original.
Essa
imagem foi produzida a partir da interpretação de elementos visuais extraídos
do registro histórico, mediante comandos específicos, não correspondendo,
portanto, a um documento fotográfico original.
A
versão colorizada constitui um recurso interpretativo que amplia a legibilidade
e a acessibilidade do registro histórico, especialmente para públicos
contemporâneos. Sua elaboração baseou-se em critérios históricos e técnicos,
orientados pela busca de verossimilhança e pela minimização de anacronismos.
Ressalta-se,
contudo, que a imagem colorizada não substitui o documento original em preto e
branco, o qual permanece como fonte primária e referência fundamental para
análise histórica. Ambas as versões devem ser compreendidas de forma
complementar, sendo a primeira um instrumento de mediação e a segunda o suporte
documental autêntico.
Adicionalmente,
a imagem individual gerada por inteligência artificial deve ser compreendida
como uma reconstrução interpretativa derivada da fotografia original, não se
configurando como registro histórico, mas como recurso visual auxiliar voltado
à ampliação da compreensão do contexto representado.
Organização
e pesquisa: Charles Galvão de Aquino. Historiador – Registro nº
343/MG.
Referências:
BRAVO, Teddy Alex Cevallos. Tecnologías para la conservación del arte y
patrimonio cultural: algoritmos de inteligencia artificial en aplicaciones. Revista ASRI. Universidad Técnica de Manabí, 2024. Disponível em: https://revistaasri.com/article/view/6741/7327. Acesso em: 2026.
COSTA,
Júnior. Revitalizando o passado: IA transforma restauração de imagens.
Disponível em: https://juniorcosta.com.br/revitalizando-o-passado-ia-transforma-restauracao-de-imagens/. Acesso em: 2026.
DORNAS FILHO, João. Itaúna: contribuição para a história do
município. 1936. p. 86-87.
RODRIGUES, Iara; RODRIGUES, Liliana. Fotografia e a interpretação do real. In: INTERCOM – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, 2013. Disponível em: http://www.intercom.org.br/papers/nacionais/2013/resumos/R8-1342-1.pdf. Acesso em: 2026.
ITAÚNA FOOT-BALL CLUB by Itaúna Décadas
https://orcid.org/0009-0002-8056-8407

