Mostrando postagens com marcador Padre. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Padre. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, maio 22, 2026

PADRE CÁUPER

Missionário Espiritano - Tefé Amazonas
Em 2017, ainda nos meus anos de formação em História, publiquei uma pesquisa sobre o missionário espiritano Padre Manuel de Lima Cáuper

Quase dez anos depois, revisitando aquele texto com um olhar mais amadurecido, percebo suas limitações, mas também reconheço seu valor como registro de memória sobre uma figura que deixou marcas importantes em Itaúna/MG.

Nascido em Tefé, no Amazonas, em 1919, Padre Cáuper integrou a Congregação do Espírito Santo e teve uma trajetória ligada tanto à missão religiosa quanto à educação.


Após formação em Portugal e ordenação sacerdotal em 1947, atuou inicialmente na região amazônica antes de seguir para Minas Gerais. Foi na década de 1950 que chegou a Itaúna, período em que a cidade vivia intensas transformações urbanas, educacionais e religiosas.

Em Itaúna, Padre Cáuper exerceu atividades no então Ginásio Sant’Ana — atual Colégio Santana — administrado pelos padres espiritanos. Participou também da estruturação do Seminário Menor Nossa Senhora de Fátima, colaborando na formação religiosa e intelectual de jovens seminaristas. Sua presença esteve ligada não apenas ao ensino, mas também à vida cultural e comunitária da cidade.

Um aspecto pouco lembrado, mas bastante simbólico, foi sua atuação artística e cultural. Padre Cáuper esteve envolvido na organização do Congresso Vicentino Diocesano realizado em Itaúna, em 1962, integrando a comissão de arte do evento. Também é atribuída a ele a letra e música do hino oficial da Companhia Industrial Itaunense, revelando uma atuação que ultrapassava os limites estritamente religiosos.

Mais do que um sacerdote vindo da Amazônia, Padre Cáuper representou um momento da presença espiritana em Itaúna, período marcado pela expansão educacional católica, pela formação seminarística e pela forte influência das congregações religiosas na vida social da cidade. Sua passagem deixou ecos em gerações que conviveram com aquele ambiente educacional e religioso das décadas de 1950 e 1960.

Para quem desejar conhecer a pesquisa original publicada em 2017, agora preservada também como testemunho de uma etapa inicial da minha trajetória como pesquisador, o texto completo pode ser acessado em: Itaúna Décadas – Padre Cáuper: Missionário Espiritano

Missionário Espiritano - Tefé Amazonas

 NOTA SOBRE IMAGENS E VÍDEO DE PADRE CÁUPER

(22/05//2026)

As imagens e o vídeo apresentados nesta publicação não correspondem a registros fotográficos ou audiovisuais originais. Tratam-se de recriações visuais interpretativas, elaboradas a partir de fotografias históricas, referências documentais e elementos biográficos relacionados ao missionário espiritano Padre Cáuper.

O objetivo deste material é contribuir para a preservação da memória, valorização histórica e difusão cultural, oferecendo ao público uma aproximação visual artística inspirada em fontes históricas disponíveis.

Todo o conteúdo foi desenvolvido pelo projeto Itaúna Décadas com finalidade exclusivamente cultural, educativa e memorialística.


quinta-feira, novembro 13, 2025

PADRE ROSSINI

Rossini Cândido Nogueira nasceu em Itaúna, Minas Gerais, a 28 de maio de 1902, época em que a cidade ainda assimilava as transformações do final do século XIX e início do XX, marcada por forte religiosidade popular, sociabilidade comunitária e crescente valorização da instrução escolar. 
Seu nascimento foi registrado no Livro Tombo da Paróquia de Sant’Ana de Itaúna, onde consta que era filho natural de Isaltina Cândida, sendo batizado no dia 7 de julho de 1902 pelo Monsenhor Fernando Barbosa. Seus padrinhos foram o Major Senocrit Nogueira e Isma Maria de Jesus.

A presença do Major Senocrit como padrinho não se limitou ao simples ato sacramental: tratou-se de uma figura decisiva na vida do menino Rossini.

Homem influente, de recursos e grande prestígio na sociedade itaunense, Senocrit assumiu para si a responsabilidade pela educação, formação intelectual e, sobretudo, pela sustentação material da vocação religiosa do afilhado.

Foi ele quem financiou seus estudos e, reconhecendo a nobreza e o brilho de sua inteligência, incentivou sua entrada no seminário. Não por acaso, o próprio Rossini posteriormente incorporaria o sobrenome Nogueira — herança espiritual e afetiva do padrinho que o ajudou a se tornar quem foi.

Desde muito cedo, Rossini revelou sinais claros de vocação sacerdotal. Já em criança demonstrava inclinação para a vida de oração, docilidade, espírito de serviço e grande interesse pelas coisas do altar.

O historiador João Dornas Filho, que conheceu de perto a realidade cultural de Itaúna, afirmou que o menino Rossini era dotado de “viva inteligência” e desde criança manifestava uma “piedosa vocação para o sacerdócio”. Frequentou as primeiras letras no Grupo Escolar local e, posteriormente, aprofundou seus estudos com professores que perceberam imediatamente seu talento excepcional.

Entre seus mestres estavam professor José Gonçalves de Melo, respeitado educador, e Padre João Ferreira Álvares da Silva, figura intelectual de destaque no clero itaunense. Este último exerceu papel fundamental ao reconhecer não apenas a vocação, mas o brilhantismo do jovem Rossini.

Foi Padre João Ferreira quem o encaminhou ao Seminário de Mariana, conseguindo sua admissão em 1917, quando o menino tinha apenas quinze anos. A partir desse momento, iniciava-se uma trajetória que combinaria disciplina monástica, rigor acadêmico e profunda espiritualidade.

No seminário de Mariana, Rossini destacou-se imediatamente. Tornou-se aluno distinto, querido pelos colegas e especialmente estimado pelo arcebispo Dom Silvério Gomes Pimenta, o grande intelectual da Igreja mineira e figura central da vida religiosa do início do século XX. 

A amizade entre o jovem seminarista e o venerável arcebispo ficou registrada por Dornas Filho, que o definiu como “dileto amigo” de Dom Silvério — privilégio raríssimo, sinal inequívoco do brilho do seminarista itaunense.

Em 1923, com a fundação do Seminário Eucarístico em Belo Horizonte, Rossini foi transferido para a capital, continuando seus estudos e acumulando responsabilidades intelectuais: além de seminarista destacado, tornou-se professor no novo seminário criado pelo recém-nomeado arcebispo D. Antônio dos Santos Cabral. Ali completou sua formação teológica, consolidando um perfil equilibrado entre o saber acadêmico e a mística da vida sacerdotal.

Finalmente, no dia 29 de maio de 1927, Rossini Cândido Nogueira recebeu a Ordenação Sacerdotal, coroando dez anos de formação e dedicação. Poucos dias depois, retornaria triunfalmente à sua terra natal para celebrar a Primeira Missa, evento que ficaria para sempre gravado na memória coletiva de Itaúna.

No dia 5 de junho de 1927, ao chegar na Estação Ferroviária, encontrou um cenário de emoção incomum: segundo o Livro do Tombo da Paróquia de Sant’Ana, a plataforma estava “apinhada de povo como nunca se vira”. Famílias inteiras, crianças em uniforme escolar, autoridades civis e religiosas, irmandades e pessoas simples, todas reunidas para acolher seu primeiro filho sacerdote ordenado após muitos anos.

O professor Anselmo Rosset, em discurso vibrante, saudou-o em nome da cidade, exaltando tanto sua vocação quanto o orgulho cívico daquela geração. Padre Rossini respondeu com profunda comoção, dizendo que aquela recepção possuía “duplo caráter de fé e de civismo”.

No dia seguinte, celebrou sua Missa solene na Matriz de Sant’Ana, paramentado ricamente e acompanhado liturgicamente por figuras de prestígio: Monsenhor João Alexandre, Padre Cornélio Pinto e o Vigário Geral, Monsenhor João Rodrigues de Oliveira. Uma excelente orquestra abrilhantou a celebração, e o sermão foi proferido pelo Padre João Vernusia, que tomou como tema a profunda pergunta: “Sacerdos, quis es tu?” — “Sacerdote, quem és tu?”

Ao final, o jovem padre apresentou suas mãos ungidas ao povo para o tradicional beijo, que se fez “com muito respeito”, conforme o Tombo registra.

Aquele dia terminou com homenagens, discursos e um almoço solene no Club Itaunense, conforme registra Dornas Filho. A população via em Rossini não apenas o sacerdote recém-ordenado, mas um símbolo da ascensão cultural e espiritual da própria cidade.

Poucos anos depois, sua vida pastoral ganharia novos rumos. Em 31 de dezembro de 1928, foi nomeado vigário da Paróquia de São Gonçalo da Contagem pelo arcebispo Dom Antônio Cabral. Sua posse ocorreu em 20 de janeiro de 1929, conforme ata lavrada por Monsenhor João Rodrigues de Oliveira.

A solenidade foi simples, seguindo o ritual canônico: leitura da provisão, entrega do templo e assinatura pelo novo pároco. Em Contagem, Padre Rossini teria uma atuação marcada pela humildade, zelo pastoral, dedicação silenciosa e atenção profunda aos pobres, doentes e crianças.

A fase final de sua vida, no entanto, é descrita com grande riqueza pelo jornal O Lampadário, edição 791, de 21 de junho de 1941, órgão oficial da Diocese de Juiz de Fora. Ali lemos o relato comovente de sua morte repentina, ocorrida no domingo anterior, após celebrar a Santa Missa. Naquele dia, seu sermão girou em torno de uma só frase, repetida com força espiritual: “Estote parati! Estai preparados!”

A pregação tratava da vigilância cristã, baseada em Lucas 12,37: “Bem-aventurado o servo a quem o Senhor achar vigilante quando vier.”

Pouco depois de proferir esse sermão — chamado pelo jornal de “o grande sermão da vida, sermão mudo, mas eloquente” — Padre Rossini sofreu um mal súbito e faleceu. Uma hora após ele despedir o povo com o “Ite, Missa est”, outro sacerdote já iniciava a Missa de corpo presente.

Sua morte, aos 39 anos, causou enorme comoção. Durante todo o dia, a população formou longas filas para se despedir; muitos ajoelharam diante do corpo; sua mãe, Dona Isaltina, recebeu homenagens tocantes. A Missa de Réquiem, celebrada no dia seguinte, reuniu grande parte do clero mineiro, além de representantes do arcebispo de Belo Horizonte e do bispo de Juiz de Fora. O cortejo fúnebre, descrito como “imponente e silencioso”, revelou a dimensão do amor e do respeito conquistados pelo sacerdote.

O Lampadário resumiu sua existência com a frase latina:

“Subita mors — Sacerdoctum sors.”  “Uma morte súbita — a sorte dos sacerdotes.”

E completou com o versículo evangélico que ele próprio havia pregado minutos antes de partir: “Bem-aventurado o servo que o Senhor achar vigilante.”

Assim foi Rossini Cândido Nogueira: sacerdote desde a infância, brilhante aluno dos seminários de Mariana e Belo Horizonte, afilhado amado e protegido do Major Senocrit Nogueira, filho exemplar de Itaúna, pastor humilde e trabalhador em Contagem, e, sobretudo, um homem que viveu e morreu no altar, consumindo a própria vida no mesmo ato sagrado que dava sentido à sua existência.

Sua história, embora breve, é luminosa e sua memória permanece como testemunho de fidelidade, pureza e entrega total ao chamado de Deus.

Hoje, no Cemitério Central de Itaúna, repousam lado a lado os túmulos do Major Senocrit Nogueira e de Padre Rossini Cândido Nogueira, uma proximidade que não é apenas física, mas profundamente simbólica. 

O gesto de sepultá-los juntos perpetua, em pedra e silêncio, o laço espiritual e humano que os uniu em vida: o padrinho que assumiu papel paternal, custeou a educação, moldou o destino e deu o sobrenome ao afilhado; e o sacerdote que, graças à generosidade e ao amparo desse benfeitor, pôde florescer como um dos mais brilhantes ornamentos do clero mineiro.

Major Senocrit: figura central na articulação da emancipação político-administrativa de Itaúna e verdadeiro guardião da formação intelectual do jovem Rossini — permanece, mesmo após a morte, como sentinela discreto ao lado daquele cuja vocação ajudou a sustentar. Assim, os dois descansam juntos como repousa uma obra ao lado de seu artífice; como se o próprio tempo tivesse reconhecido que a história de um não se completa sem a do outro.

  NOTA FINAL

Há muitos anos, desde minhas primeiras leituras do livro Itaúna: Contribuição para a História do Município (1936), de João Dornas Filho, carreguei comigo o desejo de aprofundar a trajetória do Padre Rossini Cândido Nogueira. Dornas, ao registrar algumas linhas sobre o sacerdote itaunense, despertou em mim a certeza de que ali havia uma história maior, mais rica e quase esquecida, à espera de ser resgatada.

No entanto, durante muito tempo, encontrei pouquíssimas informações adicionais: fragmentos dispersos, registros isolados, ecos tênues da memória de um homem que, apesar de sua breve existência, marcou profundamente a vida religiosa da cidade.

Sempre soube que um dia o tempo apresentaria a oportunidade necessária para preencher essas lacunas. E esse momento chegou de forma inesperada e profundamente feliz.
Recebi uma mensagem do jovem Dalmo Assis de Oliveira, conhecido popularmente como Dalminho, que, por indicação do pesquisador Alexandre Campos, desejava contribuir com documentos e informações históricas sobre o Padre Rossini. Ao abrir seus arquivos e estudos, fiquei maravilhado: eram dados preciosos, registros raros, recortes antigos, imagens, narrativas e detalhes que eu jamais havia encontrado.

Graças ao empenho de Dalmo, que durante anos reuniu silenciosamente esse material, foi possível reconstruir, com rigor e sensibilidade, uma biografia antes incompleta. Suas contribuições permitiram entrelaçar documentos de época, relatos familiares, registros paroquiais e pesquisas acumuladas ao longo da minha própria jornada, resultando em um texto que devolve ao Padre Rossini o lugar que lhe é devido na memória de Itaúna.

Compreendi, naquele instante, que a história, mais uma vez, se fazia presente de forma generosa. Através de encontros inesperados, ela nos oferece as chaves para abrir portas há muito fechadas, permitindo que registremos, preservemos e honremos a vida de pessoas que,  como o Padre Rossini e aqueles que o acompanharam, contribuíram para a formação espiritual, cultural e humana do nosso município.

Este trabalho, portanto, é mais do que uma biografia. É um ato de resgate, um gesto de gratidão e uma reafirmação de que a memória histórica de Itaúna continua viva graças a todos os que se dispõem a compartilhá-la, preservá-la e ampliá-la.



Referências:

Realização e pesquisa: Charles Galvão de Aquino

Colaboração, Acervo e Pesquisa: Dalmo Assis de Oliveira

DORNAS FILHO, JoãoItaúna: contribuição para a história do município. Belo Horizonte: [s.n.], 1936. p. 120-121

O LAMPADÁRIO: órgão oficial da Diocese de Juiz de Fora. Juiz de Fora, ano XVI, n. 791, 21 jun. 1941.

LAR CATHOLICO. Juiz de Fora: Missionários do Verbo Divino, ano XV, n. 28, 10 jul. 1927, p. 223.

LIVRO BATISMOSArquivo Eclesiástico de Itaúna/MG. "Brasil, Minas Gerais, Registros da Igreja Católica. FamilySearch (https://www.familysearch.org/ark:/61903/3:1:S3HT-6X77-ZTC?wc=M5NS-GP8%3A370040701%2C369941902%2C370074301%26cc%3D2177275&lang=pt&i=45&cc=2177275 ): 13/11/2025),  Santana > Batismos 1901, Dez-1918, Nov > image 46 of 398; Paróquias Católicas (Catholic Church parishes), Minas Gerais.

LIVRO DO TOMBO - Paróquia Santana de Itaúna/MG (1902-1947), p. 15, 15v.

PARÓQUIA DE SÃO GONÇALO DA CONTAGEM. Ata de posse do Reverendo Padre Rossini Cândido Nogueira. Livro do Tombo, Contagem–MG, 20 jan. 1929.

Ilustração criada com IA, inspirada no conteúdo do texto e acervo. 


sexta-feira, agosto 09, 2024

DOM MÁRIO

Dom Mário Clemente Neto - Bispo

“VIM PARA SERVIR”

Nascido em 7 de agosto de 1940, no povoado de Capão Escuro, então parte do município de Itaúna (MG) e hoje pertencente a Carmo do Cajuru, Dom Mário Clemente Neto foi o décimo quinto filho de uma grande família de vinte irmãos. Esses irmãos são frutos de dois casamentos de seu pai, Antônio Clemente Neto, que primeiro se casou com Maria Francisca de Jesus, com quem teve onze filhos, e posteriormente com Maria Eulália Clemente, com quem teve mais nove filhos. Criado em um ambiente onde os valores familiares e a fé desempenhavam papéis cruciais, Dom Mário teve uma infância marcada pela simplicidade e pela vida em comunidade, fatores que moldaram profundamente sua vocação religiosa.

Em 1953, Dom Mário mudou-se para Itaúna para continuar seus estudos no Colégio Sant'Ana. Durante esse período, conheceu o padre Adriano Turkenburg, da Congregação do Espírito Santo, que foi uma figura decisiva e inspirou Mário Clemente a seguir a vida religiosa. Em 1958, ele ingressou no Seminário do Caraça e, posteriormente, estudou filosofia em Mariana. O noviciado ocorreu em Teresópolis, Rio de Janeiro, seguido por estudos de teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana em Roma.

Ordenação Sacerdotal e Primeiros Anos de Sacerdócio: Dom Mário foi ordenado sacerdote em 14 de agosto de 1966, na Igreja Matriz de Sant’Ana em Itaúna, pelo Bispo Diocesano Dom Cristiano Pena. No dia seguinte, celebrou sua primeira missa, marcando o início de uma jornada devotada ao serviço e à evangelização. Trabalhou como sacerdote em diversas paróquias, incluindo Itaúna, Mateus Leme, Itatiaiuçu, e São Paulo, destacando-se por seu envolvimento com a Pastoral Rural e a formação de Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão.

Missão no Amazonas, Elevação ao Episcopado e Renúncia: A missão de Dom Mário no Amazonas começou na década de 1970, quando ele se envolveu no projeto das igrejas-irmãs. Sua dedicação e habilidade pastoral chamaram a atenção do bispo prelado de Tefé, Joaquim de Lange, que o indicou como seu sucessor. Em 31 de julho de 1980, o Papa João Paulo II nomeou Mário Clemente Neto como prelado coadjutor de Tefé. Sua ordenação episcopal ocorreu em 19 de outubro de 1980, em Itaúna. Em 1982, ele sucedeu a Dom Joaquim de Lange como bispo prelado de Tefé.

Durante seu episcopado, Dom Mário Clemente Neto, CSSp, Bispo Prelado Emérito, foi um defensor incansável das comunidades ribeirinhas e indígenas do Amazonas. Ele trabalhou para promover a justiça social e a dignidade humana. Em 19 de outubro de 2000, após duas décadas de serviço, ele renunciou ao cargo de bispo prelado de Tefé devido à idade, mas continuou sua missão pastoral e espiritual.

O Legado: O itaunense Dom Mário Clemente Neto será lembrado como um verdadeiro servo de Deus e da comunidade. Sua vida e obra exemplificam o compromisso com a fé e a humanidade. Dom Mário não só levou os bons costumes de sua cidade natal a novas fronteiras, mas também trouxe de volta a inspiração e o orgulho de uma vida dedicada ao serviço altruísta e ao bem comum. 

Ele serviu com devoção, amor e compromisso, inspirando futuras gerações a reconhecer a importância de servir ao próximo e à comunidade com humildade e dedicação. Seu trabalho no Amazonas, sua dedicação às paróquias e comunidades rurais, e sua capacidade de inspirar e liderar são testemunhos duradouros de sua missão. Seu legado permanecerá vivo, lembrando-nos sempre da verdadeira essência do serviço altruísta.

Dom Mário Clemente Neto faleceu em 8 de agosto de 2024, apenas um dia após completar 84 anos. Seu corpo foi velado na Igreja Matriz de Sant’Ana, em Itaúna, e sepultado no Cemitério Central da cidade. Sua partida gerou uma onda de comoção e homenagens, refletindo a profunda admiração e respeito que ele conquistou ao longo de sua vida. Com uma trajetória de vida exemplar, Dom Mário viveu intensamente o lema "Vim para Servir", demonstrando que essa frase não era apenas um ideal, mas o fundamento de todas as suas ações.

 

Referências:

Pesquisar, arte e roteiro: Charles Galvão de Aquino – Historiador  Registro nº 343/MG

Santuário do Caraça

Diocese de Divinópolis

Acidigital

CNBB

Itaúna Décadas



terça-feira, abril 19, 2022

BATISMO 1858

1858

BATISMO EM ITAÚNA

REGISTRO EM BOM DESPACHO 

Por informação de pessoa fidedigna lavro a que o seguinte termo por não haver o devido assento nos respectivos livros:

Em princípio de novembro de 1858 mil oitocentos e cinquenta e oito, o Reverendo Padre Delfino José Rodrigues batizou na Capela de Sant’Ana de São João Acima a Tertuliano Lopes Cançado, nascido a (10) dez de outubro do corrente ano, filho legítimo de Francisco Lopes Cançado e Joaquina Cândida de Jesus. Padrinhos: Antônio Lopes Cançado e Maria Joaquina de Jesus.

 Vigário Nicolau Ângelo del Duca. *

* A Paróquia de Bom Despacho foi uma das localidades mineiras que recebeu um grande contingente de imigrantes italianos, modificando sua estrutura e trazendo um período de crescimento e desenvolvimento. Dentre eles, destacou-se o padre Nicolau Ângelo del Duca, vindo da Província de Salermo, e que exerceu grande liderança na região. Em 1880, Bom Despacho foi desmembrada de Pitangui, passando a pertencer ao município de Santo Antônio do Monte (p.22).


Referências:

Transcrição, Organização e Arte: Charles Aquino

Pesquisa: Dr. Alan Penido

Fonte: Livro de Batismos 1838, Maio-1878, Dez – Cúria Parochial de Bom Despacho/MG (Imaculado Coração de Maria). Disponível em:  Family Search Imagem 59.

Acervo Secretaria Municipal de Cultura de Bom Despacho: XAVIER, Aline; NEVES, Isabella Verdolin; CAMISASCA, Marina; NEVES, Osias Ribeiro. Livro de Ouro Bom Despacho: 100 anos Belo Horizonte: Escritório de Histórias, 2012, p.22. 

quarta-feira, dezembro 29, 2021

PADRE DOMINGUES MAIA


SEPULTAMENTO DO 1º PÁROCO PARÓQUIA SANT'ANA DE ITAÚNA/MG -  1849


No ano de 1849, o arraial de Sant’Ana do Rio São João Acima, atual cidade de Itaúna, vivia um momento de consolidação religiosa e comunitária. A vida espiritual da pequena povoação girava em torno de sua igreja matriz e da figura dos padres que conduziam as celebrações e os sacramentos. Nesse contexto, destaca-se a figura do Reverendo Vigário Antônio Domingues Maia, considerado um dos primeiros párocos a exercer suas funções pastorais na localidade.

Conforme o registro de óbito datado de 28 de agosto de 1849, o Reverendo Domingues Maia foi sepultado na própria Igreja Matriz de Sant’Ana, símbolo do núcleo religioso que mais tarde se tornaria o coração da futura cidade de Itaúna. Seu funeral foi acompanhado por três sacerdotes — Paulino Alves da Fé, José Joaquim Ferreira Guimarães e José Fernandes Taveira —, o que demonstra a importância que o vigário possuía entre o clero regional. O registro do enterro foi lavrado pelo Vigário Encomendado João da Cruz Nogueira Penido, cuja assinatura figura no livro de óbitos entre os anos de 1847 e 1853.

A menção ao local do sepultamento — “na Matriz” — reforça o costume, comum no século XIX, de enterrar figuras de destaque no interior das igrejas, especialmente padres, benfeitores e membros das irmandades. Assim, a memória de Domingues Maia se entrelaça à própria história do templo e da comunidade que ali se estruturava, marcando um dos primeiros registros conhecidos de atuação e falecimento de um sacerdote no território itaunense.

O documento, preservado digitalmente pelo FamilySearch, constitui uma das provas mais antigas da organização eclesiástica local, revelando o enraizamento da fé católica nas origens da cidade. Hoje, ao revisitar esse registro histórico, reconhecemos no nome do vigário e na data de seu falecimento um marco da trajetória religiosa de Itaúna — herança espiritual que se perpetua no Morro do Rosário, espaço sagrado e de memória coletiva da comunidade.



Referências:

Pesquisa & Organização: Charles Aquino – Historiador/Registro n º 343/MG

Fonte: Livro de óbitos 1841/1853, Santana/Itaúna, Imagem 75,  Disponível em Family Search.org  

segunda-feira, outubro 11, 2021

MEMÓRIAS SONORAS E AFETIVAS

 "A história da arte em Itaúna no seu sentido mais amplo, sempre foi bem representada pelas mais diversas expressões artísticas, algumas como o teatro, a dança, a pintura, a fotografia, o artesanato, a escrita e a música. Nesta obra realizada por Rodrigo Botelho, o autor percorreu a um panorama histórico-musical do município apresentando um trabalho diferenciado, porém, fácil de compreensão e leitura prazerosa. Seu diálogo com as fontes pesquisadas permitem tanto o leitor como o ledor, visitar a história itaunense e mergulhar nas relembranças ruidosas de um passado musical que agora se faz tão presente."

Charles Aquino.

Memórias sonoras e afetivas de nossa gente

Caravana Grupo Editorial 

Sobre o autor do Livro

Padre Rodrigo Botelho Moreira Júnior

Nascido em Divinópolis MG aos onze de fevereiro de 1984. Filho de Rodrigo Botelho Moreira e Ildete Alves Botelho. Estudou na Escola Estadual Frederico Zacarias (Abaeté MG), Escola Estadual Sant’Ana (Itaúna MG), Escola Municipal Padre Pedro Machado (Perdões MG), Escola Estadual José Gonçalves de Melo (Itaúna MG) e Escola Estadual de Itaúna. Aos doze anos dedicou-se ao estudo da música e no ano de 1996 começou a cantar no Coro João XXIII, sendo um dos coristas mais jovens. Ingressou no Seminário Diocesano São José, onde estudou Filosofia no Curso Livre de Filosofia Padre Libério em Divinópolis MG. Em 2021 é nomeado Administrador Paroquial da Paróquia de Nossa Senhora da Guia em Divinópolis MG

Veja mais em: 

O VIGÁRIO DO CÓRREGO

FESTIVIDADES DE SANTA CRUZ

MAESTRO AZARIAS

Sim baixaste lá do céu

sábado, março 20, 2021

CAPELÃO UBALDO


Padre Ubaldo Anselmo da Silveira

 Nasceu aos 21 abril do ano de 1869, em Piedade do Paraopeba e batizado na igreja matriz desta mesma localidade em 01 junho do ano de 1869. Era filho legítimo de Joaquim José da Silveira e Maria Emilia do Amaral.

Seus irmãos eram: Conceição Maria da Silveira, Joaquim Cândido da Silveira, Ubaldina Nila da Silveira, Anselmo Silveira, Leão Treze da Silveira (Tenente), Saturno da Silveira e Maria Josefa da Silveira.

Padre Ubaldo – então com 26 anos de idade – assumiu a paróquia em 1895, sucedendo o Padre José Joaquim de Mello Alvim, falecido em 23/4/1893.

Padre Ubaldo foi vigário de Piedade até 1912, período em que fez muitos melhoramentos e em que criou o Jubileu de N. Sa. da Piedade (1907).

  Em 1913 assumiu a paróquia de Prados - MG, cargo que exerceu por cerca de oito meses. Retornou a Piedade somente 38 anos depois de sua saída, em setembro de 1950, com 81 anos de idade, para presidir o 43º Jubileu.  Foi capelão da Casa de Caridade Manoel Gonçalves de Souza Moreira em Itaúna, onde faleceu e foi sepultado no  jazigo perpétuo da Paróquia de Santana  Itaúna no cemitério central da cidade.

 * Parte da biografia: Cadernos de História do Distrito de Piedade do Paraopeba




Organização e Arte: Charles Aquino

Texto e Pesquisa:  Engenheiro Euler de Carvalho Cruz

Prefeitura de Itaúna / Sistema de Sepultamentos do município.  

CAPELÃO PADRE WALDEMAR

 

Revmo. Pe. Waldemar Antônio de Pádua Teixeira

Capelão da Casa de Caridade Manoel Gonçalves de Souza Moreira

Nasceu em 12 de junho de 1900 na cidade de Ouro Preto. De família pobre, ficou órfão muito cedo e foi criado pelo avô. Sua vocação religiosa despertou ainda quando era criança e foi coroinha na Igreja do pilar de Ouro Preto e, depois de ordenado, sempre buscou a santidade. Foi sacristão da paróquia de Ouro Preto, porteiro do Colégio Arnaldo e depois auxiliar do palácio do bispo Dom Cabral, o que lhe possibilitou ingressar no seminário em 1926. Exerceu seu ministério em vários lugares.

Foi Capelão do noviciado da piedade, vigário em Maravilhas, Papagaios, Pequi, Itaúna, Santo André (Belo Horizonte), Igaratinga, Santanense e, em 1957, começou a viver sua vocação na Casa de Caridade Manoel Gonçalves de Souza Moreira como Capelão, onde permaneceu por 29 anos. Faleceu em 03 de outubro de 1986 depois de 55 anos dedicados á vida religiosa. Padre Waldemar foi um exemplo. Com simplicidade, silenciosamente trabalhou com abnegação e heroísmo e, na construção da igreja Matriz, deixou seu suor e trabalho registrados.[1]

A Casa de Caridade "Manoel Gonçalves", funciona em prédio moderno, com toda aparelhagem adequada às exigências atuais. Dirigida por 7 Irmãs da Congregação Auxiliares da Piedade, sendo o seu provedor atual Dr. Virgílio Gonçalves de Sousa. O Capelão é o Revmo. Pe. Waldemar Antônio de Pádua Teixeira que forneceu-nos o movimento espiritual : 15 mil comunhões por ano; Confissões in extremis, uma média de 80; Viáticos: 50; extrema-Unção: 50; Encomendações:30.[2]

 

BIOGRAFIA COMPLETA CLICAR NA FOTO



 Referências: 

[1] Jornal Centenário de Itaúna.

[2] Jornal A Semana. Divinópolis, 1959.

Organização, Pesquisa e Arte: Charles Aquino

Acervo fotográfico: Antônio Gomes / Itaúna MG

quarta-feira, março 27, 2019

sábado, março 16, 2019

MONUMENTO FUNERÁRIO MONSENHOR HILTON

MOSENHOR HILTON

“Quero morrer filho da Santa Igreja Católica Apostólica Romana, como sempre vivi e a que procurei servir com fidelidade. Peço aos meus paroquianos de Santanense que sufragem minha alma com missas e orações.

A todos da Paróquia eu agradeço a caridade com que sempre me trataram e peço perdão por todas as ofensas que porventura tenha feito contra qualquer pessoa. Em nome de Deus eu peço que me perdoem tudo que na minha vida, possa ter sido mau exemplo e a todos reafirmo minhas disposições de arrependimento por todo mal que tenha praticado.

Que Deus Pai, Filho e Espírito Santo me concedam a felicidade de morrer em estado de graça no seu santo nome. Amém.

Espero morrer tranquilo, confiando na misericórdia de Deus, que me a de perdoar a multidão de pecados. Desejo que meu enterro seja muito simples, em caixão de pano e não em urna de madeira ou de metal assim como peço que não gaste qualquer valor em coroas e flores.

Quero ainda ser sepultado no cemitério de Santanense em lugar bem visível junto ao portão de entrada ou no próprio necrotério para que todos vejam minha sepultura e rezem por mim.

Aceito plenamente a vontade de Deus sobre doença, sofrimentos e tristezas que me amargurarem os últimos dias. Morro contente e feliz, entregando-me confiante nas mãos de Deus. Assim Seja”.





Acervo fotografia Monsenhor Hilton:  Centro Pastoral Monsenhor Hilton Gonçalves de Sousa.
Pesquisa, Fotografia e Organização: Charles Aquino