terça-feira, julho 28, 2026

PRIMEIRA AGROPECUÁRIA

Pároquia de Santana Itaúna/MG -  S.Sebastião

Rumo aos 60 anos de um marco, o registro intitulado “Primeira Exposição Agropecuária – 1967”, redigido pelo vigário Cônego José Ferreira Netto, constitui uma fonte primária de grande relevância para a compreensão das dinâmicas sociais, econômicas e simbólicas de Itaúna na segunda metade do século XX.

À frente da Paróquia de Santana por mais de quatro décadas, o sacerdote não apenas exerceu funções religiosas, mas também se afirmou como um agente ativo na construção da memória local, registrando eventos que extrapolavam o campo estritamente eclesiástico.

Inserido no Livro Tombo II (1948–1992), o texto revela a centralidade da Igreja na organização e legitimação de iniciativas públicas, como a realização da primeira exposição agropecuária do município. A abertura do evento com uma missa campal, assistida por autoridades, organizadores e uma expressiva multidão, evidencia a intersecção entre religiosidade, poder institucional e vida comunitária, característica marcante de cidades do interior brasileiro no período.

O relato também destaca elementos que permitem observar práticas culturais e representações sociais da época, como o cortejo até o Campo da Vargem, a valorização da pecuária como eixo econômico e, de maneira particular, a presença das chamadas “amazonas”— jovens mulheres montadas, cuja participação sugere tanto um componente festivo quanto uma dimensão simbólica de distinção social e estética.

Ao registrar os nomes dos organizadores e enfatizar o sucesso do evento, o texto assume um tom celebrativo, próprio da escrita paroquial, que tende a valorizar a ordem, a participação coletiva e os êxitos da comunidade. Nesse sentido, mais do que uma simples descrição factual, o documento deve ser lido criticamente, como uma narrativa que constrói memória, seleciona protagonistas e reforça determinadas visões sobre o desenvolvimento local.

Assim, o escrito de José Ferreira Netto não apenas documenta a realização da primeira exposição agropecuária de Itaúna, mas também ilumina o papel da Igreja como mediadora entre tradição, progresso e identidade social, oferecendo ao pesquisador uma janela privilegiada para a compreensão das relações entre fé, economia e sociabilidade no contexto itaunense.

 PRIMEIRA EXPOSIÇÃO AGROPECUÁRIA - 1967

"Teve seu início com uma missa campal em frente a matriz, assistida por todas as autoridades e organizadores proprietários dos animais e uma grande multidão, apesar de ter sido em dia útil em 25 de agosto.

Formou-se em seguida grande cortejo, para o local da exposição Campo da Vargem. Aí foram erguidos diversos galpões, neles belos tipos de gado.

O que mais se destacou foi o grupo das amazonas, jovens moças tipicamente vestidas, montadas em seus vistosos cavalos, perto de umas cinquentas.    Foram três dias de grande movimento em Itaúna. Foi encerrada a exposição no dia 28 de agosto com a entrega dos valiosos prêmios.

Foram os grandes batalhadores desta exposição os senhores Ibsen Drumond e Dr. Oscar".

Vigário Cônego José Ferreira Netto

 

Referências:

Livro Tombo II (1948-1992), página 84, 1967. Paróquia Santana de Itaúna/MG

Imagem:

Reconstituição visual ilustrativa inspirada no registro da Primeira Exposição Agropecuária de Itaúna (1967), descrita pelo vigário Cônego José Ferreira Netto no Livro Tombo II (1948–1992), página 84.

A composição não corresponde a um registro fotográfico do evento, mas a uma interpretação artística baseada na narrativa paroquial, buscando representar o contexto social da época, a centralidade da Igreja na abertura da exposição, marcada pela missa campal em frente à matriz , o cortejo até o Campo da Vargem e a dinâmica rural evidenciada pela presença de carros de bois, criadores e público.

Destaca-se, ainda, a inclusão das chamadas “amazonas”, jovens montadas que participaram do evento, elemento mencionado na fonte e que revela aspectos simbólicos, sociais e culturais da celebração.

A imagem, portanto, deve ser compreendida como uma construção visual interpretativa, orientada pela fonte escrita, com o objetivo de evocar a ambiência, os agentes envolvidos e as práticas coletivas associadas à realização da primeira exposição agropecuária do município. 

Organização, arte e pesquisa: Charles Aquino – Historiador Registro nº 343/MG

@ITAÚNA DÉCADAS -  HISTÓRIA & MEMÓRIA