sexta-feira, julho 31, 2026

LOGRADOUROS ITAUNENSES

 

GUARACY DE CASTRO NOGUEIRA

    É lamentável o que ocorre em Itaúna. A vida de uma cidade está na sua alma, a qual, ao longo de sua existência, vai-se vitalizando pelo potencial da gente que se destaca por entre a urdidura humana que a compõe e impele.

    As personalidades marcam um povo, uma localidade. Pará de Minas é apontada como a terra de Benedito Valadares; Três Corações nos lembra de Pelé; Pitangui nos traz às memórias de dona Joaquina do Pompéu e dona Maria Tangará; Bom Despacho recorda Olegário Maciel; Araxá não deixa dona Beja ser esquecida e São João Del Rei é a terra de Tancredo Neves

   Estas comunidades se ufanam quando lembradas pelo valor de seus filhos. Nos meus encontros com os jovens que me procuram para saber um pouco da história de Itaúna, faço questão de lhes perguntar:  Onde você mora?

Na Rua João de Cerqueira Lima, na Rua Josias Nogueira Machado, na Rua Gonçalves da Guia, na Praça Luís Ribeiro e citam, sem dúvida, nomes de pessoas ilustres que ajudaram a construir a grandeza de nossa comunidade. 
 
Quando lhes pergunto quem foram tais personalidades que deixaram seus nomes em ditas ruas, nada explicam, nada sabem, tudo ignoram. Ninguém está mais aí, para essa do quem é ou quem foi. E, lamentavelmente, há nomes que todos ignoram e que me surpreendem, só conhecidos do autor da lei que os propôs.

         Melhor seria, quem sabe, trocar os nomes dos logradouros públicos de nossa cidade que não cultua seus líderes dos idos passados, para coisas que o povo conhece, porque não, delas dependem para orientar e circular: Rua Direita, Beco da Caridade, Rua do Comércio, Porteira do Mirante, Bairro da Ponte, Beco do Jota, Travessa 2 de Janeiro, Rua das Viúvas, Bairro do Serrado, Rua São Vicente, Rua da Harmonia, Bairro da Vargem, Rua do Rosário, Rua da Linha e tantas outras das quais não me lembro, nomes que fazem parte de nossa história e ainda povoam nossa memória.

         Defendo intransigentemente a manutenção dos nomes dos logradouros públicos. Não será por mera bajulação ou mesmo para homenagear mortos ilustres que se lhes trocará a denominação. Não faltam logradouros públicos novos para se utilizarem no preito àqueles que o merecem. 

   Quem dá nome a logradouros públicos é o povo, através dos vereadores e do consenso da Câmara Municipal. Só em regimes autoritários é que o Prefeito ou a autoridade executiva dá nomes às coisas. Os nomes antigos foram batizados pelo uso e costume dos cidadãos. A lei apenas homologava a vontade popular.

         Até por respeito à história, conveniente seria que se preservassem os nomes antigos muitos dos quais mais saborosos. Onde estão a Rua do Cascalho, a Rua do Canto, a Rua das Piteiras e o Alto da Laje?

         A política é terrível. O nosso Largo da Matriz já se chamou Praça João Pessoa, Praça Mário Matos, Praça Benedito Valadares e agora se chama Praça Dr. Augusto Gonçalves. Extinto o velho cemitério, onde se tentou construir a nova Matriz, boicotada pelos ricos da época, contra a bela planta do arquiteto italiano Rafello Berti, o logradouro ia se transformar numa praça ajardinada em respeito aos mortos que lá foram sepultados, a ele deu-se o nome de Praça Mário Matos. 

   A política destruiu a praça lá edificando o Grupo José Gonçalves de Melo, um clube dançante, um sindicato, e o prédio dos Correios e Telégrafos.  Não arrancaram o nome de Mário Matos, mas destruíram a praça com seu nome, porque todos o consideravam como o autor intelectual do fechamento de nossa Escola Normal.

         Dois nomes em Itaúna foram impostos pelo governo ditatorial: Avenida Getúlio Vargas e Praça Benedito Valadares. A avenida, que era rua, e a praça principal se tornaram nomes dos detentores do poder na época, por força de um decreto do ditador. Os udenistas radicais, que depuseram Getúlio e Benedito, arrancaram o nome do Benedito da praça principal, porque ele havia fechado nossa Escola Normal e só não arrancaram as placas da Avenida Getúlio Vargas, porque o líder queremista Zé Biscoitão, à frente dos operários, se opôs à turba da UDN. 

   No fundo foi um ato de coragem do líder dos trabalhadores e a perspectiva histórica nos diz hoje que Getúlio, no balanço de sua passagem pelo governo, foi um estadista, responsável pela implantação da legislação social em benefício dos mais humildes e dos trabalhadores de um modo geral.

         Trata-se de um problema cultural. Às vezes somos progressistas e até civilizados, mas pouco cultos. Cultura é a expressão máxima de um povo!

Nota:
Imagem ilustrativa produzida e elaborada a partir de referências históricas, documentais e iconográficas disponíveis. A representação tem caráter meramente ilustrativo e busca aproximar visualmente elementos do contexto histórico retratado, não constituindo reprodução fiel ou registro fotográfico original da época.

Texto: Guaracy de Castro Nogueira (In Memoriam)
Apoio a Pesquisa: Patrícia Gonçalves Nogueira
Organização e Pesquisa: 
Charles Galvão de Aquino -  Historiador — Registro Profissional nº 343/MG

terça-feira, julho 28, 2026

PRIMEIRA AGROPECUÁRIA

Pároquia de Santana Itaúna/MG -  S.Sebastião

Rumo aos 60 anos de um marco, o registro intitulado “Primeira Exposição Agropecuária – 1967”, redigido pelo vigário Cônego José Ferreira Netto, constitui uma fonte primária de grande relevância para a compreensão das dinâmicas sociais, econômicas e simbólicas de Itaúna na segunda metade do século XX.

À frente da Paróquia de Santana por mais de quatro décadas, o sacerdote não apenas exerceu funções religiosas, mas também se afirmou como um agente ativo na construção da memória local, registrando eventos que extrapolavam o campo estritamente eclesiástico.

Inserido no Livro Tombo II (1948–1992), o texto revela a centralidade da Igreja na organização e legitimação de iniciativas públicas, como a realização da primeira exposição agropecuária do município. A abertura do evento com uma missa campal, assistida por autoridades, organizadores e uma expressiva multidão, evidencia a intersecção entre religiosidade, poder institucional e vida comunitária, característica marcante de cidades do interior brasileiro no período.

O relato também destaca elementos que permitem observar práticas culturais e representações sociais da época, como o cortejo até o Campo da Vargem, a valorização da pecuária como eixo econômico e, de maneira particular, a presença das chamadas “amazonas”— jovens mulheres montadas, cuja participação sugere tanto um componente festivo quanto uma dimensão simbólica de distinção social e estética.

Ao registrar os nomes dos organizadores e enfatizar o sucesso do evento, o texto assume um tom celebrativo, próprio da escrita paroquial, que tende a valorizar a ordem, a participação coletiva e os êxitos da comunidade. Nesse sentido, mais do que uma simples descrição factual, o documento deve ser lido criticamente, como uma narrativa que constrói memória, seleciona protagonistas e reforça determinadas visões sobre o desenvolvimento local.

Assim, o escrito de José Ferreira Netto não apenas documenta a realização da primeira exposição agropecuária de Itaúna, mas também ilumina o papel da Igreja como mediadora entre tradição, progresso e identidade social, oferecendo ao pesquisador uma janela privilegiada para a compreensão das relações entre fé, economia e sociabilidade no contexto itaunense.

 PRIMEIRA EXPOSIÇÃO AGROPECUÁRIA - 1967

"Teve seu início com uma missa campal em frente a matriz, assistida por todas as autoridades e organizadores proprietários dos animais e uma grande multidão, apesar de ter sido em dia útil em 25 de agosto.

Formou-se em seguida grande cortejo, para o local da exposição Campo da Vargem. Aí foram erguidos diversos galpões, neles belos tipos de gado.

O que mais se destacou foi o grupo das amazonas, jovens moças tipicamente vestidas, montadas em seus vistosos cavalos, perto de umas cinquentas.    Foram três dias de grande movimento em Itaúna. Foi encerrada a exposição no dia 28 de agosto com a entrega dos valiosos prêmios.

Foram os grandes batalhadores desta exposição os senhores Ibsen Drumond e Dr. Oscar".

Vigário Cônego José Ferreira Netto

 

Referências:

Livro Tombo II (1948-1992), página 84, 1967. Paróquia Santana de Itaúna/MG

Imagem:

Reconstituição visual ilustrativa inspirada no registro da Primeira Exposição Agropecuária de Itaúna (1967), descrita pelo vigário Cônego José Ferreira Netto no Livro Tombo II (1948–1992), página 84.

A composição não corresponde a um registro fotográfico do evento, mas a uma interpretação artística baseada na narrativa paroquial, buscando representar o contexto social da época, a centralidade da Igreja na abertura da exposição, marcada pela missa campal em frente à matriz , o cortejo até o Campo da Vargem e a dinâmica rural evidenciada pela presença de carros de bois, criadores e público.

Destaca-se, ainda, a inclusão das chamadas “amazonas”, jovens montadas que participaram do evento, elemento mencionado na fonte e que revela aspectos simbólicos, sociais e culturais da celebração.

A imagem, portanto, deve ser compreendida como uma construção visual interpretativa, orientada pela fonte escrita, com o objetivo de evocar a ambiência, os agentes envolvidos e as práticas coletivas associadas à realização da primeira exposição agropecuária do município. 

Organização, arte e pesquisa: Charles Aquino – Historiador Registro nº 343/MG

@ITAÚNA DÉCADAS -  HISTÓRIA & MEMÓRIA

segunda-feira, julho 20, 2026

PORTAL SERTÕES DE MINAS

História, memória e Patrimônio de Minas

Portal Sertões de Minas: História, Memória e Patrimônio 

Os sertões de Minas não são apenas um espaço geográfico. São territórios marcados pela formação de povoados, pela abertura de caminhos, pela religiosidade, pelas tradições populares e pelas histórias de homens e mulheres que construíram a identidade do interior mineiro ao longo dos séculos.

O Portal Sertões de Minas nasce com a missão de reunir, preservar e divulgar esse patrimônio histórico e cultural, oferecendo um ambiente dedicado à pesquisa, à memória e à valorização da história regional. 

Mais do que um repositório de informações, o portal pretende aproximar pesquisadores, professores, estudantes e todos aqueles que reconhecem na história um instrumento essencial para compreender o presente e preservar o legado do passado.

Aqui, o visitante encontrará artigos, documentos históricos, fotografias, mapas, livros, biografias, estudos acadêmicos e conteúdos voltados aos municípios que compõem os antigos sertões mineiros.

 Cada publicação busca unir rigor histórico, linguagem acessível e compromisso com a preservação das fontes, contribuindo para fortalecer a identidade cultural das comunidades do Centro-Oeste e de outras regiões de Minas Gerais.

O portal também nasce como um espaço de colaboração. Historiadores, pesquisadores, instituições culturais e arquivos são convidados a compartilhar conhecimentos e documentos que ampliem o acesso à história regional, promovendo a circulação do conhecimento e incentivando novas pesquisas.

Inspirado nos antigos mapas, nas rotas dos desbravadores e na riqueza do patrimônio material e imaterial de Minas Gerais, o Portal Sertões de Minas reafirma seu compromisso com três pilares fundamentais:

História, como conhecimento baseado em pesquisa e documentação;

Memória, como preservação das experiências e das identidades coletivas;

Patrimônio, como reconhecimento e valorização dos bens culturais que constituem nossa herança histórica.

Mais do que contar histórias, o Portal Sertões de Minas busca preservá-las para as futuras gerações, transformando documentos, imagens e pesquisas em uma ponte entre o passado e o presente.

Seja bem-vindo ao Portal Sertões de Minas. Um espaço dedicado à história, à memória e ao patrimônio do interior mineiro.

História Memória do centro oeste mineiro

Charles Galvão de Aquino 
Historiador
Registro nº 343/MG

 

Institucional

quinta-feira, julho 02, 2026

O PRIMEIRO SACERDOTE

Padre José Teixeira de Camargo: o Primeiro Sacerdote a Celebrar Missa no Arraial de Sant’Ana do São João Acima

A história de Itaúna, cidade do Centro-Oeste de Minas Gerais, é marcada por profundas raízes coloniais e encontra em suas origens figuras que exerceram papéis determinantes na formação espiritual, social e cultural da localidade. 

Entre elas destaca-se o Padre José Teixeira de Camargo, o primeiro sacerdote a celebrar missa no então arraial de Sant’Ana do São João Acima, marco inicial da vida religiosa e comunitária que viria a moldar o futuro município de Itaúna, Minas Gerais.

José Teixeira de Camargo nasceu em 12 de maio de 1740, na cidade de Congonhas do Campo/MG, filho do casal Tomás Teixeira e Ana Maria Cardoso de Camargo. 

Por parte materna, trazia uma linhagem ilustre, típica das famílias que participaram da formação do interior paulista e mineiro: era neto de João Lopes de Camargo e Isabel Cardoso de Almeida, e tetraneto de José Ortiz de Camargo e Leonor Domingues Carvoeiro (nomes vinculados à expansão bandeirante e à ocupação do sertão do Brasil colônia).

José Teixeira de Camargo, portanto, cresceu em meio à tradição da religiosidade e do prestígio familiar, o que lhe garantiu condições de buscar o sacerdócio. No entanto, a entrada nos quadros do clero na segunda metade do século XVIII exigia muito mais do que vocação. Na época em que este jovem padre ingressou no seminário, a Igreja Católica vivia sob forte conservadorismo. Ser ordenado sacerdote implicava enfrentar um rígido processo de comprovações.

O primeiro desafio era a prova de “pureza de sangue”, exigência que visava atestar que o candidato “não era descendente de penitenciado pelo Santo Ofício (inquisição), nem de judeu, mouro, mourisco, preto, mulato ou qualquer outra nação infecta.”

Vencida essa barreira racial e religiosa, processo comum àquele tempo, seguia-se a avaliação dos costumes morais e da reputação “ilibada”, feita por testemunhas em segredo, sob juramento. Era necessário demonstrar uma vida “sem manchas”, íntegra e respeitável, tanto do ponto de vista pessoal quanto familiar. 

Por fim, o terceiro requisito consistia em doar um patrimônio à diocese, condição indispensável à ordenação. Era exigido que esse patrimônio fosse legítimo e desvinculado de bens de raiz ou escravizados. No caso de José, foram seus pais que realizaram a doação de parte da fazenda adquirida pela família, o que permitiu que o processo fosse concluído.

Àquela altura, a cidade de Mariana, sede do bispado, passava por um período de transição, sem um bispo titular, sendo então administrada pelo Cabido Eclesiástico. Nesse contexto, coube ao influente cônego Ignácio Corrêa de Sá, também comissário do Santo Ofício e juiz das Justificações de Genere, conduzir os trâmites e nomeações eclesiásticas. 

Para julgar o processo de moralidade e origem, “de moribus”, de José Teixeira, nomeou-se o padre Jorge de Abreu Castelo Branco, bacharel pela Universidade de Coimbra e vigário da Freguesia de Pitangui e “pai da Joaquina do Pompéu, ordenado viúvo”.

Com o processo aprovado, o próprio padre Jorge de Abreu nomeou, em 4 de fevereiro de 1766, José Teixeira de Camargo como capelão da Capela de Sant’Ana do São João Acima, então filial da Matriz de Nossa Senhora do Pilar de Pitangui. Tratava-se da primeira nomeação formal de um sacerdote para atuar de forma permanente no arraial, localizado em ponto estratégico de passagem de tropas e de expansão da ocupação do sertão, já densamente povoado e carente de assistência espiritual.

Aos 23 dias de abril, José Teixeira Camargo, ainda na condição de diácono, formalizou um requerimento ao Juiz das Dispensas em Mariana, explicando as razões para sua ordenação imediata. Alegava que a capela de Sant’Ana já estava concluída há seis meses, mas seguia sem sacerdote, e que havia grande carência de clérigos em toda a região do bispado de Mariana, não apenas para as terras povoadas, mas para aquelas que vinham sendo recentemente descobertas e colonizadas. Seu apelo foi atendido.

Ainda no mesmo ano de 1766, José Teixeira foi finalmente ordenado sacerdote e assumiu a capela de Sant’Ana, sendo o primeiro padre a celebrar oficialmente uma missa naquele espaço sagrado. Com esse ato inaugural, inaugurava-se também uma nova etapa no processo de enraizamento da fé católica e da vida comunitária no arraial, que com o tempo viria a se tornar o município de Itaúna.

Por mais de dois séculos, a sua memória permaneceu viva sobretudo em registros históricos e nos relatos da tradição oral local. Entretanto, seu nome demorou a ser reconhecido oficialmente nos espaços públicos da cidade que ajudou a fundar.

Em 4 de setembro de 1968, foi promulgada a Lei Municipal nº 908, que deu à praça localizada em torno da Igreja do Rosário o nome de “Praça Manoel Pinto Moreira”. Conforme reconheceu posteriormente Guaracy de Castro Nogueira, o nome homenageado nunca existiu, sendo fruto de um equívoco administrativo que ele próprio admitiu: “Este cidadão nunca existiu e eu sou o culpado, até que mude a denominação. Espero que tenha o nome do primeiro sacerdote que nela celebrou a primeira missa.”

A correção desse erro histórico foi finalmente realizada em 23 de março de 2004, trinta e seis anos após a nomeação anterior, com a promulgação da Lei Municipal nº 3.861, que modificou oficialmente o nome da praça para “Praça Pe. José Teixeira de Camargo”, reconhecendo de forma institucional o papel daquele que foi o primeiro sacerdote a atuar oficialmente em Itaúna.

A nova lei, além de revogar a anterior, determinou à Prefeitura a colocação de placas indicativas e a comunicação às instituições públicas e concessionárias de serviços essenciais sobre a alteração do logradouro.

A trajetória do Padre representa um elo vital entre a expansão da fé católica, os processos de ocupação do sertão mineiro e a consolidação das comunidades locais durante o período colonial. Ao ser o primeiro a celebrar missa na capela de Sant’Ana, ele não apenas cumpriu um rito litúrgico inaugural, mas fundou espiritualmente um povoado, ajudando a definir suas identidades, valores e referências religiosas.

Mais do que o primeiro a erguer a hóstia consagrada no altar de Sant’Ana do São João Acima, certamente, foi também uma figura que encarnou os ideais da Igreja colonial, o peso das tradições familiares e o impulso civilizador que moldou o interior de Minas Gerais. Seu percurso, da rígida formação eclesiástica à atuação pastoral em terras remotas, revela os bastidores de um tempo em que o sacerdócio representava mais do que vocação: era um caminho árduo de legitimação social, étnica e econômica.

Recuperar sua história é mais do que prestar homenagem: é restaurar a memória de um dos pilares invisíveis que sustentaram a fé, a esperança e a formação comunitária do que viria a ser Itaúna. A posterior reparação toponímica feita em 2004 sela um compromisso da cidade de Itaúna com sua própria história. Dar nome a um espaço público é também reconhecer a relevância de um passado que não pode ser esquecido. 

E nesse caso, o passado do arraial de Sant’Ana do Rio São João Acima também passa necessariamente pela figura de seu primeiro padre, cuja presença, hoje gravada no nome da praça, ecoa como sinal de pertencimento e permanência.

Que seu nome seja enfim reconhecido onde deve: na “Praça Pe. José Teixeira de Camargo” que hoje ocupa o mesmo chão em que ele certamente, pela primeira vez, levantou a voz para dizer “Dominus vobiscum” no coração do povoado de Sant’Ana.

Placa: Praça Pe. José Teixeira de CamargoCep: 35680-015

Referências:

Pesquisa e elaboração: Charles Aquino

CMI - CÂMARA MUNICPAL DE ITAÚNA. Lei nº 908, de 4 de setembro de 1968. Dá denominação à praça situada em volta da Igreja Nossa Senhora do Rosário como “Praça Manoel Pinto Moreira”, Itaúna, MG, 4 set. 1968. Disponível em: https://sapl.itauna.mg.leg.br/norma/8986

CMI – CÂMARA MUNICIPAL DE ITAÚNA. Lei nº 3.861, de 23 de março de 2004. Modifica denominação de logradouro público para “Praça Pe. José Teixeira de Camargo”, Itaúna, MG, 23 mar. 2004. Disponível em: https://sapl.itauna.mg.leg.br/norma/9841 

Fonte Impressa:   Itaúna em Detalhes – Pesquisa Guaracy de Castro Nogueira - Enciclopédia Ilustrada de Pesquisa. Edição: Jornal Folha do Povo, 2003, p. 4, 6-7,

Ilustração inspirada no conteúdo do texto.