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quinta-feira, janeiro 15, 2026

PRIMEIRO TREM

CHEGADA DO TREM EM ITAÚNA MG

A chegada do primeiro trem em Itaúna/MG: um marco celebrado com flores, música e multidão

Convidamos você a conhecer um dos momentos mais emblemáticos da história de Itaúna: a chegada do primeiro trem à vila, um acontecimento que não apenas representou o avanço da modernização e da conexão ferroviária com o restante de Minas Gerais, mas que também foi vivido e registrado como um verdadeiro espetáculo popular de alegria, orgulho e união cívica.

Embora alguns documentos indiquem que o primeiro trem teria chegado a Itaúna no ano de 1910, fontes impressas da época, como o jornal Pharol, de Juiz de Fora, em sua edição de 16 de março de 1911, registram com riqueza de detalhes que o marco histórico ocorreu no dia 8 de março de 1911. A matéria descreve com entusiasmo e precisão o impacto daquele dia na vida da população itaunense e na paisagem urbana da então vila recém-emancipada.

Naquela manhã de março, o trem do lastro da Estrada de Ferro Oeste de Minas, conduzindo o engenheiro-chefe dr. José de Berredo e acompanhado por famílias importantes de das Estações Ferroviárias de Henrique Galvão (Divinópolis/MG) e Cajuru (Carmo do Cajuru/MG), fez sua entrada triunfal no local onde se construía a estação de Itaúna. 

O cenário que se desenhou foi de comoção coletiva: uma multidão estimada em dez mil pessoas se reuniu para saudar a locomotiva com vivas aos nomes dos senhores Chagas Dória, Ministro da Viação, e do próprio dr. Berredo. O som de três bandas de música, o estouro de foguetes e os aplausos fervorosos criaram uma atmosfera de festa nacional.

Mas o momento mais simbólico e encantador se deu quando a locomotiva foi coberta por pétalas de rosas e confetes, lançados por um cordão encantador de moças e meninas do grupo escolar, como se a modernidade fosse recebida com bênçãos floridas e pura poesia popular. Era mais que uma recepção: era um ritual de acolhimento, de reconhecimento da importância daquela conquista para a vida de todos.

A cerimônia seguiu com discursos públicos representativos: Santiago, como porta-voz do Conselho Municipal, e Enéias Chaves, falando pelas classes comerciais e jurídicas. Também tomaram a palavra o Reverendo Padre Manoel Maria e o inspetor estadual Francisco Jota. Todos saudaram e homenagearam o feito da chegada do trem como um símbolo de desenvolvimento e progresso.

Após o desembarque, os convidados seguiram ao palacete municipal para um requintado lanche, onde novos discursos celebraram o feito. Encerrando o evento, o chefe político local e médico, dr. Augusto Gonçalves de Souza, elevou o brinde de honra, sintetizando o orgulho do povo itaunense. À noite, a vila foi palco de um elegante sarau, com a presença de oitenta senhoritas vestidas com apuro e elegância, simbolizando o refinamento e a vitalidade de uma comunidade em plena transformação.

Naquela época, Itaúna era descrita como uma vila florescente, com cerca de 3 mil habitantes, localizada na fralda da serra homônima, a 95 km de Belo Horizonte. Contava com cinco fábricas (de tecidos, cerveja, sapatos, pregos, ferraduras e manteiga) e já se preparava para a instalação da iluminação elétrica e de uma nova tecelagem. Ou seja, a chegada do trem era apenas uma das engrenagens de um ciclo promissor de industrialização e modernidade.

Convidamos os leitores e leitoras a refletirem sobre esse momento singular da história local, a partir do registro vívido e emocionante da imprensa da época. A chegada do primeiro trem a Itaúna foi muito mais que um evento logístico: foi um ato simbólico, uma festa popular, um gesto de esperança no futuro. Um dia em que a vila parou para celebrar a ferrovia como vetor de transformação e o fez com música, flores, discursos e fé no progresso.

INAUGURAÇÃO FERROVIA EM ITAÚNA MG

Que esse registro inspire novas gerações a valorizar a memória, o patrimônio e a história de Itaúna.


Referência:

Elaboração e pesquisa: Charles Galvão de Aquino

Fonte: Jornal “Pharol”, Juiz de Fora, MG, quinta-feira, 16 de março de 1911,  Ed. 60, p. 1.   

Hemeroteca Digital Brasileira

Ilustração criada com IA, inspirada no conteúdo do texto.

 

sexta-feira, outubro 24, 2014

TREM DA ALEGRIA

(Praça da Estação)

    Mário Soares Nogueira

 Fundada em 29 de abril de 1961, para, entre outras finalidades, promover o congraçamento de todos os itaunenses e reverenciar a memória de conterrâneos ilustres, a Sociedade dos Amigos de Itaúna, sediada em Belo Horizonte, programou romaria ao torrão natal, no maravilhoso "Trem da Alegria".

     À noite, no adro da matriz, onde se armou uma espécie de anfiteatro, com uma grande mesa ao centro, em solenidade belíssima, deu-se início às homenagens comemorativas do centenário de nascimento do ilustre filho, dr. Augusto Gonçalves de Souza. Tomaram assento à mesa as autoridades e os membros da família do homenageado, inclusive a sua única irmã viva, a adorável Donana, viúva do industrial João de Cerqueira Lima.

E nas cadeiras em torno, os caravaneiros. Falou o vice-prefeito, dr. Heli Gonçalves de Souza, em nome da municipalidade e do povo de Itaúna. Dr. José Luis Gonçalves Guimarães agradeceu em nome da família do homenageado.  Por fim, entre outros oradores, o desembargador Mário Matos descreveu a seu modo o tio Augusto como ainda o enxergava na mocidade, um sujeito extraordinário de bem, ótimo clínico, especialista em curar "dor atravessada".

     Em seguida, inaugurou-se na praça um artístico monumento em memória do homenageado. Dali, descemos para os salões do Automóvel Clube, para a festa de lançamento da coletânea "Itaúna - Humana e Pitoresca". Dr. Guaraci de castro Nogueira fez a apresentação magnífica. E o professor Luis Gonzaga da Fonseca, em seu nome no de seus companheiros escritores e no do editor Bernardo Álvares, agradeceu em belo improviso. Seguiu-se o atropelo dos autógrafos. Depois, em todos os clubes, houve baile animado até o raiar da madrugada.

     No dia seguinte, dia 30, após a missa matinal, visita coletiva ao cemitério. Ao meio dia foram à barragem do Benfica, onde à beira do grande lago de água "azulíssimas", criado pela força de vontade dos dirigentes das fábricas de tecidos itaunense e Santanense, foi servido suculento churrasco, com outras comedeiras e bebidas, supervisionado, pelo dr. Lauro Antunes de Morais.

Ali, ao som da orquestra do João Bigode e da banda de música dos alunos do seminário, a turma em brasa entrou no carnaval, e cantou e dançou e cirandou e saracoteou  e rodou e pulou e gritou até às quatro da tarde, rumando então em caminhões automóveis e  ônibus para a estação, onde às cinco e meia, em carros ligados aos expresso, retornou à capital, satisfeita da vida.  Em testemunho da verdade, os filmes tirados pelo Dr. Oromar estão aí para dirimir qualquer dúvida.

     Que a nova romaria ora programada tenha o mesmo sucesso, são os meus e os votos da Sociedade dos Amigos de Itaúna.