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sábado, setembro 21, 2024

ARMAZÉM PREÇO JUSTO

Nas barrancas do bairro mais barranqueiro do município de Itaúna, o Armazém Preço Justo era o ponto de encontro de todo mundo. Quando digo todo mundo, estou falando de uma clientela pra lá de variada: tinha o cliente mais abastado, que gostava de exibir sua pose, e tinha o mais liso, que comprava fiado até não poder mais.

Mas o charme do armazém não era apenas o preço justo, e sim o seu dono, Vicentão, com aquele bigode bem aparado e lustroso que parecia mais uma obra de arte. Ele era o herói da freguesia, mesmo com quatro atendentes prontos para ajudar, todos queriam ser atendidos pelo bigodudo.

A filha de Vicentão, uma adolescente que já entendia mais da vida do que o pai, ajudava no armazém toda tarde. A mãe, quando não estava cuidando dos afazeres da casa, também dava uma mãozinha no balcão, porque o movimento por lá era intenso. Entre clientes, cobradores e vendedores, o armazém vivia cheio de gente – e cheia de histórias.

Num desses dias escaldantes de verão, Vicentão teve um daqueles almoços que ele tanto gostava: inhame com quiabo e angu. O homem estava de alma lavada e estômago cheio, até que a barriguinha começou a reclamar.

Vicentão foi tomado por uma dor abdominal tão forte que começou a suar frio. Era uma emergência! Não ia dar tempo de subir até sua casa, que ficava no andar de cima. A única opção era correr para o banheiro do armazém, aquele que ele evitava com todas as forças, porque era o reino das baratas e aranhas.

Mas, com o desespero batendo, não tinha outra escolha. Lá foi Vicentão, correndo pelo meio do armazém, segurando a barriga e a dignidade. Chegou no banheiro e, para seu azar, a lâmpada estava queimada. Sem opção, fechou a porta – porque ninguém merece ser flagrado numa situação dessas – e se sentou no vaso, pronto para a batalha.

O que deveria ser uma missão rápida de alívio se transformou em um verdadeiro filme de terror. As baratas começaram a se espalhar pelo chão, e Vicentão, mais preocupado com os insetos do que com o próprio "descarrego", ficou ali, agachado, em pânico. Para piorar, o rolo de papel higiênico, com o local escuro, caiu direto no vaso.

Enquanto isso, na parte da frente do armazém, os clientes continuavam chegando e perguntando pelo bigodudo. A filha, sem saber onde o pai estava, disse que ele estava "resolvendo um problema muito urgente". Mas o povo queria mesmo era falar com Vicentão. Sem opção, ela foi atrás dele e chegou no banheiro.

Do lado de fora, chamou: "Pai! Tá tudo bem aí?" E ouviu só um grito abafado: "Tô ocupado! Volta depois!" Desesperada, ela foi chamar a mãe, e as duas correram até o banheiro, achando que o homem estava passando mal.

Quando abriram a porta, a luz do dia invadiu o ambiente, e baratas tontas saíram por todos os lados. Lá estava Vicentão, agachado no vaso, gritando: “Cruiz credo! Não tenho nem tempo de esvaziar a barriga com essas baratas me cercando!” Não sabiam se riam ou se ajudavam o pobre homem, mas a cena era digna de chorar de tanto rir. As baratas fugiram, e Vicentão, assustado, saiu correndo atrás delas.

Além dessas aventuras no banheiro, o armazém era palco de encontros diários das figuras mais ilustres do bairro: Biluca e Tibim. Eles eram praticamente uma atração à parte. Biluca, sempre com sua garrafinha de pinga, aparecia todos os dias pedindo para encher. E Tibim, seu fiel escudeiro, acompanhava o amigo em todas as jornadas.

A dupla tinha um ritual curioso: quando bebiam, para não cair ou errar o caminho, saíam de braços dados, segurando um ao outro, e percorriam o bairro inteiro, cambaleando, até chegarem em casa. Era quase um espetáculo de comédia ao ar livre. O bairro todo já sabia que quando Biluca e Tibim passavam, era um sinal de que a tarde estava animada.

Certa vez, a filha de Vicentão, preocupada com o estado de Biluca, decidiu pregar uma peça. Quando ele apareceu para encher a garrafinha de pinga, ela misturou metade com água, pensando que ele nem notaria. "Hoje é por conta da casa, Biluca, não precisa pagar!", disse ela, tentando conter o riso. Biluca, com um sorriso de orelha a orelha, agradeceu e saiu de braços dados com Tibim. Mas, dez minutos depois, lá estava ele de volta ao armazém, cuspindo e fazendo careta: "Menina, isso aqui é suco? Eu quero é pinga, não refresco!"

Mas nem todos os fregueses eram tão engraçados quanto Biluca e Tibim.

Vicentão, com sua confiança inabalável nas pessoas, jamais acreditava que alguém pudesse enganá-lo. Isso até o dia em que apareceu um homem de cabelo brilhantinado, terno, gravata e um “jornal” debaixo do braço. Todo elegante, o sujeito vivia rondando o armazém sem nunca comprar nada. Vicentão, já desconfiado, um dia decidiu abordá-lo: "Encontrou o que procurava, amigo?" O sujeito, nervoso, tentou sair de fininho, mas, ao mexer no terno, deixou cair um saquinho de farinha de mandioca que estava escondido no bolso. Vicentão, sem perder a compostura, disse: Quer que eu embrulhe o saco de farinha ou o senhor vai comer aqui mesmo?

Outro caso memorável foi o cliente que sempre comprava fubá. Um dia, ao chegar no caixa, ele deu um espirro tão forte que deixou cair do calção uma barra de doce de leite e um saquinho de bicarbonato. O sujeito ficou tão pálido que saiu correndo, largando até a carteira no balcão. E o pior: o dinheiro da carteira nem dava para pagar o que ele tentou levar.

Com o tempo, a família de Vicentão percebeu que os prejuízos se acumulavam. Entre os que levavam mercadorias sem pagar e os fiados nunca quitados, o armazém foi à falência. A filha bem que avisava: "Pai, o senhor confia demais nas pessoas!" Mas Vicentão, sempre de coração aberto, acreditava que, apesar dos pequenos golpes, ainda existia muita gente boa.

O armazém pode ter fechado as portas, mas Vicentão, com seu bigode ainda lustroso, continuava a sorrir, porque, no fundo, ele sabia que, no balanço da vida, as pessoas boas sempre superam as que nos decepcionam.

Confiar nas pessoas pode, às vezes, nos colocar em situações complicadas ou até hilárias, como Vicentão descobriu da pior – e mais engraçada – maneira. Mas, apesar das decepções, a verdade é que o mundo ainda está cheio de pessoas boas, que nos fazem sorrir e que estão ao nosso lado quando mais precisamos. Então, mesmo que a vida nos pregue algumas peças, nunca devemos deixar de acreditar que o bem sempre vence.


Causos e Memórias da barranqueira: Juliana Moreira

Roteiro e arte: Charles Aquino

Santana do Rio São João Acima, hoje Itaúna: Pedra Negra 

sexta-feira, agosto 23, 2024

PRATO RASO OU FUNDO?

Em um pacato bairro do interior de Minas Gerais que por muito pouco chegou virar uma cidade, havia uma loja que era a verdadeira definição: “vender de tudo”. O dono, senhor Viriato, era um comerciante astuto e conhecido pela sua habilidade de negociar qualquer coisa, desde encontrar o alpiste pra passarinho até pregos e pau pra mata-burros.

Viriato, magro, alto e de sorriso fácil, era também metódico em sua simplicidade. Todos no bairro de Santanense o conheciam como uma lenda viva, sempre preparado com uma resposta na ponta da língua e atitudes práticas. Após uma semana intensa de trabalho, ele decidiu levar a família para jantar no restaurante do bairro, uma tradição na sexta-feira.

O restaurante pertencia ao senhor Aldo, outra figura emblemática do bairro. O empresário era conhecido também por suas respostas diretas e sem rodeios. Não havia problema que ele não conseguisse resolver com poucas palavras e muito humor. Além de proprietário, ele também fazia as vezes de garçom, sempre com um ar de quem já tinha visto de tudo.

Naquela noite, a lua cheia iluminava o restaurante com um brilho prateado quando o senhor Viriato e sua família chegaram. Após se ajeitarem à mesa, Viriato, com a curiosidade de quem estava prestes a descobrir uma nova iguaria, começou a ler o cardápio. Seus olhos brilharam ao ver “sopa completa de legumes” – parecia o final perfeito para uma semana de trabalho árduo.

Quando o senhor Aldo chegou para anotar o pedido, a cena era de pura mineirice: uma mistura de simplicidade e astúcia que só se encontra em cidade interiorana. Com seu jeito peculiar, ele perguntou:

— O senhor quer a sopa no prato raso ou no prato fundo?

Viriato, sem pestanejar e com a mente prática e rasteira, respondeu:

— Não quero, o senhor vai fazer o seguinte: vai jogar toda sopa no chão lá dentro e vai sair puxando ela de rodo, que eu irei parar a boca na porta pra tomar!

A resposta causou um momento de silêncio, seguido de gargalhadas estrondosas que ecoaram pelo restaurante. Os outros clientes, acostumados com as peculiaridades das figuras locais, não puderam conter e seguiram o mesmo ritmo. Seu Aldo, sem perder a compostura, abriu um sorriso largo e, com seu jeito peculiar, respondeu:

— Pois não, senhor Viriato! Vou escolher o maior rodo e preparar a sopa mais rápida da minha vida.

Enquanto os outros clientes ainda se recuperavam do ataque de risos, Viriato e sua família desfrutaram de uma noite agradável, com histórias e risadas que se tornaram lenda no bairro. Naquela noite, Santanense não só testemunhou mais um capítulo das sagas de Viriato e Aldo, mas também reforçou o espírito comunitário, onde o humor pitoresco e a austeridade tinham o poder de transformar momentos cotidianos em memórias inesquecíveis.

Aperte o play e se encante com a simplicidade e astúcia desse encontro épico!


Referências:

Organização, arte e roteiro: Charles Aquino

"Estórias quase aVACAlhadas"

Narrativa do Barranqueiro Nenzinho - Professor Renderson Alves

quarta-feira, agosto 07, 2024

O BOI MARRUCO

Nos anos de 1970, na pitoresca região dos Freitas, pertencente ao município de Itaúna, Minas Gerais, havia um salão que servia como escola. Lá, Dona Chiquinha, uma mulher de sorriso fácil e coração generoso, dava aula para quatro turmas de alunos. As crianças da região vinham a pé, enfrentando uma caminhada de duas horas pelas estradinhas de terra, apenas para estudar.

Dona Chiquinha era uma figura querida. Seu jeito maternal e suas histórias cativantes faziam com que os alunos se sentissem em casa. No entanto, havia algo mais que unia aquelas crianças além do desejo de aprender: um certo boi que morava na fazenda dos Freitas. A fazenda era propriedade de Plauto, filho de Mozart Machado, e nela vivia o famoso boi "Marruco dos Santos Reis". Esse boi, enorme e imponente, tinha um temperamento peculiar. Quando ouvia seu nome, saía em disparada atrás das crianças, que adoravam provocá-lo.

Entre os alunos, havia uma menina especial: Geralda, conhecida por todos como "Preta" — uma menina devota que tinha uma fé inabalável. Certo dia, após mais uma perseguição do boi “Marruco”, ela decidiu ensinar uma reza que, segundo ela, tornaria as crianças invisíveis aos olhos do boi.

"Jesus tá daqui, Jesus tá de lá, arreda, bicho mal, deixa eu passar. Se tiver dormindo, não há de acordar. Se tiver acordado, não há de enxergar", ensinou Preta com convicção. As crianças, apesar de céticas no início, resolveram tentar.

No dia seguinte, ao passarem pela fazenda, começaram a recitar a reza. Para surpresa de todos, o boi “Marruco”, que estava a postos para mais uma perseguição, simplesmente parou, olhou em volta confuso e voltou a pastar. As crianças atravessaram o campo sem serem vistas, como por um passe de mágica.

Essa história rapidamente se espalhou pela região. A coragem e fé de Preta se tornaram lendárias, e a reza passou a ser conhecida como "a oração do Marruco". Os alunos de Dona Chiquinha nunca mais precisaram correr do boi Marruco dos Santos Reis, e a escola dos Freitas se tornou um lugar ainda mais especial, onde até os maiores medos eram vencidos com um pouco de fé e a ajuda dos amigos.

E assim, a pequena comunidade dos Freitas continuou sua rotina de estudos e aventuras, sempre com uma boa história para contar e uma gargalhada pronta para ser compartilhada.

Imperdível a narrativa em vídeo !


Organização, Arte e Roteiro: Charles Aquino. 

Preservando e Valorizando Histórias e Causos como Tradição da Oralidade e Patrimônio Cultural de Nossa Cidade e Região: Helton Borges

Santana do Rio São João Acima, hoje Itaúna, Minas Gerais, Pedra Negra - Povoado dos Freitas. 

domingo, junho 30, 2024

ALÔ, JERÔNIMO?

   O conto "ALÔ, JERÔNIMO?" de Toni Ramos narra uma situação de tensão crescente e ironia sutil. A protagonista, uma mulher ocupada com um serviço urgente, é constantemente interrompida por um telefone insistente. Na terceira vez que o aparelho obsoleto toca, ela atende irritada, apenas para encontrar um homem idoso procurando por alguém chamado Jerônimo. 
   Apesar de suas tentativas de explicar que ele discou o número errado, o homem persiste, compartilhando histórias de um passado compartilhado com Jerônimo, no Tiro de Guerra. A mulher, desesperada para voltar ao seu trabalho, que posteriormente se revela ser um roubo, tenta encerrar a conversa.

   Toni Ramos utiliza um estilo direto e envolvente, mantendo a tensão e revelando lentamente a verdadeira natureza da situação. A narrativa é construída de maneira a surpreender o leitor no final, quando é revelado que Jerônimo, a pessoa procurada pelo homem ao telefone, está amarrado e amordaçado na outra sala. A ironia está presente na frustração da mulher com o telefonema inoportuno, enquanto ela está envolvida em um ato criminoso.

   A história apresenta dois personagens principais: a mulher e o homem ao telefone. A mulher é descrita como impaciente e pragmática, focada em seu objetivo criminoso. Sua irritação com a interrupção é contrastada com a gravidade da situação em que ela se encontra. O homem ao telefone é persistente e nostálgico, claramente com dificuldades de aceitar que ele pode ter cometido um engano. Sua insistência e a narrativa de seu passado oferecem uma profundidade emocional à história, sublinhando a tragédia da situação.

   A narrativa de Ramos serve como uma crítica às suposições e às aparências enganosas. O leitor é levado a acreditar inicialmente que a mulher está sendo apenas irritada por um telefonema inoportuno, mas a revelação final subverte essa percepção. A persistência do homem idoso, que poderia ser vista como um aborrecimento, acaba por ser uma ironia amarga, pois ele estava perigosamente perto da verdade, mas incapaz de interferir.

   "ALÔ, JERÔNIMO?" é um conto curto, mas poderoso, que utiliza ironia e suspense para explorar temas de engano e percepção. Através de uma narrativa bem construída e personagens convincentes, Toni Ramos consegue capturar a atenção do leitor e proporcionar uma reviravolta surpreendente, subvertendo expectativas de maneira eficaz.

História narrada em áudio! Imperdível!


Referências: 

Texto: Historiador, escritor Toni Ramos Gonçalves. Graduando em Jornalismo e Escrita Criativa.

Organização e arte: Charles Aquino


quarta-feira, junho 26, 2024

POVOADO DOS COELHOS

Era inverno do mês de agosto, nas barrancas de Santana do Rio São João Acima, hoje Itaúna, e a região dos Coelhos estava em um "rebuliço só".  Farofa, um senhor magro, forte e de uma fé inabalável, era conhecido por seu estilo impecável: roupas sociais sempre bem engomadas, um verdadeiro brinco! Mas a tranquilidade da fazenda foi perturbada por uma história que se espalhava como fogo em palha seca.

Os moradores da região dos Coelhos juravam que tinham visto vultos misteriosos à noite: quatro homens de terno carregando um caixão. Essa aparição macabra acontecia duas a três vezes por semana, deixando todos apavorados. Farofa, no entanto, não se intimidava com essas histórias de fantasmas e decidiu que desvendaria o mistério. — Essa semana estarei de vigia todas as noites! — declarou Farofa com firmeza, desconsiderando os conselhos temerosos dos vizinhos.

Com seu fiel cachorro Caramelo e uma mochila cheia de comida, Farofa foi para o mato adentro da fazenda. Nas primeiras duas noites, a única coisa que ele ouviu foram os sons dos sapos, pererecas e grilos. Mas na terceira noite, ao pé do morro, ele avistou algo que fez seu coração pular uma batida.

— Será que são eles? — murmurou Farofa, esfregando os olhos para ter certeza do que via. Quatro homens de terno, carregando um caixão, vinham em sua direção. Pela primeira vez, Farofa sentiu um frio na espinha. Seria a morte enviando seus emissários para levar alguém da fazenda? Ele se manteve paralisado, observando a cena. De repente, um dos homens tropeçou e soltou um pavoroso palavrão.

 Diacho! Esses fantasmas estão é “muito pecadores”, falando desse jeito! — pensou Farofa, agora mais confuso do que assustado. O fiel e atento Caramelo percebendo que havia algo errado, avançou no grupo. Um dos homens, apavorado, saiu correndo mato adentro, desestabilizando os outros. Em um instante, todos largaram o caixão e correram para salvar suas peles. Farofa, ainda meio atordoado, deixou o cachorro perseguir os homens e se aproximou do caixão. Ao abri-lo, o que viu o deixou boquiaberto.

— Misericórdia! — Misericórdia! Cambada de safados! — gritou Farofa. Em vez de um corpo, o caixão ... era café! Isso mesmo! O caixão tinha uma alma se quer — estava cheio de grãos de café. Farofa descobriu que os supostos “fantasmas” eram, na verdade, ladrões roubando o café da fazenda.

O alvoroço na fazenda rapidamente se transformou em risos e piadas sobre os "fantasmas pecadores". E Farofa, o homem de muita fé que não tinha medo de nada, tornou-se ainda mais respeitado, agora não apenas por sua coragem, mas também por seu inusitado senso de humor diante do inexplicável.

E assim, na pequena comunidade da região dos Coelhos, essa história tornou-se lendária. Até hoje, os moradores mais antigos lembram dos passos dos homens de terno e do vulto do caixão, mesmo que toda a história tenha sido esclarecida. Entre risos e recordações, a verdade se mistura com a lenda, perpetuando o causo do caixão cheio de café como uma prova de que, às vezes, a realidade pode ser mais cômica e surpreendente do que qualquer mera imaginação.

Opaaaa!! ... esperaí !! ... pensaram que iria esquecer do corajoso e fiel Caramelo?  Pois bem ... Caramelo depois de espantar os ladrões, se tornou também um respeitável herói e mais querido ainda pelos moradores dos Coelhos... 

Veja o "Causo" narrado em áudio! Imperdível !


Referências:

Arte, organização:  Barranqueiro — Charles Aquino

Causo: Barranqueiro Borges 

 

sábado, junho 22, 2024

SAGA DAS VELAS

A Incrível Saga das Velas da Semana Santa em Itaúna

Era uma tarde quente de abril em Itaúna, e a cidade fervilhava com os preparativos para a Semana Santa. No coração desse fervor estava Jair Debique, um comerciante e eterno brincalhão que havia transformado a venda de velas em um verdadeiro espetáculo. Tudo começou quando ele, em uma de suas viagens, observou meninos vendendo velas em Guaranésia, Goiás. Inspirado, decidiu trazer a ideia para sua terra natal, e o que se seguiu foi uma série de eventos cômicos que se tornaram lendas locais.

Veja incrível história completa ... agora narrada em áudio:

História narrada pelo Barranqueiro Nardoni , escrita  por um Historiador Barranqueiro

Texto original com todos os detalhes da história


domingo, agosto 01, 2021

VELAS EM SANTANA

Fato pitoresco da história da nossa cidade, seria sobre as vendas de velas na Semana Santana que eram empreendidas por Jair Debique. O comerciante nasceu em 1944 no município de Itatiaiuçu, nesta época pertencente ao município de Itaúna. Filho de lavradores, José Juscelino de Faria (Debique) e Amélia Sabina da Silva, mudou-se para Itaúna a fim de acompanhar os pais em 1947. Na ocasião, os irmãos mais velhos aproveitaram a vinda da família e também buscaram oportunidades de trabalho. O primeiro local de moradia, foi na rua Gonçalves da Guia, o principal ponto da boêmia da cidade naquela época.

Jair Debique começou a trabalhar bem cedo com o pai  em diversos serviços, com apenas 7 anos de idade, além de limpar terrenos na enxada era engraxate e aos 14 anos foi trabalhar no Cine Rex vendendo balas e doces. Aos 17 anos foi trabalhar como mensageiro da Dona Mariquita (esposa do José Rosa) nos antigos telefones agendados, aos 21 anos, como quase todos itaunense, foi trabalhar na Companhia Industrial Itaunense - função de Fiandeiro, com 24 anos de idade, serviu Polícia Militar de Minas Gerais na cidade de Passos - 12º Batalhão da PM e segundo Jair, sua saída, foi devido ser muito “brincalhão” e a Polícia daquela época possuía mais dificuldades que a família dele.

Retornou à Companhia Itaunense, depois trabalhou na Juvenila, Companhia Industrial Belo Horizonte, Santa Elizabeth, Companhia Paraense e retornou para Itaunense como fiandeiro, momento em que conheceu sua esposa Vicentina Antunes que trabalhava na função de Fiandeira. Aos 26 anos, foi trabalhar na Dinâmica Têxtil do Deputado Marcos Lima em 1970, quando ela abria as portas. Lá assumiu a função de motorista, conta com orgulho que, várias vezes, dirigiu o Chevrolet do Senhor João Lima Jr. para levar a Dona Tereza em seu sítio no Morro do Engenho.

No ano de 1976, retorna sua habilidade comercial aos 32 anos, em parceria com o seu amigo Raimundo Faria, Teco da Casa Ferreira, comprou um Fusca 74 e começou a vender Calçados de Nova Serrana, viajando por toda Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia e Goiás. Mais tarde, Jair começa a vender a vender calçados em parceria com seu irmão e paralelo a isso, montou uma loja de Calçados Colegial, em Itaúna, depois em Desterro de Entre Rios e Itatiaiuçu.

Jair Debique começou a vender velas na Semana Santa, pois em uma das suas viagens a Guaranésia, no Estado de Goiás, viu os meninos vendendo velas e despertou a curiosidade. Implementando em Itaúna as vendas de vela na Semana Santa, Jair juntou a criançada do Alto do Rosário e do bairro de Lourdes e iniciou a nova empreitada.

Jair comenta orgulhosamente que seu melhor vendedor foi “o Manoelzinho, João do Pulo, o Carlos Roberto - Mudinho Gari, Zé Querosene, Antônio José de Faria Júnior - Da Lua -atualmente vereador em Itaúna”. Jair explica que comprava as velas no quilo em Belo Horizonte e vendia a granel com o auxílio da criançada, que era muito bem remunerada. A venda de vela ficou famosa, por isso ampliou o comércio na vizinha cidade de Carmo do Cajuru.

Certa vez, o Padre José Ferreira Neto implementou a venda por meio da Paróquia de Santana, enviando uma carta a Jair para que parasse as vendas, pois a criançada atrapalhava a venda das velas paroquiais, que eram comercializadas nas barracas  montadas na praça da Matriz.

Foram anos de muitas histórias com a venda das velas. Os jovens (registra o cronista e professor Sílvio Bernardes no jornal S’Passo) iam gritando: “Oiá a véia, oiá a véia” enquanto deveriam estar falando “olhem a vela, olhem a vela”.

Outra inovação de Jair Debique foram as barracas do Jogo do Coelho nas festividades do Reinado.  O Jogo do Coelho foi implementado quando Jair, em um passeio ao Parque Municipal, interessou-se pelo negócio e trouxe a ideia inovadora para o município de Itaúna nas festividades de Nossa Senhora do Rosário. O jogo funcionava por meio de apostas que eram feitas em forma de palpites. Havia várias casinhas e o jogador que acertava a casinha em que o coelho escolhia entrar, levava o prêmio oferecido. O apostador ganhava brindes e, algumas vezes, dinheiro. Nesta época seus irmãos Oscar, Gentil e Marquinho do Táxi ajudaram, além de Zita e Marta. Os irmãos ficaram conhecido como os irmãos bermudas, pelo fato de nunca usarem calça no dia a dia.

 Jair Debique até hoje mora na região do Rosário, onde estes fatos pitorescos e históricos ocorreram em nossas barrancas itaunenses.

Veja a incrível história completa ... agora disponível no vídeo abaixo:


 

REFERÊNCIA:

Texto: Alexandre Campos*

Fonte Impressa: Jornal S’Passo, ed.1378, p.10, 27/03/2021, Itaúna/MG

Fonte Oral: Jair Debique

Entrevista: Alexandre Campos

Organização: Charles Aquino

Acervo: Fotografia meramente ilustrativa. Disponível em: https://flashbak.com/on-this-day-in-photos-june-7th-in-the-20th-century-53404/candle-maker/

* O autor do texto é responsável pela publicação. 

 

sábado, março 02, 2013

PRAÇA DA LAGOINHA

LENDA OU VERDADE?

O objetivo deste artigo é falar sobre este casarão, que ficava situado na esquina da Rua José Gonçalves com Praça Francisco Marques (LAGOINHA), do lado direito, ao lado do semáforo, onde hoje há um prédio que abriga lojas e uma sorveteria e também sobre a razão pela qual a referida praça tem o apelido de LAGOINHA. Supõe-se que tal imóvel tenha sido construído quando Itaúna ainda era a Vila de Sant'Ana de São João Acima, não se sabe por quem. Sabe-se que pertenceu ao Sr. Alfredo Jorge Mina (Alfredo Turco) (conforme informações da família do comprador). Na década de 20 foi vendida ao Sr. OLÍMPIO JOSÉ DA SILVEIRA e sua esposa MARIA IRENE DA SILVA, vindos de Conquista (ITAGUARA). Aqui o Sr. Olímpio e Dª Maria Irene tiveram outros filhos, e morreram.
Não conheci pessoalmente nenhum, mas sou amigo de dois filhos: Mardoqueu José da Silva (o conhecido DOCA, que trabalhou por mais de 40 anos na Itaunense), e Menevides José da Silva, também ex-funcionário de mesma empresa e casado com a Sra. Zelma Antunes de Castro Silva. Apenas uma vez entrei nesta casa, imensa, como se pode ver pela foto e toda assoalhada. Na parte que dava para a Praça Francisco Marques (LAGOINHA), haviam várias pequenas lojas que serviam de barbearia, engraxataria, mercadinhos, etc. Na década de 60 os herdeiros de do Sr. OLÍMPIO venderam o referido imóvel, quando foi erguido o atual prédio. 
Conforme o título deste artigo há uma história ou estória sobre o porquê de LAGOINHA. Certa vez meu pai SEBASTIÃO ALVES FRANCO (Tião Franco), contou-me que o pai dele, meu avô JOSÉ ALVES FRANCO (Zeca Franco) contava o seguinte caso: ANTONIO JOSÉ ALVES FRANCO (pai de Zeca Franco), dizia (por ouvir falar) que, quando Itaúna ainda era a Vila de Sant'Ana do Rio São João Acima, (meados do século 19), bem no centro da praça havia uma pequena LAGOA
Do lado sul a vila terminava aqui. A atual Rua Marechal Deodoro chamava-se Rua do Canto, justamente por estar no canto da vila e dela saía uma trilha que levava ao Caminho onde hoje é a Rua Mozart Machado. Este caminho levava até ao povoado de São Sebastião do Itatiayussu, (hoje cidade de Itatiaiuçu), povoado de Conquista (hoje cidade Itaguara), Termo de BONFIM e continuando, alcançava a Estrada Real. 
Segundo o saudoso historiador Dr. Guaracy de Castro Nogueira, o fundador de Itaúna, GABRIEL DA SILVA PEREIRA, foi quem abriu a primeira picada (caminho), passando pelo Arraial de Sant'Ana, ligando BONFIM a PITANGUI, os dois mais importantes centros da Região. Voltando à LAGOINHA, meu bisavô dizia (por ouvir falar), que ela era abastecida por uma água vinda de uma mina que estaria situada no terreno onde hoje está o Colégio Santana. A sobra (quando enchia), saía pelo ladrão e descia pelo atual trecho da Rua Dr. José Gonçalves que vai da LAGOINHA até o Rio São João.
No princípio eu disse "lenda" ou "verdade". Realmente nenhum dos historiadores itaunenses, especialmente JOÃO DORNAS, em momento algum fala sobre isto. Por esta razão não há como provar se é Verdade ou Lenda. No entanto, se disser à maioria dos habitantes de Itaúna que moro na LAGOINHA, ninguém terá dúvida. Saberá onde é certamente. Por que razão então do nome LAGOINHA? Alguma coisa houve! 



Texto: Juarez Nogueira Franco (In memoriam)
Fonte Oral: Família de Olímpio José da Silveira / antepassados
Organização: Charles Aquino