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terça-feira, dezembro 03, 2019

INÁCIO CAMPOS CORDEIRO

Abaeté/MG * 09/07/1920 -  Itaúna/MG † 24/01/2016

Brasileiro, casado advogado e ex-integrante da Força Expedicionária Brasileira (FEB), nasceu em 9 de julho de 1920, na cidade de Abaeté/MG. Filho de Antônio Cordeiro de Andrade e Iara Campos Cordeiro.

Foi casado com Giselda Amélia de Souza Campos, professora aposentada.  Teve 7 filhos e 16 netos e 1 bisneto. Fez o curso primário na sua cidade natal e transferiu-se para Belo Horizonte onde fez o Curso de Contador e trabalhou no Banco do Distrito Federal.

Em dezembro de 1942, foi convocado para o Exército, em virtude da declaração de guerra do Brasil aos países do eixo.

Após um ano em Belo Horizonte, no 10º R.I., foi transferido para São João del Rei e, posteriormente, para o Rio de Janeiro, sendo incorporado à Força Expedicionária Brasileira (FEB) e nesta condição embarcou para a Itália em 21 de setembro de 1944, retornando ao Brasil em setembro 1945.

Deixando seu emprego em Belo Horizonte, retornou à Abaeté, a fim de fiar perto de sua família. Nessa cidade, trabalhou como contador prestando serviços a diversas firmas por 20 anos, sendo ainda por algum tempo, correspondente dos Bancos do Brasil, Comércio e Lavoura, que não possuíam agências na cidade.

Espírito dinâmico e entusiasta prestou relevantes serviços à comunidade. Foi Inspetor Escolar durante mais de 15 anos, sem qualquer remuneração. Provedor da Santa Casa, clubes de serviços (esportivos e sociais), ajudou na fundação do Ginásio local, foi vice-diretor e professor de Contabilidade de várias turmas.

Em 1946, foi eleito Juiz de Paz para um período para o período de 4 anos. Nessa época exerceu as funções de Juiz de Direito, no impedimento do Titular da Comarca, Dr. José de Castro Pires.

Em 1967, tentando realizar seu sonho de moço, transferiu-se para Itaúna, para que pudesse continuar seu curso de Direito. Fez parte da primeira turma de bacharéis formados pela Universidade de Itaúna

Integrou-se facilmente em sua nova cidade e sua vocação de servir bem foi aproveitada, participando da direção de várias obras assistenciais da comunidade.

Foi advogado militante na Comarca de Itaúna. Foi Presidente da subseção da OAB por um período e outro como Vice-Presidente. Em 1978, foi escolhido “Advogado do Ano” através de pesquisa popular.

Durante 4 anos foi professor substituto nas Faculdades de Direito, Odontologia e Economia, lecionando a matéria de “Estudos dos Problemas Brasileiros” (EPB).

Foi também professor no Colégio Estadual e ainda, no Colégio Sant’Ana, da disciplina 0SPB. Pertenceu aos quadros do Rotary, fazendo parte da Diretoria como Secretário e Diretor de Protocolo.

Colaborou nos serviços religiosos da Paróquia de Sant’Ana, tendo exercido por longo tempo, as funções de Ministro da Eucaristia, proferindo palestras no “Curso de Noivos e Encontro de Casais”.

Foi Integrante da Pastoral Carcerária, prestou colaboração à APAC (Associação de Proteção aos Condenados).

Era presença obrigatória nas Comemorações Cívicas quando tenta despertar em nossa juventude o interesse peça Pátria.

Os estabelecimentos de ensino sempre requisitaram para palestras de cunho patriótico e de exaltação ao amor ao Brasil, nestes tempos em que o civismo está sendo esquecido e muito pouco incentivado e, para atingir estes objetivos, levou vários alunos para conhecerem o Museu da FEB, em Belo Horizonte.

Proferiu inúmeras palestras sobre a 2ª Guerra Mundial, com eloquência e testemunho próprio por ter participado da mesma em Montense / Itália.

Confessava que “até seu sangue era verde-amarelo”.  Desfrutou de merecida aposentadoria e foi 1º Tenente do Exército, sem vantagens financeiras do posto, uma regalia concedida a todos os ex-combatentes da FEB que possuem diploma de Escola Superior.

Recebeu em setembro de 1991, o Diploma de Amigo do Exército.

Recebeu em outubro de 1994, o Diploma de Amigo do TG – Tiro de Guerra.


SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

Recebeu em 9 de maio de 1998, a medalha “Mascarenhas de Moraes” em reconhecimento pelos serviços prestados à ASSOCIAÇÃO DOS VETERANOS DA FEB, com palestras de cunho cívico, divulgando o desempenho da FEB nos campos de batalha na Itália na segunda guerra mundial. 
1944
Soldado da Força Expedicionária Brasileira - FEB 

"Doravante tudo seria bem diferente. Estava a caminho para a guerra. O seu termino ninguém podia afirmar. As vezes nunca mais verei minha terra, nem minha gente ...

Espero, porém, que o meu sacrifício, o sacrifício destes milhares de jovens, não seja em vão.

Que num futuro não muito distante, os povos possam viver em harmonia, e que a geração de amanhã seja mais feliz, não tendo que sacrificar sua vida e seus ideais num campo de luta.

Só este pensamento nos consola. Que aqueles que sobreviverem a esta guerra; possam ter no porvir, dias tranquilos e felizes" ...


REFERÊNCIAS:
Texto e acervo pertencentes a Inácio Campos Cordeiro Júnior.
Organização e elaboração de Charles Aquino


segunda-feira, dezembro 02, 2019

MAJOR CHINA - FEB


"Segunda Guerra Mundial - Itaúna/MG"

O texto "Segunda Guerra Mundial - Itaúna/MG" apresenta a trajetória do "Major China" nascido em Quartel Geral, Minas Gerais que, desde cedo, enfrentou adversidades e, eventualmente, realizou seu sonho de participar da Segunda Guerra Mundial. O texto é estruturado de maneira cronológica, começando com o seu nascimento e seguindo sua trajetória de vida até seu falecimento. Esse formato facilita o entendimento do leitor sobre a sequência dos acontecimentos.

O texto fornece informações detalhadas sobre a vida pessoal e profissional, destacando suas conquistas e contribuições em várias áreas.  A narrativa da participação na Segunda Guerra Mundial é um ponto central do texto, mas carece de detalhes sobre a experiência do indivíduo durante o conflito. Informações adicionais sobre suas ações específicas no front e os desafios enfrentados ajudariam a criar um retrato mais completo e envolvente. A contextualização histórica é limitada, deixando de explorar o impacto da Segunda Guerra Mundial no Brasil e a relevância da Força Expedicionária Brasileira (FEB).

O texto destaca diversas contribuições em diferentes áreas após seu retorno da guerra. Sua atuação como Delegado Municipal de Itaúna, Agente Fiscal de Tributos Estaduais, Gerente do Frigorífico de Minas Gerais, Instrutor do Tiro de Guerra e Professor de Educação Física revela um perfil multifacetado e dedicado ao serviço público e à educação. As menções às medalhas e elogios recebidos do General Clark, Prescot, Gutemberg, Mascarenhas, Zenóbio e do Rei da Inglaterra, Churchill, conferem um reconhecimento importante ao indivíduo. 



SEGUNDA GUERRA MUNDIAL - ITAÚNA/MG

Natural de Quartel Geral-MG,  Geraldo Rodrigues da Costa,  "Major China", nasceu em 10 de agosto de 1921, sendo filho de Henrique Rodrigues da Costa e Maria Clara de Medeiros. Órfão ainda criança estudou até a 4ª série em Dores do Indaiá-MG, com grande dificuldade. Tinha um sonho, ir à guerra. Cresceu, mudou-se para Belo Horizonte/MG onde mais tarde vinha a realizar seu grande sonho. Tomou parte na Segunda Grande Guerra Mundial integrando o 1º Escalão da FEB o 6º RI de São Paulo, em 1944. 
Foi incorporado ao 5º Exército dos Estados Unidos em 25 de agosto de 1944, sendo membro efetivo conforme Boletim nº167 de 24 de junho de 1945, do 4º corpo do Exército Americano. Regressou ao Brasil, em setembro de 1945, possuindo as medalhas de Bronze, prata de Guerra e Campanha do Pacificador.  Recebeu elogios de Campanha do General, Clark, Prescot e Gutemberg, americanos; além de Mascarenhas e Zenóbio, e do Rei da Inglaterra, Churchill. De 1965 a 1971, foi Delegado Municipal de Itaúna. Ingressou no Exército em março de 1940 e chegava a Major já em agosto de 1965. Logo depois, em 26 de novembro de 1966 recebeu a patente de Major.

Além disso, foi Agente Fiscal de Tributos Estaduais, Gerente do Frigorífico de Minas Gerais de 1966 a 1970. Instrutor do Tiro de Guerra de Januária e Itaúna, Professor de Educação Física no Ginásio São João, de Januária e Anterro Torres de Bambuí. Em 1980, recebeu uma menção honrosa pela Câmara Municipal de Itaúna. Mudou-se para Belo Horizonte onde viveu até 1998 onde veio a falecer em 10/04/1998. Deixou 6 filhos e 5 netos.


REFERÊNCIAS:
IDEALIZADORA:  Schirley Cândida de Oliveira, realização 3º Ano I e II. ENSINO-APRENDIZAGEM “PASSANDO QUARTEL GERAL A LIMPO”, Quartel geral – Minas Gerais 2006, páginas, 30,31. Disponível em: http://www.quartelgeral.net/passandoqgal/passandoqgal.pdf .
ACERVO: Francisco Henriques Rodrigues da Costa -  Chicão.
ORGANIZAÇÃO: Charles Aquino 

quarta-feira, novembro 27, 2019

SEGUNDA GUERRA MUNDIAL


Muitos foram até a Itália, ficando outros no Rio de Janeiro, aguardando a ordem de partir. José Soares Filho foi um dos que esperavam no depósito do Rio de Janeiro para seguir.

A hora de despedir-se de sua mãe, sua garganta apertava de pena por vê-la chorar, sem saber se ele voltaria a seu lado ou se tombaria ao lado dos outros, em defesa do Brasil.
Mas, partindo de Itaúna, só um pensamento o devorava: “lutar e vencer”, cumprindo sua missão patriótica.

Afinal, não foi preciso seguir, porque os que o precederam, já haviam vencido, e voltaram cheios de glórias para suas cidades de origem.
Como José Soares, foram muitos itaunenses mas só alguns seguiram à frente da batalha.

Até a Itália foram os seguintes; Antônio Lopes de Morais, Elídio Afonso Guimarães, José Ferreira de Matos, Valdemar e AmadoE também os radicados em Itaúna: Major Rui Machado, Geraldo Rodrigues China e Inácio Campos Cordeiro.

Valdemar e um outro, apelidado por “Mula Manca”, acabaram seus dias sofrendo das faculdades mentais, ou melhor dizendo, de neuroses de guerra.

“Mula Manca” vivia cantando pelas ruas da cidade coisas desconexas, mas que lembravam os dias de combate. Por exemplo: “o navio de guerra quer falar contigo”, ou então: “o navio de guerra e o paraquedista”. E assim, esses dois foram-se desaparecendo, no turbilhão da vida.

Maria Magdalena Carneiro e Geralda Garcia Braz Também se ofereceram “voluntárias”, como enfermeiras da Cruz Vermelha, mas só ficaram em Belo Horizonte tratando dos soldados feridos que regressavam da frente de batalha.

Afinal, no dia 18 de julho de 1945, chegavam à Itaúna. Foi uma apoteose. A cidade soube receber os filhos que souberam honrar seu nome.

O povo se aglomerava na praça Dr. Augusto, dando vivas, ao som da banda de música, toques de sinos, todos cantando o Hino dos Pracinhas: “Você sabe de onde eu venho? É de uma pátria que eu tenho”.

Antônio Lopes de Morais e José Ferreira de Matos foram carregados aos ombros por populares, desde a praça da estação até a Praça da Matriz.

Soldado Amado
Soldado Antônio Lopes de Moraes
Enfermeira Geralda Garcia Braz
Soldado Geraldo Rodrigues China
Soldado Inácio Campos Cordeiro
Soldado José Ferreira de Matos
Soldado José Soares Filho
Enfermeira Maria Magdalena Carneiro
Soldado Mula Manca
Soldado Jovelino Olympio Guimarães
Soldado Paulo da Fonseca
Soldado Valdemar
Soldado Antunes Pinto



COMEMORAÇÃO DO FIM DA GUERRA EM ITAÚNA

Na praça da matriz, foi armado um belíssimo altar da Pátria, ricamente ornado com as cores nacionais. A praça, toda estava enfeitada com bandeirolas e com as bandeiras das Nações Unidas.

Celebrei a Santa Missa às 8 horas. Compareceram todos os sacerdotes presentes na paróquia, autoridades civis e militares, Escola Normal, Ginásio e Academia Comercial Santana, Grupo escolar, destacamento militar e grande massa de povo.

Na hora segunda — consagração das duas bandas, itaunense e Santanense que cantavam festivamente o Hino Nacional, enquanto, o destacamento apresentava às suas armas ao Deus infinitamente poderoso.

À noite, solene procissão do Santíssimo Sacramento até ao altar, onde teve lugar a oração congratulatória de Ação de Graças pelo Revmo. Pe. José Nobre e em seguida, Te Deum e benção do Santíssimo Sacramento.

Foi um momento de entusiasmo pelas aclamações ao Santíssimo Sacramento e pelo povo agitando os seus lenços brancos. Quase cinco mil pessoas agrupavam a praça da Matriz.


REFERÊNCIAS:
Texto 1: Iracema Fernandes de Sousa
Fonte Impressa: SOUSA, Iracema Fernandes de. Itaúna através dos tempos, Ed. LEMI S.A., BH, 1984, págs. 105,106
Pesquisa, Elaboração e Arte 1: Charles Aquino
Texto 2: Padre José Ferreira Netto
Fonte Impressa: Livro do Tombo da Paróquia de Sant’Anna de Itaúna - 1902 a 1947, p. 84v,85.
Acervo: Charles Aquino
Pesquisa & Elaboração 2: Charles Aquino.


sexta-feira, janeiro 31, 2014

VOLUNTÁRIOS DA PÁTRIA: PITANGUI/ITAÚNA

(O Conde d'Eu e Oficiais Brasileiros que participaram da Guerra do Paraguai)


Voluntários da Pátria na Guerra do Paraguai

Pitangui & Itaúna 

  A Guerra do Paraguai, que durou de dezembro de 1864 a março de 1870, é amplamente considerada um dos genocídios mais significativos da história da América do Sul e desempenhou um papel fundamental na formação da identidade brasileira ao longo do século passado.

  O impacto disto superou até mesmo as declarações de Independência e da República, uma vez que o apelo à independência apenas provocou uma mobilização significativa em regiões selecionadas do país. Um total de 135 mil militares compunham a força terrestre que combateu no Paraguai. Entre eles, 59 mil eram membros da Guarda Nacional, enquanto 55 mil serviam em corpos de voluntários. Isso foi um marco significativo à medida que indivíduos de diversas regiões do Brasil se uniram, formando novos conhecidos e lutando lado a lado por um propósito comum.

  A importância de coagir voluntários ao recrutamento torna-se crucial quando se estuda o processo de guerra. No entanto, é importante diferenciar as diferentes fases dos conflitos. À medida que os conflitos se arrastavam, o entusiasmo diminuía e a resistência crescia, resultando numa maior necessidade de recrutamento. No meio de circunstâncias desafiadoras para um conflito ao longo das fronteiras do sul, o Exército Imperial percebeu a sua incapacidade de combater sozinho o agressor inimigo.

  Confrontado com a vulnerabilidade das forças armadas, o Imperador D Pedro II tomou medidas decisivas em 7 de janeiro de 1865, emitindo o decreto nº. 3.371 para mobilizar o espírito patriótico da população brasileira. Isto levou ao estabelecimento dos Voluntários da Pátria, batalhões especializados formados especificamente para as exigências da guerra. Esses soldados eram facilmente reconhecíveis pela proeminente placa de metal adornada com o escudo imperial, orgulhosamente exibido em seu braço esquerdo. 

  No início, o apelo do governo à ação teve uma recepção notável e inesperada. Grupos de voluntários surgiram em diversas regiões do país. Os relatos das partidas destes voluntários revelam uma completa ausência de coerção. Em Pitangui, cidade localizada no interior de Minas, um grupo de 52 voluntários se despediu em meio a uma combinação de festividades religiosas e cívicas. Isto incluiu discursos patrióticos apaixonados, a interpretação do Hino Nacional e uma cerimônia solene onde uma jovem apresentou a bandeira ao primeiro voluntário. O povo pitanguense sempre considerou o amor pela pátria uma forma de devoção, que nutriu de todo o coração e com inabalável reverência.

  Em resposta à ameaça iminente à sua pátria, responderam rapidamente ao apelo e reuniram-se no Palácio Municipal no dia 2 de fevereiro daquele ano. Foi lá que fundaram a sociedade Amor da Pátria, dedicada à captação e consolidação de recursos municipais. O objetivo principal desta sociedade era fornecer assistência mais eficiente e oportuna ao governo imperial na defesa do Brasil contra potenciais hostilidades da Inglaterra, bem como quaisquer circunstâncias futuras imprevistas.

  Num curto espaço de tempo, a comissão arrecadou com sucesso uma quantia significativa que foi posteriormente destinada para cobrir as despesas do Estado durante a Guerra do Paraguai. Em 3 de fevereiro de 1865, o desembargador Pedro de Alcântara Cerqueira Leite, então presidente de Minas, escreveu uma carta ao presidente e ao secretário da sociedade conhecida como Amor da Pátria. Nesta carta, informou-lhes que havia recebido autorização do governo de S. M., o Imperador, para aceitar uma generosa doação de 2:110$000 (Dois contos cento e dez mil réis) do Dr. Frederico Augusto Álvares da Silva e Joaquim Antônio Gomes da Silva Júnior, que eram membros da comissão da sociedade. Esta doação destinava-se a ser utilizada para despesas do Estado.

  No Palácio Municipal, realizou-se na noite do dia 22 de março uma notável e grandiosa sessão. Esta sessão foi repleta de solenidade e grandeza quando a sociedade conhecida como Amor da Pátria expressou sua profunda gratidão e sincera despedida aos corajosos voluntários de Pitangui. Foi um abraço nostálgico que tocou o coração de todos os presentes.

  Dª Rosinha, estimada filha do Tesoureiro Tenente Azevedo, fez uma entrada triunfal na sociedade, exibindo orgulhosamente uma luxuosa bandeira adornada com as armas do Brasil, da Coroa Imperial, e a inscrição: "VOLUNTÁRIOS DA PÁTRIA DE PITANGUI", deixando uma marca duradoura impressão.

  Nos primeiros tempos, o Império do Brasil incentivou com sucesso o recrutamento de homens através de promessas; contudo, à medida que as notícias tristes e desoladoras dos campos de batalha se espalhavam, a resposta a estes incentivos tornou-se menos desejável. A partir de 1866, houve uma notável ausência de fervor no recrutamento militar. As autoridades, incertas sobre o curso de ação apropriado, seguiram os seus próprios motivos e agendas individuais, sejam eles económicos ou partidários. Isto demonstrou que o processo de recrutamento era imprevisível e em constante mudança, sujeito aos caprichos e favores dos responsáveis.

  Ao tomar conhecimento desta informação, o mineiro, conhecido pelo seu comportamento cauteloso e desconfiado, sentiu medo e percebeu os agentes recrutadores como um perigo genuíno. Por outro lado, os agentes tinham a delicada e precária tarefa de recrutar indivíduos. Neste contexto particular, torna-se evidente que a guerra e a sua intrincada dinâmica introduziram circunstâncias sem precedentes: uma ligação entre “necessidade e limites” que inegavelmente definiu aquela época. Itaúna, estando sob jurisdição administrativa de Pitangui, naturalmente contribuiu com seus próprios voluntários para a Guerra do Paraguai.

 Indivíduos que "voluntariamente" ofereceram seus serviços para defender sua pátria durante a Guerra do Paraguai. O historiador João Dornas Filho forneceu informações sobre o processo único de voluntariado naquela época. As autoridades responsáveis ​​pelo recrutamento prenderiam os cidadãos e, se considerados indignos de confiança, seriam algemados e transportados para Pitangui, o centro central de alistamento na região. Evaristo Cunha conseguiu escapar ao recrutamento refugiando-se durante vários dias na capela do Senhor do Bonfim. Infelizmente, nem todos tiveram a mesma sorte. José Alves Galdino, voluntário, foi detido pelos chimangos, partido liberal no poder, e transportado para Pitangui. Porém, segundo a tradição, ao chegar, recorreu a uma medida desesperada: consumir um dente de alho inteiro, o que o fez ficar febril e considerado impróprio para o serviço. Ele acabou retornando para Sant'Ana (Itaúna), onde faleceu pouco depois devido às consequências dessa manobra inteligente.

  Por outro lado, alguns seguiram para o teatro da luta e prestaram serviços até o fim.  São eles: 

  O Sargento Basílio Domingues Maia, conhecido pela “alcunha de Bá”, junto com Furriel Joaquim Mariano Villas Boas e Mestre Januário, também conhecido como Caraco, que era um educador dedicado, ensinando seus alunos vestido com uniforme militar. Infelizmente, os outros não receberam qualquer reconhecimento pelo seu serviço altruísta à Pátria, pois morreram em circunstâncias terríveis, deixando-os desamparados. Apesar de suas ações heroicas e altruístas, apenas Mestre Januário foi homenageado com a cátedra de mestre escolar.

  A complexidade da situação fica evidente em correspondência datada de 23 de novembro de 1866, onde o Comandante Superior de Pitangui expressou ao presidente da província de Minas Gerais sua insatisfação com o flagrante desrespeito às diretrizes de recrutamento:

” Com pesar levo a presença de V. Exa que os Guardas designados no 12° batalhão para o serviço da guerra não aquartelarão se hontem, como havia sido ordenado ao Chefe do mesmo Corpo. Esta falta não he so filha do desamino, do terror, e da repugnância que se nota nos Guardas Nacionaes para o serviço de guerra; he talves antes devida a froxidão dos officiais, que apesar das mais terminantes ordens, não tem elles comprehendido nossa situação e a responsabilidade que nos cabe.

He ella sem dúvida ainda a falta de interesse, a indiferença com que as autoridades policiais tem encarado este tão importante serviço, e para provar que digo refiro o ultimamente passado com o Delegado de Polícia deste Termo João Evangelista de Oliveira a quem communicando eu hontem a participação que me fes o Alferes Commandante do Destacamento que constava lhe haverem grupos de povo armado nos subúrbios da Cidade para opporem embaraços a prisão dos designados nenhuma providencia me consta fosse tomada, nem ao menos se dignou aquella autoridade responder o meo officio.

 Assim he que contando os designados com a froxidão da Policia, com a dos officiaes facilmente se negão ao cumprimento de seos deveres. Fiz já extrair a relação dos designados, remettia ao Delegado de Polícia de quem solicitei a prisão, e ordenei terminantemente ao Chefe d’aquele Batalhão que debaixo de sua responsabilidade os fisesse imediatamente prender, empregando para isso a força destacada."

  Na coleção intitulada SP-1272, que contém correspondência oficial e documentos adicionais relativos ao recrutamento, consta uma carta datada de 10 de junho de 1867, do Secretário de Estado dos Assuntos de Guerra. Este acervo específico encontra-se no Arquivo do Ministério Público.

  O recrutamento de guardas nacionais apresenta preocupações subjacentes, particularmente devido à própria composição da Guarda Nacional. Em teoria, a Guarda Nacional consistia em indivíduos íntegros e com estabilidade financeira, o que significava que tinham maior probabilidade de receber proteção das autoridades. Um agente de recrutamento da cidade do Serro chamou a atenção do presidente provincial para os desafios enfrentados no recrutamento, esclarecendo o facto de certas autoridades da região estarem a agir contra os interesses do governo, perturbando assim o destacamento da guarda nacional.

  Durante os meses de novembro e dezembro do ano de 1866, numerosas cartas e documentos adicionais foram enviados ao Governo sobre assuntos relativos à força pública. Especificamente, essas correspondências, que estão catalogadas sob a referência SP-1145, são originárias da Cidade de Pitangui e foram datadas de 23 de novembro de 1866. Esses valiosos registros estão atualmente guardados no arquivo do APM (Arquivo do Ministério Público).

  A necessidade de guerra exacerbou as relações já tensas entre as partes envolvidas, como resultado da crise no fornecimento militar. Numerosas tentativas de fuga, desaparecimentos na floresta, uma abundância de pedidos de isenção e discórdia entre as próprias autoridades resultaram na perda de controle sobre o objetivo principal: a execução da campanha.

  Os líderes políticos e oficiais da Guarda Nacional em cada província iniciaram o recrutamento forçado, obrigando os seus adversários a alistar-se como parte da força voluntária nacional. A exigência era que cada província contribuísse com um mínimo de 1% de sua população. No caso de alguém tropeçar em uma esquina, pode receber inesperadamente um golpe na cabeça e acordar com uma espingarda em sua posse, destinada ao campo de batalha.

  Independentemente disso, existiam vários caminhos para escapar ao chamado: os ricos contribuíam com recursos, equipamentos, escravos e funcionários em vez de envolvimento pessoal; aqueles com recursos limitados alistaram seus familiares, filhos, sobrinhos ou empregados domésticos; O único recurso para os marginalizados era procurar refúgio nas profundezas da floresta. Tornou-se costume que os proprietários de escravos empregassem seus escravos como soldados em batalha. A Guerra do Paraguai viu mais de 20.000 escravos entrarem na luta, representando aproximadamente 16% da força militar brasileira. 

  Além disso, o governo, juntamente com sociedades e conventos patrióticos, começou a comprar escravos para se juntarem à luta durante a guerra. O império prometeu conceder liberdade àqueles que se voluntariassem para o serviço militar, ignorando convenientemente quaisquer escravos que conseguissem escapar. Sem dúvida, a guerra exerceu imensa influência na formação da identidade brasileira. No entanto, é verdadeiramente desanimador que, juntamente com a perda de inúmeras vidas, este processo também tenha resultado na desumanização de outros seres.


De 7 de Fevereiro a 21 de Março de 1865 
Os primeiros 52 Voluntários a inscreverem -se :

1- Antônio da Silva Barbosa
2 - Antônio Gonçalves dos Reis
3 - Antônio José Corrêa
4 - Antônio José Patrício
5 - Antônio Luiz Fagundes
6 - Antônio Rodrigues de Souza
7 - Antônio Silvério da Fonseca
8 - Antonio Silvério Dantas Pintor
9 -Braz Xavier da Silva
10 - Claudino José da Silva
11 - Domingos Martins da Silva
12 - Estácio José da Silva
13 - Fidelis Cláudio Maciel
14 - Florêncio José de Andrade
15 - Fortunato José Gonçalves
16 - Francellino José Gonçalves
17 - Francisco Antonio da Silva
18 - Francisco da Silva Dantas
19 -Francisco Assis Pereira da Fonseca
20 - Francisco de Paula
21 - Francisco Ferreira da Silva
22 - Francisco Gomes da Conceição
23 - Francisco Marinho
24 - Francisco Moreira da Silva
25 - Guilherme da Silva Capanema
26 - Herculano Xavier Rabello
27 - Ignácio Joaquim Bahia da Cunha
28 - Jacintho Pereira da Silva
29 - Jacintho Pereira Guimarães
30 - João dos Santos Mascarenhas
31 - João Farnape de Freitas Mourão
32 - João José de Souza
33 - João José Patrício
34 - João Soares de Freitas Mourão
35 - Joaquim José Ferreira
36 - Joaquim Pereira de Castro
37 - José Agostinho Pereira
38 - José Bahia da Rocha
39 - José Bernadino Fernandes Gama
40 - José da Silva Gomes
41- José Faustino Rodrigues Zica
42 - José Ferreira Rattes
43 - Ludovino Gonçalves Pinto
44 - Manoel Ferreira Coelho
45 - Manoel Gonçalves dos Santos
46 - Manoel José da Silva
47 - Manoel Ricardo Fernandes
48 - Marcellino Pedro Addade
49 - Moysés Antonio Pereira
50 - Olympio José da Silva
51 - Sebastião Alves Coelho
52 - Theóphilo Martins Ferreira





Fontes :
Pesquisa: Charles Aquino
Escavações ou Apontamentos Históricos da Cidade Pitanguy (Joaquim Antônio Gomes da Silva-1902)
A Dinâmica do Recrutamento Militar na Província de Minas Gerais
Mobilização , Conflito e Resistência durante a Guerra do Paraguai   1865-1870
(César Eugênio Macedo de Almeida Martins)
Guerra superou a Independência e a República (José Murilo de Carvalho & Pedro Paulo Soares)
Hemeroteca Digital Brasileira
Arquivo do Senado Federal
Itaúna - Contribuição Para a História do Município  - Ano 1936 (João Dornas Filho)
Coleção de Leis do Império do Brasil
Imagem meramente ilustrativa - Acervo Hemeroteca Digital Brasileira