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domingo, julho 07, 2024

MOINHOS DE SANTANA

 O Professor Marco Elísio Chaves Coutinho enfatiza que "VISITAR A HISTÓRIA" dos moinhos d’água é fundamental para a história do município de Itaúna. Esses moinhos, que dominaram as margens do rio São João, são mais do que simples estruturas de moagem; eles representam uma parte crucial da identidade local e da vida comunitária.

Os moinhos transformavam o milho em fubá de angu, um alimento básico, e funcionavam como centros de atividade comunitária, unindo as pessoas em torno do bem comum do alimento. A localização estratégica às margens do rio São João, além de prática, tinha um significado simbólico, conectando a comunidade à natureza e fornecendo a energia necessária para a moagem.

Preservar a história desses moinhos é essencial não apenas para entender o passado de Itaúna, mas também para valorizar o patrimônio histórico da cidade. Essas estruturas/histórias são testemunhas silenciosas de um tempo que moldou a vida local, e sua história continua a ecoar através das gerações. Ao honrar e preservar essa história, reforçamos a conexão com nossas raízes e aprendemos lições valiosas que podem ser aplicadas no presente.


Texto disponível em: MOINHOS DO PROFESSOR

Veja também: PRAIA DOS MOINHOS


Elaboração, arte e roteiro: Historiador C. A. 

Estudo e Apoio a história de Itaúna: Professor Marco Elísio

sábado, janeiro 20, 2024

ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE ESGOTO

ETE - ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE ESGOTO
 Projeto de Lei nº 39/2023
Denomina Próprio Público: Estação de Tratamento de Esgoto de Itaúna Marco Elísio Chaves Coutinho

O Povo do Município de Itaúna, por seus representantes aprovou e eu, em seu nome, sanciono a seguinte Lei:
Art. 1º Denominar-se-á “Estação de Tratamento de Esgoto de Itaúna Marco Elísio Chaves Coutinho” o Próprio Público (Estação de Esgoto de Itaúna, imóvel procedente ao Setor CDI, Zona 09, Localização à Rua do Horto s/nº, Distrito Industrial, Lote 29, Quadra 05, Itaúna - MG. CEP 35681-779, Coordenadas 20°03'13.0"S 44°36'26.4"W.

Art. 2º A Administração Pública Municipal providenciará a colocação de placas indicativas, bem como a comunicação à Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, o Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Itaúna e a Companhia Energética de Minas Gerais.

Art. 3º As despesas decorrentes desta Lei correrão por conta de dotações próprias do orçamento vigente do Executivo Municipal.

Art. 4º Revogadas disposições contrárias a esta lei. Art.5º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Sala das Sessões, 24 de março de 2023.
   
JUSTIFICATIVA

Histórico da Obra Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Itaúna/MG.


Com a implantação da ETE, iniciada no ano de 2009, haverá a melhoria da qualidade de vida de toda a população Itaunense e, consequentemente, dos habitantes das cidades à jusante do Rio São João. 

A boa gestão dos recursos hídricos é diretamente ligada ao desenvolvimento sustentável da sociedade, e, por meio do tratamento do esgoto de Itaúna, haverá progresso nos índices de saúde e melhoria do bem estar das pessoas do Município, haja vista que toda a população urbana será contemplada, principalmente daquelas que moram próximos ao Rio.

A ETE será constituída pelas seguintes etapas: tratamento preliminar; tratamento secundário – 98% concluídos. O tratamento preliminar possui como objetivo principal a remoção de sólidos grosseiros e de areia. 

No tratamento secundário há remoção de matéria orgânica. O tratamento secundário é o que ocupa maior espaço na estação e é composto por 04 (quatro) Reatores Anaeróbios de Fluxo Ascendente (UASB) e pelos filtros biológicos percoladores (FBP). Com esse sistema combinado está prevista a remoção de aproximadamente 90% da Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) presente no esgoto, ou seja, a remoção de 90% de toda a matéria orgânica presente nos esgotos.

As estruturas e os equipamentos garantirão o tratamento de 219 litros de esgotos por segundo, no início de plano, (que corresponde a 788.400 mil litros de esgoto por hora), vazão estimada de acordo com o número de habitantes de Itaúna atualmente. 

No entanto, a capacidade máxima instalada é de até 397 L/s (que corresponde a 1.430.000 de litros de esgoto por hora), para atendimento às demandas causadas pelo possível aumento da população até o ano de 2050.
O empreendimento encontra-se im
plantado em uma zona estritamente industrial, sem a presença de residenciais (uni ou multi) familiares. O empreendimento não está em operação no momento, visto que ainda estão sendo instalados os últimos dispositivos necessários ao seu funcionamento. 

A previsão de finalização da implantação é até julho/2023 (prevendo-se o início dos testes operacionais), para posteriormente iniciar suas atividades.
 
Biografia de Marco Elísio Chaves Coutinho

Marco Elísio Chaves Coutinho, filho de Dr. Antônio Augusto de Lima Coutinho e Nair Chaves Coutinho, nasceu em Itaúna/MG no dia 1.º de dezembro de 1935. Casou-se no dia 04 de janeiro de 1963 com Vera Lúcia Amaral Coutinho e tiveram 4 filhos e 6 netos. Graduou-se em Filosofia, Ciências e Letras pela Universidade de Itaúna e fez Pós- Graduação em Literatura Brasileira na Universidade Católica de Minas Gerais, onde concluiu também o curso de Geografia.

Educador nato e portador de admirável cultura humanística, foi professor de Geografia, His- tória, Ciências, Inglês, Francês e Educação Moral e Cívica em diversos colégios da cidade, tais como o Colégio Estadual, Colégio Santana e Ginásio Judith Gonçalves. Também lecionou por muitos anos na Universidade de Itaúna as disciplinas de EPB (Estudo de Problemas Brasileiros), Literatura Brasileira, Ética, Ciências do Meio Ambiente, Política na Educação e Sociologia e Cultura Brasileira. 

Sempre foi um grande “Guardião do Meio Ambiente”, combatente das boas causas ecológicas, incentivando e orientando o uso racional da natureza, natureza esta que, segundo ele, deve atender às necessidades do momento sem comprometer as necessidades futuras.

Foi Secretário Executivo da Fundação de Cultura, Desportos e Turismo de Itaúna no governo do prefeito Célio Soares de Oliveira, dedicando-se aos problemas ecológicos e ambientais da cidade em uma época em que ninguém sabia o que isto significava.

No município de Itaúna, participou na pesquisa de estudos preliminares sobre projeto de organização do Serviço de Água e Esgoto de Itaúna (Considerado de grande valia pelo SAAE), foi Presidente do CODEMA (Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente) e atuou no levanta- mento das áreas degradadas do município.

Recebeu homenagens  de Honra ao  Mérito pela Prática de Conservação  do Solo e Água  pela Comissão Regional de Divinópolis MG e de Mérito Ecológico pelo Rotary Club de Itaúna. Recebeu a Medalha da Inconfidência pelo então governador Newton Cardoso, sendo esta a mais alta comenda concedida pelo Governo de Minas Gerais, atribuída somente as personalidades que contribuíram para o prestígio e a projeção mineira.

Foi membro fundador da APAC (Associação de Proteção aos Condenados de Itaúna) onde foi homenageado com seu nome o Viveiro de Mudas Marco Elísio Chaves Coutinho, oferecendo plantio de mudas nativas, ornamentais, exóticas e frutíferas,  proporcionando oficinas profissionalizantes para os recuperandos. 

Palestrou sobre conscientização do Meio Ambiente em diversas escolas, empresas e instituições em Itaúna-MG e municípios vizinhos. Escreveu os livros: O Sopro de Esperança - Em favor da Vida; Sopros – Questão Ecológico-Humanista Urgente; O Rosário Bíblico Meditado e Ave, Maria

Participou do Programa Tribuna Independente da emissora Rede Vida, abordando em rede nacional o tema Ecologia e o livro de sua autoria “O Sopro da Esperança”. Além disso, foi ministro da Eucaristia, do Batismo e do Matrimônio na Paróquia de Santana. Muito à frente de sua época, o professor Marco Elísio Chaves Coutinho herdou as qualidades atemporais paternas e maternas, consolidando-se em sua singular personalidade de “patriota itaunense”, amando a nossa Sant’Ana de São João Acima com a pureza de sua fé, ficando sempre a serviço de todos. 

Seus feitos são lembrados com imenso carinho não somente pela família, mas por amigos, colegas de trabalho e todos que tiveram a oportunidade de conhecê-lo. Seus ensinamentos nunca se tornarão obsoletos, mas deixam um legado a ser seguido pelas gerações presentes e as que estão por vir.





Referência: 

Projeto de Lei - Lacimar Cezário da Silva -Vereador



quarta-feira, janeiro 31, 2018

MOINHOS DO PROFESSOR


Professor Marco Elísio Chaves Coutinho fala sobre a história dos moinhos d’água que existiram na cidade de Itaúna. Os moinhos d'água que dominaram as margens do rio São João por muitos anos representam uma parte crucial da história e da identidade dessa cidade. O Professor Marco Elísio nos oferece uma janela para o passado, onde essas estruturas desempenharam um papel vital na vida cotidiana e na economia local.

Esses moinhos não eram meramente engenhos de moagem, mas centros de atividade comunitária, onde o milho era transformado em fubá de angu, um alimento básico na dieta da região. Através das palavras do Professor Coutinho, somos transportados para uma época em que a vida seguia o ritmo das águas do rio, e a moagem nos moinhos era uma atividade essencial que unia as pessoas em torno de um bem comum: o alimento.

A localização desses moinhos às margens do rio São João não era apenas uma questão prática, mas também simbólica. O rio, com suas águas fluindo constantemente, fornecia não apenas a energia necessária para mover as rodas dos moinhos, mas também uma conexão com a natureza que permeava a vida da comunidade.

A história dos moinhos d'água em Itaúna é, portanto, mais do que uma simples narrativa sobre engenhos de moagem. É uma história de como as comunidades se adaptam e prosperam em harmonia com o meio ambiente ao seu redor. É uma história de inovação e trabalho árduo, onde a engenhosidade humana se encontra com os recursos naturais para sustentar a vida.

Olhar para o passado dos moinhos d'água em Itaúna não apenas nos permite entender melhor a história dessa cidade, mas também nos convida a refletir sobre a importância de preservar e valorizar nosso patrimônio histórico. Essas estruturas são testemunhas silenciosas de um tempo passado, mas sua história continua a ecoar através das gerações, lembrando-nos da nossa conexão com o passado e da importância de honrar nossas raízes.



terça-feira, janeiro 30, 2018

PRAIA DOS MOINHOS

MOINHOS DO RIO SÃO JOÃO: ITAÚNA/MG
ITAÚNA: Um aspecto pitoresco da Praia dos Moinhos

A história dos moinhos d'água em Itaúna é um fascinante capítulo na trajetória dessa cidade. Nas palavras do historiador itaunense João Dornas Filho, esses moinhos não eram apenas estruturas de moagem, mas centros pulsantes de atividade, onde o milho era transformado em fubá de angu, um alimento essencial na dieta local. Suas cerca de vinte casinhas formavam uma cena pitoresca e vital para a subsistência da população.

A descrição do memorialista Osório Fagundes adiciona uma dimensão poética à imagem dos moinhos, comparando-os a um "bando de garças sobre as águas do açude". Essa analogia evoca uma sensação de harmonia entre a natureza e a atividade humana, onde a engenhosidade humana se funde com a paisagem natural. Já o Professor Marco Elísio Chaves Coutinho nos transporta para essa época em que esses moinhos pontilhavam as margens do rio São João, um testemunho tangível da economia e da vida cotidiana da comunidade.

Esses moinhos d'água não são apenas estruturas físicas, mas símbolos de uma época passada, onde a vida seguia o ritmo das águas do rio São João. Eles representam a habilidade humana de se adaptar e aproveitar os recursos naturais para sustentar a comunidade. A história desses moinhos nos lembra da importância de preservar e valorizar nosso patrimônio histórico, para que as gerações futuras possam entender e apreciar as raízes de sua própria cidade. 

Na freguesia de Sant'Ana do Rio São João Acima, hoje Itaúna, aproximadamente final do século XIX, existiram por muitos anos moinhos d’água que ficavam às margens do rio São João. O historiador itaunense João Dornas Filho, elenca que, “era uma série de casinhas, cerca de vinte, onde se moía, o milho para o fubá de angu” e o memorialista Osório Fagundes, informa que, “de longe pareciam um bando de garças sobre as águas do açude”!

O moinho hidráulico de herança europeia, das quais, suas origens alçam ao período helenístico pelo mundo mediterrânico, segundo nos informa o professor Francisco de Carvalho, foi um importante marco nas paisagens rurais do Brasil, seja em grandes fazendas ou em pequenos sítios. No Brasil, a partir do século XVII, irão aparecer registros de moinhos hidráulicos nas colônias, surgindo a fabricação em maior escala, entre o final do século XVIII e início do século XIX devido a importância do milho no sistema de transporte do país que possibilitava a alimentação de pessoas e de animais domésticos.

Entre esses períodos, existiram alguns tipos de moinhos movidos pela energia cinética das águas: Os Moinhos de Água ou de Azenha, que eram movidos por uma roda d´água vertical, mais comuns na região sul do país e os Moinhos Horizontais, conhecidos também como Moinhos de Rodízio, mais comuns nas regiões do centro-oeste e sudeste, tendo como fato excêntrico do século XVIII,  a existência de um moinho de vento na cidade de Ouro Preto, hoje, um patrimônio cultural e natural protegido.

 E foi a partir da grande abundância de águas nos riachos e ribeirões do nosso Planalto Brasileiro, que possibilitou a instalação e o funcionamento de vários moinhos em um mesmo local, conseguindo utilizar a mesma leva d’água.

Discorrendo sobre o funcionamento do moinho de fubá (horizontal ou de rodízio), o carpinteiro, Antônio Barcelos, funcionário da fazenda Ponte Alta do município de Pitangui/MG, explica o funcionamento: seria importante construir uma represa que irá acumular água, ou então, construir um açude, que neste caso, o curso da água poderá ser mudado através de bicas, geralmente feitas de madeira.

 Chegando o volume d´água até ao moinho, a roda horizontal ou rodízio, irá acionar um eixo vertical que estará atrelado ao Mó de Baixo, o qual, o Mó de Cima irá girar triturando os grãos de milhos.

  Abaixo o professor Francisco de Carvalho faz um desenho das peças de um moinho de fubá horizontal.
O Almanak Administrativo, Civil e Industrial da província de Minas Gerais (1875), organizado por Antônio Assis Martins, traz informações sobre Itaúna, o qual, era distrito pertencendo administrativamente a Villa do Pará, hoje Pará de Minas, da comarca de Pitangui, com as seguintes informações: quatro Juízes de Paz; 1 Escrivão; 1 Subdelegado; 3 Suplentes; 1 Pároco; 1 Delegado da Instrução Escolar; 1 Professor Escolar; 3 Inspetores de Quarteirão; 5 Oficiais de Justiça; 1 Padre; 1 Boticário; 1 Capitalista; 5 Negociantes de Fazendas; 5 Ditos de Molhados; 9 Tropeiros; 5 Possuidores de Engenho de Cana; 33 Cultivadores de Gêneros Alimentícios; 1 Entalhador; 2 Carpinteiros, 1 Forneiro; 3 Ferreiros; 2 Oleiros; 2 Pedreiros; 2 Fabricantes de Arreios; 3 Alfaiates; 1 Caldeireiro e 2 Estalajadeiros.

Da listagem acima, dos 33 Cultivadores de Gêneros Alimentícios, Serafim Caetano Moreira, seria um dos comerciantes atuantes em Itaúna. Segundo o historiador João Dornas, o primeiro moinho construído na cidade, teria sido o do senhor Serafim, aproximadamente no ano de 1880 e junto desse, foram sendo construídos muitos mais, tendo uma impressão excêntrica de aldeia lacustre. O historiador informa que:

Esses moinhos foram causa de muita briga e muito motim, pois se atribuía ao açude que os movia uma febre maligna no local.  Várias vezes os povos se reuniram, como em 1910 para arrombar o açude, obrigando os seus proprietários e as autoridades a pegarem em armas para defender a s suas propriedades.

Nestes últimos anos, depois que a cidade foi abastecida de força elétrica, esses moinhos foram caindo em ruínas e desaparecendo. E a grande enchente de abril de 1926, a maior que se tem na memória em Itaúna, destruiu o restante dessa pitoresca lembrança de Sant´Ana de São João Acima ... (DORNAS, 1936). 

Em fins do século XIX, parte da família Caetano Moreira se estabeleceram por definitivo no município de Itatiaiuçu na “Fazenda Medeiros”, cujo irmãos, José Caetano Moreira, Manoel Caetano Moreira e Antônio Caetano Moreira, deixaram testamento informando ser naturais da freguesia de Congonhas do Campo e filhos legítimo de Caetano Moreira e Maria da Conceição, todavia, deixaram grande descendência em Itaúna.





REFERÊNCIAS:

FILHO, João Dornas. Itaúna: Contribuição para a História do Município, 1936, p.95 a 97.

FAGUNDES, Osório Martins. Fragmentos de um Passado, 1977, p.624.

ANDRADE de, Francisco de Carvalho Dias. A presença dos moinhos hidráulicos no Brasil. Disponível em:   http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-47142015000100133 .Acesso em: 30/01/2018

ALMANAK: Administrativo, Civil e Industrial da Província de Minas Geraes, 1875, p.396,397,398.

GOMES, Carla Neves Almeida. MORRO DA QUEIMADA – OURO PRETO: os benefícios da categorização paisagem cultural para sua gestão. Disponível em: http://www.forumpatrimonio.com.br/paisagem2014/artigos/pdf/141.pdf . Acesso em: 30/01/2018

Pesquisa, organização e acervo: C. A.

Acervo: Francisco de Carvalho Dias de Andrade.