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terça-feira, julho 28, 2026

PRIMEIRA AGROPECUÁRIA

Pároquia de Santana Itaúna/MG -  S.Sebastião

Rumo aos 60 anos de um marco, o registro intitulado “Primeira Exposição Agropecuária – 1967”, redigido pelo vigário Cônego José Ferreira Netto, constitui uma fonte primária de grande relevância para a compreensão das dinâmicas sociais, econômicas e simbólicas de Itaúna na segunda metade do século XX.

À frente da Paróquia de Santana por mais de quatro décadas, o sacerdote não apenas exerceu funções religiosas, mas também se afirmou como um agente ativo na construção da memória local, registrando eventos que extrapolavam o campo estritamente eclesiástico.

Inserido no Livro Tombo II (1948–1992), o texto revela a centralidade da Igreja na organização e legitimação de iniciativas públicas, como a realização da primeira exposição agropecuária do município. A abertura do evento com uma missa campal, assistida por autoridades, organizadores e uma expressiva multidão, evidencia a intersecção entre religiosidade, poder institucional e vida comunitária, característica marcante de cidades do interior brasileiro no período.

O relato também destaca elementos que permitem observar práticas culturais e representações sociais da época, como o cortejo até o Campo da Vargem, a valorização da pecuária como eixo econômico e, de maneira particular, a presença das chamadas “amazonas”— jovens mulheres montadas, cuja participação sugere tanto um componente festivo quanto uma dimensão simbólica de distinção social e estética.

Ao registrar os nomes dos organizadores e enfatizar o sucesso do evento, o texto assume um tom celebrativo, próprio da escrita paroquial, que tende a valorizar a ordem, a participação coletiva e os êxitos da comunidade. Nesse sentido, mais do que uma simples descrição factual, o documento deve ser lido criticamente, como uma narrativa que constrói memória, seleciona protagonistas e reforça determinadas visões sobre o desenvolvimento local.

Assim, o escrito de José Ferreira Netto não apenas documenta a realização da primeira exposição agropecuária de Itaúna, mas também ilumina o papel da Igreja como mediadora entre tradição, progresso e identidade social, oferecendo ao pesquisador uma janela privilegiada para a compreensão das relações entre fé, economia e sociabilidade no contexto itaunense.

 PRIMEIRA EXPOSIÇÃO AGROPECUÁRIA - 1967

"Teve seu início com uma missa campal em frente a matriz, assistida por todas as autoridades e organizadores proprietários dos animais e uma grande multidão, apesar de ter sido em dia útil em 25 de agosto.

Formou-se em seguida grande cortejo, para o local da exposição Campo da Vargem. Aí foram erguidos diversos galpões, neles belos tipos de gado.

O que mais se destacou foi o grupo das amazonas, jovens moças tipicamente vestidas, montadas em seus vistosos cavalos, perto de umas cinquentas.    Foram três dias de grande movimento em Itaúna. Foi encerrada a exposição no dia 28 de agosto com a entrega dos valiosos prêmios.

Foram os grandes batalhadores desta exposição os senhores Ibsen Drumond e Dr. Oscar".

Vigário Cônego José Ferreira Netto

 

Referências:

Livro Tombo II (1948-1992), página 84, 1967. Paróquia Santana de Itaúna/MG

Imagem:

Reconstituição visual ilustrativa inspirada no registro da Primeira Exposição Agropecuária de Itaúna (1967), descrita pelo vigário Cônego José Ferreira Netto no Livro Tombo II (1948–1992), página 84.

A composição não corresponde a um registro fotográfico do evento, mas a uma interpretação artística baseada na narrativa paroquial, buscando representar o contexto social da época, a centralidade da Igreja na abertura da exposição, marcada pela missa campal em frente à matriz , o cortejo até o Campo da Vargem e a dinâmica rural evidenciada pela presença de carros de bois, criadores e público.

Destaca-se, ainda, a inclusão das chamadas “amazonas”, jovens montadas que participaram do evento, elemento mencionado na fonte e que revela aspectos simbólicos, sociais e culturais da celebração.

A imagem, portanto, deve ser compreendida como uma construção visual interpretativa, orientada pela fonte escrita, com o objetivo de evocar a ambiência, os agentes envolvidos e as práticas coletivas associadas à realização da primeira exposição agropecuária do município. 

Organização, arte e pesquisa: Charles Aquino – Historiador Registro nº 343/MG

@ITAÚNA DÉCADAS -  HISTÓRIA & MEMÓRIA

quinta-feira, março 20, 2025

MISSA TRADICIONAL

A Igreja Matriz de Sant’Ana, localizada no coração de Itaúna/MG, é um marco da história e do desenvolvimento do município. Símbolo de fé e tradição, a Matriz tem sido, ao longo dos anos, o cenário de importantes celebrações religiosas que reúnem a comunidade itaunense. 

A missa, como expressão de devoção e encontro, sempre teve papel central na vida dos fiéis.

Em anexo, apresentamos uma fotografia que registra um momento especial da celebração da tradicional missa na década de 1960, preservando a memória litúrgica e cultural da cidade.

Esse registro histórico permite vislumbrar a vivência religiosa da época e a importância da Igreja Matriz de Sant’Ana como ponto de referência para gerações de itaunenses.

Antes do Concílio Vaticano II (1962-1965), a Missa Católica era tradicionalmente celebrada em latim, com  o sacerdote voltado de costas para os fiéis, seguindo a orientação ad orientem (voltado para o Oriente). Esse posicionamento não significava um afastamento do povo, mas sim uma forma simbólica de todos – padre e fiéis – estarem juntos em oração na mesma direção, voltados para Deus (GUÉRANGER, 2005).

A tradição de celebrar voltado para o Oriente remonta aos primeiros séculos do Cristianismo. Para os cristãos antigos, o Oriente tinha um profundo significado espiritual, pois era associado à luz, à ressurreição e à Segunda Vinda de Cristo, que, segundo algumas interpretações bíblicas, viria do Leste (RATZINGER, 2004). Essa prática foi mantida e oficializada na Missa Tridentina, instituída pelo Concílio de Trento (1545-1563) e codificada pelo Papa São Pio V em 1570.

Além disso, na teologia litúrgica tradicional, o altar era visto como o ponto central da celebração, onde se realizava o Sacrifício Eucarístico. O padre, agindo in persona Christi (na pessoa de Cristo), oferecia o sacrifício a Deus Pai, e a posição ad orientem reforçava essa ideia de direção para o divino, em vez de uma relação meramente horizontal entre o padre e a assembleia (BOUYER, 2017).

Com as reformas litúrgicas do Concílio Vaticano II, buscou-se uma maior participação dos fiéis na celebração. Assim, a Missa passou a ser rezada na língua local, e o altar foi reorganizado para permitir que o sacerdote ficasse voltado para a assembleia (versus populum). Essa mudança visava tornar a liturgia mais acessível e envolvente, destacando a Eucaristia como um banquete comunitário, além de um sacrifício (GAMBER, 1993).

O Papa Bento XVI, por meio do motu próprio Summorum Pontificum (2007), ampliou a permissão para a celebração da Missa na forma tradicional. No entanto, em 2021, o Papa Francisco revogou essa medida com o documento Traditionis Custodes, restringindo o uso do rito tridentino. Desde então, a celebração da Missa Tridentina só é permitida com a autorização do bispo diocesano, que, por sua vez, deve obter permissão direta de Roma para concedê-la (FRANCISCO, 2021).

Assim, a mudança na posição do sacerdote e as recentes decisões papais refletem não apenas uma adaptação litúrgica, mas também diferentes ênfases teológicas sobre a forma como os fiéis se relacionam com a celebração eucarística ao longo da história da Igreja.


 Referências

Organização, arte e pesquisa: Charles Galvão de Aquino – Historiador  Registro nº 343/MG

BOUYER, Louis. A Eucaristia: Teologia e Espiritualidade da Oração Eucarística. South Bend: University of Notre Dame Press, 2017.

FRANCISCO. Carta Apostólica Traditionis Custodes (Guardiões da Tradição). Vaticano, 2021. Disponível em: https://www.vatican.va. Acesso em: 4 mar. 2025.

GAMBER, Klaus.  A Reforma da Liturgia Romana: Seus Problemas e Contexto.San Juan Capistrano: Una Voce Press, 1993.

GUÉRANGER, Prosper. A Santa Missa. Loreto Publications, 2005.

RATZINGER, Joseph. O Espírito da Liturgia. San Francisco: Ignatius Press, 2004. 

sexta-feira, fevereiro 14, 2025

José Neto & Francisco


 O Legado do Padre José Neto e a Benção do Papa Francisco

Duas eras, dois homens, uma única missão. Separados pelo tempo, unidos pela fé, esperança e amor. Padre José Neto mostrou, e o Papa Francisco continua a nos mostrar que o verdadeiro legado não se mede em anos, mas em vidas transformadas.

 Suas palavras e gestos atravessam gerações, lembrando-nos de que servir ao próximo é a mais bela forma de viver. Uma mensagem eterna. Uma reflexão que se inicia agora.

O tempo pode levar consigo os dias, os anos e as eras, mas jamais apaga a marca deixada por aqueles que viveram e vivem para servir. 

Entre as almas que iluminaram caminhos com fé e dedicação, duas se destacam: Padre José Ferreira Neto, que entregou sua vida à missão de educar, acolher e transformar vidas, e o Papa Francisco, cuja presença e palavras continuam a inspirar milhões pelo mundo.

Padre José Neto não foi apenas um sacerdote; foi um verdadeiro pastor do povo, um homem cuja vocação ultrapassou os muros das igrejas e alcançou os corações dos humildes, dos órfãos e dos esquecidos. Sua voz ressoava esperança, suas mãos construíam caminhos, suas ações eternizavam a compaixão. Em cada pedra de uma capela erguida, em cada criança acolhida, em cada gesto de amor ao próximo, está a essência de sua alma generosa.

Por mais de 40 anos, Padre José Neto foi vigário em Itaúna, guiando espiritualmente a cidade com devoção e compromisso inabaláveis. Ele não apenas celebrou missas, mas consolidou sonhos. Criou paróquias, construiu escolas, levou adiante projetos que transformaram a cidade e sua gente. Era um guia, um farol na escuridão da dúvida, um conselheiro que sabia que a verdadeira riqueza estava na partilha e no amor ao próximo. Não foi apenas um líder religioso; foi um pai espiritual para muitos.

E hoje, enquanto recordamos sua trajetória de fé, olhamos para o presente e vemos outro grande pastor conduzindo o rebanho: o Papa Francisco. Com sua simplicidade e humildade, ele mantém viva a essência do Evangelho, pregando a paz, o amor e a fraternidade entre os povos. Seu olhar bondoso, suas palavras de compaixão e sua incansável missão de inclusão refletem os mesmos princípios que Padre José Neto defendeu ao longo de sua vida.

Duas figuras separadas pelo tempo, mas unidas pelo mesmo propósito: servir a Deus servindo aos homens. Se Padre José Neto já não caminha entre nós, seu legado continua pulsando em cada canto onde sua obra floresceu. E se o Papa Francisco segue abençoando o mundo com sua presença, é porque a Igreja continua sendo este elo sagrado entre a terra e o céu.

Graças à tecnologia, podemos unir em imagem o que já está unido no espírito: Padre José Neto, cuja história jamais será esquecida, e Papa Francisco, cuja missão ainda está em curso. Dois pastores, dois homens de fé, dois símbolos do amor incondicional de Deus pelos seus filhos.

Aqueles que vivem para o bem nunca partem completamente. Permanecem nos gestos, nos olhares, na gratidão de quem foi tocado por sua bondade. Padre José Neto seguirá presente na memória de Itaúna, antiga Sant’Ana do Rio São João Acima, assim como o Papa Francisco, desde o Vaticano, continua inspirando o mundo. Porque o amor e a fé, estes sim, nunca morrem.

 

Charles Aquino



sábado, janeiro 12, 2019

MONUMENTO DA MATRIZ

Praça Dr. Augusto Gonçalves, Itaúna (MG)
CONSTRUTOR ITAUNENSE

Argemiro Ferreira da Silva, nasceu em Itaúna em 28 de junho de 1922, filho de Jacinto Ferreira da Silva e Maria Honória Ferreira. Teve cinco irmãos: José Ferreira da Silva; Maria Ferreira da Silva Franco; Vandeir Ferreira da Silva; Teodorico Ferreira da Silva (Sô Dorico); João Ferreira da Silva.

Sua vida profissional começou na construção civil, como aprendiz de seu pai, no soerguimento da atual Igreja Matriz, que teve a obra iniciada em 1934. Não demorou muito e se projetou na construção civil de capacidade e de muito profissionalismo devido ao seu trabalho honesto e de muita seriedade. Seus primeiros trabalhos foram a construção das casas da Vila Aurora na principal rua da cidade, o Colégio Sant’Ana e o Grande Hotel Itaúna.

Construiu também o Reservatório D’Água do alto do Cascalho, as casas populares da Reta de Santanense, o Clube União, o Orfanato de São Vicente de Paula e o monumento em homenagem ao Dr. Augusto Gonçalves de Souza, na Praça da Matriz. De suas mãos também saiu o primeiro prédio itaunense da época, onde fora instalada a Farmácia Nogueira, sendo muitos prédios construídos por ele em Itaúna.

Sua competência profissional o levou a ser conhecido fora dos limites itaunenses, sendo requisitado para trabalhar em Belo Horizonte e Brasília. Ergueu dezenas de prédios, ajudando a construir a bela e majestosa Brasília, nossa capital nacional. Pelo seu bom trabalho foi conduzido à política e se elegeu vereador e presidente da Câmara no mandato do prefeito Célio Soares de Oliveira
Argemiro foi um dos primeiros maçons de Itaúna, junto a grandes nomes de nossa cidade, vindo a falecer em 14 de dezembro de 1970. Nas suas horas vagas, era excelente músico, tocava instrumentos de sopro, sendo uma pessoa alegre e um verdadeiro brincalhão!


REFERÊNCIAS:
Organização e pesquisa: Charles Aquino


sábado, novembro 17, 2018

CASA PAROQUIAL DE ITAÚNA

IGREJA MATRIZ DE ITAÚNA MG
29 de julho de 1945
Graças à Nosso Senhor e a generosidade de seis moças da sociedade de Itaúna, vamos começar no dia 7 de janeiro a construção da nova Casa Paroquial, sendo já a planta aprovada pelo Sr. Arcebispo. O orçamento ficou em cento e cinquenta mil cruzeiros (CR$ 150. 000,00).
Devo deixar aqui um voto de louvor à srta. Ivolina Gonçalves, residente a praça da Matriz, pelo trabalho que fez em pedindo as 6 moças o seu valioso auxílio em prol de tão grande obra. O sr. Arthur Contagem Vilaça aqui prontamente cedeu um pedaço de terreno para aumentar a Casa Paroquial.
No dia 29 de julho foi solenemente benta a primeira pedra fundamental pelo representante do Sr. Arcebispo — o Revmo. Padre Armando de Marco, chanceler do Arcebispado, com a presença do sr.  Prefeito Dr. Lincoln Nogueira Machado, Pe. João Ferreira, Pe. Waldemar Teixeira — vigário de Igaratinga, Pe. José Nobre — diretor do Ginásio, Pe. Ignácio Campos —vigário Bom Sucesso, Pe. Ubaldo Silveira — capelão da Santa Casa de Itaúna, José de Cerqueira Lima — gerente da Itaunense, Arthur Contagem Vilaça.
Enfim, todos os elementos representativos de Itaúna e grande número de pessoas.  Tudo vai correndo bem pela união de trabalho.


IGREJA MATRIZ DE ITAÚNA MG
 Inauguração e Benção da Nova Casa Paroquial

26 julho de 1948

 Já há muito Itaúna vinha necessitando de uma casa paroquial digna de tão boa paróquia. Procurei fazer um apelo ao bom e caro povo itaunense. Imediatamente apareceu uma criatura boa e dedicada dando-me sugestão como deveria fazer.
Dirigi-me à sete moças abastadas e fui imediatamente atendido por seis, uma se esquivou, apesar de seu riquíssima. As doadoras foram: Laura Gonçalves de Sousa, Maria de Cerqueira Lima, Lígia Gonçalves de Sousa, Alice de Cerqueira Lima e Maria Gonçalves de Sousa. A grande benemérita organizadora foi a srta. Ivolina Gonçalves. A construção ficou em mais de duzentos mil cruzeiros (Cr$ 200.000,00). Além da caridade tão elevada destas moças, quis ainda outras pessoas oferecer os móveis, assim distribuídos:
1) um escritório completo, duas estantes, um balcão, cadeira giratório, um arquivo e três cadeiras — doação feita por Dona Teresa Gonçalves e srta. Ivolina Gonçalves;
2) sala de visitas, um sofá, duas poltronas, uma mesa de centro — doação da família Olímpio Nogueira;
3) Sala de jantar doação de um anônimo;
4) uma copa completa — doação de Francisco Edwards Santiago;
5) duas mobílias simples de quarto — doação da Pia união das Filhas de Maria e do Apostolado da Oração;
6) três mobílias boas e completas para quarto — doação feita pelo senhor Roman Soares, Geniplo Dornas e José Carvalho Júnior.
7) um fogão de ferro usado, oferta da dona Maria Gonçalves de Sousa (Dona Cotinha);
8) uma panela de alumínio para cozinha — oferta da família Tavares;
9) um aparelho de louça fina para jantar — oferta da família Pereira;
10) Copos, taças e cálices — oferta da família Astolfo Dornas;
11) um aparelho de louca para jantar — oferta dos Congregados Marianos; 12) Talheres — doação do dr. Ademar Gonçalves e Tales Santos;
13) Sete cobertores — oferta da família Luís Ribeiro;
14) dois jogos de linho (talheres e guardanapos) para jantar — oferta de dona Zezé Dornas e srta. Maria José de Faria Matos;
15) sete crucifixos para os quartos e sala de visitas — oferta de Ítalo Mirra e senhora;
16) Dois quadros do Coração de Jesus e de Maria — oferta das alunas da Escola Normal;
17) Lenções e fronha de linho, 2 pares — oferta de dona Teresinha Guimarães Lima e família Augusto Alves de Sousa;
18)  A planta da Casa Paroquial foi feita por um engenheiro residente no Rio de Janeiro. As obras da construção foram confiadas a Companhia Imobiliário (Cicobe) sob orientação do senhor José de Cerqueira Lima. A obra ficou pronta em meados do mês de julho de 1948. A Casa Paroquial foi inaugurada no dia 26 de julho de 1948, festa da Padroeira da Paróquia Sant’Ana.
Após a missa cantada em procissão da Matriz para nova Casa Paroquial, os sacerdotes presentes e o povo seguiram para assistir à benção solene. Não podendo comparecer o Exmo. e Revmo. Sr. Arcebispo Dom Cabral, foi o mesmo representado pelo digno vigário geral Monsenhor José Dias Bicalho que oficiou a benção da nova Casa. Achava-se presentes, as doadoras da casa (menos Maria e Alice Lima), Frei Carlos, vigário de Divinópolis, padre José Mariano Tavares, cooperador do Divino em Divinópolis, Frei Resprício, O.F.M., guardião de Divinópolis, 17 colegas do Seminário Franciscano de Divinópolis, Frei Ambrósio, Diretor do Ginásio Sant’Ana, Frei Cipriano, O.F.M, dr. Antônio de Lima Coutinho, D.D. Prefeito Municipal, Padre Cooperador, Padre Ubaldo da Silveira, autoridades civis e militares e grande massa do povo. Usaram da palavra, o Vigário, o Prefeito e monsenhor Bicalho — abrilhantou bastante as solenidades a Escola [...] dos frades de Divinópolis. Após a benção da Casa o vigário ofereceu um almoço as doadoras, sacerdotes e seminaristas franciscanos, no Ginásio Sant’Ana; A tarde procissão de Sant’Ana, Te Deum e Benção do Santíssimo Sacramento.

 * 1) Pe. José Netto 2) Pe. Waldemar Teixeira 3) Pe. José Nobre 4) José de Cerqueira Lima 5) Olímpio Arruda 6) Francisco Santiago 7) dr. Lincoln Machado 8) Pe. Armando de Marco


PRAÇA MATRIZ DE ITAÚNA MG




REFERÊNCIAS:
ACERVO: Paróquia de Sant’Ana de Itaúna e Prof. Marco Elísio Chaves Coutinho (In memoriam)
COLABORAÇÃO HISTÓRICA: Paróquia de Sant’Ana de Itaúna
COLABORADOR: Prof. Marco Elísio Chaves Coutinho (In memoriam)
LIVRO TOMBO I: Paróquia de Sant’Ana de Itaúna — 1902 a 1947, p. 85.
LIVRO DO TOMBO II:  Paróquia de Sant’Ana de Itaúna — 1948 a 1992, p. 4,5.
PÁROCO E REGISTRO NOS LIVROS DE TOMBOS I & II: Padre José Ferreira Netto (In memoriam)
PESQUISA E ORGANIZAÇÃO: Charles Aquino

sábado, abril 07, 2018

NOVA MATRIZ: PARTE I

MORFEU

  Pouco a pouco, em cada dia que passa, em cada mês e em cada ano, Itaúna vai demolindo e destruindo as sagradas relíquias de Santana do Rio São João Acima, para nos seus lugares levantarem-se obras novas, obrigando assim dessa maneira, os seus representantes ainda vivos a cantarem saudosos:

“Santana – A terra amada!
Que Itaúna nos roubou.
Tua lembrança abençoada
“Neste peito aqui ficou...”

É que estão demolindo a velha Matriz do Pe. Antônio, o tempo histórico dos Santanenses, que há meses vinha ameaçando ruir. É que estão tirando aquelas pedras e aquele barro que a cento e poucos anos atrás os nossos bisavôs Santanenses carregaram na cabeça, com um invejável espírito evangélico.

Ao contemplar a velha Matriz e ao ver a picareta, o martelo e a alavanca desmancharem as suas paredes, numa visão retrospectiva relembro-me, saudoso, das suas festas pomposas, vejo o Pe. João com toda a sua neurastenia, assisto à todas as missões do bondoso Pe. Geraldo presencio casamentos imponentes e sirvo de padreco nos meses de Maria. 

Os velhos, estes, quando passam pelo largo, param em frente dela e ficam considerando embevecido as suas formas, durante muito tempo, dando a impressão de que querem gravar na lembrança, com caracteres indeléveis, as suas menores coisas.

Estão demolindo, é verdade, a tradicional Matriz do Pe. Antônio para no seu lugar construir-se uma nova, confortável e moderna.  A comissão encarregada do seu a levantamento, tendo pela frente as figuras respeitáveis do Cel. João de Cerqueira Lima e do Dr. Daria Gonçalves de Souza reuniu-se aparatosamente domingo passado.

Nessa reunião, segundo se apurou, ficou deliberado em definitivo, mas em linhas gerais o plano do soerguimento do novo tempo de Cristo.


De fato, se não há engano, a comissão resolveu:

Construir o novo tempo de Deus no mesmo lugar da velha Matriz; Esta será posta toda abaixo; O estilo do novo templo será simples, sem arquitetura cara e dispendiosa, porém moderno; Será do mesmo tamanho do da velha Matriz; A despesas na sua construção irão no máximo a duzentos contos de réis.

É para estar pronto dentro de um ano, quando muito. Com esta iniciativa, inesperada por todos os itaunenses, e que causou em todos os espíritos católico geral contentamento, a obra idealizada pelo esforçado Pe. Inácio Campos, isto é, a construção da suntuosa Catedral do Cemitério Velho morrerá certamente, e infelizmente, no nascedouro. Assim, perderam-se esforços e sessenta contos de réis, gastos nos seus alicerces, agora em completo abandono.

Foi pena, digo. Mas foi também um castigo, retrucam-me os espíritos supersticiosos e respeitadores dos manes dos que se foram para o além. É verdade, aqueles alicerces que lá estão foram feitos todos eles com o maior desrespeito aos mortos que ali jaziam ou jazem.

Arrancavam-se caixões estouvadamente, entre chacotas e gracejos, quebravam-se esqueletos entre risos, surrupiavam-se obturações com todo o cinismo. Aquilo foi castigo, um rebate dos mortos, afirmam. E não foi má vontade do povo, nem falta de dinheiro! Suponhamos que assim fora. 

E se assim foi, na verdade, é um bom aviso para que os demolidores da velha Matriz tenham o máximo de respeito com os nomes do venerado Pe. Antônio, que ali ainda tem os restos mortais, para que não aconteça o mesmo com o templo ora começado com tamanho afã.



Referências:
Jornal de Itaúna. Itaúna, 22 de abril 1934, nº 80, p.1. Diretor Redatorial: Viriato Fonseca. Diretor Gerente: João Batista de Almeida
Pesquisa e Organização: Charles Aquino
Acervo: Instituto Cultural Maria de Castro Nogueira - ICMC


NOVA MATRIZ: PARTE II

IGREJA MATRIZ ITAÚNA MG

O texto intitulado "Um Apelo por Morfeu" é um pedido formal dirigido a uma comissão responsável pela construção de uma nova matriz na cidade de Itaúna. O autor, que parece ser alguém com forte ligação afetiva e cultural com o local, argumenta em favor de um espaço alternativo para a edificação da igreja: o "Cemitério Velho", em vez da localização inicialmente planejada, a Praça João Pessoa. A análise desse apelo pode ser dividida em três principais aspectos: o contexto histórico e emocional, as justificativas práticas e a retórica utilizada.

Contexto Histórico e Emocional

O texto revela uma forte conexão com a história e a memória da cidade, especialmente no que diz respeito ao "Cemitério Velho", que é descrito como um local de profundo respeito, onde jazem os antepassados de Itaúna. O autor apela ao respeito pelos mortos e à importância de preservar e honrar a memória dos que vieram antes, utilizando o espaço como o local da nova matriz. Essa escolha tem uma dimensão simbólica forte, ao vincular a nova igreja ao local de descanso eterno daqueles que ajudaram a construir a história da cidade. O autor defende que o cemitério é um espaço sagrado e, por isso, seria o lugar ideal para a nova "casa de Deus".

Justificativas Práticas

O apelo vai além das considerações emocionais e históricas, apresentando também argumentos práticos para a escolha do local. O "Cemitério Velho" é descrito como vasto, com uma área ampla e uma posição geograficamente elevada, que oferece uma bela vista panorâmica e um distanciamento do "bulício e da trepidação da cidade". Esses fatores são apresentados como ideais para um local de meditação e recolhimento, características que o autor julga serem essenciais para um templo religioso.

Além disso, o autor argumenta que o espaço atual, se não for utilizado para a construção da nova matriz, pode cair em abandono, tornando-se um lugar desrespeitoso e mal cuidado, o que seria inaceitável para um local de tamanha importância histórica e espiritual. Ele sugere que a construção da nova igreja no "Cemitério Velho" garantiria que o local continuasse a ser tratado com respeito e dignidade.

Retórica

O autor usa uma série de estratégias retóricas para fortalecer seu apelo. Ele começa invocando a consciência, o bom senso e a clareza de espírito das autoridades, destacando que fala em nome da maioria dos cidadãos de Itaúna. Esse tipo de apelo à autoridade e à coletividade confere legitimidade ao pedido e cria um senso de responsabilidade pública para os destinatários do texto.

Outro elemento importante é a repetição da ideia de que o "Cemitério Velho" é um local de profundo respeito e que erigir um templo ali seria a escolha mais apropriada. A ênfase no contraste entre o caráter sagrado do local e o uso inadequado de uma praça pública para fins religiosos também reforça a ideia de que a nova igreja merece um ambiente mais contemplativo.

O autor termina seu apelo com um tom conciliador, afirmando que, ao seguir sua sugestão, a comissão estará construindo um templo que perdurará por gerações. Ele propõe, inclusive, que o alicerce do cemitério seja reutilizado, demonstrando flexibilidade em sua proposta e ressaltando que sua intenção é colaborar para a construção de algo duradouro.

Conclusão

O texto, em sua totalidade, é um apelo bem construído e articulado, que combina argumentos emocionais, históricos e práticos. A escolha do "Cemitério Velho" como local para a nova matriz é apresentada de maneira lógica e respeitosa, apelando tanto para o bom senso quanto para o sentimento de preservação cultural e respeito pelos antepassados. A forma respeitosa com que o autor se dirige à comissão e às autoridades da cidade, utilizando termos como "douta" e "digna", reflete o tom formal e diplomático do texto, típico de um período em que o respeito pelas autoridades era manifestado de maneira explícita em textos públicos.

O título "Um Apelo por Morfeu" também merece uma breve reflexão. Morfeu, na mitologia grega, é o deus dos sonhos e do sono, o que pode indicar que o autor vê o "Cemitério Velho" como um local de descanso eterno e pacífico, ideal para uma casa de oração e meditação, reforçando ainda mais o tom respeitoso e contemplativo do apelo.


 UM APELO POR MORFEU

Agora em que discute o local para o levantamento da Nova Matriz, itaunense, o rabiscador destas linhas, atendendo a um natural impulso de sua consciência, e certo de que traduz o pensamento da maioria dos itaunenses, ousa, data vênia, fazer um apelo, destas colunas, à douta e digna comissão encarregada do seu soerguimento, e especialmente aos srs.

Prefeito Artur Contagem Vilaça, Cel. João de Cerqueira Lima e Dr. Dario Gonçalves de Souza, para que a Nova Matriz seja erigida não no lugar da velha, mas no lugar do “Cemitério Velho” onde estão os alicerces da planejada Catedral e onde jazem os restos mortais dos nossos antepassados itaunenses, a quem devemos o mais profundo respeito e mais sincera veneração.

Há neste apelo, que é sincero, bom senso, critério e uma nobre intenção. O local do “Cemitério Velho” está magnificamente apropriado para a referida construção, não só pela sua área vastíssima e bela, não só pela sua altitude panorâmica, como também pela sua esplendida situação, mais afastada do bulício e da trepidação da cidade, mais propício à meditação e ao recolhimento.

Afora isto, que somente, e sobejamente, recomenda o local, ali foi por longos anos a morada dos mortos, lugar de respeito próprio para um templo, e não para uma praça pública.

Medite um pouco a douta comissão. É preciso que ali se construa a nova casa de Deus, porque de outra forma, isto é, não a construindo no referido lugar, aquele sagrado recanto, que nos merece o máximo de respeito, ficará ali eternamente esquecido, cheio de mato, servindo de despejo do povo e de esconderijo para os mal-intencionados.

De resto, deixando de construir a Nova Matriz na Praça João Pessoa, não prejudica este em nada, antes torna-a mais espaçosa e muitas vezes mais bela e mais atraente. Além disso, que é razão de sobra, evitam-se desgostos e amolações por ocasião dos corsos carnavalescos, nos dias de festa do Rei Momo.

Pode-se aproveitar o mesmo alicerce ou fazer outro em proporções menores, mas a certeza de que está fazendo um templo para muitas gerações. Assim sendo, é que ouso dirigir este apelo ao coração, ao bom senso e ao espírito esclarecido da douta e digna comissão encarregada do levantamento da Nova Matriz.


Referências:
Jornal de Itaúna. Itaúna, 29 de abril 1934, nº 81, p.1. Diretor Redatorial: Viriato Fonseca. Diretor Gerente: João Batista de Almeida
Pesquisa e Organização: Charles Aquino
Acervo: Instituto Cultural Maria de Castro Nogueira - ICMC

sábado, abril 08, 2017

SENHORA SANT'ANA 1952

PRAÇA MATRIZ DE ITAÚNA MG
VENERÁVEL IMAGEM DE SENHORA SANT'ANA


Para intensificar cada vez mais a devoção a nossa padroeira Senhora Sant’Ana, resolvi fazer uma peregrinação com a venerável imagem, percorrendo toda paróquia. Dia 27 de Abril às 10 horas partiu em uma caminhonete enfeitada e acompanhada de automóveis e caminhões, a virgem antiga de Sant’Ana em direção ao Córrego do Soldado.
Acompanhando a banda de música “Santa Cecília”. Teve uma recepção estrondosa. Em seguida houve missa e procissão. De 27 de abril a 26 de julho a imagem percorreu os seguintes lugares —    ora de carro, ora nos ombros: Campos, Lopes, Garcias, Vista Alegre, Fazenda dos Coelhos, Brejo Alegre, Pedra, Fazenda das Braúnas, Fazenda dos Campo Redondo, Carneiros, Paulas, Calambau, Vargem da Olaria, Vila Padre Eustáquio, Vila Mozart, Bairro da Piedade, Bairro das Graças, Santa Casa e Santanense.
Dia 26 de julho em carro triunfal acompanhada de inúmeros automóveis, ladeada de fila de motores, deu entrada na Praça da Matriz a venerável imagem de nossa querida padroeira — Sant’Ana.
Itaúna, 1952
Pároco José Ferreira Netto

FONTE: LIVRO TOMBO Nº 02/1948 – 1992: Paróquia de Sant’Ana de Itaúna, p. 21, 22.
PESQUISA E ORGANIZAÇÃO: Charles Aquino.
ACERVO FOTOGRÁFICO: Professor Marco Elísio Chaves Coutinho

quarta-feira, janeiro 11, 2017

VELHA MATRIZ

IGREJA MATRIZ DE ITAÚNA MG
Esta pesquisa, objetiva divulgar algumas páginas da história de Itaúna, em parte, quase desconhecidas ou esquecidas!

 No local onde hoje se encontra a Igreja Matriz de Itaúna, “foi construída em 1840 a capelinha da Senhora do Rosário que os pretos edificaram em horas de folga”. (DORNAS, p.22). 

 Através da Resolução de nº 209 do dia 7 de abril do ano de 1841, era criada a Paróquia de Sant’Anna, sendo o seu primeiro pároco, o Padre Antônio Domingues Maia, importante lembrar que, até no ano de 1853, a Capela de Sant’Anna (hoje Igreja do Rosário) era a Igreja Matriz e que depois desta data, o terceiro pároco, Pe. João Batista de Miranda realizou a permuta das capelas: a Matriz passaria para baixo na praça dr. Augusto Gonçalves, ficando a Capela do morro para Nossa Senhora do Rosário.

O padre João Batista de Miranda, iniciou a ampliação da Matriz em 1854, com a ajuda de pessoas do arraial, em sua maioria grandes fazendeiros. No decorrer da construção, houve um desentendimento entre os colaboradores. “Acontece, porém, que cada um dos fazendeiros queria a porta principal voltada para o lado da sua fazenda e isso constituiu um impasse insolúvel na época, que fez paralisar por dois anos as obras já iniciadas” (DORNAS, p.22).

 Nesta “querela santa”, o padre Miranda propôs uma condição: aquele que mais fizesse doações para as obras, a igreja seria voltada para o seu lado. A família dos Coelho Duarte ganhou a disputa, todavia, o padre Miranda foi prudente e para que todos ficassem satisfeitos, “fez abrir de cada lado uma porta, o que a nova matriz também conservou” (DORNAS, p.24).

Na década de 1954, o Monsenhor Hilton Gonçalves de Souza, escreveu um artigo: “Itaúna e seus Vigários”, relatando sobre a história religiosa da paróquia e de seus párocos, do período de 1841 até 1943, dizendo que, “graças a Deus, neles, Itaúna sempre teve exemplo de moderação e de virtudes, frequentemente admiráveis” (ACAIACA, p.153). O Monsenhor diz que, esta história poderia ser dividida em dois períodos distintos – o Antigo e o Novo.

Sobre o “período novo”, segundo nos informa o Monsenhor Hilton, inicia-se a partir do ano de 1924 com o Padre Cornélio, o qual, foi o 6º pároco de Itaúna.

Com o Pe. Cornélio Pinto da Fonseca, abre-se um período novo, segundo período. Colocou - o Deus em Itaúna, com a missão de realizar, na Paróquia uma transformação formidável. Cabe-lhe a glória de ter rasgado, aos olhos do povo, um quadro novo, um cenário realista – de mostrar-lhe a religião como alguma coisa séria, que envolve toda a nossa existência e criar, de fato, uma vida cristã, na Paróquia. 

Por isto mesmo, creio eu, foi o maior de todos os vigários de Itaúna, o que realizou trabalho mais difícil – vencendo preconceitos, destruindo uma mentalidade secularmente errada.  Não vai isto em desdouro dos grandes sacerdotes que lhe seguiram o caminho. Mas foi ele o iniciador e o realizador desta obra admirável.

Vivo, espirituoso, alegre, sabia compreender e amar o povo. Não se enquadrava nos ângulos apertados do rigorismo - mas era cioso dos direitos e dos interesses da Igreja. Fundou associações religiosas, remodelou as existentes, organizou o serviço religioso e criou, em Itaúna, um círculo de admiração e de amizade, que só desaparecerá, quando se extinguirem as gerações que lhe aprenderam exemplo de virtudes e receberam os seus admiráveis ensinamento (ACAIACA, p.154).
No dia 7 de outubro de 1924, chegava em Itaúna o Pe. Cornélio Pinto da Fonseca sendo o coadjutor do Pe. João Ferreira Álvares da Silva, quinto padre da Paróquia de Sant’Anna.

O Pe. João Ferreira, enviou um pedido ao Bispado de Belo Horizonte, informando o desejo de trabalhar na Santa Casa de Itaúna, o qual, foi prontamente atendido conforme carta enviada de Dom Antônio  dos Santos Cabral:
Por mercê de Deus e da Santa Fé Apostólica, Bispo de Belo Horizonte. Aos seus esta Provisão virem, Saudações, Paz e Bênçãos no Senhor. Fazemos saber que, atendendo nós ao bem espiritual do rebanho que pela Divina Misericórdia, foi confinada à nossa pastoral solicitude e querendo que os fiéis da Paróquia de Itaúna deste nosso Bispado não fiquem privados de pastor que zele de sua eterna salvação: Havemos por bem prover, como pelo presente nossa Provisão, faremos na recuperação de Vigário Encomendado dessa Igreja, com as faculdades ordinárias por tempo de um ano se antes não determinarmos o contrário, ao Pe. Cornélio Pinto da Fonseca, servirá este cargo com convêm ao serviço de Deus e aos bens das almas de seus paroquianos.(TOMBO, p.7v).

O Pe. Cornélio Pinto da Fonseca, no dia 8 de dezembro de 1924 era nomeado pároco da paróquia de Sant’Anna de Itaúna e o Pe. João Ferreira Álvares era nomeado capelão da Santa Casa de Itaúna. Por ocasião desta posse o Pe. Cornélio elaborou um Inventário dos pertences da Igreja Matriz:

DESCRIÇÃO                                                                                                                    MATERIAL                QUANTIDADE
Almofadas

2
Almofadas decentes

2

1

1

1
Alvas[1] de missa

9
Âmbula[2]

1
Amito

17
Andores

2
Armário grande
Madeira
1
Armário pequeno
Madeira
1
Aureolas
Folhas Flandres
2
Aureolas[3] pequenas
Prata
2
Bancos velhos
Madeira
14
Banqueta de 6 grandes castiçais niquelados e 1 crucificado
Metal
1
Bilha
Barro
1
Cadeiras velhas
Palhinha
13
Caixas velhas

9
Cálice
Dourados
3
Cálice
Prata
1
Cálice dourado na Santa Casa

1
Cálices de Sacristia

2
Campainhas quebradas
Metal
2
Campainhas velhas em serviços
Metal
2
Camporaes

2
Capa asperges branca com o véu correspondente

1
Capa de asperges preta e velha

1
Capa de asperges[4] rica com o véu correspondente

1
Capa roxa

1
Capa roxa da Cruz

1
Capa verde de São João

1
Capa vermelha de São João

1
Castiçal pequeno
Madeira
9
Castiçal Niquelado médio
Metal
6
Castiçal Niquelado pequeno
Metal
12
Casula[5]verde conservada com estola, balsa e manípulos velhos

1
Cômoda grande
Madeira
1
Cômoda pequena
Madeira
1
Concha Batismal
Metal
1
Concha para hóstias
Madeira
1
Confessionários aberto

2
Corporaes

3
Crucificados
Madeira
1
Crucificados niquelados[6] 
Metal
2
Cruz para procissões
Metal
1
Custódia[7]

1
Dalmática[8]
Par
1
Dalmática duas cores
Par
1
Dalmática preta
Par
1
Estandartes velhos

7
Estantes de Côro

2
Estantes de missal velho

3
Estolas paroquiais imprestáveis

2
Ganchos

4
Genuflexórios velhos

3
Grande Caldeira de Água Benta

1
Grande Cruz
Prata
1
Guião branco de fazenda

1
Guião roxo

1
Guião Vermelho

1
Harmonium

1
Imagem de João Batista
Madeira
1
Imagem de Nossa Senhora pequena
Madeira
1
Imagem de Nossa Senhora pequena
Madeira
1
Imagem de Nossa Senhora da Conceição pequena
Madeira
1
Imagem de Nossa Senhora das Dores grande
Madeira
1
Imagem de Nossa Senhora de Lourdes
Carton-pierre[9]
1
Imagem de Nossa Senhora de Lourdes
Carton-pierre
1
Imagem de Nossa Senhora do Carmo
Madeira
1
Imagem de Nossa Senhora Sant’ Anna
Madeira
1
Imagem de Nossa Senhora Sant’ Anna pequena
Madeira
1
Imagem de Nosso Senhor Morto

1
Imagem de Santa Ignez
Carton-pierre
1
Imagem de Santo Anjo
Carton-pierre
1
Imagem de Santo Antônio
Madeira
1
Imagem de São Benedito pequena
Madeira
1
Imagem de São Francisco
Madeira
1
Imagem de São Geraldo
Carton-pierre
1
Imagem de São José
Madeira
1
Imagem de São Sebastião pequena
Carton-pierre
1
Imagem de São Sebastião pequena
Madeira
1
Imagem de São Thomaz
Madeira
1
Imagem de São Vicente pequena
Carton-pierre
1
Imagem do Espírito Santo
Madeira
1
Imagem do Menino Jesus pequena

1
Imagem do Sagrado Coração de Jesus grande
Carton-pierre
1
Imagem do Sagrado Coração de Jesus pequena
Carton-pierre
1
Jarras
Vidro
15
Jarras
Louça
12
Jarras
Vidro
5
Jarras 
Barro
2
Lâmpada do Santíssimo Sacramento
Vidro
1
Lâmpada do Santíssimo Sacramento pequena
Metal
1
Mesa nova

1
Mesa pequena

1
Mesas velhas

3
Missaes gasto
Livro
1
Missaes iprestáveis
Livro
5
Missaes novos
Livro
2
Missal[10] velho na Santa Casa

1
Opas

8
Oratório para Santos Óleos
Madeira
1
Pallio branco velho

1
Par de galhetas
Vidro
1
Paramento branco rico

1
Paramento antigo

1
Paramento branco estragado

2
Paramento branco-vermelho

1
Paramento conservado de 2 cores roxa e verde

1
Paramento preto novo

1
Paramento preto velho

1
Paramento roxo

1
Paramento verde estragado

1
Paramento vermelho

1
Paramento vermelho velho

1
Paramento vermelho velho

1
Paramento vermelho velho

1
Pedras d’ara[11] - Sacras velhas para 2 altares

4
Pequena Eça

1
Pequeno oratório do Sagrado Coração de Jesus

1
Pia Batismal 

1
Pia de água Benta
Pedra
1
Píxide pequeno para comunhões de enfermos

1
Pote
Barro
1
Pratinho de galhetas
Vidro
1
Púlpito conservado

1
Púlpito velho

1
Quadro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro

1
Quadro de Nossa Senhora Sant’ Anna

1
Quadros da via-sacra

14
Relicário para Viático
Metal
1
Salva
Vidro
1
Sanguíneos[12]

19
Semana Santa (S.P.Q.R.)[13]
Bandeira
1
Singulos

4
Sinos

4
Sobrepeliz de coroinhas

4
Toalha de cabide pequena

6
Toalhas capas de altar

3
Toalhas de Altar-mor

17
Toalhas de cabide

3
Toalhas de mesa da comunhão

7
Tochas

4
Turíbulo
Metal
1
Turíbulo[14] velho

2
Umbela

1
Varas de Estandartes

12
Vaso velho para Santos Óleos

1
Velha escada

1
Velhos tapetes

2
Véu encarnado

1

No ano de 1926, o Pe. Cornélio fez um “Remodelamento da Matriz”. Eis o relatório:
A Matriz estava em condições nojentas e miseráveis. Com a graça de Deus e pela reforma completa que sofreu, tomou outro aspecto bem agradável. O telhado onde se alojavam milhares de morcegos foi todo removido e outra vez engessado; as paredes caiadas; as grades que no centro da Matriz formavam uma espécie de V foram suspensas como também 2 púlpitos à altura do côro nas paredes; no assoalho foi aplanado e aí colocados bancos; todas as figuras muito mal pintadas no forro e outros lugares foram cobertas por nova tinta a óleo. A importância deste gasto foi de 6:848$145 (seis contos, oitocentos e quarenta e oito mil e cento e quarenta e cinco réis) (TOMBO, p.14).
A grande virtude deste trabalho, foi a elaboração do inventário que o Pe. Cornélio realizou da Velha Matriz de Itaúna, com isso, temos mais informações sobre a história da nossa paróquia de Itaúna.





REFERÊNCIAS:

FILHO, João Dornas. Itaúna: Contribuição para a história do município, 1936.
Livro do Tombo da Paróquia de Sant’Anna de Itaúna -  15/09/1902 a 31/12/1947.
Revista Acaiaca, 1954.
Diocese de Divinópolis/Minas Gerais. Disponível em: https://www.diocesedivinopolis.org.br/index.asp?c=padrao&modulo=conteudo&url=5213   
Paróquia Sant’Anna Itaúna. Disponível em:< http://www.paroquiadesantana.com.br/site/index.php

 ACERVO:
Instituto Cultural Maria Castro Nogueira/ Patrícia Gonçalves Nogueira
COLABORADORES:
Professor Marco Elísio Chaves Coutinho / Itaúna – Minas Gerais
Revmo. Pe. Professor José Raimundo Batista Bechelaine / Carmo do Cajuru   Minas Gerais
PESQUISA E ELABORAÇÃO:
Charles Aquino, graduando em História, 7º período, UEMG/Divinópolis – MG.


GLOSSÁRIO DAS PEÇAS DO INVENTÁRIO DA MATRIZ

[1] Alva: Veste branca, longa e por vezes com tenda na barra. Traduz purificação, alegria, consagração ao serviço da Igreja.
[2] Âmbula (ou Cibório): A vasilha (de diversos formatos e tamanho e com tampa) que contém as Partículas (Hóstias Consagradas)
[3] Algumas imagens de Santos, tinham aureolas ou Resplendor.
[4] Pluvial ou capa de asperges (latim: cappa, pluviale, casula processaria) é um paramento litúrgico usado sobretudo no exterior, mas também dentro das igrejas para bençãos e aspersões com água benta, casamentos sem missa e para os solenes ofícios divinos
[5] Casula: Veste sacerdotal igual a uma pequena capa que é usada sobre a alva (túnica) durante as celebrações. A cor da casula varia de acordo com o tempo ou circunstâncias litúrgicas: branca, verde, vermelha ou roxa.
[6] Niquelados: Revestidos de metal de níquel.
[7] Custódia: O mesmo que ostensório.  Uma peça de ourivesaria usada em atos de culto da Igreja Católica Apostólica Romana para expor solenemente a hóstia consagrada sobre o altar ou para a transportar solenemente em procissão.
[8] DALMÁTICA: Veste própria do Diácono. É colocada sobre a alva e a estola.
[9] -  Carton Pierre ("stone carton" em inglês) é uma espécie de arte de papier-maché (Papel machê), imitando escultura de pedra ou de bronze. Foi muito utilizado também como ornamento de colunas, portas e janelas internas, imitando basicamente pedra, substituindo o gesso.   Definição de carton pierre: um papier-mâché feito para imitar pedra ou bronze e geralmente usado para ornamentos estatutários e arquitetônicos.
[10] MISSAL: Livro Litúrgico que contém todo o formulário e todas as orações usadas nas celebrações da missa para todo o ano litúrgico.
[11]  D’ara:  Letra d, Apóstrofo, ara. Ara é a palavra latina para Altar. É uma pedra de formato quadrada, contendo relíquias de Santos no altar. No centro do altar, há uma pequena cavidade onde se coloca uma pedra, comumente de mármore, denominada, Pedra d'ara, que encerra dentro de si relíquias de santos mártires, recordando o costume primitivo cristão de celebrar o Santo Sacrifício sobre o túmulo dos mártires e suas preciosas relíquias. Durante a Missa, o cálice e a hóstia devem pousar sobre a pedra d'ara.

[12] SANGUÍNEO, SANGUINHO OU PURIFICATÓRIO: Pequeno pano de forma retangular utilizado para o celebrante enxugar a boca, os dedos e o interior do cálice, após a consagração. Pano retangular que serve para a purificação dos vasos sagrados (cálice, patena e ambulas).
[13] Nas irmandades de Semana Santa aparecem estas siglas romanas (SPQR) nos estandartes com significado em latim: Senatus  Populos Que Romanus .
[14] Turíbulo: Vaso em que se queima incenso sobre brasas, em cerimônias especiais. É o mesmo que incensário ou incensório.