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quarta-feira, maio 06, 2026

ROSÁRIO SAGRADO

CAPELA DO ROSÁRIO ITAÚNA MG


O adro do Rosário constituía um espaço sagrado vinculado diretamente à antiga Capela de Nossa Senhora do Rosário, integrando não apenas a dimensão religiosa do templo, mas também práticas comunitárias, rituais festivos e sepultamentos. 

Historicamente, o termo “adro” designava a área situada diante, ao redor ou nas proximidades imediatas da igreja, funcionando como extensão simbólica e espiritual do espaço consagrado.

No caso do Rosário de Itaúna, os registros históricos e memorialísticos indicam que esse adro exerceu também função funerária, especialmente relacionada à população afrodescendente e escravizada. 

Embora determinadas representações visuais contemporâneas possuam caráter apenas ilustrativo, é plausível compreender que os enterramentos não se restringiam exclusivamente à parte posterior da capela, mas alcançavam diferentes áreas adjacentes ao templo.

A própria configuração espacial do terreno remanescente atrás da igreja, ainda perceptível nos dias atuais, sugere limitações físicas incompatíveis com a quantidade de sepultamentos mencionados em registros históricos, que apontam para mais de uma centena de enterros realizados no adro. 

Isso reforça a hipótese de que a área funerária se distribuía ao redor do conjunto religioso, abrangendo lados diversos do morro e do espaço sacralizado da capela.

Mais do que um simples espaço externo da igreja, o adro do Rosário deve ser compreendido como território de memória, religiosidade e pertencimento coletivo. 

Nele se articulavam práticas de fé, sociabilidades afrodescendentes, rituais do Reinado e experiências de morte e ancestralidade que marcaram profundamente a formação histórica e cultural de Itaúna.

Fontes e referências históricas reforçam a compreensão do antigo cemitério localizado “aos arredores” da Capela do Rosário, associado ao morro e às celebrações tradicionais do Reinado.







NOTA SOBRE AS IMAGENS E VÍDEO DA CAPELA DO ROSÁRIO

Estas imagens e o vídeo apresentados não correspondem a registros históricos originais. Tratam-se de reconstruções visuais interpretativas produzidas com auxílio de inteligência artificial (IA), elaboradas a partir de referências documentais, relatos memorialistas e fontes históricas relacionadas à Capela do Rosário de Itaúna/MG.

A composição foi inspirada em descrições históricas sobre o antigo adro murado da capela, utilizado durante longo período como espaço de sepultamento, especialmente pelas camadas populares da população local. 

Também dialoga com registros e narrativas sobre a presença afrodescendente, os rituais religiosos, o Reinado e a dimensão comunitária existente ao redor da antiga ermida do Rosário.

As cenas procuram representar, de maneira simbólica e sensível, possíveis atmosferas do passado: o pequeno cemitério em torno da igreja, os muros rústicos de pedra, as cruzes simples, os ritos funerários coletivos e a experiência da fé popular no contexto itaunense dos séculos XVIII e XIX.

Mais do que reconstruir visualmente uma paisagem, as imagens e o vídeo buscam evocar sentimentos de ancestralidade, memória, silêncio, espiritualidade e permanência histórica.

As produções devem ser compreendidas como representações artísticas e historiográficas de caráter interpretativo, não como reproduções fiéis ou documentos primários.


No ITAÚNA DÉCADAS, o uso de inteligência artificial ocorre exclusivamente com finalidade cultural, educativa, memorial e de mediação histórica, preservando sempre a distinção entre documento original e reconstrução visual contemporânea.



Projeto independente de memória, história e patrimônio cultural.

CAPELA DO ROSÁRIO ITAÚNA MG
 Texto, pesquisa, arte e concepção:



sábado, maio 28, 2022

CAPELA DO BONFIM


 

Documentário da Capela do Bonfim de Itaúna












Organização, pesquisa e arte sobre  a Capela do Bonfim: Charles Aquino

Acervo: Professor Marco Elísio

Direção e Realização do vídeo: Guto Aeraphe

Apresentação do vídeo: Prof. Luiz Mascarenhas

sexta-feira, maio 21, 2021

O VIGÁRIO DO CÓRREGO

AO MODO DA HISTÓRIA

Foto da antiga Igreja de São Sebastião e Nossa Senhora de Lourdes do Córrego do Soldado. Construída de Pau a Pique com piso de terra batida.

Sementes de milho, pregos, formicida, compra de lenha, cimento, material de construção… Estas palavras compõem o pano de fundo para o modo como se organizava a Comunidade do Córrego do Soldado antigamente. Anotações cheias de esmero, extraídas do livro de caixa que contém informações de abertura, datado em 1º de janeiro de 1971, assinado pelo próprio vigário Pe. José Ferreira Netto e que traduz, em parte, o trabalho sério e dedicado do pastor dessa gente.

As anotações contidas neste documento registram o período de 1971 a 1985. Portanto, 14 anos de registros administrativos e históricos sujeitos a admiráveis releituras pastorais.

 Os rendimentos apresentados pelo livro de caixa ilustram receitas simples provenientes de donativos, leilões, semana santa (com o beijo do Senhor morto), esmolas, venda de velas, dízimo, venda de milho, Jubileu do Senhor do Bom Jesus, festas de São Sebastião, Nossa Senhora do Rosário (com o Reinado) e Nossa Senhora de Lourdes.

Nestes registros de fluxo financeiro, notamos como a Comunidade de fé do Córrego do Soldado se solidificou economicamente e era tal como qualquer comunidade urbana naquela época.

Acerca do Livro de Caixa, transcrevo-o tais como estão as suas anotações que relatam os empreendimentos pastorais anotados pelo Vigário a cada troca de mandato dos tesoureiros:


Encerramento de Mandato (17 de março de 1974)
“No dia 17 de março de 1974, após a Santa Missa, foram empossados os novos tesoureiros da Capela de Nossa Senhora de Lourdes do Córrego do Soldado: Senhores Antônio Antunes Filho, Eduardo Honório Militão e Manoel Antunes Moreira. Deixo aqui um voto de profunda gratidão aos tesoureiros: Ataliba Antunes Medeiros e José Antunes Nogueira, que durante (2) dois anos exerceram o seu mandato com muita diligência e boa vontade. Tudo fizeram para que a comunidade do Córrego do Soldado fosse bem servida. As obras de destaque na gestão dos dois: construções de um grande salão anexo ao velho prédio do grupo escolar cedido à comunidade pela Prefeitura, onde funciona o Centro Social Paroquial de N. Sra. de Lourdes. Construção de uma casinha abaixo da casa paroquial. Votos de gratidão às suas senhoras pelo trabalho na casa paroquial. Esperamos que os novos tesoureiros realizem grandes empreendimentos durante a sua gestão de dois anos”. O Vigário Pe. José Ferreira Netto – Córrego do Soldado, 17/3/1974.

Encerramento de Mandato (14 de março de 1976)
“Encerrando hoje o mandato de dois anos dos tesoureiros Eduardo Honório Militão e Antônio Antunes Filho. Foi celebrada a Santa Missa por intenção dos dois e suas exmas. famílias ao meio-dia. O Vigário agradeceu os relevantes trabalhos que fizeram em benefício de nossa capela e de toda comunidade. Obras que realizaram em sua gestão: construção da casa do Sr. Agenor, melhoramentos na casa paroquial – reforma do telhado, quarto de banho e sanitário. Comprou-se a imagem de N. Sr. dos Passos, reforma da torre da Capela, microfone, vasilhame  e objetos para a casa do Agenor, diversos objetos para a casa paroquial e capela. Um voto de muito agradecimento às suas senhoras que muito fizeram na cozinha e conservação da casa paroquial principalmente nas festas e Semana Santa. Que a Virgem de Lourdes recompense os dois com suas famílias”. O Vigário, Pe. José Ferreira Netto – Córrego do Soldado, 14 de março de 1976.

Encerramento de Mandato (14 de março de 1978)
 “Terminando hoje o mandato dos tesoureiros João Antunes da Fonseca e Juscelino Custódio Moreira como pleito de grande e profundo agradecimento pelo serviço que fizeram com tanta dedicação e amor às coisas da igreja, de modo muito especial ao Sr. João Antunes Fonseca, celebramos a Santa Missa em intenção deles e de suas bondosas famílias. A Comunidade do Córrego do Soldado expressa também o seu agradecimento. As obras realizadas durante o mandato dos mesmos: pintura interna e externa da capela que ficou em mais ou menos CR$ 7.000,00. Construção dos pequenos muros em frente à gruta, construção de um muro pré-fabricado em frente à casa paroquial à sua direita na medida de 117 metros – custando CR$ 8.190,00. Construção de uma casa nova para o Sr. Jesus, sob orientação do Sr. Augusto Honório Militão, esta se acha em estado de conclusão. Um agradecimento muito particular a D. (…), esposa do Sr. João A. Fonseca pela sua dedicação na parte da cozinha. Que a nossa padroeira recompense a todos dando-lhes uma grande felicidade em seus lares”. Córrego do Soldado, 14 de março de 1978 – O Vigário Pe. José Ferreira Netto.


Fotografias do  sacrário pertencente à antiga igreja de São Sebastião e Nossa Senhora de Lourdes do Córrego do Soldado:




Encerramento de Mandato (14 de março de 1980)
“Terminando hoje o mandato de nossos queridos tesoureiros João Antunes Venâncio e Iraci Antunes Moreira, aqui fica o meu profundo agradecimento pelos seus relevantes serviços. No mandato dos mesmos foi inaugurada a luz na Igreja, casa paroquial e centro social, um novo amplificador (CR$ 25.000,00). O tapume de muro pré-fabricado do lado direito, quintal da casa paroquial (CR$ 8.000,00). Agradecimentos às suas bondosas esposas que muito se dedicaram à cozinha. Deus lhes pague por tudo. Assumem: Sr. Miguel Honório Militão e Sr. João Antunes Venâncio. Córrego do Soldado 14 de março de 1980 – O Vigário Pe. José Ferreira Neto

Encerramento de Mandato (04 de março de 1982)
“Finalizando o mandato dos Senhores Tesoureiros: Miguel Honório Militão e Juversino Antunes Fonseca, quero deixar aqui os meus agradecimentos pelos serviços que prestaram à nossa Comunidade; bem assim suas senhoras. Deus lhes pague”. O Vigário Pe. José Ferreira Netto. Novos Tesoureiros: Sr. Geraldo Antunes Medeiros e Sr. Luiz Gonzaga da Fonseca.

Encerramento de Mandato (26 de fevereiro de 1984)
“Terminando o mandato dos Tesoureiros: Geraldo Antunes Medeiros e Luiz Gonzaga da Fonseca, deixo aqui os meus agradecimentos pelos seus relevantes serviços prestados à nossa Comunidade de N. Sra. de Lourdes do Córregos do Soldado, bem assim à sua senhora e irmã. Que Deus e Nossa Senhora os recompense muito”. Novos Tesoureiros: Afonso Gomes Pinheiro e Lázaro Pinto de Queiroz. Córrego do Soldado, 26 de fevereiro de 1984 – O Vigário Pe. José Ferreira Neto.

Com as coisas do campo, Padre José Netto lidava muito bem. Fazia renda com o milho que ele mesmo plantava e era muito habilidoso com a terra. Tinha atenção em relação às pragas e formigas, sabia compor uma cerca de arame e estacas no terreno e mantinha tudo organizado com a ajuda das pessoas da comunidade.


ALGUNS FATOS...

O Campanário

O Campanário da Igreja de Nossa Senhora de Lourdes abrigou um sino datado de 1898. Atualmente ele se encontra na torre da nova igreja cumprindo com a sua missão de convocar os fiéis ao culto divino. “Ó Deus, a vossa voz na aurora do mundo ressoou aos ouvidos do homem para convidá-lo à comunicação divina, ensinando-o e admoestando com doçura. (…) Os sinos estão ligados à vida do povo de Deus; o seu som marca os tempos da oração, reúne o povo para realizar ações litúrgicas, avisa os fiéis sobre os acontecimentos mais sérios, que podem significar aflições ou alegrias”. (Ritual de Bênçãos).

Foto do campanário (ou torre do sino) da antiga Igreja do Córrego do Soldado

Os antigos reconhecem a Capela como sendo primitiva, se recordam também do campanário – coisa muito diferente pra época. Os fieis mais antigos se lembram de subir as escadas da capelinha do lado para tocar o sino. (A fotografia está em um quadro no Centro da Pastoral no Córrego).


UMA CAPELA DOIS ORAGOS


A Igreja do Córrego do Soldado tem por padroeira Nossa Senhora de Lourdes, celebrada aos onze de fevereiro; contudo em algum momento da história, a pedido de alguns fazendeiros, começaram a celebrar também a Festa de São Sebastião, santo comemorado aos 20 de janeiro. Fato é que os padroeiros se confundiram… até hoje a Festa do dia onze de fevereiro é dedicada aos dois santos. Surgiu também um pormenor, a Festa do Córrego coincidia com a Festa de São Sebastião da Matriz de Sant’Ana o que gerava um empecilho pastoral.


Banda de Música
Aos 14 de março de 1980 consta no Livro de Caixa da Comunidade do Córrego do Soldado a despesa para com Banda de Música na Festa de São Sebastião incluindo a sua condução. Para abrilhantar a Festa de São Sebastião e Nossa Senhora de Lourdes o Padre José fez vir de Itaúna a Banda de Música para acompanhar a procissão. O Vigário não era músico, mas tinha uma boa inclinação musical, ele pessoalmente se ocupou em ensinar um repertório para ser cantado nas missas.



O Mês de Maria
O nosso povo tem um carinho muito especial com o Mês de Maio. D. Landina e D. Luzia organizavam as coroações, orações e a Ladainha de Nossa Senhora em latim. As festividades do mês de maio se estendiam até a trezena de Santo Antônio, também com as suas orações e cânticos apropriados. Eram 44 dias de orações ininterruptas. Tudo isso por iniciativa das próprias pessoas da comunidade. As receitas anotadas pelo Pe. José Netto, referentes ao mês de maio, eram consideráveis

Sancta Maria, ora pro nobis!

Sancta Dei Génitrix, Virgo Virgininum, Mater Christi…

Festa de Santa Cruz
De acordo com o calendário antigo do Rito de S. Pio V, aos 3 de Maio celebrava-se a Festa de Santa Cruz. A Comunidade do Córrego se ajuntava para rezar aos pés do cruzeiro com a guarda de “Festa de Cruz”. O costume de celebrar esta festa em tal data se manteve por muitos anos. A cruz é o sinal de Cristo Salvador. A cruz que hoje se encontra no altar de Igreja de Nossa Senhora de Lourdes foi entronizada aos 26 de agosto de 1977.

“O meu Coração é só de Jesus, a minha alegria é a Santa Cruz”.

Festividades de São João Batista e São Pedro
Nas noites gélidas dos meses de junho e julho o Sr. José Otacílio Trigueiro e sua família organizavam as festas São João Batista e São Pedro. Rezavam o terço por volta da meia noite. Levantavam bandeiras. Servia-se canjica, pipoca, quentão… A fogueira era acesa e algumas pessoas se aventuravam andando sobre brasas. Lá eram feitos os Batismos de fogueira. Uma forma carinhosa de convidar uma pessoa querida para ficar mais próxima tornando-a “padrinho ou madrinha de fogueira”.







Energia Elétrica
Antes das instalações elétricas do Córrego do Soldado a Igreja era iluminada por lampiões a gás. No Livro de Caixa são citadas diversas vezes as despesas com gás para a Igreja e Salão Pastoral. A Energia elétrica chegou ao Córrego do Soldado por volta de 1980. Inicialmente havia luz na rua principal e na Igreja, depois a rede elétrica foi expandida pela região.



Cercado por um muro de pedra, construído muito provavelmente por mão de obra escrava; entre as suas sepulturas encontra-se uma datada de 1921 – a mais antiga que se pode observar. O Cemitério esteve aos cuidados da Paróquia de Sant’Ana até as décadas de 1970/1980, quando passou aos cuidados da prefeitura. A Comunidade de N. Sra. de Lourdes guarda um arquivo dos sepultamentos realizados nos anos de 1960 e 1970.





Hóstia Santa Imaculada

REFERÊNCIAS:

Pesquisa e Texto: Padre Rodrigo Botelho Moreira Júnior.

Revisão: Delaine Marques

Organização:  Charles Galvão Aquino

Acervo Documental e Fotográfico:  Paróquia Nossa Senhora Aparecida – Itaúna da diocese de Divinópolis

Acervo Fotográfico Padre José Ferreira Netto: Cleide Diniz H. de Souza

Fotografias Sacrário / Cemitério Córrego do Soldado: Charles Galvão Aquino

Fotografia Ilustrativa N.N.Lourdes : Alexandria Católica – Blog

Fotografia São Sebastião: Fineart America. 

terça-feira, fevereiro 04, 2020

CAPELA SÃO MIGUEL

Rapidinhas da História

No séc. XIX, ao passar estas terras, os frades franciscanos capuchinhos, vindos da Itália, ditos “barbôneos” – chefiados pelo pregador apostólico Frei Eugênio Maria de Gênova - com a missão da Sagrada Propaganda “Fide” de Roma, recomendaram que se construísse no interior do cemitério (hoje EE “José Gonçalves de Melo”) a Capela de São Miguel.


Organização ,Pesquisa e Arte : Charles Aquino

sábado, outubro 19, 2019

CAPELA EM CARNEIROS

Construção da Capela Sagrado Coração de Jesus
Comunidade de Carneiros, Itaúna/MG - Década 1947

Em Carneiros comecei a construção da Capela do Sagrado Coração de Jesus. Celebrei lá a santa missa e com o povo dei início as fundações. Ganhei o terreno, telhas, tijolos.

Procurei logo depois da Semana Santa reunir os elementos representativos de Itaúna para lançar a ideia e organizar imediatamente tudo. Assim fiz e a banda está organizada, sendo o maestro o sr. Oséias Alves de Sousa, com trinta e tantos músicos.

Fiz barraquinhas para aquisição de instrumentos que renderam CR$28.000,00 (vinte e oito mil cruzeiros), ficando 17 mil cruzeiros para a banda e o resto para pagar dívidas da paróquia.

O senhor Hermínio Corradi, o antigo maestro da banda velha, doou à Matriz todos os instrumentos.

Padre José Ferreira Netto



Inauguração da Capela Sagrado Coração de Jesus - Década 1953

 





REFERÊNCIAS:
LIVRO DO TOMBO I: Paróquia de Sant'Ana de Itaúna -  15/09/1902 a 31/12/1947, pág. 100r, 100v. 
ACERVO: Paróquia de Sant'Ana de Itaúna, Prof. Marco Elísio, Charles Aquino
PESQUISA, TRANSCRIÇÃO, ORGANIZAÇÃO E FOTOGRAFIA: Charles Aquino.

terça-feira, março 26, 2019

CAPELA SANTO ANTÔNIO DA BARRAGEM

Depois de um ano de construção, foi inaugurado a nova Capela de Santo Antônio da Comunidade da Barragem do Benfica no dia 12 de junho de 1983.

As 10 horas iniciou-se o movimento litúrgico da benção solene da capela. O Bispo Diocesano foi convidado para oficiar esta cerimônia, mas não pode comparecer.

O vigário (José Ferreira Netto) foi acolitado pelos Revmos. Senhores Padres — Waldemar de Pádua Teixeira e Nagib Gibran,  que deram solenemente a benção a capela.

Usou-se da palavra o incentivador da obra, Dr. Guaracy de Castro Nogueira, que discorreu sobre todo histórico da obra e saudou também ao Cônego Waldemar que estava aniversariando naquele dia, salientou também o grande trabalho que vem fazendo o nosso querido Teotônio Rosa, braço forte da obra.

Um grande número de fiéis da comunidade, autoridades e representantes das duas Companhias Itaunense e Santanense, auxiliaram muito na obra. Foi determinado que seria celebrada a santa missa no primeiro domingo de cada mês às 14 horas.





REFERÊNCIAS:

FONTE: LIVRO DO TOMBO II Paróquia de Sant'Ana de Itaúna, 1948 a 1992, p. 114.
PÁROCO RESPONSÁVEL PELOS REGISTROS NO LIVRO DO TOMBO II: Padre José Ferreira Netto (In memoriam)
PESQUISA, ORGANIZAÇÃO e FOTOGRAFIAS: Charles Aquino

quinta-feira, fevereiro 07, 2019

CAPELA SANTO ANTÔNIO

Capela de Santo Antônio Comunidade Vista Alegre

As primeiras missas foram celebradas debaixo de uma árvore de tamboril, quando os padres missionários vinham para fazer acontecer as missões. Foi então que os moradores tiveram a ideia de construir uma Igreja. Um senhor chamado Modestino Francisco e o Sr. Tito construíram uma capela de pão a pique e sapé. Esta Igreja durou pouco tempo e acabou caindo.

Nesta época, chegou o padre José Ferreira Neto e viu que as imagens se encontravam abandonadas dentro da Igreja, que está destruída. Então, ele pegou estas imagens e as levou para a casa do Sr. Juca, onde ficaram guardas até a construção de uma nova Igreja. Por volta de 1948, quando tiveram novas ideias, o Sr. Juca e o Sr. Rabelo, deram início às construções da nova capela, que foi inaugurada em 13 de junho de 1952, onde a Comunidade recebeu como padroeiro Santo Antônio.

Hoje a capela é linda e tem algumas pastoris e movimentos que são: Apostolado da Oração, Legião de Maria, Conferência Vicentina, equipe de Liturgia e catequese. Festividades da Semana Santa com encenações e celebrações, festa do padroeiro, jubileu do Bom Jesus, celebrações aos domingos e missas mensais.

Curiosidades importantes: O Santíssimo Sacramento foi entronizado na capela no dia 15/08/1970 e o Jubileu do Bom Jesus se iniciou em setembro de 1973.

Referências:
Texto:  Diocese de Divinópolis
Organização e fotografia: Charles Aquino
Diocese Divinópolis disponível em: https://hml.diocesedivinopolis.org.br/templo/capela-de-santo-antonio/   

segunda-feira, abril 24, 2017

domingo, março 26, 2017

PROGRESSO E MUTILAÇÃO DO BONFIM

O PROGRESSO E A MUTILAÇÃO DO MORRO DO BONFIM

No nosso tempo de menino, havia pegado à parede da direita do pequeno templo, um tablado de madeira, de uns dois metros de altura aproximadamente, tendo na sua retaguarda uma escada com degraus de tábuas, que dava acesso à parte superior daquele palanque. Sobre este, em determinada posição fora colocado em peças apropriadas de madeira, o pequeno sino da Capela Senhor do Bonfim, que badalara ali durante algumas décadas pelas festas de Santa Cruz. Mas no decorrer dos anos, corroído pelas intempéries, aquele tablado tornou-se perigoso, sujeito a provocar a queda de alguém; foi, pois, arrancado em certa época que se fazia a reforma da igrejinha. Esta continua lá, no seu estado primitivo, porém sem o palanque e o pequeno sino. Também o velho cruzeiro de madeira foi substituído há poucos anos, — quando da administração interina do Dr. Willian Leão, na Prefeitura — por um belo cruzeiro de cimento armado, que se ilumina à noite, através de força da Cemig.
Na década de vinte, — para citar o nosso tempo — e posteriormente também, todo ano, no dia 3 de maio, grande parte do povo da cidade subia a pé até o alto da serra, desobrigando-se de um dever cristão, rezando ao pé da Santa cruz e na Capela Senhor do Bonfim. Naquela época, atravessa-se o Rio São João sobre a ponte de madeira e seguia-se estrada afora até o sopé da serra. Ali, a gente deixava a estrada boiadeira e ganhava uma vereda íngreme e sinuosa, para subir a serra até junto ao cruzeiro e a capela. Era uma subida longa e cansativa. Mais ou menos no meio da jornada, havia um muro seco, de pedras superpostas, que atravessava a montanha em sentido horizontal, para divisão de pastos da fazenda do Retiro. No decorrer do tempo, no local onde as pessoas tinham que pular o muro, as pedras foram caindo e rolando pelas escarpas, tornando aquele setor uma passagem permanente para o povo, a caminho da igrejinha.
Olhada de seu cume, a Serra do Bonfim é muito bonita pela sua configuração arredondada no alto, em cujo platô, quase plano, acham-se edificados o cruzeiro e a capela. Na retaguarda desta, ou seja, o lado norte da serra, a sua descida não é muito longa, porque está ligada logo abaixo a uma cadeia de pequenas montanhas. Para o oeste, ou seja, para as bandas do pequeno córrego Lava-pés, que fica lá em baixo, no vale, é um verdadeiro penhasco de grande profundidade! Para o leste, lado do futuro "campus" da Universidade, a sua conformação é bastante íngreme e extensa. E para o sul ou o lado que dá para a cidade, já é do nosso conhecimento a sua extensão e declividade.
Do lado direito da vereda, para quem sobe, e quase chegando ao cume da montanha, há um grande esbarrancado — ou terra quebrada — produzido pelas enxurradas das águas pluviais. Ele descamba do novo trevo da rodovia que faz ligação com a estrada de Pará de Minas. Desde a época em que a gente era menino, já existia ali aquela forte erosão no terreno, a partir do alto, até a fralda da serra, atingindo em baixo a estrada que seguia em direção ao Calambau e alhures. Ainda agora, com a ligação da rodovia Itaúna – Pará de Minas, num corte do terreno, pouco acima da usina de asfalto, a gente avista o finalzinho daquela erosão da serra. O esbarrancado acima descrito começa precisamente na vala (valado) que existia ali na divisa entre duas propriedades agrícolas: a fazenda do Retiro, que pertencia ao Sr. Astolfo Dornas e o sítio do Nhô da Joanica, hoje pertencente à Universidade de Itaúna.
Lá do alto da serra, descortina-se uma vista maravilhosa em todas as direções quando vales e serras se intercalam em dezenas de quilômetros horizonte afora! ... E nos vales distantes, a gente avista as silhuetas de diversos lugarejos que cintilam ora ali, ora acolá. É uma visão simplesmente deslumbrante, que nos oferece aquele quadro pintado por Deus! ...
Chegada à noite no dia 3 de maio, da cidade a gente avistava o fogo baixo que se alastrava em formato de eito, pelas bacias e escarpas da serra, sinal evidente de que alguém atirara um fósforo aceso ao capim, ás margem da trilha. Este fato parecia ser do gosto de certas pessoas que subiam a serra do Bonfim, no dia de Santa Cruz, porque as queimadas se repetiam todos os anos!
Até alguns anos atrás, após a festa da Santa Cruz, a Serra do Bonfim voltava a sua tranquilidade de sempre, recebendo na época de estiagem os raios solares desde o amanhecer, até que o astro-rei se escondesse no poente, e no inverno, a chuva mansa ou forte caindo do céu, dando às árvores, os arbustos, a pastagem e toda aquela vegetação, cujas raízes se infiltravam nas suas entranhas.
Mas a partir de três anos, mais ou menos, o PROGRESSO, sob a bandeira desfraldada pela Telecomunicações de Minas Gerais S/A com a "sigla" Telemig, começou a perturbar a tranquilidade da Serra do Bonfim. Primeiramente, através do estado, desapropriando uma faixa de terreno serra acima, para que fosse construída ali uma estrada de automóvel até o cume da montanha. Esta via de acesso destina-se ao transporte de pessoas e material de construção, para as obras que deveriam ser edificadas naquele local pela Telemig, com amplo programa de melhoramento nas comunicações com outras cidades do País pelo sistema de discagem direta à distância (DDD) o que viria realmente beneficiar muito à comunidade itaunense.
Elaborado que foi o projeto para esse empreendimento, a direção da Telemig pôs em ação as suas máquinas. A partir da rodovia MG 050, ex- MG 07, os tratores com as suas lâminas gigantescas, começaram a penetrar nas entranhas da serra, arrebentando pedras, arrancando árvores, cortando barrancos e seguindo o traçado da engenharia com curvas à direita e à esquerda, procurando contornar a subida da serra até o seu cume.
Durante meses, os motores daquelas possantes máquinas fizeram-se ouvir de longe suas arrancadas morro acima; com as suas lâminas abrangentes, iam revirando a terra, aplainando, abaulando a curta estradinha do Bonfim. E de nada valeram os protestos silenciosos da serra, contra a penetração da máquina avassaladora nas suas entranhas! A terra que ia sendo revolvida, rolando na frente da lâmina do trator, era como se fosse o sangue de suas veias!
Dentro de algum tempo estava pronta aquela estradinha de acesso ao alto da serra. Mas aquilo era apenas o começo da MUTILAÇÃO da montanha, porque havia ainda outros planos, para sangrar fundo a sua natureza! Realmente, na retaguarda da Capela, questão de uns dez metros de distância, a máquina dirigida pelo homem, começara a penetrar de novo nas suas entranhas, cortando barrancos e espalhando a terra aqui e ali, a fim de transformar aquele local numa pequena praça, o que foi realizado no decorrer de alguns meses.  O corte para o lado da capelinha ficou mais de três metros de altura. Aquele setor da serra ficou plano como se fora um campo de futebol. Ali construíram a casa de máquinas e diversas outras aparelhagens, para os fins a que se propunha a Telemig. E aquela plataforma da retaguarda da igrejinha desvirtuou a configuração primitiva da serra, porque ela deixou de ser o que fora antes. Também ali, ela protestou em silêncio contra sangria que fizeram no seu corpo físico! É que a natureza tem alma também! Era a máquina, através do homem, DESFIGURANDO as coisas da natureza, procurando transformar a montanha em planície! ...

Fonte/Texto:
FAGUNDES, Osório Martins. Fragmentos de Um Passado – Memórias, Narrativas, Homenagens, Crônicas, e Cartas, 1977, p. 626,627,628. 

Pesquisa: Charles Aquino / 7º Período História / UEMG

segunda-feira, julho 04, 2016

CAPELA SANTANENSE


A história da Capela de Santanense é um testemunho de devoção e perseverança da comunidade local, refletindo o espírito coletivo e a dedicação dos moradores e líderes religiosos ao longo dos anos. A ideia de construir uma capela no povoado de Santanense existia há muitos anos, sendo constantemente lembrada, mas frequentemente adiada. Foi somente em 27 de março de 1930, durante a Assembleia Geral Ordinária da Companhia de Tecidos Santanense, que o primeiro passo definitivo foi dado. Nesta ocasião, o Sr. Juvenal Antônio Pereira apresentou uma proposta que foi prontamente aprovada: a Companhia de Tecidos Santanense contribuiria com a quantia de 3.000 réis para a construção da capela, assim que uma oportunidade se apresentasse.

Finalmente, em 17 de abril de 1932, as obras da capela foram iniciadas. Este dia foi marcado por uma missa campal celebrada pelo Reverendo Padre Ignácio Campos, então vigário de Itaúna. Na presença dos diretores da Companhia de Tecidos Santanense, acionistas e operários, a primeira pedra da capela foi abençoada solenemente conforme o Ritual Romano. Após a cerimônia, uma ata foi lavrada, assinada pelos presentes e colocada dentro da pedra fundamental junto com jornais e moedas da época, simbolizando o início oficial da construção.

As principais assinaturas incluíam: Diretor presidente da Companhia: José Gonçalves de Sousa; Diretor gerente da Companhia: Augusto Gonçalves de Sousa  e o Prefeito Municipal: Farmacêutico Arthur Contagem Vilaça. A comunidade recebeu a doação de uma área de 810 metros quadrados para a construção da capela e um lote de 8x45 metros para a casa paroquial. As escrituras dessas doações foram registradas no cartório José Santiago, sob o número 2.560, no livro 3-H, página 176. A construção da capela custou aproximadamente 18.000 cruzeiros, com a Companhia de Tecidos Santanense contribuindo com cerca de metade desse valor.

Com a capela concluída, o Sagrado Coração de Jesus foi proclamado padroeiro do povoado. A imagem foi abençoada e entronizada em 19 de junho de 1933. Em 17 de junho de 1934, a capela foi solenemente abençoada pelo Reverendo Padre José Augusto Bastos, então vigário de Itaúna. Desde então, a festa do Coração de Jesus era celebrada anualmente com grande pompa. 

O serviço espiritual da capela foi inicialmente dirigido pelo Padre Ubaldo Anselmo da Silveira, capelão da Santa Casa "Manoel Gonçalves", que dedicou-se de 1933 a 1937. Padre Ubaldo, conhecido por sua bondade e dedicação às crianças, organizou com sucesso a missa dialogada das crianças. Em março de 1937, o Reverendo Padre Everaldo Molengraaff foi nomeado auxiliar do vigário de Itaúna e demonstrou grande interesse por Santanense, introduzindo uma missa dominical e organizando o catecismo para as crianças, que floresceu com alegria.

Em 30 de janeiro de 1943, às 19 horas, na Igreja Matriz de Itaúna, Padre José Ferreira Neto foi empossado como vigário de Santanense. Naquela época, o povoado contava com pouco mais de mil habitantes, número que cresceu para cerca de quatro mil nos anos subsequentes. A Capela de Santanense não foi apenas um edifício religioso, mas um marco da fé e do empenho comunitário, representando a união e a espiritualidade que moldaram e continuaram a inspirar a vida do povoado.


Organização e pesquisa: Charles Aquino
Fonte: Paróquia do Coração de Jesus de Santanense: Histórico da Paróquia de Santanense, p.26

sexta-feira, fevereiro 14, 2014

MORRO DE SANTA CRUZ

Capela do Bonfim, Itaúna (MG)

CAPELA NOSSO SENHOR DO BONFIM

 Historicamente, foi no ano de 1853, que os barbônios que nesta região estiveram pregando missões alertaram e recomendaram à população itaunense sobre a necessidade de ser construído na cidade de Itaúna a Capela de São Miguel, no interior de um cemitério localizado na região, e também da Capela de Nosso Senhor do Bonfim, no monte ao norte do arraial que naquela época era chamado Morro de Santa Cruz. 

A capela de São Miguel foi edificada através de doações da comunidade e a de Nosso Senhor do Bonfim foi construída pelo Tenente José Ribeiro Azambuja no mesmo ano de 1853, no morro atualmente conhecido como Morro do Bonfim (antigo Santa Cruz).

Localizada a aproximadamente 25 km do centro da cidade de Itaúna, a Capela do Senhor do Bonfim sempre foi um local de peregrinação religiosa da população do antigo arraial de Itaúna.

A Capela de Nosso Senhor do Bonfim está situada no ponto mais alto da região de Itaúna, ou seja, a 1000m de altitude. Construída em meados do século XIX, em pleno período imperial brasileiro, possui estilo colonial.

O Alto do Bonfim com sua Capela de Nosso Senhor do Bonfim, ilumina do ponto mais alto de uma cidade em pleno desenvolvimento, porém, preocupada em não perder seus marcos históricos, afim de continuar uma cidade com identidade cultural e memória afetiva.

Atualmente, Itaúna, através do Morro do Bonfim integra as 14 (quatorzes) cidades do Circuito dos Bandeirante – Circuito Verde, sendo alvo de iniciativas futuras para viabilização de investimentos em atividades turísticas/religiosas.

Local de tradição das peregrinações religiosas em devoção ao Nosso Senhor do Bonfim, a Capela de mesmo nome, representa para toda a comunidade itaunense um exemplar valioso da arquitetura colonial, tendo a simplicidade de seus traços ainda originais, guardando a identidade religiosa própria de um povo já enraizada na alma popular.

Sua conservação é, portanto, inerente ao anseio da modernidade, pois sobressai a referência cultural da edificação.

A Capela de Nosso Senhor do Bonfim por estar localizada no ponto mais alto da região de Itaúna tem sido estudado a viabilidade de torná-la um ponto turístico religioso, pois o morro do Bonfim oferece todas as condições para tal empreendimento.

 A 25 km de distância do centro da cidade além da arquitetura colonial da Capela, toda a região é propicia para a exploração turística religiosa e ecológica.

A 25 km de distância do centro da cidade além da arquitetura colonial da Capela, toda a região é propicia para a exploração turística religiosa e ecológica.

O morro do Bonfim oferece uma visão privilegiada podendo a cidade ser vista parcialmente num ângulo fascinante.

 Museu Municipal Francisco Manoel Franco

Janete Rodrigues da Silva – Coordenadora

Praça João Pessoa (Praça da Estação), s/nº Centro

Itaúna/Mg  Cep. 35680-059