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sábado, março 28, 2026

CHICO MORAIS

Francisco Gomes de Morais: memória, reconhecimento público e sociabilidade em Santana do São João Acima.

AV. CHICO MORAIS

A história de Itaúna também se constrói a partir de trajetórias individuais que, pela força de sua presença comunitária, ultrapassam o âmbito privado e passam a integrar a memória coletiva da cidade.

Entre esses personagens, destaca-se Chico Morais, cuja vida, marcada pela religiosidade, pelo espírito comunitário e pela atuação social, foi posteriormente reconhecida pelo poder público municipal.

A memória de Francisco Gomes de Morais foi formalmente institucionalizada no início da década de 1990. Em 20 de março de 1991, por iniciativa do vereador João Viana da Fonseca, foi apresentado o Projeto de Lei nº 40/91, que propunha a denominação de um logradouro público em sua homenagem.

A proposta foi aprovada, dando origem à Lei nº 2506/91, que oficializou a denominação da via como Avenida Chico Morais, situada, à época, no trecho que se estendia do bairro Garcias até a praça do povoado de Campos, no município de Itaúna. Trata-se de um exemplo claro de como o espaço urbano se torna também um espaço de memória, incorporando nomes que expressam valores reconhecidos pela comunidade.

A seguir, apresenta-se a transcrição do documento que fundamentou essa homenagem, preservando sua redação original. Trata-se do texto apresentado pelo vereador João Viana da Fonseca no âmbito do Projeto de Lei nº 40/91 na Câmara |Municipal de Itaúna/MG.

 

CHICO MORAIS - (12/11/1886 / 27/10/1963)

Francisco Gomes de Morais nasceu em 12 de novembro de 1886, em Rio Manso, MG. Era filho de Antônio Justiniano de Morais e Macrina Gomes de Morais.

Ainda quando criança, morando em Rio Manso, já se dedicava aos cultos religiosos, onde praticava os atos de “Coroinha” do padre Cesário, com o qual morava.

Mudando a família para o povoado de “Campos”, o mesmo também aconteceu com o focalizado.

Conhecendo Maria Antônia de Jesus, do povoado dos “Lopes”, em 10/09/1908, com a mesma contraiu matrimônio, de cuja união nasceram treze (13) filhos.

Ele foi um homem que se dedicou muito às coisas boas da vida. Era bastante alegre, gostava de música, de um jogo de truco, de missas, etc.

Não deixava passar um ano sem que fossem celebradas duas missas em sua casa, uma para a preparação para a Quaresma e a outra, a missa de Páscoa. Era um grande gosto seu, pois nessas épocas havia confissões e comunhões para todos os moradores da região.

Quando da época das “Missões”, sua casa servia de hospedagem para os padres e ponto de reuniões para os cristãos.

Era bastante caridoso, socorrendo várias pessoas menos afortunadas, prestando-lhes inclusive apoio moral e religioso. Sua casa não fechava portas a pobres e desvalidos, dando-lhes abrigo, alimentação, etc.

Exercia a função de inspetor escolar na escola dos “Lopes”, onde prezava pela educação das crianças. Todos os seus familiares o consideravam como um amigo, onde buscavam apoio para os momentos difíceis da vida.

Quando da Segunda Guerra Mundial, viu um de seus filhos ser convocado para combater em campos italianos, tristeza que invadiu seu lar, mas que, com o passar do tempo, foi superada com a alegria de seu retorno.

Como não podia deixar de ser, tinha suas preferências por candidatos políticos, nos quais toda a sua família depositava seus votos. Sua casa era bastante frequentada por pessoas da sociedade da época.

O Padre José Ferreira Neto foi a pessoa que celebrou as “Bodas de Ouro” do casamento do focalizado, que, junto com toda a sua família, o comemorou.

Mas, já com 77 anos, bem vividos, em outubro de 1963 começou seus sofrimentos, vindo a falecer. Deixou um caminho de bondade, amizade e, principalmente, de exemplo para seus filhos e familiares, de quanto um homem, embora rude, de pouca instrução, pode semear em campos férteis.

 

A trajetória de Francisco Gomes de Morais permite compreender aspectos centrais da organização social do meio rural mineiro ao longo do século XX. Sua vida revela a articulação entre religiosidade, sociabilidade e autoridade local, elementos que estruturavam o cotidiano de comunidades afastadas dos grandes centros urbanos.

A forte presença da religião em sua vida não se restringia à devoção pessoal. Ao sediar celebrações religiosas em sua própria residência, Francisco transformava o espaço doméstico em extensão da vida comunitária, assumindo uma função que, em muitos contextos, supria a ausência de estruturas eclesiásticas permanentes. Sua casa, nesse sentido, operava como centro de encontro, devoção e organização social.

A menção ao Padre José Neto, responsável pela celebração das bodas de ouro do casal, reforça sua inserção em redes institucionais da Igreja e evidencia seu reconhecimento social. A celebração, acompanhada pela família e pela comunidade, indica não apenas longevidade conjugal, mas também prestígio simbólico acumulado ao longo da vida.

A prática da caridade, amplamente destacada no documento, também deve ser compreendida para além do gesto individual. Em sociedades rurais, ações como acolher necessitados e oferecer apoio material e moral contribuíam para a construção de prestígio e autoridade simbólica, reforçando laços de reciprocidade e reconhecimento coletivo.

Sua atuação como inspetor escolar indica ainda um papel relevante na mediação entre comunidade e educação formal, evidenciando a importância de lideranças locais na difusão de valores e no acompanhamento da formação das novas gerações.

Outro aspecto significativo é a presença de elementos de sociabilidade cotidiana — como a música, os jogos e as reuniões que revelam uma vida comunitária dinâmica, baseada na convivência e na interação constante entre os moradores.

A experiência da Segunda Guerra Mundial, ainda que vivida de forma indireta, demonstra como eventos globais impactavam o cotidiano de famílias no interior, conectando o local ao cenário internacional.

A denominação da Avenida Chico Morais em Itaúna/MG não apenas identifica um espaço urbano, mas materializa uma escolha: a de preservar, no cotidiano da cidade, a lembrança de uma trajetória que marcou sua comunidade.

Mais do que um ato administrativo, a nomeação de logradouros públicos constitui uma forma de inscrição da história no espaço urbano, na qual indivíduos e suas experiências passam a integrar a paisagem da cidade como referências simbólicas.

Nesse sentido, Francisco Gomes de Morais (Chico Morais) permanece não apenas como figura do passado, mas como presença contínua na memória itaunense, inscrita literalmente, nos caminhos percorridos por seus habitantes.

Por fim, a própria construção dessa biografia, posteriormente incorporada ao espaço urbano por meio da denominação de uma avenida, revela um processo de elaboração da memória. Não se trata apenas de registrar uma vida, mas de afirmar valores considerados exemplares,  religiosidade, solidariedade e liderança como dignos de permanência no imaginário coletivo.

 

Avenida Chico Morais - Garcias - Itaúna/MG - 35680-562


Referências:

Organização, arte e pesquisa: Charles Galvão de Aquino – Historiador Registro nº 343/MG

Fonte:

CMI – Câmara Municipal de Itaúna - Projeto de Lei nº 40/91 – Lei nº 2506/91

Vereador João Viana da Fonseca -  Itaúna/MG

Imagem:

Reconstituição visual ilustrativa gerada por Inteligência Artificial, inspirada na biografia de Francisco Gomes de Morais, apresentada em 1991 pelo vereador João Viana da Fonseca durante a tramitação do Projeto de Lei nº 40/91, que deu origem à Lei nº 2506/91 para denominação de logradouro público em Itaúna.

A imagem não corresponde a um registro histórico, mas sim a uma interpretação artística que busca evocar o contexto social do personagem, sua atuação comunitária, sua religiosidade, seu papel como referência local e sua ligação com a comunidade itaunense, elementos que fundamentaram a homenagem que nomeou a Avenida Chico Morais. 

segunda-feira, março 16, 2026

COZINHO SANTANENSE

Jacob Marra da Silva (“Cozinho”): vida, trabalho e devoção em Santanense

 

Jacob Marra da Silva, popularmente conhecido como “Cozinho”, nasceu em 3 de outubro de 1905 e faleceu em 30 de agosto de 1984. Sua trajetória esteve profundamente ligada à vida comunitária, religiosa e social da cidade de Itaúna, Minas Gerais, especialmente no bairro Santanense.

Casado com Josina Marra, Jacob constituiu uma família numerosa. O casal teve quatorze filhos, embora apenas três tenham sobrevivido, além de um filho adotivo criado pelo casal. 

Entre os filhos mencionados nos registros estão Maria Helena Marra, Maria Aparecida Marra Ribeiro, Geraldo Marra e João Pinto, este último adotivo. A vida familiar de Jacob foi marcada por perdas significativas, mas também por forte espírito de fé e perseverança.

Jacob Marra trabalhou na Companhia de Tecidos Santanense, importante indústria têxtil que marcou o desenvolvimento econômico e urbano de Itaúna ao longo do século XX. Iniciou sua trajetória como empregado da fábrica e, ao longo do tempo, alcançou a função de encarregado de seção, posição que demonstra reconhecimento e confiança em seu trabalho.

A presença da Companhia de Tecidos Santanense foi fundamental para a formação social do bairro Santanense, reunindo trabalhadores, famílias e redes de sociabilidade que moldaram a vida cotidiana da comunidade.

Além de sua atividade profissional, Jacob Marra destacou-se pela intensa participação na vida religiosa local. Durante muitos anos atuou como sacristão da Paróquia do Sagrado Coração de Jesus, no bairro Santanense.

Também foi confrade vicentino por cerca de cinquenta anos, participando da Sociedade de São Vicente de Paulo, organização católica dedicada à assistência aos necessitados e à prática da caridade.

Segundo os documentos, Jacob Marra era figura conhecida nas manifestações religiosas da comunidade. Nas procissões, frequentemente conduzia a cruz à frente do cortejo, demonstrando sua dedicação à fé. Também participava da organização dos cortejos fúnebres, ajudando a conduzir orações e acompanhar a comunidade até o cemitério.

As informações aqui apresentadas baseiam-se na biografia redigida por Antônio Augusto Fonseca, então Presidente da Câmara Municipal de Itaúna, no contexto da tramitação do Projeto de Lei nº 95/87, apresentado em 14 de outubro de 1987. A proposta tinha como objetivo denominar um logradouro público em homenagem a Jacob Marra.

O projeto foi aprovado pelo Legislativo municipal e sancionado por meio da Lei nº 2076/87, que oficializou a denominação da Praça Jacob Marra, localizada na confluência das ruas das Camélias e das Rosas com a Avenida Manoel da Custódia, no bairro São Geraldo, em Itaúna/MG.

Na justificativa do projeto, destacou-se que Jacob Marra era lembrado pela comunidade como um homem simples, humilde e dedicado ao próximo, cuja vida foi marcada pelo trabalho, pela fé e pela participação ativa na vida comunitária.

A trajetória de Jacob Marra da Silva representa um exemplo significativo da vida social em cidades mineiras no século XX, especialmente em contextos marcados pela presença da indústria têxtil e pela forte influência da religiosidade católica na organização da vida cotidiana.

Trabalhador industrial, agente ativo da vida religiosa e participante das redes de solidariedade comunitária, Jacob Marra tornou-se uma figura respeitada em sua comunidade. A denominação de uma praça em sua homenagem constitui, portanto, uma forma de preservar sua memória e reconhecer sua contribuição para a vida social e religiosa de Itaúna. 

|Praça Jacob Marra -  Bairro São Geraldo 

Referências:

Pesquisa, elaboração e arte:

Charles Galvão de Aquino – Historiador  Registro nº 343/MG

Fonte:

CMI – Câmara Municipal de Itaúna - Projeto de Lei nº 95/87 – Lei nº 2076/87

Biografia apresentada pelo Presidente da Câmara Municipal de Itaúna, Antônio Augusto Fonseca, em 14 de outubro de 1987, por ocasião da proposta de denominação da Praça Jacob Marra, localizada no bairro São Geraldo, em Itaúna/MG.

Texto biográfico elaborado a partir da documentação legislativa preservada no arquivo da Câmara Municipal de Itaúna.

Imagem:

Reconstituição visual ilustrativa gerada por Inteligência Artificial, inspirada na biografia de Jacob Marra da Silva (“Cozinho”), apresentada em 1987 por Antônio Augusto Fonseca durante a tramitação do Projeto de Lei nº 95/87 para denominação de logradouro público em Itaúna.

A imagem não corresponde a um registro histórico, mas sim a uma interpretação artística que busca evocar o contexto social do personagem, sua atuação como trabalhador da Companhia de Tecidos Santanense, sua religiosidade e sua ligação com a comunidade itaunense. 

quarta-feira, março 04, 2026

ZÉ DO ZAQUEU

Personagens que dão nome às ruas de Itaúna

José Francisco da Silva – “Zé do Zaqueu” (1921–1986)

Entre os diversos personagens lembrados na toponímia urbana de Itaúna está José Francisco da Silva, conhecido popularmente como “Zé do Zaqueu”, cuja memória foi preservada na denominação de um logradouro público da cidade.

A biografia que fundamentou a homenagem foi apresentada em 1990 pelo vereador João Viana da Fonseca, durante a tramitação do projeto que propôs a denominação da via.

José Francisco da Silva nasceu em 10 de outubro de 1921, filho de Zaqueu Francisco da Silva e Maria Cândida da Silva.

Exerceu a profissão de alfaiate, atividade bastante comum nas cidades brasileiras ao longo do século XX, quando o ofício estava diretamente ligado à vida cotidiana das comunidades e ao atendimento personalizado dos moradores.

Além do trabalho, Zé do Zaqueu era conhecido por seu espírito sociável e pela facilidade de fazer amizades. Participava com frequência de encontros entre amigos, especialmente em rodas de música, onde gostava de cantar sambas e participar de serestas, uma tradição musical muito presente na cultura urbana mineira.

Outro aspecto lembrado na biografia apresentada à Câmara Municipal foi sua habilidade no futebol, esporte bastante presente no cotidiano.

Zé do Zaqueu destacou-se como jogador do Esporte Clube de Itaúna, tradicional equipe da cidade, popularmente conhecida pelos torcedores como “Esportão”. O clube teve papel importante na vida esportiva local e reuniu, ao longo de décadas, diversos atletas que marcaram o futebol amador itaunense.

Segundo registros da memória local, o talento demonstrado por Zé do Zaqueu no futebol chegou a levá-lo a atuar também fora da cidade, tendo passagem pelo Clube Atlético Mineiro, um dos principais clubes do futebol brasileiro.

A prática esportiva, somada à sua participação na vida social da cidade, contribuiu para que se tornasse uma figura bastante conhecida entre os moradores.

As recordações registradas na biografia destacam Zé do Zaqueu como uma pessoa muito querida em Itaúna, lembrado principalmente por sua convivência amistosa e pela participação em atividades culturais e esportivas da cidade.

Ele faleceu em 10 de outubro de 1986, no dia em que completava 65 anos de idade.

Quatro anos após seu falecimento, sua memória foi homenageada pelo poder público municipal com a denominação de um logradouro em Itaúna, iniciativa apresentada pelo vereador João Viana da Fonseca.

Esse tipo de homenagem faz parte de uma prática comum nas cidades brasileiras: a toponímia urbana, ou seja, a escolha de nomes de ruas e espaços públicos como forma de preservar a memória de pessoas que tiveram presença marcante na comunidade.

O estudo desses nomes permite compreender como as cidades constroem e preservam suas referências de identidade e pertencimento.

Projeto de Lei nº 140/90 - Lei 2472/91 - CEP: 35680-227

Denomina logradouro público.

O Povo do Município de Itaúna, por seus representantes decreta, e eu, em seu nome, sanciono a seguinte lei:

Art. 1º Denominar-se-á RUA ZÉ DO ZAQUEU, o logradouro público que tem seu início na Av. Dorinato Lima, passando pela quadra 11 e terrenos de propriedade do senhor João de Cerqueira Lima e terminando na rua Vasco Mendes, localizado no Conjunto Residencial Morro do Engenho, zona 03.

Art. 2º A Prefeitura Municipal de Itaúna providenciará a colocação de placas indicativas, bem como a comunicação à Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e à Companhia de Minas Gerais - CEMIG.

Art. 3º Revogadas as disposições em contrário, esta lei entrará em vigor na data de sua publicação

Sala das Sessões, em 12 de dezembro de 1990.

<João Viana da Fonseca> - Vereador

Aprovado em 1ª discussão em 13/02/1991


Referências:

Pesquisa, elaboração e arte: Charles Galvão de Aquino – Historiador Registro nº 343/MG

Fonte:

CMI – CÂMARA MUNICIPAL DE ITAÚNA  

Projeto de Lei nº 140/90 - Lei 2472/91 - CEP: 35680-227

Biografia apresentada pelo vereador João Viana da Fonseca à Câmara Municipal de Itaúna em 1990, por ocasião da proposta de denominação de logradouro público.

Imagem:

Reconstituição visual ilustrativa gerada por Inteligência Artificial, inspirada na biografia de José Francisco da Silva (“Zé do Zaqueu”), apresentada em 1990 pelo vereador João Viana da Fonseca durante a proposta de denominação de logradouro público em Itaúna.

A imagem não corresponde a um registro histórico, mas sim a uma interpretação artística que busca evocar o universo social do personagem, sua profissão de alfaiate e sua ligação com o futebol itaunense, incluindo referência ao Clube Atlético Mineiro.

terça-feira, agosto 10, 2021

segunda-feira, dezembro 30, 2019

quarta-feira, outubro 16, 2019

GUARANY NOGUEIRA

Lei Municipal 3477/99 — CEP: 35681-750
Denomina logradouro público: Distrito Industrial Guarany Nogueira / Rod. MG-050

GUARANY NOGUEIRA

Na rua Silva Jardim, naquele tempo suja, esburacada e cheia de pedras, numa casa antiga, local onde moravam os herdeiros de Cândido Perillo, em 20 de agosto de 1902, nasceu Guarany Nogueira, filho de Manoel Zacharias Nogueira e de Dona Aureslina de Faria Nogueira.
O Guarany tem praticamente a idade do município de Itaúna, instalado a 2 de janeiro de 1902. Presenciou a festa no útero de sua progenitora e deve ter sentido no seu ainda incipiente coração, todas as emoções da jovem mãe. Nasceu oito meses depois. Por isso tano ama Itaúna!
Em 1918 e 1919, transformou-se em representante de gado vacum e suíno. Nas horas vagas, estudava no Externato de Pará de Minas. Em 1920, estabeleceu-se com uma casa de cereais na rua da Ponte. O ano de 1921 foi decisivo em sua vida: trabalhou como quarteio no Hotel Internacional em Belo Horizonte, o melhor e maior da jovem capital. Encarregado de arrumação, gostava das coisas limpas, varria cuidadosamente cada quarto.
Encontrou logo sua verdadeira vocação: Comerciante. Empregou-se na Casa Abras e, até 1925, frequentou a melhor universidade de negócios da época, a rua dos Caetés, constituída principalmente de sírios e libaneses. Passou a viajante comercial da Casa Aziz Abras. Este notável comerciante foi seu grande amigo e protetor.
Conheceu em Santo Antônio do Monte, ainda adolescente, com seus 15 anos, menina-moça, a paixão definitiva de sua vida: Maricas. Aconteceu o primeiro encontro de Guarany com Maricas, sempre acompanhada de amigas. Uma delas, a Pautilha, pianista, tocava sempre para o Magalhães Pinto, também de Santo Antônio do Monte.
Em 10 de abril de 1926, casou-se em Santo Antônio do Monte, onde seu amigo e padrinho Aziz Abras não pode ir, por causa das enchentes do Rio São João em Itaúna. Os trilhos e pontilhões da antiga várzea, inundados, impediram que as “Marias Fumaças” da R.M.V. neles transitassem.
Deste casamento nasceram Guaracy de Castro Nogueira e Eneida Nogueira. Esteve casado e feliz durante 42 anos com Maricas.  Logo após o casamento, Guarany comprou de José Fagundes, na Rua do Rosário, sua casa própria, em 4 de setembro de 1926. Nela montou sua própria loja, adquirindo a parte do Pinheiro, morando nos fundos.
Tornou-se grande acionista das maiores empresas mineiras e, em Itaúna, tem posição de destaque entre os maiores acionistas das Companhias Industrial Itaunense e de Tecidos Santanense. É membro do Conselho Consultivo da primeira e do Conselho Fiscal da segunda.
Em 1950, Itaúna, sem clube, discutia sobre a possibilidade de construir um outro, pois o antigo “Clube Itaunense” desaparecera. Enfrentando opiniões, muitas vezes contrárias, com Vandeir Nogueira e Modestino Gonçalves Franco, construiu, inaugurou e entregou o Automóvel Clube.
Guarany Nogueira, um autêntico itaunense, retrato vivo e sofrido do verdadeiro barranqueiro do Rio São João.

Guaracy de Castro Nogueira

Ano de 1987


 Guarany Nogueira


REFERÊNCIAS:
Organização e Elaboração: Charles Aquino.
Acervo: Instituto Cultural Maria de Castro Nogueira
Acervo e Projetos de Leis dos Logradouros: Câmara Municipal de Itaúna.
Pesquisa: Charles Aquino Patrícia Gonçalves Nogueira.
Correios CEP
Texto biográfico: Guaracy de Castro Nogueira -  JORNAL A VIOLETA,  Ed. Especial, em 20 de agosto de 1987, para comemorar os 85 anos de Guarany Nogueira


quarta-feira, maio 03, 2017

RUAS DE ITAÚNA

HISTÓRIA DAS RUAS DE ITAÚNA  MG
LOGRADOUROS DE ITAÚNA

Em meio à agitação da vida contemporânea, entre compromissos profissionais, responsabilidades diárias e a pressa constante que marca nossos dias, atravessamos ruas e praças quase sem perceber os nomes que identificam esses espaços.

Utilizamos naturalmente as denominações estampadas nas placas, mas raramente refletimos sobre o fato de que esses nomes pertenceram a pessoas reais, homens e mulheres que viveram, sonharam, trabalharam e construíram suas trajetórias nos mesmos lugares por onde hoje caminhamos.

Na dinâmica da cidade, os nomes daqueles que já partiram acabam, muitas vezes, reduzidos a simples referências geográficas. Pouco a pouco, perdem seu significado original e deixam de ser lembrados como vestígios de vidas que contribuíram para a formação da comunidade e da própria identidade urbana.

Nossa proposta é apresentar as múltiplas versões de Itaúna, a cidade do presente e a cidade do passado, resgatando as histórias daqueles que ajudaram a moldá-la.

Professores, médicos, advogados, comerciantes, donas de casa, juízes, barbeiros, padres e tantos outros ocuparam funções e espaços que, em muitos aspectos, ainda ecoam no cotidiano atual. Cada um, à sua maneira, deixou marcas na construção histórica e humana da cidade.

Embora muitas dessas trajetórias tenham se perdido nas profundezas da memória coletiva, seus nomes permanecem vivos em placas de ruas, monumentos, bustos e homenagens espalhadas pela cidade. São fragmentos silenciosos de histórias que merecem ser revisitadas.

Seria impossível narrar a vida de todos aqueles que deixaram suas marcas em Itaúna. Ainda assim, buscamos reconhecer e homenagear ao menos parte dessas figuras, conhecidas ou anônimas, que participaram da construção da cidade que conhecemos hoje.

Convidamos você a percorrer conosco esta viagem pela memória de Itaúna, observando cada placa com mais atenção, questionando a origem dos nomes que cruzam nosso caminho e redescobrindo as histórias daqueles que vieram antes de nós. Afinal, compreender uma cidade também é compreender as pessoas que lhe deram forma ao longo do tempo.

 © RUAS DE ITAÚNA

Projeto independente de memória, história e patrimônio cultural.

Texto, pesquisa, arte e concepção:
Charles Galvão de Aquino
Historiador — Registro Profissional nº 0000343/MG