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sábado, março 21, 2026

GALERIA AHMÉS

GALERIA DE ARTE EM ITAÚNA MG

Galeria voltou, mas a memória?

Entre o esquecimento e a retomada, Itaúna é chamada a decidir o que fará com a sua própria história. A reabertura da Galeria Ahmés de Paula Machado, no dia 19 de março de 2026, não representa apenas a reativação de um espaço físico. Ela recoloca uma questão essencial: o que a cidade faz com a sua memória cultural?

Antes de qualquer celebração, é necessário perguntar: quantos itaunenses, de fato, sabem quem foi Ahmés de Paula Machado?

Parte dessa resposta foi registrada pelo pesquisador e professor Guaracy de Castro Nogueira, cuja biografia constitui uma das principais referências sobre o artista. Nela, Ahmés aparece como um nome que ultrapassa os limites locais: formado pela Escola Nacional de Belas Artes, premiado em salões oficiais e com formação complementar em importantes centros europeus como Paris, Roma e Florença.

Sua trajetória o insere no circuito mais amplo da arte brasileira, o que constitui um dado fundamental, pois reduzi-lo a um “orgulho local” implica limitar sua dimensão histórica. Mais do que um artista itaunense, barranqueiro do antigo arraial de Sant'Ana do Rio São João Acima, Ahmés integra uma geração que dialogou com a consolidação da arte moderna no Brasil. Ainda assim, essa relevância não se converteu plenamente em memória pública.

Em outubro de 2023, na coluna “Na ponta da caneta”, o jornalista Renilton Pacheco denunciou o enfraquecimento das estruturas culturais da cidade, apontando, entre outros aspectos, a descaracterização da própria galeria que leva o nome do artista.

Sua crítica registrou uma percepção concreta: a perda de continuidade na preservação e no fomento das expressões culturais locais. Quando uma cidade perde seus espaços de arte, ela não perde apenas equipamentos ela compromete sua capacidade de transmitir história.

A própria Prefeitura de Itaúna, em comunicação oficial recente (2026), reconhece que a galeria permaneceu “afastada de sua função original” por um longo período, sendo utilizada para outras finalidades antes de seu atual processo de readequação.  Ao mesmo tempo, apresenta a reinauguração como parte de um movimento de revitalização e retorno ao circuito artístico da cidade.

Esse reconhecimento é relevante. Ele confirma que houve ruptura. É importante situar que esse processo de afastamento da função original da galeria não se vincula exclusivamente ao momento administrativo atual, mas resulta de uma trajetória anterior de descontinuidade no uso e na gestão do espaço. Nesse sentido, a reabertura promovida no presente indica não apenas uma ação administrativa pontual, mas o reconhecimento de uma lacuna que se acumulou ao longo do tempo.

Esse enquadramento permite compreender a iniciativa atual não como origem do problema, mas como parte de uma tentativa de reposicionamento do espaço dentro do cenário cultural da cidade.

A realização da exposição coletiva “Entre Gestos e Silêncios”, reunindo artistas locais no espaço agora reaberto, representa mais do que uma agenda cultural pontual. Indica uma tentativa de reconectar a galeria à sua finalidade original: ser um lugar de difusão das artes visuais e de encontro entre artistas e público.

Nesse sentido, a presença de artistas locais assume um papel central. Mais do que ocupar o espaço, ela contribui diretamente para a continuidade e a difusão da produção artística em Itaúna. É a partir dessa participação que se torna possível construir um vínculo real entre o legado de Ahmés de Paula Machado e a criação contemporânea, estabelecendo não apenas uma homenagem ao passado, mas uma dinâmica viva de produção cultural.

Sem a inserção contínua de artistas da própria cidade, a galeria corre o risco de se tornar apenas um espaço expositivo eventual. Com eles, ao contrário, abre-se a possibilidade de consolidar um processo permanente, no qual memória e criação caminham juntas.

É justo reconhecer que a atual administração pública promove, neste momento, aquilo que pode ser entendido como um “resgate do espaço”. Mas é justamente aqui que a análise precisa avançar. Resgatar um espaço não é, por si só, reconstruir uma política cultural.

Para que esse movimento se consolide, será necessário mais do que eventos: será preciso continuidade, formação de público, incentivo à produção artística e compromisso com a preservação da memória cultural.

Caso contrário, corre-se o risco de transformar o resgate em episódio e não em processo. E é nesse ponto que a figura de Ahmés retorna como questão central. Como transformar um nome em referência viva? Como fazer com que sua obra seja conhecida, estudada e integrada ao presente da cidade?

A reabertura da Galeria Ahmés de Paula Machado é, sem dúvida, uma boa notícia. Ainda assim, a questão permanece: Itaúna está apenas reabrindo um espaço, ou está disposta a reconstruir, de forma contínua, sua memória cultural?

 

Referencias:

Elaboração e arte: Charles Aquino.

Imagem gerada por inteligência artificial para fins ilustrativos.

Fontes:
NOGUEIRA, Guaracy de Castro. Biografia de Ahmés de Paula Machado.
PACHECO, Renilton. Na ponta da caneta. Jornal Folha do Povo, 21 out. 2023.

Prefeitura Municipal de Itaúna - Galeria de Arte Ahmés de Paula Machado: exposição coletiva “Entre Gestos e Silêncios”


quinta-feira, março 19, 2026

AHMÉS DE PAULA MACHADO

Artista Itaunense na galeria de artes Itaúna

Itaunense, barranqueiro do São João, orgulho-me e muito de ter nascido nesta terra, sob a proteção da Senhora Sant´Ana.

 Orgulho-me, mais, dos conterrâneos que tenho e de quantos adotaram Itaúna como berço de nascimento, e brilham em vários setores de atividade. Itaúna é rica de valores humanos.

 Ultimamente eu os tenho biografado e vejo que são muitos os que merecem estar no “pódium” dos vitoriosos.

Um deles, sem dúvida, é AHMÉS DE PAULA MACHADO, filho de Ovídio Nogueira Machado e de Zélia de Paula Machado, que se casaram em Joeba, no Espírito Santo, em 20 de setembro de 1920.

 Bisneto, pelo lado paterno, de Justino José Machado e de Purcina Nogueira Duarte, de antigas e tradicionais famílias que enobrecem nosso rico passado histórico. Como tal, pentaneto de Tomás Teixeira, um dos fundadores de Itaúna e hexaneto de João Lopes de Camargo, um dos fundadores de Ouro Preto. 

Pelo lado materno, descende de Manoel José de Souza Moreira e de Anna Joaquina de Jesus, bonfinenses e pitanguienses que aqui chegaram nos meados do século XVIII, para lançar, posteriormente, a semente da industrialização de mossa cidade. 

Neto pelo lado paterno de Josias Nogueira Machado, um dos responsáveis pela emancipação do Município, e de Teresa Gonçalves Nogueira, heróica mulher que miscigenou o sangue dos Gonçalves com o dos Nogueira Machado. 

Neto pelo lado materno de Celso Nazário de Paula e Amélia Gaigher de Paula, uma injeção de sangue austríaco e italo-capichaba, que deu certo, na geração de gente de rara inteligência, amante da cultura e das artes, com grande vocação também para as ciências exatas e para o magistério.

Ahmés, grande e genial pintor, artista consagrado nacional e internacionalmente, nasceu em Itaúna aos 16 de julho de 1922. Sem dúvida, o maior artista plástico de nossa cidade. Além de pintor era também escultor. Adorava música clássica. Apreciava e convivia com todas as artes. 

Profundamente culto, não se envaidecia, cultivava a simplicidade, lia e falava corretamente quatro idiomas estrangeiros: francês, inglês, italiano e alemão. Navegava com brilho e rigor no português e, claro, não tinha dificuldades, na língua irmã, o espanhol. Poliglota completo e invejável!

No primário em Itaúna, foi aluno da professora Arthumira de Oliveira Gonçalves, quando já manifestava sua vocação artística para o desenho e a pintura. Secundário, em Belo Horizonte. Ali, na famosa “Casa de Itália”, centro cultural ítalo-brasileiro, fez estudos aprimorados de desenho com o renomado arquiteto italiano Rafaello Berti, autor do projeto de nossa Igreja Matriz.

     Em 1935, com apenas 13 anos de idade, ganhou o primeiro prêmio em desenho com o quadro “Moisés”, exposto, hoje em Iconha, na terra natal de sua mãe, no Espírito Santo. Com 14 anos, outro prêmio, com o quadro “Tiradentes”.

Aos 17 anos de idade, muito jovem, mas com muita garra, foi para o Rio de Janeiro a fim de realizar e concretizar seu sonho de estudos na Escola de Belas Artes da Universidade do Brasil, onde foi aluno de Cândido Portinari.

Yedda, sua irmã, escrevendo com brilho sobre ele, reproduz palavras de Marques Rabelo vaticinando seu futuro: “Dentro de mais alguns anos Minas Gerais há de se orgulhar do pequeno garoto de Itaúna”. Ahmés estava com 19 anos de idade.

Fez pós-graduação em pintura na mesma Universidade. Nela obteve três significativas medalhas de premiação: Medalha de Prata, Pequena Medalha de Ouro e Grande Medalha de Ouro!

Seus quadros “Dois Nus”, “O Circo” e “Auto-retraro” foram premiados com Medalha de Ouro.  O “Auto-retrato”, exposto nos EUA, foi adquirido e permanece exposto em museu.

Em 1952, recebeu o prêmio “O Globo” pelo melhor desenho do Salão Nacional de Arte Moderna e, no ano seguinte, graças a seu prestigio adquirido nos meios artísticos, participou como jurado nesse mesmo “Salão Nacional de Arte Moderna” e em dois outros: “Salão do Clube Militar” e “I Festival de Cinema do Rio de Janeiro”.

     Três anos depois, em decorrência do aprimoramento de seus trabalhos, projeção de seu nome na Escola de Belas Artes e no cenário artístico principalmente do Rio de Janeiro, em 1955, recebeu o maior prêmio que se concedeu a um artista no Brasil. 

     Viagem de estudos a Europa, com duração de três anos: 6 meses em cada um dos centros de maior expressão na Itália: Nápoles, Roma e Florença; mais três meses em Londres, três meses em Madrid, e, como coroamento, um ano na França, em Paris. 

     Foram três anos de grande atividade artística que marcaram profundamente sua vida, sua obra e sua maneira de ser. Um verdadeiro “banho com as melhores essências” da cultura artística, ampliado nos melhores e mais importantes centros da Europa. 

     Cito apenas alguns: no Museu do Vaticano – um conjunto de galerias, monumentos e museus pontifícios, sem dúvida um dos mais importantes do mundo, pela grandeza das obras e pelos cenários nos quais estão preservados o que foi criado para eles: a Capela Sistina, onde pontifica Dante Alighieri, as “Stange” de Rafael e os Aposentos dos Borgias, etc. são monumentos de transcendental importância histórica e artística. 

     Em Florença, no Museu Uffizi, com seu acervo de excepcional qualidade; na Vila Borghese onde está o museu consagrado à escultura (obras primas de Bernini), a Galeria Borghese com sua coleção de pinturas de Caravaggio e Ticiano. Tudo isto na Itália. 

     Na França, só o Louvre em Paris é um espetáculo completo, imenso palácio cujos braços cercam as verdes Tulherias, alcançando até a Praça da Concórdia, com o Jeu de Paume, dedicado aos impressionistas – um museu que guarda os tesouros de séculos e de inúmeras nações. Na França, Ahmés foi aprovado para o Curso de Gravura da L´Ecole des Beaux Arts”. 

     Na Espanha, no Museu do Prado em Madrid encontrou reunido o acervo fascinante de obras dos mestres, entre os séculos XV e XVIII. Na Holanda, Amsterdam, entrando no Rijksmuseum, riquíssimo museu, passou pelas duas portas principais: numa estão as estatuas de lindas mulheres- a Arquitetura e a Escultura; noutra, outras duas fascinantes mulheres: a Pintura e a Gravura. 

     Na Inglaterra, no Museu Britânico de Londres, considerado o primeiro museu “público” – distinto de “privado “, fundado há 250 anos, encontrou ao lado do tradicional e rico museu geral sua grande biblioteca especializada em artes; na Galeria Nacional está uma das maiores pinacotecas da Europa, exibindo pinturas de Rembrant, Rubens, van Dick e – sobretudo – o magnífico grupo de telas de Claude Lorrain.

     Imaginem, queridos conterrâneos, o que o inteligente, culto e poliglota Ahmés viu, estudou e aprendeu neste “oceano” de beleza e riqueza artística, durante três longos anos!

     Voltou a Brasil, tornou-se professor, dedicou-se ao magistério e ao seu trabalho intenso como pintor, gravador (especialmente a Litografia), criando e ensinando com toda sua grande capacidade e interesse. Escreveu “Um Manual de Litografia”, completo e perfeito, único no Brasil.

     E, com sua enorme bagagem, foi presença constante nas mais famosas e disputadas exposições no Brasil e nos EUA. O pintor possui obras nos principais acervos de museus deste país e sua pinacoteca pertence hoje a sua família e à Escola de Belas Artes da Universidade do Brasil, onde seus quadros estão permanentemente expostos em uma sala juntamente com uma homenagem de honra que, meritoriamente recebeu.

     Em 1947, casou-se com sua colega de escola, Maria Beatriz Oswald Machado, também pintora, (Bete) com vários trabalhos em Itaúna, grande retratista, é autora de um magnifico trabalho que enriquece meu lar, o retrato de minha mãe. 

     Deste feliz casamento ficaram duas filhas, Maria e Maria Cândida, residentes em Petrópolis, onde Ahmés instalou seu domicílio em caráter definitivo.

Ahmés de Paula Machado deu sua vida para a arte. Ficava horas em seu atelier trabalhando com litografia nos últimos tempos.

     Três amores marcaram profundamente a vida deste grande e ilustre conterrâneo: a família, a arte e Itaúna.  Em férias, só pensava em Itaúna. Só amava, só gostava de Itaúna. Seu sonho era comprar um sítio em Itaúna para quando se aposentasse, viesse morar no meio de sua gente, que tanta amava.

     Não conseguiu realizar seu sonho, mas quis o destino, e Deus o presenteou, dentro de seus inexplicáveis desígnios, que falecesse em Itaúna, quando aqui passava férias, a 24 de fevereiro de 1985, com 63 anos de idade, incompletos.

     Só Ele tem o poder de ressuscitar os mortos, mas nossa admiração, nosso respeito e nosso carinho pelo grande Ahnés, estão contribuindo para ressuscitar sua memória, neste espaço cultural, para as homenagens e o reconhecimento dos itaunenses!

                   

 Guaracy de Castro Nogueira

Discurso proferido, a convite do Diretor do Departamento de Cultura da Secretaria de Educação do Município de Itaúna, Professor Elimar Alves Pereira, às 20 horas, do dia 21 de novembro de 2003, na homenagem que se prestou ao artista plástico itaunense, na “Galeria de Artes Ahmés de Paula Machado”, em nosso Espaço Cultural.

 Imagem gerada por inteligência artificial para fins ilustrativos.

Organização: Charles Aquino

segunda-feira, agosto 30, 2021

CENTRO ADMINISTRATIVO

 REGISTRO HISTÓRICO PEDRA FUNDAMENTAL

CENTRO AMINISTRATIVO MUNICIPAL

BLOCO I

EDIFÍCIO ANTÔNIO AUGUSTO DE LIMA COUTINHO

Osmando Pereira da Silva

Prefeito de Itaúna

Antônio Miranda

Vice - Prefeito

Francisco Saldanha Franco

Presidente da Câmara

Walace Corradi

Secretário Municipal de Regulação Urbana

Sérgio de Castro

Secretário Municipal de Infraestrutura e Serviços

Renato Corradi Bechelaine

Secretário Municipal de Administração

Ailton Darlan Ribeiro

Gerente Superior de Arquitetura e Projetos

 VEREADORES QUE APROVARAM A CONSTRUÇÃO

 CENTRO AMINISTRATIVO MUNICIPAL DE ITAÚNA

Alex Artur da Silva

Hélio Machado Rodrigues

Antônio José de Faria Júnior

Leonardo Santos Rosinburg

Edio Gonçalves Pinto

Lucimar Nunes Nogueira

Gilberto Emanuel Silva

Maurício Aguiar

Gleison Fernandes de Faria

Nilzon Borges Ferreira

 Projeto Arquitetônico elaborado pela empresa U.M.A. Gestão de Projetos

Itaúna, 28 de dezembro de 2016

Itaúna uma cidade para viver, trabalhar e ser feliz!

   Além de sua carreira médica, Dr. Coutinho também se envolveu na vida pública de Itaúna. Como prefeito, de 1947 a 1951, ele se concentrou em melhorias essenciais para o município, especialmente em saneamento básico e saúde pública. Foi um defensor ardente da Revolução de 1930 e atuou como líder integralista. Sua gestão foi marcada por iniciativas importantes, como o desenvolvimento de um plano diretor e a construção da Barragem do Benfica, que trouxe benefícios duradouros para a cidade. Na educação, Dr. Coutinho e sua esposa, Nair Chaves, também desempenharam papéis fundamentais. Ele lecionou francês e psicologia educacional, contribuindo para a formação de novas gerações com o mesmo vigor com que praticava a medicina.

   Dr. Coutinho foi um exemplo de dedicação e serviço à comunidade. Sua vida foi marcada pela busca incessante de melhoria das condições de saúde e bem-estar da população. Dr. Coutinho é lembrado não apenas por suas realizações profissionais, mas também por seu caráter íntegro, sua paixão pelo ensino e sua devoção à família e à fé. Sua história inspira e honra a memória daqueles que valorizam a integridade e a dedicação ao próximo. Seu falecimento, aos 84 anos, em 10 de junho de 1982, deixou um legado duradouro.









REFERÊNCIAS:

Organização e Pesquisa: Charles Aquino

Acervo: Prefeitura Municipal de Itaúna, Charles Aquino, Prof. Marco Elísio

Fotografia e Arte: Charles Aquino

PMI - Avenida Boulevard, 153 - Centro, Itaúna - MG, 35680-760