Memorial Senócrit Nogueira é um
tributo significativo a um dos mais importantes personagens da história de
Itaúna, Minas Gerais. Senócrit Nogueira, cuja vida foi marcada por uma profunda
dedicação ao desenvolvimento e progresso de Itaúna, deixou um legado duradouro
que ainda ressoa na cidade.
Senócrit Nogueira foi um dos
principais responsáveis pela elevação do distrito de Santana do São João Acima
à condição de município, contribuindo para a emancipação de Itaúna. Sua atuação
foi fundamental na promoção do bem-estar da comunidade, seja na política,
economia ou cultura local. Ele participou ativamente da vida pública e
trabalhou incessantemente para o desenvolvimento de Itaúna, o que fez com que
seu nome se tornasse sinônimo de compromisso e patriotismo. A sua liderança e
visão estratégica ajudaram a consolidar Itaúna como um importante centro
regional.
O memorial não apenas honra a
memória de Senócrit Nogueira, mas também serve como um símbolo de sua
contribuição inestimável para a história da cidade. Este Memorial é um ponto de
reflexão sobre o passado de Itaúna e a importância de líderes visionários na
construção de um futuro melhor. A preservação da memória de Senócrit Nogueira
através deste memorial é crucial para manter viva a história e os valores que
ele representava. É um lembrete constante do impacto que uma única pessoa pode
ter em uma comunidade, incentivando os itaunenses a seguir seu exemplo de
dedicação e amor pela cidade.
O historiador João Dornas Filho
destaca que para as gerações futuras, o nome de Senócrit Nogueira servirá como
símbolo de compromisso inabalável, paixão e amor por Itaúna. Ao longo da rica
história do município, que se estende por longos anos, o seu nome esteve
entrelaçado com inúmeras iniciativas destinadas a promover e celebrar a sua
querida pátria. Em todos os aspectos da trajetória de Itaúna fica a marca
indelével de Senócrit Nogueira, inspirando as gerações futuras com sua
dedicação e patriotismo.
Construído na gestão do Prefeito Francisco Ramalho da Silva Filho, projeto do arquiteto Hélio Ferreira Pinto, no
estilo da Arquitetura Internacional, o edifício que abriga a Câmara Municipal é
um espaço para manifestações culturais da cidade e foi inaugurado em 30 de
dezembro de 1988.
A edificação é representantes das
construções da década de 80 ocorridas na cidade, juntamente com a urbanização
da avenida Jove Soares e caracteriza-se como uma importante referência para os itaunenses.
Construída para abrigar a Câmara Municipal, a arquitetura contemporânea da edificação fica dividida em dois
blocos: Um ortogonal para os gabinetes e outro circular para o plenário, ambos
ligados por rampa que conforma externamente estreita ligação.
O primeiro bloco implanta-se acima do
nível da rua, tem três pavimentos e segue estilo modernista. Intercala planos
de vidro com paredes cegas em mármore e brises verticais que configuram
importantes linhas para a composição. O prédio é acessado por larga escada e
ampla porta de vidro blindex.
No subsolo fica o Arquivo da Câmara e
o estacionamento por rampa lateral direita. O imóvel sustenta seus principais
aspectos físicos estruturais e compositivos, com todos os elementos desempenhando
plenamente suas funções.
Referências:
Organização para o blog Itaúna Décadas: Charles Aquino (Agosto/2021)
Texto: Sandra Márcia Bernandes (Fevereiro/2003)
Levantamento e Elaboração: Patrícia
Pereira (Fev/Março/2003)
Uma carta escrita por
Senócrit Nogueira em 2 de julho de 1949, endereçada ao prefeito Antônio Augusto de Lima
Coutinho, em resposta a um convite para participar das comemorações do
cinquentenário de Itaúna. A carta é formal e reflete o contexto da época, evidenciando
a importância das celebrações cívicas e a reverência pelas figuras proeminentes
da comunidade.
A abertura da carta destaca a
recepção do convite às 8 horas da manhã, demonstrando a formalidade e a
precisão de Senócrit em registrar o momento exato em que foi notificado. Essa
atenção aos detalhes reforça o respeito e a seriedade com que trata o convite.
A menção à impossibilidade de comparecer à reunião, marcada para o dia
seguinte, é justificada por dois motivos: o curto prazo de convocação e seu
estado de saúde. Esse ponto revela uma preocupação em manter uma comunicação
transparente e respeitosa, mesmo diante de uma negativa.
Senócrit expressa seu apreço pela
iniciativa do prefeito de celebrar o cinquentenário de Itaúna, referindo-se ao
município como "meu querido município" e enfatizando seu vínculo
afetivo e de nascença com a localidade. Ele reconhece a justa consideração que
os habitantes de Itaúna têm pelo prefeito, evidenciando a importância das
lideranças locais na construção e manutenção do espírito comunitário.
A carta também revela uma
profunda ligação emocional com o município ao lamentar a morte de seus irmãos,
Dr. Augusto Gonçalves e Josias Nogueira, que foram membros da Comissão Criadora
do Município. Esse lamento é uma expressão de saudade e de reconhecimento pelo
papel fundamental que seus irmãos desempenharam na história de Itaúna.
Ao final, Senócrit manifesta um
desejo quase premonitório, pedindo a Deus que lhe conceda vida até 2 de janeiro
de 1952, quando completará 81 anos, 8 meses e 8 dias. Essa especificidade
numérica é intrigante e sugere uma profunda reflexão sobre o tempo e a vida. A
carta encerra com uma pergunta retórica ao prefeito sobre a possibilidade de
ser atendido em seu pedido de longevidade, o que adiciona um tom de esperança e
fé ao texto.
Em termos de estilo, a carta é
escrita em uma linguagem formal e respeitosa, típica da época. A escolha das
palavras e a estrutura das frases refletem um alto grau de educação e
consideração pelo destinatário. No geral, o texto é uma demonstração de
respeito, saudade e esperança. A formalidade e o tom pessoal da carta revelam a
importância das relações comunitárias e a reverência pelas figuras históricas e
familiares em um contexto de celebração cívica. A análise crítica desse texto
destaca a profundidade emocional e a riqueza histórica presentes na
correspondência, oferecendo um vislumbre do caráter e dos valores de Senócrit
Nogueira.
Acabo de receber agora as 8 horas do
dia o se[...] e honroso convite para fazer parte da Comissão [...] das
comemorações a serem feitas na data do ano [...] da criação deste meu querido
município – Itaúna que fará 50 anos, cuja reunião deverá se realizar amanhã 3 do corrente na Escola Normal d’ahí e não podendo comparecer não só pela escassez
do prazo como também por me achar adoentado e por isso, pedindo desculpas,
apreço-me em felicitar – lhe pela a patriótica inciativa que demonstra ter adotado
a minha terra [ao mesmo] será de nascença, cujos habitantes lhe prestam as
justas e merecidas considerações.
Escusado em dizer que estou de alma e
[coração] em acordo que a Comissão resolver. Finalizando, lamento com saudades
a morte dos meus dois irmãos companheiros - Dr. Augusto Gonçalves e Josias Nogueira,
da Comissão Criadora do Município.
Peço a Deus para me conceder mais a
vida até 2 de janeiro de 1952, data da Instalação do Município, que estarei então
com 81 anos, 8 meses e 8 dias.
Filho
do tenente coronel Zacarias Ribeiro de CamargoseDª Ana Nogueira de castro, o
major Senócrit Nogueira nasceu na fazenda da "República" a 24 de
abril de 1870.
Aos dez anos de idade, quando já assumia a direção da aula do
mestre José João nas faltas do professor, concluía o curso primário e tomava as
responsabilidades da escrituração da fazenda paterna.
Em
1894 edificava a Capela do Senhor dos
Passos no largo desse nome, e demolida em 1950. Em 1895 era eleito
presidente do Clube Teatral e no ano seguinte presidente do Clube Literário e Progressista,
associações recreativas e culturais que grandes serviços prestaram à população
de Santana.
No
ano de 1898, como presidente de uma mesa eleitoral do distrito, fez da Junta
Apuradora do Pará, e depois da Junta da Comarca em Sabará, quando evitou, por
sua energia, a depuração de um deputado legitimamente eleito.
Homem
enérgico, inteligente e trabalhador, muito cedo era figura indispensável nos
empreendimentos locais de desenvolvimento do distrito, sendo eleito em 1895
para o cargo de Juiz de Paz, que exerceu até 1897.
Vereador
do distrito à Câmara Municipal do Pará, de 1898 a 1900, fez passar várias Leis
de interesse para o nosso crescimento, e em 1901 era eleito Presidente do
Conselho Distrital quando, junto com o Dr. Augusto Gonçalves, iniciou a
campanha para a criação do município.
O
trabalho que então desenvolveu para a consecução deste desiderato foi
admirável. Todas as providências necessárias para este fim, como a aquisição
dos edifícios para a Câmara Municipal e a Escola Pública, foram por ele,
coadjuvado neste passo pelos suplentes de vereador Jove Soares Nogueira e
Washington Alves da Cunha.
A
documentação justificativa da criação do município apresentada por Senócrit Nogueira ao deputado José Gonçalves de Sousa atesta a dedicação e o empenho que
punha no empreendimento. Vitoriosa a ideia pela Lei Estadual de 16 de Setembro
de 1901, era nesta data nomeado coletor estadual que ocupou até 1906.
A
batalha da fundação do município teve lances emocionantes que é bom relembrar,
como o da manobra do município de Bonfim para não perder o distrito de Conquista.
O chefe bonfinense Dr. Moreira da Rocha, não se conformado com o desmembramento
de tão próspero distrito, fundou junto à sede deste, com o fim de ficar com a
melhor parte, um novo distrito, como aliás permitia em certas condições, a
legislação em vigor deu-lhe o nome de Floriano Peixoto, e mandou logo que se
fizesse o lançamento de impostos e tomou outras medidas que caracterizassem a
soberania do município de Bonfim sobre o novo distrito.
Senócrit
Nogueira intervém então energicamente para anular a manobra e, aconselhado por
amigos, convida os contribuintes do distrito de Conquista a pagar os seus
impostos em Itaúna. E sabendo que um inventário de pessoa residente no novo
distrito estava se processando em Bonfim, entrou em juízo com uma petição de nulidade,
acolhida pela justiça do Pará, que ordenou o processamento pelo município de
Itaúna.
O
Major Senocrit Nogueira exerceu o cargo de Coletor Estadual até quando foi
nomeado secretário da Câmara Municipal e seu coletor, cargo que desempenhou desveladamente até 1920, juntamente com
o de delegado de polícia.
Em
1908, com a cooperação de Damas de Caridade do Sagrado Coração de Jesus,
adquiriu uma casa na rua 14 de julho, hoje rua Diógenes Nogueira, com o fim de
transformá-la em abrigo dos pobres, casa que prestou serviços até 1951, quando
foi demolida.
Padrinho
de Rossini Cândido Nogueira, criou-o e educou-o o nosso biografado, ordenando-o
padre em 1927 falecido em Juiz de Fora em 1941, o padre Rossini, pelos seus
dotes intelectuais foi uma saliente figura do clero mineiro.
Chefe
do serviço do recenseamento de 1920, em Itaúna passava o nosso biografado em
1921 para Belo Horizonte, onde fixou residência e foi nomeado funcionário da
Prefeitura Municipal aposentando-se em 1936.
Homem
público, funcionário exemplar, amigo dedicado dos interesses da sua terra,
homem de religião e de sociedade, batalhador infatigável, patriota da mais
nobre estirpe, filantropo e benemérito cidadão itaunenese Senócrit Nogueira
foi um dos fundadores do Partido Republicano Mineiro, que a sua inteireza moral
abandonou quando viu desviados os seus princípios. As novas gerações de Itaúna
hão de sempre reverenciar a figura do nobre ancião e nela beber os mais sadios
exemplos de patriotismo e inteireza.