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domingo, dezembro 24, 2023

MEMORIAL SENÓCRIT NOGUEIRA

Memorial Senócrit Nogueira é um tributo significativo a um dos mais importantes personagens da história de Itaúna, Minas Gerais. Senócrit Nogueira, cuja vida foi marcada por uma profunda dedicação ao desenvolvimento e progresso de Itaúna, deixou um legado duradouro que ainda ressoa na cidade.

Senócrit Nogueira foi um dos principais responsáveis pela elevação do distrito de Santana do São João Acima à condição de município, contribuindo para a emancipação de Itaúna. Sua atuação foi fundamental na promoção do bem-estar da comunidade, seja na política, economia ou cultura local. Ele participou ativamente da vida pública e trabalhou incessantemente para o desenvolvimento de Itaúna, o que fez com que seu nome se tornasse sinônimo de compromisso e patriotismo. A sua liderança e visão estratégica ajudaram a consolidar Itaúna como um importante centro regional.

O memorial não apenas honra a memória de Senócrit Nogueira, mas também serve como um símbolo de sua contribuição inestimável para a história da cidade. Este Memorial é um ponto de reflexão sobre o passado de Itaúna e a importância de líderes visionários na construção de um futuro melhor. A preservação da memória de Senócrit Nogueira através deste memorial é crucial para manter viva a história e os valores que ele representava. É um lembrete constante do impacto que uma única pessoa pode ter em uma comunidade, incentivando os itaunenses a seguir seu exemplo de dedicação e amor pela cidade.

O historiador João Dornas Filho destaca que para as gerações futuras, o nome de Senócrit Nogueira servirá como símbolo de compromisso inabalável, paixão e amor por Itaúna. Ao longo da rica história do município, que se estende por longos anos, o seu nome esteve entrelaçado com inúmeras iniciativas destinadas a promover e celebrar a sua querida pátria. Em todos os aspectos da trajetória de Itaúna fica a marca indelével de Senócrit Nogueira, inspirando as gerações futuras com sua dedicação e patriotismo.













Organização e pesquisa: Charles Aquino

sexta-feira, outubro 25, 2019

MEMORIAL MINEIRINHO

Marcelo Augusto de Faria Matos
*05/08/1930  +02/09/1993







ENTREVISTA COM MINEIRINHO – JORNAL PANORAMA ITAUNENSE
FALA, MINEIRINHO!

P — Você poderia começar falando da sua vida, sua biografia mais ou menos?

M — Eu fico até com vergonha de falar a minha idade …. Nasci em 1930, no dia 5 de agosto, aqui em Itaúna. Lá no Mirante, em frente ao grupo “João Dornas”. Sou filho de Serjobes Augusto de Faria — escrivão de paz aqui na terra — e de Aureslina Matos de Faria, pais de oito filhos; um é falecido. É uma família de gente muito alegre.

P — Seus pais, eles eram também alegres?

M — Também! Minha mãe era pianista do Clube Dr. Vital, ela era carioca! Meu pai era muito alegre, mas era itaunense mesmo.

P — A vocação para artista, então, é da família né?

M — É …. Teve muita gente da minha família que já participou de teatro. Por exemplo: Dona Adalgisa Matos, meu pai que era ponto do teatro, no tempo do seu Lique; tinha também o Mário Matos, o Sílvio de Matos. E eu senti essa vocação aos nove anos de idade. Antes até! Já no grupo escolar eu participava das festas infantis. Era até convidado por outras salas para participar.

Eu era um capeta em figura de gente, mas graças a Deus, cresci. Hoje eu sou um homem ajuizado, não parece? Acontece que apareceu um seminarista aqui por Itaúna que mexia com teatro, e me convidou para entrar numa peça de variedades. Cresci e fui fazendo comédia, outras peças. O nosso grupo de teatro chamava Grupo Teatral Ita e a gente se apresentava no Cine Bagdad, lá na Rua Silva Jardim; onde é, hoje, aquela mobiladora. Apresentamos também no Cine Rex.

P — Quer dizer, que naquela época já existia um movimento de teatro em Itaúna?

M — Sim, já existia. E tinha uma turma boa. Tinha o Totonho Corradi, tinha o Zé do Dui, o Tucha que era um artista bacana, o seu Lique, pai do Piu que foi um grande teatrólogo, a Hélida Beghini, Jandira Penido…

P — No palco, Mineirinho, representando uma peça, você já deu bandeira?

M — Não …. Eu fazia era muito aso, né? Brincava muito. Teve uma vez que eu e a Hélida Beghini estávamos representando e no papel que a agente fazia tinha que beber cachaça. Botei cachaça de verdade na garrafa e quando a Hélida foi beber …. Aquele nome saiu baixinho, viu?

P — Quem aí do grupo de teatro, que se quisesse mesmo poderia ser um artista nacional?

M — Ah! … Toda turma do “Chica Boa”. A Eleuza Corradi, a Maria Helena Amaral. A gente ensaiava demais! Parece que naquele tempo o povo tinha mais entusiasmo com as coisas.

P — Tinha público para essas peças?

M — Nossa Senhora! Toda peça que a gente levava, a gente tinha que repetir. O cinema era cedido para o teatro. A gente ficava uma semana em cartaz! (Nesse momento chega Didi, a patroa do entrevistado, trazendo uma foto da época). Olha aqui, gente, este é o professor Coutinho, o ensaiador do teatro.

P — No teatro, qual foi o seu maior sucesso?

M — O meu maior sucesso foi a “Chica Boa”. É aquela peça onde eu faço papel de triste, alegre, velho sem vergonha, tudo quanto há.

P — E o seu primeiro papel, qual foi?

M — Nossa Senhora! Eu fazia um papel “triste”: afeminado!

P — Do teatro para o rádio. Como é que foi esse pulo?

M — Eu e o Dante, meu irmão, fomos convidados pelo Nhô Dito para participar do programa “Tarde Sertaneja”, que nessa época já tinha esse nome. Nós falamos que a gente não tinha queda pra aquele tipo de coisa, mas ele respondeu que a gente tinha que ir de qualquer jeito.

Então eu e o Dante fizemos uma roupa caipira — nós éramos alfaiates na época, lá na Praça João Nogueira — e fomos participar. E já vai fazer trinta anos no dia 3 de março, que eu estou com esse programa na Rádio Clube de Itaúna.

P — A Rádio foi fundada e logo depois esse programa …

M —Sete meses depois o programa “Tarde Sertaneja” entrou no ar.





DO TEATRO PARA AS ONDAS DE RÁDIO 

quinta-feira, janeiro 23, 2014

MAJOR SENÓCRIT NOGUEIRA

 Filho do tenente coronel Zacarias Ribeiro de Camargos  e  Dª Ana Nogueira de castro, o major Senócrit Nogueira nasceu na fazenda da "República" a 24 de abril de 1870. 

Aos dez anos de idade, quando já assumia a direção da aula do mestre José João nas faltas do professor, concluía o curso primário e tomava as responsabilidades da escrituração da fazenda paterna.

 Em 1894 edificava a Capela do Senhor dos Passos no largo desse nome, e demolida em 1950. Em 1895 era eleito presidente do Clube Teatral e no ano seguinte presidente do Clube Literário e Progressista, associações recreativas e culturais que grandes serviços prestaram à população de Santana.

 No ano de 1898, como presidente de uma mesa eleitoral do distrito, fez da Junta Apuradora do Pará, e depois da Junta da Comarca em Sabará, quando evitou, por sua energia, a depuração de um deputado legitimamente eleito.

 Homem enérgico, inteligente e trabalhador, muito cedo era figura indispensável nos empreendimentos locais de desenvolvimento do distrito, sendo eleito em 1895 para o cargo de Juiz de Paz, que exerceu até 1897.

 Vereador do distrito à Câmara Municipal do Pará, de 1898 a 1900, fez passar várias Leis de interesse para o nosso crescimento, e em 1901 era eleito Presidente do Conselho Distrital quando, junto com o Dr. Augusto Gonçalves, iniciou a campanha para a criação do município.

 O trabalho que então desenvolveu para a consecução deste desiderato foi admirável. Todas as providências necessárias para este fim, como a aquisição dos edifícios para a Câmara Municipal e a Escola Pública, foram por ele, coadjuvado neste passo pelos suplentes de vereador Jove Soares Nogueira e Washington Alves da Cunha.

 A documentação justificativa da criação do município apresentada por Senócrit Nogueira ao deputado José Gonçalves de Sousa atesta a dedicação e o empenho que punha no empreendimento. Vitoriosa a ideia pela Lei Estadual de 16 de Setembro de 1901, era nesta data nomeado coletor estadual que ocupou até 1906.

 A batalha da fundação do município teve lances emocionantes que é bom relembrar, como o da manobra do município de Bonfim para não perder o distrito de Conquista. O chefe bonfinense Dr. Moreira da Rocha, não se conformado com o desmembramento de tão próspero distrito, fundou junto à sede deste, com o fim de ficar com a melhor parte, um novo distrito, como aliás permitia em certas condições, a legislação em vigor deu-lhe o nome de Floriano Peixoto, e mandou logo que se fizesse o lançamento de impostos e tomou outras medidas que caracterizassem a soberania do município de Bonfim sobre o novo distrito.

 Senócrit Nogueira intervém então energicamente para anular a manobra e, aconselhado por amigos, convida os contribuintes do distrito de Conquista a pagar os seus impostos em Itaúna. E sabendo que um inventário de pessoa residente no novo distrito estava se processando em Bonfim, entrou em juízo com uma petição de nulidade, acolhida pela justiça do Pará, que ordenou o processamento pelo município de Itaúna.

 O Major Senocrit Nogueira exerceu o cargo de Coletor Estadual até quando foi nomeado secretário da Câmara Municipal e seu coletor, cargo que desempenhou desveladamente até 1920, juntamente com o de delegado de polícia.

 Em 1908, com a cooperação de Damas de Caridade do Sagrado Coração de Jesus, adquiriu uma casa na rua 14 de julho, hoje rua Diógenes Nogueira, com o fim de transformá-la em abrigo dos pobres, casa que prestou serviços até 1951, quando foi demolida.

 Padrinho de Rossini Cândido Nogueira, criou-o e educou-o o nosso biografado, ordenando-o padre em 1927 falecido em Juiz de Fora em 1941, o padre Rossini, pelos seus dotes intelectuais foi uma saliente figura do clero mineiro.

 Chefe do serviço do recenseamento de 1920, em Itaúna passava o nosso biografado em 1921 para Belo Horizonte, onde fixou residência e foi nomeado funcionário da Prefeitura Municipal aposentando-se em 1936.

 Homem público, funcionário exemplar, amigo dedicado dos interesses da sua terra, homem de religião e de sociedade, batalhador infatigável, patriota da mais nobre estirpe, filantropo e benemérito cidadão itaunenese Senócrit Nogueira foi um dos fundadores do Partido Republicano Mineiro, que a sua inteireza moral abandonou quando viu desviados os seus princípios. As novas gerações de Itaúna hão de sempre reverenciar a figura do nobre ancião e nela beber os mais sadios exemplos de patriotismo e inteireza.

 

Referências:

Fonte: Efemérides Itaunenses ,1951  - Pag: 63,64,65,66.

João Dornas Filho - Historiador & Escritor da Academia Mineira de Letras

Organização: Charles Aquino