quarta-feira, março 15, 2017

ESCOLA LIVRE ENGENHARIA



Em 21 de maio de 1911, o prédio da Sociedade de Agricultura foi palco de um importantíssimo encontro que definiria os rumos da formação acadêmica de engenheiros em Minas Gerais e no Brasil.

O advogado José Gonçalves de Souza, secretário da Agricultura do Estado, presidiu a reunião com a finalidade de fundar a Escola de Engenharia

Além do presidente, a reunião teve outros 14 profissionais em sua maioria engenheiros formados na afamada Escola de Minas de Ouro Preto e que ocupavam importantes posições em serviços técnicos. Nessa reunião foi fundada a Escola Livre de Engenharia de Belo Horizonte, tendo como o primeiro diretor, um itaunense, dr. José Gonçalves de Souza.


    Dr. José Gonçalves de Souza

 "O dr. José Gonçalves de Souza, secretário da Agricultura do estado de Minas Gerais, nasceu em Santana de S. João Acima, hoje Vila Itaúna, em 9 de setembro de 1862, e é filho do falecido coronel José Gonçalves de Souza Moreira e de dona Delfina Gonçalo de Souza Moreira. 

Entrou na carreira comercial; mas, três anos depois, resolveu estudar advocacia. Com este intuito, entrou para o colégio do Caraça; matriculou-se na Faculdade de Direito de S. Paulo em 1882, formou-se quatro anos mais tarde. Voltando ao seu estado natal, foi residir na cidade do Pará.

Depois de ocupar vários cargos públicos, foi eleito juiz e inspetor dos estabelecimentos de Educação, no distrito de Entre Rios, cargo que  exerceu durante 9 meses. Resignando este posto, foi nomeado juiz municipal de Pitangui

Durante a reorganização do Poder Judiciário, foi feito consultor jurídico do município de Pitangui, nos limites de Abaeté e Dores do Indaiá. 

Aceitou depois a presidência e o cargo de diretor na Companhia de Tecidos Industrial Pitanguiense, cargos que exerceu durante 6 anos. É ainda presidente desta companhia e também diretor-gerente da Companhia de Tecidos Sant'Annense de Itaúna.

Em 1898, foi o dr. José Gonçalves de Souza eleito membro do Congresso mineiro e presidente da Câmara Municipal de Pitangui, cargo que desde então conservou sempre. Em 1902, foi eleito para o Senado, onde tem pronunciado importantes discursos políticos, como já houvera feito em Pitangui.

Foi em 1902 que fundou a União dos Manufatores Têxteis, no gênero das associações comerciais de diversas cidades do Brasil. Entrou para a diretoria da União, tendo como associados o coronel Americo Teixeira e o sr. Caetano Mascarenhas. O dr. José Gonçalves de Souza é uma das mais proeminentes figuras do seu estado; orador brilhante, impõe-se também como autoridade em finanças e economia política."


Pesquisa: Charles Aquino

sexta-feira, março 03, 2017

AVIÃO ITAÚNA 1940

(clicar na imagem )
1940

Primeiros Modelos com motor de explosão construídos em Itaúna. O primeiro modelo, o comprimento das asas são de 90 centímetros  e o segundo possui 2 metros de envergadura.
Modelos fabricados em uma pequena oficina situada na praça da matriz de Itaúna, ao lado da casa paroquial na década de 40.

Projeto organizado por João de Cerqueira Lima Jr.

Fotografias: Antônio Lino e Afonso Lima


quinta-feira, fevereiro 23, 2017

ENTRUDO: CARNAVAL ITAUNENSE


A palavra entrudo vem do latim introitus (introdução), sendo uma prática de jogos e brincadeiras populares praticadas entre as pessoas no Brasil desde o período colonial, desaparecendo no século XIX (LIMA, p.1).

Definido por alguns como “um jogo bárbaro e imoral”, o entrudo foi uma das primeiras expressões carnavalescas ocorridas no país. Carregado de tradições pagãs de origens romanas e práticas medievais, as comemorações aconteciam três dias antecedendo a quaresma. O entrudo consistia na apropriação da população pelas ruas das vilas, nas casas, nas praças e lugares de sociabilidade. As brincadeiras ou trotes faziam parte das comemorações, jogava-se de tudo nas pessoas: água, ovos, farinha, café, lama e até limão.

No decorrer do século XIX, foi em torno dos teatros “que se processou a substituição do entrudo pelo novo formato das festividades carnavalescas”, o qual, passou a ser sinônimo de luxo para a elite, com danças, cantos banquetes, músicas e bailes de máscaras (LIMA, p.1).

No ano de 1880, no dia 3 de fevereiro, esta comemoração do entrudo no arraial de Santana de São João Acima, hoje Itaúna, resultou em uma grande confusão! O rebate aconteceu porque: pretendendo José Manoel de Oliveira brincar de entrudo com a filha de Paulino Caetano Alves, seguiu-se a ela levando um limão de cheiro e jogou na moça.  O pai indignado “agrediu com uma faca e não podendo feri-lo com ela, armou uma espingarda e com esta disparou-lhe um tiro fazendo-lhe com ele ofensas constantes”.

No mesmo dia, José Manoel de Oliveira realizava o exame de corpo de delito na casa de Aureliano Nogueira Machado, 2º suplente do subdelegado do arraial de Santana, auxiliado pelos peritos, Joaquim Marra da Silva e o professor Jose João Rodrigues Vieira (FCAM).

A história transformou-se em um processo com de mais de 80 páginas. No ano de 1885, Paulino Caetano Alves, o pai da moça, respondia pelos atos praticados naquele dia de festa carnavalesca em Santana do São João Acima, tal procedimento resultou para o denunciado um processo que o torna réu, com a pena baseado no artigo º34 combinado com o artigo º123 e artigo nº 201, do Código Criminal do Império do Brazil. :

Art. 34: Para que o crime seja justificado no caso do § 2º do mesmo artigo, deverão intervir conjuntamente, em favor do delinquente, os seguintes requisitos:
1º Agressão atual;
2º Impossibilidade de prevenir ou obstar a ação, ou de invocar e receber socorro da autoridade pública;
3º Emprego de meios adequados para evitar o mal e em proporção da agressão;
4º Ausência de provocação que ocasionasse a agressão.

Obs.: O conceito da legítima defesa distingue – se do estado de necessidade, porque aquela é um direito, que decorre da própria natureza humana pelo instinto de conservação [...].

Art. 123: Não se considera sedição, ou ajuntamento ilícito, a reunião do povo desarmado, em ordem, para fim de representar contra as injustiças, vexações e mal procedimento dos empregados públicos; nem a reunião pacífica e sem armas do povo nas praças públicas, teatros e quaisquer outros edifícios ou logares convenientes para exercer o direito de discutir e representar sobre os negócios públicos.
Parágrapho único: Para o uso desta faculdade não é necessário p´revia licença da autoridade policial, que só poderá prohibir a reunião anunciada, no caso de suspensão de garantias, limitada, em tal caso, a sua acção a dissolver a reunião, guardadas as formalidades da lei, e sob as penas nella cominadas.

Art.201.  Ferir ou cortar qualquer parte do corpo humano, ou fazer qualquer outra ofensa physica, com que se causa ao ofendido. Penas: Máxima de 1 ano de prisão simples e multa correspondente à metade do tempo. Mínima: 2 meses, 26 dias e 16 horas e multa correspondente à metade do tempo.

 No dia 19 de novembro de 1885, depois de ouvirem 5 testemunhas e analisarem o caso, o julgamento foi a júri popular, tendo por unanimidade de votos a favor da absolvição das acusações contra o réu, Paulino Caetano Alves, baseados nos termos do artigo nº 18 e § 1º e 3º do Código Criminal do Império do Brazil. :

Art. º18.
  § 1º: Não ter havido no delinquente pleno conhecimento do mal e direita intenção de o praticar.
§ 3º Ter o delinquente cometido o crime em defesa da própria pessoa ou de seus direitos; em defesa de sua família ou de um terceiro.

Participaram do júri popular os seguintes membros: Paulo Teixeira de Menezes -  Presidente, Plácido Teixeira Coutinho -  Secretário, Custódio Rodrigues Nogueira Penido Júnior, Manoel Gomes Moreira, Antônio Lopes Cançado, Antônio da Silva Mendes Correia, Tertuliano Lopes Cançado, Ernesto Alves, Jacincto Francisco Mendonça, José Theodoro da Silva, Antônio Silva Praga e Antônio José de oliveira (FCAM).

Esta pesquisa tem por finalidade deixar registrado que desde meados do século XIX, ou provavelmente antes, as pessoas saiam às ruas de Itaúna para se divertir e pular o carnaval.




REFERÊNCIAS:

Pesquisa e elaboração: Charles Aquino, 7º período História / UEMG – Divinópolis

TINÔCO, Antônio Luiz Ferreira. Codigo Criminal do Império do Brazil, Livro nº 1, p. 49,50, 383.

SOARES, Oscar de Macedo: Codigo Penal da República dos Estados Unidos do Brasil, Livro nº 6, p.88, 260.

ARQUIVO PÚBLICO DE PARÁ DE MINAS. FCAM-pre-xx-10(41), p.1,2,3,5, 6, 7, 8, 81, 82.

Mundo Educação: A prática carnavalesca do entrudo. Disponível em: <http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/carnaval/a-pratica-carnavalesca-entrudo.htm >.

LIMA, Claudia Maria Assis Rocha. O entrudo e o carnaval brasileiro. Disponível em: <http://www.claudialima.com.br/pdf/O%20ENTRUDO%20E%20O%20CARNAVAL%20BRASILEIRO.pdf >. Acesso em: 23/02/2017.

Acervo fotográfico: Jean-Baptiste Debret (1768-1848) retratou a prática do entrudo no Brasil.


terça-feira, fevereiro 21, 2017

ITAGUARA/CARNAVAL 1892

ACTA DA ELEIÇÃO DO CLUB CARNAVALESCO — OS FILHOS DA FORTUNA DO ARRAIAL DA CONQUISTA, PARA OS FOLGUEDOS DO ANO DE 1892

Aos 5 de abril de 1891, neste arraial da Conquista, do município do Bonfim, às 7 horas da noite, em casa do cidadão Antônio Rodrigues de Oliveira, ahí presentes os membros do dito Club, o referido cidadão declarou que se proceder a eleição da directoria que tinha de dirigir os folguedos e festejos do anno próximo futuro, e que convidava os sócios presentes a aclamarem a mesma directoria , o que feito, verificou-se que foram eleitos por unanimidade de votos: Presidente - Antônio Rodrigues de Oliveira, Vice- Presidente - João Ribeiro de Oliveira, Thesoureiro - Theotônio Rodrigues de Oliveira, Secretário - Joaquim Primo Rocha, Procurador - Jacob Evangelista Vieira.

Terminada a eleição, empossados os referidos empregos, e não havendo nada mais a tratar-se, mandou lavrar a presente acta pela directoria e sócios presentes. Eu, Joaquim Primo Rocha, secretário que a escrevi.
Assinaturas:
Antônio Alves da Silva
Sócio
Antônio Bernardes de Carvalho
Sócio
Antônio Carlos de Moraes
Sócio
Antônio José da Silva
Sócio
Antônio Luiz de Oliveira Vilella
Sócio
Antônio Rodrigues de Oliveira
Presidente
Bonifácio da Costa Leite
Sócio
Christiano Benedicto Ottoni
Sócio
Christiano Ottoni Ferreira
Sócio
Emílio Gonçalves Damasceno
Sócio
Francisco de Freitas Lopes
Sócio
Francisco José Moreira
Sócio
Jacob Evangelista Rocha
Procurador
João Baptista dos Santos
Sócio
João Baptista Teixeira Sérgio
Sócio
João Chrispiniano Moreira
Sócio
João da Costa Leite
Sócio
João Gonçalves Carvalho Moura
Sócio
João José de Araújo
Sócio
João Luiz de Freitas
Sócio
João Luiz de Oliveira Campos
Sócio
João Machado de Castro
Sócio
João Paulino da Silva
Sócio
João Pinto da Silva
Sócio
Vice - Presidente
João Rodrigues Vilella de Oliveira
Sócio
João Rosa de Queiroz
Sócio
Joaquim José Martins de Lima
Sócio
Joaquim Primo de Oliveira
Sócio
Joaquim Primo Rocha
Secretário
Joaquim Teixeira Pinto
Sócio
Joaquim Theodoro de Miranda
Sócio
Joaquim Villela Frazão
Sócio
José Luiz Vilella de Oliveira
Sócio
José Maria da Silva
Sócio
José Martins de Oliveira
Sócio
José Nogueira Penido Júnior
Sócio
José Quintino dos Santos
Sócio
José Raymundo de Oliveira
Sócio
Lafayette Jocundo da Silva
Sócio
Lourenço de Salles Pereira
Sócio
Lúcio Ferreira dos Santos
Sócio
Luiz Vilella de Oliveira
Sócio
Manoel Antônio Carlos
Sócio
Manoel Coelho de Souza
Sócio
Manoel Pereira de Oliveira
Sócio
Manoel Rodrigues Paiva
Sócio
Modesto da Costa Guimarães
Sócio
Olympio Rodrigues do Prado
Sócio
Rodolpho Blok de Sousa
Sócio
Severiano Ferreira Telles
Sócio
Theóphilo Ottoni Ferreira
Sócio
Theotônio Affonso de Moraes
Sócio
Theotônio Luiz de Freitas
Sócio
Theotônio Rodrigues Pereira
Thesoureiro
Vicente Pereira de Oliveira
Sócio

Distrito criado com a denominação de Nossa Senhora das Dores da Conquista, pela Lei Provincial nº 1667, de 14 ou 16-09-1870, e Lei estadual nº 2, de 14-09-1891, subordinado ao município de Bonfim.
Pela Lei estadual nº 319, de 16-09-1901, o distrito de Nossa Senhora das Dores da Conquista, foi transferido do município de Bonfim para constituir o novo município de Itaúna.

Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, o distrito de Nossa Senhora das Dores da Conquista, figura no município de Itaúna. Assim permanecendo nos quadros de apuração do recenseamento geral de 1-IX-1920.

Pela Lei estadual nº 843, de 07-09-1923, o distrito de Nossa Senhora das Dores da Conquista passou a denominar-se Itaguara. Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, o distrito de Itaguara, figura no Município de Itaúna.

Assim permanecendo em divisões territoriais datadas de 31-XII-1936 e 31-XII-1937. Elevado à categoria de município com a denominação de Itaguara, pelo Decreto-lei estadual nº 1058, de 31-12-1943, desmembrado de Itaúna.



REFERÊNCIAS:
Pesquisa: Charles Aquino
Fonte: Jornal – O Estado de Minas Geraes, Ouro Preto, 9 de maio de 1891, nº 153, p.3.