Mostrando postagens com marcador Escola. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Escola. Mostrar todas as postagens

domingo, agosto 23, 2026

NORMALISTAS 1928


Escola Estadual em Itaúna

Você conhece as normalistas de 1928?

Em 1928, jovens de Itaúna e de diversas cidades mineiras e até do Espírito Santo estudavam na antiga Escola Normal “Manoel Gonçalves”, instituição que já havia conquistado importante reconhecimento no cenário educacional de Minas Gerais.

Quase um século depois, seus rostos permanecem registrados em fotografias que nos permitem reencontrar uma geração de jovens que se preparava para uma profissão que transformaria a educação de diferentes regiões: o magistério.

Quem eram essas normalistas? De onde vieram? Quem eram seus professores? 

O Sertões de Minas convida você a conhecer essa história e a olhar para uma fotografia de 1928 não apenas como uma imagem antiga, mas como um documento de uma época e da trajetória de mulheres que participaram da expansão da educação em Minas Gerais.

Venha conhecer as Normalistas de 1928 e descobrir um pouco mais dessa história.

Acesse a história completa no Portal Sertões de Minas.

História, memória e patrimônio dos nossos lugares.

 Sertão de Minas gerais
 
Charles Aquino – Historiador


quinta-feira, agosto 20, 2026

ANA CINTRA: OURO PRETO A ITAÚNA

Escola Ana Cintra Itaúna Minas Gerais

Educação e alfabetização de uma pioneira entre o Império e a República

Anna Cintra de Carvalho (1868–1944) ocupa um lugar significativo na história da educação de Minas Gerais.

Professora, diretora escolar e autora de material destinado ao ensino da leitura, sua trajetória atravessou diferentes momentos da educação mineira entre o final do Império e as primeiras décadas da República.

Sua carreira esteve ligada à formação de professores, à direção de grupos escolares, às experiências de renovação dos métodos de ensino e à produção de materiais destinados à alfabetização. 

Em 1928, depois de mais de quatro décadas dedicadas ao magistério, foi homenageada na II Conferência Nacional de Educação, realizada em Belo Horizonte, como representação do mestre brasileiro.

Décadas depois de sua morte, seu nome seria oficialmente atribuído a um jardim de infância em Itaúna, estabelecendo uma ligação entre sua trajetória na educação mineira e a história da educação infantil do município.

Segundo a documentação publicada por ocasião da II Conferência Nacional de Educação de 1928, Ana Cintra diplomou-se pela Escola Normal de Ouro Preto em 1882, aos 14 anos de idade. Como ainda não atingira a idade mínima prevista pelo regulamento, seu título foi concedido mediante uma lei aprovada pela Assembleia Provincial.

O episódio é significativo porque situa Ana Cintra em um momento em que a formação profissional do magistério estava sendo institucionalizada em Minas Gerais. Sua entrada precoce na profissão não foi apenas uma particularidade pessoal: sua formação ocorreu dentro de uma estrutura educacional que começava a definir normas específicas para a preparação dos professores.

No ano seguinte, em 1883, abriu um curso particular, que funcionou até 1889. Nesse último ano, foi nomeada para uma cadeira de ensino misto criada na freguesia de Antônio Dias. Entre 1887 e 1888, havia substituído professoras que se encontravam licenciadas. Em 1891, foi removida para a aula prática anexa à Escola Normal.

Sua trajetória inicial já revela uma característica que permaneceria ao longo de sua carreira: Ana Cintra transitou por diferentes espaços de ensino, combinando experiência como professora, atuação institucional e práticas relacionadas à formação docente. 

Em 1904, com a supressão das Escolas Normais, Ana Cintra voltou a abrir seu curso particular. Dois anos depois, em agosto de 1906, transferiu sua residência para Belo Horizonte. A mudança ocorreu em um momento importante da educação mineira.

Durante o governo de João Pinheiro, Ana Cintra foi chamada pelo secretário do Interior para participar de experiências relacionadas aos novos métodos e programas de ensino que acompanhavam a reforma educacional então em curso. 

A documentação da II Conferência Nacional de Educação de 1928 apresenta sua atuação como parte das experiências ligadas à renovação do ensino mineiro. Estudos posteriores sobre a história da alfabetização também relacionam a produção de Ana Cintra às transformações metodológicas associadas à reforma de João Pinheiro.

É importante, entretanto, não atribuir a Ana Cintra responsabilidades que as fontes atualmente reunidas não comprovam. Podemos afirmar que ela participou de experiências com novos métodos e programas de ensino e que foi posteriormente reconhecida como colaboradora da reforma.  Não temos, neste conjunto documental, elementos suficientes para reconstruir toda a extensão de sua participação na formulação da reforma.

A partir de 1907, Ana Cintra passou a ocupar posições de direção na estrutura dos grupos escolares da capital. Em 5 de agosto do mesmo ano, assumiu a direção do 2º Grupo Escolar da capital, como substituta da diretora Maria Guilhermina de Loureiro Andrade. Em 30 de março de 1910, foi nomeada diretora do 3º Grupo Escolar, posteriormente denominado Grupo Escolar Cesário Alvim, criado pelo Decreto nº 2.613, de 17 de agosto de 1909.

Os documentos relacionados aos grupos escolares revelam uma preocupação com diferentes aspectos da organização da escola. Entre essas experiências esteve a Escola Noturna Feminina da Capital, instalada em 1913 nas dependências do 3º Grupo Escolar, então dirigido por Ana Cintra. A escola funcionou entre 1913 e 1917.

Essa experiência é particularmente relevante porque demonstra que a educação desenvolvida naquele espaço não estava limitada às crianças em idade escolar regular. Sua atuação nesse período ultrapassou as funções administrativas, havia também uma iniciativa destinada à escolarização de mulheres adultas.

Ana Cintra e o ensino da leitura

Uma das dimensões mais importantes de sua trajetória está relacionada ao ensino da leitura.

Em 1917, quando dirigia o Grupo Escolar Cesário Alvim, Ana Cintra relatou às autoridades educacionais a aplicação de lições de leitura que ela própria havia organizado.

Segundo o registro de sua experiência, suas lições procuravam ser simples e acessíveis às crianças e pretendiam evitar aquilo que ela considerava um problema dos livros então utilizados: a aprendizagem baseada na decoração.

Esse episódio é fundamental para compreender Ana Cintra como educadora.

Ela não se limitava a utilizar os materiais disponíveis. A experiência acumulada em sala de aula e na direção escolar levou-a a organizar suas próprias lições e submetê-las à apreciação das autoridades educacionais. A experiência posteriormente transformou-se em livro.

A obra de Ana Cintra intitulada Lições para o ensino completo da leitura teve sua 3ª edição publicada em 1922, pela Imprensa Oficial de Minas Gerais.

Pesquisas sobre a história da alfabetização identificam na obra a combinação dos métodos analítico e sintético, característica que permite classificá-la como uma proposta eclética. A organização das lições partia de sentenças que posteriormente eram analisadas em sílabas e relacionadas a vocábulos contendo a letra ou consoante trabalhada.

A proposta buscava fazer com que a criança pudesse decompor pequenos vocábulos em seus elementos sonoros e posteriormente utilizar esses elementos para formar novas palavras. A cartilha também apresentava desenhos e fotografias, em número relativamente reduzido, utilizados em associação com as palavras e os elementos trabalhados nas lições.

Estudos posteriores apontam ainda que a obra combinava leitura e escrita e organizava os vocábulos em uma sequência progressiva. (Repositório da UFMG)

A cartilha passou a ser conhecida não apenas pelo título, mas também pelo nome da autora. Pesquisas sobre sua circulação registram expressões como “Cartilha da Ana Cintra” e “Processo de Ana Cintra”. (Repositório da UFMG)

Isso é um indicador importante da repercussão alcançada por seu trabalho: o nome da professora passou a identificar o próprio processo de ensino. A publicação de Lições para o ensino completo da leitura não ficou restrita à experiência individual de sua autora.

Pesquisas sobre os livros escolares mineiros mostram que a obra teve circulação em escolas do estado. A terceira edição foi publicada pela Imprensa Oficial em 1922 e, no ano seguinte, a obra passou à Livraria Francisco Alves. Os estudos identificam pedidos e registros que demonstram sua presença no circuito de livros escolares de Minas Gerais. (Portcom)

Outro estudo sobre a distribuição das cartilhas mineiras identifica as “Lições de Ana Cintra” entre as obras de maior repercussão e registra que o livro foi aprovado pelo Conselho Superior de Instrução e adotado em escolas do estado. (Repositório da UFMG)

A documentação sobre os processos educativos de leitura registra ainda que as lições de Ana Cintra foram publicadas em livro e adotadas pelo Conselho Superior em 1924 para uso no primeiro semestre do 1º ano.

Portanto, sua contribuição não deve ser reduzida ao fato de ter escrito uma cartilha. Sua experiência pedagógica transformou-se em material impresso e passou a integrar o universo oficial dos livros destinados ao ensino da leitura em Minas Gerais.

 Em 17 de junho de 1925, Ana Cintra foi nomeada para o Grupo Escolar Olegário Maciel. Permaneceu trabalhando até 17 de setembro de 1926, quando obteve sua aposentadoria. Naquele momento, contabilizava 36 anos, dois meses e 19 dias de serviço público.

Sua aposentadoria encerrou uma longa carreira no serviço público, mas não significou o desaparecimento de seu nome da história da educação mineira. Pouco tempo depois, Ana Cintra seria novamente colocada no centro de uma importante cerimônia.

A homenagem de 1928

Entre 4 e 11 de novembro de 1928, Belo Horizonte sediou a II Conferência Nacional de Educação da Associação Brasileira de Educação. Na ocasião, Ana Cintra recebeu uma homenagem especial.

A documentação oficial da Conferência registra que ela foi escolhida como representação do mestre brasileiro, destacando sua longa dedicação à instrução pública e sua atuação durante a reforma do ensino mineiro. A homenagem possui grande significado histórico.

Ana Cintra não estava sendo reconhecida simplesmente como uma professora aposentada. Sua trajetória estava sendo utilizada como representação de uma determinada concepção do magistério: a do professor que dedicara grande parte da vida à educação.

No discurso pronunciado durante a homenagem, Ana Cintra recordou sua entrada na profissão e falou sobre as dificuldades encontradas no caminho, a necessidade de compreender os alunos e o dever do mestre.

A documentação contemporânea apresenta, assim, uma imagem bastante clara de como Ana Cintra era percebida no final de sua carreira: uma professora experiente, diretora escolar, autora e participante das transformações educacionais de Minas Gerais. 

Sabemos que Ana Cintra faleceu em 1944. A documentação atualmente reunida, porém, não nos permite reconstruir com segurança os seus últimos anos entre a homenagem de 1928 e sua morte. Por isso, não é adequado preencher esse período com informações não documentadas. 

O que podemos afirmar é que, em 1928, sua trajetória profissional já havia recebido um reconhecimento público de grande importância e que seu nome permaneceu ligado à história da educação mineira. 

O Jardim de Infância Ana Cintra em Itaúna

A história de Ana Cintra ganha uma nova dimensão em 1956, doze anos após sua morte. Aqui possuímos agora uma documentação oficial particularmente importante.

Em 10 de janeiro de 1956, o Governo de Minas Gerais publicou o Decreto nº 4.890, determinando:

“Cria um jardim de infância na Cidade de Itaúna.”

O decreto criou a instituição, mas não lhe atribuiu naquele momento o nome de Ana Cintra.

Quatro meses depois, ocorreu a denominação.

Em 17 de maio de 1956, o Governo de Minas Gerais publicou o Decreto nº 5.017, cujo título é:

“Dá a denominação de ‘Ana Cintra’ ao Jardim de Infância de Itaúna.”

O próprio decreto determina que fosse dada a denominação “Ana Cintra” ao Jardim de Infância de Itaúna.

Temos, portanto, uma sequência documental precisa:

10 de janeiro de 1956 — criação do Jardim de Infância de Itaúna.

17 de maio de 1956 — atribuição oficial do nome Ana Cintra.

Essa distinção é importante porque o decreto de maio não explica a razão da escolha do nome.

A documentação oficial comprova a denominação, mas não informa, no texto do decreto, quem propôs o nome ou quais foram os motivos específicos que levaram o Governo de Minas Gerais a escolher Ana Cintra.

Há uma explicação registrada posteriormente na memória local, segundo a qual a denominação constituiu uma homenagem à educadora mineira. Essa informação deve ser tratada como memória histórica, e não confundida com o conteúdo do decreto. Essa distinção será importante para pesquisas futuras. 

Os testemunhos de antigos alunos permitem reconstruir parte da trajetória da instituição.

Vicentina Brant afirma ter sido aluna da primeira turma do Jardim de Infância Ana Cintra e identifica Graciana Coura de Miranda como a primeira diretora. Em seu depoimento, recorda também as professoras Noêmia Delgado e Terezinha Lara e descreve a escola como um espaço profundamente presente em sua memória de infância.

Outro testemunho, de Angélica de Aquino, registra sua passagem pela escola em 1968, quando o Jardim de Infância ainda funcionava na Avenida Getúlio Vargas. Ela recorda o casarão, o pátio, as grandes gangorras e as atividades realizadas com argila. Também identifica Graciana Coura de Miranda como diretora naquele período.

Anos depois, o antigo aluno Prof. Luiz Mascarenhas recordaria o Jardim de Infância Ana Cintra funcionando na Rua Professor Francisco Santiago, em um antigo casarão. Seu testemunho descreve o portão, o alpendre, o pátio, os brinquedos, as salas e as atividades escolares realizadas com mimeógrafo, massa de modelar e peças de madeira.

Esses testemunhos não servem para reconstruir a biografia de Ana Cintra. Eles possuem outra função: registrar a permanência de seu nome na experiência educacional de sucessivas gerações de crianças de Itaúna. 

A história de Ana Cintra pode ser observada em três momentos distintos.

O primeiro está em Ouro Preto, onde se formou e iniciou sua carreira ainda no século XIX.

O segundo está em Belo Horizonte, onde participou das experiências relacionadas à renovação do ensino, dirigiu grupos escolares e desenvolveu suas experiências com o ensino da leitura.

O terceiro aparece em Itaúna, décadas depois de sua morte, quando seu nome foi oficialmente atribuído a um jardim de infância.

Essa última etapa é especialmente significativa porque não devemos confundir a trajetória da educadora com a história posterior da instituição. Ana Cintra não atuou no Jardim de Infância de Itaúna — ela havia falecido em 1944, enquanto a instituição foi criada em 1956. O que existe é uma continuidade da memória por meio do nome. É justamente essa permanência que torna a história interessante.

Uma educadora que começou sua carreira ainda no século XIX, participou da transformação do ensino mineiro, dirigiu grupos escolares, produziu material para alfabetização e foi homenageada em 1928 como representação do magistério passou, após sua morte, a identificar uma instituição destinada à educação das crianças pequenas em Itaúna.

A trajetória documentada de Ana Cintra permite compreendê-la como uma educadora que atuou em diferentes dimensões da escola.

Foi professora, porque dedicou décadas ao ensino.

Foi diretora, porque esteve à frente de importantes grupos escolares de Belo Horizonte.

Foi autora, porque transformou sua experiência pedagógica em uma obra destinada ao ensino da leitura.

Foi também uma experimentadora de práticas de alfabetização, pois suas próprias lições nasceram de sua experiência escolar e posteriormente foram publicadas e incorporadas ao circuito educacional mineiro.

Sua importância histórica não depende de transformá-la em uma figura excepcional em todos os aspectos da educação brasileira. As fontes permitem uma afirmação mais precisa e, justamente por isso, mais forte:

Ana Cintra foi uma educadora mineira que participou de importantes processos de renovação do ensino, dirigiu grupos escolares, produziu material próprio para alfabetização e alcançou reconhecimento público no campo educacional de seu tempo.

Em Itaúna, seu nome adquiriu uma segunda vida.

O Decreto nº 5.017, de 17 de maio de 1956, transformou oficialmente “Ana Cintra” no nome do Jardim de Infância de Itaúna. A partir daí, sua memória passou a fazer parte da história educacional do município.

E é nessa passagem — de uma professora da educação mineira a um nome preservado por uma escola itaunense — que sua história ganha uma dimensão que ultrapassa sua própria vida.  

Ana Cintra de Carvalho — síntese cronológica

1868 — Nascimento de Anna Cintra de Carvalho.

1882 — Diploma-se pela Escola Normal de Ouro Preto, aos 14 anos.

1883 — Inicia curso particular.

1887–1888 — Substitui professoras licenciadas.

1889 — Nomeada para cadeira de ensino misto em Antônio Dias.

1891 — Passa à aula prática anexa à Escola Normal.

1904 — Retoma o curso particular após a supressão das Escolas Normais.

1906 — Muda-se para Belo Horizonte e participa de experiências relacionadas aos novos métodos e programas de ensino.

1907 — Assume a direção do 2º Grupo Escolar da capital.

1910 — Torna-se diretora do 3º Grupo Escolar, posteriormente Cesário Alvim.

1913–1917 — Funciona a Escola Noturna Feminina da Capital nas dependências do grupo escolar.

1917 — Apresenta experiências com lições de leitura organizadas por ela.

1922 — Publicada a 3ª edição de Lições para o ensino completo da leitura.

1923 — A obra passa à Livraria Francisco Alves.

1924 — Suas lições são adotadas pelo Conselho Superior para o primeiro semestre do 1º ano.

1925 — Nomeada para o Grupo Escolar Olegário Maciel.

1926 — Aposenta-se, após 36 anos, 2 meses e 19 dias de serviço público.

1928 — Homenageada na II Conferência Nacional de Educação como representação do mestre brasileiro.

1944 — Falecimento.

10 de janeiro de 1956 — Criado oficialmente um jardim de infância na cidade de Itaúna pelo Decreto nº 4.890.

17 de maio de 1956 — Decreto nº 5.017 dá oficialmente a denominação “Ana Cintra” ao Jardim de Infância de Itaúna.

Décadas seguintes — O nome permanece na memória de sucessivas gerações de alunos itaunenses. 

 

FONTES E REFERÊNCIAS

1. Fontes primárias e documentação oficial

MINAS GERAIS. Coleção dos Decretos de 1956. Belo Horizonte: Imprensa Oficial, 1974.

MINAS GERAIS. Decreto nº 4.890, de 10 de janeiro de 1956. Cria um jardim de infância na Cidade de Itaúna. In: MINAS GERAIS. Coleção dos Decretos de 1956. Belo Horizonte: Imprensa Oficial, 1974.

MINAS GERAIS. Decreto nº 5.017, de 17 de maio de 1956. Dá a denominação de “Ana Cintra” ao Jardim de Infância de Itaúna. In: MINAS GERAIS. Coleção dos Decretos de 1956. Belo Horizonte: Imprensa Oficial, 1974.

SILVA, Arlette Pinto de Oliveira e (org.). Páginas da história: notícias da II Conferência Nacional de Educação da ABE: Belo Horizonte, 4 a 11 de novembro de 1928. Brasília, DF: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, 2004. Publicação do INEP 

2. Estudos acadêmicos

FRADE, Isabel Cristina Alves da Silva; MACIEL, Francisca Izabel Pereira. A história da alfabetização: contribuições para o estudo das fontes. In: REUNIÃO ANUAL DA ANPEd, 29., 2006, Caxambu. Anais... Caxambu: ANPEd, 2006.

FRADE, Isabel Cristina Alves da Silva; LANA, Priscila Maria de. Imagens em livros escolares denominados cartilhas. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO, 3., 2004, Curitiba. Anais... Curitiba: Sociedade Brasileira de História da Educação, 2004.

KLINKE, Karina. Processos educativos de leitura nos grupos escolares de Minas Gerais. In: CONGRESSO DE PESQUISA E ENSINO EM HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO EM MINAS GERAIS, 2., 2008, Uberlândia. Anais... Uberlândia: EDUFU, 2008.

MACIEL, Francisca Izabel Pereira. Lúcia Casasanta e o método global de contos: uma contribuição à história da alfabetização em Minas Gerais. Belo Horizonte: Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais, 2001. (Repositório da UFMG)

NOGUEIRA, Vera Lúcia. A cultura material da escola noturna de Minas Gerais nas primeiras décadas da República. EDUCA – Revista Multidisciplinar em Educação, v. 5, n. 10, p. 183-204, 2018. DOI: 10.26568/2359-2087.2018.3225. 

3. Fontes de memória e história local

AQUINO, Angélica de. “Ana Cintra”: gangorras tocavam o céu. Itaúna em Décadas, 23 maio 2017. Depoimento de ex-aluna.

BRANT, Vicentina. Escola de criança feliz. Itaúna em Décadas, 25 maio 2017. Depoimento de ex-aluna da primeira turma do Jardim de Infância Ana Cintra.

MASCARENHAS, Luiz. Meu Jardim de Infância “Ana Cintra”. Itaúna em Décadas, 23 maio 2017. Depoimento memorialístico.

MASCARENHAS, Luiz. Que saudade da professorinha. Santana FM, 1 ago. 2020. Memória sobre a história da educação infantil em Itaúna. 

4. Documento de pesquisa local

AQUINO, Charles. História da Escola Ana Cintra. Itaúna, 2016. Documento de pesquisa não publicado. 

5. Imagem

PENIDO, Angela. Publicação sobre Ana Cintra de Carvalho. Facebook, 22 maio 2017. Fotografia e depoimento pessoal sobre sua bisavó materna. Acervo digital. 

Nota do autor: Esta biografia foi elaborada a partir do cruzamento de documentação oficial, estudos acadêmicos e fontes de memória local. As informações sobre a trajetória de Ana Cintra foram diferenciadas das memórias posteriores sobre o Jardim de Infância Ana Cintra, em Itaúna.

Fonte da imagem: fotografia de Ana Cintra publicada por Ângela Penido em sua página no Facebook, em 22 de maio de 2017. A imagem acima foi recriada digitalmente, tendo a fotografia como referência visual.

Organização, arte e pesquisa: Charles Aquino – Historiador Registro nº 343/MG

@ITAÚNA DÉCADAS - HISTÓRIA & MEMÓRIA

 

domingo, julho 14, 2024

PROFESSORA CELUTA

Professora Celuta das Neves: uma Vida Dedicada à Educação e Humanidade.

Nascida em 12 de novembro de 1885, na bucólica Passagem de Mariana, um distrito do município de Mariana, Minas Gerais, Celuta das Neves tinha o destino marcado pela dedicação ao ensino e pela paixão por ajudar o próximo. Filha de Augusto de Faria Neves e Sebastiana Neves, desde cedo demonstrou uma inclinação para a educação, que a acompanharia por toda a vida.

Em 1900, Celuta formou-se normalista pelo Colégio Providência de Mariana, um feito notável para a época, especialmente para uma mulher jovem em uma sociedade predominantemente patriarcal. De 1901 a 1907, ela lecionou francês com maestria, deixando uma marca inapagável em seus alunos. Em janeiro de 1908, uma nova fase começou quando foi nomeada professora primária em Pequi, Minas Gerais, pelo então governador João Pinheiro da Silva. Em Pequi, Celuta lecionou até 1919, antes de ser transferida para Itaúna, Minas Gerais, onde continuaria sua missão educacional até sua aposentadoria em 1942.

Itaúna tornou-se não apenas seu local de trabalho, mas também sua casa e a comunidade onde fez contribuições inestimáveis. No Grupo Escolar Dr. Augusto Gonçalves, além de ensinar, ela ocupou o cargo de vice-diretora, influenciando decisivamente a vida de inúmeros alunos. Mesmo após a aposentadoria, Celuta continuou a dar aulas particulares, dedicando-se a ensinar até a véspera de sua morte.

Celuta casou-se em 17 de agosto de 1913, em Pequi, com José Lopes de Oliveira. Juntos, tiveram cinco filhos, cada um deles refletindo a dedicação e os valores que Celuta inspirou. A vida familiar, no entanto, não foi isenta de tragédias. Suas Filhas, Dora Alice e Eni de Oliveira faleceram no mesmo dia, em 10 de maio de 1927, uma de pneumonia e a outra atropelada enquanto se dirigia à igreja, vestida de anjo para coroar Nossa Senhora. Essas perdas profundas marcaram a vida de Celuta, mas não diminuíram seu espírito indomável e sua dedicação à educação.

Reconhecida por sua contribuição extraordinária, Celuta recebeu o título de Cidadã Honorária de Itaúna em 1965. Após sua morte em 5 de junho de 1968, sua memória continuou viva. Em 1974, uma escola no bairro de Lourdes foi nomeada em sua homenagem, perpetuando seu legado de amor pela educação e compromisso com a comunidade. Em 1994, essa escola foi municipalizada, reafirmando a importância de Celuta das Neves na história educacional de Itaúna.

Celuta das Neves não foi apenas professora; ela foi um anjo da guarda e amiga de seus alunos. Sua figura afrodescendente foi um farol de sabedoria e resiliência. Muitos jovens, de diferentes origens sociais, procuraram as suas aulas particulares, encontrando nela não só uma educadora, mas também uma fonte de inspiração e apoio. Suas aulas de português, matemática e datilografia eram mais do que aulas acadêmicas; foram momentos de formação de caráter e preparação para o futuro. Sua influência ultrapassou as paredes da sala de aula, moldando o caráter e as ambições de seus alunos.

Caros alunos e comunidade da Escola Municipal Professora Celuta das Neves, hoje, nos reunimos para honrar e celebrar o legado de uma mulher extraordinária, cuja vida e trabalho deixaram marcas resistentes em nossa história. Celuta das Neves, cuja dedicação à educação e ao bem-estar de seus alunos continua a inspirar-nos, é um exemplo brilhante de como uma pessoa pode transformar vidas e comunidades através do ensino.

Celuta das Neves foi uma exímia educadora em sua época, deixando um legado que transcende gerações. Sua vida é um testemunho do poder transformador da educação e do impacto duradouro que um professor dedicado pode ter na vida de seus alunos e na comunidade em geral. Sua memória continua a ser uma inspiração, lembrando-nos da importância de dedicar-se ao bem-estar e ao desenvolvimento dos outros. Seu trabalho incansável e sua paixão pelo ensino criaram um ambiente de aprendizado e crescimento que beneficiou gerações de estudantes.

Que seu legado nos lembre diariamente da importância de buscarmos o conhecimento com entusiasmo, de apoiarmos uns aos outros com generosidade e de trabalharmos com dedicação para construir um futuro melhor para todos. Como alunos desta escola, vocês são os herdeiros dessa grande história, e cabe a vocês continuar a honrar a memória de Celuta das Neves, mantendo vivos os valores que ela tanto prezava. Que sua jornada de aprendizado aqui na Escola Municipal Professora Celuta das Neves seja sempre guiada pelo espírito de excelência, compaixão e determinação que ela exemplificou em sua vida.

 
 História narrada em áudio! Imperdível!

Organização, arte e pesquisa: Historiador Charles Aquino, ex-aluno da escola Celuta das Neves.

Colaboradores: Direção e professores da Escola Celuta das neves, Professor Luiz Otávio Rabelo e Prefeitura Municipal de Itaúna.

Realizado em Sant'Ana do Rio São João Acima, hoje Itaúna/MG — Pedra Negra!

sábado, julho 13, 2024

PROFESSORA DOLORES

Esta pesquisa inédita inclui a biografia da professora Dolores Nogueira Penido, elaborada por Agostinho Nogueira Araújo em 1982. Inclui também um conciso estudo genealógico de sua linhagem familiar, bem como a imortalização através do projeto de lei que nomeia uma escola municipal em homenagem a sua contribuição e o sincero agradecimento que lhe é demonstrado pelos moradores do "Povoado de Pedra", ou São José de Pedras, no município de Itaúna/MG. Boa leitura.

A Escola Rural do povoado de Pedra, deste Município de Itaúna, vem funcionado há longos anos, prestando inestimáveis serviços à comunidade. Os registros revelam que centenas de pessoas nascidas e criadas nas imediações, tiveram a alfabetização realizada naquela Escola. Principalmente no princípio, quando a dificuldade de comunicação era imensa, quando as famílias se fixavam no local com os seus componentes, a Escola exercia uma função muito importante.

Biografia narrada em áudio! Imperdível!

 Organização, arte e pesquisa: Charles Aquino

quarta-feira, julho 10, 2024

FORMATURA 1953

A Formatura Memorável de 1953 na Escola Normal Oficial de Itaúna. 

Em dezembro de 1953, a cidade de Itaúna, Minas Gerais, estava em polvorosa com a aproximação de um dos eventos mais aguardados do ano: a formatura dos alunos do Ginásio da Escola Normal Oficial. As festividades prometiam ser grandiosas, refletindo o esforço e a dedicação de uma geração de estudantes que se preparava para dar o próximo passo em suas vidas.

Os convites, delicadamente impressos em papel de alta qualidade, foram enviados a figuras ilustres e respeitadas da comunidade. Entre os convidados de honra estavam o Reverendíssimo Padre José Ferreira Neto, pároco da cidade, e Dona Nair Chaves Coutinho, ex-diretora da Escola Normal Oficial, ambos reconhecidos por suas contribuições inestimáveis à educação e à espiritualidade da comunidade. A eles, os formandos prestariam homenagens de honra, uma justa reverência pela influência positiva que exerceram em suas vidas.

O paraninfo da turma, Dr. Guaracy de Castro Nogueira, professor e diretor da Escola Normal Oficial, seria uma presença inspiradora para todos. Sua liderança e sabedoria tinham guiado os alunos através de desafios acadêmicos e pessoais, preparando-os para os caminhos que seguiriam a partir dali. A oradora da turma, Wanda Nogueira de Mattos, conhecida por sua eloquência e paixão, representaria os sentimentos e as aspirações de seus colegas em seu discurso.

Na manhã de 11 de dezembro, às 8 horas, a cidade se reuniu na igreja matriz para uma missa em ação de graças celebrada pelo Reverendíssimo Padre José Ferreira Neto. A igreja estava adornada com flores e velas, criando uma atmosfera solene e reverente. Os alunos, vestidos com seus melhores trajes, sentaram-se nas primeiras fileiras, acompanhados por seus familiares e amigos. Durante a missa, as palavras do padre ecoaram nos corações dos presentes, lembrando-os da importância da gratidão e da fé no caminho que se seguia.

O dia 12 de dezembro trouxe consigo um ar de excitação e expectativa. Às 20 horas, o Salão do Cine Bagdad estava lotado. As luzes do teatro refletiam-se nos olhos ansiosos dos formandos e de seus entes queridos. Dr. Guaracy de Castro Nogueira iniciou a cerimônia com um discurso inspirador, destacando as conquistas dos alunos e a importância da educação na construção de um futuro brilhante.

A oradora Wanda Nogueira de Mattos subiu ao palco com graça e confiança. Suas palavras, cuidadosamente escolhidas, evocaram risos, lágrimas e aplausos. Ela falou das amizades forjadas, dos desafios superados e dos sonhos compartilhados, criando uma conexão emocional entre todos os presentes.

A entrega dos diplomas foi um momento de grande emoção. Cada aluno, ao ser chamado, recebia seu diploma das mãos de Dr. Guaracy, sob aplausos e vivas da plateia. Nomes como Maria Bernardina Saldanha, Murilo Augusto Gonçalves, Elisa Tarabal Coutinho, Walter Tavares e muitos outros ecoaram pelo salão, cada um representando uma história de dedicação e triunfo.

Após a cerimônia, às 22 horas, o baile teve início. O salão, decorado com elegância, foi preenchido por uma atmosfera de celebração e alegria. As músicas, tocadas por uma banda local, animaram os convidados que dançavam e festejavam até altas horas da noite. Os formandos, em seus trajes de gala, dançavam com seus pais, professores e amigos, criando memórias que perdurariam por toda a vida.

A formatura de 1953 na Escola Normal Oficial de Itaúna foi mais do que um evento; foi um marco na história da cidade e na vida de cada um dos formandos. A celebração de suas conquistas, as homenagens prestadas e as lembranças criadas naquela noite ficaram imortalizadas, um testemunho do poder da educação e da comunidade em moldar futuros brilhantes.

A narrativa histórica é baseada em fatos reais.

Veja também: Convite 1953 

Referências:

Organização e narrativa: Charles Aquino

Colaboração e Acervo: Edward Rodrigues da Silva (Vavá)

Fonte: Convite Diploma do Ginásio Escola Normal 1953