quinta-feira, abril 04, 2019
NISE CAMPOS (FOTO 2)
NISE CAMPOS (FOTO 1)
quarta-feira, abril 03, 2019
SE INVEJA É PECADO...
Nesses toscos versos essa confissão vos faço
Análise do poema - Se inveja é pecado ...
O poema "Se Inveja é
Pecado..." de Nise Campos, escrito em 1961, é uma confissão franca e
sincera sobre os sentimentos de inveja que permeiam a alma do eu lírico. A
estrutura do poema é simples, composta por estrofes de quatro versos com rimas alternadas,
o que contribui para a sensação de fluidez e confissão.
A temática principal do poema é a
inveja e o reconhecimento desse sentimento como um pecado. Desde o título, a
autora coloca o leitor diante da reflexão sobre a natureza pecaminosa da
inveja. Essa emoção é explorada ao longo do poema através de uma série de
exemplos de coisas simples, belas e nobres que despertam inveja no eu lírico.
A linguagem utilizada é simples e
direta, o que reforça a sinceridade da confissão. Os versos são desprovidos de
ornamentos e vão direto ao cerne da questão, expondo a vulnerabilidade do eu
lírico e sua luta contra esse sentimento pecaminoso.
Através de imagens evocativas, o
poema retrata a inveja como um sentimento que surge diante da contemplação da
beleza e da simplicidade do mundo ao redor. Desde a simplicidade de um
ranchinho humilde até a graça de uma andorinha em voo, tudo desperta a inveja
do eu lírico, que reconhece sua fraqueza diante dessas manifestações de pureza
e nobreza.
Ao final, o eu lírico volta-se
para Deus em busca de perdão, reconhecendo sua fraqueza e pecaminosidade. Essa
busca por redenção encerra o poema de forma poderosa, deixando uma sensação de
humildade e arrependimento.
Em suma, "Se Inveja é
Pecado..." é um poema que aborda de forma direta e expandida a
complexidade da inveja como um sentimento humano universal, enquanto reflete
sobre a necessidade de redenção e perdão diante desse pecado moral.
EXALTAÇÃO À ÁRVORE
Praça Dr. Augusto Gonçalves - Itaúna/MG
Nise Campos
Quando se enfurece, ela até parece de Deus sentinela.
Análise do poema
O poema de Nise
Campos, datado de outubro de 1986. A flexibilidade formal permite uma expressão
mais livre dos sentimentos e ideias da autora. A linguagem é simples e direta,
facilitando a compreensão e a conexão emocional com o leitor.
O poema aborda
temas ecológicos e humanísticos, destacando a relação entre o homem e a
natureza, especificamente as árvores. A autora utiliza a árvore como um símbolo
multifacetado que representa vida, estabilidade e beleza. O contraste entre o
comportamento humano e a natureza é um tema central, com a árvore servindo como
um exemplo de constância e beneficência, enquanto o homem é descrito como capaz
de tanto o bem quanto o mal.
O poema
estabelece um claro contraste entre o comportamento humano, que pode ser tanto
destrutivo quanto criativo, e a árvore, que é invariavelmente benéfica. A
imagem do homem se transformando em "animal ou fera" quando rebelde,
contra a árvore que permanece como uma "sentinela de Deus," reforça
essa dicotomia.
A mensagem do
poema é um apelo à consciência ecológica e ao amor pela natureza. A autora
clama pela integração na "campanha do verde," destacando a
importância das árvores como pulmões da terra e fonte de vida. Há um tom
didático e esperançoso, sugerindo que a preservação da natureza é tanto um
dever quanto uma forma de redenção.
A linguagem do
poema é rica em metáforas e imagens visuais, criando uma sensação de vivacidade
e movimento. A repetição de certas estruturas, como "A árvore não," e
a utilização de contrastes, como entre a rebeldia do homem e a serenidade da árvore,
ajudam a reforçar os pontos principais e a criar um ritmo interno.
O poema de Nise
Campos é uma evocação lírica da importância das árvores e uma crítica ao
comportamento humano em relação à natureza. Através de uma combinação de
simbolismo religioso, imagética rica e um tom apelativo, a autora busca
inspirar um maior respeito e cuidado pela natureza. É uma obra que continua
relevante, especialmente em tempos de crescente preocupação ambiental.
Charles
Aquino
FELICIDADE
Análise do Poema "Felicidade" de Nise Campos
O poema é composto por duas
estrofes, cada uma rica em imagens sensoriais e símbolos da natureza. A
estrutura do poema, com versos livres e ritmo suave, contribui para a sensação
de tranquilidade e desejo de harmonia que permeia todo o texto. A felicidade,
personificada como uma entidade convidada a participar da vida do eu lírico, é
o tema central. O convite feito à felicidade é reforçado pela repetição da
palavra "vem", que abre e permeia as estrofes, sugerindo uma urgência
suave, um anseio profundo por alegria e plenitude.
Nise Campos utiliza uma série de
imagens da natureza para criar um ambiente de serenidade e beleza — "Em
meu jardim já se abriram rosas" sugere a prontidão do ambiente para
receber a felicidade, com a primavera simbolizando renovação e novos começos; —
“O céu distante se vestiu de azul" e "As manhãs são frias em sua
luz tão doce!" ampliam a sensação de calma e paz.
Os elementos naturais simbolizam
diferentes aspectos da felicidade e do desejo de união com a natureza — Rosas e
colibris representam beleza, delicadeza e a efemeridade da vida; — Orvalho,
fonte, e ocasos pintam um quadro de preciosidade e transitoriedade, onde a
felicidade é algo precioso e fugaz.
O poema também revela um
contraste entre o mundo interior do eu lírico e o esplendor do mundo exterior —
"Em minha alma, só pranto e cisma" contrasta com "fora jorram
turbilhões de luz!", indicando um estado interno de tristeza e
reflexão em oposição à beleza exuberante do mundo natural; — Este contraste
intensifica o anseio por felicidade, destacando a discrepância entre o desejo
interno e a realidade externa.
Escrito em 1934, o poema surge em
um período de grandes transformações globais e pessoais. A busca pela
felicidade em meio à incerteza reflete um desejo universal que permanece
relevante até hoje. Em 1984, cinquenta anos depois, o poema foi relembrado, talvez
por um novo contexto histórico que novamente fez ressoar a necessidade de
buscar beleza e felicidade em tempos difíceis. Em 2024, noventa anos depois, a
obra de Nise Campos continua a encontrar ressonância, demonstrando que os
anseios humanos básicos permanecem inalterados pelo tempo.
A durabilidade e relevância do
poema podem ser atribuídas à sua capacidade de capturar uma verdade emocional
fundamental: a busca incessante pela felicidade, a apreciação da beleza natural
e o contraste entre o mundo interno e externo. Através de suas imagens vívidas
e sentimentos profundos, "Felicidade" de Nise Campos se torna um
testemunho eterno da condição humana.
A beleza e a profundidade do
poema "Felicidade" garantem que ele permaneça relevante e tocante,
independentemente da época. Através de suas imagens poéticas e símbolos
naturais, Nise Campos capturou uma essência da experiência humana que continua
a ressoar, fazendo com que sua obra seja continuamente lembrada e apreciada.
Acervo: Shorpy
AS VELHINHAS DO ASILO DE PITANGUI
Junho 1962
A tarde vem descendo sobre a cidade num suave encantamento. Parece nascer de suas serras mistério desta hora. A alma emotiva e vibrante dos sinos derrama uma saudade triste no coração dos morros. As velhinhas do asilo rezam a oração da tarde ...
...
Análise "As Velhinhas do Asilo de Pitangui"
O texto "As Velhinhas do
Asilo de Pitangui" de Nise Campos, escrito em 1962, é uma peça literária
que combina elementos poéticos e narrativos para pintar um quadro evocativo das
vidas e emoções de idosas residentes em um asilo. A autora utiliza uma
linguagem rica e metafórica para explorar temas de saudade, memória e
resignação, refletindo sobre a história e a condição humana dessas mulheres.
O principal tema do texto é a
passagem do tempo e a reflexão sobre a vida e a memória. Campos aborda a
nostalgia e a dor silenciosa das velhinhas que, ao rezarem a oração da tarde,
são transportadas de volta a tempos passados, revivendo lembranças de trabalho
duro, maternidade e servidão. A evocação do passado escravocrata do Brasil é um
motivo central, especialmente com a menção ao "EITO... O FEITOR... A
SENZALA... A CASA GRANDE...".
A descrição da tarde descendo
sobre a cidade "num suave encantamento" estabelece um ambiente
melancólico e contemplativo. A "alma emotiva e vibrante dos sinos"
contribui para uma atmosfera carregada de saudade e espiritualidade, conectando
o leitor ao estado emocional das personagens.
As personagens centrais, as
velhinhas do asilo, são descritas com um profundo respeito e empatia. Campos
destaca suas mãos cansadas e trêmulas, suas vozes que outrora acalentaram sonos
e seus olhos velados pela neblina do tempo. Essa descrição cria uma imagem
vívida de mulheres que viveram vidas de sacrifício e trabalho, mas que agora
encontram um momento de paz e reflexão.
A autora utiliza uma série de
símbolos para aprofundar a compreensão do leitor sobre as vidas das velhinhas.
Os rosários de contas grandes simbolizam a devoção religiosa e a perseverança
na fé. As imagens do passado escravocrata ("EITO... O FEITOR... A
SENZALA... A CASA GRANDE...") trazem à tona a dura realidade que essas
mulheres enfrentaram, sugerindo uma vida de sofrimento e resistência.
O texto é estruturado de maneira
fluida, com frases curtas e poéticas que refletem o fluxo dos pensamentos e
memórias das velhinhas. O uso de elipses ("...") contribui para um
ritmo pausado e meditativo, imitando a maneira como as memórias emergem e se
dissipam lentamente. A linguagem é rica em metáforas e personificações, como
"a neblina do tempo" e "a alma emotiva e vibrante dos
sinos", que acrescentam profundidade emocional ao texto.
Nise Campos não apenas conta a
história dessas velhinhas, mas também oferece uma meditação sobre o papel do
tempo e da memória na vida humana. A reverência com que a autora descreve as
velhinhas e suas orações sugere uma admiração pela sua resistência e uma
crítica implícita às injustiças do passado que marcaram suas vidas.
A conclusão do texto, com a
imagem das lágrimas e a saudação "Ave, Maria, cheia de graça",
mistura o sagrado com o profano, reforçando a ideia de que essas mulheres,
através de sua abnegação e amor, alcançaram uma espécie de santidade. Campos presta
homenagem a essas "mães pretas" com um toque de espiritualidade e
gratidão, destacando a dimensão humana e histórica de suas existências.
"As Velhinhas do Asilo de
Pitangui" é uma obra poderosa que combina poesia, memória e história para
oferecer uma visão profundamente emotiva e respeitosa das vidas de mulheres
idosas que carregam em si o peso de um passado difícil. Através de sua
linguagem evocativa e simbologia rica, Nise Campos cria uma narrativa que não
só honra essas mulheres, mas também convida o leitor a refletir sobre temas
universais de tempo, memória e resiliência.
terça-feira, abril 02, 2019
À CÉLIA E AO CORONEL
VIDA & MORTE
O poema "Vida e Morte"
de Nise Campos apresenta uma reflexão sucinta e profunda sobre a dualidade da
existência humana, expressa através de metáforas simples e acessíveis. O
poema é composto por dois quartetos com rimas simples e paralelismos que
reforçam as ideias principais. A métrica é regular, e o ritmo contribui para a
clareza e a força da mensagem. A repetição de conceitos antitéticos entre
"Vida" e "Morte" cria um efeito de contraste que é
fundamental para a compreensão do tema central.
O título "Vida e Morte"
já estabelece o tema dual do poema. A dicotomia é explorada através de
oposições claras:
Calor e Frio: "Vamos
aquecer as mãos, / Que o frio está muito forte, / O calor é que dá Vida / O
frio é que dá a Morte" — O calor é simbolicamente associado à vida, à
vitalidade e ao conforto, enquanto o frio representa a morte, a inércia e a
privação. Esse contraste é comum na literatura, onde o calor é frequentemente
ligado ao amor, à energia e à criação, e o frio à morte, ao afastamento e ao
vazio.
Bem e Mal: "Vamos fazer o
bem / Que há muita gente sem sorte / O Bem é que dá a Vida! / O Mal é que dá a
Morte!" — A segunda estrofe
trata do bem e do mal como forças morais que influenciam a existência. O bem,
associado à vida, sugere ações positivas, altruísmo e sorte, enquanto o mal,
associado à morte, implica destruição, sofrimento e azar. A mensagem aqui é um
apelo à prática do bem como forma de vivificar a si mesmo e aos outros.
A linguagem é direta e
despretensiosa, o que torna o poema acessível e universal. Nise Campos utiliza
uma estrutura simples, mas eficaz, para comunicar verdades complexas sobre a
vida humana. A repetição das palavras "Vida" e "Morte" e
dos conceitos de "calor/frio" e "bem/mal" cria uma ênfase
que reforça a importância desses dualismos. A mensagem central do poema parece
ser um apelo à ação positiva e à empatia. Campos nos lembra que, mesmo em face
das dificuldades (simbolizadas pelo frio e pelo mal), a escolha pelo calor
humano e pelo bem pode promover a vida e o bem-estar. O poema sugere que a vida
é fortalecida por ações de bondade e calor humano, enquanto a morte e a
destruição são alimentadas pelo mal e pela indiferença.
"Vida e Morte" é um
poema que, em sua brevidade, oferece uma reflexão poderosa sobre as escolhas
que moldam nossa existência. Através de metáforas claras e um estilo direto,
Nise Campos consegue transmitir uma mensagem de esperança e responsabilidade
moral, convidando-nos a aquecer nossas vidas com ações positivas e a afastar o
frio da indiferença e do mal. Este poema, portanto, não só reflete a dualidade
intrínseca da condição humana, mas também serve como um guia moral,
incentivando a prática do bem como um meio de vivificar e enriquecer nossas
vidas e as vidas daqueles ao nosso redor.
https://orcid.org/0009-0002-8056-8407










