quinta-feira, abril 04, 2019

NISE CAMPOS (FOTO 2)

Venha conhecer a inspiradora trajetória de Nise Álvares da Silva Campos, uma educadora, escritora e cidadã honorária que deixou um legado inestimável para a cidade de Itaúna

Nascida em Itapecerica, MG, em 1907, Nise dedicou sua vida à educação e à cultura, influenciando gerações e deixando uma marca indelével na literatura e no ensino. 

No vídeo "Memorial Nise Campos," você descobrirá como essa mulher notável transformou vidas com sua paixão pelo ensino, sua contribuição à literatura, e seu engajamento filantrópico e religioso. 

Um tributo emocionante que celebra não apenas suas realizações, mas também a memória de uma vida dedicada ao conhecimento e à comunidade.



Referências:
Organização: Charles Aquino
Restauração Imagem: Charles Aquino
Imagem: Nise Álvares da Silva Campos (In Memoriam)

quarta-feira, abril 03, 2019

SE INVEJA É PECADO...

Nise Campos
1961


Nesses toscos versos essa confissão vos faço
E, nessas pobres rimas, penitenciar-me venho!
Pois, se alma peca em sentir inveja,
Esse pecado, Senhor, esse pecado eu tenho!
Invejo a simplicidade do ranchinho humilde
E a lirial beleza da criança...

Invejo os que trazem a alegria n’alma
E o conforto da fé e da esperança!
Invejo a paz que reina na aldeiazinha pobre,
Onde, cristalina, flui a água das fontes,
Invejo as caravanas que atravessam os areais desertos,
Os que transpõem os mares, os que galgam montes!

Invejo as mãos que espalham benção
Na leveza do carinho e do perdão...
Aos que distribuem a luz da graça,
Na messe do amor, na fartura do pão!

Invejo os velhinhos de cabeças brancas
Que, cansados, percorrem a grande estrada...
A esses que sofreram amargos desenganos
E que chegando vão ao fim da encruzilhada!

Invejo a trêfega andorinha
Que, em graciosos bandos, o espaço cobre...
Invejo a flor, a selva, o mar, o sol, as errantes nuvens!

Invejo tudo o que é simples, tudo o que é belo,
Tudo o que é nobre!

Perdoai-me, Senhor, porque a vós, contrita, brado:
Pois, se a alma peca em sentir inveja,
Eu tenho, meu Deus, esse pecado.


Análise do poema - Se inveja é pecado ...

O poema "Se Inveja é Pecado..." de Nise Campos, escrito em 1961, é uma confissão franca e sincera sobre os sentimentos de inveja que permeiam a alma do eu lírico. A estrutura do poema é simples, composta por estrofes de quatro versos com rimas alternadas, o que contribui para a sensação de fluidez e confissão.

A temática principal do poema é a inveja e o reconhecimento desse sentimento como um pecado. Desde o título, a autora coloca o leitor diante da reflexão sobre a natureza pecaminosa da inveja. Essa emoção é explorada ao longo do poema através de uma série de exemplos de coisas simples, belas e nobres que despertam inveja no eu lírico.

A linguagem utilizada é simples e direta, o que reforça a sinceridade da confissão. Os versos são desprovidos de ornamentos e vão direto ao cerne da questão, expondo a vulnerabilidade do eu lírico e sua luta contra esse sentimento pecaminoso.

Através de imagens evocativas, o poema retrata a inveja como um sentimento que surge diante da contemplação da beleza e da simplicidade do mundo ao redor. Desde a simplicidade de um ranchinho humilde até a graça de uma andorinha em voo, tudo desperta a inveja do eu lírico, que reconhece sua fraqueza diante dessas manifestações de pureza e nobreza.

Ao final, o eu lírico volta-se para Deus em busca de perdão, reconhecendo sua fraqueza e pecaminosidade. Essa busca por redenção encerra o poema de forma poderosa, deixando uma sensação de humildade e arrependimento.

Em suma, "Se Inveja é Pecado..." é um poema que aborda de forma direta e expandida a complexidade da inveja como um sentimento humano universal, enquanto reflete sobre a necessidade de redenção e perdão diante desse pecado moral.




Referências:
Organização, pesquisa e análise: Charles Aquino
Fonte: Itaúna Humana e Pitoresca. Coletânea de
itaunenses natos e adotivos. Org.Luís Gonzaga Fonseca.
“Se Inveja é Pecado”, Nise Campos, 1961, p.93.
Texto: Nise Álvares da Silva Campos (In Memoriam)
Acervo: Shorpy

EXALTAÇÃO À ÁRVORE

Caesalpinia férrea plantada em 1935
Praça Dr. Augusto Gonçalves - Itaúna/MG  

Nise Campos
Outubro de 1986

Itaunense, Mineiro, Gente do Brasil inteiro.
Integrem-se na campanha do verde, movimento de redenção.
O verde é a vida da terra, como a esperança é a vida do coração.

Para fazer o bem, o homem movimenta-se, anda, fala, luta,
O mesmo faz para praticar o mal,
Pois o Homem pode ser anjo ou ser chacal.

A árvores não. Ereta, firme, presa ao solo,
É da terra laboratório de oxigênio, de água e luz.
Parece até que a primeira árvore foi aqui plantada
Pelas mãos augustas de Jesus.

Quando se rebela, o Homem se transforma em animal ou fera.
A árvore não.
Quando se enfurece, ela até parece de Deus sentinela.
E como é sublime! E como é bela, varrendo o céu,
Espanando o espaço, sanando a atmosfera! ...

Ela embala o berço dos passarinhos
Que se aconchegam felizes em seus ninhos.
Ensinando ao Homem a beleza do lar,
Pois quando vem o entardecer,
Ou quando o sol torna a sair,
Eles cantam a alegria de viver.

Quando ela tomba, ao golpe do machado,
É ainda um gênio alado
Que acende a lareira e nos dá calor.
Para enfeitar a casa, lar do nosso amor ...
Amemo-la. Plantemo-la em profusão,
Porque ela é a vida e da terra o pulmão.
E no fim de nossos dias
Ela nos agasalha o corpo num gesto de perdão.

Referências:
Organização e Fotografia: Charles Aquino
Acervo: Lindomar Batista Lage
Texto: Nise Álvares da Silva Campos (In Memoriam)


Análise do poema 

O poema de Nise Campos, datado de outubro de 1986. A flexibilidade formal permite uma expressão mais livre dos sentimentos e ideias da autora. A linguagem é simples e direta, facilitando a compreensão e a conexão emocional com o leitor.

O poema aborda temas ecológicos e humanísticos, destacando a relação entre o homem e a natureza, especificamente as árvores. A autora utiliza a árvore como um símbolo multifacetado que representa vida, estabilidade e beleza. O contraste entre o comportamento humano e a natureza é um tema central, com a árvore servindo como um exemplo de constância e beneficência, enquanto o homem é descrito como capaz de tanto o bem quanto o mal.

O poema estabelece um claro contraste entre o comportamento humano, que pode ser tanto destrutivo quanto criativo, e a árvore, que é invariavelmente benéfica. A imagem do homem se transformando em "animal ou fera" quando rebelde, contra a árvore que permanece como uma "sentinela de Deus," reforça essa dicotomia.

A mensagem do poema é um apelo à consciência ecológica e ao amor pela natureza. A autora clama pela integração na "campanha do verde," destacando a importância das árvores como pulmões da terra e fonte de vida. Há um tom didático e esperançoso, sugerindo que a preservação da natureza é tanto um dever quanto uma forma de redenção.

A linguagem do poema é rica em metáforas e imagens visuais, criando uma sensação de vivacidade e movimento. A repetição de certas estruturas, como "A árvore não," e a utilização de contrastes, como entre a rebeldia do homem e a serenidade da árvore, ajudam a reforçar os pontos principais e a criar um ritmo interno.

O poema de Nise Campos é uma evocação lírica da importância das árvores e uma crítica ao comportamento humano em relação à natureza. Através de uma combinação de simbolismo religioso, imagética rica e um tom apelativo, a autora busca inspirar um maior respeito e cuidado pela natureza. É uma obra que continua relevante, especialmente em tempos de crescente preocupação ambiental.

Charles Aquino




FELICIDADE

Agosto de 1934/1984
(Homenagem aos 50 anos do poema)



Vem, Felicidade! Vem de leve
Cariciar-me com tuas mãos macias...
É Primavera. Vem, Felicidade!
Em meu jardim já se abriram rosas.
O céu distante se vestiu de azul.
Felicidade, pode vir devagarinho.
As manhãs são frias em sua luz tão doce!
As aves cantam nos seus ninhos
E dos ninhos voam só canções de amor...
E, em torno delas, os colibris adejam...

Anda, Felicidade, vem ver a festa
Que a natureza ostenta: — há prata no orvalho,
Cristal na fonte, ouro novo nos ocasos há...
Em minha alma, só pranto e cisma
E, fora jorram turbilhões de luz!
Vem. Não tenhas medo, Felicidade...


Análise do Poema "Felicidade" de Nise Campos

 O poema "Felicidade", escrito por Nise Campos em 1934, é uma obra que ressoa através das décadas, sendo lembrada em 1984 e agora, em 2024, noventa anos após sua criação. A longevidade deste poema pode ser atribuída à sua temática universal e à beleza de suas imagens poéticas, que continuam a tocar os leitores de diferentes épocas.

O poema é composto por duas estrofes, cada uma rica em imagens sensoriais e símbolos da natureza. A estrutura do poema, com versos livres e ritmo suave, contribui para a sensação de tranquilidade e desejo de harmonia que permeia todo o texto. A felicidade, personificada como uma entidade convidada a participar da vida do eu lírico, é o tema central. O convite feito à felicidade é reforçado pela repetição da palavra "vem", que abre e permeia as estrofes, sugerindo uma urgência suave, um anseio profundo por alegria e plenitude.

Nise Campos utiliza uma série de imagens da natureza para criar um ambiente de serenidade e beleza — "Em meu jardim já se abriram rosas" sugere a prontidão do ambiente para receber a felicidade, com a primavera simbolizando renovação e novos começos; — “O céu distante se vestiu de azul" e "As manhãs são frias em sua luz tão doce!" ampliam a sensação de calma e paz.

Os elementos naturais simbolizam diferentes aspectos da felicidade e do desejo de união com a natureza — Rosas e colibris representam beleza, delicadeza e a efemeridade da vida; — Orvalho, fonte, e ocasos pintam um quadro de preciosidade e transitoriedade, onde a felicidade é algo precioso e fugaz.

O poema também revela um contraste entre o mundo interior do eu lírico e o esplendor do mundo exterior — "Em minha alma, só pranto e cisma" contrasta com "fora jorram turbilhões de luz!", indicando um estado interno de tristeza e reflexão em oposição à beleza exuberante do mundo natural; — Este contraste intensifica o anseio por felicidade, destacando a discrepância entre o desejo interno e a realidade externa.

Escrito em 1934, o poema surge em um período de grandes transformações globais e pessoais. A busca pela felicidade em meio à incerteza reflete um desejo universal que permanece relevante até hoje. Em 1984, cinquenta anos depois, o poema foi relembrado, talvez por um novo contexto histórico que novamente fez ressoar a necessidade de buscar beleza e felicidade em tempos difíceis. Em 2024, noventa anos depois, a obra de Nise Campos continua a encontrar ressonância, demonstrando que os anseios humanos básicos permanecem inalterados pelo tempo.

A durabilidade e relevância do poema podem ser atribuídas à sua capacidade de capturar uma verdade emocional fundamental: a busca incessante pela felicidade, a apreciação da beleza natural e o contraste entre o mundo interno e externo. Através de suas imagens vívidas e sentimentos profundos, "Felicidade" de Nise Campos se torna um testemunho eterno da condição humana.

A beleza e a profundidade do poema "Felicidade" garantem que ele permaneça relevante e tocante, independentemente da época. Através de suas imagens poéticas e símbolos naturais, Nise Campos capturou uma essência da experiência humana que continua a ressoar, fazendo com que sua obra seja continuamente lembrada e apreciada.



Referências:
Organização, pesquisa e análise: Charles Aquino
Acervo: Lindomar Batista Lage
Texto: Nise Álvares da Silva Campos (In Memoriam)
Acervo: Shorpy


AS VELHINHAS DO ASILO DE PITANGUI

Nise Campos
Junho 1962



A tarde vem descendo sobre a cidade num suave encantamento. Parece nascer de suas serras mistério desta hora. A alma emotiva e vibrante dos sinos derrama uma saudade triste no coração dos morros. As velhinhas do asilo rezam a oração da tarde ...

As suas mãos cansadas e trêmulas, aquelas mãos afeitas ao trabalho rude, mal seguram os rosários de contas grandes. Aquelas vozes, que já acalentaram tantos sonos, nas cantigas tristes de motivos afro-brasileiros, parecem vir de longe, das brumas do passado...

Nos seus olhos, que a neblina do tempo vela, dançam sobras de dor e saudade... Descansam aqueles braços na recordação dos berços que embalaram ...

Rezem as velhinhas do Asilo a sua oração da tarde. Rezem e sonham ... Só agora podem sentir a emoção dos dias que viveram ... Aqueles longos dias que eram seus ...

Sentem livres o pensamento e o coração, agora que lhes faltam asas para a liberdade. Quanta doçura naqueles olhos que voltam longe no tempo e no espaço, onde só antigas visões podem vislumbrar!
...

E as paredes brancas da capela amiga vão se afastando e desaparecem ... Abre-se, lentamente, o largo cenário.

O EITO... O FEITOR... A SENZALA... A CASA GRANDE... Ave, Maria, cheia de graça...

Surgem, vagarosamente muito brancas, as paredes da capela. É o presente que volta. Caem lágrimas daqueles olhos tristes. Saudades? ... Bela e santa abnegação.

Beijo vos, em espirito, as mãos, doces velhinhas ... dedicadas mães pretas de meus pais e avôs.

Na missão que cumpriste, fizestes mais do que manda a divina lei: Amastes o próximo mais do que a vós mesmas! ...  

Análise "As Velhinhas do Asilo de Pitangui" 

O texto "As Velhinhas do Asilo de Pitangui" de Nise Campos, escrito em 1962, é uma peça literária que combina elementos poéticos e narrativos para pintar um quadro evocativo das vidas e emoções de idosas residentes em um asilo. A autora utiliza uma linguagem rica e metafórica para explorar temas de saudade, memória e resignação, refletindo sobre a história e a condição humana dessas mulheres.

O principal tema do texto é a passagem do tempo e a reflexão sobre a vida e a memória. Campos aborda a nostalgia e a dor silenciosa das velhinhas que, ao rezarem a oração da tarde, são transportadas de volta a tempos passados, revivendo lembranças de trabalho duro, maternidade e servidão. A evocação do passado escravocrata do Brasil é um motivo central, especialmente com a menção ao "EITO... O FEITOR... A SENZALA... A CASA GRANDE...".

A descrição da tarde descendo sobre a cidade "num suave encantamento" estabelece um ambiente melancólico e contemplativo. A "alma emotiva e vibrante dos sinos" contribui para uma atmosfera carregada de saudade e espiritualidade, conectando o leitor ao estado emocional das personagens.

As personagens centrais, as velhinhas do asilo, são descritas com um profundo respeito e empatia. Campos destaca suas mãos cansadas e trêmulas, suas vozes que outrora acalentaram sonos e seus olhos velados pela neblina do tempo. Essa descrição cria uma imagem vívida de mulheres que viveram vidas de sacrifício e trabalho, mas que agora encontram um momento de paz e reflexão.

A autora utiliza uma série de símbolos para aprofundar a compreensão do leitor sobre as vidas das velhinhas. Os rosários de contas grandes simbolizam a devoção religiosa e a perseverança na fé. As imagens do passado escravocrata ("EITO... O FEITOR... A SENZALA... A CASA GRANDE...") trazem à tona a dura realidade que essas mulheres enfrentaram, sugerindo uma vida de sofrimento e resistência.

O texto é estruturado de maneira fluida, com frases curtas e poéticas que refletem o fluxo dos pensamentos e memórias das velhinhas. O uso de elipses ("...") contribui para um ritmo pausado e meditativo, imitando a maneira como as memórias emergem e se dissipam lentamente. A linguagem é rica em metáforas e personificações, como "a neblina do tempo" e "a alma emotiva e vibrante dos sinos", que acrescentam profundidade emocional ao texto.

Nise Campos não apenas conta a história dessas velhinhas, mas também oferece uma meditação sobre o papel do tempo e da memória na vida humana. A reverência com que a autora descreve as velhinhas e suas orações sugere uma admiração pela sua resistência e uma crítica implícita às injustiças do passado que marcaram suas vidas.

A conclusão do texto, com a imagem das lágrimas e a saudação "Ave, Maria, cheia de graça", mistura o sagrado com o profano, reforçando a ideia de que essas mulheres, através de sua abnegação e amor, alcançaram uma espécie de santidade. Campos presta homenagem a essas "mães pretas" com um toque de espiritualidade e gratidão, destacando a dimensão humana e histórica de suas existências.

"As Velhinhas do Asilo de Pitangui" é uma obra poderosa que combina poesia, memória e história para oferecer uma visão profundamente emotiva e respeitosa das vidas de mulheres idosas que carregam em si o peso de um passado difícil. Através de sua linguagem evocativa e simbologia rica, Nise Campos cria uma narrativa que não só honra essas mulheres, mas também convida o leitor a refletir sobre temas universais de tempo, memória e resiliência.



Referências:
Organização, pesquisa e análise: Charles Aquino
Texto: Nise Álvares da Silva Campos (In Memoriam)
Fonte: Jornal Diário do Oeste, Divinópolis, nº 824, 1 de junho de 1962, p.13  



terça-feira, abril 02, 2019

À CÉLIA E AO CORONEL

MAIO DE 1986

UM CASAL DIFERENTE NA VIDA
SEMPRE JUNTO COM AMOR
UNIDO NA MESMA FÉ
SOB AS GRAÇAS DO SENHOR

PROMESSA A MESMA DOUTRINA
À LUZ DA CODIFICAÇÃO
AFETOS DE UMA SÓ ALMA
FORÇA DE UM CORAÇÃO

RECEBE A GRAÇA DIVINA
E A TODOS ELA TRANSMITE
É ASSIM QUE NOS ENSINA
O CASAL CÉLIA MITH


Referências:
Organização: Charles Aquino
Texto: Nise Álvares da Silva Campos (In Memoriam)
Colaborador: Coronel Smith Alves Valentino
Acervo: Shorpy



VIDA & MORTE


Vamos aquecer as mãos,
Que o frio está muito forte,
O calor é que dá Vida
O frio é que dá a Morte

Vamos fazer o bem
Que há muita gente sem sorte
O Bem é que dá a Vida!
O Mal é que dá a Morte!


"Vida e Morte"

O poema "Vida e Morte" de Nise Campos apresenta uma reflexão sucinta e profunda sobre a dualidade da existência humana, expressa através de metáforas simples e acessíveis. O poema é composto por dois quartetos com rimas simples e paralelismos que reforçam as ideias principais. A métrica é regular, e o ritmo contribui para a clareza e a força da mensagem. A repetição de conceitos antitéticos entre "Vida" e "Morte" cria um efeito de contraste que é fundamental para a compreensão do tema central.

O título "Vida e Morte" já estabelece o tema dual do poema. A dicotomia é explorada através de oposições claras:

Calor e Frio: "Vamos aquecer as mãos, / Que o frio está muito forte, / O calor é que dá Vida / O frio é que dá a Morte" — O calor é simbolicamente associado à vida, à vitalidade e ao conforto, enquanto o frio representa a morte, a inércia e a privação. Esse contraste é comum na literatura, onde o calor é frequentemente ligado ao amor, à energia e à criação, e o frio à morte, ao afastamento e ao vazio.

Bem e Mal: "Vamos fazer o bem / Que há muita gente sem sorte / O Bem é que dá a Vida! / O Mal é que dá a Morte!" —  A segunda estrofe trata do bem e do mal como forças morais que influenciam a existência. O bem, associado à vida, sugere ações positivas, altruísmo e sorte, enquanto o mal, associado à morte, implica destruição, sofrimento e azar. A mensagem aqui é um apelo à prática do bem como forma de vivificar a si mesmo e aos outros.

A linguagem é direta e despretensiosa, o que torna o poema acessível e universal. Nise Campos utiliza uma estrutura simples, mas eficaz, para comunicar verdades complexas sobre a vida humana. A repetição das palavras "Vida" e "Morte" e dos conceitos de "calor/frio" e "bem/mal" cria uma ênfase que reforça a importância desses dualismos. A mensagem central do poema parece ser um apelo à ação positiva e à empatia. Campos nos lembra que, mesmo em face das dificuldades (simbolizadas pelo frio e pelo mal), a escolha pelo calor humano e pelo bem pode promover a vida e o bem-estar. O poema sugere que a vida é fortalecida por ações de bondade e calor humano, enquanto a morte e a destruição são alimentadas pelo mal e pela indiferença.

"Vida e Morte" é um poema que, em sua brevidade, oferece uma reflexão poderosa sobre as escolhas que moldam nossa existência. Através de metáforas claras e um estilo direto, Nise Campos consegue transmitir uma mensagem de esperança e responsabilidade moral, convidando-nos a aquecer nossas vidas com ações positivas e a afastar o frio da indiferença e do mal. Este poema, portanto, não só reflete a dualidade intrínseca da condição humana, mas também serve como um guia moral, incentivando a prática do bem como um meio de vivificar e enriquecer nossas vidas e as vidas daqueles ao nosso redor.


Referências:
Organização eanálise do poema: Charles Aquino
Texto: Nise Álvares da Silva Campos (In Memoriam)
Acervo: Lindomar Batista Lage