Irmã Benigna: O
Legado das Irmãs Auxiliares em Itaúna. Em 7 de junho de
1916, foi lançada a pedra fundamental do Hospital Casa de Caridade Manoel
Gonçalves de Souza Moreira, em Itaúna/MG. A bênção do prédio ocorreu em 14 de
novembro de 1919, presidida por Dom Silvério Gomes Pimenta. O primeiro Conselho
deliberativo se reuniu em 14 de dezembro de 1920, transformando a "Santa
Casa de Itaúna" em um importante centro médico.
O Padre João
Ferreira Álvares da Silva contratou as Irmãs Auxiliares de Nossa Senhora da
Piedade para administração interna do hospital em 21 de fevereiro de 1921. As
primeiras irmãs designadas foram: Irmã Superiora Natividade e suas auxiliares
Dolores, Inácia, Margarida e Nazareth. Uma capela foi construída em 1922, onde
as irmãs celebravam missas e ofereciam conforto espiritual.
Em 1923, a
administração passou para a Irmã Superiora Vicência e suas auxiliares Isabel,
Celeste e Inácia, seguidas por outras mudanças de liderança ao longo dos anos.
As irmãs desempenharam um papel crucial na promoção da saúde e do bem-estar da
comunidade. Em 1939, assumiram a liderança de uma escola e do internato
vinculado à Escola Normal Manoel Gonçalves de Souza Moreira, hoje Escola
Estadual de Itaúna.
Em 1942, dados
registrados mostraram que o hospital atendeu 7.409 pacientes em 21 anos, com
6.917 recuperados. As estatísticas demonstraram a eficácia do trabalho das
irmãs. Ao todo, 40 irmãs serviram na Santa Casa de Itaúna. O reverendo Padre
João Ferreira Álvares da Silva foi o primeiro capelão, desempenhando um papel
crucial no conforto espiritual.
Irmã Dolores,
falecida em 12 de dezembro de 1946, dedicou sua vida à fé e ao sacrifício,
mesmo diante de intenso sofrimento. Seu legado é um testemunho de devoção e
inspiração.
Irmã Benigna
Víctima de Jesus, uma mulher negra e pobre, enfrentou a rejeição inicial, mas
encontrou seu lugar na Congregação das Irmãs Auxiliares de Nossa Senhora da
Piedade. Em 1935, tornou-se membro e, em 1941, fez seus votos perpétuos. Como
Irmã Superiora, criou uma maternidade e liderou a Santa Casa de Itaúna,
deixando um legado duradouro de melhores serviços de saúde.
Em 1947, concluiu
seu mandato como superiora do hospital. Em 1948, completou sua missão em
Itaúna, marcando sua passagem com amor, fé e compaixão. Seu legado abrangeu
cuidados médicos e apoio espiritual, transformando o hospital em um centro de
referência.
As Irmãs
Auxiliares da Piedade deixaram um legado profundo em Itaúna, abrangendo saúde e
conforto espiritual. Com competência e dedicação, geriram o Hospital Casa de
Caridade Manoel Gonçalves de Souza Moreira, transformando-o em um centro de
excelência em saúde e educação, refletindo seu compromisso humanitário e
espiritual.
COUTINHO. Antônio Augusto de Lima. A mésse de um decênio. Algumas observações clínico cirúrgicas em dez anos de atividades profissional. Tip. São João, Itaúna, MG, 1932, p.12-15.
Ata da Casa de Caridade Manoel Gonçalves de Souza Moreira — Itaúna/MG. Registrado sob nº 16.539 às fls 272 vº do Livro A-XI, p.5-15.
IRMÃ
BENIGNA: O LEGADO DAS IRMÃS AUXILIARES EM ITAÚNA
Em 7 de junho de 1916, foi
lançada “a pedra basilar” de um hospital, Casa de Caridade Manoel Gonçalves de
Souza Moreira, na cidade de Itaúna/MG, em homenagem ao seu fundador. Em 14 de
novembro de 1919 a “bênção do prédio” foi presidida por Dom Silvério Gomes
Pimenta, professor, poeta e arcebispo de Mariana com um grande “número de
pessoas gradas” e autoridades. O primeiro Conselho deliberativo reuniu-se em 14
de dezembro de 1920. Este ato transformou a “Santa Casa de Itaúna” em um
importante centro médico da região. O estabelecimento contava com uma equipe
qualificada de médicos e cirurgiões, além de uma farmácia abastecida com
diversos insumos, o que atraiu muitos pacientes que o consideravam de fácil
acesso devido à proximidade com a linha férrea.
O Pároco da cidade era o Padre
João Ferreira Álvares da Silva, “amigo sincero” de Monsenhor Domingos
Evangelista Pinheiro, fundador da CIANSP — Congregação das Irmãs Auxiliares de
Nossa Senhora da Piedade — em Caeté/MG em 1892. E “pela sua intervenção
consegui e foram contratadas as Irmãs Auxiliares da Piedade para administração
interna, no dia 21 de fevereiro de 1921 com todo o conforto espiritual e
material”.
Segundo os estatutos da Casa de
Caridade de Itaúna, a partir desta data, foram designadas para trabalhar no
hospital as primeiras irmãs — Irmã Superiora Natividade e suas auxiliares: Irmã
Dolores, Irmã Inácia, Irmã Margarida e Irmã Nazareth. Aproximadamente em 1922,
foi construída uma capela no interior do hospital. Nesta Capela da Casa de
Caridade, meticulosamente ornada pelas devotas Irmãs Auxiliares da Piedade, era
celebrado todos os dias com alegria o Santo Sacrifício da Missa. Os fiéis se
reuniam para rezar o terço, e receber a benção do S.S. Sacramento aos domingos,
quintas-feiras, primeira sexta-feira de cada mês e nos dias santos de guarda.
Diariamente, as Irmãs, juntamente com os doentes e todos os membros do pessoal
interno e externo, participavam na distribuição da “Santa Comunhão”.
Foi instituída a adoração mensal do S.S.
Sacramento, durante a qual as Irmãs se uniam aos enfermos e aos devotos em uma
hora solene de oração. Neste momento sagrado, era dirigido as súplicas ao santo
Padre, ao estimado Dom Antônio dos Santos Cabral, ao Monsenhor Domingos
Evangelista Pinheiro, a todas as ordens religiosas, ao fundador Manoel
Gonçalves de Souza Moreira e a todos aqueles que governavam e trabalhavam na
Casa de Caridade. Para garantir a lembrança eterna do sacrifício do Redentor,
as Irmãs ministravam diligentemente o catecismo, preparando os enfermos para a
primeira comunhão, ao mesmo tempo que expressavam gratidão ao Altíssimo, à S.S.
Virgem da Piedade e ao glorioso São José. Todos os indivíduos que morreram na Santa
Casa de Itaúna, receberam o sacramento da Sagrada Comunhão e a unção
reconfortante da Unção Eterna, acompanhados de orações e apoio compassivo.
Já final de 1923, a primeira
administração foi substituída pela Irmã Superiora Vicência e suas auxiliares: Irmãs
Isabel, Celeste e Inácia. Em 1925, como Irmã Superiora Cândida e suas
auxiliares: Irmãs Mercês, Natividade, Isabel, Inácia e Celeste. Em 1932, como Irmã
Superiora Dolores e suas auxiliares: Irmãs Celeste, Cecília, Marta e
Josefa.
As Irmãs Auxiliares da Piedade
passaram a desempenhar na Casa de Caridade um importante papel na promoção da
saúde e do bem-estar da comunidade itaunense e cidades adjacentes. O
comprometimento e a competência das irmãs na gestão das atividades do hospital
e no cuidado aos pacientes conquistaram grande reconhecimento e eterna gratidão
por parte dos enfermos e necessitados. Em 1939, as irmãs assumiram a liderança de
uma escola, promovendo a formação moral e acadêmica dos alunos. Paralelamente,
a congregação assumiu o controle do internato vinculado à Escola Normal Manoel
Gonçalves de Souza Moreira, uma instituição importante para a educação da
região, fundada pela Casa de Caridade — hoje conhecida como Escola Estadual de
Itaúna.
Em 24 de maio de 1942, foram
registradas informações sobre os trabalhos realizados ao longo dos 21 anos de
serviços prestados no Hospital de Itaúna — o estabelecimento atendeu um total
de 7.409 pacientes, dos quais 6.917 tiveram alta após recuperação total. Esses
dados servem como evidência para enfatizar a eficácia e o significado dos
esforços realizados pelo corpo clínico em conjunto com as Irmãs Auxiliares da Piedade. Além disso, ocorreram 492
mortes de pacientes, sublinhando a gravidade das condições abordadas.
A prestação de serviços externos
gratuitos pela policlínica também desempenhou um papel crucial, pois houve um
aumento substancial do atendimento. Os procedimentos ambulatoriais dignos de
nota incluíram 46.628 curativos, 48.910 injeções e 38.912 consultas, além de
outros serviços essenciais, como 9.112 pequenas cirurgias, 10.590
radiações-ultra-violeta, 12.997 exames de urina e 8.267 lavagens vaginais.
Em termos de serviços internos da
enfermaria os números foram igualmente impressionantes, com 62.240 injeções,
50.108 curativos, 10.201 pequenas cirurgias, 12.000 cirurgias de grande porte,
11.212 lavagens vaginais, 13.402 exames de urina e 1.190 radiações-ultra-violeta,
entre outros procedimentos. Estas estatísticas demonstram não só o volume de
trabalho realizado, mas também a natureza abrangente e complexa dos cuidados de
saúde prestados.
Ao todo, durante 21 anos, 40
irmãs se dedicaram às suas nobres funções na Santa Casa de Itaúna. A partir de
1942, a Irmã Superiora Delfina (falecida em julho de 1944) e suas competentes Auxiliares,
Irmãs Josefa, Benigna, Noême e Ubaldina, estiveram envolvidas no serviço e no
cumprimento destas funções. Ao lado das Irmãs, os Revs. Capelães desempenharam
um papel crucial no fornecimento de conforto espiritual. O Reverendo Padre João
Ferreira Álvares da Silva serviu como o primeiro capelão, e foi graças à sua presença
que as Irmãs Auxiliares da Piedade “devem a sua existência nesta digna
Casa de Caridade”, o que garantiu que a congregação continuasse a experimentar
o conforto ilimitado dos atos de beneficência.
Irmã Dolores: Um Legado de Fé e
Sacrifício
O relato detalhado deste momento
final da vida de sacrifício e devoção de Irmã Dolores, foi cuidadosamente registrado
pelo Padre José Netto em 1946:
“Confortada com os sacramentos da Igreja, e
assistida nos seus últimos momentos por quatro sacerdotes, deu a alma a Deus,
numa morte tranquila e santa, a Reverenda Irmã Dolores da Congregação das Irmãs
Auxiliares da Piedade, falecida na Santa Casa, onde estava num leito e dores
havia mais de 10 anos. Foi resignada em seus padecimentos, oferecendo tudo pela
conversão dos pecadores, pela santificação dos sacerdotes. [...] Seu corpo
tomara-se em ferida viva. Foi solenemente encomendada na capela da Santa Casa pelo
Capelão Revmo. Pe. Ubaldo Silveira, na matriz pelo vigário e no cemitério pelo
vigário cooperador. Foram celebradas 4 missas de corpo presente. Seu
falecimento se verificou no dia 12 de dezembro deste ano, as 6h da tarde,
quando os sinos anunciavam a hora de Ângelus.”
A dedicação da Irmã Dolores,
mesmo diante do sofrimento excruciante, serviu como um testemunho de sua
devoção e sacrifício, servindo de inspiração e exemplo para todos que a
conheceram.
Irmã Benigna: Devoção e Liderança de
uma mulher negra
Negra e pobre enfrentou a
rejeição da congregação inicial à qual procurou ingressar. Porém, uma virada
ocorreu quando Dom Carlos de Carmelo Mota, nomeado Bispo Auxiliar em
Diamantina, estabeleceu um vínculo com sua família. Reconhecendo a sua vocação,
ligou-a às Irmãs Auxiliares de Nossa Senhora da Piedade, onde encontrou o seu
lugar e se dedicou a uma vida de santidade. Em 1935, Maria da Conceição Santos,
devota de Nossa Senhora de Lourdes, tornou-se membro da Congregação. Em 1936,
abraçou formalmente a obediência ao fazer seus votos religiosos iniciais. A
partir desse momento, adquiriu o nome de Irmã Benigna Víctima de Jesus,
marcando o início de sua jornada missionária ao se dedicar à prestação de
serviços espirituais em áreas designadas pela Congregação.
Em 1941, participando de
cerimônia em Itaúna, fez os votos perpétuos. Durante este significativo evento,
a Superiora da Congregação e outras religiosas, estiveram presentes para
testemunhar o seu compromisso. A partir de uma investigação realizada neste
ano, com considerável abrangência, é altamente provável que tenha concluído com
êxito um curso de três anos na "Escola de Enfermagem do Estado de São
Paulo", obtendo o prestigiado título de "Enfermeiro Prático
Licenciado". A conceituada instituição era conhecida pela adesão aos
padrões de ensino europeus e norte-americanos, e havia uma lista de formandos
daquele ano que incluía seu nome.
Em 1943, foi nomeada Irmã Superiora,
onde atendeu diligentemente às necessidades de suas irmãs. Irmã Benigna, na
qualidade de diretora da Santa Casa em Itaúna, criou uma maternidade dedicada a
prestar assistência às mães desfavorecidas. Ela não apenas ofereceu apoio
durante o parto, mas também transmitiu conhecimentos valiosos sobre a educação
dos filhos, abrangendo aspectos como saúde, higiene, nutrição e cuidados
emocionais. Em 1946, participou ativamente na cerimônia de lançamento da pedra
fundamental do recém-construído edifício hospitalar em Itaúna, atualmente
reconhecido como Hospital Manoel Gonçalves, abençoado pelo padre Waldemar
Antônio de Pádua Teixeira e pelo padre José Ferreira Netto.
Em 1947, Irmã Benigna concluiu
seu mandato como superiora do hospital, deixando uma profunda
influência na comunidade itaunense e um legado duradouro de melhores serviços
de saúde. Ao lado das Irmãs Auxiliares da Piedade, o seu compromisso compassivo
em prestar cuidados humanos e eficazes contribuiu grandemente para o bem-estar
dos doentes e desfavorecidos. No mesmo ano, em de 16 de novembro, registrou
informações sobre os serviços prestados no Hospital de Itaúna ao longo dos anos
— em 1943, o movimento do estabelecimento incluía 62 cirurgias de grande porte,
6.558 consultas, 7.861 curativos, 2.207 injeções, 366 pequenas cirurgias e
5.138 receitas. Em 1944 foram 8.376 consultas, 84 cirurgias de grande porte,
8.146 curativos, 6.796 injeções, 482 pequenas cirurgias, 8.167 prescrições. Em
1945 foram 7.849 consultas, 76 cirurgias de grande porte, 7.842 curativos,
6.425 injeções, 436 pequenas cirurgias, 7.948 prescrições. De 1946 até outubro
de 1947 foram 8.264 consultas, 69 grandes cirurgias, 7.896 curativos, 5.904
injeções, 392 pequenas cirurgias, 6.948 prescrições.
Em 1948, Irmã Benigna Víctima de
Jesus completou sua missão em Itaúna. Seu legado é definido pelo amor, fé e
compaixão, que ela demonstrou através de dedicação inabalável e altruísmo. Uma
das observações finais da Irmã capta o seu compromisso — “procurei cumprir o
dever que me foi imposto como também na medida de minhas forças, mantive como
foi possível a minha capacidade, a ordem e o respeito dentro do Hospital”.
Sua passagem por Itaúna foi
marcada por um profundo impacto, consolidando-se como um período de
significativa evolução e humanização no atendimento à saúde da comunidade. Os
efeitos das ações caritativas estenderam-se além dos cuidados médicos para
abranger a espiritualidade, atraindo inúmeras pessoas a procurarem consolo em
Deus. No hospital, desempenhou com diligência todos os trabalhos essenciais,
auxiliando os pacientes e seus entes queridos, oferecendo acomodações, sustento
e encorajamento. Através da sua organização nas tarefas cotidianas juntamente
com as orações, bem como da sua abordagem compassiva para com os pacientes,
familiares e funcionários, ela irradiava a sua santidade, resultando numa
multidão de conversões e num aumento de pedidos de orientação e intercessão.
Na prática de enfermagem,
demonstrou também um compromisso inabalável com o bem-estar dos familiares dos
pacientes, garantindo-lhes muitas vezes auxílio no hospital ou na comunidade
local, assegurando a sua proximidade durante o tratamento. Ela não apenas
ofereceu provisões como alimentos, roupas e remédios, mas também deu
orientações valiosas sobre como manter os cuidados adequados em casa.
Irmã Benigna, uma líder negra e
resiliente, transcendeu as dificuldades impostas pela pobreza para se tornar
uma figura de grande impacto na sociedade. Desde jovem, demonstrou uma fé
profunda e um desejo intenso de ajudar os mais necessitados, onde se dedicou a
cuidar de doentes, idosos, órfãos e marginalizados. Ao enfrentar inúmeras
adversidades com resiliência, nunca permitindo que as barreiras sociais a
impedissem de cumprir sua vocação. Sua determinação em servir aos outros se
manifestava em atos concretos de amor e caridade, evidenciando uma
espiritualidade enraizada no serviço ao próximo. Ela não apenas atendia às
necessidades físicas das pessoas, mas também oferecia conforto espiritual,
promovendo a dignidade humana e a esperança.
Nos registros oficiais do
hospital de Itaúna, a dedicação da Irmã Benigna em manter a disciplina e a
reverência dentro da instituição é expressa de forma eloquente, destacando a sua
devoção, liderança e compromisso em cumprir diligentemente as suas responsabilidades.
Nas décadas de 1930 e 1940, Irmã Benigna – uma mulher negra – deixou um legado
imensurável de liderança e comprometimento não só na Santa Casa, mas no
Município de Itaúna (MG).
A Saúde, o Espírito e a Educação: O
legado das Irmãs Auxiliares
O legado de caridade deixado
pelas Irmãs Auxiliares da Piedade em Itaúna é profundo, abrangendo tanto a área
da saúde quanto o conforto espiritual. Durante anos, as Irmãs da Piedade
demonstraram notável competência na gestão dos assuntos internos do Hospital —
Casa de Caridade Manoel Gonçalves de Souza Moreira — estendendo assistência
médica e apoio emocional a inúmeros pacientes. A dedicação não teve limites,
pois realizavam incansavelmente uma infinidade de procedimentos, desde cuidar
de pacientes até auxiliar os médicos em cirurgias, entre outras aplicações.
Em 1923, como por exemplo, uma
paciente chegou à Santa Casa de Itaúna após suportar seis dias de trabalho de
parto em casa. Apesar de uma noite repleta de tentativas frustradas, uma
cesariana foi realizada no outro dia às 7h pelo Dr. Dorinato de Oliveira Lima,
cirurgião do hospital, com auxílio do Dr. Antônio de Lima Coutinho e do Dr.
Dario Gonçalves. Desempenhando um papel crucial no procedimento, Irmã Vicência
administrou habilmente “anestesia clorofórmica”. A correta aplicação da
anestesia foi fundamental para garantir a segurança da paciente e evitar dores
adicionais durante a operação, permitindo aos cirurgiões realizar a cesariana
com eficiência e segurança. Suas ações não apenas aliviaram o sofrimento da
paciente, mas também contribuíram muito para o sucesso do procedimento
cirúrgico. Este compromisso contínuo com o bem-estar da comunidade é uma prova
dos extraordinários serviços prestados pelas irmãs.
A comunidade de Itaúna foi
profundamente influenciada pelas contribuições duradouras das Irmãs Auxiliares
da Piedade. Os seus esforços foram fundamentais para melhorar não só o
bem-estar físico dos indivíduos, mas também para oferecer consolo e orientação
àqueles que enfrentavam adversidades. Além de suas responsabilidades na área da
saúde, as irmãs também fizeram uma contribuição integrando cuidados médicos de
excelência e educação de qualidade. Elas ajudaram a transformar o hospital em
um centro de referência na saúde, enquanto contribuíam significativamente para
a educação e o bem-estar social da comunidade, refletindo seu compromisso
humanitário e espiritual.
O resultado duradouro da sua
devoção e cuidado inabaláveis no cumprimento das suas responsabilidades
hospitalares sublinha a importância de um sistema de saúde compassivo e eficaz.
O seu notável legado serve como testemunho da sua compaixão, compromisso e
experiência, e ainda é apreciado pela comunidade com profundo apreço.
História narrada em vídeo. Imperdível!
Referências:
Organização, arte
e pesquisa: Charles Aquino - Historiador Registro nº 343/MG
COUTINHO. Antônio
Augusto de Lima. A mésse de um decênio. Algumas observações clínico
cirúrgicas em dez anos de atividades profissional. Tip. São João, Itaúna,
MG, 1932, p.12-15.
Ata da Casa de
Caridade Manoel Gonçalves de Souza Moreira — Itaúna/MG. Registrado sob nº
16.539 às fls 272 vº do Livro A-XI, p.5-15.
Jornal Correio
Paulistano, 15 de junho de 1941, Ed. 26.158, p.25. Hemeroteca Digital.
Jornal Correio
Paulistano, 02 de fevereiro de 1941, Ed. 26.047, p.11. Hemeroteca Digital.
Jornal A Noite,
Rio de Janeiro, 16 de outubro de 1925, Ed.4.994, p.7. Hemeroteca Digital.
Jornal Lar
Católico, Minas Gerais, 30 de julho de 1944, Ed.31, p. 11. Hemeroteca Digital.
Jornal O
Apostolo, Rio de Janeiro, 6 de dezembro, 1895, Ed.139, p.3. Hemeroteca Digital.
Livro Tombo I:
Paróquia de Sant’Ana de Itaúna — 1902 a 1947, p. 94.
Irmãs Auxiliares da Piedade em
Itaúna/MG: além de suas responsabilidades na área da saúde, as irmãs também
fizeram uma contribuição integrando cuidados médicos de excelência e educação
de qualidade. Elas transformaram o hospital em um centro de referência na
saúde, enquanto contribuíam significativamente para a educação e o bem-estar
social da comunidade, refletindo seu compromisso humanitário e espiritual.
Organização, arte e pesquisa: Charles Aquino - Historiador Registro nº 343/MG
A cidade de Itaúna, ao longo de sua rica história, foi moldada por mulheres extraordinárias cujas contribuições reverberam através dos tempos. Desde as figuras mais abastadas até as mais humildes, cada uma delas desempenhou papéis vitais que transcenderam suas épocas, deixando marcas indeléveis no coração da comunidade.
Entre as mulheres empreendedoras, destacam-se empresárias visionárias que impulsionaram o desenvolvimento econômico da cidade junto com seus cônjuges. Elas fundaram empresas e instituições que se tornaram exemplo de caridade e fomento a educação local. Suas histórias são de inovação e coragem, desbravando caminhos que antes eram considerados inacessíveis.
Por outro lado, as mulheres trabalhadoras de Itaúna, com sua dedicação e espírito comunitário, desempenharam um papel igualmente crucial. Trabalhadoras incansáveis, elas contribuíram para a construção de uma sociedade mais justa e solidária. Como professoras, enfermeiras, donas de casa e voluntárias, essas mulheres teceram uma rede de apoio que fortaleceu a coesão social e promoveu o bem-estar coletivo.
A força, resiliência e dedicação dessas mulheres estão presentes em cada canto de Itaúna. Seus legados são visíveis nas escolas que educam as futuras gerações, nos hospitais que cuidam da saúde dos cidadãos e nas organizações comunitárias que promovem a cultura e a solidariedade. Elas deixaram um exemplo de liderança e altruísmo que continua a inspirar e guiar os habitantes da cidade.
Essas mulheres notáveis não apenas construíram uma cidade, mas também criaram uma herança de valores e conquistas que permanece viva. Em Itaúna, cada rua, cada praça e cada instituição carrega consigo a essência das mulheres que, com suas histórias e feitos, fizeram da cidade um lugar onde a força do espírito humano brilha intensamente. O legado dessas mulheres é um testemunho poderoso de que, independentemente das circunstâncias, é possível transformar o mundo ao nosso redor com coragem, visão e coração.
Nair Chaves Coutinho: uma educadora dedicada, transformou a Escola Estadual de Itaúna através de sua liderança como professora e diretora. Seu compromisso com a educação pavimentou o caminho para o desenvolvimento intelectual da comunidade itaunense.
Maria Adriana “Bisa”: conhecida como “Bisa” e filha da escrava Francisca Claudina da Silva, também é lembrada por sua numerosa prole, muitos dos quais se destacaram na área da educação.
Dona Sinhá e Maria da Piedade:representa a força e resiliência das trabalhadoras rurais, respectivamente, demonstrando a importância do trabalho árduo na construção da comunidade.
Maria do Carmo: lembrada por sua vida de trabalho e pela luta em criar os filhos sozinha, mas deixou o impacto de suas contribuições.
Maria Viana Mendes: Uma mulher de admiráveis virtudes e habilidades. Era excelente costureira, especialmente para noivas e, sobretudo, parteira, sempre pronta para servir ao próximo.
Maria Gonçalves de Souza Moreira “Dona Cota”: deixou um legado duradouro ao instituir a Fundação São Vicente de Paulo, que continua a servir a comunidade desde 1948.
A Itaunense-Bambuiense, Benigna Consolatrix Chagas Maia foi
encontrada na porta do Hospital Manoel Gonçalves, em 1929 e, ao comemorar 90
anos no dia 10 de fevereiro de 2019, resgata o início de sua história em
Itaúna.
Um
conto de fadas da vida real! Uma menina é encontrada, em fevereiro de 1929,
dentro de um cesto na porta da antiga Casa de Caridade Manoel Gonçalves de Souza Moreira, em Itaúna. Tudo que havia
dentro do cesto era um bilhete com os dizeres; “quero que minha filha se chame Benigna Consolatrix”. Do Latim
antigo, “Suave Conforto”, ou do
Bíblico, “O Bem que Conforta”.
A
família Chagas, originária de Bambuí, no oeste mineiro, paciente no Hospital de
Itaúna, prontamente adota a frágil criança que passa a viver naquela cidade sob
o nome de Benigna Consolatrix Chagas, respeitando o pedido sôfrego traçado nas
linhas daquele bilhete, único objeto que estabelecia relação com a verdadeira
origem do bebê.
Ainda
em Itaúna, na antiga capela da hoje em ruínas Casa de Caridade Manoel Gonçalves
de Souza Moreira, Benigna Consolatrix foi batizada, tendo como padrinhos o Dr.
Dario Gonçalves de Souza, importante cidadão itaunense e patrono da Unidade
SESI do município, que recebe seu nome, e como madrinha sua esposa, D. Judith Camardel
Gonçalves, de tradicional família da capital mineira, como registrado em seu
batistério. Seu enxoval de batismo foi o mesmo utilizado pelo filho de Dr.
Dario, cuja veste Benigna Consolatriz ainda possui. Foi batizada às pressas, já
que todos imaginaram que não sobreviveria.
Por
volta de seus seis anos de idade, uma mulher, vinda de Itaúna, chega a Bambuí,
acompanhada de outra criança de cerca de 4 anos, procurando por Benigna
Consolatrix. A menina é encontrada e uma foto é feita, por um lambe-lambe da
praça da cidade, onde as duas meninas aparecem lado a lado (imagem abaixo e
anexo). Suspeita-se tratar-se da mãe biológica de Benigna e, porventura, que
aquela outra criança fosse sua irmã.
Benigna
Consolatrix, agora também Chagas, viveu, cresceu e se casou em Bambuí com
Aníbal Maia Filho, gerando 7 filhos e 8 netos em mais de 55 anos de matrimônio.
Para
comemorar seus 90 anos, a serem completados no próximo dia 10 de fevereiro de
2019, Benigna Consolatrix Chagas Maia e sua família decidiram visitar a origem
dessa história familiar de tanto amor e afeto. Será realizada uma missa
comemorativa na Matriz de Sant’Ana, em Itaúna, na manhã do domingo, dia 10 de
fevereiro, às 10h, assim como visita às ruínas e ao Hospital Manoel Gonçalves,
onde a menina foi adotada e batizada.
Resgata-se
a própria história de Benigna e da cidade, evidenciando personagens
fundamentais para a constituição do próprio município de Itaúna, além da
promoção e enaltecimento, como utilidade pública, do ato da adoção.
Referências:
Acervo
e Texto: Cléber Maia e família
Acervo:
Professor Marco Elísio Chaves Coutinho (In
Memoriam) Fotografia do Hospital em ruínas: Charles Aquino
O
número de 7.409 doentes aceitos durante esses 21 anos de existência: examinados
pelos Médicos assistentes e feito diagnósticos; foram internados e receberam o
necessário segundo a prescrição médica. Deles 6.917 receberam alta
completamente restabelecidos e faleceram 492.
Serviços
externos gratuitos da policlínica, funcionam regularmente e tiveram o seu
movimento aumentando.
Para
os externos foram aplicados
Curativos
46.628
Aplicação de Injeção
48.910
Pequenas operações
9.112
Lavagens vaginais
8.267
Exames de urina
12.997
Consultas
38.912
Radiações-ultra-violeta
10.590
Serviços
internos das enfermarias e administração interna do hospital continuam a cargo
das Irmãs Auxiliares da Piedade; com dedicação e proficiência desempenhando
todo serviço do hospital no zelo e o amor no cumprimento de seus deveres, tem
despertado o mais profundo reconhecimento, gratidão dos enfermos e desvalidos.
São examinados pelos Médicos e assistentes.