Mostrando postagens com marcador Fagundes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Fagundes. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, outubro 03, 2019

AFOGADELA DO PALHAÇO

Osório FAGUNDES*

Outra passagem relacionada com o Rio São João me foi revelada também por D.ª Clotilde. Ela se casara no ano de 1920 e passara a residir nas proximidades da estação local, hoje, Rua D.ª Cota.

Periodicamente, determinado Circo de Cavalinhos, (como era conhecido pelo povo) dava os seus espetáculos na cidade e era seu costume permanecer aqui boas temporadas. No decorrer do tempo, uma empregada de D.ª Clotilde ficou noiva de um dos palhaços do circo.

Vez por outra, o referido palhaço gostava de tomar banho e nadar no açude do Rio São João, junto aos moinhos de fubá. Certo dia, ele voltara ao referido local para a prática de seu esporte de natação. Constantemente, ele gostava de mergulhar na água, dando as suas braçadas lá pelo fundo do açude.

Numa dessas vezes, ele permaneceu demorando muito debaixo d'água. Alguns meninos que estavam por ali, admirando as proezas do nadador, notando que o palhaço demorava muito a voltar à tona, deram o alarme e dentro de poucos instantes ajuntaram diversas pessoas ao redor daquele represamento d'água.

Alguns dos homens ali reunidos mergulharam na água, a fim de encontrar o corpo do infeliz palhaço. Depois de alguns mergulhos e buscas, acharam-no finalmente, trazendo à tona.

O cadáver foi levado até a pracinha defronte à venda do Serafim. D.ª Clotilde foi também ver o corpo do noivo de sua empregada. Esta ficou inconsolável com a ocorrência, vendo morto o seu noivo.

Ali, ao redor do morto, havia comentários de que o palhaço pulara dentro d'água logo após o almoço, o que lhe ocasionara uma congestão. Comentário comum na boca do povo para explicar tais ocorrências.

A verdade é que o palhaço que fizera rir tantas vezes a criançada da cidade e também adultos foi tragado pelas águas do Rio São João, entregando a sua alma a Deus na terra de Santana! . . . certamente, este seu fim já estava registrado na sua conta corrente do Céu! . . . 

Esta lamentável ocorrência deu-se no ano de 1923.



Texto: *Osório Martins Fagundes (In memoriam). Fragmentos de um Passado, ano 1977, pag. 623.
Organização: Charles Aquino
Acervo: Shorpy

domingo, maio 21, 2017

ITAÚNA: AFOGADELA DO PALHAÇO


Outra passagem relacionada com o Rio São João me foi revelada também por D.ª Clotilde. Ela se casara no ano de 1920 e passara a residir nas proximidades da estação local, hoje, Rua D.ª Cota.

Periodicamente, determinado Circo de Cavalinhos, (como era conhecido pelo povo) dava os seus espetáculos na cidade e era seu costume permanecer aqui boas temporadas. No decorrer do tempo, uma empregada de D.ª Clotilde ficou noiva de um dos palhaços do circo.

Vez por outra, o referido palhaço gostava de tomar banho e nadar no açude do Rio São João, junto aos moinhos de fubá. Certo dia, ele voltara ao referido local para a prática de seu esporte de natação. Constantemente, ele gostava de mergulhar na água, dando as suas braçadas lá pelo fundo do açude.

Numa dessas vezes, ele permaneceu demorando muito debaixo d'água. Alguns meninos que estavam por ali, admirando as proezas do nadador, notando que o palhaço demorava muito a voltar à tona, deram o alarme e dentro de poucos instantes ajuntaram diversas pessoas ao redor daquele represamento d'água.

Alguns dos homens ali reunidos mergulharam na água, a fim de encontrar o corpo do infeliz palhaço. Depois de alguns mergulhos e buscas, acharam-no finalmente, trazendo à tona.

O cadáver foi levado até a pracinha defronte à venda do Serafim. D.ª Clotilde foi também ver o corpo do noivo de sua empregada. Esta ficou inconsolável com a ocorrência, vendo morto o seu noivo.

Ali, ao redor do morto, havia comentários de que o palhaço pulara dentro d'água logo após o almoço, o que lhe ocasionara uma congestão. Comentário comum na boca do povo para explicar tais ocorrências.

A verdade é que o palhaço que fizera rir tantas vezes a criançada da cidade e também adultos foi tragado pelas águas do Rio São João, entregando a sua alma a Deus na terra de Santana! . . . certamente, este seu fim já estava registrado na sua conta corrente do Céu! . . . 

Esta lamentável ocorrência deu-se no ano de 1923.




Texto: *Osório Martins Fagundes (In memoriam). Fragmentos de um Passado, ano 1977, pag. 623.
Organização: Charles Aquino
Acervo: Shorpy

domingo, setembro 16, 2012

CHUVAS TORRENCIAIS



 Osório Martins FAGUNDES*

No final de 1948 e até março de 1949 as chuvas foram ininterruptas, e não somente em Itaúna, como em todo o Estado. E como a rodovia era ainda de terra, ficou praticamente intransitável por toda parte e durante uma semana de março, o trecho de Itaúna a Belo Horizonte ficara mesmo paralisado, porque o "Morro Grande" não dava condições para o trânsito de veículos, quer subindo ou descendo. ...

Decorrida uma semana, depois de uns dois dias de estiagem, embora a estrada continuasse intransitável, com lamaçais e atoleiros por toda parte, resolvi tentar trazer o leite à Cooperativa em Itaúna e me arrependi muito daquele meu arrojo, porque, por incrível que pareça, gastei 5 horas de Azurita a Itaúna.

Nas baixadas, formavam-se ali e acolá, atoleiros de até trinta metros de extensão. A caminhoneta era baixa; quando enfrentava aqueles atoleiros, os pneus deslizavam no barro, e não avançavam nem pra a frente nem para trás, em marcha-ré; cada vez que forçava mais o motor da Studebaker, a situação ia piorando sempre. Trouxera comigo um ajudante e um enxadão, mas isto auxiliava pouco.

E assim que conseguia sair de um atoleiro depois de muito cansaço da máquina e do homem, logo à frente aparecia outro lamaçal. Na descida do morro grande a coisa ficara preta de verdade! 

Embora as jardineiras dos Irmãos Lara tivessem deixado de transitar durante uma semana ou mais, caminhões de outras cidades e mesmo daqui tentavam vencer as dificuldades da estrada, apesar da chuvarada.

No morro grande, as rodas dos caminhões formavam aquelas locas profundas na rodovia, ficando no meio e nas laterais do terreno aqueles facões. Na descida eu procurava equilibrar as rodas da camioneta naquele facão central e outro da lateral, mas, como a estrada estava escorregadia, certa hora as rodas da camioneta deslizaram e caíram dentro daquelas valetas profundas.

E sendo baixa a camioneta, o seu eixo agarrou-se no facão central do terreno e pneus passaram a rodar em falso. Eu ainda tive muita sorte, porque subia naquele momento um carro-de-bois do Sr. Juca Gonçalves, que se destinava lá pra as bandas do Morro das Laranjeiras e eu pedira então ao carreiro que fizesse a caridade de me ajudar a sair dali.

Atendendo ao meu pedido, ele encostou o seu carro-de-bois para um lado, cujo local lhe permitia fazer isso e retirando da sua boiada carreira a junta  de bois-de-guia, amarrara a correia do cambão ao para-choque da camioneta e enquanto a junta de ruminantes, ia puxando a  Studebaker morro abaixo, através do volante, eu ia procurando equilibrá-lo sobre os facões da estrada.

Assim fomos descendo até o final do morro grande, onde a estrada se tornou plana. Dei uma gorjeta ao carreiro e lhe fiquei devendo um grande favor, porque se não fora a sua boa vontade em ajudar-me, certamente eu não teria saído dali naquele dia.

Na frente, nas baixadas da estrada, ainda encontramos outros atoleiros, mas aos poucos íamos vencendo um a um. Assim que atingimos o vargedo do Sr. Artur Contagem Vilaça, a gasolina acabara!  

Eu exclamei então: E mais essa! Mandei o ajudante vir até a cidade e levar um pouco de gasolina num balde, o que demorou uma hora mais ou menos. Cheguei à Cooperativa em  já depois das 13 horas e o leite já devia estar azedando.

O ajudante regressou de trem, à tarde até Azurita, enquanto eu pernoitava na cidade. Como não choveu mais naquele dia da tormentosa viagem, no dia seguinte, o meu retorno à fazenda foi menos trabalhoso. 

Realmente fora uma experiência, bastante amarga o ter vindo à cidade daquele dia, quando a estrada se achava intransitável ainda. Como o tempo foi-se firmando, os carros da Empresa Irmãos Lara e caminhões diversos voltaram a transitar novamente pela estrada, embora com certa dificuldade no começo.                              




Referência:
Texto: FAGUNDES. Osório Martins. Fragmentos De Um Passado, pgs. 419/420, 1977.
Organização: Charles Aquino


quinta-feira, junho 21, 2012

FRAGMENTOS


Fragmentos De Um Passado
Osório Martins Fagundes

 “O conteúdo são memórias. Gênero, por sua natureza, retroativo, histórico, portanto real, sem dúvida rico e enriquecedor. Pois o autor não se limita a falar somente de si no desenrolar dos acontecimentos. Daí o lado social da obra. Na verdade, entram dezenas de personagens nas narrativas de seu livro, onde há crônicas e minuciosas transcrições de cartas e documentos e onde homenagens são prestadas. Enfim onde se encontra de tudo: nostalgia, romance, catarse, religião, negócios, indústria e comércio, cidades e ecologia.
Um arquivo autobiográfico! Conta por miúdo tantos detalhes...
Para coroar o trabalho, um retrato falado de Itaúna..."

                                      
Guaracy de Castro Nogueira
Reitor da Universidade de Itaúna 1977