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quarta-feira, julho 10, 2024

FORMATURA 1953

A Formatura Memorável de 1953 na Escola Normal Oficial de Itaúna. 

Em dezembro de 1953, a cidade de Itaúna, Minas Gerais, estava em polvorosa com a aproximação de um dos eventos mais aguardados do ano: a formatura dos alunos do Ginásio da Escola Normal Oficial. As festividades prometiam ser grandiosas, refletindo o esforço e a dedicação de uma geração de estudantes que se preparava para dar o próximo passo em suas vidas.

Os convites, delicadamente impressos em papel de alta qualidade, foram enviados a figuras ilustres e respeitadas da comunidade. Entre os convidados de honra estavam o Reverendíssimo Padre José Ferreira Neto, pároco da cidade, e Dona Nair Chaves Coutinho, ex-diretora da Escola Normal Oficial, ambos reconhecidos por suas contribuições inestimáveis à educação e à espiritualidade da comunidade. A eles, os formandos prestariam homenagens de honra, uma justa reverência pela influência positiva que exerceram em suas vidas.

O paraninfo da turma, Dr. Guaracy de Castro Nogueira, professor e diretor da Escola Normal Oficial, seria uma presença inspiradora para todos. Sua liderança e sabedoria tinham guiado os alunos através de desafios acadêmicos e pessoais, preparando-os para os caminhos que seguiriam a partir dali. A oradora da turma, Wanda Nogueira de Mattos, conhecida por sua eloquência e paixão, representaria os sentimentos e as aspirações de seus colegas em seu discurso.

Na manhã de 11 de dezembro, às 8 horas, a cidade se reuniu na igreja matriz para uma missa em ação de graças celebrada pelo Reverendíssimo Padre José Ferreira Neto. A igreja estava adornada com flores e velas, criando uma atmosfera solene e reverente. Os alunos, vestidos com seus melhores trajes, sentaram-se nas primeiras fileiras, acompanhados por seus familiares e amigos. Durante a missa, as palavras do padre ecoaram nos corações dos presentes, lembrando-os da importância da gratidão e da fé no caminho que se seguia.

O dia 12 de dezembro trouxe consigo um ar de excitação e expectativa. Às 20 horas, o Salão do Cine Bagdad estava lotado. As luzes do teatro refletiam-se nos olhos ansiosos dos formandos e de seus entes queridos. Dr. Guaracy de Castro Nogueira iniciou a cerimônia com um discurso inspirador, destacando as conquistas dos alunos e a importância da educação na construção de um futuro brilhante.

A oradora Wanda Nogueira de Mattos subiu ao palco com graça e confiança. Suas palavras, cuidadosamente escolhidas, evocaram risos, lágrimas e aplausos. Ela falou das amizades forjadas, dos desafios superados e dos sonhos compartilhados, criando uma conexão emocional entre todos os presentes.

A entrega dos diplomas foi um momento de grande emoção. Cada aluno, ao ser chamado, recebia seu diploma das mãos de Dr. Guaracy, sob aplausos e vivas da plateia. Nomes como Maria Bernardina Saldanha, Murilo Augusto Gonçalves, Elisa Tarabal Coutinho, Walter Tavares e muitos outros ecoaram pelo salão, cada um representando uma história de dedicação e triunfo.

Após a cerimônia, às 22 horas, o baile teve início. O salão, decorado com elegância, foi preenchido por uma atmosfera de celebração e alegria. As músicas, tocadas por uma banda local, animaram os convidados que dançavam e festejavam até altas horas da noite. Os formandos, em seus trajes de gala, dançavam com seus pais, professores e amigos, criando memórias que perdurariam por toda a vida.

A formatura de 1953 na Escola Normal Oficial de Itaúna foi mais do que um evento; foi um marco na história da cidade e na vida de cada um dos formandos. A celebração de suas conquistas, as homenagens prestadas e as lembranças criadas naquela noite ficaram imortalizadas, um testemunho do poder da educação e da comunidade em moldar futuros brilhantes.

A narrativa histórica é baseada em fatos reais.

Veja também: Convite 1953 

Referências:

Organização e narrativa: Charles Aquino

Colaboração e Acervo: Edward Rodrigues da Silva (Vavá)

Fonte: Convite Diploma do Ginásio Escola Normal 1953

quarta-feira, janeiro 10, 2024

VISITA DO CARDEAL MOTTA

 ESCOLA NORMAL DE ITAÚNA - 1946

A visita do Cardeal Dom Carlos Vasconcelos Motta à cidade de Itaúna, em 1946, foi um evento marcante e celebrado com grande entusiasmo pela comunidade local. Sua presença representou não apenas um momento de honra para a cidade, mas também um gesto significativo de proximidade e afeto para com os habitantes, especialmente para aqueles que o conheciam pessoalmente ou que haviam sido influenciados por sua presença e apoio ao longo dos anos.

O relato da chegada do Cardeal, com a estação de trem lotada e as ruas repletas de pessoas ansiosas para vê-lo, reflete a importância e o impacto que sua visita teve sobre a população. A recepção calorosa e os gestos de respeito e admiração evidenciam o profundo apreço que a comunidade tinha por ele.

Além do aspecto simbólico e religioso da visita, a presença do Cardeal também teve um significado político e cultural. Sua escolha de visitar uma escola, em particular o Grupo Escolar, demonstra o reconhecimento da importância da educação e da formação da juventude para o desenvolvimento da sociedade. O fato de ele ter sido recebido com um banquete na Escola Normal ressalta a reverência e a hospitalidade da comunidade para com sua figura.

No entanto, é importante notar que a visita do Cardeal também pode ser vista como um reflexo das relações de poder e influência dentro da hierarquia da Igreja Católica e da sociedade em geral. Sua posição como o primeiro cardeal mineiro e uma figura proeminente no cenário religioso e político do país certamente contribuiu para a magnitude e o impacto de sua visita.

Em resumo, a visita do Cardeal Motta a Itaúna foi um evento que transcendeu o aspecto puramente religioso, sendo também um momento de celebração, reconhecimento e afirmação da importância da comunidade local. Sua presença foi recebida com grande entusiasmo e demonstrações de respeito, destacando seu papel como uma figura influente e respeitada tanto na esfera religiosa quanto na sociedade em geral.

VISITA DO CARDEAL MOTTA

Dia 4 de maio, sábado, recebemos de Belo Horizonte comunicação de que no dia seguinte chegaria aqui em nossa paróquia o excelentíssimo senhor cardeal de São Paulo, o primeiro cardeal mineiro e o primeiro do segundo cardinalato no Brasil. Procedente de Itajubá recebemos o honroso telegrama de Dom Carlos Vasconcelos Motta comunicando a sua vinda a esta cidade. Desde que aqui cheguei em 1943, foi me prometida uma visita deste meu grande e íntimo amigo, a quem tanto devo.

Não posso transcrever aqui o júbilo imenso que senti e comigo os meus caros paroquianos. Foi a primeira paróquia da Arquidiocese de Belo Horizonte, que sua Eminencia visitou depois que recebeu a púrpura cardinalícia. Foi a maior honra que Itaúna já recebeu através de seus anos. D. Carlos tendo um carinho muito especial para esta terra, como tem aqui um coração que o ama com amor filialque o quer como o seu maior amigo, desde os saudosos anos de seminário, o humilde vigário desta terra.

A cidade se encheu de contentamento e movimento. Raiou o dia 5 de maio de 1946, a pequena estação da Rede Mineira de Viação, estava repleta. Prefeito Municipal Dr. Lincoln Nogueira, Juiz de Direito e Cooperador, Pe. José Mariano, Banda de música, alunos de Ginásio e Academia de Comércio Santana, Escola Normal, Grupo Escolar, Associação religiosa da paróquia e grande massa popular.

As 8 horas e 15 minutos, entrou na grande na grande estação local, o trem que conduzia em carro especial o Exmo. D. Carlos. Palmas e vivas cobriram o ar festivo da cidade. Todos ansiosos para ver o nosso querido Cardeal Motta. Recebido no carro pelo vigário e autoridades, foi levado da porta da estação à praça. Foram momentos de delírio.

Saudou em nome da cidade ao Cardeal o Exmo. Sr. Prefeito, depois agradeceu aquela manifestação e sua Eminencia, dizendo que foi de propósito que escolhera Itaúna para descer e ficar um pouco com este bom e querido povo, celebrando o santo sacrifício da missa. Era a primeira missa que celebrava na Arquidiocese de Belo Horizonte depois da recepção da púrpura cardinalíciaDisse também que Itaúna o prendia ainda por outros laços. Aqui no tempo de Padre Cornélio, hoje, Frei Paulo, Carmelita. [...]

Debaixo de calorosas palmas, terminou o seu agradecimento. Tomando o automóvel e seguido pelas autoridades e da grande massa popular, banda de música, seguiu rumo a matriz, [que] estava lindamente ornamentada. Celebrou sua eminência o Santo Sacrifício da missa, acompanhado pelo coro local.

Receberam todas as bênçãos do excelentíssimo prelado e em seguida foi levado para Escola Normalonde lhe foi oferecido um singelo banquete. As 3 horas da tarde o Sr. Exmo. Motta se despedia da cidade, seguido de automóvel para Belo Horizonte. Foi acompanhado do vigário e coadjutor e autoridades. O cortejo foi de 5 automóveis. Assim Itaúna recebeu [...].







REFERÊNCIAS:

Pesquisa, Organização e síntese: Charles Aquino

Apoio a pesquisa: Professor Luiz Mascarenhas

Livro do Tombo I da Paróquia de Sant'Ana de Itaúna -  15/09/1902 a 31/12/1947, páginas, 91r,91v,92r.
Fotografias do acervo iconográfico sob a guarda do APM - Arquivo Público Mineiro - (João Dornas Filho em companhia do Padre Carlos de Vasconcelos). Disponível em:  http://www.siaapm.cultura.mg.gov.br/modules/fotografico_docs/photo.php?lid=33967.

FGV – Fundação Getúlio VargasDisponível em: http://fgv.br/CPDOC/BUSCA/arquivo-pessoal/JG/audiovisual/juscelino-kubitschek-e-outros-durante-solenidade. CPDOC -  O Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil é a Escola de Ciências Sociais da Fundação Getúlio Vargas. Fotografia de Juscelino Kubitschek

Restauração da imagem e cor: Myheritage 

Acervo: Charles Aquino, Professor Marco Elísio (In Memoriam)

terça-feira, abril 26, 2022

ESCOLA NORMAL 1926

ESCOLA ESTADUAL DE ITAÚNA: NORMALISTAS 1926

INTERNATO DO 1º ANO NORMAL


Ecos da Escola Estadual de Itaúna

Era o ano de 1926. Itaúna ainda se vestia de manhãs frias e de ruas poeirentas, onde o som das carroças se misturava ao repicar distante dos sinos da Matriz. No alto da cidade, imponente e austera, erguia-se a Escola Normal, orgulho da instrução pública e símbolo da formação feminina de uma época em que estudar era também um ato de coragem e distinção.

Ali, entre os longos corredores e as salas iluminadas por janelas de guilhotina, formava-se o grupo das normalistas do primeiro ano, jovens vindas de diversas partes do interior mineiro. Muitas delas moravam no internato, longe das famílias, e dedicavam-se aos estudos com disciplina e delicadeza. As batas brancas, bem passadas, e os laços de fita no cabelo eram quase tão importantes quanto o caderno de caligrafia ou o compêndio de pedagogia.

Os dias começavam cedo. Às seis, o toque do sino anunciava o despertar. No refeitório, o aroma do café com leite misturava-se ao de pão fresco — preparado com o mesmo zelo com que se ensinava a costura e a boa postura. Depois vinham as aulas: Didática, Aritmética, Língua Pátria, Moral e Civismo, e, para as mais dedicadas, Piano e Canto Coral — porque ser professora, naqueles tempos, era também cultivar a harmonia da alma.

Nas horas de recreio, o pátio se enchia de risadas e confidências. Falava-se sobre os bailes da cidade, as serenatas na praça, as cartas que vinham pelo correio trazidas pelo tropeiro que passava toda semana. Algumas escreviam em diários, guardando segredos que talvez jamais fossem lidos; outras sonhavam em lecionar em escolas rurais, levando o saber às crianças das fazendas.

A diretora, sempre vigilante, zelava pela compostura e pela reputação das moças — afinal, uma normalista representava o ideal de virtude e instrução feminina. O diploma, obtido após três anos de estudos rigorosos, não era apenas um documento: era o passaporte para o respeito social, a chave para a autonomia em um tempo em que poucas mulheres ousavam trilhar caminhos próprios.

Hoje, passados quase cem anos, ainda se ouvem os ecos das vozes dessas jovens nos corredores da Escola Estadual de Itaúna, guardiã silenciosa de uma época em que o magistério era vocação e missão.

Os retratos amarelados de 1926 — com "fileiras" de moças de olhar firme e semblante sereno — revelam mais que uma turma escolar: mostram a semente de uma geração que ensinou Itaúna a ler, escrever e sonhar.

E talvez, se alguém se aproximar do antigo prédio em uma tarde de vento leve, possa imaginar o rumor das saias longas, o tilintar dos tinteiros e o suave murmúrio das vozes ensaiando a lição do dia seguinte. São as normalistas de 1926, eternas, desfilando pela memória da cidade como páginas vivas da história da educação e da mulher itaunense.

1) Luiza

2) Maria Lage

3) Maria Diniz

4) Maria Soares

5) Lysa

6) Maria Campos

7) Maria Andrade

8) Edith

9) Carmem






Referências:

Acervo: Edward Rodrigues da Silva

Colaborador: Dr. Alan Penido

Organização, Arte e Restauração: Charles Aquino

quarta-feira, março 23, 2022

quarta-feira, maio 13, 2020

ESCOLA NORMAL OFICIAL


1)         MORRO DO ROSÁRIO
3)         ESCOLA NORMAL DE ITAÚNA
4)         CADEIA MUNICIPAL DE ITAÚNA
6)         RUA SILVA JARDIM

Referências:
Organização & Arte: Charles Aquino
Acervo: Revista Nação Brasileira, nº 105, maio 1932 p. 37

sábado, janeiro 26, 2019

ESCOLA NORMAL 1953

FORMATURA DO GINÁSIO DA ESCOLA NORMAL OFICIAL DE ITAÚNA (1953)

Em dezembro de 1953, Itaúna viveu uma das noites mais memoráveis de sua história educacional. Os jovens diplomados do Ginásio da Escola Normal Oficial prepararam com entusiasmo e elegância as solenidades que marcariam o encerramento de um importante ciclo de formação e o início de novas jornadas.

Reunidos sob o espírito de gratidão e respeito, os formandos tiveram a honra de dedicar homenagens a figuras queridas e fundamentais em sua trajetória. O convite, primorosamente elaborado, era um símbolo de reverência: dirigido ao Revmo. Padre José Ferreira Neto, pároco da cidade, e à distinta D. Nair Chaves Coutinho, ex-diretora da Escola Normal Oficial, ambos lembrados com estima e reconhecimento.

A homenagem de honra foi especialmente dedicada “aos nossos pais e professores, lembrança imorredoura”, expressão singela que traduz o sentimento de afeto, disciplina e gratidão que moldaram o caráter daqueles jovens itaunenses.

O Dr. Guaracy de Castro Nogueira, professor e diretor da instituição, foi escolhido como Paraninfo, enquanto a eloquente Wanda Nogueira de Mattos representou sua turma com a palavra vibrante e emocionada de Oradora.

As celebrações se dividiram em dois dias memoráveis:

Dia 11 de dezembro – Às 8 horas, realizou-se uma Missa em Ação de Graças, celebrada pelo Revmo. Padre José Ferreira Neto, reunindo familiares, docentes e toda a comunidade em torno da fé e do agradecimento.

Dia 12 de dezembro – Às 20 horas, no elegante salão do Cine Bagdad, ocorreu a cerimônia de entrega dos diplomas, seguida, às 22 horas, de um baile de gala, reservado aos convidados especiais — um momento de alegria, música e celebração da juventude.

Aqueles dias de dezembro ficaram guardados na memória de Itaúna como um retrato de sua tradição educacional e do brilho de seus jovens formandos — testemunho do compromisso da cidade com a cultura, o saber e a formação humana. 

CONVITE

DIPLOMADOS DO GINÁSIO DA ESCOLA NORMAL OFICIAL

Os diplomados pelo Ginásio da Escola Normal Oficial de Itaúna, tem a satisfação de convidar V.  Excia. e Exma. Família para as solenidades de sua formatura, a se realizarem aos 11 e 12 de dezembro de 1953.
Ao Revmo. Padre José Ferreira Neto
D.D. Pároco da Cidade

Ex-diretora da Escola Normal Oficial

Homenagem de Honra

Aos nossos Pais e Professores homenagem de uma lembrança Imorredoura

PARANINFO:
Dr.Guaracy de Castro Nogueira
Professor e diretor da Escola Normal Oficial

ORADORA:
Wanda Nogueira de Mattos
PROGRAMA

DIA 11
ÀS 8 HORAS
Missa em ação de graças celebrada pelo Revmo. Pe. José Ferreira Neto pároco da cidade.
DIA 12
ÁS 20 HORAS
Entrega dos diplomas no salão do Cine Bagdad

ÁS 22 HORAS BAILE (Convite Especial)

01 Maria Bernardina Saldanha
02 Murilo Augusto Gonçalves
03 Elisa Tarabal Coutinho
04 Walter Tavares
05 Franci Gonçalves de Souza
06 Maria Helena Rodrigues
07 Neide Mendes Rocha
08 Itajaci Nogueira Guimarães
09 Natália M.R. Tavares
10 Maria de Oliveira Leonardo
11 Beatriz Oliveira Guimarães
12 Wander Tavares
13 Meroveu Pereira Camargos
14 Wanda Nogueira de Matos
15 Lourdes Pousa
16 Cleonice Melo
17 José Valeriano Rodrigues, Promotor




Referências:

Organização: Charles Aquino

Colaboração e Acervo: Edward Rodrigues da Silva (Vavá)

Fonte: Convite Diploma do Ginásio Escola Normal 1953

sexta-feira, novembro 16, 2018

ESCOLA NORMAL DE ITAÚNA 1924


DECRETO N. 6.478— DE 15 DE JANEIRO DE 1924
Concede à Escola Normal de Itaúna as regalias de equiparação à Escola Normal Modelo da Capital

O Vice-Presidente do Estado de Minas Geraes, em exercício, usando da atribuição que lhe confere o art. 57, nº 1, da Constituição do Estado, e de conformidade com a lei nº 286, de 1 de outubro de 1921, resolve conceder à Escola Normal de Itaúna as regalias de equiparação à Escola Normal Modelo da Capital.
Palácio da Presidência do Estado de Minas Geraes, em Bello Horizonte, 15 de janeiro de 1924.
Olegário Dias Maciel*
Fernando Mello Vianna**






*Olegário Dias Maciel nasceu em Bom Despacho (MG), em 1855.


Engenheiro, formou-se pela antiga Escola Politécnica do Rio de Janeiro, em 1878. De volta a Minas, iniciou sua carreira política ainda durante o período imperial, como deputado provincial pelo Partido Liberal, entre 1880 e 1883. Em 1890, já no período republicano, elegeu-se deputado estadual. Em 1894, chegou à Câmara Federal, na legenda do Partido Republicano Mineiro (PRM). Obteve, a partir de então, sucessivos mandatos, permanecendo na Câmara até 1910. De 1914 a 1918, ocupou o cargo de inspetor-geral do Serviço de Vias Férreas do Ministério de Viação e Obras Públicas, no governo de Venceslau Brás.

Após alguns anos afastado da vida pública, elegeu-se vice-presidente do estado de Minas Gerais, em 1922, na chapa encabeçada por Raul Soares. Exerceu o governo por alguns meses, em virtude da doença e do falecimento do presidente estadual. Elegeu-se ainda, nesse período, para o Senado de Minas Gerais.

Em 1930, foi indicado por Antônio Carlos para sucedê-lo no governo mineiro, quando já contava mais de 70 anos de idade. Ao mesmo tempo, as forças políticas dominantes no estado se alinhavam no plano federal à Aliança Liberal, coligação que lançou o gaúcho Getúlio,Vargas à presidência da República, em oposição ao candidato situacionista, Júlio Prestes. 

Eleito para o governo de Minas e empossado em setembro de 1930, Olegário hesitou em apoiar o movimento revolucionário articulado pelos membros mais exaltados da Aliança Liberal com o objetivo de depor o presidente Washington Luís e evitar a posse de Júlio Prestes. Sua adesão ao movimento só se deu após consultas ao ex-presidente Artur Bernardes.

Vitorioso o movimento insurrecional, deflagrado em outubro de 1930, Olegário foi o único governante estadual mantido em seu posto por Vargas, que nos demais estados optou pela nomeação de interventores federais. Isso não evitou, porém, que nos anos seguintes a política mineira passasse por um processo tumultuado, não muito diferente do observado nas outras unidades da federação. Olegário apoiou, então, a formação em Minas da Legião de Outubro, agremiação de inspiração fascista, idealizada para oferecer apoio ao novo regime.

 O surgimento da nova organização comprometia as bases políticas do PRM, o que fez com que Bernardes se opusesse decididamente à sua consolidação. Olegário chegou a anunciar a incorporação do PRM à Legião de Outubro, mas os seguidores de Bernardes reagiram contra isso e, ainda que enfraquecidos, mantiveram o partido em funcionamento. Ao mesmo tempo, Olegário foi vítima, em agosto de 1931, de uma tentativa de golpe para afastá-lo do governo mineiro, articulado por Oswaldo Aranha e outros membros do governo federal. O golpe, no entanto, foi derrotado pela ação da Força Pública estadual, comandada por Gustavo Capanema, membro de seu secretariado.

Em fevereiro do ano seguinte, Olegário tentou promover a unificação das forças políticas mineiras no Partido Social Nacionalista. Essa tentativa, contudo, fracassou com início do movimento constitucionalista em São Paulo, que voltou a dividir os mineiros. Olegário, que no início de 1932 se havia mostrado simpático à proposta de reconstitucionalização do país, preferiu permanecer fiel ao governo federal quando o levante foi deflagrado pelos paulistas, no mês de julho.

 Nesse sentido, enviou tropas mineiras para combater os rebeldes e tomou medidas punitivas contra os elementos que tentararm promover ações de apoio aos paulistas a partir do território de Minas, como os ex-presidentes Artur Bernardes e Venceslau Brás.

No início de 1933, participou da fundação do Partido Progressista (PP), que obteve expressiva vitória nas eleições para a Assembléia Nacional Constituinte, realizadas em maio daquele ano.
Morreu em Belo Horizonte, em setembro de 1933.


Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]. Disponível em: FGV - Fundação Getúlio Vargas




**FERNANDO DE MELO VIANA
(Sabará, 15 de março de 1878 — Rio de Janeiro, 10 de fevereiro de 1954)

Foi presidente de Minas Gerais entre 1924 e 1926 e vice-presidente da república no governo de Washington Luís. Depois do mulato Nilo Peçanha, Melo Viana foi o segundo mulato a ocupar a vice-presidência.

Formou-se em ciências jurídicas pela Faculdade de Direito de Ouro Preto (atual Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais). Foi advogado em Uberaba, no início da sua carreira, onde se declarou ateu. O Fórum de Uberaba é nomeado em sua homenagem.

Foi juiz de direito em Carangola de 1912 a 1919. Segundo o cientista político João Batista Damasceno, em 03 de agosto de 1914, Fernando de Melo Viana proferiu sentença extintiva de punibilidade de Olympio Joventino Machado, acusado juntamente com o João Baptista Martins pelo evento dos qual tinham sido vítimas e denominado Mazorca, após eleição distrital em Orizânia, em 1899, perpetrados pelo chefe político local de Carangola, Coronel Novaes, aliado do Governador Silviano Brandão.

 A mudança na política mineira com a ascensão do grupo político de João Pinheiro levou João Baptista Martins a ocupar o cargo de Procurador Geral do Estado, cargo criado para ele. Fernando de Melo Viana exerceu a judicatura em Carangola, período no qual conviveu com Pedro Baptista Martins, filho do advogado João Baptista Martins, e que viria a redigir o CPC de 1939.

Em agosto de 1924 assumiu o governo do estado de Minas Gerais, permanecendo no cargo até setembro de 1926. Neste mesmo ano foi eleito vice-presidente da República, ao lado de Washington Luís, que conquistou a chefia do governo.

Em 1929, aliou-se à Concentração Conservadora, movimento político mineiro de apoio à campanha de Júlio Prestes, candidato governista á Presidência da República. Em 6 de fevereiro de 1930, poucos dias antes da eleição presidencial, foi ferido com três tiros no pescoço quando fazia campanha em Montes Claros. Seu secretário particular, Dr. Rafael Fleury da Rocha, morreu no local. O famoso "Atentado de Montes Claros" causou no total 5 mortos e 14 feridos.

Com a vitória da Revolução de 30 exilou-se por oito anos na Europa. Em 1945 foi eleito senador à Assembleia Nacional Constituinte na legenda do Partido Social Democrático (PSD). Logo depois foi eleito presidente da Assembleia, obtendo a maioria dos votos junto aos constituintes. Após a promulgação da nova carta, em setembro de 1946, passou a exercer a vice-presidência do Senado.

Disponível em: wikipedia.org


ORGANIZAÇÃO: Charles Aquino

segunda-feira, julho 03, 2017

ESCOLA NORMAL


*Maria Lúcia MENDES

Tempo de estudante. A vida, uma alegria, o futuro um mundo que ainda fica do outro lado. A Escola Normal, um Ateneu de Raul Pompéia, com duas diferenças: sem internato e sem a figura doentia de Aristarco.
Internato houve, em épocas passadas, com irmãs de caridade no comando e moças de várias cidades que aqui chegavam para completar seus estudos. Da querida escola guardamos lembranças boas da juventude, mas certas marcas que não se apagam como de alguns professores, que apesar da competência exageravam na rigidez. Havia aulas que nos causavam medo: desde a véspera, ensaiávamos lições até à exaustão. Medo de ganhar zero, de ser chamada à frente e do vexame; medo, medo...
Aprendizagem sofrida, mas que valeu a pena pela formação e conhecimentos adquiridos. Em compensação, certas matérias davam gosto de serem estudadas tamanha a capacidade e eloquência dos que as lecionavam, transportando-nos para o mundo inteiro, numa época em que o material didático era somente livros e um mapa pendurado na parede.
Num relance percorríamos as geleiras dos Andes, as margens férteis do Rio Nilo para desembocarmos atônitas na misteriosa floresta dos Incas, a colonização das Américas, a tragédia do Titanic. Trabalhos manuais, canto orfeônico, desenho, todas estas matérias reprobatórias, além de latim, inglês e francês...
“Le matim maman n’appelle. George, leve toi”. Quanto suor frio e leitura gaguejada, a fala não saía.
— Tome de mim a segunda declinação.
— Servus, servorum.
Quantas noites a fio varávamos o livro aberto, estudando para a prova da manhã seguinte. Em junho, realizavam-se as provas parciais que todos temiam por terem peso dobrado.
No final do ano, apôs as provas escritas, todos os alunos eram submetidos a exames orais de todas as matérias. Se a turma fosse numerosa, as provas prolongavam-se até à noite, os alunos e fila para confessionários. Diante da banca examinadora sorteávamos trêmulas um ponto, cujo número vinha escrito em papeizinhos enrolados.
— Ponto sorteado número cinco. Falar sobre ciclos econômicos do Brasil. São muitas as lembranças de quando lá estudávamos. Revejo as salas de cadeiras duplas, os corredores, uma escadaria de madeira que dava acesso ao segundo andar, o museu, lugar fascinante, onde tudo era novidade, pois não nos cansávamos de contemplar animais embalsamados entre eles um tamanduá, além de aves de lindas plumagens empalhadas com arte e cobras enormes mergulhadas em formol. Dava pavor aproximar-se dos vidros e alguns não se arriscavam cismados que as serpentes pudessem avançar.
Havia também uma infinidade de conchas, pedras e ovos à mostra em mesas com tampas de vidro. Um farto material companha o cenário das aulas de ciências e anatomia, por sinal, muito agradáveis e curiosas. Achávamos o máximo estudar bactérias através dos microscópicos. Era divertimento geral chuchar as penas de um esqueleto em tamanho natural, preso ao teto por uma corrente. Depois corríamos assustadas para vê-lo de longe chocalhando a ossada.
Vez por outra burlando a vigilância, corríamos até o jardim para tentar um jacaré que vivia no repuxo. Sob uma chuva de gominhas atiradas em suas costas o bicho mergulhava procurando refúgio. Para variar jogávamos nele uma ou outra flor apanhada às escondidas ali mesmo e caíamos na risada quando o víamos voltar com a flor agarrada nas costas.
— Meninas, já pra sala! Não ouviram o sinal? Era Dona Carola com aqueles olhos muito azuis e voz mansa.
Juventude sadia, sem o flagelo das drogas, sem o consumismo desenfreado, e os exemplos negativos da televisão. Tínhamos sim, a inquietude própria da idade, e uma preocupação constante: ficar em exames de segunda época. No mais, sem angústia ou revolta, aceitávamos e bem -  tênis surrados, livros de segunda mão e bolsos sempre vazios.
Durante todo o ano, a escola cumpria extensa programação. Além das comemorações cívicas — principalmente sete de setembro — realizado com grande entusiasmo — havia as semanas pedagógicas em sessão solene no salão. Conferencistas famosos em todo o Estado enriqueciam o evento e entre uma palestra e outra intercalavam-se números de canto e poesia acompanhados ao piano pelo Padre Luís.
Realizavam-se ainda concursos de oratória, exposições de trabalhos manuais que atraíam centenas de visitantes. Por ocasião da festa de Páscoa, nas procissões de Corpus Christi, vestíamos o uniforme de gala com luvas e tudo. Participação em massa pois havia chamada e a falta sem justificativa era suspenção na certa.
Durante o recreio o pátio pipocava em algazarra. Espalhados aqui e ali, os grupinhos de sempre. Nas filas do bebedouro, empurrões e brincadeiras, enquanto o galpão ficava apinhado de alunos, merendando. Vez por outra aconteciam as famosas guerras de limões-capetas roubados no quintal de seu Tonico e atirados lá do galpão, sobre a turma do pátio.
Questão de segundos, dava-se o troco e num vaivém medonho, os limões zuniam sobre nossas cabeças indo se espatifar no chão. Quando a guerra estava no auge, uma voz conhecida, punha água à fervura. As autoras da “revolução” ficavam após o término das aulas, empunhando vassouras, enquanto o restante amargava-se de castigo sob um sol de rachar.
Foram muitas as emoções vividas naquele pátio: recados amorosos, trocas de ideias, planos.... Foi também ali que, posto em fila obedecendo a um sinal dado fora do horário ouvimos a voz embargada do diretor:
— Faleceu o Exmo. Sr. Presidente da República Doutor Getúlio Dornelles Vargas.
Um silêncio pesado dominou a tudo e a todos. Era 24 de agosto de 1954.
Assim era nossa escola. Ali vivia-se intensamente o que disse Ovídio Decroly : “A escola da vida, para a vida e pela vida!. Longe de um simples slide, desconhecendo por completo xerox e informática, percorríamos o mundo inteiro graças às riquezas de detalhes passados pela professora de Geografia, dando-nos a impressão de estarmos diante de uma tela.
Tempos depois terminado o ginasial, ingressamo-nos no Curso de Formação de Professores. O magistério nossa acenava, e cheias de ideais fomos em busca de um futuro melhor.
— Minhas alunas vocês juram que nunca darão aulas passivas? Vou fazê-las pôr a mão sobre a Bíblia e jurar.... Saudosa professora, a de Metodologia do Ensino. Pequenina, dinâmica, ao toc toc de seus sapatos de salto zarpávamos aos bandos sala a dentro, assentávamos num segundo, fazendo caras de santa.
Como D. Graciana não se cansava de repetir: “ O Brasil precisa de professores capazes” e “a motivação é mola real da aprendizagem”.
Escola Normal: se suas paredes falassem quantos sonhos de nossa juventude você relaria. Quantas ilusões e esperanças mortas perambulam como fantasmas naqueles corredores. Saudade sepultada pelo tempo, onde entre uma aula e outra sonhávamos com Elvis Presley dançando o rock e Marlon Brando enfeitiçando nossos corações de adolescente. Tempo inesquecível; quando os sonhos ainda eram verdades.

* Escritora itaunense por herança e registro.

Fonte: MACEDO, Maria Lúcia mendes Vera. Pedra de Cetim, BH, Gráfica e Ed Cultura, 2001, p.66,67,68,69.

Acervo: Shorpy