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sábado, outubro 11, 2025

PRAÇA DA MATRIZ 1929

IGREJA MATRIZ DE ITAÚNA MG
Um dos trabalhos mais antigos atribuídos a Júlio R. Steinmetz — técnico em jardins e paisagista alemão em Minas Gerais — foi o projeto do jardim público da Praça João Pessoa, hoje Praça Dr. Augusto Gonçalves, em Itaúna, inaugurado parcialmente em outubro de 1929, durante o governo do coronel Arthur Vilaça.

O historiador João Dornas Filho, em Itaúna: contribuição para o município (1936), registra que Steinmetz, identificado como “construtor e técnico alemão”, foi o responsável pelo traçado do jardim. 

O projeto, contudo, não foi concluído em sua totalidade à época: apenas uma parte da concepção original foi inaugurada, revelando tanto as limitações financeiras quanto a ambição estética da obra.

Dornas Filho ainda destaca um aspecto importante: os fundos para a construção foram obtidos por meio de uma quermesse, que em uma única noite rendeu cerca de quinze contos de réis. Um valor significativo para a época. 

O episódio mostra como a sociedade itaunense se engajou na criação de um espaço público de lazer e convivência, articulando a contribuição comunitária ao projeto técnico de Steinmetz.

Esse jardim, ainda que posteriormente alterado por reformas urbanas, foi um marco na modernização da paisagem urbana de Itaúna e constitui a entrada de Steinmetz na história do paisagismo mineiro.

A história urbana de várias cidades mineiras da primeira metade do século XX está diretamente ligada ao trabalho do paisagista alemão Júlio R. Steinmetz, que se autodenominava “técnico em jardins” e circulava entre Belo Horizonte e o interior de Minas, oferecendo serviços de ajardinamento moderno, arborização e remodelamento de praças públicas. 

Seu nome aparece tanto em registros documentais quanto em propagandas de jornal, revelando não apenas sua atividade profissional, mas também a forma como se apresentava em um campo que ainda não tinha regulamentação consolidada no Brasil: o paisagismo.

Na década de 1930, Steinmetz ampliou sua atuação, deixando registros em várias localidades:

Campo Belo (1934) – participou do novo traçado da Praça Cônego Ulisses, atribuído à sua orientação paisagística.

Lavras (1936–1937) – apresentou ao prefeito Pedro Salles o projeto de reforma da Praça Dr. Augusto Silva, que incluía tanque ornamental de 8 × 5 metros, caminhos e plantas aquáticas, sendo a obra iniciada em 1937.

Andradas (1936) – documentos fotográficos do Arquivo Público Mineiro mostram o “Jardim Público de Andradas” em construção e depois concluído, com carimbo de Steinmetz – Technico em Jardins em Belo Horizonte/Minas.

Uberlândia (1938) – contratado pelo interventor Vasco Giffoni, elaborou o projeto de remodelamento da Praça Tubal Vilela, concebida em estilo classicizante, com quadrículas de canteiros, eixos de circulação, lago ornamental e seleção de espécies vegetais.

Steinmetz soube explorar os meios de comunicação de sua época. Em jornais e revistas regionais, publicava anúncios oferecendo seus serviços como especialista em ajardinamentos modernos, destacando-se pela atuação em praças públicas, parques e arborização em geral, “segundo os mais modernos princípios de urbanismo”.

Um desses anúncios, datado dos anos 1930, registra sua presença em Uberlândia, hospedado no Palace Hotel, embora sua sede principal fosse em Belo Horizonte (Caixa Postal 335). O texto revela tanto o caráter itinerante de seu ofício,  deslocando-se conforme as encomendas, quanto sua tentativa de associar seu trabalho às tendências mais avançadas do urbanismo e paisagismo da época.

Essa oscilação entre os títulos de “paisagista” e “técnico em jardins” mostra que sua identidade profissional transitava em um período em que a disciplina do paisagismo ainda não possuía formalização acadêmica no Brasil.

Os projetos de Steinmetz revelam predileção por um estilo formal e classicizante, com ênfase em geometria, simetria e ordenação de canteiros. Fontes, lagos, coretos, bustos e arborização ornamental eram elementos recorrentes em suas propostas. Esse repertório europeu dialogava com os ideais de modernização urbana das cidades mineiras, que buscavam dotar seus centros de praças ajardinadas como símbolos de progresso e civilidade.

Sua contribuição foi, portanto, duplamente significativa: embelezou as cidades com espaços de lazer planejados e introduziu conceitos de desenho urbano que marcaram a fisionomia de Minas nas décadas de 1920 a 1940.

De nacionalidade alemã, Steinmetz radicou-se em Minas Gerais, onde construiu toda a sua carreira. No entanto, sua vida terminou de forma trágica. Em 2 de fevereiro de 1956, em seu escritório em Belo Horizonte, Steinmetz atentou contra a própria vida, vindo a falecer às primeiras horas da madrugada seguinte. Apesar da intervenção médica e de uma operação de emergência, não resistiu.

A repercussão foi grande: jornais de Belo Horizonte e até do Rio de Janeiro noticiaram o episódio, o que demonstra a notoriedade que alcançara como profissional. Steinmetz tinha apenas 54 anos. Foi sepultado no Cemitério do Bonfim, em Belo Horizonte, na sepultura nº 263 da quadra 35.

Legado

Embora sua morte precoce tenha interrompido uma carreira promissora, o legado de Steinmetz permanece vivo nos espaços que ajudou a desenhar. Mais do que um simples executor de jardins, o paisagista alemão foi um mediador entre tradição europeia e modernidade brasileira, traduzindo, em praças mineiras, os ideais de beleza, ordem e progresso que marcaram a urbanização do início do século XX.

No município de Itaúna, a Praça passou, ao longo dos anos, por diversas denominações: Largo da Matriz, Praça João Pessoa, Praça Mário Matos, Praça Benedito Valadares e, atualmente, Praça Dr. Augusto Gonçalves. Cada nome guarda em si um fragmento da memória coletiva, refletindo os diferentes contextos políticos, sociais e culturais que marcaram a trajetória da cidade.

O espaço ainda preserva traços significativos da concepção original de Steinmetz, perceptíveis a um olhar atento, que confirmam sua relevância como testemunho da história urbana e cultural de Itaúna. Assim, a Praça, popularmente conhecida como Praça da Matriz, permanece como símbolo central da vida pública, um espaço que acompanha as transformações do tempo e que, a cada mudança, conserva e transmite uma parte da rica história local.

Em Itaúna, sua marca está ligada à memória da Praça Dr. Augusto Gonçalves, concebida a partir de um esforço coletivo da comunidade aliado à técnica europeia que ele representava. Em Lavras, Uberlândia, Andradas e Campo Belo, as praças por ele remodeladas se tornaram símbolos de identidade local e pontos de referência na vida urbana.

Dois aspectos, por si só, justificam a urgência desse reconhecimento: a presença de uma majestosa "Caesalpinea ferrea", plantada em 1935 pelo então prefeito Arthur Contagem Vilaça, que se tornou verdadeiro cartão-postal da praça; e o fato de que, em breve, esse logradouro completará um século de existência, carregando consigo a memória, a tradição e o afeto de várias gerações de itaunenses.

Assim como já ocorre em outras cidades mineiras, onde praças projetadas ou remodeladas por Steinmetz foram reconhecidas e protegidas como patrimônio histórico, a Praça da Matriz de Itaúna também merece ter seu valor oficialmente consagrado por meio do tombamento. 

Esse gesto garantiria não apenas a preservação material do espaço, mas também a salvaguarda de sua dimensão simbólica, assegurando que sua história e sua identidade coletiva permaneçam vivas para as gerações futuras.

Referências:

Realização e pesquisa: Charles Aquino  

ARQUIVO PÚBLICO MINEIRO (APM). Fundo João Dornas Filho, série fotografias, “Jardim Público de Andradas – obras concluídas/construção”, 27 ago. 1936. Belo Horizonte: APM.

CEMITÉRIO DO BONFIM. Registro de sepultamento de Júlio R. Steinmetz, sepultura nº 263, quadra 35. Belo Horizonte/MG. Disponível em: https://www.familysearch.org/ark:/61903/1:1:7BYT-BTPZ?lang=pt. Acesso em: 19 set. 2025.

CORREIO DA MANHÃ. Engenheiro urbanista Júlio R. Steinmetz falece em Belo Horizonte. Rio de Janeiro, 4 fev. 1956. p. 5.

DORNAS FILHO, João. Itaúna: contribuição para a história do município. Belo Horizonte: [s.n.], 1936. p. 93.

JORNAL DE LAVRAS. História da Praça Dr. Augusto Silva. Lavras, 2020. Disponível em: https://www.jornaldelavras.com.br/instagram/instagram/index.php?c=16556&catn=1&p=10&tc=4. Acesso em: 19 set. 2025.

NOGUEIRA, Guaracy de Castro. Homenagem ao 60º aniversário da ordenação sacerdotal do Pe. José Ferreira Neto. Itaúna: Vile Editora e Escritório de Cultura, 1997. p. 60-61.

PREFEITURA MUNICIPAL DE UBERLÂNDIA. Praça Tubal Vilela – Patrimônio Histórico. Uberlândia: Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, s.d. Disponível em: https://www.uberlandia.mg.gov.br/prefeitura/secretarias/cultura-e-turismo/patrimonio-historico/bens-tombados-e-registrados/praca-tubal-vilela/. Acesso em: 19 set. 2025.

STEINMETZ, Júlio R.. Anúncio publicitário em jornal: “Especialista em ajardinamentos modernos”. Década de 1930. Localização: coleção de jornais mineiros (Uberaba/Uberlândia). 


domingo, março 23, 2025

ITAÚNA PANORÂMICA XX

HISTDÓRIA MUNICÍPIO DE ITAÚNA MG

A fotografia panorâmica de Itaúna/MG, datada da primeira década do século XX, é mais que uma simples imagem; é um testemunho silencioso da cidade que florescia, imortalizada no instante em que a modernidade começava a desenhar novas linhas na história. 

O cenário retratado revela uma Itaúna jovem, mas já marcada por traços profundos de sua identidade, preservados até os dias de hoje. Essa imagem carrega a memória de seus cidadãos e das gerações que ajudaram a construir o município.

Ao fundo, destaca-se a imponente antiga Igreja Matriz de Santana, com seu Cruzeiro erguido no alto. Suas paredes centenárias, testemunhas de inúmeras celebrações, mesmo após a demolição, permanecem vivas na memória da cidade. 

No mesmo local, ergue-se hoje a nova igreja, que continua sendo um ponto de encontro da fé e da esperança em Itaúna.

O Cruzeiro, fincado ali, permaneceu firme por muito tempo como símbolo de resistência e devoção — assim como a própria cidade, que, apesar das transformações, preserva em seu coração os valores e crenças que moldaram sua gente.

O imponente Casarão dos Lima, situado na Rua Silva Jardim, reflete a força econômica e a influência de famílias proeminentes. Suas portas e janelas antigas, que já viram tantos passantes, mantêm viva a conexão com o passado. Cada detalhe daquela construção conta histórias de conquistas e desafios de um município que, por meio da força de seus habitantes, foi ganhando relevância no cenário regional.

A Estação Ferroviária se impõe como símbolo de uma época em que o trem era o motor da modernidade. O som do apito da locomotiva, que no passado cortava o ar da cidade, ainda ecoa na memória de quem viveu aquele período de crescimento e integração.

No centro da imagem, o Grupo Escolar, hoje Escola Municipal Augusto Gonçalves, representa um marco na história educacional de Itaúna. Desde sua construção, tem sido peça fundamental na formação de gerações de cidadãos que contribuíram para o progresso local. Seus tijolos, como os das demais edificações da época, carregam o peso de um passado que, por mais distante que pareça, segue intimamente ligado à identidade dos itaunenses.

Mais ao longe, a Capela de São Miguel, localizada no centro do Cemitério Velho, ergue-se como guardiã da memória dos que partiram, mas deixaram um legado eterno. Singela e serena, reflete a espiritualidade de um povo que, mesmo nos momentos mais difíceis, sempre encontrou consolo e esperança.

Por fim, a Companhia Industrial Itaunense surge como um dos grandes símbolos do progresso e da revolução industrial que marcou o início do século XX. Suas fábricas, movimentadas pelas mãos de inúmeros trabalhadores, não apenas impulsionaram a economia local, mas transformaram Itaúna em um polo de produção e inovação.

Essa fotografia panorâmica não é apenas um registro do espaço, mas uma verdadeira cápsula do tempo. Ao ser observada nos dias atuais, transporta-nos a um passado de suor, fé, luta e esperança. É o retrato de uma Itaúna do início do século XX que, com coragem e determinação, pavimentou o caminho para o futuro. Suas construções permanecem como símbolos vivos de uma história que não será esquecida, mas sempre lembrada por todos aqueles que amam esta cidade.

Com um olhar mais atento, certamente ainda há muitos outros registros a serem descobertos, cada um dialogando com nossa história.


Pesquisa, arte e elaboração: Charles Aquino

Acervo: Guaracy de Castro Nogueira (In Memoriam)

sexta-feira, maio 27, 2022

PRAÇA LUIZ RIBEIRO

 Câmara Municipal de Itaúna

Projeto nº 9

O povo do município de Itaúna por seus representantes decreta, e eu, em seu nome, sanciono a seguinte lei:

Art. 1º Fica incorporada ao patrimônio do Município, a Praça “Luiz Ribeiro”, sita na confluência da rua Silva Jardim com a av. Getúlio Vargas.

Art. 2º Fica a Prefeitura autorizada a arrendar a mencionada praça “Luiz Ribeiro” para construção de um posto de gasolina. O Arrendamento a que se refere este artigo, só será concedido mediante exigências que possibilitem o embelezamento do referido logradouro e outras de ordem técnica, previstas no Código de Posturas.

Art. 3º Revogadas as disposições em contrário, entrará esta lei em vigor na data de sua aprovação.

Sala das Sessões, em 25 de julho de 1951

Ítalo Milo


JUSTIFICATIVA

O projeto que apresentamos a consideração dessa Egrégia Câmara, tem por finalidade:

1º Favorecer e possibilitar o embelezamento da pequena praça Luiz Ribeiro, que se acha situada entre a rua silva Jardim e av. Getúlio Vargas;

2º Permitir que a praça possa ser utilizada por essa Prefeitura, ou mesmo por particulares, mediante concessão ou arrendamento de forma que favoreça o mencionado motivo de embelezamento.

De fato, o Projeto facilita as finalidades supras, exatamente porque é propósito da Municipalidade permitir que se construa no local um posto de gasolina.

Para assim proceder, a Prefeitura obrigará ao concessionário a uma série de providências e exigências de forma que o posto constitua um melhoramento a cidade.

Todos os grandes centros têm os seus postos de gasolina construídos de tal forma que eles se transformam em conjuntos harmoniosos que agradam e impressionam pelo gosto arquitetônico.

Não sus subsistirá, com a concessão, a possibilidade de um aterrado a existência da Praça, já que um posto construído com requisitos especiais, não roubará ao local a sua característica de Praça.

Utilizada desta forma, a Prefeitura virá favorecer o embelezamento, sem ônus para ela, e até mesmo com vantagens pecuniárias já que será arrendada.

Também a possibilidade de eventuais perigos, permitindo-se a instalação de um posto de gasolina, não existe. Sabemos que nos maiores centros estão estes localizados em zonas residenciais, e jamais foi arguida esta inconveniência. Construções dessa natureza são rodeadas de garantias e pormenores de ordem técnica que afastam a hipótese em questão.

Para a Prefeitura possa arrendar a Praça, é necessário que a mesma seja incorporada ao Patrimônio Municipal. Esta a razão do art. 1º do Projeto.

A inciativa é constitucional, e o seria até mesmo para efeito de alienação, conforme se depreende do que dispõe o art. 61 nº III, da Lei nº 28, de 22 de novembro de 1940. Também de acordo com a mesma Lei não se exige hasta pública, razão porque não fizemos no Projeto qualquer menção a esta, conforme art. 19, nº V, da mesma Lei.

Por esses motivos, esperamos que seja o Projeto aprovado.

A Comissão

“O presente projeto vem ferir um princípio que foi adotado pela Câmara passada. A Câmara passada adotou o critério de não ceder Praças para uso de particulares”.


Prefeitura Municipal de Itaúna – 2013

Em agosto, para dar maior mobilidade ao trânsito em um dos pontos mais movimentados a Praça Luiz Ribeiro foi dividida ao meio e o trânsito liberado no local. A modificação está ligada à nova passagem de nível pela Jove Soares e a alteração de fluxos da passagem da rua Silva Jardim, próximo à praça Luiz Ribeiro.

A intervenção foi realizada por meio de uma via de mão única, facilitando a conversão dos veículos nas ruas Manoel Corrêa e Avenida Getúlio Vargas. A Silva Jardim passou a receber maior volume de veículos com alterações já realizadas com a abertura da nova entrada da cidade.

A intervenção atingiu apenas 35% da área da antiga praça, mostrando que o projeto foi elaborado pensando em todas as dimensões. O monumento e70% das árvores foram mantidos (as outras 30% foram replantadas).

Texto extraído do Jornal do Município de Itaúna / Edição especial 2013.


SAIBA MAIS


Referências:

Acervo Documental: Câmara Municipal de Itaúna

Acervo Fotográfico: Bel de Abreu, Diogo Bernardes, Google View, Prefeitura de Itaúna, Charles Aquino, José Silvério.

Pesquisa e Organização: Charles Aquino

segunda-feira, abril 25, 2022

FONTE LUMINOSA


   A Prefeitura Municipal de Itaúna autorizou a construção de uma "FONTE LUMINOSA" na Praça Dr. Augusto Gonçalves e abriu um crédito especial para tal. A lei estabelecia que a fonte deveria ser construída conforme planta aprovada por um profissional habilitado, com garantia mínima de funcionamento de 15 anos e garantia de fábrica para as máquinas.
  O Prefeito poderia firmar contratos até o valor de 570 mil cruzeiros para a execução da obra, podendo utilizar o crédito de uma vez ou em parcelas. A lei entrou em vigor na data de sua publicação, em 22 de março de 1960, sendo aprovada em 2ª discussão em 23 de março e com a redação original em 24 de março do mesmo ano.

FONTE LUMINOSA

Autoriza a construção da “Fonte Luminosa” e abre crédito especial. O Povo do Município de Itaúna, por seus representantes, decreta e eu, em seu nome, sanciono a seguinte lei:

Art. 1º — Fica a Prefeitura Municipal de Itaúna, autorizada a construir, à Praça Dr. Augusto Gonçalves, uma “FONTE LUMINOSA”.

Art. 2º — Fica autorizado o senhor Prefeito Municipal a aprovar qualquer planta, desde que, feita por profissional habilitado e que possua as condições indispensáveis à construção.

Art. 3º — Deverá a “FONTE LUMINOSA” ser executada na conformidade da planta apresentada e ter garantia de funcionamento de no mínimo 15 anos.

Art. 4º — A garantia das máquinas utilizadas, desse que fabricadas por indústrias, nacionais ou estrangeiras, será a de fábrica.

Art. 5º Fica o senhor Prefeito Municipal autorizado a firmar contrato de empreitada, ou locação de obra, com qualquer pessoa física ou jurídica, devidamente capacitada, até o valor de quinhentos e setenta mil cruzeiros (Cr$ 570.000,00), para execução da “FONTE LUMINOSA”.

Art. 6º — Fica aberto o crédito especial de quinhentos e setenta mil cruzeiros (Cr$ 570.000,00) para fazer face a despesa criada pelo artigo anterior.

Art. 7º— Poderá o senhor Prefeito Municipal utilizar o crédito especial de uma só vez, ou parceladamente, de seis vezes consecutivas, sendo a primeira no valor de 40% (quarenta por cento) do valor do crédito especial aberto, e as outras cinco, de 12% (doze por cento) do valor do mesmo, mensalmente.

Art.8º — Revogadas as disposições em contrário, esta lei entrará em vigor na data de sua publicação.

Mando, portanto, a todas as autoridades a quem o conhecimento e execução desta lei pertencer, que a cumpram e a façam cumprir, tão inteiramente como mais as partes e declara.

 Itaúna 22 de março de 1960

Célio Soares de Oliveira — Prefeito Municipal

 

A Comissão de Obras Públicas, Viação e Agricultura

Parecer:

Sala das Sessões 23/03/1960

 “A comissão opina pela aprovação em 2ª discussão”.

“ Aprovação em 2ª discussão 23/03/1960”.

A Comissão de Redação.

Sala das sessões 24/03/1960

A Comissão é pela aprovação com a redação original

Sala das sessões 24/03/1960

Aprovado

Ao Sr. Prefeito

Sala das sessões, 24/03/1960

 

Referências:

Acervo Documental: Câmara Municipal de Itaúna.

Fotografias: Antônio Gomes, Itaúna Bons Tempos (Facebook)

Acervo: Guaracy de Castro Nogueira

Pesquisa: Charles Aquino, Patrícia Gonçalves Nogueira.

Organização: Charles Aquino

Colaborador: Alexandre Campos

sábado, agosto 28, 2021

sábado, março 20, 2021

FERREIROS EM SANTANA

No século XIX a metalurgia já era explorada na cidade de Itaúna pelo processo primitivo direto de transformação de minério. A família Leite, dos irmãos Joaquim e José, já reduzia o minério pelo processo direto e a poder de foles manuais, nas suas ferrarias localizadas nas antigas Ruas da Alegria (Rua Melo Viana) e Das Viúvas (Rua Agripino Lima). Ferravam as rodas de carros de bois e supriam as necessidades da região. Djalma Nogueira e Washington Alves Cunha, o Quitão, também já fabricavam ferraduras, através das indústrias de conformação de ferro gusa, o qual era importado das usinas da região de Itabirito (SOUZA, 2001).

Por ordem do presidente da província de minas gerais, em 1831 foi determinado que se fizesse o recenseamento em todas as vilas e freguesias. Em Itaúna foi realizado o censo entre a população que possibilitou também ter várias informações sobre as profissões existentes no arraial. O resultado sobre os ferreiros e paneleiros foram: 

Ferreiros e Paneleiros

Quadro oficial 19 de dezembro de 1831 de Itaúna

 

NOME

IDADE

QUALIDADE

ESTADO

OCUPAÇÃO

Joaquim Lopes

57

Pardo

Casado

Ferreiro

José J. Florindo

29

Pardo

Casado

Ferreiro

Simão Bernardo

25

Pardo

Solteiro

Ferreiro

Antônio P. Coelho

76

Pardo

Solteiro

Ferreiro

Francisco A. Freitas

26

Branco

Casado

Ferreiro

Alexandre

19

Branco

Solteiro

Ferreiro

José Gregório

30

Crioulo

Solteiro

Ferreiro

Caetano Ferreira

70

Pardo

Casado

Ferreiro

Ângelo Barboza

66

Pardo

Casado

Ferreiro

Fidelis Barboza

26

Pardo

Solteiro

Ferreiro

Albino Mendes

22

Crioulo

Solteiro

Ferreiro

Antônio P. Dutra

32

Pardo

Solteiro

Ferreiro

José G. Menezes

22

Branco

Solteiro

Ferreiro

Simão

12

Pardo

Solteiro

Ferreiro

Manoel Luis

34

Branco

Casado

Ferreiro

Francisco

20

Africano

Solteiro

Ferreiro

Francisco Peixoto

42

Pardo

Solteiro

Ferreiro

Bernardo

25

Branco

Solteiro

Ferreiro

Manoel Felis

50

Pardo

Casado

Paneleiro

Manoel Francisco

24

Pardo

Casado

Paneleiro


Na década de 1910 em Itaúna o proprietário Djalma Nogueira, anunciava no jornal a venda de suas fábricas que estavam situadas no Largo da Matriz:

QUATRO FÁBRICAS OPTMAMENTE INSTALLADAS

POR 40:000$000 (Quarenta contos de réis)

 FÁBRICA DE CALÇADO:

1 machina Black, para coser solas dentro e fora; 1 dita “Keats”, para pontear solas; 1 balancé com 200 facas para corte de solas, meias-solas, contra-fortes, saltos e meios saltos; 1 grande cylindro para comprimir solas; 1 dito com faca para rebaixar solas; 1 machina para abrir fendidos; 1 dita para comprimir saltos; 1 dita para chanfrar contra-fortes; 1 dita grande para lixar, arranhar e polir; 1 dita para furar biqueiras; 1 dita para espanar pellicas; 1 dita para furar e apertar ilhozes; 1 dita para collocar alhetas,1 dita para carimbar solas; 1 dita para posponto de botas e mais pequenas machinas auxiliares.

 FÁBRICA DE CAIXAS DE PAPELÃO:

1 grande machina para cortar papelão; 1 dita para fender; 1 dita para cortar cantos; 1 dita grande para coser caixas, e instalações, balcões para colla etc.

 FÁBRICA DE PONTAS DE PARIZ:

2 machinas para a fabricação dos pregos; 1 grande tambor para polimento; 1 ventilador.

 FÁBRICA DE FERRADURAS E SERRALHERIA:

1 grande machina para furar em puncção; 1 dita para arquear ferraduras; 1 machina para furar com broca; 1 tarracha para parafusos; 5 safros pesados; diversas ferramentas auxiliares; 1 motor e cadeira fixa separada, com força de 10 cavallos; 1 casa construída toda de tijolos, construcção moderna, com paredes externas de 0m,40 de espessura, alicerces com fundações de dous metros, assoalhada e forrada, com 200 metros quadrados, dividida em dous grandes armazéns, duas grandes salas, um dormitório espaçoso, corredor e mais seis quartos; 1 dita com dous pavimentos de 30 metros quadrados cada um; 1 dita tendo 96 metros quadrados; 1 saguão onde funciona o motor a vapor; Depósitos de lenha, latrinas, banheiro, etc; 1 pomar com 5.000 metros quadrados.

Tudo por 40:000$000 (Quarenta contos de réis)

 Estão situadas estas indústrias no largo da Matriz, da Villa de Itaúna, a 90 kilômetros da Capital mineira. Esta villa é servida pela E. de F. Oeste de Minas, bitola de metro, e possue, funcionando há mais de 20 annos, uma fábrica de fiação e tecidos, com o capital de réis 600:000$000 (seiscentos contos de réis); está em montagem uma fábrica de fiação e tecidos de lã, e funcionando: 3 machinas de beneficiar arroz; 1 fábrica de manteiga; 1 curtume de pelles; 2 machinas de beneficiar café; diversas fábricas de queijo, etc.

Para algumas informações, nesta Capital, o sr. A. Ribeiro de Oliveira, rua Visconde de Inhaúma nºs 113 e 115.

Para informações mais minuciosas, com o seu proprietário, Djalma Nogueira, Villa de Itaúna, Minas.  


REFERÊNCIAS:

Pesquisa e Organização: Charles Aquino

Fonte Impressa: Jornal do Comércio, Rio de Janeiro – 16/10/1910. Edição 2888, página 12. Biblioteca Digital Brasileira.

Fonte: Almanak Administrativo. Década 20. Biblioteca Digital

Fonte Bibliográfica: SOUZA, Miguel Augusto Gonçalves de. Capítulos da história itaunense, Itaúna/MG Ed. 2001, p. 284.

Fonte/ Censo:  CEDEPLAR - Poplin-Minas 1830 /1831: Listas nominativas.Disponível em: http://www.nphed.cedeplar.ufmg.br/poplin-minas-1830/

Acervo Fotográfico: Professor Marco Elísio Chaves Coutinho, Charles Aquino, ICMC -  Instituto Cultural Maria de Castro Nogueira, Professor Ângelo Matos.