domingo, abril 09, 2017

CAUSOS DO URTIGÃO

HISTÓRIAS E CRÔNICAS ITAÚNA MG

   URTIGÃO: Causos de Itaúna é uma coletânea de histórias narradas por José Silvério Vasconcelos Miranda, que usava o pseudônimo URTIGÃO. Miranda viveu em Itaúna durante as décadas de 1950 e 1960, e sua obra reflete as peculiaridades e personagens dessa época. 

    O pseudônimo "URTIGÃO" também é associado a um personagem dos estúdios de Walt Disney, criado por Dick Kinney e Al Hubbard. Este Urtigão, conhecido como “Hard Haid Moe”, é um caipira mal-humorado que vive afastado da sociedade. Contudo, este “Urtigão” é bem-humorado e totalmente integrado nos causos da sociedade itaunense!!!

   Organizado por Charles Aquino, "Causos do Urtigão" são crônicas que retratam com humor e nostalgia o cotidiano de Itaúna. Cada “causo” aborda diferentes aspectos da vida na cidade, destacando figuras pitorescas e eventos memoráveis. Essas crônicas não apenas entretêm, mas também preservam a memória de uma época e de uma comunidade, celebrando a cultura e os personagens de Itaúna. Aqui estão alguns dos “causos” mais notáveis:





























* URTIGÃO (desde 1943) é pseudônimo de José Silvério Vasconcelos Miranda, que viveu em Itaúna nos anos 50 e 60 (In Memoriam). 


© ITAÚNA DÉCADAS
Projeto independente de memória, história e patrimônio cultural.

Arte e concepção:
Charles Galvão de Aquino
Historiador — Registro Profissional nº 0000343/MG


sábado, abril 08, 2017

SENHORA SANT'ANA 1952

PRAÇA MATRIZ DE ITAÚNA MG
VENERÁVEL IMAGEM DE SENHORA SANT'ANA


Para intensificar cada vez mais a devoção a nossa padroeira Senhora Sant’Ana, resolvi fazer uma peregrinação com a venerável imagem, percorrendo toda paróquia. Dia 27 de Abril às 10 horas partiu em uma caminhonete enfeitada e acompanhada de automóveis e caminhões, a virgem antiga de Sant’Ana em direção ao Córrego do Soldado.
Acompanhando a banda de música “Santa Cecília”. Teve uma recepção estrondosa. Em seguida houve missa e procissão. De 27 de abril a 26 de julho a imagem percorreu os seguintes lugares —    ora de carro, ora nos ombros: Campos, Lopes, Garcias, Vista Alegre, Fazenda dos Coelhos, Brejo Alegre, Pedra, Fazenda das Braúnas, Fazenda dos Campo Redondo, Carneiros, Paulas, Calambau, Vargem da Olaria, Vila Padre Eustáquio, Vila Mozart, Bairro da Piedade, Bairro das Graças, Santa Casa e Santanense.
Dia 26 de julho em carro triunfal acompanhada de inúmeros automóveis, ladeada de fila de motores, deu entrada na Praça da Matriz a venerável imagem de nossa querida padroeira — Sant’Ana.
Itaúna, 1952
Pároco José Ferreira Netto

FONTE: LIVRO TOMBO Nº 02/1948 – 1992: Paróquia de Sant’Ana de Itaúna, p. 21, 22.
PESQUISA E ORGANIZAÇÃO: Charles Aquino.
ACERVO FOTOGRÁFICO: Professor Marco Elísio Chaves Coutinho

CHOFER DO CARRO DE PRAÇA

CHOFER DO CARRO DE PRAÇA EM ITAÚNA

O chofer do carro de praça era um gentleman! Sempre bem alinhado, muitas vezes de terno com um quepe à cabeça e o mais importante, disposição sempre para choferar pelas ruas — calçadas ou empoeiradas!
O chofer ou chauffeur, era destinado ao transporte de passageiros, viajando “a qualquer hora, em qualquer lugar”.
 No município de Itaúna na década de 60, para ser um chofer de praça, era somente ir a prefeitura e obter uma licença, o qual, recebia uma placa de cor vermelha para fixar na parte dianteira do carro.
No dia 20 de maio do ano de 1961, chegava em Itaúna um jovem com carro de marca Chevrolet ano 1948.  Emplacando todos os requisitos, Ernani José dos Santos, começou a trabalhar como chofer de praça.
O "carro de praça" em Itaúna, era um “acessório indispensável” para várias situações, entre as mais solicitadas estariam: Os traslados de noivos até a porta da Igreja para o enlace matrimonial, crianças para receberem o sacramento do batismo acompanhados dos pais e padrinhos, chamadas de emergência para o hospital, atendimentos médicos a locais distantes, entre outros.
O "chofer de praça" Ernani, era um dos poucos que usava seu carro para transportar passageiros até a capital mineira. Com uma velocidade de quase 70 km por hora e sempre com o carro revisado, Ernani fazia viagens para “Aparecida do Norte” durante o ano. Vários foram estes serviços prestados à comunidade e cidades adjacentes.
Em Itaúna, existiam pouquíssimos carros, porém, a frota de chauffeurs conseguia atender bem a demanda. O ponto estratégico à espera de passageiros, era em torno da praça à sobra das Caesalpinia férrea.
 Benevides Garcia, também era chofer de praça e fotógrafo. Ernani diz que ele foi um grande “companheiro de praça”. Quando Benevides tinha o compromisso da fotografia e não podia atender ao chamado do cliente para transportá-lo, imediatamente o serviço era realizado por Ernani.
Foram exatamente 29 meses de serviços prestados a comunidade itaunense e região, entre os anos de 1961 a 1963, que Ernani José dos Santos trabalhou como chofer de praça. Em seu escritório ainda guarda com grande orgulho as fotografias de seu Chevrolet 1948, que lhe rendeu muitas histórias. Ao ver uma fotografia de vários choferes da década de 60 da praça de Itaúna, imediatamente informou os nomes com brilho nos olhos:  Cordomar Silveira, Klebão do sinhô, Júlio da Zurica, Valtinho Antunes Ari Antunes e Francisco Fernandes (Chico do Vítor).
Ernani José dos Santos foi uns dos que fizeram e ainda continua fazendo história em terras itauneneses.


FONTE:
DATA DA ENTREVISTA: 05 de abril de 2017.
DURAÇÃO: 59 minutos.
LOCAL:  Esfera Estamparia de Ferro e Aço Ltda. / Sala de recepção da empresa.
CIDADE: Itaúna/MG.
ENTREVISTADO: Ernani José dos Santos
ENTREVISTADOR: Charles Aquino
INTERMEDIAÇÃO/INDICAÇÃO:  Professor Arnaldo de Souza Ribeiro, indicou e intermediou o encontro com o senhor José dos Santos, o qual, foi possível conhecê-lo e realizar a entrevista.
ACERVO FOTOGRÁFICO:  Ernani José dos Santos

quinta-feira, abril 06, 2017

SETE ANÕES EM ITAÚNA

ITAÚNA MINAS GERAIS -  ESCOLA
OS SETE ANÕES EM ITAÚNA 
*Urtigão
A vida das professoras primárias e das diretoras de grupo escolar era dura. Nada de verbas de qualquer espécie para merenda escolar. O dinheiro tinha de ser angariado com rifas, tômbolas, jantares festivos e contribuições de pais de alunos mais abastados.
Havia uma diferença dos dias de hoje. Só recebiam merenda os alunos comprovadamente pobres. Normalmente era sopa, bem rica, de macarrão "goela de pato" com carne picada, legumes, etc. Se não era macarrão, era um belo engrossado de fubá, comprado no moinho do Serjobes. Tinha broa de fubá, broa de canjica com melado de rapadura, broa feita com coalhada. Quem fazia a merenda era a Merendeira, uma funcionaria destacada para a função. Os outros alunos, " não pobres" levavam merenda de casa.
Lembro-me bem de um teatro organizado pelas professoras do Grupo Escolar " José de Melo", onde fiz o primeiro ano primário. Coisa bem-feita. 
A peça teatral apresentada foi a história da Branca de Neve e os Sete Anões, com números de canto e dança, orquestra de violões e violinos de uns ciganos estabelecidos em Itaúna. Eles eram ciganos fixos. Tinham uma fábrica de máquinas de moer carne. Tinham fama de bonitões e as professoras solteiras suspiravam por um deles. Por azar delas, só se casavam com mulheres “ciganas”.
Ia me esquecendo de dizer: as apresentações foram no antigo Cine Sant'ana, na rua Silva Jardim. Espetáculo com ingresso pago. O dinheiro arrecadado serviria para reforçar a Caixa Escolar.
Os ciganos tocavam de graça, bem como, todos os "artistas" se apresentavam sem cachê. Fantasia também por conta dos pais. Já narrei em outra parte deste blog que eu e meu irmão mais velho, éramos nanicos. Ele foi escolhido para ser o Zangado. Fazia bem o seu tipo. Baixinho, marrento e enfezado. Eu era de boa paz. Deram-me o papel de Feliz. Entrávamos no palco, com pás e picaretas nas costas a cantar as canções conhecidas de gerações e gerações. Barbas de algodão a fazer cócegas e todos nós compenetrados da responsabilidade que nos cabia.
Na casinha bem arrumada, encontramos Branca de Neve, adormecida, encantada pela feiticeira invejosa. Era bonita. Se não me falha a memória, o papel coube a Eleusa Moreira, já desaparecida. Um alvoroço entre os anões. O chefe era o Irdevan Nogueira, dava ordens com precisão.
Branca de Neve jazia na cama, adormecida para sempre. O que fazer. Aflição, clima de " barata voa"!!!!!
Nos contos de fada, sempre há final feliz. Eis que surge o Príncipe Encantado, vestido de veludo azul, com alamares e botões dourados. Chapéu com plumas, parecendo um mestre sala de escola de samba, tamanha a imponência. Era o Aires Bastos. Muito branco, com a palidez realçada pela luz indireta e pelas roupas azuis. Beija a Branca de Neve no rosto e o feitiço desaparece.
Aplausos retumbantes. Mesuras e mais mesuras para a plateia. Fecham-se as cortinas. As palmas não cessam. Os toscos artistas reaparecem. Mais aplausos. As mães orgulhosas " lambem as crias”. Nada de assobios e os gritinhos histéricos tão comuns nas apresentações atuais. Sucesso absoluto. Três dias de casa lotada. Só não houve prorrogação da temporada em razão de compromissos dos donos do cinema com as distribuidoras de filmes.
Um segredo: para os artistas mirins o que fez sucesso mesmo foram as maçãs. Coisa tão rara no interior que foram mandadas buscar em Belo Horizonte. Compradas num empório de nome" Estâncias California". Ficava na escadaria dos edifícios Sulacap e Sulamerica.
A cada anão, coube uma maçã à guisa de cachê. Embrulhadas em um papel azul, vermelhas e perfumadas. Uma beleza.

*Urtigão é pseudônimo de José Silvério Vasconcelos Miranda, que viveu em Itaúna nas décadas de 50 e 60. Tudo que narrei acima é verdade. É meio piegas, mas sai um pouco do "modelo" Urtigão! Organização: Charles Aquino.  Crônica escrita e enviada especialmente para o Itaúna Décadas em 06/04/2017.

segunda-feira, abril 03, 2017

ESCOLA NORMAL ITAÚNA: MICTÓRIO

MUNICÍPIO DE ITAÚNA MG- ESCOLA
A MEDIDA DO MICTÓRIO

Urtigão*

O dr. Guaracy era uma figura admirável em todos os aspectos. Ao assumir o cargo de diretor da Escola Normal, de imediato botou mãos à obra para modernizar o educandário. O banheiro dos rapazes só tinha privadas. Dr. Guaracy resolveu que o lugar tinha de ter também um mictório.
Servia mais estudantes ao mesmo tempo, mais fácil de limpar e gastava menos água. Coisa sem luxo. De cimento queimado, uma torneira para ser aberta de tempos em tempos para escorrer o " xixi " e um ralo no final da instalação. Contratou os pedreiros e só tinha uma dúvida. A altura exata mictória, em declive, que pudesse servir a todos os estudantes.
Eu estava na primeira série ginasial e meu irmão Antônio de Pádua, já na terceira série. Éramos, sem nenhum favor, os dois menores alunos do ginásio. Eu media exatos 1,29 m e meu irmão, por sinal, mais velho do que eu, 1, 27 m. Na medida para tirar a dúvida do diretor. Meu irmão passava na porta do vetusto prédio na rua Arthur Bernardes indo buscar carne no açougue do Juca, quando foi chamado pelo dr. Guaracy – Padinha, (esse era o apelido dele no ginásio) venha até aqui!
Meio desconfiado, meu irmão foi até o diretor e se colocou ao seu dispor.  De imediato foi levado até o mictório em obras e lá atendeu ao pedido do dr. Guaracy:  Faça de conta que você vai urinar na parede. Qual é a altura ideal, sem fazer esforço! Meu irmão atendeu o pedido e fez a   simulação. Feito isso, os pedreiros marcaram a altura. E a Escola Normal ganhou um mictório sob medida e à prova de reclamações.
 O fato é verídico e aconteceu no início de 1955. A história é verdadeira. Meu irmão é agrônomo e fará setenta e cinco anos em maio. Era o xodó dos professores. Ele entrou no ginásio antes de fazer onze anos. Baixinho, bom de cabeça e de briga. Depois crescemos. Não muito!!!

* Urtigão (desde 1943) é pseudônimo de José Silvério Vasconcelos Miranda, que viveu em Itaúna nos anos cinquenta e sessenta. Crônica escrita e enviada especialmente para o blog Itaúna Décadas em 01/04/2017. Organização: Charles Aquino

Acervo: Shorpy

domingo, abril 02, 2017

A BELA E O FEIO DE ITAÚNA

Qual a mais bela moça de Itaúna? Qual o rapaz mais feio de Itaúna?

Para responder a estas perguntas, o jornal de informe humorístico e cultural do município de Itaúna, o “Zum Zum”, no ano de 1922, realizou um concurso para eleger a moça mais bela e o rapaz mais feio.  O jornal era de grande popularidade na cidade, fundando no ano de 1917, pelo Grupo dos 5 “e que muitos anos desopilou os itaunenses” (DORNAS, p.55)  
As regras do concurso eram distintas — Para eleger a moça mais bela, toda a população poderia participar da eleição, o qual, era realizada com cédulas de papel e seriam depositadas em uma urna. Para eleger o rapaz mais feio, a eleição seria realizada somente através das moças que estavam no concurso.
O último a ocupar o trono de mais feio da cidade, foi o sr. Cícero Franco, cuja votação, conseguiu a façanha de ser eleito por unanimidade de votos.   Havia uma importante cláusula no concurso — o rapaz que se casasse, seria eliminado perdendo seu reinado de feiura.   
A inquietude tomou conta de toda população e dos candidatos que aguardavam o resultado da apuração dos votos. Uma comissão ficou responsável para fiscalização dos resultados — “As Mademoiselles, Ivolina Gonçalves, Sinha Moreira e Petrina Santiago; dos interessados, Hercílio, Zezé, Chichico e Záu; e fiscais Juca e Zimbo”. A apuração durou mais de duas horas, com chiliques e vertigens dos presentes mesários.

RESULTADO GERAL DO CONCURSO:
Moça mais bela de Itaúna
NOME
VOTOS
Nair Chaves
345
Altair Gonçalves
85
Maria Linda
80
Albertina Gonçalves
55
Sinhá Moreira
25
Ignésia Moreira
20
Lygia Gonçalves
15
Palmyra Marques
15
Cecy Mello
10
Ivolina Gonçalves
05
Adalgisa Mattos
05
Maria Augusta
05
Alzira Gonçalves
05
Zilda Coutinho
05

Eleita a mais bela moça, Nair Chaves foi agraciada com presente e um poema de Medeiros e Albuquerque:
Quando a virdes surgir, sabei que passa
O Mimo, a Mocidade, o Encanto, a Graça:
Tudo o que inspira os hynnos e as canções!
E, si o pé pequenino pisa incerto,
É porque, no pisar, ele por certo
Sente que pisa sobre corações.

Rapaz mais feio de Itaúna
NOME
VOTOS
José Penido (Prigoso)
235
Hercílio Gonçalves (Mocorró)
75
Zezé Santiago (Polaco)
70
João Dornas Filho (Záu)
30
Antônio Soares Nogueira
25
Romeu Nogueira
15
Clarindo Gonçalves
15
Mozart Gonçalves
15
Francisco Santiago (Chichico)
15
Sady Machado
10
José Lima
10
Nelson Soares Nogueira
10
Jujú Lima
05
Ocalino Gonçalves
05
Dr. Augustinho
05
Sylvio Soares
05
Vicente Soares
05
Ronan Soares
05
Clarindo Novato
05

O jovem eleito mais feio de Itaúna, José Penido, teve uma votação bastante expressiva, dando jus ao apelido jocoso “Prigoso”, que teria o significado de “pirigoso”.
O Zum Zum, após ter publicado o resultado do concurso, deixou aos seus leitores a seguinte mensagem no jornal:
Deixamos ao critério do povo julgar si houve ou não justiça na presente eleição. Feio por feio todos os candidatos são ... mas, o que aqui prevalece é a opinião das moças. Elas elegeram o Prigoso e por isso ele tem que ser feio até depois de morto.
Então !!!! Percebe-se que, para deixar de ser feio, o matrimônio era a salvação!   



FONTE: Jornal: Zum Zum. Século XX, Itaúna, 25 de junho de 1922. Nº 31, p.1,2,3. 
FILHO. João Dornas. Itaúna: Contribuição para a história do Município, BH, 1936.
FONTE ORAL: Professor Marco Elísio Chaves Coutinho.
PESQUISA E ORGANIZAÇÃO:  Charles Aquino. Graduando em História, 7º período, UEMG/Divinópolis/MG.  Pesquisador e Historiador de documentos séculos XVIII, XIX, XX.
MOÇA MAIS BELA´: Nair Chaves — Quinta moça, da esquerda para direita.
RAPAZ MAIS FEIO: José Penido —   Oitavo rapaz, da esquerda par direita.

sábado, abril 01, 2017

A PRIVADA TURCA DO BAR AZUL

A grande falha de bares e restaurantes em todo o Brasil sempre foi o banheiro. Noutros tempos então, era de arrepiar. Tive um amigo, caixeiro-viajante, que andava com um sabonete no bolso do paletó. 
Ao entrar nos banheiros, fosse do trem, das pensões, hotéis e bares, sacava o sabonete do bolso e botava no nariz. Só parava de cheirar quando saia do lugar. Bom remédio para despistar o mau cheiro.

O Bar Azul não fugia a regra, localizado na praça Dr. Augusto Gonçalves de Itaúna, ao lado do Cine Rex, era também o último porto para necessidades orgânicas urgentes. Durante o dia, de sua porta saía também o ônibus para Itatiaiuçu. Banheiro muito frequentado.

Além do mictório, para resíduos sólidos, tinha uma privada turca. Um negócio abominável. Assentado direto no chão, com um buraco para receber " as encomendas" e dois lugares para colocar os pés. Tinha descarga. Menos mal. O indivíduo "apertado" ficava de cócoras e se arranjava.

Um cidadão estava acocorado na privada do Bar Azul, já no final de seu "descarrego", quando entrou de supetão um indivíduo com problemas intestinais. Mal teve tempo de abrir a porta, baixar as calças e " mandar fogo". Não chegou a ver o outro devidamente agachado.

O pobre diabo, tomou um banho de merda, começando pela cabeça e por todo o costado. Sem meios de protestar, todo enlameado e fedorento, teve uma reação inusitada. Enfiou a mão no buraco e de lá retirou uma porção de excremento e atirou na cara do cagão. Em seguida bradou triunfante: " Se é guerra que você quer, tome guerra"!!!!!!

*Urtigão (desde 1943) é pseudônimo de José Silvério Vasconcelos Miranda, que viveu em Itaúna nos anos cinquenta e sessenta. Crônica escrita e enviada especialmente para o Itaúna Décadas em 01/04/2017. Organização: Charles Aquino