sexta-feira, novembro 16, 2012

BANDEIRA ITAÚNA (PARTE 3)

HISTÓRIA DA BANDEIRA DE ITAÚNA MG
Lei Municipal nº 4.123  11 de outubro de 2006 sancionada altera a redação do art. 2º da lei Municipal  nº 330, de 11 de Outubro de 1956.
 "Artigo 2º - Essas cores serão reunidas numa bandeira confeccionada nos moldes da técnica dispostas num retângulo, de cor branca, com duas faixas na diagonal, de cima para baixo, partindo do mastro nas cores verde e vermelho escuro, sendo vermelho escuro a faixa de baixo".

PARTE 1 ✅

Saiba mais em:


Organização: Charles Aquino
Pesquisa: Charles Aquino, Juarez Franco
Acervo: Prefeitura Municipal de Itaúna

sexta-feira, novembro 09, 2012

BANDEIRA ITAÚNA (PARTE 2)

HISTÓRIA DA BANDEIRA DE ITAÚNA MG
 Lei nº 330 de 11 de outubro de 1956
“Art. 2º -  Estas cores serão reunidas numa Bandeira confeccionada nos moldes da técnica, dispostas num retângulo, de cor branca , com duas faixas na diagonal no sentido de baixo para cima e da direita para a esquerda, de cores vermelho escuro e verde.”

 PARTE 3 ✅

Saiba mais em:


Organização: Charles Aquino
Pesquisa: Charles Aquino, Juarez Franco
Acervo: Prefeitura Municipal de Itaúna 


quarta-feira, novembro 07, 2012

JOÃO GUIMARÃES ROSA, MEU PAI


Em 1973, idealizada pelo escritor David de Carvalho, a programação cultural desta semana festiva foi dedicada à memória de João Guimarães Rosa, que de lá saíra há quarenta anos, mas prometendo se conservar “itaguaro-itaunense” de coração, para sempre.
  Eu fora convidada a participar, fazendo uma conferência sobre a obra e a personalidade de meu pai.  Desde o momento em que o comitê de recepção nos recebeu à porta da cidade, com ramos de flores e aplausos, Peter e eu nos sentimos itaunenses também, e vivemos dias maravilhosos, ambiente de grande carinho.
  Tudo perfeito. A gentil hospitalidade da família Guaracy de Castro Nogueira, na sua bela mansão às margens da barreira de Benfica. Dona Ivete mandara enfeitar de rosas desde a entrada até a suíte que ocupamos. Garçons enluvados serviram-nos gostosos pratos típicos mineiros. Amigos antigos, que me haviam visto pela última vez quando eu tinha apenas dois anos, foram, pressurosos, me beijar. Estudantes nos entrevistando, gravadores ligados, fotografias, conversas e risos, amizade, curiosidade e uma emoção.
  De parabéns a comissão organizadora, constituída pelo próprio David de Carvalho, José Waldemar Teixeira de Melo, chefe de gabinete do prefeito Hidelbrando Canabrava Rodrigues, os professores Marco Elísio Chaves Coutinho, Francisco De Filippo, José Gomes Miranda, Jefferson Ribeiro de Andrade, diretor da revista literária bel’Contos, e a jornalista e escritora Carmem Schneider Guimarães, casada com o primo de papai, José Luiz Gonçalves, que é advogado e professor. Carmita, como a chamamos na intimidade, é conhecedora entusiasta da obra de meu pai, e muito a tem divulgado, em Minas, com excelentes artigos.

  A programação começou inaugurando o minimuseu Guimarães Rosa, com livros, algumas cartas, fotografias e objetos-lembranças. O seu retrato foi descerrado. Professores fizeram conferências diárias sobre a sua obra, e também falou o tio Vicente Guimarães, que estava com tia Miretta. Ele lançou então o livro infantil Joãozito, Infância de Guimarães Rosa, autografando-o para os alunos de vários grupos escolares da cidade.
  O reitor Guaracy de Castro Nogueira e o diretor da Faculdade de Filosofia, professor Antônio de Oliveira, receberam-nos com muita simpatia. E, para um auditório lotado de alunos, professores e convidados, fiz a conferência de encerramento.  Antes, uma bonita missa celebrada pelo padre que havia sido porteiro do Colégio Arnaldo, onde Joãozito estudara, em Belo Horizonte. E à saída da igreja, uma alegre surpresa: a banda de música de Itaguara – e como papai apreciava uma bandinha ...
  Um dos músicos, velhinho simpático de úmidos olhos verdes, se adiantou, me abraçando: Seu pai, o querido dr. Rosa, salvou a vida de meu filho! Foi um dos melhores momentos ouvir esta frase feliz de um homem cuja gratidão ainda persistia muito forte após quarenta anos.  O enorme sucesso dessa promoção, cultural, a beleza da homenagem, a bondade do povo de Itaúna, permanecerão entre as minhas lembranças mais gratas e queridas.

Vilma Guimarães Rosa

FONTE: ROSA, VILMA GUIMARÃES. Relembramentos: João Guimarçaes Rosa, Meu Pai. Ed. Nova Fronteira S.A., 2008. p.410-411.  


quarta-feira, outubro 31, 2012

BANDEIRA ITAÚNA (PARTE 1)

 BANDEIRA DE ITAÚNA

A bandeira de Itaúna foi escolhida por concurso público, instituído pela Lei nº 328, de 10 de Agosto de 1956, pelo então Prefeito Municipal, Dr. Milton de Oliveira Penido.
Pela Portaria nº 659, de 08 de Setembro de 1956 foi designada a Comissão Julgadora, composta dos seguintes membros: Dr. Marcelo Dornas de Lima (engenheiro), Dr. José Drumond (médico) e Dr. Lincoln Nogueira Machado (médico). Foram apresentadas dezenas de propostas e, de conformidade com o Edital, a Comissão se reuniu no dia 10 de Setembro de 1956, na Rádio Club de Itaúna, às 19 horas. Foi vencedora a Bandeira idealizada por EPONINA MARIA DO CARMO NOGUEIRA GOMIDE SOARES. A bandeira foi oficialmente instituída pela Lei nº 330, de 11 de outubro de 1956.

MARIA DO CARMO, como era mais conhecida, nasceu em Itaúna no dia 23 de Agosto de 1927, filha de Péricles Rodrigues Gomide (LIQUE) e Eponina Nogueira Gomide. Era professora e funcionária da extinta Coletoria Estadual, hoje Superintendência Fazendária. Casou-se com HOLMES SOARES com que teve seis filhos: Jerusa (falecida), Holmes Jr, Huáscar, Naiúra, Helder e Hebert, chegando a falecer no dia 09 de Maio de 1979.

Já a Lei Municipal nº 4.123, sancionada pelo Prefeito Eugênio Pinto, em 11 de outubro de 2006, alterou a redação do Artigo 2º da Lei nº 330, definindo-a da seguinte forma:
“Essas cores serão reunidas numa bandeira confeccionada nos moldes da técnica dispostas num retângulo, de cor branca, com duas faixas na diagonal, de cima para baixo, partindo do mastro nas cores verde e vermelho escuro, sendo vermelho escuro a faixa de baixo".

Eponina Maria do Carmo Nogueira Gomide Soares
 
 PARTE 2 ✅

Regulamentação do Hasteamento
A bandeira é composta de 3 cores com os seguintes detalhes :
1 -  Fundo branco de cor neutra, representando todas as bandeiras dos estados brasileiros.
2 -  Uma faixa verde  homenageando a bandeira do Brasil.
3 -  Uma faixa vermelha homenageando Portugal e aqueles que vieram colonizar o Brasil.
4 - Seu hasteamento deverá ocorrer entre 8 e 18 horas. Fora deste horário, deverá ser iluminada por holofotes.


Organização: Charles Aquino
Pesquisa: Juarez Franco, Charles Aquino
Acervo: Prefeitura Municipal de Itaúna
Acervo Fotográfico: Huáscar

domingo, outubro 28, 2012

ESTRADA DE FERRO ITAÚNA


Inicia-se a construção do ramal da Estrada de Ferro de Minas, que ligaria Belo Horizonte a Divinópolis, sendo empreiteiro das obras o engenheiro Emílio Schnoor.
Quando o Governo Hermes da Fonseca resolveu cumprir os projetos do seu antecessor, ligando Belo Horizonte à Oeste de Minas, os municípios de Pará e Itapecerica se esforçaram denodada e justamente por atrair o ponto de junção das linhas e, se o conseguissem, privariam Itaúna desse grande melhoramento.
O Dr. Augusto Gonçalves foi incansável no evitar essa solução, conseguindo modificar os projetos em deliberação.
Um dos traçados desse ramal, segundo estudos dos engenheiros José Francisco Cantarino e Guilherme Greenalgh (1904-1908) e que foi aceito, por instâncias do Dr. Augusto, por um decreto do Governo Federal pra base dos estudos definitivos, passaria nas seguintes localidades: Chôro (perto da antiga estação de Alberto Isaacson), Salgado, Santanense, Itaúna,Soledade, Mateus Leme, Capela Nova e Belo Horizonte.
Por este traçado a estrada percorreria o município de Pará desde o rio Paraopeba até a fazenda do Azambuja, e de Água Limpa até o Chôro, em extensão de 50 km; enquanto percorreria o município de Itaúna na distância de 42 km.
De Belo Horizonte ao Chôro, passando por Itaúna, a distância pelo traçado Cantarino – Greenalgh, seria de 134 quilômetros.
Havia outro traçado estudado (porém não adotado) autoria dos engenheiros Eduardo Pôrto, José de Góis Artigas e José Duarte Pinto, de Belo Horizonte ao Chôro, mas passando pela cidade do Pará, com 156 km e 155 mts.
Em 1926, quando se cogitava de uma ligação mais curta com o sul de minas, estudou-se uma linha que partisse de Itaúna e fosse ter à Andrelândia, também estação da Rede Mineira de Viação.
O serviço de construção do ramal iniciou-se em 4 de abril de 1909, sendo seu empreiteiro o engenheiro Emílio Armand Henri Schnnoor.


Fonte: FILHO, João Dornas. Efemérides Itaunense, 1951, ps.42-43.
Organização e pesquisa: Charles Aquino. Pós-Graduando em História e Cultura no Brasil Contemporâneo – Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

sexta-feira, outubro 26, 2012

ÁGUA ITAÚNA (PARTE I)

Século XX

Vejamos o que nos diz nosso conterrâneo e Historiador João Dornas Filho em seu livro "Efemérides Itaunenses".

A Lei Municipal nº 311 desapropria por utilidade pública as nascentes da fazenda do Descoberto para o abastecimento d'água à cidade. O abastecimento d'água potável à cidade tem a sua origem numa festa do Divino, em 1884. É que, sendo festeiro ou imperador da festividade o capitão Custódio Coelho Duarte, este fez com que a água do Descoberto (depois fazenda de Alfredo Gonçalves) viesse ter ao Largo da Matriz em rêgo aberto pelos seus escravos.

 A água se destinava ao povo que concorresse às festas, pois até essa data não havia água na Praça da Matriz. Mais tarde, em cumprimento a uma promessa feita aos eleitores de Santana pelo deputado geral Dr. Antônio Felício dos Santos, uma lei da Província, de 1887, concedia nove contos de réis para a canalização dessa água, que feita em madeira pelo carpinteiro Antônio Joaquim Marques, e por muitos anos serviu à população.
Sant'Ana 31 de janeiro de 1918


Minha avó materna Avantjour Nogueira, falecida há 42 anos e aos 85 de idade, já nas décadas de 60 e 70 contou-me várias vezes que, quando se mudou para o casarão onde criou os filhos e viveu o restante de sua vida, à Avenida Getúlio Vargas (já foi assunto deste site), ainda havia restos do "rego" acima descrito por João Dornas e com um filete d'água ainda passando. Pessoalmente conheci o rego, já sem a madeira, destruída pelo tempo e seco atravessando o quintal de um lado a outro em direção ao centro da cidade. Esta água, canalizada por rego, era do Córrego do Sumidouro.

Análise do texto

O texto "Século XX", extraído do livro "Efemérides Itaunenses" de João Dornas Filho, oferece uma rica descrição histórica da evolução do abastecimento de água na cidade de Itaúna, revelando a importância das iniciativas comunitárias e políticas na melhoria das infraestruturas locais. A análise crítica deste texto pode ser dividida em várias vertentes: a narrativa histórica, o impacto social, a memória familiar e a transformação urbana.

A descrição de Dornas Filho começa com a Lei Municipal nº 311, que desapropriou as nascentes da fazenda do Descoberto para o abastecimento de água na cidade. Esta iniciativa é contextualizada dentro de um evento religioso, a festa do Divino de 1884, quando o capitão Custódio Coelho Duarte utilizou seus escravos para trazer água da fazenda ao Largo da Matriz. Este fato mostra a conexão entre as festividades religiosas e as melhorias urbanas, destacando o papel dos líderes comunitários na implementação de infraestruturas essenciais.

A narrativa prossegue com a concessão de recursos pela Província, através do deputado Dr. Antônio Felício dos Santos, para a canalização da água. Esta etapa, realizada em 1887, é um marco significativo, pois ilustra o envolvimento das autoridades políticas na solução de problemas comunitários, assegurando o abastecimento de água à população.

A obra de Dornas Filho expõe a relação entre os eventos culturais e o desenvolvimento urbano, ressaltando como as festividades religiosas podem influenciar diretamente as melhorias na infraestrutura pública. A iniciativa de canalizar a água para a cidade não apenas atendeu a uma necessidade básica da população, mas também promoveu o bem-estar coletivo durante eventos de grande congregação, como a festa do Divino.

 

Memória Familiar

O relato da avó materna do autor, Avantjour Nogueira, adiciona uma camada pessoal e emocional ao texto. As memórias de Avantjour, que viveu nas décadas de 60 e 70, servem como um testemunho vívido das mudanças que ocorreram na cidade ao longo dos anos. Ela recorda a presença do rêgo, mesmo que já deteriorado, como um vestígio palpável da história e da transformação urbana de Itaúna. Esta memória familiar não só enriquece a narrativa histórica, mas também conecta o passado ao presente de forma tangível e emocional.

A destruição gradual do rêgo de madeira, observada pelo autor durante sua infância, simboliza a transição de métodos rudimentares para técnicas mais avançadas de abastecimento de água. A persistência do filete d'água remanescente atesta a durabilidade e a importância do sistema original, mesmo com o avanço do tempo e das tecnologias.

O texto de João Dornas Filho, complementado pelas memórias familiares, oferece uma visão detalhada e multifacetada da evolução do abastecimento de água em Itaúna. Ele ilustra como a união de esforços comunitários, religiosos e políticos pode resultar em melhorias significativas para a infraestrutura urbana. A inclusão de memórias pessoais adiciona profundidade e humanidade à narrativa, ressaltando a importância de preservar e valorizar os testemunhos históricos individuais como parte integrante da memória coletiva de uma comunidade.

Esta análise evidencia a relevância de estudos históricos locais para compreender melhor a evolução das infraestruturas e o impacto das ações comunitárias no desenvolvimento urbano. Além disso, destaca a importância de documentar e compartilhar memórias familiares, que enriquecem e humanizam as grandes narrativas históricas.







Referências:
Texto: Juarez Nogueira Franco
Organização, Análise e pesquisa: Charles Aquino
FILHO, João Dornas. Efemérides Itaunenses João Dornas Filho, p.26, 1951, ed. Calazans
Revisão e Arquivo: Prof. Marco Elísio Chaves Coutinho