Manoel Teixeira Sobreira e Maria Ribeiro da Conceição
O português Manoel Teixeira Sobreira nasceu em 17 de janeiro de 1702 na freguesia de São Salvador de Vila Cova da Lixa, concelho de Felgueiras, arcebispado de Braga, na província do Minho, ao norte de Portugal.
Era filho de Domingos Vaz Neto e Luísa Gonçalves, pertencendo,
portanto, a uma família minhota que manteve vínculos com outros parentes que
emigraram para o Brasil.
Sua mãe, Luísa Gonçalves, tinha uma irmã chamada Isabel Gonçalves, da qual descendeu Manoel Ribeiro Filgueiras, pai de Maria Ribeiro da Conceição.
Essa ligação de sangue explica o parentesco entre Manoel Teixeira
Sobreira e sua futura esposa: Maria era, de fato, sua sobrinha-neta, o que
exigiu uma dispensa de consanguinidade em 3º grau misto ao 2º grau para que o
matrimônio fosse celebrado.
Maria Ribeiro da Conceição nasceu por volta de
1726, sendo filha de Manoel Ribeiro Filgueiras e de Ana Maria de Campos, neta
de Isabel Gonçalves e, por essa linha, bisneta da família Gonçalves. Órfã de
pai e mãe desde 1739, vivia com suas irmãs Teresa de Jesus Ribeiro e Ana Maria
da Conceição sob a tutela de Manoel Teixeira Sobreira, que as acolheu em sua
casa em Vila Rica de Ouro Preto. Nesse mesmo ano, em 3 de setembro de 1739,
Maria, então com cerca de 13 anos de idade, casou-se com seu tutor, Manoel, já
com 37 anos, na Matriz do Pilar de Ouro Preto.
Do enlace nasceram ao menos três filhos conhecidos.
A primogênita, Teresa Teixeira Sobreira, casou-se em 1782 com o guarda-mor João
Pedro Cota, português natural da freguesia de Santa Bárbara das Nove Ribeiras,
na Ilha Terceira, nos Açores. O casal fixou-se na região de Antônio Pereira
(atual distrito de Ouro Preto) e gerou uma numerosa descendência, entre os
quais se destacam o Padre Pedro Lúcio Leonel Cota, nascido em 1786, e o Capitão
Manoel Pedro Cota, falecido em 1884, que herdou a Fazenda da Alegria.
Os outros dois filhos de Manoel e Maria seguiram a
vida eclesiástica: Padre José Teixeira Sobreira, ordenado em Mariana em 1778, e
Padre Joaquim Teixeira Sobreira, ordenado em 1795, também em Mariana. Esses
dois membros reforçam a presença da família nas estruturas religiosas e sociais
da região das Minas Gerais setecentistas, demonstrando o prestígio adquirido.
Dessa forma, a trajetória de Manoel Teixeira
Sobreira e Maria Ribeiro da Conceição revela como laços de sangue, alianças
matrimoniais e a inserção em funções eclesiásticas moldaram o destino de uma
família luso-brasileira. O casamento, embora celebrado sob forte impedimento
canônico, obteve dispensa e consolidou uma rede de parentesco que unia
diferentes ramos familiares, garantindo projeção tanto no espaço religioso, por
meio dos filhos sacerdotes, quanto no econômico e social, pela descendência
ligada à família Cota.
Grau de parentesco genealógico entre Manoel Sobreira e Maria Ribeiro
Manoel Teixeira Sobreira (filho de Luísa Gonçalves) e Maria Ribeiro da Conceição (filha de Manoel Ribeiro Filgueiras) eram parentes próximos. As irmãs Luísa Gonçalves e Isabel Gonçalves ocupam a primeira geração comum dessa linhagem: Luísa foi mãe de Manoel Teixeira Sobreira e Isabel, sua tia materna, foi mãe de Manoel Ribeiro Filgueiras, que por sua vez foi o pai de Maria.
Assim, Isabel aparece como avó materna de Maria e, ao mesmo tempo, tia
materna de Manoel, posição intermediária que faz com que os dois se encontrem
em linhas desiguais de geração.
Desse modo, Manoel era primo em primeiro grau de Manoel
Ribeiro Filgueiras e, portanto, tio de segundo grau de Maria Ribeiro, sua sobrinha-neta.
Nos termos do Direito Canônico vigente no século XVIII, o vínculo configurava
impedimento de consanguinidade em 3º grau colateral.
O casamento entre Manoel Teixeira Sobreira e Maria Ribeiro
da Conceição, celebrado em 1739 na Matriz do Pilar de Ouro Preto, envolveu,
portanto, parentesco próximo. Pela linha de Maria, ela era sobrinha-neta de
Luísa Gonçalves e, consequentemente, sobrinha em 2º grau de Manoel; pela linha
de Manoel, ele era tio-avô de Maria. No Direito Canônico tridentino, essa
relação configurava impedimento de 3º grau colateral misto ao 2º, razão pela
qual o matrimônio só foi possível mediante dispensa eclesiástica.
O quadro genealógico de Manoel Teixeira Sobreira permite
compreender melhor essa proximidade: na primeira geração, encontram-se as irmãs
Luísa Gonçalves e Isabel Gonçalves; da segunda geração descendem Manoel
Teixeira Sobreira, filho de Luísa, e Manoel Ribeiro Filgueiras, filho de
Isabel; e na terceira geração surge Maria Ribeiro da Conceição, filha de Manoel
Ribeiro Filgueiras e neta de Isabel.
Quando observado segundo a contagem do Direito Canônico
tridentino, utilizada no século XVIII, o parentesco é medido em graus de
consanguinidade: Manoel até sua mãe, Luísa, corresponde ao 1º grau; de Luísa
até Isabel, sua irmã, ao 2º grau; de Isabel a seu filho, Manoel Ribeiro
Filgueiras, ao 3º grau; e deste até Maria, sua filha, ao 4º grau. Contudo, o
cálculo canônico considerava sempre o grau mais próximo e, nesse caso, o
matrimônio foi classificado como de 3º grau colateral misto ao 2º, dada a
diferença de gerações entre os cônjuges.
Em resumo, pela genealogia civil o laço configurava-se como
o de tio-avô e sobrinha-neta; já pelo Direito Canônico, o matrimônio
encontrava-se impedido por consanguinidade sendo, por isso, necessária a dispensa
eclesiástica para sua celebração: Manoel encontrava-se em uma geração superior,
enquanto Maria pertencia à geração seguinte. A dispensa eclesiástica, portanto,
foi imprescindível para legitimar o matrimônio.
1ª geração: Luísa Gonçalves e Isabel Gonçalves (irmãs).
2ª geração: Manoel Teixeira Sobreira (filho de Luísa, 37
anos) e Manoel Ribeiro Filgueiras (filho de Isabel) → primos em 1º grau.
3ª geração: Maria Ribeiro da Conceição (filha de Manoel
Ribeiro Filgueiras, 14 anos).
Direito Canônico
1º grau: Manoel
Sobreira → sua mãe Luísa Gonçalves.
2º grau: Luísa →
Isabel (irmãs).
3º grau: Isabel → seu
filho Manoel Ribeiro Filgueiras.
4º grau: Manoel
Ribeiro Filgueiras → sua filha Maria Ribeiro.
O casamento entre Manoel Teixeira Sobreira e Maria Ribeiro
da Conceição só foi possível mediante dispensa eclesiástica, pois o Direito Canônico classificava o vínculo de consaguinidade
3º grau colateral misto ao 2º grau.
No Direito Canônico tridentino, o parentesco entre Manoel Teixeira Sobreira e Maria Ribeiro da Conceição foi classificado como 3º grau colateral misto ao 2º, em razão da diferença de gerações entre ambos (Manoel figurava como tio-avô, enquanto Maria era sua sobrinha-neta).
Contudo,
o documento coevo registra a fórmula “consanguinidade de 2º grau misto ao 3º”,
forma usual encontrada em assentos eclesiásticos do século XVIII. Ambas as
expressões remetem ao mesmo impedimento canônico, cuja superação exigia dispensa
papal. Tecnicamente, pelo cálculo canônico, o mais aceito é 3º grau colateral
misto ao 2º (porque Manoel está uma geração acima de Maria).
Teresa Teixeira Sobreira, n. em Santana do Paraopeba; c.c.
o Guarda-mor João Pedro Cota (português da Freguesia de Santa Bárbara das Nove
Ribeiras, Bispado de Angra, Ilha Terceira; filho de Manoel Cota Vieira e
Bárbara Maria) em 21/6/1782 na Matriz de Nossa Senhora da Conceição em Antônio
Pereira, hoje distrito de Ouro Preto, pelo Padre João Pimenta da Costa e foram
testemunhas José Nunes Pinto Louzada e o Alferes Sebastião Pereira Leite
[F.85A-L.Matr-Matriz de Antônio Pereira in De Genere do Padre Pedro Lúcio
Leonel Cota; pais de:
F1N1. José Teixeira Cota;
F1N2. João Pedro Cota Júnior;
F1N3. Teresa Maria de Jesus Cota;
F1N4. Padre Pedro Lúcio Leonel Cota, n. em 1786;
F1N5. Rita de Cássia Cota;
F1N6. Maria Teresa cota;
F1N7. Angélica Perpétua Cota;
F1N8. Joana Cota;
F1N9. Feliciano Pedro Cota;
F1N10. Antônio Pedro Cota;
F1N11. Maria do Carmo Cota de Figueiredo;
F1N12. Capitão Manoel Pedro Cota; herdou a Fazenda da
Alegria de seu pai; faleceu em 1884;
F2. Padre José Teixeira Sobreira; ordenado em 1778 em
Mariana;
F3. Padre Joaquim Teixeira Sobreira; ordenado em 1795 em
Mariana;
SAIBA MAIS
Referências:
AQUINO, Charles.
Realização e análise histórica. Historiador, Registro nº 343/MG.
PENIDO, Alan. Pesquisa
e paleografia. Genealogista, Doutor.
ARQUIVO ECLESIÁSTICO DA ARQUIDIOCESE DE MARIANA (AEAM). Cúria Metropolitana. Processo matrimonial dos oradores Manoel Teixeira Sobreira e Maria Ribeiro. Processo nº 7226, Ouro Preto/MG, 1739.
https://orcid.org/0009-0002-8056-8407
