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quarta-feira, outubro 09, 2024

O MAESTRO DA ALMA

A crônica da Professora Nise Campos, publicada em 1964, é uma homenagem ao violinista, pianista, compositor, arranjador musical e regente Coral, professor Jesus Ferreira e ao Coro Orfeônico do Instituto São Rafael de Belo Horizonte/MG. Ao mesmo tempo, é uma reflexão sobre a percepção humana, o talento artístico e a capacidade de superação. A crônica oferece uma análise poética e emotiva sobre a apresentação do coro na cidade de Itaúna, destacando o impacto do legado do professor Jesus Ferreira tanto para a comunidade local quanto para o cenário cultural mais amplo.

Enxergar além dos olhos — a crônica começa com uma observação sobre o fato de que, apesar de serem fisicamente cegos, os alunos de Jesus Ferreira, sob sua liderança, são descritos como pessoas que “enxergam mais do que nós que só vemos o que nos impressiona a retina”. Nise Campos ressalta que a cegueira física dos alunos do Instituto São Rafael é superada por uma visão interior profunda. Jesus Ferreira, sendo cego, é visto como alguém dotado de uma "luz intensa" que transcende a capacidade de enxergar com os olhos físicos, iluminando sua inteligência, moralidade e sensibilidade artística.

Essa visão reforça a ideia de que a verdadeira percepção vai além dos sentidos físicos e se baseia em uma conexão mais profunda com a alma e o coração. Ao dizer que o professor Jesus e seus alunos veem de maneira mais clara que aqueles que possuem visão física, Nise Campos nos desafia a reconsiderar nossos conceitos sobre o que significa "ver". É uma crítica implícita à superficialidade com que muitas vezes lidamos com as aparências e uma celebração da profundidade espiritual e artística que os cegos possuem.

O artista e a sua terra natal — Nise Campos também destaca o talento excepcional de Jesus Ferreira, referindo-se a ele como “artista e poeta” que vibra a alma ao reger seu coro e ao tocar seu violino. A autora reconhece o domínio de Jesus Ferreira sobre a música, assim como seu profundo amor por Itaúna, sua cidade natal. Isso fica evidente quando ela menciona que ele fala com sinceridade sobre Itaúna, mostrando que, mesmo com suas conquistas e viagens, sua ligação emocional com sua terra natal permanece forte.

Esse aspecto da crônica ilustra como o professor Jesus Ferreira, apesar de suas conquistas nacionais e internacionais, nunca perdeu suas raízes. Ele é descrito como alguém que projeta o nome de Itaúna no cenário cultural, elevando o prestígio da cidade ao mesmo tempo em que traz reconhecimento ao Instituto São Rafael e à música brasileira. A cidade, no entanto, é retratada de forma ambígua, como se não tivesse aplaudido o suficiente o talento e a dedicação de seu filho ilustre.

A apresentação e a dimensão transcendental da arte — a apresentação do Coro Orfeônico do Instituto São Rafael é descrita de maneira profundamente poética, transportando o leitor para um mundo de “luminosa catedral de sonhos” e “uma floresta encantada”. A autora não descreve de forma técnica a performance, mas captura a sensação mágica que ela provocou no público, como se os cegos tivessem trazido uma luz espiritual para a cidade de Itaúna.

Essa escolha de palavras sugere que a música tem o poder de transcender as limitações físicas e de criar experiências que tocam a alma. Quando Nise Campos menciona que “fecharam-se as janelas de seus olhos, Jesus, mas as portas de sua alma abriram-se para novas e desconhecidas claridades que só os cegos podem ver”, ela eleva a música a um espaço quase místico, onde aqueles que não têm visão física são, paradoxalmente, capazes de acessar uma compreensão mais profunda do universo.

O legado do professor Jesus Ferreira — a crônica termina com uma nota de esperança e reconhecimento, destacando o legado de Jesus Ferreira. Ao afirmar que "seus olhos que já foram lâmpadas que se queimaram [...] voltarão de novo, um dia, a ver fulgurar o sol e as estrelas", Nise Campos sugere que, embora ele não possa ver com os olhos físicos, seu legado continuará a brilhar e será eternamente reconhecido. A imagem de "velas e círios que arderam" simboliza a dedicação de sua vida à música e à educação, e que, mesmo sem a visão física, ele deixou uma marca indelével no mundo.

A crônica da professora Nise Campos, além de ser uma homenagem ao professor Jesus Ferreira, destaca o impacto profundo que ele teve em sua comunidade e no cenário musical. Ao mesmo tempo, é uma reflexão sobre a percepção e a superação, desafiando as noções comuns de deficiência e exaltando a capacidade do espírito humano de enxergar além das limitações físicas. O amor de Jesus Ferreira por sua terra natal, Itaúna, e seu compromisso com a música e a educação são evidentes, e seu legado continua a inspirar, tanto em sua cidade quanto além. 

 

BRILHANTE FESTIVAL

O Coro Orfeônico do Instituto São Rafael exibiu-se nesta cidade, conforme noticiámos dia 15 último. Não vamos descrever a beleza dessa exibição, que a Dona Adília Lima nos proporcionou. Vamos publicar, apenas o que a Professora Dona Nise Campos escreveu. E, na sua singela crônica ela disse tudo.

 Piu (Jornalista da Folha do Oeste)

 

Crônica da Professora Nise Campos — 1964

Os cegos que veem. Palavras a Jesus Ferreira; dizem todos que você é cego. Que são cegos os cantores e musicistas que você trouxe do instituto São Rafael e que são alunos seus.

Eu, porém, digo que vocês enxergam mais do nós que só vemos o que nos impressiona a retina. Sei que aquelas crianças, rapazes e mocinhas veem interiormente, tudo o que lhes fala a alma e ao coração e que você, meu prezado ex-aluno hoje, posso dizer meu querido mestre, tem dentro dos olhos apagados, uma luz tão intensa, que nos deslumbraria a todos, se nos fosse dado ver. E essa luz vem de sua portentosa inteligência, do seu gigantesco aprumo moral e intelectual.

Você é um artista, na lídima acepção do termo, artista e poeta, vibra a alma nos gestos, quando você rege o seu coro; o sentimento mais alto dita-lhe palavras e a gente sente sua sinceridade quando você fala de Itaúna. No seu violino você tange as suas mágoas e a sua ternura, você sobre por não poder ver normalmente como nós. Mas o verbo ver que você sabe sentir e conjugar espiritualmente, sem uma força de expressão transcendental, que poucos sabem entender.

O seu recital foi magnífico. Pareceu-me estar numa luminosa catedral de sonhos. Ouvindo os seus rouxinóis, sabiás e patativas, transformou-se o ambiente numa floresta encantada. E todos se calaram porque agora iriam canta todos os uirapurus da Serra. Fecharam-se as janelas de seus olhos, Jesus, mas as portas de sua alma abriram-se para novas e desconhecidas claridades que sós os cegos podem ver.

Você, membro da Academia de Música de São Paulo, está projetando o nome do Instituto São Rafael no cenário cultural do país e do exterior e, por conseguinte o nome de seu Estado e de sua gente. Itaúna não soube aplaudi-los como o merecem. Sua terra tem agora a mais um nome a inscrever no Pantheon de glória. E eu lhes digo, nessas mal alinhavadas linhas, que seus olhos que já foram lâmpadas que se queimaram e velas e círios que arderam, voltarão de novo, um dia, a ver fulgurar o sol e as estrelas...

 Saiba mais: 

MEMORÁVEL PROFESSOR ITAUNENSE

Referências:

Organização, arte e pesquisa: Charles Aquino

Fonte impressa: Jornal Folha do Oeste, Ed. 516, p.1,3. 1964, Itaúna/MG.  

terça-feira, outubro 01, 2024

EGIPCÍACAS ESCRAVIZADAS

HISTÓRIA DA ESCRAVIDÃO EM ITAÚNA MG

Para quem se interessa por histórias de fé, devoção e resistência, convido vocês a conhecer a inspiradora trajetória das EGIPCÍACAS ESCRAVIZADAS: Anna e Rosa. Suas narrativas ocorrem em tempos e contextos distintos, mas ambas marcaram suas vidas com profundas expressões de espiritualidade.

Rosa Egipcíaca, uma santa africana que viveu no século XVIII (1719-1771), e Anna Egipcíaca, sua devota, que viveu no século XIX (1807-1852) em Sant'Ana do Rio São João Acima, hoje Itaúna (MG), compartilharam a mesma fé, apesar de suas épocas diferentes.

 Mesmo separadas no tempo e no espaço, foi a fé que as aproximou, oferecendo-lhes coragem e esperança para enfrentar os desafios da vida escravizada.

Este registro apresenta a fascinante história dessas mulheres, entrelaçando misticismo cristão com tradições afro-brasileiras, e mostra como a fé transformou suas vidas e impactou profundamente suas comunidades. 

Não perca a oportunidade de conhecer essa comovente história de milagres, devoção e resistência espiritual. Em breve, disponível aqui no blog e na plataforma do Youtube Itaúna Décadas! Imperdível!

ANNA EGIPCÍACA PARDA

 Aos vinte dois de Janeiro de mil oitocentos e cinquenta e dois foi sepultado no adro do Rosário o cadáver de ANNA EGIPCÍACA parda, de idade de quarenta e cinco anos, morfética. E para constar faço este assento em que assino. O Vigário Encomendado João Batista de Miranda.

Fonte: Family Search :Santana Óbitos 1840, Jan-1888, Fev . Imagem: 1

SANTANA DO RIO SÃO JOÃO ACIMA - 1852

(ITAÚNA/MG)

 

A imagem utilizada nesta publicação foi gerada por meio de inteligência artificial, com finalidade exclusivamente ilustrativa.

© ITAÚNA DÉCADAS

Projeto independente de memória, história e patrimônio cultural.

Texto, pesquisa, arte e concepção:

segunda-feira, junho 24, 2024

JESUS DO BANJO

 A poeta Vera Alice dos Santos, em seu relato poético sobre seu pai, Jesus Taveira dos Santos, traça um retrato afetuoso e reverente de um homem que, apesar das dificuldades e simplicidade da vida, deixou um legado marcante tanto no âmbito do trabalho quanto no universo musical. Conhecido carinhosamente como "Jesus do banjo" ou "Figo", foi um trabalhador dedicado e um músico talentoso, cuja presença trazia alegria a todos ao seu redor.

Jesus Taveira exerceu sua função nas décadas de 1950 e 1960 na Cia. Industrial Itaunense. A poeta recorda com carinho que ele trabalhava descalço, “não gostava de sapatos ou botinas”, uma escolha que reflete uma autenticidade e ligação profunda com suas raízes e a realidade de seu tempo. Esse detalhe aparentemente simples, destacado por Vera Alice, poderia simbolizar uma resistência silenciosa à padronização e uma conexão visceral com o chão que pisava, reforçando a imagem de um homem genuíno e resiliente.

Além de sua vida laboral, Jesus Taveira era conhecido por seu talento musical. Durante os dias da semana, à noitinha, ele entoava canções com uma voz mansa e suave, criando momentos de comunhão e alegria familiar, onde todos faziam coro. Esses momentos eram pequenas celebrações diárias, onde a música servia como um laço de união e felicidade.

“Jesus do banjo” transformava-se no músico vibrante que dedilhava com destreza as cordas de seu banjo. Suas apresentações nas festas juninas, serenatas e encontros dos amantes da música eram aguardadas com expectativa, pois ele conseguia, através de seu talento, criar uma atmosfera de alegria e celebração que encantava a todos.

Através das memórias da poeta Vera Alice, emerge a figura de um homem que, apesar das limitações e dificuldades da vida, encontrou na música uma forma de expressão e um meio de alegrar aqueles ao seu redor. Sua dedicação tanto ao trabalho quanto à música é um testemunho de sua força e paixão pela vida. O legado de Jesus Taveira, portanto, não é apenas de um trabalhador esforçado, mas também de um artista cuja música continua a ressoar nas memórias e corações daqueles que tiveram a sorte de ouvi-lo.

Vera Alice dos Santos, com sua narrativa poética, consegue capturar a essência de seu pai, oferecendo ao leitor uma visão íntima e tocante de um homem cuja simplicidade e talento deixaram uma marca inesquecível na vida de sua família e comunidade itaunense.

 

Veja o incrível: Acróstico -  Jesus do Banjo 


Referências:

Arte, pesquisa e organização: Charles Aquino

História oral, escrita e acervo: Poeta Vera Alice dos Santos em 2016 (In Memoriam)

SANTOS. Vera Alice do. Essências. 1ª Coletânea do Grupo de Escritores itaunenses. Ed. Vide, 2015, p. 119.

quinta-feira, junho 06, 2024

DEVOTO: TOMÁS DE AQUINO

O impacto de Aristides de Aquino como profissional e como pai é caracterizado por uma mistura de proficiência, comprometimento e perseverança. Seus filhos herdaram não apenas um nome, mas também uma coleção de princípios e modelos. A influência de Aristides é evidente na conduta, na ética de trabalho e na resiliência demonstradas pelos seus descendentes ao enfrentarem as provações da vida, garantindo que o espírito e os ensinamentos do seu patriarca perduram.

   Inspirando-se em São Tomás de Aquino, a decisão de adotar o sobrenome Aquino significa um vínculo profundo com a fé e a espiritualidade. Sem dúvida, esta devoção desempenhou um papel fundamental na formação do desenvolvimento moral e ético dos seus filhos, estabelecendo uma base sólida de princípios e promovendo um sentido de unidade dentro da família. Aristides de Aquino, como profissional e pai, deixou um legado indelével, impactando profundamente a educação e os valores incutidos nos seus filhos.

   Aristides dedicou parte significativa de sua vida à Rede Ferroviária, cumprindo a função de guarda-fios. Esta posição específica desempenhou um papel vital na preservação da integridade das linhas telegráficas e telefónicas, que foram de extrema importância numa época em que a tecnologia ainda estava na sua fase inicial. O excepcional nível de responsabilidade e proficiência demonstrado por Aristides no desempenho das suas funções serve como um exemplo brilhante de dedicação e profissionalismo inabaláveis.

   A capacidade de Aristides de se ajustar e enfrentar diversas situações e obstáculos é exemplificada pela escolha de residir em um vagão conectado a um trem, garantindo movimento constante ao lado de sua família. Apesar dos desafios, este modo de vida nômade mostra a sua adaptabilidade e a sua disponibilidade para fazer sacrifícios em prol do bem-estar da sua família e das suas obrigações profissionais.

   Aristides e sua esposa, Dona Puruca, criaram com sucesso um total de quatorze filhos (dois dos quais morreram na infância) e até ampliaram a família adotando um. Eles não apenas proporcionaram um lar amoroso para seus filhos, mas também incutiram neles uma base sólida de valores. A vida itinerante que levaram, deslocando-se de cidade em cidade, proporcionou, sem dúvida, aos seus filhos uma educação única e diversificada, mergulhando-os em diversas culturas e expondo-os a diferentes perspectivas de vida.

   A influência da dedicação inabalável de Aristides ao seu trabalho e do seu papel como pai atencioso teve um efeito profundo e duradouro nos seus filhos. Eles colheram lições valiosas sobre a importância da diligência, da responsabilidade e da resiliência. Esses princípios são fundamentais para formar indivíduos que sejam firmes na busca de aspirações pessoais e no cumprimento de responsabilidades.

   Aristides não só tinha uma forte ética de trabalho, mas também encontrava alegria no futebol e na música. Esta mistura harmoniosa de trabalho e lazer provavelmente incutiu nas crianças o valor de perseguir paixões pessoais e de abraçar as alegrias da vida fora do trabalho. Além disso, o seu humor contagiante e o seu moustache distinto serviam como símbolos exteriores da sua personalidade viva, o que sem dúvida fomentava uma atmosfera calorosa e convidativa no seio da sua família.

 

ORIGEM DA FAMÍLIA AQUINO

No arraial mineiro do Morro de Matheus Leme, hoje cidade de Mateus Leme, no ano de 1912 nascia Aristides de Aquino – patriarca da Família Aquino. Funcionário da Rede Ferroviária por vários anos, exerceu a função de guarda-fios (profissional que fiscalizava a linha telegráfica ou telefônica; que trabalhava nas montagens de postes de madeira que  eram colocados os fios e efetuando reparos de emergências quando necessário). guarda-fios casou em 27 de janeiro de 1940 com Maria Nazaré Castanheira (Dona Puruca) e juntos percorreram trabalhando e residindo em várias cidades de minas gerais, tendo como moradia um carro-vagão que era engatado a um trem.

 

Desta união alguns filhos nasceram em distintas cidades mineiras – José Maria de Aquino, nascido em Passa Quatro, Maria Aparecida de Aquino, nascida em Alfenas, Leonardo Custódio de Aquino, nascido em Araxá, Lucília Castanheira de Aquino, nascida em Belo Horizonte, Luiz Gonzaga de Aquino, Geraldo Benedito de Aquino, Maria Lúcia de Aquino, Maria de Fátima de Aquino, Aristides Antônio de Aquino, Natália de Aquino, Maria Márcia de Aquino e Maria Angélica de Aquino nascidos em Itaúna. Uma criança foi adotada pelo casal, Weber de Oliveira, nascido também em Itaúna.

 

No ano de 1936, o presidente Getúlio Vargas, assinava a Lei de número 252 de 26 de setembro, que prorrogava o prazo para o registro civil de nascimentos: Art. 1º Os nascimentos ocorridos no território nacional desde 1 de janeiro de 1879, que não foram registrados no tempo próprio, devem ser levados a registro dentro do prazo de um ano, mediante: 1º Petição e despacho do juiz do cível do lugar do nascimento se o registrando tiver doze anos de idade, ou mais.

 

Aos 19 de outubro do ano de 1937, Aristides com idade de 25 anos, compareceu ao Cartório de Mateus Leme com a presença de testemunhas, exibindo uma petição despachada pelo Juiz de Direito para registrar o seu nascimento em virtude da Lei de 1936 e declarou:

 

Que ele declarante ARISTIDES DE AQUINO, do sexo masculino, de cor morena, nasceu neste arraial, à rua do cemitério, no dia sete de março de mil novecentos e doze, às dezesseis horas, que é filho de JOÃO CAMILLO DA SILVA, brasileiro, já falecido e de dona MARIA ADRIANA DA SILVA, brasileira, ambos naturais deste distrito, (…), que são seus avós: pelo lado paterno CAMILLO MOREIRA DA SILVA E MARIA LUCAS DA SILVA, ambos já falecidos e pelo lado materno FRANCISCA MARIA DE JESUS, já falecida; finalmente que não tem outros irmãos com o mesmo prenome. Do que faço constar, faço este termo em que comigo assinaram o declarante e as testemunhas MANOEL BRAZ OBELHEIRO, comerciante e JOSÉ MENDES, padeiro, residentes neste distrito, depois de ser lido por mim e achado tudo conforme. Eu Francisco de Abreu Vasconcellos, oficial do Registro, o escrevi e assino.  O referido é verdade, do que dou fé, Mateus Leme –  MG, 1937.

 

Além de exercer com competência e amor sua profissão de guarda-fios, Tico – Tico, assim chamado pelos seus amigos e familiares, Aristides de Aquino, apreciava o futebol e uma boa música.  Com um senso de humor apurado, esse cultivado até hoje pelos seus descendentes. Sua casa em Itaúna, era situada à rua Santo Agostinho, nº 67 – Graças. 


Verificando a documentação no cartório da cidade de Mateus Leme, percebi que o sobrenome AQUINO teria sido escolhido pelo próprio declarante Aristides, cujo seus pais não possuíam. Descobriu-se também, uma interessante informação sobre o monge dominicano, professor filósofo e teólogo São Tomás de Aquino (morreu em 7 de março de 1274) e Aristides de Aquino (nasceu em 7 de março de 1912)que ambos tinham o mesmo dia e mês em comum. Conversando com familiares, fui informado que meu avô Aristides de Aquino era devoto do monge, no qual, certamente em sua homenagem, adotou o seu sobrenome dando origem a família AQUINO.


Charles Aquino - neto 

06/06/2024





domingo, maio 26, 2024

SANTA ZITA ITAÚNA - TABLOIDE

Legado da Associação Santa Zita em Itaúna

   A Associação Santa Zita, formada entre as décadas de 1950 e 1970 na cidade de Itaúna, Minas Gerais, representou um marco de solidariedade e resistência para um grupo de mulheres predominantemente afrodescendentes que trabalhavam como empregadas domésticas. Inspiradas por Santa Zita, padroeira das empregadas domésticas, essas mulheres encontraram na associação um espaço para crescimento espiritual e apoio mútuo, demonstrando notável altruísmo e resiliência.

   Santa Zita, nascida em 1218 na Toscana, Itália, simboliza a devoção e a caridade cristã. Sua vida de dedicação ao serviço dos outros, mesmo sob condições de trabalho duras e análogas à servidão, ecoou através dos séculos, chegando ao Brasil e inspirando a criação da associação em Itaúna. Este coletivo não só representava um suporte espiritual, mas também um movimento de resistência contra as adversidades enfrentadas pelas trabalhadoras domésticas, uma categoria historicamente marginalizada e desprotegida.

   Através das entrevistas realizadas com ex-integrantes da Associação Santa Zita, como Dona Edite Marques de Oliveira Melo, Dona Geni Ferreira Pinto, Dona Vicência Maria de Jesus e Dona Custódia Maria da Cruz Santos, é evidente o impacto transformador que a associação teve em suas vidas. Elas relataram como a participação no grupo proporcionou não apenas crescimento espiritual, mas também desenvolvimento profissional, fortalecendo suas capacidades e autoestima.

   O papel do Padre José Ferreira Neto foi crucial neste contexto. Descrito com carinho pelas ex-integrantes, ele atuou como um verdadeiro guardião da associação, proporcionando liderança e apoio emocional. Sua capacidade de equilibrar rigor com afeto permitiu que essas mulheres se sentissem valorizadas e protegidas, criando um ambiente de respeito e solidariedade.

   A associação não se limitou a aspectos espirituais. Em 1960, a aprovação da Lei nº 509 pelo prefeito Dr. Célio Soares de Oliveira, que doou um terreno para a construção de uma residência para domésticas idosas e desamparadas, representou um avanço significativo. Entretanto, a alteração da lei em 1963 e a eventual dispersão do grupo após a morte da coordenadora Dona Ivolina Gonçalves em 1977, destacam os desafios enfrentados pelo coletivo para se manter ativo e estruturado.

   Além disso, a promulgação da Lei 5.859/1972, que definiu os direitos dos trabalhadores domésticos, foi um marco histórico. As trabalhadoras de Itaúna, informadas sobre seus novos direitos através do rádio, começaram a ver mudanças concretas em suas condições de trabalho, um reflexo direto de suas lutas e da influência da Associação Santa Zita.

   O legado da Associação Santa Zita perdura até hoje. A instituição do "Dia Municipal da Empregada Doméstica" em 27 de abril, através da Lei nº 4.545 de 2011, reforça o reconhecimento oficial do papel crucial dessas mulheres na sociedade de Itaúna. A preservação de artefatos e a veneração da imagem de Santa Zita na Igreja Matriz de Sant'Ana simbolizam a importância cultural e espiritual da associação.

   A história da Associação Santa Zita em Itaúna é um testemunho poderoso da capacidade de organização e resiliência das trabalhadoras domésticas. Seu compromisso com a caridade, espiritualidade e apoio mútuo não só melhorou suas próprias vidas, mas também contribuiu para a construção de uma comunidade mais justa e solidária. É essencial reconhecer e valorizar esse legado, que continua a inspirar gerações futuras na luta por direitos e dignidade.

Você está convidado a ler a mais recente edição do Tabloide Pedra Negra, que destaca a rica história da Associação Santa Zita de Itaúna. Nesta edição, são explorados os valiosos testemunhos das ex-integrantes dessa importante associação, que prestou apoio espiritual e profissional às empregadas domésticas da cidade entre as décadas de 50 e 70. 

A história de Santa Zita, padroeira das empregadas domésticas, inspira a narrativa, que também relembra a dedicação do Padre José Ferreira Neto e o impacto da legislação em favor dos trabalhadores domésticos. Leia o tabloide e conheça mais sobre este notável legado de fé, solidariedade e trabalho comunitário que moldou parte da história de Itaúna. Não perca a oportunidade de mergulhar nesse capítulo essencial da nossa memória coletiva.
Tabloide Pedra Negra  Edição 6 - 
Versão completa:  Associação Santa Zita em Itaúna



Organização, arte e elaboração: Charles Aquino

sábado, abril 27, 2024

ASSOCIAÇÃO DE SANTA ZITA EM ITAÚNA

DEVOTAS DE SANTA ZITA EM ITAÚNA MG

   Hoje, 27 de abril, celebra-se o dia de Santa Zita, virgem de Lucca, venerada padroeira das “Empregadas Domésticas”. Nascida em 1218 no povoado de Monsagrati, localizado perto da cidade de Lucca, na região italiana da Toscana, Zita vinha de uma modesta família camponesa. Envolvida no trabalho das famílias opulentas da nobreza, ela receberia sustento e roupas em troca de seu serviço dedicado. No entanto, este arranjo assemelhava-se a um “regime de servidão”, pois ela apresentava-se como uma dependente perpétua das famílias a quem servia. 

   Entre as décadas de 50 e 70, na próspera cidade de Itaúna, localizada na região Centro-Oeste de Minas Gerais, um notável coletivo de mulheres altruístas, predominantemente de ascendência africana, formou a Associação de Santa Zita. Sobre esse período, tivemos a oportunidade de conversar com quatro ex-trabalhadoras domésticas que fizeram parte da Associação Santa Zita de Itaúna (segundo grupo). Estas pessoas, Dona Edite Marques de Oliveira Melo (80 anos), Dona Geni Ferreira Pinto (86 anos), Dona Vicência Maria de Jesus (94 anos), e sua irmã, Dona Custódia Maria da Cruz Santos (96 anos), ainda emanam simpatia, vitalidade e devoção.
DEVOTAS DE SANTA ZITA EM ITAÚNA

DEVOTAS DE SANTA ZITA EM ITAÚNA

   Nas entrevistas, todas expressaram o profundo impacto que a Associação Santa Zita teve nas suas vidas, tanto em termos de crescimento espiritual como de desenvolvimento profissional. O Padre José Ferreira Neto, que desempenhou um papel fundamental de “guardião” da associação, foi amplamente citado com blandícia por todas as ex-integrantes. Recordavam-no com grande saudosismo, reconhecendo que, embora pudesse ter sido visto por alguns como um sacerdote vigoroso, porém, para elas foi um defensor amável e lépido. Durante entrevista, uma das participantes revelou que havia organizado uma apresentação teatral improvisada para o Padre Zé Netto, apesar de sua aversão a surpresas. No entanto, o resultado revelou-se inesperadamente agradável, pois “o padre caiu na gargalhada” e apreciou a experiência.

   A primeira missa era celebrada às 6h na Igreja da Matriz, momento que elas lembram ter participado antes de iniciarem o seu labor às 7h. Refletindo sobre a história de Santa Zita, uma das ex-domésticas relembrou as árduas horas que dedicou à casa dos patrões. Trabalhando incansavelmente sete dias por semana, carregou uma carga de trabalho superior a 8 horas por dia — “O patrão gostava de almoçar e jantar”. Contudo, para além das suas funções profissionais dentro das casas destas famílias, estas trabalhadoras domésticas também realizavam um trabalho afetivo e social, muitas vezes cuidando de crianças na ausência dos seus ocupados tutores.

   Neste período específico, o Dr. Célio Soares de Oliveira, Prefeito Municipal em exercício, aprovou oficialmente a Lei nº 509, em 29 de março de 1960. O artigo primeiro desta lei concedia permissão para doação de um terreno na vila Nogueira Machado à "Associação de Santa Zita". Os artigos segundo e terceiro estipulavam que este terreno se destinava à construção de uma residência para “as domésticas idosas e desamparadas”. Porém, se nada fosse construído no prazo de três anos, o terreno reverteria a “Patrimônio Municipal”.

   Já em 30 de janeiro de 1963, o prefeito alterou a Lei nº 509, passando pela Lei nº 627. A modificação refere-se especificamente ao artigo primeiro, que passou a ter a seguinte redação: “Fica o senhor Prefeito Municipal autorizado a doar à Associação de Santa Zita, 1 (um) lote de terreno com 600 m2 (seiscentos metros quadrados) [...] à Rua Antônio Orlando, nesta cidade”.

   As fiéis seguidoras de Santa Zita de Itaúna relembraram com alegria as diversas visitas e trabalhos espirituais que realizaram ao lado do padre Netto em diferentes localidades de Itaúna, especialmente no Córrego do Soldado. Além disso, em 1972, o Cônego José Netto organizou uma “romaria” à Basílica de Nossa Senhora Aparecida com as “domésticas de Itaúna” durante o “Ano Marial”. Este evento reuniu devotos de todos os estados, que foram calorosamente recebidos pelo Cardeal Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta. A história desta experiência inesquecível foi rememorada por todas em seus depoimentos.

   Conta-se que aqueles que fizeram a “peregrinação” ao Santuário de Aparecida, buscando também a intercessão de Santa Zita, tiveram suas orações atendidas no mesmo ano. Ainda na década de 1972, um marco significativo foi alcançado com a promulgação da Lei 5.859/1972, que visava definir os direitos dos trabalhadores domésticos e garantir-lhes uma vida profissional mais digna. Uma devota seguidora de Santa Zita, diz se lembrar deste período, nos relata recordar vividamente, sobretudo, do momento em que cumpria diligentemente as suas tarefas diárias de limpeza e ouviu as notícias transmitidas pela rádio. Pouco depois, o seu empregador abordou-a e informou-a de que, a partir desse dia, ela teria direito a todos os benefícios exigidos pela lei recém-promulgada.

   No interior da igreja Matriz de Sant'Ana em Itaúna, comumente chamada de Igreja Matriz, encontra-se a venerada imagem de Santa Zita, que anualmente era adornada com uma coroa pelas irmãs devotas e com procissão ao seu redor. O estimado Maestro Henrique cuida de alguns artefatos que foram gentilmente cedidos para nossa pesquisa, entre eles o estandarte e diversos itens associados à Associação Santa Zita. O Maestro teve um papel significativo guiando-nos até às irmãs devotas e oferecendo “pistas” valiosas ao longo de nossa jornada investigativa.

   A ausência de Dona Ivolina Gonçalves foi profundamente sentida na esfera administrativa. Esta associação teve também o seu valor na ajuda às pessoas que se encontravam desempregadas, onde eram recomendadas, muitas vezes pela administradora, que rapidamente conseguia colocá-las num local de trabalho “casa de família”. Com a morte da coordenadora em 1977, o grupo ficou disperso e não deu mais seguimento com a Associação.

   Vale ressaltar dois detalhes dignos de nota. O primeiro detalhe envolve uma iniciativa legislativa conhecida como Projeto de Lei Municipal número 08/2011, de autoria do Edil Lucimar Nunes Nogueira e aprovada oficialmente por Lei de número 4.545 pelo Prefeito Municipal Eugênio Pinto em 18 de fevereiro de 2011. Essa lei instituiu o “Dia Municipal da Empregada Doméstica em Itaúna, que deverá ser comemorado anualmente no dia 27 de abril. É importante ressaltar que esta data comemorativa foi incluída no Calendário Oficial de Eventos de Itaúna. Passando para o segundo detalhe, a Associação Santa Zita possuía CNPJ válido com o CEP número 35680-030, no município de Itaúna, iniciando em 31/07/1972 com atividades de associações de defesa dos direitos sociais e organizações associativas ligadas à cultura e arte.

   O compromisso inabalável da virgem de Lucca com a caridade cristã conquistou seu amplo reconhecimento entre os pobres. Apesar de viver do trabalho, ela permaneceu firme em sua missão. Ao longo da sua vida, Santa Zita dedicou-se a prestar assistência aos menos favorecidos e aos doentes. Esta devoção altruísta persistiu até a sua morte, aos sessenta anos, em 27 de abril de 1278.

   Com o passar dos anos, a notícia de sua santidade se espalhou e, em 1652, um fato surpreendente foi revelado após a exumação de seu corpo — estava perfeitamente conservado, desprovido de quaisquer sinais de decomposição, o cadáver havia secado e transformado em estado mumificado. Assim, este acontecimento extraordinário solidificou a sua canonização em 1696, sancionada pelo Papa Inocêncio XII. Em 11 de março de 1955, o Papa Pio XII proclamou Santa Zita "protetora universal das servas” ou “padroeira das empregadas domésticas”.

   Atualmente, seu corpo continua repousando em uma capela que leva seu nome, encerrada em um relicário de vidro, venerado pelos devotos, localizada no interior da Basílica de São Frediano, igreja romana em Lucca, na Itália. Hoje recordamos também o 746º aniversário da morte desta santa medieval que viveu no século XIII e continua a viver no coração dos seus fiéis.

   Assim, utilizando registros imagéticos, relatos orais, fontes primárias e impressas, reunimos informações valiosas sobre esta associação e essas incríveis trabalhadoras domésticas, que consideramos um testemunho significativo dos aspectos tangíveis e intangíveis do patrimônio cultural de Itaúna.

DEVOTAS DE SANTA ZITA EM ITAÚNA MG

Segundo grupo da Associação Santa Zita em Itaúna 

PADRE JOSÉ NETO

Padre José Ferreira Netto

IGREJA MATRIZ DE ITAÚNA MG


PADRES EM ITAÚNA MG


Você está convidado a ler a mais recente edição do Tabloide Pedra Negra, que destaca a rica história da Associação Santa Zita de Itaúna. Nesta edição, são explorados os valiosos testemunhos das ex-integrantes dessa importante associação, que prestou apoio espiritual e profissional às empregadas domésticas da cidade entre as décadas de 50 e 70. 

A história de Santa Zita, padroeira das empregadas domésticas, inspira a narrativa, que também relembra a dedicação do Padre José Ferreira Neto e o impacto da legislação em favor dos trabalhadores domésticos. Leia o tabloide e conheça mais sobre este notável legado de fé, solidariedade e trabalho comunitário que moldou parte da história de Itaúna. Não perca a oportunidade de mergulhar nesse capítulo essencial da nossa memória coletiva. Tabloide versão completa

Referências: 

Texto, pesquisa e arte: Charles Aquino - Historiador Registro nº 343.

Apoio a pesquisa: Luiz Assis - Centro Pastoral Padre José Ferreira Neto

Apoio a pesquisa: Maestro Henrique - Paróquia Sant'Ana de Itaúna/MG

Apoio a pesquisa: Professor Pe. José Raimundo Batista Bechelaine

Razão Social: Associação Santa Zita: CNPJ: 16.814.329/0001-26

Câmara Municipal de Itaúna: LEI Nº 509, de 29 de março de 1960

Câmara Municipal de Itaúna: LEI Nº 627, de 30 de janeiro de 1.963

Câmara Municipal de Itaúna: Projeto de Lei nº 08/2011

Câmara Municipal de Itaúna: LEI No 4.545, DE 18 DE FEVEREIRO DE 2011

Câmara dos Deputados - Palácio do Congresso Nacional: LEI Nº 5.859/1972


Nº 6 (PEDRA NEGRA) by Itaúna Décadas

domingo, março 24, 2024

COMÉRCIO TRANSATLÂNTICO

Censo em 1831 Sant'Ana do Rio São João Acima (Itaúna/MG)


Dia 25 de março — "Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravidão e do Comércio Transatlântico de Escravos" é reconhecido pelas Nações Unidas. Esta data significativa serve como um lembrete dos esforços globais em curso para erradicar as injustiças enraizadas no comércio de escravos. Enfatiza também o papel crucial da educação no reconhecimento do profundo impacto deste acontecimento histórico na nossa sociedade moderna e na abordagem das suas consequências duradouras. Ao longo da história, mais de 15 milhões de indivíduos, incluindo homens, mulheres e crianças, foram transportados à força através do Atlântico.
    Numa mensagem de vídeo, o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, enfatizou a importância de honrar a memória dos milhões de indivíduos afrodescendentes que suportaram as atrocidades da escravatura e do comércio transatlântico de escravos. Salientou ainda que este comércio estabeleceu e perpetuou um sistema mundial de exploração que persistiu durante mais de quatro séculos, devastando profundamente famílias, comunidades e economias.
    Ao refletir sobre a resiliência daqueles que sofreram sob a crueldade dos traficantes e proprietários de escravos, Guterres reconhece as contribuições significativas feitas pelos indivíduos escravizados para a cultura, o conhecimento e as economias dos países para os quais foram transportados à força. Embora o comércio transatlântico de escravos tenha terminado há mais de dois séculos, o chefe da ONU reconhece que as ideologias prejudiciais da supremacia branca que o alimentaram ainda persistem hoje.
    Guterres sublinha a necessidade urgente de desmantelar as consequências duradouras da escravatura e do comércio transatlântico de escravos, combatendo ativamente o racismo, a injustiça e as desigualdades, e promovendo comunidades e economias inclusivas que proporcionem oportunidades iguais para todos viverem em paz e dignidade.

Secretário-geral da ONU, António Guterres


"Os compartimentos de um navio negreiro. Gravura publicada em 1830 no livro Notices of Brazil in 1828 and 1829, de R. Washl. Domínio público, Arquivo Nacional – Ministério da Justiça".


Saiba mais em: PEDRA NEGRA


Referências:
Organização, texto e arte: Charles Aquino

ONU News: https://news.un.org/pt/story/2021/03/1745582

UFMG Cedeplar - Poplin-Minas

Imagens ilustrativa: Johann Moritz Rugendas

Imagem Ilustrativa: MultiRio – História do Brasil, O tráfico negreiro. 

sexta-feira, março 22, 2024

DISCRIMINAÇÃO RACIAL

Todos os anos, no dia 21 de março, é (re)lembrado o Dia Internacional da Luta pela Eliminação da Discriminação Racial. A Organização das Nações Unidas (ONU) escolheu esta data em memória das manifestações contra a Lei do Passe na África do Sul. Foi neste dia de 1960 que eclodiram os protestos contra a lei que impunha restrições à circulação da população negra. Infelizmente, estes protestos foram recebidos com força brutal por parte do exército sul-africano, resultando no trágico “massacre de Sharpeville”, onde 69 pessoas perderam a vida e outras 186 ficaram feridas. Reconhecendo a importância deste evento, a ONU declarou oficialmente o dia 21 de março como um dia para aumentar a conscientização sobre a discriminação racial em 1966.

Após o ano de 2023, o dia 21 de março também passa a ser (re)lembrado como o Dia Nacional das Tradições de Raízes Africanas e das Nações do Candomblé. A Lei 14.519/23 foi sancionada em 2023 pelo presidente da república, Luiz Inácio Lula da Silva.


SAIBA MAIS: 


Referências:




Imagem Ilustrativa: Pinterest

Organização e Pesquisa: Charles Aquino