Hoje em tudo que leio
sobre Itaúna, encontro algo ou algum significado que correlaciona com a nossa terra. Pois bem, no
livro "Páginas Tímidas" publicado em 1896 pelo escritor Nelson de
Senna, bem antes do batismo de nossa cidade, o autor cita a existência de um cacique
de nome Itaúna, chefe dos Pojichás, do vale do rio doce por volta
de 1830, cuja filha chamava-se "Guaracy" ou abreviadamente
"Aracy ". E isto bem antes do batismo e fundação de nossa cidade.
Mais pitoresco é ter já existido um "Itaúna" que tenha gerado uma
"Guaracy", assim como nossa cidade o fez, dando-nos o saudoso político
e grande historiador. Vejam trechos do livro e em especial o significado de
"Guaracy".
Breno Marques da Silva
ARACY
O sol » Em tupi era chamado « Guaracy
», que quer dizer « luz da vida », «fonte criadora ». Nos dialetos, porém, dos
índios, que, fugindo dos tupis, vieram se refugiar nas montanhas do Sul,
desapareceu a sílaba inicial «Gu» da palavra « Guaracy », que é a primitiva
tradução de sol.
Corre
o mês de junho de 183. . .
A
natureza se intumesce, bela e galante, ao começo da estação primaveril. Às
margens do rio, na pequena abra de Cuieté,
está um acampamento de Pojichás,
índios de origem tapuya, pelo ramo
degenerado dos Aymorés, e que naquela
larga zona inda vagueiam. Está próximo o acampamento indígena do generoso cacique
Itaúna, pois facilmente se percebe já
o surdo rumor dos saltos e encachoeiradas corredeiras do Doce.
Itaúna,
chefe dos Pojichás, é o pai da
formosa Aracy, estrela das selvas, cantada
por mil guerreiros fortes e bravos, que agora, na época das festas ruidosas da
tribo, vem mais uma vez celebrar a formosura da gentil donzela índia, em cujos
lábios de bonina colorados a abelha zumbidora destilou a inefável doçura dos
alvíssimos favos, que fabricou nos bosques. Aracy tem nas delgadas e corretas
formas de seu belo corpo nu, que o dourado sol de junho amoroso oscula, em
claras alegrias, a lesta agilidade da corça vigorosa e fulva, que galga em
pulos as serranias e valados; nas madeixas opulentas e descuidadas, que ela
alisa, graciosa, com as pequeninas mãos bordadas pela bizarra e confusa tatuagem
dos caraíbebês, brilham os negros e
intensos fulgores das penas do corvo — a sinistra hiena alada dos píncaros e
alturas.
Paliçadas
compridas (caiçaras) cercam o espaço
terreno ocupado pelos Polichás, que
ali se reuniram elo tempo da pesca abundante e nutritiva, afim de cantar os lúgubres
e efêmeros amores da nobre filha de Itaúna,
a qual vai desposar o mais denodado em façanhas e brios dentre os últimos
prisioneiros feitos na horda dos botocudos hostis.
É o sagrado e antigo costume da tribo. Por isso
todos aguardam, impacientes, o dia do delirante sacrifício, que preludia o louco
banquetear da festa barbara do cauim. . .. Os índios Pojichás cantam, embriagados pelo espumoso cauim, as suas nacionais
canções e belicosos hinos.
A
cabida selvagem reunida, sob o mando respeitado do cacique Itaúna, ouve, cheia
de fanatismo, as invocações e práticas cabalísticas dos manhosos e solitários
pajés, depois do que irão os índios se regalar em farto banquete primitivo, de caça
e pescado abundantes, que eles regarão com o liquido fermentado e entontecedor
das bojudas urnas de barro fabricadas (iguaçabas).
Aracy,
bela entre todas as jovens raparigas da tribo, tem sobre a cabeça um kanitar de fulvos reflexos; revestem-lhe
as roliças pernas, do joelho ao artístico tornozelo, as ligas distintivas da
virgindade, o simbólico tapacorá. Instrumentos
selvagens, como maracás. memhys, borés e
nays, ressoam em sua honra, pois é ela
a rainha da festa, a deslumbrante donzela, cândida e branca como o cecem que desabrocha nos prados e
silvedos, languida e delicada como o beijo do colibri nos jasmineiros em flor.
No
mais alto ebriamento da festa selvagem dos Pojichás,
quando já os tenros lábios carminados da doce e formosa Aracy, estão colados,
em celestes estribilhos de amor, aos grossos beiços polpudos e sensuais do
valoroso Pyrahtinga; quando prazeres
infinitos entontecem a mente exaltada dos noivos daquele singelo himeneu de
índios – repentinamente estrondejam, sinistros e estridentes, os clangores guerreiros de um pavoroso
ataque inopinado de hordas inimigas, que amplamente envolvem o acampamento
bloqueado por todos os lado inermes e desapercebidos Polichás.
Com
efeito era Angá, o terrível e
concupiscente Angá, cacique audacioso
que viera para arrancar pelas armas dos braços daquele efêmero noivado, a índia
Aracy, que desposara, segundo as práticas
rituais de sua tribo, o mais glorioso dos últimos prisioneiros dos Pojichás — Pirahytinga.
Conta
a lenda corrente entre os índios mansos do Rio Doce, que trucidadas foram todas
as cabildas então reunidas na abra de
Cuieté para a celebração dos amores
de Aracy — a dileta e suspirada filha de Itaúna, morubixaba dos inditosos Pojichás, ferozmente sacrificados aos
impiedosos golpes dos Jiporocks.
Quanto
ao destino dos infelizes noivos, morreram ternamente enlaçados, correndo-lhes
de larga ferida, aberta pelo mesmo propicio corte de seta inimiga, jorrante e
rubro fio de sangue, que foi o augusto batismo de suas rápidas núpcias,
cruelmente martirizadas.
O
terno canto agudíssimo que vibra a garganta metálica da araponga, ousada nas
grimpas esgalhadas de anosos carvalhos, e que estridula, em notas de viva e
heroica agonia, pelos recessos das florestas virgens: traduz a imaginosa poesia
autóctone, nas suas meigas e simples canções históricas, como o pungente adeus
saudoso de Aracy, cujo grito de dor,
— quando expirava, tendo o amoroso coração atravessado pela mortífera huy do gentio inimigo — a pequena ave errante imita desde então, talvez para
traduzir o imenso sofrer da formosa índia que morria. . .
REFERÊNCIAS:
Pesquisa e Apresentação do Conto:
Breno Marques da Silva. Possui graduação em Engenharia Metalúrgica pela
Universidade Federal de Ouro Preto (1981) e doutorado em Ciências, com ênfase
em Físico-Química Orgânica, pela Universidade de São Paulo (1989). Professor
Adjunto do Instituto de Ciências Exatas e Biológicas da UFOP (1982 a 1993).
Coordenador e Professor do Curso de Pós-graduação em Terapia Floral da
Faculdade de Ciências da Saúde - FACIS/IBEH (1995 a 1996). Criador do sistema
terapêutico Florais de Minas (1989). Desde 1993 é sócio proprietário, químico e
diretor de pesquisas do Laboratório Florais de Minas. Professor e autor de
vários livros sobre terapia floral. Tem experiência na área de Engenharia
Química, com ênfase em Tecnologia Química de Produtos Naturais.
Colaborador: José
Geraldo Chaves — Pepe Chaves: Desenhista, pesquisador, ufólogo, músico, documentarista,
escritor/editor, produtor cultural, artista plástico/gráfico, jornalista e
editor do Jornal Via Fanzine.
Organizador: Charles
Galvão de Aquino. Pós-Graduação em andamento pela Universidade Federal de Juiz
de Fora (UFJF) para o curso de História e Cultura no Brasil Contemporâneo.
Possui graduação em História pela Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG)
- Divinópolis MG, com Projetos em Iniciação Científica de Pesquisa e Extensão
vinculado ao PROINPE UEMG, FAPEMIG, PAPq e PAEx. Tem experiência na área de
História na conservação, tratamento, organização e divulgação do Arquivo
Histórico de Pitangui nos séculos XVIII, XIX e XX. Genealogista e pesquisador
em arquivos Coloniais com leitura paleográfica. Possui interesse e pesquisa nas
seguintes áreas: História do Integralismo, Ciganos em Minas Gerais e Cultura
Afrodescendente no Centro-Oeste Mineiro.
Já
contei uma história dele neste espaço. Era Corradi de nascimento. Só não digo o
nome completo em razão de malquerenças. Ainda tem muitos parentes vivos.
Trabalhava
no ofício que seus familiares trouxeram para Sant'Ana de São João Acima. Foram os
pioneiros nas artes de fundição na cidade. Imigrantes italianos, deixaram um
legado importante para o município. Gostava de pescar e de caçar.
Principalmente se os apetrechos fossem bons. Não gostava de caniços ruins e
espingardas mequetrefes. Tinha saído de casa para caçar trocais. Pombas grandes
de peito carnudo. Bem preparadas na cozinha davam um belo petisco.
Estava
sem sorte. Bateu pernas no mato, gastou munição atoa e nada de pombas. Resolveu
voltar para casa quando percebeu que estava somente com um cartucho disponível
no pau de fogo. Espingardinha de primeira. Trochado Damasco, fogo central, não
esparrodava o chumbo. Tiro dela era ajuntadinho e não estragava caça miúda.
Excelente para caçar aves.
No
caminho de volta, finalmente avistou uma trocal. Peituda, bonita e sadia. Um
pitéu !!!! Ao se aproximar, a ave fez menção de voar. Estava ainda meio longe.
Não podia perder o tiro. Mirou bem e mandou fogo. Tiro certeiro, na cabeça do
bicho. De tão alegre, deixou cair a espingarda ao levantar as mãos e exclamar:
"Graças a Deus".
Surpresa
maior em seguida. Ao erguer as mãos e ajunta-las no ar, tinha apanhado outra
gorda trocal voando. Apertou o bicho com as mãos para que não escapasse.
Apertou tanto que parte do bucho da pomba saiu pelos anus e sujou suas mãos. O
limpar a sujeira no "provisório", outra surpresa: pegou dois coelhos
pelas orelhas!!!!!
POMBA-TROCAL
Nome
Científico: Patagioenas picazuro
“Uma das maiores espécies da família
no País. Cabeça e partes de baixo marrom vinho, barriga pálida. Penas da nuca
branco-prateado com pontas pretas. Manto superior roxo metálico, pontas
escuras. Costas na maior parte cinza escuro. Asas marrom apagado, cobertura das
asas cinza com pontas pálidas. Cauda preta. Pele orbital vermelha. A fêmea tem
cor mais pálido. Mede cerca de 34 centímetros de comprimento. Canto baixo,
profundo e rouco, de três a quatro sílabas: “gu-gu-gúu”, “gú-gu-gúu”, sendo que
o macho emite quatro repetições e a fêmea três.
Vive nos campos com árvores, áreas
urbanas, cerrados, caatingas e florestas de galeria. Frequentemente encontrada
no solo. É migratória como outras pombas, estendendo seus domínios acompanhando
o desmatamento, aparecendo em grande quantidade. Voa longas distâncias e a
grandes altitudes, exibindo seu espelho alar branco; está aproveitando as áreas
urbanas, é comum ser encontrada comendo milho em galinheiros. ” (Wiki Aves)
LEI N° 5.197, DE 3 DE JANEIRO DE 1967
Dispõe sobre a proteção à fauna e dá
outras providências. O Presidente da República faço saber que o Congresso
Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1º. Os animais de quaisquer
espécies, em qualquer fase do seu desenvolvimento e que vivem naturalmente fora
do cativeiro, constituindo a fauna silvestre, bem como seus ninhos, abrigos e
criadouros naturais são propriedades do Estado, sendo proibida a sua
utilização, perseguição, destruição, caça ou apanha.
Texto:
Urtigão (nascido em Rio Piracicaba desde de 1943) é pseudônimo de José Silvério
Vasconcelos Miranda, que viveu em Itaúna nas décadas de 50 e 60. Causo verídico
enviado especialmente para o Itaúna Décadas em 06/02/2018.
Professor
Marco Elísio Chaves Coutinho fala sobre a história dos moinhos d’água que existiram na cidade de Itaúna. Os moinhos d'água que dominaram as margens do rio São João por muitos anos representam uma parte crucial da história e da identidade dessa cidade. O Professor Marco Elísio nos oferece uma janela para o passado, onde essas estruturas desempenharam um papel vital na vida cotidiana e na economia local.
Esses moinhos não eram meramente engenhos de moagem, mas centros de atividade comunitária, onde o milho era transformado em fubá de angu, um alimento básico na dieta da região. Através das palavras do Professor Coutinho, somos transportados para uma época em que a vida seguia o ritmo das águas do rio, e a moagem nos moinhos era uma atividade essencial que unia as pessoas em torno de um bem comum: o alimento.
A localização desses moinhos às margens do rio São João não era apenas uma questão prática, mas também simbólica. O rio, com suas águas fluindo constantemente, fornecia não apenas a energia necessária para mover as rodas dos moinhos, mas também uma conexão com a natureza que permeava a vida da comunidade.
A história dos moinhos d'água em Itaúna é, portanto, mais do que uma simples narrativa sobre engenhos de moagem. É uma história de como as comunidades se adaptam e prosperam em harmonia com o meio ambiente ao seu redor. É uma história de inovação e trabalho árduo, onde a engenhosidade humana se encontra com os recursos naturais para sustentar a vida.
Olhar para o passado dos moinhos d'água em Itaúna não apenas nos permite entender melhor a história dessa cidade, mas também nos convida a refletir sobre a importância de preservar e valorizar nosso patrimônio histórico. Essas estruturas são testemunhas silenciosas de um tempo passado, mas sua história continua a ecoar através das gerações, lembrando-nos da nossa conexão com o passado e da importância de honrar nossas raízes.
Na
literatura francesa, temos “O MENINO DO DEDO VERDE” - Tistou les pouces verts -
escrito por Maurice Druon em 1957. Tistu, desde pequeno era especial, de um
modo que ninguém sabia, nem ele mesmo. Seu primeiro professor descobriu que ele
tinha o polegar verde, isso significava que aonde ele colocasse o polegar iriam
nascer flores, pois em cada canto do mundo há sementes, só esperando que um
menino especial como Tistu, façam estas se transformarem em flores. Por fim,
seu professor disse a Tistu que não poderia contar isso a ninguém.
Hoje,
descobrimos que Itaúna teve o seu Tistu; o nosso menino do dedo verde...
MARCO ELÍSIO CHAVES COUTINHO, nasceu em Itaúna no dia 01 de dezembro de 1935. Filho do médico e
político ouro-pretano Antônio Augusto de Lima Coutinho (que foi prefeito de
Itaúna de 1947 a 1951) e da itaunense Nair Chaves Coutinho – professora (foi
diretora da Escola Estadual de Itaúna), e considerada uma das mulheres mais
belas de seu tempo. Teve oito irmãos:
Helênio, Rômulo, Juarez, Evandro, Jairo, Helder, Maria Ângela e Ângela
Maria. Durante sua infância recebeu formação religiosa e cultural em sua casa
paterna, bem como no Grupo Escolar Augusto Gonçalves, Ginásio Sant’Anna e
Colégio Normal Oficial de Itaúna. Casou-se no dia 04 de janeiro de 1963, com
Vera Lúcia Amaral Coutinho. Deste matrimônio, nasceram os filhos Ana Cristina,
Alexandre, Deborah e Luciana.
Foi nomeado membro da
Assembleia Geral da Instalação da Universidade de Itaúna no ano de 1966, sendo
mais tarde aluno do curso de Graduação em Letras nesta mesma Universidade, onde
colou grau, no salão nobre da Escola Normal, no dia 14 de julho de 1972, na
mesma turma do seu amigo e colega Professor José Gomes Miranda.
Trabalhou na Escola
Estadual de Itaúna, onde exerceu dignamente sua carreira. No Ginásio Sant’Anna
foi professor de Ciências, Geografia, História; No Ginásio Orientado para o
Trabalho de Santanense foi professor de Geografia; na Escola Normal lecionou
Educação Moral e Cívica e Geografia; na Escola Estadual Victor Gonçalves de
Souza foi professor de Inglês e na Universidade de Itaúna lecionou Cultura
Brasileira, Literatura Brasileira, Estudos dos Problemas Brasileiros e
Sociologia.
Durante todo o período em
que desenvolvia suas atividades profissionais como professor atuou de forma
significativa na vida cultural, política, religiosa e social da cidade. Foi
Secretário da Educação, Secretário Executivo da Fundação de Cultura, Desportos
e Turismo de Itaúna e Presidente do CODEMA-Itaúna. Realizou os estudos
preliminares sobre o Projeto de Organização do Serviço de Água e Esgoto de
Itaúna e participou de modo efetivo do Projeto “Itaúna – Cidade Educativa” em
1975. A Cultura de Itaúna lhe é devedora de significativa contribuição,
principalmente dos tempos áureos da Fundação de Cultura, tempo dos melhores
carnavais da cidade, não desmerecendo as Exposições de Orquídeas e a grande
festa popular do Reinado.
No campo religioso teve
atuação constante e profícua na vida da Igreja, atuando como ministro da
eucaristia por longos anos, amigo dos padres (era o responsável pela confecção
do tradicional tapete de Corpus Chriti e do presépio da Matriz = tapete herdado
pela Bel de Abreu e presépio herdado pelo Maestro Henrique) e devoto fervoroso
de Maria, a Mãe de Jesus, tornando inclusive conhecido como o maior construtor
de grutas de Itaúna. Sua devoção a Virgem Maria o fez publicar obras sobre suas
aparições pelo mundo afora, bem como obras sobre a devoção do Santo Rosário.
Foi destacado
palestrante, aonde a ECOLOGIA foi uma das grandes paixões do professor Marco Elísio, sempre defendendo a bandeira do desenvolvimento sustentável, tratando a
natureza e o meio ambiente com a mesma dignidade de criatura do mesmo Criador. Esta sua fé inabalável no potencial humano de transformar sua realidade
e de preservar o meio ambiente, aliando ecologia e teologia está presente em
suas obras: Sopros – Questão Ecológica– Humanista Urgente, 3ª ed. Itaúna: Vile
Editora 2011; O Rosário Bíblico Meditado: Orações do Rosário 2ª ed.; Ave,
Maria: Bernadete e a Imaculada Conceição, Aparições de nossa senhora em Itaúna
e terço dos homens, A caminho da santidade padre Eustáquio e Irmã Benigna em
Itaúna, Gruta e devoções.
Dentre tantas
peculiaridades destaco a de incorrigível sonhador. E o que seria do mundo, sem os
sonhadores? No entanto, os sonhadores
nem sempre são compreendidos, e quase sempre ridicularizados. Pela virtude e
pela ousadia de sonhador, Marco Elísio, recebeu de críticos, no final da década
de 1970, a alcunha de “MENTE COR DE ROSA”. Sabemos que esta alcunha, por algum
tempo lhe incomodou; mas ter uma “Mente Cor de Rosa” representa, acima de tudo,
esta ousadia de sonhar, sonhos possíveis e impossíveis, em um mundo que cada dia
tenta cercear nossos sonhos.
Itaúna – a humana e
pitoresca- teve um homem de mente cor de rosa e de dedo verde; morava em um
lindo sobrado cor de rosa e todos aqueles tocados de alguma forma por ele, tiveram
suas sementes - que traziam adormecidas -
no coração e na alma, germinadas em lindas flores...Flores de renovação,
de esperança, de vida. Prof. Marco Elísio foi semear, junto dos outros anjos, a
Paz pelo mundo. E ao chegar no céu, despejou sobre sua Itaúna, abundante chuva
para brotar nossos sonhos...
Texto enviado ao blog Itaúna em Décadas em
30/01/2018, em homenagem ao Prof. Marco Elísio Chaves Coutinho que faleceu em
28/01/2018 por Luiz Mascarenhas.
A história dos moinhos d'água em
Itaúna é um fascinante capítulo na trajetória dessa cidade. Nas palavras do
historiador itaunense João Dornas Filho, esses moinhos não eram apenas
estruturas de moagem, mas centros pulsantes de atividade, onde o milho era
transformado em fubá de angu, um alimento essencial na dieta local. Suas cerca
de vinte casinhas formavam uma cena pitoresca e vital para a subsistência da
população.
A descrição do memorialista
Osório Fagundes adiciona uma dimensão poética à imagem dos moinhos,
comparando-os a um "bando de garças sobre as águas do açude". Essa
analogia evoca uma sensação de harmonia entre a natureza e a atividade humana,
onde a engenhosidade humana se funde com a paisagem natural. Já o Professor
Marco Elísio Chaves Coutinho nos transporta para essa época em que esses
moinhos pontilhavam as margens do rio São João, um testemunho tangível da
economia e da vida cotidiana da comunidade.
Esses moinhos d'água não são
apenas estruturas físicas, mas símbolos de uma época passada, onde a vida
seguia o ritmo das águas do rio São João. Eles representam a habilidade humana
de se adaptar e aproveitar os recursos naturais para sustentar a comunidade. A
história desses moinhos nos lembra da importância de preservar e valorizar
nosso patrimônio histórico, para que as gerações futuras possam entender e
apreciar as raízes de sua própria cidade.
Na
freguesia de Sant'Ana do Rio São João Acima, hoje Itaúna, aproximadamente final do século XIX, existiram por muitos anos moinhos d’água que ficavam às margens
do rio São João. O historiador itaunense João Dornas Filho, elenca que, “era uma série de casinhas, cerca de vinte,
onde se moía, o milho para o fubá de angu” e o memorialistaOsório Fagundes, informa que, “de longe pareciam um bando de garças sobre
as águas do açude”!
O
moinho hidráulico de herança europeia, das quais, suas origens alçam ao período
helenístico pelo mundo mediterrânico, segundo nos informa o professor Francisco
de Carvalho, foi um importante marco nas paisagens rurais do Brasil, seja em
grandes fazendas ou em pequenos sítios. No Brasil, a partir do século XVII, irão
aparecer registros de moinhos hidráulicos nas colônias, surgindo a fabricação
em maior escala, entre o final do século XVIII e início do século XIX devido a
importância do milho no sistema de transporte do país que possibilitava a
alimentação de pessoas e de animais domésticos.
Entre esses períodos, existiram alguns tipos de moinhos movidos pela energia cinética
das águas: Os Moinhos de Água ou de Azenha, que eram movidos por uma roda
d´água vertical, mais comuns na região sul do país e os Moinhos Horizontais,
conhecidos também como Moinhos de Rodízio, mais comuns nas regiões do
centro-oeste e sudeste, tendo como fato excêntrico do século XVIII, a existência de um moinho
de vento na cidade de Ouro Preto, hoje, um patrimônio cultural e natural protegido. E foi a
partir da grande abundância de águas nos riachos e ribeirões do nosso Planalto
Brasileiro, que possibilitou a instalação e o funcionamento de vários moinhos
em um mesmo local, conseguindo utilizar a mesma leva d’água.
Discorrendo
sobre o funcionamento do moinho de fubá (horizontal ou de rodízio), o
carpinteiro, Antônio Barcelos, funcionário da fazenda Ponte Alta do município
de Pitangui/MG, explica o funcionamento: seria importante construir
uma represa que irá acumular água, ou então, construir um açude, que neste caso,
o curso da água poderá ser mudado através de bicas, geralmente feitas de
madeira. Chegando o volume d´água até ao
moinho, a roda horizontal ou rodízio,
irá acionar um eixo vertical que estará atrelado ao Mó de Baixo, o qual, o Mó de
Cima irá girar triturando os grãos de milhos.
Abaixo o professor Francisco de Carvalho faz
um desenho das peças de um moinho de fubá horizontal.
O Almanak Administrativo, Civil e Industrial da província de Minas Gerais (1875),
organizado por Antônio Assis Martins, traz informações sobre Itaúna, o qual, era distrito pertencendo administrativamente a Villa do Pará, hoje Pará de Minas, da comarca de Pitangui, com as seguintes informações: quatro Juízes de
Paz; 1 Escrivão; 1 Subdelegado; 3 Suplentes; 1 Pároco; 1 Delegado da Instrução Escolar;
1 Professor Escolar; 3 Inspetores de Quarteirão; 5 Oficiais de Justiça; 1
Padre; 1 Boticário; 1 Capitalista; 5 Negociantes de Fazendas; 5 Ditos de
Molhados; 9 Tropeiros; 5 Possuidores de Engenho de Cana; 33 Cultivadores de
Gêneros Alimentícios; 1 Entalhador; 2 Carpinteiros, 1 Forneiro; 3 Ferreiros; 2
Oleiros; 2 Pedreiros; 2 Fabricantes de Arreios; 3 Alfaiates; 1 Caldeireiro e 2
Estalajadeiros.
Da
listagem acima, dos 33 Cultivadores de
Gêneros Alimentícios, Serafim Caetano Moreira, seria um dos comerciantes
atuantes em Itaúna. Segundo o historiador João Dornas, o primeiro moinho
construído na cidade, teria sido o do senhor Serafim, aproximadamente no ano de
1880 e junto desse, foram sendo construídos muitos mais, tendo uma impressão
excêntrica de aldeia lacustre. O historiador informa que:
Esses moinhos foram causa de muita
briga e muito motim, pois se atribuía ao açude que os movia uma febre maligna
no local. Várias vezes os povos se
reuniram, como em 1910 para arrombar o açude, obrigando os seus proprietários e
as autoridades a pegarem em armas para defender a s suas propriedades.
Nestes últimos anos, depois que a
cidade foi abastecida de força elétrica, esses moinhos foram caindo em ruínas e
desaparecendo. E a grande enchente de abril de 1926, a maior que se tem na
memória em Itaúna, destruiu o restante dessa pitoresca lembrança de Sant´Ana de
São João Acima ... (DORNAS, 1936).
Em fins do século XIX, parte da família
Caetano Moreira se estabeleceram por definitivo no município de Itatiaiuçu na
“Fazenda Medeiros”, cujo irmãos, José Caetano Moreira, Manoel Caetano Moreira e
Antônio Caetano Moreira, deixaram testamento informando ser naturais da
freguesia de Congonhas do Campo e filhos legítimo de Caetano Moreira e Maria da
Conceição, todavia, deixaram grande descendência em Itaúna.
REFERÊNCIAS:
FILHO, João Dornas.
Itaúna: Contribuição para a História do Município, 1936, p.95 a 97.
FAGUNDES, Osório Martins.
Fragmentos de um Passado, 1977, p.624.
ALMANAK: Administrativo,
Civil e Industrial da Província de Minas Geraes, 1875, p.396,397,398. GOMES, Carla Neves Almeida.
MORRO DA QUEIMADA – OURO PRETO: os benefícios da categorização paisagem
cultural para sua gestão. Disponível em: http://www.forumpatrimonio.com.br/paisagem2014/artigos/pdf/141.pdf
. Acesso em: 30/01/2018
Denomina logradouro público: Rua João Dornas / Centro - Bairro Graças
Heródoto itaunense ...
No dia 7 de agosto de 1902, nasceu em Itaúna (MG), João Dornas Filho, romancista, contista, ensaísta, historiador e biógrafo. Filho do fazendeiro João Dornas dos Santos – republicano e defensor da emancipação da cidade - e de Maria Eugênia Vianna Dornas, teve 11 irmãos. Seu amor pela palavra escrita começou na infância, quando trabalhou como tipógrafo.
Amante da literatura e da informação, João Dornas cursou apenas o primário, no Grupo Escolar Dr. Augusto Gonçalves, que foi a base para seu autodidatismo e a aquisição de uma cultura ampla e sofisticada. Para muitos, Dornas Filho era um excêntrico intelectual, que chamavam de Záu. Seus parentes e amigos relatam que ele era “uma pessoa humilde e fácil de se lidar”. Em artigo do Suplemento literário Minas Gerais, denominado “Literatura Mineira: João Dornas Filho e Júlio Ribeiro”, o escritor é assim descrito:
De temperamento extrovertido João Dornas Filho era amigo de toda a gente, boêmio a seu modo, grande trabalhador e pesquisador, aberto a todas as manifestações da beleza e da sensibilidade. Defendia com força e coragem suas ideias, indo à polêmica, se necessário. Um grande exemplo de responsabilidade e autenticidade intelectual (Suplemento Literário, 1977).
Foi nos anos 1920 que Dornas se mudou para Belo Horizonte a trabalho e teve início sua colaboração para os jornais. Na capital mineira, fez amizade com intelectuais e artistas de projeção nacional e internacional, como o pintor Di Cavalcante, que desenhou sua caricatura, hoje uma preciosa relíquia guardada com zelo pela Prefeitura Municipal de Itaúna. Em 1928, com Guilhermino César e Aquiles Vivacqua, Dornas teve contato com Mário de Andrade e construiu para impulsionar o movimento modernista de Belo Horizonte ao editar o panfletário Leite Crioulo, importante órgão alternativo da imprensa modernista, que repercutiu não só em Minas Gerais, como também em São Paulo e no Rio de Janeiro.
Em 1945, foi eleito para a Academia Mineira de Letras, ocupando a cadeira nº 12, cujo patrono é Alvarenga Peixoto. Dornas tentou reformar o estatuto da Academia Mineira de Letras para permitir a entrada de mulheres nas atividades acadêmicas, mas não conseguiu a adesão de seus pares. Considerado um dos mais expressivos filhos de Itaúna, por ter retratado os valores culturais da cidade natal sempre com palavras de admiração e carinho, João Dornas Filho morreu em Belo Horizonte, em 11 de dezembro de 1962.
Dicionário Bibliográfico de Escritores Mineiros, / Constância Lima Duarte, org, Autêntica Ed, 2010, p. 197,198. Pesquisa e Organização: Charles Aquino Fotos: Adilson Nogueira, Charles Aquino
Acervo: Câmara Municipal de Itaúna / Prefeitura Municipal de Itaúna
Fotografia: Adilson Nogueira : Músico, Artista Plástico, Mestre de Cozinha e Fotógrafo profissional.
No
meu tempo, no qual as pessoas viajavam de trem, tínhamos diversos tipos de
trens, que variavam pela carga, horário, rapidez e conforto. Por Itaúna
passavam o Subúrbio (esse exclusivo de Itaúna a BH e vice-versa) o Misto, que
carregava passageiros e carga, o Expresso, trem diurno com carro restaurante,
poucas paradas, para transporte exclusivo de passageiros e o Noturno. Este,
mais sofisticado, tinha carro restaurante, cabines com leitos ou carros com
poltronas leito e poucas paradas. Somente nas principais cidades. Assim como o
Expresso, era mais rápido. Os dois destinavam-se a viagens mais longas.
O Noturno, que possuía até camareiros, como o
próprio nome indica, só viajava a noite. O carro restaurante era algo a parte.
Tinha fogão tocado a lenha ou a carvão, cozinheiro e ajudantes, garçons
fardados e às vezes " maitre d'hotel “. Cardápio " a la carte". Coisa chique para
poucos. A bordo do trem vendia-se
bebidas. Normalmente, cerveja, vinho, vinho do Porto e conhaque. Servidas por
garçons fardados e de gravatas borboleta.
Em
Itaúna tínhamos dois Juízes de Direito. A comarca já era importante é somente
um não era suficiente. Lembro-me bem de vários e a história que passo a narrar
é verídica.
Um
dos juízes, de nome Nabor, pai de dois grandes amigos meus, era baixinho, quase
minúsculo. Empertigado, sempre de terno e gravata, sanguíneo, eternamente cor
de rosa. Chegou em Itaúna em fins dos anos cinquenta e começo dos sessenta do
século passado. Já chegou viúvo, com três filhos homens e três meninas. Todos
bonitos, claros e rosados. Uma coleção de " biscuits". Miúdos como o pai.
O
Doutor Nabor, parece-me que tinha uma namorada em Belo Horizonte e viajava
sempre para vê-la. Ia e voltava de trem. A volta, sempre de Noturno. Ia me
esquecendo. O magistrado era bom de copo e tinha uma voz tonitruante. Fazia
inveja a qualquer locutor. Gostava de cerveja da marca "Portuguesa",
fabricada pela Antártica em uma fábrica em Belo Horizonte, onde se localiza
hoje o Shopping Oiapoque. Cerveja ruim, engarrafada em cascos verdes.
A
preferência em Itaúna era da Brahma Chopp, casco escuro. Doutor Nabor ainda
tinha uma preferência estranha. Gosta de cerveja sem gelo. Portuguesa quente,
casco verde erapra poucos. O próprio " mijo de égua “.
Numa
de suas viagens de volta para Itaúna, o magistrado aboletou-se no Noturno e logo
que a composição da Rede arrancou, chamou o garçom e fez o pedido: " por
favor, uma Portuguesa, casco verde, sem gelo". O serviçal argumentou que
não tinha a cerveja. No entanto, se quisesse Brahma, tinha sem gelo, mas casco
escuro. O baixinho era tinhoso e sabedor de suas virtudes como autoridade,
pediu para falar com o Maitre. Na sua presença o chefe dos garçons usou dos
mesmos argumentos e disse mais. A cerveja pedida vendia pouco e daí a falta
dela no estoque. Pedia desculpas, mas nada mais poderia fazer.
Em
vista do impasse, o Dr. Nabor mandou que viesse falar com ele, nada mais nada
menos do que o Chefe do Trem, autoridade máxima do comboio. Na presença do
Chefe, devidamente fardado de azul e apito pendurado no pescoço, o baixinho
juiz, já alterado, recitou sua ladainha. Nada feito. A chefe nada podia
fazer!!!
Doutor
Nabor por fim aquiesceu em beber um conhaque. Bebeu vários e já nas imediações
de Mateus Leme, estava vermelho como um peru é bem " tocado".
Pediu
mais uma dose é o garçom resolveu dizer-lhe que não lhe serviria mais. Já
bebera o bastante. O homenzinho virou um capeta. Proferiu impropérios, xingou a
mãe do garçom e aprontou um carnaval. O pobre garçom, que teria uma longa noite
pela frente, obrigado a equilibrar-se com o balanço do trem, perdeu a paciência
e deu uma bofetada no magistrado. Uma só, o bastante para colocá-lo no devido.
Com a esfrega, Dr. Nabor aquietou e recolheu-se ao carro de passageiros, depois
de pagar a conta.
Surpresa
maior, o baixinho reservou para a equipe do trem, assim que a composição
estacionou em Itaúna. Investido de sua autoridade de Meritíssimo Juiz, deu voz
de prisão ao Chefe do Trem, ao Maitre e ao Garçon. Reteve todo o Noturno da
Rede Mineira de Viação em Itaúna, até que se resolvesse o impasse. Tinha sido
desacatado e agredido. Queria e obteve lavratura de atos circunstanciais,
boletim de ocorrência, coleta de provas e exame de corpo de delito. Atrasou o
trem que ia para Cruzeiro/SP, por três horas.
Abuso
de autoridade é coisa antiga no Brasil.
Texto:
Urtigão (nascido em Rio Piracicaba desde de 1943) é pseudônimo de José Silvério
Vasconcelos Miranda, que viveu em Itaúna nas décadas de 50 e 60. Causo verídico enviado especialmente
para o blog Itaúna Décadas em 03/01/2018.
Gosto de
metáforas. Costumo comparar os homens e as famílias com as bananeiras. Não
pensem que estou a chamar a espécie humana de " banana". É outra
história.
A bananeira só dá
frutos uma vez. Daí a expressão: " fulano é bananeira que já deu
cacho". Vegetal razoavelmente simples, sem a nobreza de uma jabuticabeira
ou qualquer árvore de porte, a bananeira, humilde e subalterna, se bem plantada
em cova funda, produzirá um belo cacho de frutas, com muitas pencas. Não tem
sementes. As mudas crescem ao redor da planta mãe, daí a necessidade de cova
funda.
Cortada a
primeira e colhidos os frutos, dentro de algum tempo teremos nova planta a
produzir. É o ciclo da vida que se repete, perpetuando a espécie. Simples e
inteligente. Não requer muitos cuidados.
Somente boa terra, bom adubo e limpeza
ao redor para afastar fungos e pragas. Frutos deliciosos, fartos e nutritivos.
No quesito inteligência para ser comido, a banana é imbatível. Portátil,
higiênica e bem embalada. Uma campeã.
Voltemos à
comparação com os humanos. Em tempos de poucas famílias, de famílias múltiplas
e de gêneros iguais, de famílias desfeitas e outras modernices que teimam em
impingir aos tradicionais, a banana nos fornece um exemplo único. Produz em
cachos, tal como os cocos e as uvas.
Comparemos o
engaço do cacho aos chefes da família. Pai e mãe, a reunir a seu redor, filhos,
noras, genros, netos, e bisnetos, para os mais longevos. Como acontece com as
bananas, alguns frutos se deterioram mais rápido. Descartados, significam uma
perda, que não chega a significar o fim da família.
Com o passar do
tempo, os membros da família se reúnem de tempos em tempos em torno de pais e
mães. São as bananas ao redor do engaço. Ao morrer um dos primitivos, o cacho
passa a perder unidade. Com a morte de pai e mãe, a família não se une mais.
Como nas bananas, é hora de descartar o engaço. Não serve para mais nada. É o
fim de uma família tradicional, como a conhecemos e igual àquela em que fomos
criados.
Pensei muito
nesta metáfora, no último episódio de doença pelo qual passei. Durante todo
tempo tive ao meu lado o núcleo familiar. Mulher, filhos, netos, sobrinhos,
primos e até a única tia que tenho a graça de ainda ter. A presença de entes queridos ao lado do
doente o anima a reagir. Como já disse em escrito anterior, o meu filho é um
craque. Senhor de todas as " expertises" para cuidar.
Em tempos de
famílias estranhas e esdrúxulas é sempre bom pensar como eu. Que bom ter
nascido como as bananeiras. Simples, filho de família tradicional, capaz de
render bons frutos e poder desfruta-los na necessidade.
Que Deus os
mantenha unidos e me proporcione por mais algum tempo o papel de engaço.
Uma nota
O mundo de hoje
seria uma refeição completa para Nelson Rodrigues. Uma multidão impensável de
idiotas. Gente capaz de passar doze horas em um frio polar, espremido numa
multidão, à espera de uma bola que desce num trilho, para marcar o início de um
novo ano.
Multidões
espremidas e afanadas na praia de Copacabana à espera da passagem do ano e do
show de Anitta (com dois tts). Idem em São Paulo à espera do Latino. Em Belo
Horizonte, uma multidão em torno da Pampulha, a esperar a chegada de 2018, na
beira do Patrimônio Mundial da Unesco mais fedorento que existe. Trata-se do
" efeito manada”. Se o vizinho vai, fulano também, sicrano, etc., por não
eu? Um espanto!!!
Texto: Urtigão
(nascido em Rio Piracicaba desde de 1943) é pseudônimo de José Silvério
Vasconcelos Miranda, que viveu em Itaúna nas décadas de 50 e 60. Causo verídico
enviado especialmente para o Itaúna Décadas em 02/01/2018.