terça-feira, outubro 16, 2012

ZEZITO CHAVES


 Pepe CHAVES*

José Guimarães Chaves, mais tarde conhecido como Zezito Chaves, nasceu no dia 07 de setembro de 1932, na Fazenda dos Coqueiros, zona rural de Itaúna-MG. Ele foi o primogênito dos 12 filhos de José Policarpo de Mendonça Chaves e sua esposa Iolanda Guimarães Chaves. A mãe desejou concebê-lo na fazenda de seus pais, Toinzinho Guimarães e Dona Zulmira, onde poderia contar com o auxílio da mãe.

Nascido aos pés da frondosa Serra do Minério, na divisa dos municípios de Itaúna e Itatiaiuçu, o menino acabou por permanecer por ali durante os próximos anos. Isso, porque a sua avó Zulmira se apegara tanto a ele, que não permitiu seu retorno junto aos pais para o centro de Itaúna, onde o casal residia.

Assim, os pais naturais José Chaves e Iolanda retornaram à cidade, onde tiveram seus outros 11 filhos e naquela fazenda, Dona Zulmira e Toinzinho, seus padrinhos, passaram a criar o menino Zezito como se fosse um de seus filhos. Tanto que, anos mais tarde, a considerável partilha patrimonial do casal foi igualmente estendida ao neto, realmente tido como filho por eles. E ali, na Fazenda dos Coqueiros, sob os olhares da sua querida “Madrinha”, o menino Zezito foi crescendo, ao lado dos filhos e netos de Zulmira.

Distante dos seus pais e dos demais irmãos, o seu tio Delzir Batista Guimarães (depois, ao lado da esposa Irene) lhe supriu a figura do pai na roça em que foi criado, como ele me confessaria mais tarde. Ainda que visitasse sempre os pais e os irmãos quando viajava a Itaúna, a sua proximidade diária com Delzir e filhos lhe proporcionou conviver com outro lar, dentro de sua própria família.

A partir dos anos de 1940, o adolescente Zezito passou a estudar no Colégio Santana, situado no centro de Itaúna. Ele me contou que nessa época, acordava às 4h30 da manhã e ia para o pasto pegar o cavalo, arriá-lo para cobrir aproximadamente 15 quilômetros até a sua escola. No entanto, não se sentia ambientado na sala de aula. Sua paixão pelos veículos e motores tirava a sua concentração das matérias. “Eu tentava prestar atenção nas aulas, mas quando ouvia um ronco de motor lá fora, eu perdia a concentração”, me disse certa vez, sobre sua fascinação.

Um dia teve a ideia de levar queijos feitos na fazenda para vender em Itaúna. E deu certo, pois, aproveitando as viagens para o colégio, deixava os queijos em vendas da cidade e pôde assim, ir juntando dinheiro para realizar o sonho de consumo de toda a sua vida: comprar um caminhão e trabalhar com fretamento de cargas.

 Assim, aos 17 anos, ele juntou todas as economias dos anos anteriores, conseguiu um empréstimo, que pagou algum tempo depois, e comprou o seu primeiro caminhão, em 1949. Era um velho Studake, ano 1946, com o qual fez os seus primeiros serviços. Com ele começou a fazer transportes de cargas em Itaúna, até que, cinco anos mais tarde ele conseguiu adquirir um caminhão mais robusto, um Dodge, ano 1952.  
  
 Foi aí que começou a fazer viagens mais longas e permanecer vários dias fora de sua amada Itaúna. Alguns anos mais tarde, Zezito comprou o seu primeiro Alpha Romeu (FNM), o popular Fenemê. Mais tarde veio adquirir outros caminhões dessa mesma marca, sendo um deles em sociedade com um amigo e dirigido por um motorista contratado. Seu último foi um FMN, ano 1956, do qual, tive notícias, faz pouco tempo, que estaria rodando ainda, na cidade de Goiânia.

Na cabine de seu caminhão Zezito viu o mundo passar como um filme à sua frente. Outras terras, pessoas, costumes e culturas. Na bagagem, trazia sempre muitas histórias de viagens compartilhadas com a família e amigos. Foram muitas experiências longe de casa, felizmente, sem nenhum acidente ou assalto, mas com repletas de aventuras e desventuras.

Em 31 de dezembro de 1963, ele se casou com Neusa Mendes, filha de José Mendes e Maria Viana Mendes, com quem teve os filhos, José Geraldo Chaves, Joel Jorge Chaves e Marco Antônio Chaves, que lhe deram 12 netos, dos quais, pôde conhecer apenas o primeiro.

Seu grande coração o fez parar por inúmeras vezes nas beiras de estrada, sentindo-se na obrigação de socorrer algum caminhoneiro desconhecido, usando sempre de suas habilidades mecânicas ou experiências de viagens.

Certa vez, ele me contou, “Eu estava perto de Maravilhas (MG), era uma tarde com uma chuva muito grossa. Vi um caminhão parado na beira da estrada e desci para ver o que aconteceu. O dono do caminhão estava sem saber o que fazer, o motor parou e ele não entendia de mecânica. Eu fui ver o que era e encontrei o defeito, consegui consertar. Ele mal pôde acreditar quando o motor voltou a funcionar e me agradeceu muito, quis me dar gorjeta, mas recusei.

Quando eu já estava indo embora, ele me perguntou, porque eu parei ali, naquela chuva danada para socorrê-lo, se eu nem o conhecia. Respondi que devemos ser assim, uns pelos outros, pois podia acontecer de um dia ele me socorrer. Ele sorriu e disse que isso seria muito difícil, pois ele era do estado do Mato Grosso, estava voltando para lá. Mas, o mundo dá voltas, meu filho. 

Pois, alguns anos depois, meu caminhão quebrou justamente no interior do Mato Grosso e quem parou na estrada para me rebocar? Sim, ele, o mesmo caminhoneiro que eu socorri anos atrás em Maravilhas. Quando ele me viu não pôde acreditar que era mesmo eu e a gente riu muito. E lembro que, depois de me socorrer, ele ainda falou: ‘você tinha razão’”.

 Este era o seu espírito amigo, dentro e fora das estradas, sempre leal e prestativo. Seu caráter juntamente com sua personalidade única cultivou uma considerável legião de admiradores e amigos em Itaúna, entre tantas outras cidades do Brasil por onde ele passou.

Seu carisma se estendeu também a diversas pescarias realizadas com alguns dos seus amigos, pelo Brasil Central e no Sul da Bahia. Por vezes, Zezito e amigos alugaram ônibus (sempre dirigido por ele) e, em comboios com carros e canoas na bagagem, iam pescar noutros estados, de onde traziam muitos pescados.

Depois de trabalhar como caminhoneiro por quase 30 anos, ele vendeu seu último Fenemê, o verde escuro, em meados da década de 1970 e aposentou dos caminhões, passando a dirigir somente carros de passeio. Alugou uma garagem na Praça da Matriz de Itaúna e ali passou a vender carros usados, que eram “melhorados” por ele. No local, onde hoje está situado o restaurante “Água na Boca”, ele também prestava cordiais serviços mecânicos para os amigos. Sua garagem se tornou uma espécie de clube particular.

Por quase 10 anos naquele local, Zezito reunia ali os amigos para jogar conversa fora, planejavam as pescarias, avaliava veículos e motores para terceiros. Café e cachaça sempre havia ali para os visitantes, que costumavam destilar um pouco de humor apurado em tantos causos e piadas ouvidos e contados por Zezito. E ali, eu e meus irmãos pudemos também aprender lições de vida com alguns de seus amigos, como José Marinho de Faria, Joaquim “Sumatra” Medeiros, José Eloi, Jair Oliveira, Klebão, Napoleão, Luiz de Toleto, José Muné, Arnaldo Marques entre tantos outros que não vêm à memória agora.

Zezito Chaves faleceu em 03 de setembro de 1987, quatro dias antes de completar 56 anos de idade. Ele sofreu um ataque cardíaco fulminante na garagem de sua casa, enquanto consertava um motor de canoa para um amigo, na manhã de um sábado ensolarado. Sua ausência ainda é sentida por muitas pessoas que ainda encontro e, por vezes, relembram saudosas histórias protagonizadas ou contadas pelo Zezito.

Posso dizer que tive a honra de ser seu filho, sobretudo, por guardar alguns de seus traços físicos e de sua personalidade ímpar. Como pai, digo que ele foi excepcionalmente atencioso, preocupando-se diuturnamente em nos transmitir noções básicas, de justiça, de honestidade, de desprendimento ao próximo, entre tantas outras. Sua maior herança, sem dúvida, foi sua sensatez e inteligência racionalmente peculiar, o que lhe concebia uma grande capacidade para ensinar e convencer.

Sem dúvida, o Zezito foi um professor sem diploma, do qual, algumas pessoas tiveram o prazer de interagir em algumas das suas realísticas e bem-humoradas aulas.




Referências:
* Pepe Chaves é editor da Rede Via Fanzine de portais.
Acervo: Álbum de família Pepe Chaves
Colaborador: Joaquim Medeiros (Sumatra)
Para o Itaúna em Décadas em 16/10/2012
Organização para o Blog Itaúna Décadas: Charles Aquino


quinta-feira, outubro 11, 2012

ELLIPSOLITHUS GOMIDEI

   
JOSÉ GOMIDE

Nasceu em Itaúna no dia 16 de fevereiro de 1930, filho de Péricles Rodrigues Gomide (LIQUE) e de Eponina Nogueira Gomide. Estudou em Itaúna após concluir o 2º grau, passou no vestibular da Universidade Federal de Ouro Preto, onde fez o curso de GEOLOGIA. Artista plástico impressionista realizou cursos de História das Artes com D.Gerardo (beneditino) e o pintor japonês Y.Takaoka.

 Foi admitido na PETROBRÁS em 17 de janeiro de 1964. Casou-se com Noêmia Rosa Gomide (natural de Divinópolis) e teve um filho. Nesta época morava em Salvador (BA), O filho único Raphael Nogueira Gomide, nasceu em Salvador no dia 17 de outubro de 1969. Raphael casou-se com Rosana Garcia Gomide (médica) e tem duas filhas: Luana Garcia Gomide e Beatriz Garcia Gomide.

 JOSÉ GOMIDE, pouco conhecido em sua terra natal, porque daqui saiu ainda jovem, fez uma brilhante carreira na Petrobras, como se pode verificar adiante, onde se aposentou em 29 de junho de 1990. O jovem Gomide foi um dos pioneiros no estudo dos nanofósseis calcários no Brasil, um grupo de fósseis microscópios muito empregado na Geologia de Petróleo.

Na década de 70, no período que trabalhavam na Petrobrás o Dr. Johannes Troelsen, José Gomide e Alexandre Richter, foram responsáveis pelos trabalhos de nanofósseis. Na biblioteca do CENPES, o nome José Gomide consta em 25 publicações que se referem a relatórios internos da Petrobras e a trabalhos apresentados em revistas científicas em simpósios e em congressos de geologia e ou paleontologia.

Em 1994 os colegas Simone Costa e Rogério Antunes publicaram um trabalho para notificar à comunidade científica sobre a descoberta de uma nova espécie de nanofósseis. Decidiram dar o nome para esta espécie, fazendo uma homenagem ao José Gomide. Assim o nome da espécie é Ellipsolithus Gomidei Costa e Antunes. Trata-se de uma espécie de nanofóssil importantíssimo para a exploração petrolífera.




REFERÊNCIA:
Arquivo e Informação biográfica: Raphael Nogueira Gomide
Texto: Juarez Nogueira Franco (In Memoriam)
Organização: Charles Aquino


quinta-feira, outubro 04, 2012

JOÃO GUIMARÃES ROSA

ITAGUARO-ITAUNENSE

Rio, 21 de julho de 1958
Meu Caro Coutinho,
Saudades, lembranças, muito afeto.
     Aqui está o nome do atual Cônsul do Brasil em Francforte-s/o Memo, com o endereço do Consulado:
Ilm.º Srn.
Cônsul RODOLPHO KAISER MACHADO
Brasilianisches Konsulat
Scheberstrasse, 1
FRANKFURT  am MAIN   
Deustschland
 (Alemanha).

   Claro que, daqui, de minha parte, estarei com vocês, em prol de Itaúna – e como itaguaro-itaunense  também, de coração. Assim, logo que você escrever ao Cônsul, mande-me aviso, e eu imediatamente irei a ele, em carta aérea, para a “chuchadela”. Industrializemos Minas: - seja o brado, colaborando, outros – sim, na ampla e formidável campanha pelo desenvolvimento econômico do Brasil.
    Sempre seu, meu caro Coutinho, recomendando-me afetuosamente a sua senhora e a todos da Família. E com o grande abraço amigo do

Guimarães Rosa

Acervo: Professor Marco Elísio


terça-feira, outubro 02, 2012

ÁGUA ITAÚNA (PARTE II)


Nos anos de 1925 e 1926 foi construído o primeiro reservatório da cidade, localizado na antiga Rua das Viúvas, hoje Agripino Lima, esquina com Rua São Vicente. Os responsáveis pela construção foram ISAURINO DO VALE e Dr. ALCINDO VIEIRA.

Pela Portaria nº 137 de 1928 o Sr. Isaurino do Vale foi nomeado Fiscal de Obras Públicas Municipais. Além de trabalhar na Prefeitura o Sr. Isaurino fazia projetos. Dezenas de casas em Itaúna, inclusive duas para meu pai, foram projetadas pelo mesmo. Isaurino é sogro do Sr. Walter Antunes, proprietário da Granja Maçaranduba.

Embora ainda muito criança, lembro-me com clareza de tal reservatório na década de 50, pois nasci e cresci naquela rua, especialmente depois que vi a foto. Logo acima do Bairro Nogueirinha, na estrada para o Córrego do Soldado, há ainda hoje, os restos de uma pequena barragem que servia para captação das águas do Ribeirão do Sumidouro donde vinha por gravidade, em grossos tubos de ferro até o Reservatório da Rua das Viúvas.


Análise do Contexto Histórico e Infraestrutura

O período de 1925 a 1926 foi crucial para o desenvolvimento urbano em muitas cidades brasileiras, que estavam se modernizando e buscando melhorar a infraestrutura pública. A construção do primeiro reservatório de Itaúna se insere nesse contexto de urbanização e necessidade de abastecimento de água, uma obra essencial para garantir o crescimento sustentável da cidade. Este período marca um momento em que a infraestrutura de saneamento básico começava a ser reconhecida como fundamental para a saúde pública e o desenvolvimento econômico.

O texto destaca figuras importantes na execução do reservatório, especificamente Isaurino do Vale e Dr. Alcindo Vieira. Isaurino do Vale, além de ser o Fiscal de Obras Públicas Municipais, atuava como projetista, influenciando a arquitetura residencial de Itaúna. Esse papel duplo reflete a realidade das cidades menores, onde os profissionais frequentemente assumiam múltiplas responsabilidades devido à escassez de especialistas. Dr. Alcindo Vieira, por sua vez, representava a expertise técnica e médica necessária para projetos de infraestrutura de saúde pública.

A nomeação de Isaurino do Vale como Fiscal de Obras Públicas em 1928 pela Portaria nº 137 atesta seu reconhecimento oficial e destaca sua contribuição ao serviço público. A construção de dezenas de casas projetadas por ele, incluindo as casas para o pai do narrador, sublinha seu impacto duradouro na paisagem urbana de Itaúna. A memória familiar do autor, que cresceu próximo ao reservatório, reforça a importância dessas figuras e de suas obras na formação da identidade local.

O impacto social do reservatório é evidenciado pela memória clara do autor sobre a infraestrutura na década de 1950. A menção ao Sr. Walter Antunes, genro de Isaurino e proprietário da Granja Maçaranduba, mostra como as obras públicas estão interligadas com as histórias familiares e empresariais locais. Estas conexões ilustram como as infraestruturas urbanas podem influenciar e ser influenciadas pelas dinâmicas familiares e comunitárias.

A descrição técnica do sistema de captação de água do Ribeirão do Sumidouro até o reservatório, utilizando a gravidade, revela a engenhosidade e a sustentabilidade dos projetos de infraestrutura da época. Estes detalhes técnicos demonstram como os engenheiros da época equilibravam recursos limitados com soluções práticas e eficientes, refletindo uma abordagem sustentável e inovadora para a época.

O texto oferece uma valiosa narrativa histórica sobre a construção do primeiro reservatório de Itaúna, destacando a importância das figuras locais e o impacto duradouro dessas obras na memória coletiva da cidade. Para uma análise mais completa e crítica, seria benéfico incorporar uma maior diversidade de fontes e perspectivas, além de mais detalhes técnicos sobre o projeto e sua execução. Isso ajudaria a formar um quadro mais completo do impacto dessa infraestrutura na cidade e em seus habitantes, permitindo uma compreensão mais rica e detalhada da história urbana de Itaúna.






Referências:
Texto: Juarez Nogueira Franco
Pesquisa e Análise: Charles Aquino
FILHO, João Dornas. Efemérides Itaunenses João Dornas Filho, p.26, 1951, ed. Calazans
Revisão e Arquivo: Prof. Marco Elísio Chaves Coutinho
Organização: Charles Aquino

domingo, setembro 30, 2012

GUIMARÃES ROSA


João Guimarães Rosa  escreve ao amigo, Dr. Antônio A. de Lima Coutinho de Itaúna.

 Assis, 4 de novembro de 1949

Meu Caro Coutinho,

Em viagem de férias pela Itália, estou passando dia e meio nesta bela, estranha e mística cidade de Assis, toda impregnada ainda do grande santo. Vem – nos a ideia de que aqui é uma das portas, um dos lugares onde será mais fácil e direto o caminho da Terra ao Céu.

Pois bem, ontem à tarde, na basílica de São Francisco, ganhei uma relíquia; depois, na igreja de Santa Clara, uma freira, velhinha e boa como se já vivesse entre isto aqui e o Paraíso, incorrupto, da primeira franciscana. Perguntou-me de onde eu era, de onde vinha, e, ao ouvir o nome Brasil, pôs-se a repetir, mansamente: - " De “tão longe ... De tão longe ... Precisa de levar também uma relíquia, para uma pessoa amiga ... “ imediatamente, no instante mesmo, lembrei-me de você, assim sem mais, sem outra explicação.

Por que, logo naquele momento? Não sei. A saudade tem suas surpresas, e há muita coisa misteriosa, que a gente não sabe. Assim decidi-me logo a enviar-lhe as piedosas lembranças, que, estou certo, hão de fazer prazer a Dona Dulce, cujas mãos beijo e de quem guardo sempre uma muito grande recordação. Como você sabe, estou na Embaixada em Paris, para onde estou regressando, hoje, via Perugia, Florença e Pisa.

Lá, estarei sempre a postos, para o que você desejar. Transmita um forte e saudoso abraço meu ao Ary e minhas recordações à Dona Nair. E acolha outro grande abraço, muito amigo do seu

 Guimarães Rosa


Acervo: Prof. Marco Elísio

sexta-feira, setembro 28, 2012

LANÇAMENTO DO LEITE CRIÔLO


Lançamento do Leite Criôlo
Academia Mineira de Letras (AML)
 Rua da Bahia, 1466, Lourdes. Belo Horizonte MG

A reedição completa do suplemento Leite Criôlo foi lançada no dia 3 de dezembro de 2012. Foi um privilégio participar deste significativo evento, onde nosso estimado historiador João Dornas Filho, de Itaúna, foi mais uma vez reconhecido e respeitado.

Testemunha ocular: Charles Aquino


quinta-feira, setembro 27, 2012

LANTERNA NA MÃO



Um senhor, nascido e criado em Santanense, sempre se encontra comigo para um “bate-papo”.  Conhecemo-nos desde crianças. Sempre gostamos de recordar coisas pitorescas de nossa terra. Seu pai, homem bravo e autoritário, criou os filhos num tal respeito e obediência que não mandava duas vezes.

Em certa ocasião, ainda menino, com seus doze anos, tinha que sair a qualquer hora da noite para buscar parteira para sua mãe, a qual todos os anos, fazia repetir o acontecimento. A parteira morava na Fazendinha, a meia légua de distância. Não havia luz elétrica; tudo escuridão completa.

Em uma dessas noites lá foi ele, lanterna na mão, sozinho, muito medo, buscar a tal parteira. Ela se pôs à sua frente, com aquelas saias de três panos; começou a chover uma chuva bem fininha e ela suspendeu as saias pra agasalhar a cabeça. Com a pressa de chegar, nem notou que havia coberto a cabeça, mas descoberto as nádegas.

O menino vinha atrás com a lanterna, iluminando onde não devia iluminar. A vontade de rir era demais, mas não se podia desrespeitar. Chegando em casa, entrou para seu quarto e desatou aquela risada contida no espaço de meia légua. Seu pai incomodado perguntou-lhe se estava doido.

  Respondeu:  “ Estou alegre, porque vou ganhar mais um irmão. ”






Referência:
Texto:  SOUZA. Iracema Fernandes De. Itaúna Através dos Tempos, pg. 99, 1984.
Organização: Charles Aquino