sexta-feira, dezembro 31, 2021

MARIA AFRICANA

 

Maria Africana

A presença de africanos e afrodescendentes em Itaúna revela dimensões profundas da formação histórica local, muitas vezes invisibilizadas nos registros oficiais.

Nomes como o de Maria Africana, identificados em documentos paroquiais do século XIX, não devem ser lidos apenas como dados isolados, mas como vestígios de trajetórias humanas marcadas por deslocamento, resistência e reconstrução de vida em território brasileiro.

A designação “Africana”, frequentemente atribuída nos registros, não é apenas uma identificação geográfica — ela carrega marcas de um sistema que reduzia indivíduos à sua origem, apagando identidades pessoais, histórias familiares e pertencimentos culturais.

Ainda assim, é justamente por meio dessas brechas documentais que se torna possível reconstituir, ainda que parcialmente, a presença ativa desses sujeitos na constituição social de Itaúna.

Maria Africana é também uma entre os muitos sepultamentos realizados no adro do Rosário, espaço vinculado à Igreja de Nossa Senhora do Rosário, tradicionalmente associado às populações pobres. Esse dado não é secundário: ele revela práticas funerárias, pertencimentos religiosos e formas de organização comunitária que marcaram a experiência afrodescendente na região. 

O adro, mais do que um local de sepultamento, constituía-se como espaço simbólico de memória, fé e continuidade.

Mais do que um nome registrado em livro de óbito, Maria Africana representa uma memória coletiva silenciada. Sua existência remete a um contexto mais amplo de escravidão, de pós-abolição incerta e de permanências estruturais que atravessaram gerações. 

São histórias que não aparecem nos grandes relatos oficiais, mas que sustentaram, no cotidiano, a formação econômica, cultural e religiosa da região.

Ao trazer à tona essas memórias, não se trata apenas de resgatar o passado, mas de problematizar as ausências e os silêncios da própria historiografia. Quem foram essas pessoas? Como viveram? Quais redes de sociabilidade construíram? Que práticas culturais preservaram ou transformaram?

Nesse sentido, Maria Africana deixa de ser apenas um registro e passa a ser uma chave de leitura para compreender a presença africana em Itaúna — não como elemento marginal, mas como parte constitutiva de sua história.


Maria Africana

The presence of Africans and Afro-descendants in Itaúna reveals deep dimensions of the region’s historical formation, often rendered invisible in official records.

Names such as Maria Africana, identified in nineteenth-century parish documents, should not be read merely as isolated data, but as traces of human trajectories marked by displacement, resistance, and the reconstruction of life in Brazilian territory.

The designation “Africana,” frequently attributed in such records, is not merely a geographical identification — it carries the marks of a system that reduced individuals to their origin, erasing personal identities, family histories, and cultural belonging.

Even so, it is precisely through these documentary gaps that it becomes possible to partially reconstruct the active presence of these individuals in the social formation of Itaúna.

Maria Africana is also one among many burials carried out in the churchyard of the Rosary, a space linked to the Church of Our Lady of the Rosary, traditionally associated with poorer populations. This detail is not secondary: it reveals funerary practices, religious affiliations, and forms of community organization that shaped the Afro-descendant experience in the region.

The churchyard, more than a burial site, functioned as a symbolic space of memory, faith, and continuity.

More than a name recorded in a death register, Maria Africana represents a silenced collective memory. Her existence points to a broader context of slavery, uncertain post-abolition conditions, and structural continuities that extended across generations.

These are histories that do not appear in grand official narratives, yet sustained, in everyday life, the economic, cultural, and religious formation of the region.

Bringing these memories to light is not only about recovering the past, but also about questioning the absences and silences within historiography itself. Who were these individuals? How did they live? What networks of sociability did they build? Which cultural practices did they preserve or transform?

In this sense, Maria Africana ceases to be merely a record and becomes a key to understanding the African presence in Itaúna — not as a marginal element, but as a constitutive part of its history.


María Africana

La presencia de africanos y afrodescendientes en Itaúna revela dimensiones profundas de la formación histórica local, a menudo invisibilizadas en los registros oficiales.

Nombres como el de María Africana, identificados en documentos parroquiales del siglo XIX, no deben leerse únicamente como datos aislados, sino como vestigios de trayectorias humanas marcadas por el desplazamiento, la resistencia y la reconstrucción de la vida en territorio brasileño.

La designación “Africana”, frecuentemente atribuida en los registros, no es solo una identificación geográfica — lleva consigo las marcas de un sistema que reducía a los individuos a su origen, borrando identidades personales, historias familiares y pertenencias culturales.

Aun así, es precisamente a través de estas brechas documentales que se hace posible reconstruir, aunque sea parcialmente, la presencia activa de estos sujetos en la conformación social de Itaúna.

María Africana es también una entre los muchos enterramientos realizados en el atrio del Rosario, espacio vinculado a la Iglesia de Nuestra Señora del Rosario, tradicionalmente asociado a las poblaciones más pobres. Este dato no es secundario: revela prácticas funerarias, pertenencias religiosas y formas de organización comunitaria que marcaron la experiencia afrodescendiente en la región.

El atrio, más que un lugar de enterramiento, se constituía como un espacio simbólico de memoria, fe y continuidad.

Más que un nombre registrado en un libro de defunciones, María Africana representa una memoria colectiva silenciada. Su existencia remite a un contexto más amplio de esclavitud, de una posabolición incierta y de permanencias estructurales que atravesaron generaciones.

Son historias que no aparecen en los grandes relatos oficiales, pero que sostuvieron, en la vida cotidiana, la formación económica, cultural y religiosa de la región.

Sacar a la luz estas memorias no implica únicamente recuperar el pasado, sino también problematizar las ausencias y los silencios de la propia historiografía. ¿Quiénes fueron estas personas? ¿Cómo vivieron? ¿Qué redes de sociabilidad construyeron? ¿Qué prácticas culturales preservaron o transformaron?

En este sentido, María Africana deja de ser solo un registro y se convierte en una clave de lectura para comprender la presencia africana en Itaúna — no como un elemento marginal, sino como parte constitutiva de su historia.


Cemitério do Adro do Rosário de ItaúnaPatrimônio Imaterial

AFRICANOS NA HISTÓRIA ITAUNENSE

Referência:

Pesquisa, organização e arte: Charles Aquino - Historiador Registro Nº 343/MG

Itaúna - Óbitos 1840, Jan-1888, Fev Imagem 7. Family Search


quarta-feira, dezembro 29, 2021

PADRE DOMINGUES MAIA


SEPULTAMENTO DO 1º PÁROCO PARÓQUIA SANT'ANA DE ITAÚNA/MG -  1849


No ano de 1849, o arraial de Sant’Ana do Rio São João Acima, atual cidade de Itaúna, vivia um momento de consolidação religiosa e comunitária. A vida espiritual da pequena povoação girava em torno de sua igreja matriz e da figura dos padres que conduziam as celebrações e os sacramentos. Nesse contexto, destaca-se a figura do Reverendo Vigário Antônio Domingues Maia, considerado um dos primeiros párocos a exercer suas funções pastorais na localidade.

Conforme o registro de óbito datado de 28 de agosto de 1849, o Reverendo Domingues Maia foi sepultado na própria Igreja Matriz de Sant’Ana, símbolo do núcleo religioso que mais tarde se tornaria o coração da futura cidade de Itaúna. Seu funeral foi acompanhado por três sacerdotes — Paulino Alves da Fé, José Joaquim Ferreira Guimarães e José Fernandes Taveira —, o que demonstra a importância que o vigário possuía entre o clero regional. O registro do enterro foi lavrado pelo Vigário Encomendado João da Cruz Nogueira Penido, cuja assinatura figura no livro de óbitos entre os anos de 1847 e 1853.

A menção ao local do sepultamento — “na Matriz” — reforça o costume, comum no século XIX, de enterrar figuras de destaque no interior das igrejas, especialmente padres, benfeitores e membros das irmandades. Assim, a memória de Domingues Maia se entrelaça à própria história do templo e da comunidade que ali se estruturava, marcando um dos primeiros registros conhecidos de atuação e falecimento de um sacerdote no território itaunense.

O documento, preservado digitalmente pelo FamilySearch, constitui uma das provas mais antigas da organização eclesiástica local, revelando o enraizamento da fé católica nas origens da cidade. Hoje, ao revisitar esse registro histórico, reconhecemos no nome do vigário e na data de seu falecimento um marco da trajetória religiosa de Itaúna — herança espiritual que se perpetua no Morro do Rosário, espaço sagrado e de memória coletiva da comunidade.



Referências:

Pesquisa & Organização: Charles Aquino – Historiador/Registro n º 343/MG

Fonte: Livro de óbitos 1841/1853, Santana/Itaúna, Imagem 75,  Disponível em Family Search.org  

sábado, dezembro 25, 2021

TABLOIDE PEDRA NEGRA

AFRODESCENDENTES EM ITAÚNA
O tabloide PEDRA NEGRA desempenha um papel crucial na preservação e valorização da história e cultura afro-brasileira na cidade de Itaúna, Minas Gerais. A proposta de ser uma janela para o passado e uma porta para o presente, combinada com a missão de registrar e resgatar o patrimônio tangível e intangível da comunidade afro-brasileira local, torna este projeto um recurso valioso tanto para a comunidade quanto para a sociedade em geral. Vamos explorar criticamente os principais aspectos desta iniciativa.

PEDRA NEGRA se destaca pela sua dedicação em registrar fatos históricos significativos que moldaram a cidade de Itaúna, especialmente aqueles relacionados à população afro-brasileira. Este foco é vital, considerando que mais de 70% da população original do arraial de Itaúna era de origem africana. 

Ao documentar e celebrar essa história, o tabloide contribui para a preservação de uma herança que muitas vezes é negligenciada ou marginalizada.

A preservação de patrimônios tangíveis, como documentos históricos, fotografias, e relatos orais, bem como intangíveis, como tradições culturais, práticas religiosas, e festas populares, é essencial para manter viva a memória e a identidade afro-brasileira. PEDRA NEGRA desempenha um papel fundamental ao garantir que essas histórias e tradições não sejam esquecidas, mas sim transmitidas às futuras gerações.

Ao abordar não apenas os fatos históricos, mas também as reflexões sobre o passado e o presente, PEDRA NEGRA se posiciona como uma plataforma de aprendizado contínuo. Este aspecto é particularmente importante, pois permite que a comunidade aprenda com os erros e acertos do passado, promovendo um futuro mais consciente e inclusivo.

A reflexão sobre eventos históricos permite uma compreensão mais profunda dos processos sociais e culturais que moldaram a cidade. Por exemplo, ao explorar a contribuição dos afro-brasileiros para a formação de Itaúna, o tabloide promove um entendimento mais amplo e justo da história local. 

Essa abordagem crítica e reflexiva pode ajudar a combater preconceitos e a promover uma maior valorização da diversidade cultural.

O compromisso do tabloide com a inclusão e a representatividade da cultura afro-brasileira é um de seus maiores méritos. Em um contexto onde a narrativa dominante muitas vezes exclui ou minimiza a contribuição dos afro-brasileiros, PEDRA NEGRA oferece uma plataforma onde essas vozes podem ser ouvidas e celebradas.

A representatividade é crucial para a construção de uma sociedade mais equitativa. Ao destacar as histórias e realizações dos afro-brasileiros de Itaúna, o tabloide não apenas honra o passado, mas também inspira as gerações atuais e futuras a reconhecer e valorizar sua própria herança cultural.

Apesar de seus muitos méritos, PEDRA NEGRA enfrenta vários desafios. Um dos principais é garantir a sustentabilidade do projeto a longo prazo. Iniciativas como essa frequentemente dependem do apoio de voluntários dedicados. Garantir um trabalho sério documentando e publicando materiais de qualidade é um desafio contínuo.

Além disso, existe o objetivo de alcançar um público mais amplo. Embora o foco principal seja a comunidade de Itaúna, a história e cultura afro-brasileira têm relevância nacional e até internacional. 

Expandir a distribuição e o acesso ao tabloide, possivelmente através de plataformas digitais, pode aumentar seu impacto e promover uma maior conscientização sobre a importância de preservar essa herança cultural.

O tabloide PEDRA NEGRA desempenha um papel indispensável na preservação da história e cultura afro-brasileira em Itaúna, Minas Gerais. Ao documentar fatos históricos, promover reflexões sobre o passado e o presente, e celebrar a contribuição afro-brasileira, o tabloide contribui significativamente para a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva.

Apesar dos desafios, a dedicação a essa missão e a busca por novas oportunidades de expansão podem garantir que PEDRA NEGRA continue a ser uma voz importante na valorização da herança cultural afro-brasileira.

 

Edições Tabloide Histórico:

Edição nº 1 ✅

Edição nº 2 ✅

Edição nº 3 ✅

Edição nº 4 ✅

Edição nº 5 

Edição nº 6 ✅


Saiba mais em: 

Afrodescendentes na História de Itaúna (Site) ✅


Organização e pesquisa: Charles Galvão de Aquino – Historiador  Registro nº 343/MG

Logo: Creative Market, a Dribbble company. All rights reserved. PNGWING: https://www.pngwing.com/pt/free-png-xgoba


Pedra Negra: Memory, Landscape and Identity in Itaúna (Minas Gerais, Brazil)

The relationship between place and memory plays a central role in the construction of local identities. In the case of Itaúna, in Minas Gerais (Brazil), the so-called “Pedra Negra” (Black Stone) emerges not merely as a geographical feature, but as a symbolic landmark deeply embedded in the collective imagination.

The very name “Itaúna,” derived from the Tupi language, means “black stone,” indicating the long-standing connection between landscape and identity in the region.

Pedra Negra functions as a point of observation, contemplation, and remembrance. From its elevated position, it allows a panoramic view of the city, transforming the act of looking into an exercise of memory reconstruction. The landscape becomes a repository of personal experiences and collective narratives.

However, the meaning of such places is not fixed. It is constructed over time through social practices, emotional attachments, and cultural representations. Pedra Negra, therefore, can be understood as a “site of memory” (lieu de mémoire), where individual and collective histories intersect.

Personal recollections associated with the site—childhood memories, urban transformations, and everyday experiences—interact with broader historical processes, including the development of the city and the changes in its social fabric.

At the same time, the symbolic power of Pedra Negra reflects a broader human tendency to anchor identity in physical space. Landscapes are not neutral; they are interpreted, narrated, and re-signified according to cultural and historical contexts.

By examining Pedra Negra through this perspective, it becomes possible to move beyond a purely descriptive approach and recognize its role as a dynamic element in the construction of memory and belonging.

Thus, Pedra Negra is not only a physical landmark. It is a cultural artifact, continuously shaped by memory, narrative, and identity in the history of Itaúna.

sexta-feira, novembro 19, 2021

ANNA EGIPCÍACA PARDA


 Aos vinte dois de Janeiro de mil oitocentos e cinquenta e dois foi sepultado no adro do Rosário o cadáver de ANNA EGIPCÍACA parda, de idade de quarenta e cinco anos, morfética. E para constar faço este assento em que assino. O Vigário Encomendado João Batista de Miranda.


Referências:

Pesquisa, Organização e Arte: C.A.

Fonte: Family Search :Santana Óbitos 1840, Jan-1888, Fev . Imagem: 1

Imagem: https://cutewallpaper.org/21/pictures-of-black-roses/view-page-21.html 

quinta-feira, novembro 18, 2021

ESCRAVIDÃO E LIBERDADE


19 DE SETEMBRO 1870


No mesmo dia batizei solenemente a BERTOLINO filho natural de BALBINA escrava de JOSÉ RIBEIRO AZAMBUJA, por quem foi declarado que era sua vontade de que o dito BERTOLINO gozará sempre de sua liberdade, por ele Azambuja outorgada, como se tivesse nascido de ventre livre e para constar ele Azambuja assinou neste termo. Foram padrinhos João Ribeiro de Azambuja e Maria Eufrásia da Conceição.   

 

Referencias:

Organização e pesquisa: Charles Aquino

Fonte: Family Search :Santana Batismos 1858, Dez-1876, Nov. Imagem 215 

sexta-feira, novembro 12, 2021

THERESA E ANNA ESCRAVIZADAS


 THERESA & ANNA ESCRAVIZADAS POR FRANCISCO


SANT'ANA SÃO JOÃO ACIMA - 1859

Aos três de Agosto de mil oitocentos e cinquenta e nove batizei solenemente a THERESA, filha natural de ANNA, crioula, escrava do ALFERES FRANCISCO ALVES DA CUNHA. Foram padrinhos Rufino Fernandes de Araújo, e Angélica Maria da Conceição. E para constar faço este assento. O Pároco João Batista de Miranda.

Referências:

Arte, Pesquisa e Organização: Charles Aquino

Fonte:https://www.familysearch.org/ark:/61903/3:1:S3HY-6SPS-2TD?i=6&wc=M5NZ-7MS%3A370027101%2C369941902%2C370591301&cc=2177275

Acervo: https://wallpaperaccess.com/black-hand#google_vignette

quinta-feira, novembro 11, 2021

GOVERNADOR DE MINAS GERAIS


No dia 16 de setembro de 1901, um marco significativo na história de Minas Gerais e, especialmente, para a população de Itaúna foi alcançado. Nesta data, o então Presidente do Estado de Minas Gerais, Dr. Francisco Silviano de Almeida Brandão, assinou a Lei nº 319, que elevou Itaúna à categoria de município.

Dr. Francisco Silviano de Almeida Brandão, um líder político visionário, foi eleito Presidente do Estado de Minas Gerais em sufrágio universal, refletindo a confiança e o respeito da população mineira em sua capacidade de governar e promover o desenvolvimento regional. Sua gestão foi caracterizada por um forte compromisso com o progresso e a modernização do estado, e a criação do município de Itaúna é um exemplo claro de sua dedicação ao crescimento das comunidades locais.

A Lei nº 319, assinada por Dr. Silviano Brandão, foi um divisor de águas para Itaúna. Até então, a região fazia parte de outras jurisdições administrativas, o que limitava seu desenvolvimento autônomo. Com a promulgação da lei, Itaúna ganhou autonomia política e administrativa, permitindo que seus moradores pudessem eleger seus próprios representantes, administrar seus recursos e planejar seu próprio futuro.

A criação do município de Itaúna foi um passo crucial para o fortalecimento da identidade local e para a promoção do bem-estar de seus cidadãos. Com o novo status, a cidade passou a atrair investimentos, desenvolver sua infraestrutura e fomentar a cultura e a educação. A autonomia conquistada proporcionou um ambiente propício para o crescimento econômico e social, beneficiando diretamente a população itaunense.

Dr. Francisco Silviano de Almeida Brandão é lembrado como um estadista que, ao assinar a Lei nº 319, não apenas cumpriu com suas responsabilidades administrativas, mas também demonstrou um profundo respeito e comprometimento com o futuro das comunidades mineiras. Sua visão e ações deixaram um legado duradouro que continua a ser celebrado por gerações de itaunenses.

Assim, a assinatura da Lei nº 319 pelo Dr. Silviano Brandão em 16 de setembro de 1901, marca um capítulo fundamental na história de Itaúna e de Minas Gerais, simbolizando a importância do reconhecimento e da valorização das identidades locais no contexto do desenvolvimento estadual.



Presidente do Estado de Minas Gerais (Governador) 
Assinou a Lei que criou o Município de Itaúna
Lei nº 319 de 16 de setembro de 1901

Dr. Francisco Silviano de Almeida Brandão
Presidente eleito em sufrágio universal 





Referências: 
Acervo: Wikipédia -  Lista de governadores de Minas Gerais.
Pesquisa, Organização e Arte: Charles Aquino

segunda-feira, outubro 25, 2021

terça-feira, outubro 19, 2021

HISTÓRIA DO TEATRO EM ITAÚNA

Pesquisadores da História do Teatro de Itaúna: em pé (da esquerda para a direita): Jerry Magalhães, Charles Telles, Charles Aquino, José Luiz Nicácio, Sílvio Bernardes, Fábio Corradi e Elimar Pereira. Sentados: Marco Antônio Lara, Celeste Assis, Regina Glória, Rebecca Corradi, Zanilda Gonçalves, Elina Dirce e Maurício José

 Uma exposição com enfoque para os 140 anos da História do Teatro em Itaúna vai marcar a reabertura do Museu Municipal Francisco Manuel Franco, no dia 16 de outubro de 2021, às 19h30. O evento, coordenado pelo produtor cultural e diretor de teatro Marco Antônio  Lara, acontecerá juntamente com o lançamento do livro “140 anos de História do Teatro”, fruto de pesquisa realizada por um grupo de artistas e historiadores, capitaneado por Marco Antônio. A exposição no Museu, sobre a memória das artes cênicas, será dividida em três momentos, correspondentes às fases delimitadas pelos pesquisadores. As duas primeiras mostras, referentes ao material garimpado dos anos de 1877 a 1939 e de 1940 a 1974, acontecerão no período de 16 de outubro a 19 de dezembro. A exposição do acervo correspondente à terceira fase, de 1975 aos dias de hoje, será realizada a partir de 22 de janeiro de 2022. 

Fotografias, cartazes, panfletos, peças teatrais, material cenográfico e figurinos irão compor a exposição histórica. A memória das artes cênicas em Itaúna está sendo pesquisada desde 2018 e vai enfocar as primeiras manifestações do teatro na cidade, do final do século XIX, com o mestre-escola José João Rodrigues Gomide, até os dias atuais, com os jovens atores e atrizes Itaunenses. 

Segundo Marco Antônio, a “Instável Cia. de Teatro”, que ele dirige e que tem em seu currículo uma série de grandes espetáculos teatrais, como “Equus”, de Peter Shaffer, “O rei está morrendo”, de Eugène Ionesco, “As cigarras do sertão”, de Mário Matos, “Macbett”, de Eugène Ionesco, entre outras, coordenou o trabalho de pesquisa e está finalizando a montagem de uma peça teatral para esse momento. Trata-se do espetáculo “Esperteza do Rato”, encenada aqui em 1877, com a participação de José João Rodrigues Gomide, Antônio do Bá e Flávio de Faria Santos. O texto é de autoria do português Rangel de Lima, e foi levado ao palco pela primeira vez em 1867, em Lisboa, no Theatro Gymnasio. Na encenação da Instável Cia. de Teatro, sob a direção de Marco Antônio, o elenco contará com Léo Tryndade, Gustavo Sol, Carol Morais, Regina Glória, Jerry Magalhães e Flávia Matos. A peça será encenada no palco do Ponto de Cultura, no asilo Frederico Ozanan. O projeto de resgate dos 140 anos da história do teatro em Itaúna captou recursos através do Fundo Estadual de Cultura e conta com apoio da Prefeitura.





Referência:


Fotografia: Williane Nunes Leão

sábado, outubro 16, 2021

MURILO ALVARENGA




Murilo Alvarenga nasceu na cidade mineira de Itaúna em 22 de maio de 1912. O artista trabalhou como cantor, compositor e humorista, atuando no teatro, rádio e cinema, entre as décadas de 1930 e 1970. Ao lado de Diesis dos Anjos Gaia, Delamare de Abreu e Homero de Souza Campos, sucessivamente, formou a mais famosa dupla do cancioneiro popular brasileiro: Alvarenga e Ranchinho.

Explique-se: houve três formações diferentes da dupla Alvarenga e Ranchinho, sendo que Alvarenga permaneceu em todas. Esteve com Diesis entre 1933 e 1938 e, depois, entre 1939 e 1965; com seu meio meio-irmão, Delamare, Alvarenga atuou esporadicamente na década de 1950. Homero foi seu parceiro mais longevo: atuaram juntos entre 1965 e 1978, ano da morte de Alvarenga. Alvarenga chegou também a formar outra dupla, Alvarenga e Bentinho, com o artista José Vosno Filho, compondo uma das principais atrações do Casino da Urca, no Rio de Janeiro. Foi com Bentinho que esteve no Recife em 1942.

Era costume do DOPS/PE fichar os artistas em trânsito no momento em que chegavam à cidade para se apresentar em alguma casa de espetáculos, teatro ou festividade. No caso de Alvarenga, permanece a dúvida quanto ao ano de registro. A ficha de Alvarenga não possui data do registro, mas sim a sua idade: 29 anos, quando se sabe que ele nasceu em 1912. De fato, o registro pode ter ocorrido em 1941. Porém, é frequente encontrar erros nas fichas da DOPS/PE. Neste caso, o mais provável é que o registro tenha sido feito em 1942.

As duplas formadas por Alvarenga – fosse com Ranchinho ou com Bentinho – eram consideradas, cada uma a seu tempo, a mais popular do Brasil. Mas os chamados Milionários do Riso não gozavam de unanimidade. Alguns intelectuais da época menosprezaram o seu estilo popular. Exemplo destes foi o teatrólogo e jornalista pernambucano Valdemar de Oliveira, que lamentava o popularesco no rádio, considerando as duplas caipiras Jararaca e Ratinho e Alvarenga e Ranchinho artistas de péssimo gosto e sem representatividade cultural.

Alvarenga e Ranchinho misturavam apresentações musicais com toadas e modas de viola, além de paródias e sátiras políticas que causaram problemas com a polícia em algumas ocasiões. A música “Liga dos bichos” (1936), cuja letra relacionava os políticos a animais, causou problemas com a censura, que viu na canção uma alusão a Osvaldo Aranha, um dos principais ministros do presidente Getúlio Vargas. Levados à presença do presidente, Getúlio, ao ouvir a canção, não viu problemas e liberou a dupla.  Alvarenga trabalhou nas principais emissoras de rádio da época e no cinema. Faleceu no dia 18 de janeiro de 1978.


ALVARENGA & RANCHINHO 




Referencias:

Texto & Acervo:  O Obscuro Fichário dos Artistas Mundanos: Disponível em: http://obscurofichario.com.br/fichario/murilo-alvarenga/

Acervo Batismo Murilo Alvarenga: Family Search – Batismos em Itaúna – 1901 a 1918 imagem 118. Disponível em: https://www.familysearch.org/ark:/61903/3:1:939N-DS9N-V1?i=117&wc=M5F8-6TT%3A370882003%2C369941902%2C370896201&cc=2177275

Vídeo do YouTube: Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=8WOTNBQoxO8

Acervo: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Alvarenga_e_Ranchinho,_1957.tif

Organização para o Blog: Charles Aquino