Ele
escreveu esp'rança à portuguesa e não
esperança, sonoramente à brasileira. São versos da Revista " Cigarra do
Sertão", que João Lima, Mário Matos e eu escrevemos, já la vai um punhado
de anos.
Basta o esp'rança para se descobrir que a quadra
saiu da pena lírica de João de Cerqueira Lima.
Posto que
tinha vindo bem pequeno para o Brasil, a linguagem revela desde logo a
origem.Mamou o leite materno em
Portugal, na Beira, em Castanheira de Pêra, onde viu a luz pela primeira vez,
no dia 21 de abril de 1870.Menino e não
moço ainda, levou-o o destino pra longes terras. Seus pais, Antônio de
Cerqueira Lima e Maria Júlia de Cerqueira Lima, resolveram abandonar a pátria e
emigrar, com os filhos, para o Brasil.
A
imaginação de sonhador, o espírito de aventuras, a alma de romântico, a ânsia
do desconhecido, o desejo de viagens fantásticas, a ilusão de mundos novos,
virgens e ignotos em remate, os mares de D. Afonso Henriques, a alma portuguesa
enfim, sonhadora e romântica, lírica e aventureira, insôfrega e destemerosa, irrequieta e angustiada não permitiram que
o lusitano Antônio de Cerqueira Lima envelhecesse calmamente, mansamente, no
pátria amada.
Por isso,
com a família, atravessou o Atlântico, rumo ao Brasil, isto é, ao desconhecido,
em viagem perigosa, que todas eram, naquela época. Chegado que foi ao Rio de
Janeiro mete-se com a família pelo interior, e junto com os tropeiros,
cavalgando ásperos burros de cela, afundou 600 léguas sertão bruto a dentro,
atravessando a perigosíssima serra da Mantiqueira, onde tinha seu quartel bem
organizada quadrilha de gatunos, que para roubar, matavam os viajantes
desprevenidos.
E veio
com a família terminar viagem no centro, no coração de Minas Gerais, instalando-se
na cidade de Bonfim, onde se estabeleceu com uma casa comercial. Seu filho, o
nosso João de Cerqueira Lima, contava apenas 10 anos de idade, e, para fazer a
viagem, acompanhando os pais, interrompera os estudos primários que frequentou
apenas durante 6 meses.
O menino
João de Cerqueira Lima, ajudava o pai, por todos os meios ao seu alcance, não
rejeitando serviço por duro ou pesado, indo de servente de pedreiro a caixeiro
do pai, da casa de comércio. As compras para sortimento de negócio, eram feitas
em Sant'Ana de São João Acima, na casa de comércio de Manoel Gonçalves de
Souza Moreira.
Nota-se,
de passagem, a força, o poder deste arraial de Sant'Ana, a futura cidade de
Itaúna. Era o arraial grande e poderoso empório comercial, onde havia dois
estabelecimentos notáveis, a casa de Manoel Gonçalves de Souza Moreira e a casa
de Josias Nogueira Machado. Assombroso, por numerosíssimo, era o movimento de
tropas e tropeiros, que de Sant'Ana de São João Acima partiam em todas as direções.
O pequeno e modesto arraial supria de tudo, fornecendo, qualquer mercadoria,
não só a muitos arraiais como ainda a várias cidades.
Antônio
de Cerqueira Lima, porém, não prosperou. Ou porque fosse muito bondoso ou
porque o estabelecimento não rendesse o suficiente para sustentar a família, o
certo é que fracassou o empreendimento comercial, falindo. Como consequência,
ficou devendo a Manoel Gonçalves de Souza Moreira a importância que montava a
um cento e tanto. Sempre foi o português Antônio de Cerqueira Lima homem e correto,
e, no descalabro de seu negócio, tomou as providências necessárias para saldar
todas as dívidas. Não encontrou, porém, jeito de fazer o pagamento, a Manoel
Gonçalves de Souza Moreira, e o recurso foi mandar o filho João trabalhar como
caixeiro, até que fosse feito pagamento total, aos poucos, mediante um minguado
ordenado que recebia.
E João de
Cerqueira Lima, quando veio para Sant'Ana de São João Acima, trabalhar para
pagar a dívida paterna, contava apenas 11 anos. Uma criança que precisava de
brinquedos, ia lutar duramente, com a grave responsabilidade de saldar a dívida
contraída pelo progenitor. Deixou o pai amado, e a mãe idolatrada, os irmãos
queridos e, montado num burrico qualquer, partiu para o arraial bravo, cheio de
lutas e ambições, de gente aventureira, que surgia de todas as bandas, sem
freios e nem policiada, onde todas as noites havia rixas e desavenças, tiros e
facadas, feridos e mortos.
Partiu
com 11 anos de idade, mal sabendo ler e fazer contas para trabalhar para um
patrão severo e rigoroso. Conseguiu com paciência e tenacidade pagar a dívida,
tendo mais resignação que o Jacó da Bíblia, pois levou 11 anos trabalhando para
pagar tudo. Entrou para a casa com 11 anos de idade e a deixou com 22 anos, recebendo,
após o acerto de contas, a importância de uma pataca.
Bendita a
hora, em que chegou a Sant'Ana de São João Acima o menino João de Cerqueira
Lima! Bendita dívida, que obrigou o menino João de Cerqueira Lima a permanecer
em Sant'Ana.
Por que João
de Cerqueira lima veio a ser um dos maiores vultos de Itaúna? Porque foi ele
quem consolidou a Fábrica de Tecidos Santanense, na iminência de um geral
fracasso. Porque foi ele que ergueu, junto com Dr. Augusto Gonçalves de Souza a
Cia. Industrial Itaunense, de que foi a alma. Porque Itaúna deve a João de
Cerqueira Lima a riqueza que possui, a grandeza que ostenta, o progresso que
causa admiração, a força industrial que a anima.
Sim,
porque, se não fossem criadas as duas poderosas as duas poderosas indústrias de
tecidos, que se devem em última análise, a João de Cerqueira Lima, Itaúna
estaria hoje modorrando ao sol, como cidade morta.Mas, continuemos a seguir a vida do lutador.
O
trabalho de caixeiro lhe dava poucas horas de folga, que era, porém bem
aproveitadas pela criança inteligente e séria. E só podia dispor desses raros
momentos de fazer, pois aos domingos e dias santos. O trabalho era dobrado. Em
geral, as populações das roças, fazendeiros e lavradores, preferiam os domingos
e dias santificados para as compras. Vinham à missa, passavam e faziam compras
necessárias. Havia, assim, nos dias destinados ao descanso, desusado movimento,
verdadeira azafama, que punham os pobres caixeiros numa roda viva.
O menino,
cujo caráter a dureza da vida amoldara rijamente, nas horas vagas, ao invés de
brincar ou passear, tratava de estudar, procurando compreender consigo mesmo o
que não pode fazer na escola, por a ter frequentado somente seis meses.
Formoso
exemplo de autodidata. E não foi o único que apareceu em Sant'Anna. Mais dois
pelos menos merecem ser citados e foram Aureliano Nogueira Machado, cujo
diploma de farmacêutico trazia a assinatura de D. Pedro II e Joaquim Marra da Silva,
o jornalista de linguagem correta e castiça, foram mais ou menos
contemporâneos, ainda que João de Cerqueira Lima fosse bem mais moço.
O fato
exato é que João de Cerqueira Lima, em pouco tempo, sem professor e sem guia,
fazia a escrita da cassa, com perícia e perfeição como competente contabilista,
isto, aos 16 anos de idade, isto é, cinco anos depois que bons ventos o
trouxeram para Sant’Anna. Quando contava 20 anos, teve que assumir a direção da
casa, porque Manoel Gonçalves de Souza adoecera de reumatismo e ficara preso ao
leito, entrevado, durante quase 2 anos.
Entreou o povo de Sant'Anna a
murmurar que o negócio iria por água abaixo, porque o jovem João de Cerqueira
Lima não daria conta do recado, e, faltando o chefe, que sempre esteve à
frente, tudo iria mal. E muita gente boa antegozava o fracasso do negócio, numa
satisfação mal dissimulada. A fim de estimular o rapaz e dar-lhes mais ânimo.
Manoel Gonçalves de Souza Moreira prometeu-lhe dez por cento sobre os lucros,
se os houvesse.
Curado o
patrão, tornou a assumir a direção de seu estabelecimento comercial, e, foi
quando houve a desavença, que os separou. A casa dera mais lucros sob a direção
do moço do que antes. Parece que o patrão não gostou, e, no acerto de contas,
houve atrito e discussão, e, como resultado, o moço João de Cerqueira Lima
deixou a casa, onde trabalhou 11 anos seguidamente.
Por esse
tempo já andava de namoro com a senhorita Ana, na intimidade Aninha, filha do
Coronel Manoel José de Souza Moreira. Na igreja, que foi mais tarde demolida, situada
no largo da Matriz, durante a missa, é que ele via a namorava o brotinho
Aninha. Como a semana demorava a passar, para que chegasse o abençoado domingo!
E era um instante apenas, pois tão pouco lhe parecia a meia hora da missa,
finda a qual corria para o balcão, a atender o povo das roças, que queria fazer
compras.
A moça Ana ficou verdadeiramente apaixonada
pelo rapaz, que era elegante, de boas falas e já perito na metrificação. Com
certeza, compôs lhe muitos madrigais apaixonados, poeta que era, mas possível
não foi obter sequer uma poesia a esse respeito.Manoel José de Souza Moreira, via o namoro
com bons olhos, pois adivinhava no moço, honesto, sério e trabalhador, um homem
de futuro.Não pensava, assim, o filho
de Manoel Gonçalves de Souza Moreira, o Manoelzinho ou o Moreira, como era
chamado.
Com o
amparo do pai e do irmão da jovem, Jovino Gonçalves de Souza, o namoro
progredia, para em breve chegar ao noivado. Dizem que Manoel Gonçalves de Souza
Moreira, o Manoelzinho, fizera grande oposição, chegando a ponto de oferecer à
mana a quantidade de cem contos de reis, fortuna imensa naquele tempo, para que
ela abandonasse o João Lima, não se casando com ele. Parece lenda, porque a
importância é mesmo fabulosa. O fato é que a menina Aninha não quis saber do
dinheiro, porque estava doidinha para se casar com o João.Pelo menos diz, um antigo jornalzinho, que se
publicou em Itaúna:
- "A menina Aninha queria porque queria
casar com o João, e, quando escutava o sino da Matriz, era assim que o sino
falava: Casa com o João que o João é bom! Casa com o João que o João é bom!
Ouviu o conselho do sino e casou mesmo com o João".
Já nesse
tempo de namoro, negociava João de Cerqueira Lima de sociedade com Jovino
Gonçalves de Souza, seu futuro cunhado, de quem era muito amigo. O casamento de
João de Cerqueira Lima e Ana Gonçalves de Souza foi celebrado no ano de 1894,
na mesma Matriz, onde começaram o namoro.
Tratava-se
por esse tempo, da construção da Fábrica de Tecidos Santanense, empresa
gigantesca para aqueles tempos remotos. Manoel José de Souza Moreira com seus
irmãos José Gonçalves de Souza, Francisco Gonçalves de Souza e Vicente
Gonçalves de Souza, e, também, seu filho Manoel Gonçalves de Souza Moreira
estavam edificando ou construindo a Fábrica, cujo capital inicial era de
seiscentos contos, um capital muito elevado, considerada para a época. As
dificuldades eram imensas, basta lembrar que, desde o Rio de Janeiro até
Sant'Ana de São João Acima, todas as máquinas, e muitas eram pesadíssimas, tiveram
que ser transportadas nos lombos dos burros ou em carros de bois, numa viagem
lenta que durava meses.
E as
dificuldades foram sempre subindo de ponto, de tal jeito que a turma desanimou
e estava resolvida a liquidar a incipiente Fábrica. A turma, não. É preciso
explicar bem. Manoel José de Souza Moreira não desanimou nem concordou ou
consentiu que se liquidasse a empresa. Desanimado, o filho Manoel não quis mais
continuar à frente do empreendimento. Nesse ponto, foi lembrado João de
Cerqueira Lima e o sogro o levou para a direção da Fábrica. Deixou assim, o
comércio, no ano de 1895, para assumir a gerência da Fábrica de Tecidos
Santanense.
Em pouco tempo,
reergueu a empresa, evitando que se perdesse tanto esforço e tanto capital. Não
pode, porém, continuar muito tempo, pois houve grave atrito e desavença com o
cunhado Manoel Gonçalves de Souza Moreira, que, afinal, voltou a dirigir a
indústria de tecidos.
João Lima
retornou ao comércio, estabelecendo-se com nova casa comercial, à rua Silva
Jardim, esquina com Artur Bernardes, onde hoje está a casa de seu filho João de
Cerqueira Lima Júnior. A primeira casa comercial de sociedade com Jovino Gonçalves
de Souza estava situada na mesma rua, porém, mais abaixo, mais ou menos onde
está hoje a casa do Sr. Francisco Guimarães, à praça Luiz Ribeiro.
Ali na
rua Silva Jardim, negociou até o ano de 1911 quando se deram dois fatos
auspiciosos para Itaúna: - A chegada da Estrada Oeste de Minas e a Fundação da
Companhia Industrial Itaunense.
João Lima
vendeu a casa comercial e foi ser diretor gerente da Cia. Industrial Itaunense,
que dirigiu, administrando, com muito tino e argúcia, até o ano de 1938, em que
já doente passou a cargo a seu filho José de Cerqueira Lima, que é o atual
diretor gerente. Itaunense notável entre os mais notáveis, ainda que nascido em
Portugal, João de Cerqueira Lima passou toda a vida em Itaúna, desde a infância
à velhice, dedicou toda a existência a este torrão bendito de Sant'Ana de São
João Acima.
Por esta
terra lutou, empenhando todas as forças e recursos em todos os setores, quer no
social e político que no econômico ou industrial. Não se indigita cometimento
de vulto em Itaúna que não traga a marca do lutador resoluto, não há fato de
importância que não ostente algum sinal de sua presença.
Entretanto,
não quis o destino que, assim como não nascesse em Sant’Anna, viesse, também, a
falecer na cidade que ajudara eficientemente a edificar e amava tanto. Grave
enfermidade o levara ao Rio de Janeiro, na intenção não só de lhe minorar os
padecimentos, como, e principalmente, de prolongar a existência.
Nascera
esse grande itaunense (seja -se permitido dizer assim, que fora sempre, como os
maiores, de toda a alma e coração) em Portugal e falecera, no Rio de Janeiro.
Caprichos do destino. Falecido na Capital Federal, a 11 de setembro de 1942,
foi o corpo conduzido para Itaúna, em cujo cemitério municipal, foi inumado no
dia 12.
No dia da
chegada do corpo em Itaúna, imensa multidão encheu o largo da Matriz, havendo
encomendação assistida por toda a população, que contrita, ou em prantos ou em
preces fervorosas, assim homenageava o grande homem, tão estimado de todos, já
dos ricos, a quem, sempre, amparou ou antes ajudou a enriquecer, já dos pobres
e da engrandecida mole de operários, a quem amenizou a dureza da existência,
oferecendo trabalho, propiciando meios dignos de subsistência.
Itaúna
precisava de render uma homenagem de relevo ao grande filho, não só num preito
de gratidão, mas principalmente num elegante gesto de justiça. É verdade que a
rua onde se localizou a Fábrica de Tecidos que fundou, consolidou e dirigiu,
com competência, brilho e dignidade, recebeu seu nome, conforme decreto do
Prefeito de então.
Além da
rua João de Cerqueira Lima, que lembra o nome do imorredouro itaunense, há
necessidade outra homenagem maior, de imponência e de culto condizentes com a
grandeza rebrilhante do homenageado.
Deixou os
seguintes filhos, que seguem o exemplo paterno, na honradez, no trabalho, na
dignidade e na inteligência: José, João, Afonso, Manoel Maria e Alice. Havia o sétimo,
Ana moça prendada, que adoecendo de gripe pulmonar, no Colégio de Mariana, onde
estudava como aluna interna, partiu ainda gravemente enferma para Itaúna, onde
veio a falecer poucos dias depois. Morrera na flor da idade, quando contava 18
anos.
Além
desses filhos, houve mais três, que faleceram, quando pequenos: O 1º José, a 1ª
Ana, a 1ª Maria.Houve, pois, dois
filhos com os nomes José, Ana e Maria. Em
memória, aqui ficam estas palavras, como singela homenagem de Itaúna agradecida
a João de Cerqueira Lima.
Década 1911
SEGUNDA BIOGRAFIA
(*1870/ +1942)
**Torres do VALE
Célebre
personagem que se fez dentro de nossa terra e que aqui chegara aos 10 anos de idade,
vindo antes das Plagas Lusitanas, natural de Castanheira de Pêra bem ao pé de
Coimbra, onde nascera a 21 de abril de 1870, filho de Antônio de Cerqueira Lima
e de Maria Júlia Baeta Neves. Já então Maria Júlia de Cerqueira Lima, nome
registrado em Portugal de conformidade com a herança matrimonial, era irmã do
velho Caetano Baeta neves, de muitos anos antes, radicado em nossa vizinha
cidade de Bonfim.
Em 1879
Antônio de Cerqueira Lima viera ao Brasil preparar ambiente de trabalho para
trazer mais tarde sua família, que havia deixado em Portugal.Dirigiu-se logo que chegou a Minas, para a
cidade de Bonfim, onde exercera a função de pedreiro, trabalhando na construção
da Igreja daquela localidade.
Um ano depois,
fim de 1880, voltou a Portugal para buscar a família. João de Cerqueira Lima
que já trabalhava em Portugal como auxiliar de pedreiro caiu certo dia de um
pinheiro e esteve prestes a amputar sua perna esquerda, mas, o destino reservou-lhe
a cura do ferimento e viu-se livre de perder a perna.
Quando a
família, pressurosa leu no jornal os nomes de passageiros do navio que levava
de regresso Antônio de Cerqueira Lima, sentiu-se feliz, porém já lhe falecido
sua filha menor Maria Guilhermina, que falecera em terna idade. Seus filhos até
então restantes eram: João de Cerqueira Lima, Cristina de Cerqueira Lima e
Fortunata de Cerqueira Lima, os quais foram aos cais do porto, assistir ao
desembarque de seu pai Antônio de Cerqueira Lima.
Assim que
viram surgir um senhor de fisionomia atraente e de barbas negras, correram-lhe
ao encontro e perguntaram-lhe: É o senhor, nosso pai Antônio de Cerqueira Lima?
Acolhidos pelo papai, seguiram juntos.Indescritível a euforia de todos em sua residência. Desde então,
prepararam a mudança e em janeiro de 1881 vieram para o Brasil.
Chegados
ao Rio de Janeiro em fevereiro de 1881, logo que obtiveram a devida licença
para o desembarque, foram para a quinta dos Irmãos Bebiano, fortes comerciantes
de secos e molhados, estabelecidos na rua 1º de março, no Rio de Janeiro, e
primos de Maria Júlia de Cerqueira Lima, onde permaneceram durante cinco dias e
dali se transportaram com destino a minas seguindo diretamente para a cidade de
Bonfim, onde passaram a residir.
Quatro
anos depois, em 1885 resolveu Antônio de Cerqueira Lima seguir com a família
para o povoado de Papagaios de Pitangui, onde passaria a comerciar. Foi nessa
ocasião que João de Cerqueira Lima que havia ficado em Itaúna, para trabalhar
como caixeiro junto à Firma Comercial Moreira e Filhos, assumir aos seus quinze
anos de idade responsabilidade do pagamento de um débito de seu pai de trinta
contos de reis (30:000$000) dinheiro que havia obtido por empréstimo, para
abrir casa comercial em Papagaios MG.
E foi com
a máxima pontualidade que o filho lhe cobriu o débito.Tais foram os dotes de atividade, horandez e inteligência do menor João de
Cerqueira Lima, que três anos depois, aos seus dezoito anos de idade,
elevava-se ao cargo de Guarda-Livros da firma e dois anos depois, aos vinte de idade,
ao cargo de gerente da mesma firma. Na qualidade de gerente da firma, casou-se
com Dona Ana Gonçalves de Souza Moreira que passou a assinar Ana Gonçalves Lima
e estabeleceu-se por conta própria com uma pequena casa de comércio que lhe dera
possibilidade de vencer.
Capacitado
para o comércio e para a indústria, foi escolhido para gerente da Companhia de
tecidos Santanense, que na ocasião estava em grande dificuldade. Ao lado de seu
cunhado Dr. Augusto Gonçalves de Souza e de seu cunhado Cel. Antônio Pereira de
Matos, fundou em 1911 a Companhia Industrial Itaunense, que foi uma de suas
maiores vitórias e como prêmio de seu alto espírito moral e empreendedor. Basta
dizer que em 1912 a referida empresa esteve quase a abrir falência, tal era seu
excesso de produção, sem a satisfatória procura da mercadoria fabricada, em seu
ainda restrito mercado de consumo.
Entretanto,
sorria-lhe o destino, pois, em 1914 explodiu a Primeira Guerra Mundial todo o
estoque fabricado com o máximo de procura, foi rapidamente vendido. E daí para
diante, vemos à nossa frente a grande realização de João de Cerqueira Lima.
Além de
tudo isto, era João de Cerqueira Lima exímio poeta e escritor, porem só
escrevia e manifestava suas produções literárias a amigos íntimos, pois, sua
modéstia jamais permitiu que ele publicasse o que escrevia. Chegou a colaborar
com Mário Matos e Lincoln Nogueira Machado em várias revistas, sendo que, na
última delas, fez trabalhar como protagonistas, seu filho José de Cerqueira
Lima e sua nora Adalgisa Matos.
Mais
tarde impossibilitado de continuar em Itaúna por motivo de falta de saúde
transferiu-se com sua família para o Rio de Janeiro, onde faleceu a 11 de
setembro de 1942 aos setenta e dois anos de idade e recebeu sepultura nesta
cidade de Itaúna.
Década 60
Referências:
*Primeira Biografia deDr.Lincoln Nogueira: Revista
Acaiaca (Celso Brant / Ano:1954)
**Segunda Biografia de Torres do Vale: Arquivo
Dr. Antônio Augusto de Lima Coutinho. Professor Marco Elísio Chaves Coutinho.
Revisão Biográfica: Afonso
Henrique da Silva Lima
Textos
digitados conforme originais
Pesquisa e Organização: Charles
Aquino, graduado em História pela Universidade do Estado de Minas Gerais / UEMG
- Divinópolis/MG.
Acervo fotográfico: Prof.
Marco Elísio Chaves Coutinho.
"Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem" João 10.14
Estamos em 1912, no último dia 31 de dezembro, nas despedidas do ano velho, que acena para o ano novo de 1913. Nos derradeiros momentos, quando todos festejam a passagem do ano, no velho casarão da Avenida Getúlio Vargas, Dona Custódia de Souza Moreira festeja de um modo todo peculiar, trazendo ao mundo mais um herdeiro, de uma prole numerosa de 15 filhos.
Seu pai, Virgílio Gonçalves de Souza Moreira o deixou muito cedo, com apenas 1 ano e 8 meses. São suas essas palavras: "Como seria bom, se eu pudesse ter conversado e discutido vários assuntos com meu pai".
Menino estudioso, inteligência brilhante, começou seus estudos no Grupo Escolar Dr. Augusto Gonçalves, surpreendeu por sua rara inteligência, ao ser alfabetizado antes dos sete anos, só porque ia à escola com sua irmã, professora, e lá ficava brincando embaixo da mesa. Gostava de trabalhar, nos momentos de folga escolar, no Armazém de seu cunhado Augusto Rodrigues, como também no Armazém de seu outro cunhado Cícero Franco. O menino Hilton transportava também, a correspondência dos correios, fazendo longas caminhadas.
Sentiu vocação para ser padre e, apoiado pela família, principalmente sua mãe e o então vigário Padre Cornélio Pinto da Fonseca. Foi estudar em Belo Horizonte, no Seminário do Coração Eucarístico de Jesus, pelos idos de 1925. Continuava bom aluno, obediente e aplicado. Sentindo, no entanto, dúvidas sobre sua vocação, pediu permissão à sua mãe, para se retirar do Seminário. Claro, essa sua decisão entristeceu muito aos seus familiares, mas foi aceita e respeitada. Fez opção pela carreira de professor indo lecionar em Sete Lagoas. Nessa época escreveu um romance ainda inédito intitulado "A Voz do Coração".
Sua mãe adoeceu e o fez voltar para Itaúna para fazer-lhe companhia nos últimos anos de sua vida. Passou a lecionar Português e Matemática na Escola Normal Oficial de Itaúna. Durante toda a sua vida gostou muito das coisas do campo e, seu tempo livre empregava-o como hortelão, cuidando de uma enorme horta no fundo da sua casa.
Pouco depois da morte de sua mãe, em 1936, o jovem Hilton sentiu novamente o chamado de Deus e, agora, sobe os degraus do Seminário muito mais firme, convicto da vocação e mais ligado à Deus. As dúvidas e as indecisões ficaram para trás. Padre Hilton viveu sua vida dedicada à Deus plenamente!
Seus estudos e orações foram coroados de êxito com sua ordenação em 1944, na Matriz de Sant'Anna, com uma grande festa. Teve por padrinhos seu irmão Manoel Gonçalves de Sousa e o Prefeito da cidade de Itaúna Dr. Lincoln Nogueira Machado. A cerimônia foi oficializada por sua Exº. Revmº. Dom Antônio dos Santos Cabral, Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte.
Veio trabalhar em sua cidade na Paróquia do Coração de Jesus de Santanense, onde seria sua última paróquia. Com seu dinamismo e disponibilidade, dedicou -se inteiramente ao serviço de Deus. Foi um percurso brilhante por suas realizações, tanto no campo espiritual, quanto no administrativo. Homem íntegro, com imensa capacidade de trabalho, sabia ser culto, sem ser pedante; polido, sem ser piegas; forte, sem ser autoritário; profundamente educado, sem ser bajulador.
No dia 20 de fevereiro de 1985 uma avalanche desabou sobre todos nós! Era o último dia de carnaval no Grêmio Paroquial de Santanense, a música tocava alegremente e os foliões dançavam despedindo-se do carnaval. E veio a notícia fulminante, que ninguém esperava ou acreditava: Monsenhor Hilton morreu!
Foi uma morte rápida, como ele sempre desejou! E ele nos deixou! De um momento para o outro ficamos órfãos, perdemos nosso pai. Nunca vimos uma quarta-feira de cinzas tão cinza! O silêncio rolou pelas ruas, os soluços retumbavam, as lágrimas escorreram pelas faces das pessoas incrédulas, tristes, familiares, amigos, enfim, todos que tiveram o privilégio de usufruir de sua companhia e amizade. No momento de sua morte ele estava em sua casa à Rua Acácio Baeta nº 99 em Santanense, com sua sobrinha, quase filha, Marisa Gonçalves de Sousa. No entanto, sua passagem, em nossa paróquia, nos trouxe imensos benefícios espirituais, já que era preocupadíssimo com suas ovelhas, as quais muito amava.
Transmitia a fé e os ensinamentos como ninguém e trabalhou arduamente pelo reino de Deus. Eternamente continuará vivo em nossas lembranças e em nossos corações!
Camareiro Secreto Extranumerário da Santa Sé
Por ato recente da Santa Sé, acaba de ser elevado à categoria de Camareiro Secreto Extranumerário o Exmo. E Revmo. Monsenhor Hilton Gonçalves de Sousa. Esse sacerdote nasceu em Itaúna, aos 31 de dezembro de 1912, cursou o Seminário de Belo Horizonte e ordenou-se em sua terra natal em 1º de novembro de 1941. Conferiu-lhe o Presbiterado o Exmo e Revmo. Dom Antônio, dos Santos Cabral. Exerceu diversos cargos relevantes na Arquidiocese de Belo Horizonte, entre os quais o de Reitor do Seminário de Belo Horizonte. Trabalhou intensamente para a organização da diocese de Divinópolis e, atualmente desempenha as funções de Vigário Geral do Bispado de D. Cristiano de Araújo Pena.
A Formatura do Dr. Augusto Gonçalves de Souza Moreira
Em um dia memorável da história,
sob os auspícios do Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil, Dom
Pedro II, um jovem itaunense alcançou um marco significativo em sua vida. Dr.
Augusto Gonçalves de Souza Moreira, nascido em 29 de julho de 1861 em Sant’Anna
de S. João Acima, na Província de Minas Gerais, filho de Manuel José de Souza
Moreira e Anna Joaquina de Souza, estava prestes a ser reconhecido como um
médico formado pela prestigiada Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro.
A cerimônia de colação de grau,
realizada em 19 de janeiro de 1888, foi conduzida pelo eminente Barão de S.
Salvador de Campos. O Barão, um Grande do Império, Conselheiro de Sua Majestade
o Imperador, Cavaleiro da Ordem da Rosa, Médico da Imperial Câmara, Doutor em
Medicina, Lente de Matéria Médica e Terapêutica e Vice-Diretor da Faculdade,
representava a autoridade máxima e a tradição da medicina brasileira.
No majestoso salão da Faculdade
de Medicina do Rio de Janeiro, decorado com elegância para a ocasião, Dr.
Augusto foi convocado a defender suas teses perante uma banca rigorosa de
professores e especialistas. Demonstrando um conhecimento profundo e uma dedicação
exemplar, ele foi plenamente aprovado, conquistando o direito de receber seu
diploma de médico.
O documento, assinado pelo Barão
de S. Salvador de Campos em 26 de janeiro de 1888, conferia a Dr. Augusto
Gonçalves de Souza Moreira todas as prerrogativas e responsabilidades da
profissão médica, conforme as leis do Império. Este diploma não era apenas um
papel; representava anos de estudo, sacrifício e determinação. Era um símbolo
da confiança do Império em suas capacidades e da sua prontidão para servir a
sociedade com seu conhecimento e habilidades médicas.
A formatura de Dr. Augusto marcou
o início de uma carreira brilhante, pautada pela ética, pela compaixão e pelo
compromisso com a saúde e o bem-estar de seus pacientes. Ele retornou à sua
terra natal, onde aplicou seus conhecimentos e se tornou uma figura respeitada
e admirada na comunidade. Esta conquista, realizada em nome de Sua Majestade
Dom Pedro II, não apenas elevou a posição de Dr. Augusto na sociedade, mas
também contribuiu para o progresso da medicina no Brasil, inspirando futuras
gerações de médicos e profissionais de saúde a seguir seus passos.
Assim, a história da formatura de
Dr. Augusto Gonçalves de Souza Moreira permanece como um testemunho eloquente
do valor do esforço acadêmico e do impacto duradouro que um médico dedicado
pode ter em sua comunidade e além.
Em nome de sua Magestade o Senhor Dom
Pedro II
Imperador Constitucional e Denfensor Perpétuo
do Brazil
FACULDADE
DE MEDICINA DO RIO DE JANEIRO
Eu
Barão de S. Salvador de Campos, Grande do Império, do Conselho de S.M. o Imperador,
Cavalheiro da Ordem da Rosa, Médico da Imperial Câmara, Doutor em Medicina,
Lente de Matéria médica e Therapeutica e Vice- Diretor da Faculdade , etc, etc,
etc.
Tendo
presente o termo de aptidão ao Gráo de doutor, que obteve O Sr. Augusto
Gonçalves de Souza Moreira, natural de Sant'Anna de S. João Acima (Provincia de
Minas Geraes) , filho de Manuel José de Souza Moreira e Anna Joaquina de Souza,
nascido no dia 29 de Julho de 1861, e o de collação do Gráo que recebeu no dia
19 de Janeiro de 1888, depois de ter sido approvado plenamente em defesa de
Theses; e usando da autoridade que me conferem os Estatutos para que possa
exercer a respectiva profissão, com todas as prerogativas concedidas pelas leis
do Império.
Faculdade
de Medicina do Rio de Janeiro, 26 de Janeiro de 1888.
Animação fotografia: MyHeritage
Referência:
Acervo:
Afonso Henrique da Silva Lima
Organização e pesquisa: Charles Aquino
Narrativa histórica baseada em fatos reais: Charles Aquino
Em
1874, matricula-se no Colégio São Bento, onde estuda português, francês,
geografia e latim. Era responsável pela redação do jornal estudantil Labarum
litterario. Com quinze anos publica um artigo sobre Tiradentes, no qual elogia
a rebeldia contra o absolutismo.
Por
falta de recursos, deixa a república e vai morar em Santa Tereza, com um primo,
estudante de medicina. Em 1877, recebe do pai o valor de trezentos réis e
embarca para São Paulo para cursar a Faculdade de Direito do Largo São
Francisco.
Em
1878, inicia sua vida acadêmica, mora na república, participa de reuniões das
sociedades literárias. Inicia grande atividade literária. Passa a lecionar na
Escola Normal e se emprega como revisor do jornal Tribuna Liberal. Em 1881
aderiu à filosofia de Auguste Comte e inaugurou o primeiro centro positivista
de São Paulo. Formado em 1882, começa a advogar. Em 1883, casa-se com Ana
Margarida, filha do conselheiro Martim Francisco de Andrada.
Foi um grande protagonista da abolição e era um
abolicionista radical, disposto a burlar qualquer expediente jurídico que
barrasse a libertação dos escravos. Para ele, a lei da abolição deveria ter –
como de fato teve – apenas dois artigos. “A questão se resolveria assim: o
primeiro artigo diria: fica abolida a escravidão no Brasil; e o segundo,
pedimos perdão ao mundo por não tê-lo feito há mais tempo”. Silva Jardim foi
responsável pela fuga de dezenas de escravos de fazendas paulistas."
Em
1888, com a crise do império, participa de comícios em prol da República. Por
sua iniciativa pessoal, realizou em Santos, em 28 de janeiro, o primeiro
comício republicano do país. A partir de então e até o fim de 1889, dedicou-se
à campanha republicana. Percorreu diversas cidades fluminenses, paulistas e
mineiras para divulgar o novo regime político e promoveu, também no Rio de
Janeiro, numerosos comícios. Ao mesmo tempo, colaborava na Gazeta de Notícias.
Por
seu radicalismo, foi excluído do Partido Republicano. Depois de instalada a
República vai aos poucos sendo afastado do primeiro governo republicano. Em
1890, candidata-se para compor o Congresso Constituinte, pelo Distrito Federal,
mas é derrotado. Retira-se da vida política. No dia 2 de outubro do mesmo ano,
vai para Europa, em companhia da família e dos amigos Carneiro de Mendonça e
Américo de Campos.
No
dia 1 de julho de 1891, estando em Pompéia, na Itália, quer ver o Vesúvio.
Acompanhado de Carneiro de Mendonça, arranjam um guia e foram até a cratera,
aproximam-se da borda, mesmo tendo sido avisado de que o vulcão poderia entrar
em erupção a qualquer momento, escorregou, caiu e foi tragado por uma fenda que
se abriu na cratera da montanha, deixando o motivo dessa morte envolvido em
mistério, pois a imprensa da época insinuou que ele poderia ter suicidado por
desilusão política.
Assim,
um vulcão lá na Europa distante, teria influenciado os rumos da República
brasileira ao ceifar a vida de um ativista político que era uma esperança
importante por seus pronunciamentos e atitudes diante dos novos desafios que a
nação enfrentava. Sem contar que em inúmeras cidades do país existem praças,
ruas e avenidas em homenagem a este grande homem.
Referências:
FILHO, João
Dornas -Livro Silva Jardim
FILHO,
João Dornas. Efemérides Itaunenses. Coleção Vila Rica, Ed. João Calazans, 1951,
p.252.
Texto:
Itaúna em Detalhes -Enciclopédia Ilustrada de Pesquisa (Guaracy de Castro
Nogueira), fascículo, nº 21.
Pesquisa
e Organização: Charles Aquino, graduando em História pela Universidade do
Estado de Minas Gerais / FUNEDI Campus da Fundação Educacional De Divinópolis.
O povoamento da região
compreendida pelo atual distrito da cidade de Itaúna deve de ter tido início no
século XVIII, quando ao sul já existiam as explorações de ouro de Itatiaiuçu e
mais ao norte, em Pitangui . A região entre estes dois núcleos de população,
compreendendo o futuro arraial de Santana, atualmente distrito da cidade de
Itaúna, já devia ter os seus habitantes, embora nesta época ninguém cuidasse de
agricultura, estando todos voltados para as pesquisas do ouro. Em épocas mais
remotas, não resta dúvida, esta região foi povoada por indígenas. Zona muito
irrigada, coberta de matas, com abundancia de pesca e caça, deve de ter sido propícia ao
florescimento indígena . Nas escavações que fizemos em Santanense e na estrada
Itaúna - Divinópolis, na fazenda do Sr. Antônio Chaves, encontramos muitos
objetos e utensílios indígenas, como contas, machados de pedra e pedaços de
materiais cerâmicos.
Não se pode dizer com exatidão quais as tribos de índios
que habitaram o território itaunense . Os indígenas brasileiros não eram
sedentários, o seu nomadismo variava
quase que com as estações . Estou certo
que, com o povoamento do litoral , logo após a descoberta do país, as tribos
que habitavam o litoral, aliás as mais
numerosas , foram empurradas para o interior , à medida que o povoamento ia se
realizando. O nosso primitivo território, futuro arraial de Santana e
arredores, no correr dos anos, deve ter sido povoado por tribos diversas, muitas
delas em trânsito para o interior do País. O de que não temos dúvida é que a
raça era a dos Tupis, mais civilizados relativamente. Os Tapuias, mais ferozes,
habitavam o planalto central, entre 5 e 20 º de latitude sul.
Pitangui e Itatiaiuçu foram os núcleos iniciais de todo o
povoamento desta parte do Estado. Itatiaiuçu em 1703 já era curato. A Vila do
Infante, hoje, Pitangui, foi criada em 1715. Minas ainda formava uma só
capitania com São Paulo, desmembrados em 1722.
Gilberto Amado querendo salientar o atraso do Brasil em 1822, ano da
independência , mais de um século depois da criação da Vila do Infante , assim
se expressa : - " a população do Brasil em 1822, fazendo um cálculo sobre
as estatísticas incompletas da época , não podia exceder de 4.500.000 habitantes, dos
quais 800.000 índios bravios, 2.200.000 pessoas livres 3 1.500.000 escravos,
índios e negros , adstritos ao serviço da terra". [...]
Santana de São João Acima
foi sempre pouso de tropas, cruzamento de caminhos que vinham do Rio de Janeiro
em rumo do Sertão e vice- versa , trazendo sal, armarinhos e tecidos. A nossa
indústria de tecidos, iniciada com o notável empreendimento da Cia. Tecidos
Santanense , data de 1891, talvez tenha se originado desta movimentação
comercial do arraial de Santana , que
nos trouxe novas ideias e salientava as necessidades do sertão . Santana
tornou-se assim um ponto de contato do
litoral com o sertão , que na época atraia os pioneiros. Os santanenses de
então eram pioneiros, foram os precursores da marcha para o oeste, tão em voga
nos dias de hoje. meu pai, com menos de 20 anos , fez muitas viagens a Goiás,
visando a compra de bois .
Eram viagens penosas ao sol e nas chuvas durante
três meses ou mais . Sinfrônio Nogueira
Machado , morreu em Goiás , Wesquival Nogueira e muitos outros, atraídos por
forte vocação de bandeirantes. Todas as boiadas vindas de Goiás faziam pião em
Santana e eram enviadas ao Rio de Janeiro, sendo Sítio na Central a estação de
embarque . A mentalidade itaunense era portanto de sertanistas , de
bandeirantes , no rumo oeste do País . Mais tarde é que , com a localização da
Capital em Belo Horizonte , tivemos nela um novo centro de atração. Os itaunenses de hoje emigram para Belo
Horizonte , atraídos pela grandeza da nova Capital, perdendo aos pouco a fibra
de sertanistas e pioneiros que herdaram dos seus maiores .
Havia tropeiros que possuíam ate dez lotes de burros, sendo que no oeste
mineiro, um lote era constituído de sete animais. Daí se calcula, o volume de
interesses econômicos e sociais que empunhava um simples tropeiro naqueles
tempos. E os mais inteligentes e operosos adotavam roteiros magníficos, com o
fim de melhor aproveitar o esforço da romagem. Um, para exemplo - Joaquim
Gonçalves de Freitas, de Santana do São João Acima, hoje Itaúna - obedecia, no
tempo da seca, o alucinantes itinerário que se segue: partia de Santana com a
tropa carregada de gêneros e tecidos de algodão da incipiente indústria local
com destino ao porto de Estrela, no fundo da baía de Guanabara.
É claro que
havia fretes para as localidades do percurso, mas o destino era o velho porto
fluvial, onde recebia cargas para o norte da Mata do Rio e sul do Espírito
Santo, procurando Grão-Mogol, que ele chamava de Grã-Magu; ali recebia
carregamento de algodão e couros para retornar ao porto da Estrela, onde
finalmente se provia de cargas com destino à Santana e praças de permeio.
Gastava nesse giro os seis meses da seca.
FONTES/TEXTOS :
Osmário Soares Nogueira - Revista Acaiaca - 1954 Pags 19,20,21
TROPAS E TROPEIROS : João Dornas Filho (Academia
Mineira de letras) Universidade
Federal de Minas Gerais - Conferências pronunciadas Primeiro Seminário de
Estudos Mineiros, realizado de 3 a 12 de abril de 1956 Pág : 97 Acervo: Professor Marco Elísio Chaves Coutinho
Foi o Padre Eustáquio, que na
época prestava serviços a Deus na paróquia do bairro Carlos Prates , que tem
hoje o seu nome, em Belo Horizonte, quem por volta de 1942, deu a bênção à
pedra fundamental da Companhia Nacional de Ferro Puro, que estava projetada
para ser implantada em Itaúna, em terreno que fora da fazenda do Coronel Arthur
Vilaça, sendo prefeito o Dr. Lincoln Nogueira Machado, quando a Prefeitura
Municipal de Itaúna entraria com o terreno.
Padre Eustáquio ficou hospedado
na residência do Dr. Antônio Augusto de Lima Coutinho, oportunidade em que , no
dia seguinte ao seu pouso, uma menina
naturalmente curiosa, estando em casa do Dr. Coutinho, olhou pelo buraco da
fechadura do quarto de hóspede e viu que o seu leito estava intocável e que ele
estava dormindo no chão.
Estavam à frente deste projeto
em Itaúna o Dr. Lincoln Nogueira Machado, Dr. Antônio Augusto de Lima Coutinho,
Arthur Contagem Vilaça e outros. Como o Banco do Brasil S.A. não forneceu
recursos para o projeto em Itaúna, os mesmos foram aplicados em Volta Redonda
(São Paulo). E a pedra fundamental, com
jornais da época ,moedas e outros acervos constituídos de documentos da época,
foram então transferidos para onde o Padre Luiz Turkenburg projetara a nova
matriz, por volta de 1958.
Mais tarde, no final da década
de 40, Geraldo Alves Parreiras decidiu implantar um bairro com o nome de Vila
Padre Eustáquio , onde teria sido a Companhia Nacional de Ferro Puro, criando
também a Siderúrgica Itatiaia e a
Fergás.
A vinda do Padre Eustáquio
ensejou que ele retornasse a Itaúna para pregar em um retiro espiritual para as
mães itaunenses, no primeiro ano do paroquiato do Pe. josé Neto , em 26 de
julho de 1943.
Cada participante recebeu um
santinho com os dizeres " ser mãe extremosa não é fazer todas as vontades
dos filhos e deixá-los crescer sem cultura, como ervas ruins do campo. Ser
verdadeiramente mãe é cuidar da saúde e bem estar dos filhos, não se esquecendo
de sua alma infantil. É corrigir os seus defeitos em criança. antes eles chorem
em criança do que depois, quando forem homens"
Estas brilhantes palavras, de
sadia verdade, deveriam ser lidas e meditadas por certas mães que, cumulando os
filhos de mimos demasiados, os tornam voluntariosos e mal criados e lhes
preparam um caminho que no futuro se torna um verdadeiro calvário de amargura.
Fonte: Livro Pe. José Neto 60 anos de Sacerdócio - Pags: 129,130
Por
volta de 1870, o Padre Antônio Maximiano de Campos comprou de Dona Custódia,
proprietária da fazenda Berto, um terreno à margem do rio São João, abrangendo
a várzea, onde há ainda hoje o pontilhão da estrada de ferro, e no sentido
oeste, uma outra passagem de água, indo até às proximidades da cachoeira da
usina que hoje tem o nome do Dr. Augusto Gonçalves, medindo 132 alqueires.
O
padre era inclinado a lidar com criações e plantações. Naquele tempo, a Dona
Custódia vinha assistir às missas, carregada numa liteira pelos escravos.
Primeiramente, o Padre Antônio Maximiano fez uma pequena construção na parte
alta de onde hoje se encontra o curral.
Só depois construiu a sede com 14
cômodos, com uma capela no seu interior, dedicada a Santo Antônio, e mudou-se
para a fazenda, passando a dar assistência na Matriz somente aos domingos, indo
a cavalo, hospedando-se na casa de Josias Gonçalves de Souza.
Moravam
com o padre, que era também delegado de ensino, dois escravos, Manoel Carolina
e Generosa. Naquele tempo, a várzea era
naquele trecho um alagado pantanoso que, no seu lento escorrimento, formava
dois braços de rio, lugar infestado por pernilongos, e o Padre Antônio
Maximiano usava uma canoa para fazer a travessia do rio.
Na
sua fazenda, o Padre Antônio Maximiano cuidava de muitas variedades de frutas,
principalmente uvas, e fabricava vinho, que era guardado no teto da casa onde
ele subia usando uma escada móvel.Certa
vez, a escrava Generosa estava zangada com ele e tirou a escada do lugar,
deixando-o de castigo por um bom tempo no teto da casa, o que custou à escrava
uma boa refrega.
Só
em 1875, na administração do Padre Antônio Maximiano de Campos, as obras de
reforma foram terminadas, com a pintura interna feita pelo artista Pedro Campos
de Sabará, auxiliado por Antônio dos Santos, conhecido por Tonho do Bá. Era uma
pintura sem graça, que os reparos de 1916 e 1926 fariam desaparecer.
O
Padre Antônio Maximiano de Campos foi durante todo o período de sua assistência
em Santana, um bom amigo da paróquia. Era gorducho, bonachão, caridoso,
displicente e apreciava bons pratos.Soube reunir a seu redor muita simpatia e amizade. Morreu em 28 de
fevereiro de 1902, vítima de uma dilatação do estômago, e durante seis meses, a
paróquia esteve sem vigário.
Logo,
Emídio Caetano Moreira foi a Bonfim e comprou a fazenda aos herdeiros do padre.
Também em Santana, o padre tinha parentes, como o seu sobrinho Antônio Lopes
Campos Sobrinho, o Tonico Lopes.
Emídio
Caetano Moreira, o velho, era fazendeiro na época em que o Padre Antônio
Maximiano chegou a Santana.
Olímpio
Moreira, o Olimpinho, nasceu em 23 de novembro de 1906 e sempre morou onde
morava o Padre. Agora mora atualmente o Sr. Romeu Moreira e a fazenda, que hoje
se chama Boa Vista, é conservada zelosamente no mesmo estilo em que foi
construída.
A MANIA DE MUDAR NOMES TRADICIONAIS DE LOGRADOUROS PÚBLICOS
A Praça da
Matriz, localizada no coração de muitas cidades brasileiras, é um testemunho
vivo da história e das mudanças políticas e culturais ao longo das décadas. A
constante mudança de seu nome reflete não apenas os acontecimentos históricos,
mas também as influências políticas e as homenagens prestadas a diversas
figuras importantes do cenário nacional.
Originalmente
conhecida como Largo da Matriz até o final da década de 1920, a praça era um
ponto de encontro central para a comunidade, cercada pela Igreja Matriz de
Santana. Este nome permaneceu até que, em 25 de outubro de 1930, uma portaria
alterou oficialmente o nome para Praça João Pessoa.
Essa mudança foi uma
homenagem a João Pessoa, um líder paraibano e candidato a vice-presidente na
chapa de Getúlio Vargas, que foi tragicamente assassinado na capital de
Pernambuco.
Na década de
1930, durante o mandato do Prefeito Artur Vilaça, a praça manteve seu nome até
1936, quando Vilaça foi exonerado e substituído pelo Dr. Lincoln Nogueira
Machado, nomeado pelo então governador Benedito Valadares.
Um dos primeiros
atos do novo prefeito foi renomear a praça principal, retirando o nome de João
Pessoa e denominando-a Praça Mário Matos. Essa decisão refletia as novas
orientações políticas e as preferências do novo prefeito.
No entanto, as
mudanças não pararam por aí. Durante o período ditatorial, houve uma lei que
determinava que todos os municípios brasileiros deveriam nomear um de seus
logradouros públicos em homenagem ao Presidente da República.
Isso resultou na
renomeação da tradicional Rua Direita para Avenida Getúlio Vargas e, pela
terceira vez, a praça principal teve seu nome alterado, passando a ser
conhecida como Praça Benedito Valadares, em homenagem ao governador que tinha
grande influência política na época.
Com a queda de
Getúlio Vargas e Benedito Valadares na década de 1940, o descontentamento
popular se manifestou de forma significativa. A população, que não tinha uma
boa relação com Benedito Valadares, arrancou a placa que levava seu nome.
Essa sequência de
mudanças de nome da praça reflete uma "mania" de modificar os nomes
tradicionais dos logradouros públicos, muitas vezes motivada por questões
políticas e de poder. Cada renomeação traz consigo um pedaço da história local,
mostrando como as influências externas e internas moldaram a identidade urbana
e a memória coletiva da comunidade.
Assim, a Praça da
Matriz, em suas diversas denominações ao longo dos anos, continua a ser um
símbolo central da vida pública, um espaço que testemunha as transformações
políticas, sociais e culturais, preservando em cada mudança um fragmento da
rica história local.
PRAÇA DA MATRIZ E SEUS NOMES
LARGO DA MATRIZ - ATÉ FINAL DA DÉCADA
20
PRAÇA JOÃO PESSOA - DÉCADA 30
PRAÇA MÁRIO MATOS - DÉCADA 30
PRAÇA BENEDITO VALADARES - DÉCADA
40
PRAÇA DR. AUGUSTO GONÇALVES - DÉCADA
50
Referencia:
Organização e pesquisa: Charles Aquino
NOGUEIRA, Guaracy de Castro. Homenagem ao 60º aniversário da ordenação sacerdotal do Pe. José Ferreira Neto. Itaúna: Vile Editora e Escritório de Cultura, 1997. p. 60-61.
"Considerado um artista nato, com atuação em
diversos segmentos da arte dedicou mais de 50 anos ao rádio"
Extremamente
versátil, inteligente, criativo e com uma veia artística muito forte, o
jornalista, advogado, radialista, dramaturgo instrumentalista e compositor.
Cosme Caetano da Silva deixou um considerável legado, sobretudo no rádio, onde
atuou mais de 50 anos. Ele iniciou sua carreira, neste veículo de comunicação,
como músico da Rádio Clube de Itaúna tão logo foi inaugurada em 1950, passando
em seguida por diversas funções na emissora e, nos últimos anos, apresentou o
programa de variedades "Shôsme Silva Show" até a sua
morte em 21 de agosto de 2003.
Cosme
Silva nasceu em 24 de fevereiro de 1928 em São Gonçalo do Pará MG e aos 75 anos
era um exemplo de entusiasmo e dedicação ao rádio. E tinha muita história para
contar. Aliás, contar histórias era com ele mesmo, o que fazia com competência
e propriedade ao escrever inúmeras peças teatrais, a exemplo de sua obra prima
" E Ela não Voltou”, encenada pela primeira vez em Itaúna em 1964.
Essas
habilidades de escritor também foram empregadas na criação de radionovelas, as
quais, além de escrever, apresentava, narrando, interpretando e criando todos
os sons necessários para compor a trama, a partir do seu aprendizado na Rádio
Nacional do Rio, onde estagiou.
A
Rádio Clube de Itaúna foi a primeira emissora do interior a produzir novelas
radiofônicas em capítulos, fazendo grande sucesso em toda a região Centro Oeste
de Minas.
Consta
do anedotário do rádio que durante a transmissão - era tudo ao vivo _ de um
capítulo de suas novelas, um dos personagens morreria vítima de um tiro, mas na
hora prevista, a espoleta falou. O ator, contudo, não se atrapalhou e teve a
iniciativa de começar a gritar: "Você não merece um tiro. Você vai morrer é
na faca".
MÚSICA
- Um instrumentista por excelência tocava piano, violão, cavaquinho, gaita,
acordeom e escaleta, destacando-se, ainda, como compositor. Cosme Silva chegou
a liderar dois conjuntos musicais: "Ases do Samba e "Garotas
Tropicais" , mas abandonou sua atuação musical em decorrência das
atividades que desempenhava no rádio, passando a acumular somente a função de
promotor de shows, levando renomados artistas nacionais e internacionais à
Itaúna, como : Nelson Gonçalves, Gauby Peixoto , Oscarito e Baden Powel .
Ele também produziu inúmeros programas de
auditório, revistas musicais, repostagens e transmissões de jornadas
esportivas, sendo pioneiro nas transmissões do interior - a primeira foi
ralizadade Uberaba pra Itaúna e foram gastas oito horas na construção da linha
telefônica entre o estádio nacional e a central telefônica local.
Sem jamais
abandonar a Rádio Clube de Itaúna, Cosme Silva participou da fundação da Rádio
Santa Cruz de Pará de Minas - atualmente pertencente à Diocese de Divinópolis -
e foi um dos sócio -fundadores da Rádio Tropical de Lagoa da Prata. Seu nome
também está ligado à Associação Mineira de Rádio e Televisão — AMIRT, já que
ele assinou a ata de criação da entidade, como representante da Rádio Clube de Itaúna.
Suas múltiplas atividades não o impediram,
contudo, de ter uma expressiva atuação social - isto muito antes do conceito de
responsabilidade social e de voluntariado estar na moda.
Ele
participou de conselhos consultivos, como membro atuante, de entidades
diversas, desde hospitalares até clubes recreativos de operários, passando por
unidades escolares, irmãos vicentinos e clubes de serviços como Rotary e Lions.
Chegou a ser diretor do Orfanato de Itaúna e, ainda, arrumou um tempinho pra se
enveredar pela política, sendo chefe de gabinete do prefeito Milton Penido e ,
posteriormente, vereador por dois mandatos
: 1970 a 1972 e de 1972 a 1976.
HOMENAGENS
- Pelos inúmeros projetos que
desenvolveu, seja na área artística ou nos meios radiofônicos e empresariais,
Cosme foi contemplado com medalhas, troféus e títulos. Dentre eles, o de
Cidadão Honorário de Itaúna, em 1974; medalha de Ouro, concedida pela
Associação dos Cronistas radiofônicos de Minas Gerais, em 1963; Troféu Força
Nova, pelo jornal Diário de Minas, em 1969; Troféu Gutemberg, recebido em Araxá,
em 1974; Operário Padrão de Itaúna, em 1978; e Troféu Bandeirantes, concedido
pelo Programa Jota Silvestre, da Tv Bandeirantes de São Paulo, em 1983.
Também
foi agraciado com diversos troféus de contos e poesias. Sua produção deu se, na maioria das vezes,
como autodidata, já que só aos 40 anos ele pôde concluir o Madureza Supletivo,
atualmente -e em seguida passar no vestibular para o Curso de Direito da
Universidade de Itaúna em nono lugar, data a sua inteligência acima da média.
Casado
com Dª Noêmia Maria Caetano, com quem teve dois filhos: Giovanni Vinícius e
Cristine Guadalupe, Cosme Silva foi e continua sendo um exemplo para todos
aqueles que conviveram com ele, aqueles que puderam acompanhar a sua trajetória
ou que possam vir a tomar conhecimento da sua história.
Referência:
Texto:
Guaracy de Castro Nogueira
Apoio:
Instituto Cultural Maria de Castro Nogueira - ICMC