quarta-feira, janeiro 11, 2017

VELHA MATRIZ

IGREJA MATRIZ DE ITAÚNA MG
Esta pesquisa, objetiva divulgar algumas páginas da história de Itaúna, em parte, quase desconhecidas ou esquecidas!

 No local onde hoje se encontra a Igreja Matriz de Itaúna, “foi construída em 1840 a capelinha da Senhora do Rosário que os pretos edificaram em horas de folga”. (DORNAS, p.22). 

 Através da Resolução de nº 209 do dia 7 de abril do ano de 1841, era criada a Paróquia de Sant’Anna, sendo o seu primeiro pároco, o Padre Antônio Domingues Maia, importante lembrar que, até no ano de 1853, a Capela de Sant’Anna (hoje Igreja do Rosário) era a Igreja Matriz e que depois desta data, o terceiro pároco, Pe. João Batista de Miranda realizou a permuta das capelas: a Matriz passaria para baixo na praça dr. Augusto Gonçalves, ficando a Capela do morro para Nossa Senhora do Rosário.

O padre João Batista de Miranda, iniciou a ampliação da Matriz em 1854, com a ajuda de pessoas do arraial, em sua maioria grandes fazendeiros. No decorrer da construção, houve um desentendimento entre os colaboradores. “Acontece, porém, que cada um dos fazendeiros queria a porta principal voltada para o lado da sua fazenda e isso constituiu um impasse insolúvel na época, que fez paralisar por dois anos as obras já iniciadas” (DORNAS, p.22).

 Nesta “querela santa”, o padre Miranda propôs uma condição: aquele que mais fizesse doações para as obras, a igreja seria voltada para o seu lado. A família dos Coelho Duarte ganhou a disputa, todavia, o padre Miranda foi prudente e para que todos ficassem satisfeitos, “fez abrir de cada lado uma porta, o que a nova matriz também conservou” (DORNAS, p.24).

Na década de 1954, o Monsenhor Hilton Gonçalves de Souza, escreveu um artigo: “Itaúna e seus Vigários”, relatando sobre a história religiosa da paróquia e de seus párocos, do período de 1841 até 1943, dizendo que, “graças a Deus, neles, Itaúna sempre teve exemplo de moderação e de virtudes, frequentemente admiráveis” (ACAIACA, p.153). O Monsenhor diz que, esta história poderia ser dividida em dois períodos distintos – o Antigo e o Novo.

Sobre o “período novo”, segundo nos informa o Monsenhor Hilton, inicia-se a partir do ano de 1924 com o Padre Cornélio, o qual, foi o 6º pároco de Itaúna.

Com o Pe. Cornélio Pinto da Fonseca, abre-se um período novo, segundo período. Colocou - o Deus em Itaúna, com a missão de realizar, na Paróquia uma transformação formidável. Cabe-lhe a glória de ter rasgado, aos olhos do povo, um quadro novo, um cenário realista – de mostrar-lhe a religião como alguma coisa séria, que envolve toda a nossa existência e criar, de fato, uma vida cristã, na Paróquia. 

Por isto mesmo, creio eu, foi o maior de todos os vigários de Itaúna, o que realizou trabalho mais difícil – vencendo preconceitos, destruindo uma mentalidade secularmente errada.  Não vai isto em desdouro dos grandes sacerdotes que lhe seguiram o caminho. Mas foi ele o iniciador e o realizador desta obra admirável.

Vivo, espirituoso, alegre, sabia compreender e amar o povo. Não se enquadrava nos ângulos apertados do rigorismo - mas era cioso dos direitos e dos interesses da Igreja. Fundou associações religiosas, remodelou as existentes, organizou o serviço religioso e criou, em Itaúna, um círculo de admiração e de amizade, que só desaparecerá, quando se extinguirem as gerações que lhe aprenderam exemplo de virtudes e receberam os seus admiráveis ensinamento (ACAIACA, p.154).
No dia 7 de outubro de 1924, chegava em Itaúna o Pe. Cornélio Pinto da Fonseca sendo o coadjutor do Pe. João Ferreira Álvares da Silva, quinto padre da Paróquia de Sant’Anna.

O Pe. João Ferreira, enviou um pedido ao Bispado de Belo Horizonte, informando o desejo de trabalhar na Santa Casa de Itaúna, o qual, foi prontamente atendido conforme carta enviada de Dom Antônio  dos Santos Cabral:
Por mercê de Deus e da Santa Fé Apostólica, Bispo de Belo Horizonte. Aos seus esta Provisão virem, Saudações, Paz e Bênçãos no Senhor. Fazemos saber que, atendendo nós ao bem espiritual do rebanho que pela Divina Misericórdia, foi confinada à nossa pastoral solicitude e querendo que os fiéis da Paróquia de Itaúna deste nosso Bispado não fiquem privados de pastor que zele de sua eterna salvação: Havemos por bem prover, como pelo presente nossa Provisão, faremos na recuperação de Vigário Encomendado dessa Igreja, com as faculdades ordinárias por tempo de um ano se antes não determinarmos o contrário, ao Pe. Cornélio Pinto da Fonseca, servirá este cargo com convêm ao serviço de Deus e aos bens das almas de seus paroquianos.(TOMBO, p.7v).

O Pe. Cornélio Pinto da Fonseca, no dia 8 de dezembro de 1924 era nomeado pároco da paróquia de Sant’Anna de Itaúna e o Pe. João Ferreira Álvares era nomeado capelão da Santa Casa de Itaúna. Por ocasião desta posse o Pe. Cornélio elaborou um Inventário dos pertences da Igreja Matriz:

DESCRIÇÃO                                                                                                                    MATERIAL                QUANTIDADE
Almofadas

2
Almofadas decentes

2

1

1

1
Alvas[1] de missa

9
Âmbula[2]

1
Amito

17
Andores

2
Armário grande
Madeira
1
Armário pequeno
Madeira
1
Aureolas
Folhas Flandres
2
Aureolas[3] pequenas
Prata
2
Bancos velhos
Madeira
14
Banqueta de 6 grandes castiçais niquelados e 1 crucificado
Metal
1
Bilha
Barro
1
Cadeiras velhas
Palhinha
13
Caixas velhas

9
Cálice
Dourados
3
Cálice
Prata
1
Cálice dourado na Santa Casa

1
Cálices de Sacristia

2
Campainhas quebradas
Metal
2
Campainhas velhas em serviços
Metal
2
Camporaes

2
Capa asperges branca com o véu correspondente

1
Capa de asperges preta e velha

1
Capa de asperges[4] rica com o véu correspondente

1
Capa roxa

1
Capa roxa da Cruz

1
Capa verde de São João

1
Capa vermelha de São João

1
Castiçal pequeno
Madeira
9
Castiçal Niquelado médio
Metal
6
Castiçal Niquelado pequeno
Metal
12
Casula[5]verde conservada com estola, balsa e manípulos velhos

1
Cômoda grande
Madeira
1
Cômoda pequena
Madeira
1
Concha Batismal
Metal
1
Concha para hóstias
Madeira
1
Confessionários aberto

2
Corporaes

3
Crucificados
Madeira
1
Crucificados niquelados[6] 
Metal
2
Cruz para procissões
Metal
1
Custódia[7]

1
Dalmática[8]
Par
1
Dalmática duas cores
Par
1
Dalmática preta
Par
1
Estandartes velhos

7
Estantes de Côro

2
Estantes de missal velho

3
Estolas paroquiais imprestáveis

2
Ganchos

4
Genuflexórios velhos

3
Grande Caldeira de Água Benta

1
Grande Cruz
Prata
1
Guião branco de fazenda

1
Guião roxo

1
Guião Vermelho

1
Harmonium

1
Imagem de João Batista
Madeira
1
Imagem de Nossa Senhora pequena
Madeira
1
Imagem de Nossa Senhora pequena
Madeira
1
Imagem de Nossa Senhora da Conceição pequena
Madeira
1
Imagem de Nossa Senhora das Dores grande
Madeira
1
Imagem de Nossa Senhora de Lourdes
Carton-pierre[9]
1
Imagem de Nossa Senhora de Lourdes
Carton-pierre
1
Imagem de Nossa Senhora do Carmo
Madeira
1
Imagem de Nossa Senhora Sant’ Anna
Madeira
1
Imagem de Nossa Senhora Sant’ Anna pequena
Madeira
1
Imagem de Nosso Senhor Morto

1
Imagem de Santa Ignez
Carton-pierre
1
Imagem de Santo Anjo
Carton-pierre
1
Imagem de Santo Antônio
Madeira
1
Imagem de São Benedito pequena
Madeira
1
Imagem de São Francisco
Madeira
1
Imagem de São Geraldo
Carton-pierre
1
Imagem de São José
Madeira
1
Imagem de São Sebastião pequena
Carton-pierre
1
Imagem de São Sebastião pequena
Madeira
1
Imagem de São Thomaz
Madeira
1
Imagem de São Vicente pequena
Carton-pierre
1
Imagem do Espírito Santo
Madeira
1
Imagem do Menino Jesus pequena

1
Imagem do Sagrado Coração de Jesus grande
Carton-pierre
1
Imagem do Sagrado Coração de Jesus pequena
Carton-pierre
1
Jarras
Vidro
15
Jarras
Louça
12
Jarras
Vidro
5
Jarras 
Barro
2
Lâmpada do Santíssimo Sacramento
Vidro
1
Lâmpada do Santíssimo Sacramento pequena
Metal
1
Mesa nova

1
Mesa pequena

1
Mesas velhas

3
Missaes gasto
Livro
1
Missaes iprestáveis
Livro
5
Missaes novos
Livro
2
Missal[10] velho na Santa Casa

1
Opas

8
Oratório para Santos Óleos
Madeira
1
Pallio branco velho

1
Par de galhetas
Vidro
1
Paramento branco rico

1
Paramento antigo

1
Paramento branco estragado

2
Paramento branco-vermelho

1
Paramento conservado de 2 cores roxa e verde

1
Paramento preto novo

1
Paramento preto velho

1
Paramento roxo

1
Paramento verde estragado

1
Paramento vermelho

1
Paramento vermelho velho

1
Paramento vermelho velho

1
Paramento vermelho velho

1
Pedras d’ara[11] - Sacras velhas para 2 altares

4
Pequena Eça

1
Pequeno oratório do Sagrado Coração de Jesus

1
Pia Batismal 

1
Pia de água Benta
Pedra
1
Píxide pequeno para comunhões de enfermos

1
Pote
Barro
1
Pratinho de galhetas
Vidro
1
Púlpito conservado

1
Púlpito velho

1
Quadro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro

1
Quadro de Nossa Senhora Sant’ Anna

1
Quadros da via-sacra

14
Relicário para Viático
Metal
1
Salva
Vidro
1
Sanguíneos[12]

19
Semana Santa (S.P.Q.R.)[13]
Bandeira
1
Singulos

4
Sinos

4
Sobrepeliz de coroinhas

4
Toalha de cabide pequena

6
Toalhas capas de altar

3
Toalhas de Altar-mor

17
Toalhas de cabide

3
Toalhas de mesa da comunhão

7
Tochas

4
Turíbulo
Metal
1
Turíbulo[14] velho

2
Umbela

1
Varas de Estandartes

12
Vaso velho para Santos Óleos

1
Velha escada

1
Velhos tapetes

2
Véu encarnado

1

No ano de 1926, o Pe. Cornélio fez um “Remodelamento da Matriz”. Eis o relatório:
A Matriz estava em condições nojentas e miseráveis. Com a graça de Deus e pela reforma completa que sofreu, tomou outro aspecto bem agradável. O telhado onde se alojavam milhares de morcegos foi todo removido e outra vez engessado; as paredes caiadas; as grades que no centro da Matriz formavam uma espécie de V foram suspensas como também 2 púlpitos à altura do côro nas paredes; no assoalho foi aplanado e aí colocados bancos; todas as figuras muito mal pintadas no forro e outros lugares foram cobertas por nova tinta a óleo. A importância deste gasto foi de 6:848$145 (seis contos, oitocentos e quarenta e oito mil e cento e quarenta e cinco réis) (TOMBO, p.14).
A grande virtude deste trabalho, foi a elaboração do inventário que o Pe. Cornélio realizou da Velha Matriz de Itaúna, com isso, temos mais informações sobre a história da nossa paróquia de Itaúna.





REFERÊNCIAS:

FILHO, João Dornas. Itaúna: Contribuição para a história do município, 1936.
Livro do Tombo da Paróquia de Sant’Anna de Itaúna -  15/09/1902 a 31/12/1947.
Revista Acaiaca, 1954.
Diocese de Divinópolis/Minas Gerais. Disponível em: https://www.diocesedivinopolis.org.br/index.asp?c=padrao&modulo=conteudo&url=5213   
Paróquia Sant’Anna Itaúna. Disponível em:< http://www.paroquiadesantana.com.br/site/index.php

 ACERVO:
Instituto Cultural Maria Castro Nogueira/ Patrícia Gonçalves Nogueira
COLABORADORES:
Professor Marco Elísio Chaves Coutinho / Itaúna – Minas Gerais
Revmo. Pe. Professor José Raimundo Batista Bechelaine / Carmo do Cajuru   Minas Gerais
PESQUISA E ELABORAÇÃO:
Charles Aquino, graduando em História, 7º período, UEMG/Divinópolis – MG.


GLOSSÁRIO DAS PEÇAS DO INVENTÁRIO DA MATRIZ

[1] Alva: Veste branca, longa e por vezes com tenda na barra. Traduz purificação, alegria, consagração ao serviço da Igreja.
[2] Âmbula (ou Cibório): A vasilha (de diversos formatos e tamanho e com tampa) que contém as Partículas (Hóstias Consagradas)
[3] Algumas imagens de Santos, tinham aureolas ou Resplendor.
[4] Pluvial ou capa de asperges (latim: cappa, pluviale, casula processaria) é um paramento litúrgico usado sobretudo no exterior, mas também dentro das igrejas para bençãos e aspersões com água benta, casamentos sem missa e para os solenes ofícios divinos
[5] Casula: Veste sacerdotal igual a uma pequena capa que é usada sobre a alva (túnica) durante as celebrações. A cor da casula varia de acordo com o tempo ou circunstâncias litúrgicas: branca, verde, vermelha ou roxa.
[6] Niquelados: Revestidos de metal de níquel.
[7] Custódia: O mesmo que ostensório.  Uma peça de ourivesaria usada em atos de culto da Igreja Católica Apostólica Romana para expor solenemente a hóstia consagrada sobre o altar ou para a transportar solenemente em procissão.
[8] DALMÁTICA: Veste própria do Diácono. É colocada sobre a alva e a estola.
[9] -  Carton Pierre ("stone carton" em inglês) é uma espécie de arte de papier-maché (Papel machê), imitando escultura de pedra ou de bronze. Foi muito utilizado também como ornamento de colunas, portas e janelas internas, imitando basicamente pedra, substituindo o gesso.   Definição de carton pierre: um papier-mâché feito para imitar pedra ou bronze e geralmente usado para ornamentos estatutários e arquitetônicos.
[10] MISSAL: Livro Litúrgico que contém todo o formulário e todas as orações usadas nas celebrações da missa para todo o ano litúrgico.
[11]  D’ara:  Letra d, Apóstrofo, ara. Ara é a palavra latina para Altar. É uma pedra de formato quadrada, contendo relíquias de Santos no altar. No centro do altar, há uma pequena cavidade onde se coloca uma pedra, comumente de mármore, denominada, Pedra d'ara, que encerra dentro de si relíquias de santos mártires, recordando o costume primitivo cristão de celebrar o Santo Sacrifício sobre o túmulo dos mártires e suas preciosas relíquias. Durante a Missa, o cálice e a hóstia devem pousar sobre a pedra d'ara.

[12] SANGUÍNEO, SANGUINHO OU PURIFICATÓRIO: Pequeno pano de forma retangular utilizado para o celebrante enxugar a boca, os dedos e o interior do cálice, após a consagração. Pano retangular que serve para a purificação dos vasos sagrados (cálice, patena e ambulas).
[13] Nas irmandades de Semana Santa aparecem estas siglas romanas (SPQR) nos estandartes com significado em latim: Senatus  Populos Que Romanus .
[14] Turíbulo: Vaso em que se queima incenso sobre brasas, em cerimônias especiais. É o mesmo que incensário ou incensório.


quarta-feira, janeiro 04, 2017

CIRCO PAVILHÃO MINEIRO

A fotografia registra um raro e precioso momento da história cultural itaunense: a passagem do famoso Circo “Pavilhão Mineiro” pela então Vila de Itaúna, em 1908, período em que a localidade ainda dava seus primeiros passos rumo à emancipação política e à consolidação como centro urbano. 

O espetáculo foi considerado um dos eventos mais marcantes daquele ano, reunindo multidões vindas das redondezas para assistir à apresentação que transformou a pacata praça da Matriz em um verdadeiro palco de encanto e curiosidade.

Na parte superior da imagem, observa-se o circo armado com sua imponente tenda, instalada justamente no coração da vila, próxima à Igreja Matriz. A fotografia revela o entusiasmo popular: um expressivo número de espectadores se aglomera diante do pavilhão, posando para o fotógrafo, gesto que por si só traduz a relevância social e simbólica daquele acontecimento. 

O circo, com sua lona, arquibancadas e estrutura cuidadosamente montada, destoava da paisagem cotidiana, trazendo um sopro de modernidade e espetáculo à vida interiorana.

O “Pavilhão Mineiro” era uma companhia de renome, reconhecida em várias cidades do estado, e trazia consigo uma equipe de artistas experientes e carismáticos. Nas imagens inferiores, vemos retratados alguns de seus principais integrantes:

Sebastião Arantes, diretor e proprietário do circo, figura central na organização e condução dos espetáculos;

Anselmo Lopes, o palhaço, responsável por despertar gargalhadas e encantamento no público de todas as idades;

D. Marquinhas Aranha e D. Julieta Moreira, talentosas artistas equestres que dominavam a arte das acrobacias e danças a cavalo, atraindo aplausos efusivos;

E, por fim, uma das maiores curiosidades da trupe: o ginasta anão, com apenas 80 centímetros de altura, cuja destreza e agilidade se tornaram uma das principais atrações do espetáculo.

O circo itinerante era, naquela época, uma das raras formas de lazer coletivo disponíveis para a população do interior. Em tempos em que o acesso à cultura e à diversão era limitado, a chegada de um circo significava uma verdadeira celebração. Ele proporcionava momentos de encontro, riso e encantamento, unindo famílias inteiras sob a mesma lona, em uma experiência estética e emocional que rompia a monotonia da rotina rural.

Mais do que um simples entretenimento, o “Pavilhão Mineiro” representava o contato direto da comunidade com o universo da arte, levando música, humor, dramatização, acrobacias e até pequenos números teatrais a locais onde o teatro ainda era inexistente. 

Sua presença reforça o papel histórico dos circos itinerantes como difusores de cultura popular no Brasil do início do século XX, especialmente em cidades pequenas e vilas em formação.

O registro fotográfico — preservado graças à sensibilidade de fotógrafos e cronistas da época — constitui um valioso testemunho da memória coletiva itaunense, revelando um tempo em que a simplicidade dos espetáculos era compensada pela intensidade das emoções. 

Cada detalhe da imagem — da tenda armada ao olhar curioso das pessoas — nos convida a revisitar um instante de alegria, imaginação e convivência comunitária, quando o circo transformava a praça em palco e a vida cotidiana em espetáculo.

 

Organização e pesquisa: Charles Aquino

terça-feira, agosto 30, 2016

ORGANISTAS MATRIZ DE SANTANA

As organistas da Matriz de Sant’Ana

Padre Rodrigo Botelho Moreira Júnior
Administrador Paroquial da Paróquia
Nossa Senhora Aparecida Itaúna - MG

“Laudate eum in tympano & chorus: laudate eum in chordis & organo.”
“Louvai ‘a Deus’ com tímpanos e coros: louvai-o com as cordas e com o órgão.”

A música sempre esteve presente no culto cristão. Por meio da música e dos instrumentos musicais os fiéis louvam a Deus. A inteligência humana alcança a Deus e este nos responde com a sua graça.
O órgão de tubos foi inventado antes de Cristo, na Grécia. A ideia do instrumento tem a ver com a produção de ar que sustenta várias flautas acionadas por teclas. Em Itaúna nunca tivemos um instrumento assim. Mas contávamos com a ajuda do “irmão” do órgão, o harmônio. Um instrumento de teclas e palhetas, como as de um acordeão, sopradas por um fole. A Matriz de Sant’Ana possuía um rico harmônio com vários registros de sons. Este instrumento foi irreparavelmente danificado pelo tempo. 
Contudo, antes de encerrar a sua carreira, o harmônio já havia sido substituído por um órgão eletrônico da marca Minami na década de 1970. Quem o comprou para a paróquia foi o Padre José Ferreira Netto, ajudado pelos coristas do Coral Pio XII, que mais tarde veio a se tornar o Coral João XXIII.
As nossas organistas foram todas instruídas pelo antigo harmônio. O instrumento musical é também um professor, ele ensina o discípulo como tocá-lo. O repertório, lembremo-nos que passamos pelo Concílio Vaticano II, era executado, em sua maioria, em latim. Imaginemos que um repertório na língua vernácula foi sendo constituído ao longo dos anos: em escalas diferentes, antes e depois do Concílio. Resgatando do passado os nossos cantos em latim, nosso povo vê neles hoje uma obra de arte, mas, na verdade, antes de tudo, eles são um gesto de fé.
A música, como nos lembra o Concílio Vaticano II, é a nobilíssima serva da liturgia. E, serviram à liturgia, as nossas organistas: D. Maria Sebastiana Nunes, D. Cyrene Morávia de Carvalho, D. Anna Alves Vieira dos Reis e D. Nycia D’Aurea.

D. Maria Sebastiana Nunes
Vem, te rogo
Jesus
meu divino e eterno amor.

Nasceu aos 20 de Janeiro de 1894. Foi casada com o Professor Gabriel Nunes de Souza, ex-Diretor da Escola Normal. Moravam na antiga casa onde funcionava o Restaurante Casa Nobre, bem de frente à Praça Dr. Augusto Gonçalves, onde existe um estacionamento hoje. Era lá que ensinava a alguns alunos “as primeiras letras musicais” ao piano.
Às nossas mãos chegaram, das três missas em latim compostas por ela, duas: Missa em honra a Santa Teresinha, com alguns versos faltosos do “Agnus Dei” (cuja copista é D. Anna Alves); e a Missa de Aleluia, composta no crepúsculo de sua vida e impressa por sua família em 1965. Falecera aos 13 de maio de 1964 em Esmeraldas.
Na apresentação da Missa de Aleluia encontramos estes dizeres de João Guimarães Alves: “Desde os nove anos de idade compôs e executou músicas ao harmônio, muito embora não tivesse recebido, a rigor, uma instrução musical. Sua vocação, sua intuição e bom gosto supriam as deficiências do ensino, que não recebeu. 
Aplicou-se no entendimento e na transmissão da mensagem da música por irresistível impulso e esforço próprio. (...) Lecionou música em Sabinópolis (para cuja formação e progresso o Prof. Gabriel Nunes de Souza muito lutou ao lado de Sabino Barroso), em Virginópolis, Peçanha, Itaúna e Esmeraldas, cidades essas nas quais deixou vários discípulos. Sua produção musical, (...) é volumosa, incluindo três missas, numerosas peças sacras, hinos escolares e músicas profanas de elevada inspiração. Tudo, se reunido, daria alentado volume”.

Oh! Coração, Sagrado Oasis
de teus filhos que são fiéis.
Oh! Coração que d’amor fazes
cair-nos crentes aos teus pés.

Nasceu na cidade de São Vicente Ferrer, aos 25 de maio de 1913. Desde criança, aprendeu a dominar bem a arte da interpretação ao piano. Veio para Itaúna ainda bem jovem, por causa do trabalho de seu pai que era Engenheiro da Rede Ferroviária, o Sr. Ângelo Gonzaga de Morávia Júnior. Nas terras itaunenses casou-se com o Sr. Manoel Gonçalves de Carvalho.
D. Cyrene tocava em importantes bailes na cidade de Itaúna e a sua fé aliada à sua fama trouxeram-na para a Igreja onde começou a tocar o harmônio e cantar as missas e ofícios litúrgicos. Vizinha da Família Corradi, era organista do Coral onde também cantava o maestro Hermínio Corradi. Muito provavelmente estamos diante da primeira organista da cidade de Itaúna, pois, D. Maria Sebastiana Nunes e D. Anna Alves chegaram depois. D. Cyrene, já doente, foi preparando o espaço para elas chegarem.
Ela pertencia ao Apostolado da Oração e conservava a fé mesmo nos momentos de provações. Já idosa e debilitada, recebia a comunhão em casa – o seu desejo era o de nunca se afastar de Deus. Sempre agiu com solicitude para com as necessidades da Igreja: auxiliava as crianças nas coroações e acompanhava de perto os trabalhos pastorais.
No dia 3 de julho de 2010, aos 97 anos, faleceu D. Cyrene.
No Livro Harpa de Sião, página 46, número 34, onde se encontra a música intitulada “Teu coração é meu cenáculo”, encontramos a letra de D. Cyrene para marcar um pequeno lembrete: “para a missa amanhã 7-6-942”. No mesmo livro na página 93, número 96, cuja música intitulada é “Louvemos Maria”, D. Cyrene pôs outro lembrete: “1/2 ponto abaixo”, indicando uma transposição que faria ao harmônio. Na página final da partitura “Inviolata” de autor ignoto, cópia datada de 27 de novembro de 1951, encontramos estes dizeres: “Ao Coral Hermínio Corradi; Lembrança de Cyrene Morávia de Carvalho”.

D. Anna Alves Vieira dos Reis
Adeus, Imaculada!
Mãe da Consolação.
Doce prenda amada do
meu sincero amor.

Mestre em Educação pela Universidade de Itaúna, Pedagoga, Professora... e, sim, organista! Nascida em Itaúna aos 10 de fevereiro de 1937, teve a sua infância ambientada pelo casario da Rua João de Cerqueira Lima e pela linha férrea.  Sua educação musical também foi ornamentada pelo buril de Maria S. Nunes. Por vezes, D. Maria, ficava lá embaixo, na nave da Igreja, junto ao povo, ouvindo deleitosamente sua discípula tangendo lá do coro da Matriz o antigo harmônio.
Além do harmônio da Matriz de Sant’Ana, D. Anna Alves tocava outro harmônio que pertencia à Casa de Caridade Manoel Gonçalves (acervo do Museu Municipal Francisco Manoel Franco em Itaúna) e ainda, um outro harmônio, que pertencia a Igreja do Coração de Jesus em Santanense (sua caixa e palhetas estão conservadas, mas o teclado não pode ser preservado por causa dos cupins).
Além destes instrumentos, Padre José Ferreira Netto adquiriu um pequeno teclado elétrico que era acoplado à uma espécie de mala. Ele era facilmente transportado para as comunidades rurais. A comunidade de N. Sra. de Lourdes do Córrego do Soldado ouviu o som deste instrumento tocado pela D. Anna.
Contralto de mão cheia, ou melhor, de voz cheia, e corista experiente, tendo passado uma vez os olhos na partitura, não precisava ocupa-los novamente para reler a pauta, já fazia de cor e, por ser coisa sagrada, “de coração”. Por vezes, de tanto traquejo com a partitura, cantava o contralto e ainda tocava o harmônio – fazia as duas coisas juntas, o que é muito difícil. Ao lado de Maria Concebida Viana, a Dunga, cantora e “puxadora” de enredo de samba da nossa terra, entoavam os graves e soleníssimos versos iniciais do “Agnus Dei” da Missa “in honorem Sancti Michaelis Archangelis”.
Ainda encontramos D. Anna Alves andando pelas ruas com a sua pasta de partituras e estudos musicais nas mãos. Este gesto reflete a verdade de que da música seremos eternos aprendizes.

D. Nycia D’Aurea
                  Sou feliz pois Cristo habita
firme no meu coração.
Ele é quem me dá consolo
na tristeza ou na aflição.

Nascida em Campo Belo no dia 19 de outubro de 1929, recebeu as primeiras instruções ao piano ainda criança no Conservatório de Música em Lavras-MG. Chegou à Itaúna no ano de 1949 e na década de 1970 recebeu das mãos do Padre José Netto a chave do harmônio. Foi D. Nycia quem fez a passagem do harmônio para o órgão eletrônico.
Dedicou-se com afinco à música na Paróquia de Sant’Ana. Vinda da Igreja Presbiteriana apaixonou-se pela fé católica e expressou-a muito bem em sua música e em jeito de ser. Não foi difícil adaptar ao harmônio ou ao órgão as orientações recebidas ao piano. Seu talento fez suprir, com facilidade, o número limitado de teclas do harmônio e as mãos acostumaram-se rapidamente à leveza das teclas do órgão.
De berço italiano, herdou da família, por parte do pai, Gofredo D’Aurea, o temperamento forte, mas como dizem os italianos: “questo è il paese dove tutte le parole sono dolci o sono amare sono sempre parole d'ammore” (Este é o país onde todas as palavras, sejam doces ou amargas, são sempre palavras de amor). 
O Padre Amarildo se recorda, e muito bem, dos momentos embravecidos da D. Nycia; na verdade, todos nós nos lembramos... Contudo, lembramo-nos ainda mais dos sorrisos, da exigência por excelência, dos ensaios e ensinos, das conversas, daquela voz bonita que, no Domingo de Páscoa, na Missa das sete da manhã, cantava com o Côro João XXIII a música de Bach, “Jesus, Alegria dos Homens”.
D. Nycia tocou outros órgãos em Itaúna. Estes instrumentos ainda ocupam lugar de destaque em algumas Igrejas da cidade. Recordamos vê-la tocar o órgão da Matriz de Nossa Senhora de Fátima no bairro Padre Eustáquio, o órgão da Matriz do Coração de Jesus em Santanense, o órgão da Gruta Nossa Senhora de Itaúna e o órgão da comunidade Maria Mãe da Igreja na Vila Tavares.
Mezzo-soprano, voz de peito, nunca precisou de microfone para fazer ressoar a sua voz pela nave da Igreja Matriz de estilo Neo-Gótico, arquitetura que colabora bastante com a ressonância do som. Tinha rápida leitura de partituras, por vezes, antes das missas ou ensaios, estava a D. Nycia aprendendo o que, em bem pouco tempo, cantaria na missa, como se tivesse ensaiado aquela peça muitas vezes. Ela não tinha medo do novo: saltava do latim para o português e do clássico ao contemporâneo com muita facilidade.
Quando o ex-presidente, Fernando Henrique Cardoso veio à Itaúna, no dia 7 de dezembro de 2001, foi ela quem executou, com mãos firmes e precisas, o Hino Nacional Brasileiro. Com certeza, uma grande emoção invadiu o seu coração ao saber que, por meio da sua arte, poderia oferecer esta honraria àquele chefe de Estado.
Hoje, D. Nycia mora em Lavras-MG e vem visitar-nos às vezes.

Agradecimentos
Sanctus, Sanctus, Sanctus
Sine fine,
Sanctus

Quatro senhoras, quatro esposas, quatro mães, quatro organistas, quatro mulheres de Deus. Ainda ressoam nos ouvidos de muitos itaunenses as músicas tocadas e cantadas por elas. Itaúna lhes deve muito... Somos mui gratos por tudo o que fizeram. Não sei se lhes é sabido, mas as senhoras nos ajudaram a rezar. Deus lhes pague o que fizeram com tanto amor.


http://www.paroquiadesantana.com.br/site/index.php/noticias/160-as-organistas-da-matriz-de-sant-ana

domingo, agosto 07, 2016

CHAFARIZ DE ITAÚNA

ÁGUAS DO CHAFARIZ DE ITAÚNA

1880

Símbolo de abundância de água, o chafariz era local também de sociabilidade e pessoas a parolar. Frequentado por vários tipos de classes, além de buscar água, o local servia para colocar a conversa em dia, enquanto esperavam que seus tonéis fossem enchidos, os responsáveis aproveitavam para “espalhar notícias e principalmente as difamações sobre seus patrões ”.

Segundo nos informa Marjolaine Carles, Vila Rica (hoje Ouro Preto) “dava um banho´d’agua” no Rio de Janeiro. Em Minas Gerais final do século XVIII, a capital tinha dezoito chafarizes mais tantos outros espalhados pelas redondezas da sede do governo, o qual contava com uma população de 8 mil habitantes.  Neste ponto, o Rio de Janeiro, Capital da Colônia, perdia de muito longe para Minas Gerais, tinha somente apenas onze chafarizes para cerca de 30 mil habitantes. 

Nestes chafarizes, além de ofertas de abundantes águas e boas prozas, eram locais de grande proliferação de atividades urbanas – domésticas, artesanais, industriais, sustentando profissões de aguadeiros e lavadeiras.  A isto, segundo nos informa Claudia Lopes, o chafariz era uma obra pública e tinha a importância e caráter, sendo classificados em três grupos: funcionais, decorativos e monumentais[1].

    Em Sant’Anna de São João Acima (hoje Itaúna), a Assembleia Legislativa Provincial de Minas Geraes, autorizava o projeto de nº 181  para construção de um chafariz:

Art. Único. Fica o governo autorizado a despender a quantia de 4:000$000 (quatro contos de réis) com a construção de um chafariz no arraial de Sant’ Anna de São João Acima, pertencente ao município do Pará, comarca de Sete Lagoas; revogadas as disposições.
Sala das sessões, 22 de outubro de 1880 -  Costa Sena, Amaro, José Rufino, Ferras Junior, Ovídio de Andrade, Drummond.

O valor de quatro contos de reis, para a construção de um chafariz em Sant’ Anna de São João Acima naquele período, seria uma quantia muito expressiva e opulenta.  

O papel social e urbano dos chafarizes em Minas Gerais no final do século XVIII e início do XIX, destacando o chafariz como um símbolo não apenas de abundância de água, mas também como um espaço de convivência social e desenvolvimento urbano. Em locais como Vila Rica (atual Ouro Preto) e o arraial de Sant'Anna de São João Acima (atual Itaúna), essas estruturas desempenhavam funções vitais, tanto práticas quanto simbólicas.

A importância do chafariz ia além de sua função de fornecimento de água. Esses locais eram pontos de encontro onde diferentes classes sociais se reuniam para buscar água e, ao mesmo tempo, interagir. Pessoas conversavam e até colocavam as notícias em dia fazendo seus "fuxicos". Assim, os chafarizes desempenhavam um papel de comunicação informal, sendo centros de sociabilidade e troca de informações. Esse aspecto mostra que, além de resolver uma necessidade básica da população, eles eram fundamentais para a formação de laços sociais nas comunidades.

A comparação entre Vila Rica e a cidade do Rio de Janeiro no final do século XVIII ressalta o contraste no número de chafarizes entre as duas regiões, evidenciando o avanço de Minas Gerais em termos de abastecimento de água pública. Enquanto Vila Rica, com uma população de 8 mil habitantes, tinha dezoito chafarizes, a capital da Colônia, com cerca de 30 mil habitantes, possuía apenas onze. 

Isso mostra como o planejamento urbano e o investimento em infraestrutura em Minas Gerais eram mais desenvolvidos em relação ao Rio de Janeiro. O chafariz também fomentava o desenvolvimento de profissões relacionadas ao abastecimento e uso de água, como aguadeiros e lavadeiras. Isso transformava esses monumentos em pontos estratégicos de atividades econômicas urbanas, servindo para além de um simples abastecimento de água, mas também para sustentar práticas cotidianas e artesanais que estruturavam a vida da cidade.

De acordo com a classificação de Claudia Lopes, os chafarizes podiam ser funcionais, decorativos ou monumentais. Os funcionais eram utilitários e simples, localizados fora dos centros comerciais e administrativos. Já os decorativos tinham elementos ornamentais que valorizavam a paisagem urbana. Por fim, os monumentais eram grandes obras de arte, com complexos elementos barrocos e localizados em pontos de destaque das cidades.

Em Sant'Anna de São João Acima, a construção de um chafariz em 1880, autorizada pela Assembleia Legislativa Provincial de Minas Gerais, demonstra o empenho da administração pública em melhorar o abastecimento de água e, ao mesmo tempo, em valorizar o espaço urbano. O valor de quatro contos de réis destinado a essa construção revela o grande investimento financeiro necessário para essas obras de infraestrutura, o que indica a importância que esse tipo de empreendimento tinha para as autoridades da época.

Expandindo essa análise, podemos refletir sobre a relevância dos chafarizes não apenas como fontes de água, mas também como símbolos de poder público e de urbanização. Eles eram um marco de desenvolvimento e civilidade, demonstrando como o espaço público era pensado e utilizado em sociedades do passado. A presença de monumentos como esses reafirma a centralidade da água na organização da vida cotidiana, não apenas como recurso, mas como elemento de articulação social, política e cultural.

Ao considerar a construção de um chafariz em Sant'Anna de São João Acima, é possível perceber que a obra pública transcende o simples objetivo de fornecer água. Ela se insere em um contexto mais amplo de desenvolvimento urbano e social, refletindo o papel das infraestruturas públicas na promoção do bem-estar coletivo e na construção da identidade das cidades. O investimento em chafarizes demonstra o reconhecimento da água como um recurso vital e estratégico para a vida urbana, mas também como um meio de promover a coesão social, a estética urbana e o desenvolvimento econômico.

Em suma, os chafarizes eram mais do que estruturas utilitárias; eles eram elementos integradores do espaço público, promovendo tanto a funcionalidade quanto a beleza e a sociabilidade nas cidades. Eles simbolizavam a interseção entre o cotidiano e o extraordinário, entre o pragmático e o ornamental, moldando a paisagem urbana e as relações humanas em torno de um recurso essencial: a água.




[1] - Funcionais: monumentos utilitários com pouquíssima ornamentação e quase nenhuma preocupação estética, geralmente afastados dos centros administrativo e comercial da vila. Exemplos: ponte do padre faria e chafariz da rua das cabeças
- Decorativos: começa a haver uma maior preocupação com a ornamentação das ruas, sendo que nesses monumentos já aparecem elementos em cantaria, ainda que pequenos. Exemplos: ponte do pilar, chafariz do rosário e chafariz da rua barão de ouro branco.
- Monumentais: obras que ocupavam posição de destaque na paisagem da cidade,sendo de grandes proporções e merecendo extremo cuidado no desenho e execução. Apresentamse bem ornamentados, dotando de diversos elementos barrocos. Exemplos: ponte de antônio dias, chafariz de marília e chafariz dos contos.


Referências:

CARLES, Marjolaine.  Fontes sob controle: Revista de História, 2013.

LOPES, Claudia. Arquitetura oficial no período colonial: um estudo sobre as pontes e chafarizes de Ouro Preto. 

Fotografia ilustrativa.

Jornal: A Actualidade -  Ouro Preto, 1880. n° 127 p.3.

Elaboração e Pesquisa: Charles Aquino, graduando em História pela UEMG/Divinópolis 6º período.