segunda-feira, fevereiro 11, 2019

O REGO DA JOVE


Trata-se de verdade inexorável. Tão logo o firmamento concentra-se de nimbus, cirrocumulus e cirrostratos, que a forte precipitação pluviométrica desaba imperiosa sobre as barrancas de Sant'Ana e o rego entope.

Ei-lo: o rego atochado! De água....
Nas peripécias da modernidade, o rego entumecido pelas torrentes vira alvo fácil de selfies e pequenos vídeos de incautos transeuntes ou moradores das cercanias, que o vislumbram das lentes de seus celulares e o postam de inopino nas múltiplas redes sociais como películas hollywoodianas da tragédia barranqueira.

O rego entupido! “Ó tempore! Ó mores! ”
De súbito, erguem-se as mais variadas e pitorescas ponderações. Ora, ora, afinal, porque o rego entope?

Nada mais desconfortável do que o rego obstruído. Desembargue-se o rego!
As autoridades constituídas da municipalidade logo se reunirão em torno do rego. O rego será estudado, esquadrinhado, pesquisado...milimétrica e cartesianamente! Talvez até uma legislação surja para regular o uso do rego.

O que é preocupante, em um país tão engarrafado por um cipoal de leis que surja mais uma – mesmo que municipal – regulando os regos por aí. Emergirão passeatas pelo “rego livre”. Bem, sendo um rego público, deverá mesmo vir regulado. Já os regos privados, que sejam utilizados como se aprouver a seus proprietários- desde que, sem prejuízo para as regueiras públicas de Blackstone City. Enfim, chega-se ao conclusório de que cada um cuide do seu rego e deixe a vala do outro em paz.

O rego da Jove é antológico. Já foi aberto. Desnudo aos olhos do público, sem causar vexames; contudo causava náuseas devido ao odor pútrido que se lhe exalava. Era um rego mau cheiroso. Contudo, veio do ilustre Prefeito Antônio Augusto de Lima Coutinho o sonho visionário de que ali, nos fundos dos quintais, brotaria entre as bananeiras e os frondosos pés de manga, a mais concorrida via da cidade. E o rego seria devidamente tapado. Mal sabia que tapado e entupido...

Pobre Cel. Jove Soares (1868-1953) ver seu nome associado a enchentes de águas furtadas nada poéticas e empesteadas. Pois a tempo seco, vê-se ratazanas e baratas e outros indivíduos do reino dos artrópodes e afins, disputando o espaço com os viandantes da prainha. Isso sem falar dos fiéis discípulos da seita “crossfit”, que anda operando milagres na terrinha, que por ali correndo, desviam dos camundongos como se barreiras móveis fossem- deve ser bem divertido!

Não nos cabe apurar os culpados. Não são de agora os problemas da Avenida Jove Soares. Colhe-se hoje a má ocupação do solo das adjacências do Córrego do Sumidouro. O nosso “Arrudas” tupiniquim. Toma-se da Natureza e ela requer de volta seu espaço.

Cuidemos, pois, do rego da Jove. Afinal de contas, durma-se com um barulho desses.
Rego limpo, povo feliz!
         Après nous le déluge...”


Acervo: Tirada da Internet Rede Social
Acervo:  Setefano Freitas

*Bacharel em Direito / Licenciado em História pela UNIVERSIDADE DE ITAÚNA   Historiador/ Escritor/ Membro Fundador da ACADEMIA ITAUNENSE DE LETRAS/ Autor de “Crônicas Barranqueiras” e coautor de “Essências”, “Olhares Múltiplos” e “O que a vida quer da gente é coragem”/ Diretor da E.E. “Prof. Gilka Drumond de Faria” Cidadão Honorário de Itaúna

domingo, fevereiro 10, 2019

PROFESSOR JARBAS SOUSA

MONUMENTO JARBAS SOUSA
PROJETO DE LEI Nº 61/2013
Denomina Próprio Público “Travessia Engenheiro Jarbas de Sousa”
O povo do Município de Itaúna, Estado de Minas Gerais, por seus representantes legais na Câmara Municipal, aprovou e eu Prefeito Municipal, em seu nome, sanciono a seguinte Lei:
Art. 1º Fica denominado Travessia Engenheiro Jarbas de Sousa o próprio público constituído de um canteiro que começa na confluência da Rua Manoel Correia com a Avenida Jove Soares, deste ponto segue confrontando com a Avenida Jove Soares pelo centro até a Avenida Doutor Miguel Augusto Gonçalves, deste ponto volta confrontando com a Avenida Jove Soares, no bairro das Graças, até a Rua Manoel Correia, onde teve seu início.
Art. 2º Caberá ao Poder Executivo confeccionar placas indicativas com a denominação do referido próprio público para serem afixadas em pontos estratégicos, bem como dar ampla publicidade, comunicando e enviando cópias da presente Lei aos Correios, Cemig, Saae, Operadoras de Telefonia Fixa e Móvel, meios de comunicação locais e a quem mais possa interessar.
Art. 3º As despesas decorrentes desta Lei correrão por conta das dotações próprias previstas no Orçamento Anual do Executivo Municipal.
Art. 4º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.
Sala das Sessões, em 05 de Agosto de 2013.
Francis José Saldanha Franco — Vereador
JUSTIFICATIVA
Jarbas Alves de Sousa nasceu em Itaúna em 09 de dezembro de 1923, concluiu seus estudos fundamentais em novembro de 1937 no Grupo Escolar Dr. Augusto Gonçalves, tendo iniciado atividades laborais em estabelecimentos comerciais em Itaúna.
Em 1947 ingressou na Escola Técnica de Comércio Santana, concluindo o curso Técnico em Contabilidade em dezembro de 1950, passando a exercer esta profissão na Aços Laminados Itaúna, Alaita, onde permaneceu como funcionário até sua aposentadoria em 1968, exercendo inclusive a gestão da massa falida da empresa até que a mesma veio a ser arrendada pela Siderúrgica Pains.
De espírito inquieto, ávido por conhecimentos, adquiriu nova profissão como engenheiro pela Fundação de Ensino Superior de Itaúna, quando do início da primeira turma da escola de Engenharia, e ao concluir o curso em 1971, tornou-se o primeiro cidadão itaunense a obter o título naquela Faculdade.
Após concluído o curso, foi incumbido pelo então Reitor Dr. Guaracy de Castro Nogueira para projetar e instalar os Laboratórios tecnológicos da Faculdade de Engenharia, com o objetivo de não mais serem utilizados, nas aulas práticas, os Laboratórios da Universidade Federal de Minas Gerais.
Nesta época exercia também atividade de engenheiro da Companhia Industrial Itaunense, quando, em 1973, tornou-se engenheiro encarregado do Laboratório Metalográfico da Escola de Engenharia da Fundação de Ensino Superior de Itaúna, uma vez que este laboratório passou a prestar serviços de ensaios mecânicos, qualificação de processos e análises de falha para as indústrias da região, ocasião em que foi também adquirida a máquina de ensaios mecânicos.
Nesta condição de supervisor e responsável técnico pelo laboratório se especializou em curso realizado no Departamento de Engenharia da Materiais da Universidade Federal de São Carlos na área de ligas metálicas, passando então a lecionar a disciplina de Construção Mecânica prática.
Sua marcante colaboração junto a Faculdade de Engenharia da Universidade de Itaúna e junto aos clientes do laboratório metalográfico o tornou profissional altamente conhecedor da engenharia de materiais.
Depois que se cessou as atividades à frente do laboratório metalográfico, passou a dedicar-se aos conhecimentos nas áreas de botânica, fotografia, radiocomunicação, química, física e línguas.
Foi casado com Maria Olinda Nogueira Alves com quem teve os filhos Selene Maria de Sousa Nogueira Freitas e Ewerton Augusto de Sousa Nogueira.
Recebeu ao longo de sua vida homenagens de vários órgãos, seja do CREA, Universidade de Itaúna, Prefeitura Municipal de Itaúna, Associação de Arquitetos e Engenheiros Associados de Itaúna, Rotary Clube entre outros.
Itaúna, 21de Maio de 2013.
Francis José Saldanha Franco — Vereador
COMISSÃO DE JUSTIÇA E REDAÇÃO
RELATÓRIO
Tendo esta Comissão, recebido na data de 07 de agosto de 2013, por parte da Secretaria Legislativa da Câmara Municipal, a remessa do Projeto de Lei nº 61/2013, que “Denomina Logradouro Público Travessa Engenheiro Jarbas de Sousa”, e tendo sido nomeado para relatar sobre a matéria em apreço, passo a expor o seguinte esclarecimento:
  • O referido projeto denomina logradouro Público visando homenagear um importante cidadão itaunense.
  • Diante do exposto, passo a emissão do meu voto.
VOTO DO RELATOR
Este relator entende que o supramencionado Projeto de Lei, encontra-se dentro da correta Técnica Legislativa, portanto s ou pela apreciação da presente proposição pelo Plenário.
Sala das Comissões, 08 de agosto de 2013.
Gleison Fernandes de Faria
Presidente
Ante a análise do parecer exarado pelo Presidente da Comissão, acatamos o voto do relator.
Hudson Rodrigues Bernardes — Membro
 Nilzon Borges Ferreira — Membro
EMENDA MODIFICATIVA nº 01
Ao Projeto de Lei nº 61/2013
O edil Francis Saldanha Franco, autor do Projeto de Lei nº 61/2013, que “Denomina próprio público Travessia Engenheiro Jarbas de Sousa”, vem propor a seguinte Emenda Modificativa 01 ao referido Projeto de Lei:
Art. 1º O artigo 1º do Projeto de Lei nº 61/2013 passa a ter a seguinte redação: “Art. 1º Fica denominado Travessia Engenheiro Jarbas de Sousa o próprio público constituído de um canteiro que começa na confluência da Rua Manoel Correia com a Avenida Jove Soares, deste ponto segue confrontando com a Avenida Jove Soares pelo centro até a Avenida Doutor Miguel Augusto Gonçalves, deste ponto volta confrontando com a Avenida Jove Soares, no bairro das Graças, até a Rua Manoel Correia, onde teve seu início.”
JUSTIFICATIVA
A presente emenda se faz necessária após a constatação de que o memorial descritivo emitido pela Prefeitura descreve não um logradouro público, mas um canteiro, classificado como “próprio público”.
Sala das sessões, em 03 de outubro de 2013.
Francis Saldanha Franco — Vereador
DADOS BIOGRÁFICOS
Nome: Jarbas Alves de Sousa
Naturalidade: Itaúna/MG
Data de nascimento: 09/12/1923
Filiação: Augusto Alves de Sousa Carolina Nogueira
Esposa: Maria Olinda Nogueira Alves
Filhos: Selene Maria de Sousa Nogueira Freitas, Ewerton Augusto de Sousa Nogueira
Data de Falecimento: 16/08/2012

REFERÊNCIAS:
Pesquisa e Organização: Charles Aquino
Lei Municipal: Projetos de Leis: Câmara Municipal de Itaúna.
Texto Justificativa para o Projeto de Lei:  Francis José Saldanha Franco — Vereador
Acervo: Professor Marco Elísio Chaves Coutinho (In Memoriam)
Acervo: Professor Jarbas Alves (In Memoriam)

sábado, fevereiro 09, 2019

ESCOLA CELUTA DAS NEVES

O Povo do Município de Itaúna, por seus representantes, decreta e eu, em seu nome, sanciono a seguinte Lei:
Art. 1º Concede os títulos de cidadã honorária de Itaúna às professoras aposentadas Celuta das Neves e Nise Álvares da Silva Campos, de acordo com a Lei Municipal que regula a matéria.
Art. 2º Revogadas as disposições em contrário, esta Lei entrará em vigor, na data de sua publicação.
Mando, portanto, a todas autoridades, a quem o conhecimento desta Lei pertencer, que a cumpram e a façam cumprir tão inteiramente como nela se contém e declara.

Prefeitura Municipal de Itaúna, 06 de dezembro de 1965
Milton de Oliveira Penido — Prefeito Municipal


BIOGRAFIA
Celuta das Neves nasceu em 12 de novembro de 1885 em Passagem de Mariana (distrito do município de Mariana – Minas Gerais), filha de Augusto de Faria Neves e Sebastiana Neves.
Formou-se normalista pelo Colégio Providência de Mariana em 1900 e lecionou na cadeira de francês no período de 1901 a 1907. Em janeiro de 1908 foi nomeada, pelo então governador João Pinheiro da Silva, professora primária em Pequi- MG, onde lecionou de 1908 a 1919. Foi transferida em 1919 para Itaúna- MG.
Em Itaúna foi professora primária de 1920 a 1942 quando se aposentou, sendo que nos últimos anos de sua carreira ocupou o cargo de vice-diretora no Grupo Escolar Dr. Augusto Gonçalves. Também ministrou aulas particulares de 1920 até a véspera de sua morte
 Segundo Silva (2018), sua mãe Deolinda Alves de Oliveira foi aluna de Celuta das Neves na zona rural, onde a mesma lecionava voluntariamente para crianças que não tinham condições de frequentar escola na cidade e, inclusive, doava materiais escolares para esses alunos.
Casou-se em 17 de agosto de 1913, em Pequi, com José Lopes de Oliveira e residiu em Itaúna até seu falecimento. Teve cinco filhos:
  • Maria Edna de Oliveira, professora do Grupo Escolar Dr. Augusto Gonçalves, nascida em 14 de março de 1915 e falecida em 12 de outubro de 1948.
  • Dora Alice de Oliveira, nascida em 05 de janeiro de 1919 e falecida em 10 de maio de 1927.
  • Eni de Oliveira, nascida em 22 de setembro de 1922 e falecida em 10 de maio de 1927.
  • Nise de Oliveira, nascida em 17 de novembro de 1927, falecida em 25 de setembro de 1962 em Belo Horizonte e sepultada em Itaúna. Lecionou no Grupo Escolar João Pinheiro em Belo Horizonte e no Grupo Escolar Dr. Augusto Gonçalves em Itaúna. Foi casada com Antônio Francisco, titular do Cartório do 5° Ofício de Belo Horizonte.
  • José Lopes de Oliveira Filho, nascido em 27 de setembro de 1924 e falecido em 03 de setembro de 2012. Trabalhou como fiscal de rendas do Estado, residiu em Itaúna e foi casado com Haideé Silva Oliveira.

FATOS MARCANTES
Segundo relato de Oliveira (2018), nora de Celuta, Dora e Eni faleceram no mesmo dia, uma de pneumonia, outra atropelada a caminho da igreja, vestida de anjo, para coroar Nossa Senhora.
Recebeu o título de Cidadã Honorária pelo decreto n° 775 de 06 de dezembro de 1965 da Câmara Municipal de Itaúna.
Celuta não teve netos e faleceu em Itaúna em 05 de junho de 1968.
 Em 1974 Celuta foi homenageada com seu nome em uma escola, construída no bairro de Lourdes em Itaúna, que denominou-se Escola Estadual Professora Celuta das Neves (Polivalente).
Em 1994, a escola foi municipalizada e passou a chamar-se Escola Municipal Professora Celuta das Neves, eternizando, assim, o nome dessa ilustre professora que muito fez pela educação em nossa cidade.
Projeto Patrimônio
Escola Municipal Professora Celuta das Neves
Relatório das Atividades Desenvolvidas
          O Projeto Patrimônio da E. M. Profª. Celuta das Neves foi desenvolvido pelos alunos, mediadores, facilitadores e articuladora do Projeto Tempo Integral, no período de junho a setembro/2018 e o tema escolhido foi a biografia da professora Celuta das Neves.
Foram realizadas as seguintes atividades:
  • Cursos de capacitação sobre patrimônio para os articuladores, mediadores e facilitadores do Projeto Tempo Integral;
  • Palestra sobre patrimônio com o professor Geraldo Fonte Boa para os alunos do Projeto Tempo Integral;
  • Escolha do tema desenvolvido;
  • Pesquisas de acervos e documentos,
  • Entrevistas com familiares e comunidade;
  • Exposição dos trabalhos dos alunos (releitura da foto da Celuta das Neves), mosaicos confeccionados na oficina de Desenho Artístico, com o facilitador Túlio;
  • Excursão dos alunos e mediadoras a alguns dos patrimônios de Itaúna, acompanhados do professor Geraldo Fonte Boa, que contou um pouco da história de cada um dos pontos visitados;
  • Montagem da biografia (dados, relatos e fotos);
  • Divulgação da conclusão do trabalho na escola (exposição da biografia).
Esse projeto foi muito interessante e de grande valor para a escola, que apesar de receber o nome dessa ilustre professora, poucos conheciam a história da Celuta das Neves.
  Itaúna, 19 de novembro de 2018
Cristiane Nogueira Santos Rodrigues
Articuladora do Projeto Tempo Integral


UMA GRANDE EDUCADORA
Luiz Otávio RABELO*
Ah, se me lembro! Lembro-me, sim, dessa admirável mulher, dessa incomparável educadora, cuja influência em minha formação educacional foi simplesmente estupenda.
Morena, simpática, elegante no trajar-se, de sorriso franco e olhares firmes, dona Celuta deixou, em minha sensibilidade de adolescente, a imagem de uma pessoa extremamente bondosa, inteligente e culta.
Ela foi para mim uma grande orientadora na minha carreira acadêmica, pois que tive com ela, durante três anos, aulas de português e matemática, antes de ingressar no Colégio Santana.
Como disse, dona Celuta era uma dessas pessoas que irradiam bondade e segurança. Era uma pessoa especial, um ser iluminado. Seus alunos se sentiam bem na sua presença e encantados com suas aulas particulares. Os livros de seu manuseio eram de autoria dos membros autores da época — Arthur de Almeida Torres, José de Oiticica, Otelo de Sousa Reis, Antônio Trajano, Ari Quintela, etc.
Foi professora e vice-diretora da Escola Estadual Augusto Gonçalves, de modo que, quando a conheci, ela já se havia aposentado e recolhido às lides do lar. Nos intervalos de seus afazeres domésticos, dava aulas particulares em sua residência, localizada na rua Godofredo Gonçalves;
Foi quando meus pais me colocaram sob os cuidados educacionais da veneranda mestra. Eu já estava bem crescidinho e precisava trabalhar. Eles queriam que eu arranjasse um emprego, preferencialmente, num escritório, sonho dourado das mães de menor poder aquisitivo do passado.
Por isso, era necessário que eu tivesse bons conhecimentos de português, matemática e datilografia. Assim, aos 14 anos, lá fui eu estudar com dona Celuta, dando a pé 8 km por dia (vinda e volta), porquanto eu morava em Santanense, perto de onde é hoje a Escola Estadual Dona Judith Gonçalves.
Aliás, naquelas “priscas eras”, muitos jovens da sociedade itaunense procuravam a escolinha de dona Celuta para aprender ou melhorar seus conhecimentos. Não havia colégio para meninos naquela época. Eu não pertencia à elite local. Pelo contrário, meu habitar social era outro.
Filho de ferroviário e operária da fábrica do bairro, eu vinha de Santanense, para aprender com dona Celuta o caminho do futuro. Graças a Deus, aprendi muito com minha saudosa mestra, na companhia de meus colegas e amigos, como os irmãos Osvaldo e Moacir, do Serafim Moreira, Maria José do Jubito e seus irmão Evandro, Antônio Calambau, Neguita, etc.
Dona Celuta era natural de Mariana – MG, onde nasceu, em 12 de novembro de 1885. Casada com José Lopes de Oliveira, alfaiate, que foi Juiz de Paz de Itaúna. O casal teve seis filhos.
Pois bem! Dona Celuta foi, como disse, uma mulher e tanto. Uma dessas pessoas que jamais se apagará de nossa memória, porquanto foi grande demais para ser esquecida.
Aliás, quem poderia esquecer uma pessoa que deu a seus contemporâneos tão belos exemplos de dignidade humana? Por isso, foi, com grande carinho, que o povo de Itaúna, através da Câmara de vereadores, lhe outorgou, o título de Cidadã Honorária de Itaúna.
Esse mesmo povo, com redobrada admiração pela sua fecunda obra educadora, colocou seu nome como patrona de uma das melhores escolas do Município, localizada no Bairro de Lourdes — Escola Municipal Professora Celuta das Neves. Essa é uma das mais justas homenagens prestadas à sua memória. Ela deu seu recado, no seu tempo, com simplicidade, dedicação e inteligência, que dignifica a mulher de todas as épocas.
A Professora Celuta das Neves faleceu em Itaúna em 5 de junho de 1968, aos 83 anos.
* Professor e funcionário da Secretaria Municipal de Educação e Cultura — SEMEC

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS DO PROJETO DA ESCOLA CELUTA
RODRIGUES, Cristiane Nogueira Santos:  Articuladora do Projeto Tempo Integral.
ACERVO Escola Municipal Doutor Augusto Gonçalves, acesso em agosto de 2018.
FARIA, Maria Aparecida Morais Faria. Entrevista concedida a Cristiane Nogueira Santos Rodrigues. Itaúna, agosto de 2018
OLIVEIRA, Haideé Silva Oliveira. Entrevista concedida a Cristiane Nogueira. Itaúna, agosto de 2018.
PROJETO Político Pedagógico da Escola Municipal Professora Celuta das Neves, 2015.
REGIMENTO Escolar da Escola Municipal Professora Celuta das Neves, 2012.
SILVA, Cláudia Aparecida de Oliveira. Entrevista concedida a Cristiane Nogueira Santos Rodrigues. Itaúna, agosto de 2018.

REFERÊNCIAS DO BLOG ITAÚNA DÉCADAS
ORGANIZAÇÃO PARA SITE/BLOG: Charles Aquino
COLABORADORA:  Cristiane Nogueira Santos Rodrigues Articuladora do Projeto Tempo Integral
COLABORADORA: Larissa Nathalia – Escola Municipal Professora Celuta das Neves
RABELO, Luiz Otávio: Jornal Diário Mineiro, Itaúna, terça-feira, 06 de janeiro de 1998, p.02. (Acervo Instituto Cultural Maria de Castro Nogueira – ICMC)
ACERVO: Fotografia Dona Celuta das Neves – Escola Municipal Professora Celuta das Neves
PLACA/ARTE: Dionisio Codama, São Paulo, Brasil, (Retirado da internet).
LEI MUNICIPAL E BRASÃO DO MUNICÍPIO : Prefeitura Municipal de Itaúna

quinta-feira, fevereiro 07, 2019

CAPELA SANTO ANTÔNIO

Capela de Santo Antônio Comunidade Vista Alegre

As primeiras missas foram celebradas debaixo de uma árvore de tamboril, quando os padres missionários vinham para fazer acontecer as missões. Foi então que os moradores tiveram a ideia de construir uma Igreja. Um senhor chamado Modestino Francisco e o Sr. Tito construíram uma capela de pão a pique e sapé. Esta Igreja durou pouco tempo e acabou caindo.

Nesta época, chegou o padre José Ferreira Neto e viu que as imagens se encontravam abandonadas dentro da Igreja, que está destruída. Então, ele pegou estas imagens e as levou para a casa do Sr. Juca, onde ficaram guardas até a construção de uma nova Igreja. Por volta de 1948, quando tiveram novas ideias, o Sr. Juca e o Sr. Rabelo, deram início às construções da nova capela, que foi inaugurada em 13 de junho de 1952, onde a Comunidade recebeu como padroeiro Santo Antônio.

Hoje a capela é linda e tem algumas pastoris e movimentos que são: Apostolado da Oração, Legião de Maria, Conferência Vicentina, equipe de Liturgia e catequese. Festividades da Semana Santa com encenações e celebrações, festa do padroeiro, jubileu do Bom Jesus, celebrações aos domingos e missas mensais.

Curiosidades importantes: O Santíssimo Sacramento foi entronizado na capela no dia 15/08/1970 e o Jubileu do Bom Jesus se iniciou em setembro de 1973.

Referências:
Texto:  Diocese de Divinópolis
Organização e fotografia: Charles Aquino
Diocese Divinópolis disponível em: https://hml.diocesedivinopolis.org.br/templo/capela-de-santo-antonio/   

sábado, fevereiro 02, 2019

ESCOLA JUDITH GONÇALVES



Dona Judith Camardel Gonçalves integrou uma das famílias tradicionais de Itaúna, cuja trajetória se entrelaça profundamente com a evolução social, educacional e econômica da cidade. Em 1923, ela contraiu matrimônio com o médico e homem público Dr. Dário Gonçalves de Souza, que naquele ano foi eleito Presidente da Câmara Municipal e Agente Executivo (cargo equivalente ao atual de Prefeito) de Itaúna.

Esse enlace familiar colocou Judith em um contexto de relevância urbana e cívica: o casal participa das redes de solidariedade religiosa e comunitária da cidade — por exemplo, Dona Judith figurou como madrinha em cerimônias na antiga capela da Casa de Caridade Manoel Gonçalves de Souza Moreira, o que atesta sua inserção ativa na vida local.

Como mãe do Dr. Miguel Augusto Gonçalves de Souza — nascido em 07 de agosto de 1926, filho de Dário e Judith — Dona Judith é também parte da genealogia da família Gonçalves de Souza, cujas ações marcaram o município em várias frentes (educação, indústria, administração pública).

Em homenagem à sua memória e à força simbólica de sua presença na comunidade, o município preservou seu nome na denominação da Escola Estadual Dona Judith Gonçalves, situada no bairro Santanense (Av. Gov. Magalhães Pinto, 629 – Itaúna/MG). A escola continua até hoje na missão de formar gerações de itaunenses com espírito crítico, cidadania e compromisso com o bem-comum.

Dessa forma, Dona Judith representa um elo entre o passado e o presente de Itaúna: seu nome evoca a tradição familiar ligada ao crescimento da cidade, ao tempo em que abre caminho para a educação pública e para a valorização da memória local feminina — frequentemente menos documentada. A escola que leva seu nome torna visível esse legado e funciona como instrumento de continuidade para a formação de cidadãos conscientes e comprometidos com sua terra.

“Judith Camardel Gonçalves – mãe, cidadã, inspiradora. Em reconhecimento à sua presença na comunidade itaunense e à memória que permanece viva nas gerações formadas sob o ideal de liberdade e consciência, escolheu-se seu nome para esta escola que é, ao mesmo tempo, base e horizonte para a educação de nossa terra.”


Decretonº 24.378, de 22 de março de 1985 — Criação do Ensino de 2º Grau na Escola Estadual Dona Judith Gonçalves

Educação e Memória: quando uma escola se torna história

Em março de 1985, um ato administrativo do Governo de Minas Gerais consolidou um importante passo na história da educação itaunense. O Decreto nº 24.378, assinado pelo governador Hélio Carvalho Garcia, criou oficialmente o ensino de 2º grau (atual Ensino Médio) na Escola Estadual Dona Judith Gonçalves, localizada na Avenida Governador Magalhães Pinto, no tradicional bairro Santanense.

Esse decreto marcou não apenas a ampliação da oferta educacional no município, mas também reafirmou o simbolismo de uma instituição que carrega, em seu próprio nome, a memória de uma mulher cuja história se confunde com a da cidade.

Texto Integral do Decreto

DECRETO Nº 24.378, DE 22 DE MARÇO DE 1985

Cria o ensino de 2º grau em escola da rede estadual de Itaúna

O Governador do Estado de Minas Gerais, no uso da atribuição que lhe confere o artigo 76, item X, da Constituição do Estado, e tendo em vista o disposto na Lei nº 8.518, de 09 de janeiro de 1984, e no Parecer nº 119 do Conselho Estadual de Educação, aprovado aos 4 de março de 1985,

DECRETA:

Art. 1º – Fica criado o ensino de 2º grau na Escola Estadual Dona Judith Gonçalves, situada à Avenida Magalhães Pinto, s/nº, em Itaúna.

Art. 2º – A implantação do grau de ensino a que se refere o artigo anterior será autorizada pela Secretaria de Educação, segundo as normas do Conselho Estadual de Educação.

Art. 3º – As despesas decorrentes deste Decreto correrão à conta de dotações orçamentárias próprias da Secretaria de Estado da Educação.

Art. 4º – Este Decreto entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.

Palácio da Liberdade, Belo Horizonte, 22 de março de 1985.

HÉLIO CARVALHO GARCIA

Governador do Estado de Minas Gerais

Carlos Alberto Cotta

Secretário de Estado da Educação

Octávio Elísio Alves de Brito

Secretário de Estado de Planejamento e Coordenação Geral

 Fonte: Diário do Executivo / Governo de Minas Gerais, 1985

Local: Itaúna/MG — Bairro Santanense


Elaboração e pesquisa: Charles Aquino