segunda-feira, junho 13, 2022

EMANCIPAÇÃO SANTANENSE PARTE V

Iniciavam-se, pois, os preparativos para a decisiva 2º Votação do importante Projeto nº 324/63, sendo que, a ele, foram apresentadas 279 emendas.

Solicitamos, ao prefeito Milton de Oliveira Penido, que fizesse gentileza de procurar-nos, em Belo Horizonte, em nosso gabinete da Presidência da Associação Comercial de Minas, no qual ele foi fidalgamente atendido.

Expusemos, a ele, os contatos mantidos e lhe transmitimos as nossas preocupações quanto à tramitação, do projeto, visto que, tradicionalmente, semelhantes pleitos eram tratados, na Assembleia Legislativa, em termos político emocionais, nunca prevalecendo os critérios técnicos e a tendência predominante era no sentido, em tese, de atender-se aos pleitos emancipacionistas.

O projeto separatista da Santanense, muito embora manifestamente ilegal, poderia, eventualmente, ser aprovado, o que nos conduziria a longo debate judiciário.

Dissemos-lhes, em síntese, pois que a nossa velha e consolidada amizade nos permitiria fazê-lo, o que se segue: a) era de seu dever, como prefeito Municipal, tudo fazer, e já sabíamos de sua enérgica ação neste sentido para que o projeto não fosse aprovado, na Assembleia Legislativa, sendo que ele, supúnhamos, contaria, nesta ação, com o apoiamento de pelo menos 90% da população municipal.

b)-ele deveria procurar manter contato pessoal com as principais lideranças, do bairro da Santanense, que lutavam em favor da separação, com o propósito de, eventualmente, atender alguns dos pleitos administrativos santanenses, os quais nos pareciam justos, com o que ele esvaziaria, necessariamente, o movimento emancipacionista que nos parecia, no fundo, artificial.

Dissemos-lhes que, em qualquer circunstância, poderia contar com o nosso modesto e discreto apoiamento, especialmente junto ao Governador Magalhães Pinto, com o qual mantínhamos boas relações pessoais e nos encontrávamos, com razoável frequência, em decorrência de nossos encargos públicos e classistas.

Milton de Oliveira Penido disse-nos que continuaria a lutar, no limite extremo de suas possibilidades, contra o projeto, para o que procuraria mobilizar toda a população itaunense, independentemente de conotações político-partidárias e que, também, contava com o nosso apoiamento junto ao Governo do Estado e deputados amigos na Assembleia Legislativa. Informou-nos, também, e a ausência de adequada dose de flexibilidade política era uma das características de sua personalidade, de que em nenhuma hipótese teria a iniciativa de manter contatos com os principais líderes separatistas do bairro Santanense, citando, nominalmente, os do padre Antônio João Maria Wiemers e do sr. Pedro de Magalhães, com os quais se demonstrava profundamente ressentido. Viemos a manter, antes de nossa posse na Secretaria da Fazenda, novos contatos pessoais, em Belo Horizonte, ao longo do debate legislativo do projeto 324/63.

É dever do historiador registrar que Milton de Oliveira Penido, como prefeito, foi combatente valoroso e incansável na luta pela preservação da integridade física da cidade. Os debates, ao ensejo da segunda votação do projeto, na Assembleia Legislativa, foram ainda mais acalorados e passionais do que imaginávamos e havíamos comunicado ao prefeito Milton de Oliveira Penido. Os separatistas Santanenses encontraram, na pessoa do ilustre deputado Alvimar Mourão, líder udenista de Divinópolis, e amigo particular das principais lideranças udenistas itaunenses, valioso apoio, fato que deixou, de início, o diretório udenista local dominado pelo sentimento da perplexidade. Alvimar Mourão, tipo clássico do self-made-man, empresário bem sucedido, simpático, inteligente, dotado de excelente poder de comunicação, além de ser, na luta política, obstinado e pragmático, “desenvolveu extraordinário trabalho em favor da emancipação do bairro da Santanense. Ele se utilizou de tática -bastante eficiente, pois que convidou praticamente todos os deputados estaduais para visitarem Santanense. Ele os conduzia, através da rodovia MG-050, até o trevo de entrada do bairro, recentemente construído, e os conduzia através de via pavimentada, construída no Governo Magalhães Pinto, até a praça Juvenal Pereira, a principal do bairro, e com excelente aspecto, onde os deputados eram fidalgamente recebidos pelo padre Antônio Wiermers e, frequentemente, visitavam as instalações industriais da Companhia de Tecidos Santanense, das mais modernas do Estado.

O deputado Alvimar Mourão os conduzia até a estação ferroviária do bairro com o objetivo de demonstrar, através de um marco da R.M.V., que o espaço entre Santanense e Itaúna era de exatamente quatro quilômetros, realmente a distância existente, por via férrea, entre as duas estações ferroviárias. Existiria, ainda, segundo mostrava, à distância, aos ilustres visitantes, a separar os dois núcleos urbanos, “uma mata virgem de eucaliptos”. O eminente deputado Cícero Dumont, parlamentar dos mais dignos do Estado, tradicional líder emancipacionista, apresentou em setembro de 1963, com o propósito de apressar a sua tramitação, propostas requerendo, na forma do disposto no artigo 150 do Regimento Interno, que o projeto nº 324/63, que dispunha sobre a revisão administrativa, viesse a ser disciplinado pelas “mesmas normas e prazos a que estão sujeitos os projetos periódicos”. Esta proposição, do preclaro parlamentar, demonstrando a tendência da Assembleia, foi aprovado, em 25 de setembro de 19683, por 50 votos contra 10.

O deputado Alvimar Mourão, ao discursar, na reunião de 11-9-1863, para encaminhar a votação da proposta Cícero Dumont, pronunciou o seguinte discurso, que nos permitimos transcrever, na íntegra:

“O sr. Alvimar Mourão - (para encaminhar a votação).

Sr. Presidente, Srs. Deputados.

Ao apreciar o requerimento do Deputado Cícero Dumont, quero dizer que estou a favor do mesmo por achá-lo oportuno. Nesta oportunidade, em que pese a consideração que tenho para com os meus correligionários de Itaúna, para com o Presidente e demais membros do P.S.D., quero discordar do Sr. Deputado Hermelindo Paixão e pedir vênia a S. Excia, para discordar de suas alegações, porquanto é preciso que todos os srs. Deputados ajam com serenidade, em relação ao caso de Santanense. Foi distribuído convite a todos os deputados, desta Casa, para: que comparecessem à localidade de Santanense, e verificar “in loco”; se tinham ou não razão as seiscentas assinaturas arquivadas no processo de emancipação daquela localidade, pedido de um povo aflito que deseja a emancipação. Não somos contra Itaúna, mas somos a favor daqueles que, dentro de uma prerrogativa, que dentro do direito, estão pedindo a emancipação. Itaúna está distante de Santanense, como muito bem demonstra um marco da R.M.V. - da estação de Itaúna à estação de Santanense - 4 quilômetros. Aquele bairro está separado de Itaúna por uma mata virgem de eucaliptos. Pelo simples fato de a Comissão ter apresentado um croqui, onde as divisas chegam até o centro de Itaúna, não quer dizer que não podemos apresentar emendas, modificando esta divisa. Quem pede a emancipação é o povo de Santanense: é um pedido justo, pois Santanense dispõe de todos os recursos para tornar-se uma cidade. Somente peço aos srs. Deputados que visitem Santanense e procurem conhecer a questão dos dois lados, e se faça justiça àquele povo. Qualquer que seja o veredicto desta Casa, ficarei satisfeito, porque sei que todos os srs. Deputados são justos e saberão fazer justiça aqueles que merecem (Discurso publicado no Diário da Assembleia de 17-9-1963. Os grifos são do autor desta obra).

O ilustre deputado Alvimar Mourão, no ardor do embate político desconhecia que quase todo o trecho ferroviário entre as duas estações era habitado e, sobretudo, sofismava ao dizer da existência de “uma mata virgem de eucaliptos”, pois já existia, em 1963, uma estreita estrada de “terra batida” ligando o bairro da Santanense ao centro da cidade de Itaúna.

Como explicar a ação política, no episódio, do digno deputado Alvimar Mourão, sabidamente parlamentar sensato e equilibrado? Acreditamos que seu comportamento político, voluntária ou involuntariamente, foi ditado pelas razões que se seguem: I) Ele sempre obteve, nas eleições que disputou, razoável, ainda que não expressivo número de votos, no bairro da Santanense, onde possuía alguns amigos sinceros e devotados, II) ele, ao longo de todo o episódio, foi duramente atacado por jornalistas e lideranças

municipais itaunenses e, como homem combativo, reagiu vigorosamente; III) e, finalmente, como líder representativo de Divinópolis, interessava-lhe, politicamente, a divisão urbana de Itaúna, com o seu consequente enfraquecimento, em termos político-econômicos, pois a cidade de Santanense, a ser criada, passaria, necessariamente, a gravitar em torno de Divinópolis, naturalmente sob a sua liderança política.

Escreva-se, a bem da verdade histórica, que o deputado Alvimar Mourão, ao longo de todo o complexo debate, se portou com esmerada educação, não se excedeu em seu linguajar e, deveras, defendeu, com muita competência política, a posição que lhe parecia mais correta e em harmonia com os interesses da região por ele representada, no parlamento estadual, por delegação de seus eleitores, aos quais sempre foi absolutamente fiel. Está claro, todavia, que este posicionamento, correto em termos de seu projeto político pessoal, contrariava, frontalmente, os mais legítimos e históricos interesses itaunenses, cuja comunidade haveria de reagir, como de fato aconteceu, com a altivez, sob a liderança natural de seu prefeito Milton de Oliveira Penido. Os partidos políticos itaunenses, e as principais lideranças municipais, compreendendo a gravidade da ameaça ao futuro de Itaúna, se uniram na defesa do patrimônio comum, inclusive algumas personalidades que, na fase inicial de pugna cívica, pretenderam se manter na inadmissível posição de neutralidade.

É de se destacar, ademais, a valiosa ação do jornal “Folha do Oeste”, sob a direção do jornalista Sebastião Gomide, hoje substituído pelo também combativo jornal, Brexó; dirigido pelo jornalista Célio Silva que, com o seu temperamento, não se limitava, apenas, em defender a causa itaunense, mas, também, investia fortemente contra os principais líderes separatistas. No ardor destes debates é de se mencionar, também, a ação ativa e radical do jornalista José Waldemar Teixeira de Mello. Os ânimos se exaltaram. Promoveu-se o enterro simbólico do deputado Alvimar Mourão e a cidade, por um dia, em sinal de protesto, paralisou todas as suas atividades. Os líderes separatistas, em número reduzido, eram, todavia, portadores de grande espírito de luta. Encaminharam, em 16 de setembro de 1963, memorial, ao deputado Alvimar Mourão, que foi, por ele, lido da tribuna da Assembleia Legislativa, na 120º reunião ordinária, e publicado no Diário da Assembleia de 21 do mesmo mês e ano, o qual reproduzimos a seguir:

“O sr. Alvimar Mourão — Sr. Presidente e srs. Deputados. Acabo de receber um ofício de comissão representando a população de Santanense pedindo que se dê ciência a esta Casa de seu conteúdo, o que ora faço:

“Santanense, 16 de setembro de 1963.

Exmo. Sr. deputado Alvimar Mourão — Assembleia Legislativa — Belo Horizonte. Nesta oportunidade, temos o prazer de passar às mãos de V.Exa. cópia do memorial que os coordenadores do Movimento Pró Emancipação de Santanense endereçaram às altas autoridades do Estado e do município de Itaúna.

EMANCIPAÇÃO SANTANENSE PARTE VI

REFERÊNCIA:

Pesquisa e organização para o blog: Charles Aquino

TEXTO: Dr. Miguel Augusto Gonçalves de Souza

FONTE IMPRESSA: SOUZA, Miguel Augusto de. Capítulos da história itaunense/Miguel Augusto de Souza – Itaúna: Universidade de Itaúna, 2001.Ed. Impressa Oficial de Minas, p.398 – 402-407. 

EMANCIPAÇÃO SANTANENSE PARTE IV

Palácio da Inconfidência, em Belo Horizonte, aos 16 de novembro de 1961.

O Presidente — (a) Francisco de Castro Pires Junior

O 1º Secretário — (a) Wilson Modesto Ribeiro

O 2º Secretário — (a) José Fenandes Filho.

Esta importante Lei Constitucional nº 6 foi publicada no “Diário da Assembleia”, de 18 de novembro de 1961.

Competiria, à Secretaria de Estado do Interior, por imperativo constitucional e de acordo com as normas legais disciplinares. Da matéria, encaminhar, ao alto exame da Egrégia Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais, devidamente estudados e informados, os elementos necessários à discussão e votação da Divisão Administrativa do Estado, a vigorar no quinquênio compreendido entre 1º de | janeiro de 1964 a 31 de dezembro de 1968.

— A matéria foi exaustivamente estudada pela Comissão de Estudos da Divisão Administrativa e Judiciária do Estado (CEDAJE), presidida pelo sr. Secretário do Interior, sendo-lhe possível encaminhar suas conclusões, em tempo hábil, ao exame do Poder Legislativo Estadual. Isto ocorreu, em 15 de junho de 1963, através de ofício assinado pelo senhor Secretário do Interior, dr. Raul de Barros Fernandes, ao senhor deputado Walthon de Andrade Goulart, digno Presidente da Assembleia Legislativa do Estado.

Examinando-se o relatório da CEDAJE observa-se que, em espaço de tempo relativamente curto, foram analisados, com absoluta isenção e corretos critérios jurídico administrativos, 259 processos, dos 299 que deram entrada na Secretaria, destacando-se: Criação de Municípios 140 Criação de Distritos 76.

Ressalte-se que 40 processos não foram objeto de estudos da Comissão, por ser insuficiente a documentação apresentada, e os demais Processos se referiam à criação de Comarcas, anexação de Povoados ou Distritos, retificação de Divisas, mudança de- Topônimo, transferência Judiciária, protesto contra anexação de Povoado e extinção de Distrito.

Dos 140 pedidos de criação de municípios 20 foram deferidos, 100 indeferidos, 6 deixaram de ser apreciados, por incompletos, e 14 foram, por determinação do plenário da Comissão, baixados em diligência.

Dentre os pleitos Indeferidos, por falta de amparo legal administrativo incluía-se, corretamente, o do bairro da Santanense, integrante da cidade de Itaúna.

Exercíamos, no ano de 1963, a Presidência da Associação Comercial de Minas é da Federação das Associações Comerciais do Estado de Minas Gerais, além da Presidência do Conselho de Administração do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais - BDMG, para cuja fundação tivemos a honra de contribuir. Mantínhamos, ainda, movimentado escritório de advocacia em Belo Horizonte e não participávamos, por qualquer forma, da luta político-partidária itaunense.

 Quando tomamos conhecimento, todavia, através da leitura de jornais, do projeto tentativa de emancipação do bairro da Santanense que, em realidade, mutilava mortalmente a cidade de Itaúna, com o desmembramento de várias de suas áreas urbanas, além do bairro da “Santanense, bem como da melhor parcela de sua já pequena área rural, nos tornamos possuídos de grande receio em relação ao futuro de nossa terra natal. Esta preocupação mais se “acentuou quando percebemos que o inusitado movimento reivindicatório, muito embora destituído de verdadeiro suporte popular era, todavia, sustentado por grupo aguerrido de pessoas inteligentes, com grande poder de mobilização, sendo de nosso dever testemunhar que todos eles eram cidadãos honrados e dignos. Sentimos ser de nosso dever agir rapidamente, em defesa da integridade física de Itaúna, utilizando nossos relacionamentos pessoais e os acessos que nos possibilitavam os cargos exercidos.

Feliz coincidência muito nos ajudou. O Secretário do Interior, Raul de Barros Fernandes, mineiro ilustre, nascido em Senador Firmino, na zona da Mata que, no decorrer de sua profícua gestão prestou assinalado serviço ao Estado, quando solucionou, em definitivo, o velho e complexo litígio fronteiriço, entre Minas e o Espírito Santo, na chamada região do “Contestado”, era nosso velho e bom amigo, colega de turma, pois nos graduamos, juntos, em 5 de novembro de 1949, pela tradicional Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais.

Visitando-o, por algumas vezes, tivemos a oportunidade de demonstrar-lhe, com calor humano, mas possuídos da necessária isenção de quem tratava de assunto relevante, e de interesse coletivo, além do natural respeito ao titular de tão importante cargo, a ilegalidade e o descabimento do singular pleito.

Dissemos, ao ilustre Secretário, que Itaúna estaria mortalmente atingida pela reivindicação separatista, e seria totalmente impossibilitada de progredir, sendo que viriam a permanecer dois pequenos municípios, Itaúna e Santanense, com divisas urbanas indefinidas, coexistindo dificilmente, em permanente conflito, ambas com modestas possibilidades de progresso.

O pleito seria manifestamente ilegal, pois Santanense era, inequivocamente, bairro de Itaúna; a cuja paisagem urbana destacadamente pertencia. Dissemos, ainda, que sob o ângulo histórico, a colina do Rosário e Santanense eram os principais berços, as origens da pátria itaunense. “ Dissemos que os antigos distritos de Conquista, Cajurú, Serra Azul e Itatiaiuçú, integrantes de nossa área rural quando da instalação do município, em 2 de janeiro de 1902, foram, cada um a seu tempo, muito embora deixando Itaúna com apenas seu distrito-sede, se emancipando, em natural processo evolutivo, sem qualquer resistência das autoridades municipais itaunenses, visto que justas e legais todas aquelas pretensões. Já o mesmo não se poderia dizer do pleito Santanense que se caracterizava como condenável, inadequado e ilegal movimento separatista de nossa área urbana, com origens alienígenas, e contra o qual praticamente toda a população itaunense se rebelaria na sua capacidade extrema de combater.

Não foi difícil convencer o ilustre Secretário do Interior da improcedência do pleito emancipatório, e ele, parlamentar ilustre e experimentado, além de ser dotado de cultura jurídica e profundo conhecimento das realidades mineiras, bem compreendeu as negativas consequências do singular movimento separatista.

Os membros da CEDAJE, comissão presidida pelo ilustre Secretario, eram, todos eles, cidadãos portadores de comprovadas virtudes cívicas, competentes, dedicados à causa pública, e conhecedores profundos da legislação aplicável à espécie.

O Parecer, de 12 de junho de 1963, aprovado, em 14 do mesmo mês e ano, por unanimidade, pelo plenário da CEDAJE, Processo nº 193, dispõe:

“São os seguintes os requisitos que a lei exige para a criação de municípios:

I - População mínima de 10.000 habitantes;

II - Renda anual mínima de Cr$100.000,00;

III - Existência, na sede de, pelo menos, 200 casas de moradia, assoalhadas, cobertas de telhas, edifícios com condições para instalação do Governo Municipal, instrução pública, posto de saúde e matadouro, bem como terreno para cemitério.

A documentação apresentada, fornecida pelos órgãos competentes, satisfaz os requisitos constantes do item III, não satisfazendo os demais requisitos.

A população do “Bairro Santanense”, segundo Certidão oficial é de 2.912 habitantes e a renda não poderia: ser certificada pela Prefeitura, porque a Contabilidade Pública Municipal apenas registra a renda por Distrito, e Santanense é, bairro da cidade de Itaúna e não um distrito propriamente dito.

Em face do exposto, submetemos à decisão do plenário da CEDAJE, nosso parecer no sentido de não atendimento da pretensão das partes interessadas na emancipação do “Bairro Santanense”, do município de Itaúna”.

O Parecer, pois, da CEDAJE, encaminhado à egrégia Assembleia Legislativa, sobre a nova divisão administrativa do Estado, no mês de junho de 1963, como não poderia deixar de acontecer, Indeferia o pleito do bairro da Santanense.

 

EMANCIPAÇÃO SANTANENSE PARTE V

REFERÊNCIA:

Pesquisa e organização para o blog: Charles  Aquino

TEXTO: Dr. Miguel Augusto Gonçalves de Souza

FONTE IMPRESSA: SOUZA, Miguel Augusto de. Capítulos da história itaunense/Miguel Augusto de Souza – Itaúna: Universidade de Itaúna, 2001.Ed. Impressa Oficial de Minas, p.398 - 401.

MEMORÁVEL PROFESSOR ITAUNENSE

O legado do professor Jesus Ferreira é marcado por uma vida dedicada à educação musical e à promoção da arte, especialmente entre os deficientes visuais. Desde sua formação no Instituto São Raphael, onde demonstrou seus talentos intelectuais e musicais, até sua atuação como regente e compositor, Ferreira deixou uma marca eterna no cenário musical brasileiro.

Sua trajetória incluiu importantes conquistas, como sua participação como solista na Orquestra Sinfônica de São Paulo e sua vitória em um concurso de violão no Rio de JaneiroAlém de suas realizações artísticas, Ferreira também se destacou como educador, trabalhando em instituições como o Instituto Padre Chico em São Paulo. No entanto, é notável sua decisão de retornar a capital mineira, onde continuou a reger o Coral São Raphael e a contribuir para a comunidade local. Sua dedicação ao ensino da música e sua participação em diversos eventos e congressos internacionais demonstram seu compromisso com o desenvolvimento cultural e educacional.

O professor Ferreira deixou um legado não apenas através de suas composições e performances, mas também através de sua influência como mentor e líder comunitário. Sua contribuição para a música brasileira e para a promoção da inclusão de pessoas com deficiência visual é digna de reconhecimento e admiração. Através de sua música e de seu trabalho educacional, ele iluminou as almas e deixou um impacto duradouro na sociedade.


PROFESSOR JESUS FERREIRA


JESUS FERREIRA iniciou seus estudos no Instituto São Raphael desde tenra idade, onde logo mostrou seus talentos intelectuais e musicais. Ele fez grandes avanços na pesquisa acadêmica, mas dedicou sua vida à música. No instituto estudou teoria musical, harmonia e contraponto para os cursos de violino e regência. 

Após sua formação no Instituto São Raphael, seguiu para a cidade de São Paulo, trabalhando de início, em casas noturnas e durante o dia, em entidades para deficientes visuais. No famoso e conhecido Conservatório Dramático e Musical da capital paulistana, conquistou seu diploma agora como violinista, passando pelos ensinamentos dos mestres Dinorá Milloni Ferraz, Zacarias Autuori, Mário de Andrade entres outros especais. Chegou a participar como solista da Orquestra Sinfônica de São Paulo.  Após 10 anos, sem esquecer de suas raízes, em 1949 o professor Jesus Ferreira retorna a sua cidade natal, Itaúna, Minas Gerais para realizar um recital de violino, sendo bastante aguardado pelo público itaunense.   

No ano de 1959, ao ganhar em primeiro lugar o concurso de violão na cidade do Rio de Janeiro e tendo grandes oportunidades de ampliar seus sonhos nas terras cariocas, decidiu voltar para Minas Gerais no ano seguinte, onde passou a reger a direção do Coral São Raphael. Nas décadas de 1971 e 1973 foi homenageado pelo Lions Club com Certificado de Colaborador e Medalha de Honra ao Mérito, pelos trabalhos de representante do Instituto São Raphael no Conselho Nacional para o Bem Estar dos Cegos no Rio de Janeiro. 

Em 1974 o Coral regido pelo professor Jesus Ferreira seguiu para Porto Alegre na missão de cumprir um de seus mais importantes trabalhos: Participar do Congresso Internacional de Coros, sendo aclamados por todos os presentes após gloriosa apresentação, sendo desativado o grupo no mesmo ano. O Coral retorna com suas atividades no ano 1976 novamente com regência do professor Jesus, agora, denominado “Coral de Ex-alunos ARS Vita”, iniciando apresentações em terras paulistas por 10 dias consecutivos entre bares, lanchonetes, rádios, televisão e no Instituto de Cegos Padre Chico. O ano de 1975 o professor Jesus Ferreira foi um dos ilustres protagonistas que participou e ajudou o município de Itaúna, Minas Gerais a conquistar o título de PRIMEIRA CIDADE EDUCATIVA DO MUNDO”. 

No ano de 1989 o Coral de Ex-alunos é desativado, todavia, ainda no mesmo ano, o professor e Diretor do Instituto São Raphael, José Juvenal da Cruz Filho em parceria com o Diretor de Planos e Programas da Coordenadoria de Apoio e Assistência ao Deficiente, conseguiram junto a igreja Batista do Barro Preto de Belo Horizonte, um espaço no auditório para novamente realizarem os trabalhos musicais, com isso, o professor Jesus Ferreira é novamente convidado a participar. O Diretor José Juvenal registra que foi mais uma época gloriosa e harmoniosa junto ao professor Jesus Ferreira, que lamentavelmente no ano de 1995, seus trabalhos foram interrompidos devido as condições frágeis de saúde que não permitiu continuar como regente.  O professor e Diretor José Juvenal ressalta ainda, que Jesus Ferreira “amblíope desde criança, além de musicólogo e professor foi exímio violinista, pianista e compositor, [...] que seu xará Jesus, o tenha recebido e o ajude a continuar alegrando e iluminando as almas por onde esteja”.  O memorável professor Jesus Ferreira veio a falecer 04 abril de 1998. 

FAMÍLIA

JESUS FERREIRA nasceu no município de Itaúna, Minas Gerais em 29 de junho de 1916. Filho de José Ferreira da Silva (Zé Carreiro da Várzea da Olaria) e Conceição Caetano Ferreira, neto paterno de João de Deus Ferreira e Castorina Maria de Jesus e pelo lado materno, neto de João Caetano e Luiza Caetano. Casou com HERMÍNIA GOBBO FERREIRA nascida no município de Sacramento, Minas Gerais em 20 de janeiro de 1910 e batizada aos 20 de abril 1911 na Paróquia de Nossa do Patrocínio do Santíssimo Sacramento; registrada no Registro Civil do Ipiranga São Paulo, assinado pelo Oficial de Registro Civil e Escrivão de Paz Geraldo de Barros Brotero em 01 de junho de 1940;  filha de João Gobbo e Maria Scalon.

O casal teve 3 filhos biológicos e um adotivo: Professor José Gobbo Ferreira, Coronel do Exército e doutor em Engenharia Aeroespacial, nascido aos 28 de fevereiro de 1941 às 20 horas a Rua Sousa Pereira no município de Sorocaba, Estado de São Paulo; registrado pelo Escrivão do Juízo de Paz e oficial do Registro Civil, Delmino Malheiro de Almeida e pelo Oficial Maior, Possidonio F.M. Quertchetti; Cleia Marcia Gobbo Ferreira, Técnica de Enfermagem; Terezinha Gobbo Ferreira, nascida no dia 8 de outubro de 1946, às 8:00 hs no prédio de número 1871 da Avenida do Estado, Subdistrito (Santa Efigênia) São Paulo, assinado pelo Oficial Arnaldo Leal – Serventuário da Escrivania do Juízo de Paz e oficial do Registro Civil das Pessoas; e José Carlos Munhoz. Assim teve 10 irmãos: parte de pai, José Ferreira, Geraldo Ferreira, Vital Ferreira, Constança, Aparecida e Aurora; por parte de mãe, Cosme Caetano da Silva, Terezinha, Agostinho e Maria São Gonçalo. Florescendo ainda mais 9 netos e 4 bisnetos.

 

CURRICULUM VITAE

PROFISSÃO:

Professor, violinista, pianista, compositor, arranjador musical, regente Coral 

ESCOLAR:

Primário - Instituto São Raphael 1927/1930

Ginasial Instituto São Raphael 1931/1935

Superior - Conservatório Dramático e Musical de São Paulo 1945

Curso de Extensão Cultural de regência e Técnica Vocal feito na Escola de Música da UFMG em 1973

REGISTROS:

Registros no MEC: Canto orfeônico - º 3518 29/09/1961

Educação Musical 8503 – 04/03/1969

Violino nº 709

TRABALHOS:

Professor de dicção - Instituto Pestalozzi, 1935 Belo Horizonte/MG;

Professor de Música - Instituto Padre Chico – São Paulo 1937/1939;

Adjunto da Direção Técnica - 1940-1945 da Associação Promotora de Instrução e Trabalho para Cegos – APIT / São Paulo/SP;

Gerente Técnico - SOT para cegos São Paulo - 1946/1960;

Professor de Educação Musical Efetivo nível P3E MASP;

Representante anual como delegado do Instituto São Rafael (Assembleias de Conselho Nacional para o Bem estar dos Cego, sediado no RJ);

Regente do Coral São Raphael – Belo Horizonte/MG – 1966/1974

Coral de Ex-alunos ARS VITA - 1975/1989/1995

OBRAS:

Publicação de obras musicais: “Noite de Estio”; “Faz-de-Conta” (Irmãos Vitale Ed. SP); “Coleções Noites Brasileiras”, Canções de Minha Terra”, Cenas Infantis” entre outras.

Autor do Hino Oficial do Município de Itaúna

Compôs peças para violino, violoncelo, instrumento de sopro e canto.

Arranjos para coral, Orquesta e Banda

Parcerias com Mestres Eládio Peres Gonçalves e Carlos Alberto Pinto Fonseca.

Foi um dos artistas consagrados que participou do projeto e ajudou o município de Itaúna a obter o título de “Cidade Educativa do Mundo” em 1975.




Referências: 

Organização, pesquisa e arte: Charles Aquino - Historiador Registro nº 343

(CDMSP): https://spcity.com.br/do-conservatorio-dramatico-musical-de-sao-paulo-praca-das-artes

FILHO, José Juvenal da Cruz. Agentes da Luz O Instituto, 2003, Ilustradas, p.49,50.

NOGUEIRA, Guaracy de Castro. In Enciclopédia Ilustrada de Pesquisa: Itaúna em detalhes. Ed. Jornal Folha do Povo, 2003, p. 28 a 31.

Apoio a pesquisa e Acervo: Instituto Cultural Maria de Castro Nogueira / Patrícia Gonçalves Nogueira

Apoio a Pesquisa e Acervo:  Professor Giovanni Vinicius (sobrinho de Jesus Ferreira)

Apoio a Pesquisa: Cosme Caetano da Silva (In Memoriam)

Apoio a Pesquisa: Itaúna em Décadas (Blog / Site): Disponível em:

https://itaunaemdecadas.blogspot.com   /    https://itaunadecadas.com.br

 Acervo: Museu Municipal Francisco Manoel Franco – Violino: Disponível em:  https://www.itauna.mg.gov.br/imgeditor/file/Violino.pdf

 

Fontes Impressas da Biblioteca Nacional Digital do Brasil:

Correio da Manhã – Rio de Janeiro, Domingo, 1 de Dezembro de 1935, nº 12589

Correio da Manhã – Rio de Janeiro, Quarta-Feira, 19 de Agosto de 1936, nº 12.812  

Correio Paulistano – São Paulo, Quarta-Feira, 19 de Outubro de 1949, nº 28692

Correio Paulistano – São Paulo, Quarta-Feira, 23 de maio, nº 30717

Diário Carioca – Rio de Janeiro, Sábado 28 de Janeiro de 1939, nº77

Diário de Notícias – Rio de Janeiro, Domingo 9 de Outubro de 1949, nº 8272

Diário de Notícias – Rio de Janeiro, Domingos 26 de Junho de 1949, nº 8182

Folha do Oeste – Itaúna, 24 de Julho de 1949, nº 32

Gazeta de Notícias – Rio de Janeiro, 25 de Janeiro de 1927, nº 21

Jornal do Brasil – Rio de Janeiro, Quinta-feira, 26 de Janeiro de 1939, nº 22

Jornal do Commercio – Rio de Janeiro, Sexta-Feira, 29 de Outubro de 1937, nº 25

O Malho – Rio de Janeiro, 16 de Março de 1929, nº 1383

 

Family Search: Disponível em:

 https://www.familysearch.org/ark:/61903/3:1:3Q9M-CS6V-8BVM

https://www.familysearch.org/ark:/61903/3:1:3Q9M-CSDY-R9ZC-S


https://www.familysearch.org/ark:/61903/3:1:3Q9M-CS87-M9FQ

sexta-feira, junho 10, 2022

GALVÃO (PORTUGAL/ESPANHA)

MARGARIDA VIEIRA DE ASSUNÇÃO, hija de ANNA VIEIRA CABRAL y ANTONIO FRANCISCO DOS SANTOS, nacida en Prados, Minas Gerais, Brasil el 04 de septiembre de 1732 y fallecida en Pitangui, Minas Gerais, Brasil en fecha desconocida, casada en Pitangui, Minas Gerais, Brasil en fecha desconocida con ANTÔNIO ROIZ CALVÃO, nacido en Santa Maria de Calvão, Castelões, Vila de Chaves, Arcebispado de Braga, Portugal, en fecha desconocida y fallecido en Pitangui, Minas Gerais, Brasil el 24 de diciembre de 1762.

MARGARIDA VIEIRA DE ASSUNÇÃO2 y ANTONIO ROIZ CALVÃO, la pareja tuvo al menos los siguientes hijos:

1. Jose, doce años;

2. Antonio, once años;

3. Luis Roiz Calvão,

4. João, nueve años;

5. Lourenço, ocho años;

6. Izabel, siete años;

7. Alexandre, seis años;

8. Joanna, cinco años;

9. Manoel, un año


HUELLAS – Desde el comienzo de Radio Sefarad hemos recibido innumerables consultas acerca del posible origen judío de cientos de apellidos. Para responder a estas consultas precisamente nació Huellas.

Con este programa y con la ayuda de nuestro colaborador Manuel Sanvicente queremos responder a su curiosidad y su interés.

Recuerden que en Huellas no ofrecemos respuestas absolutas ni certificados de judeidad. Es tan sólo una aproximación al posible origen judío de sus apellidos. En el programa de hoy nos referimos a los apellidos Cruces, Galván, Aponte (Ponte) y Arriens (Ariens).


 CRUCES

Apellido de linajes que probaron su hidalguía en la Orden de Santiago, Calatrava, Alcántara, Montesa, con Carlos III y en San Juan de Jerusalén. Apellido de judíos sin que se pueda precisar un origen toponímico o por estar al servicio de estas notables familias Cruces. Un entronque de caminos era llamado “cruces” y en su lugar se colocaba una o varias cruces por motivos mágicos o religiosos. Apellidos relacionados tomados por conversos son Cruz, De la Cruz o Santa Cruz. El espacio geográfico más importante de Cruces es España, seguido de Argentina, Canadá, Suiza y Francia.

 GALVÁN

Antiguo apellido que probó su nobleza en numerosas órdenes militares que lucharon contra los moros, teniendo casa solar en Castilla, Aragón, Galicia y Portugal. Galván procede de Galba, que en gaélico significa «grasa», famoso emperador romano. Apellido de judíos y conversos. Algunos de ellos fueron procesados por la Inquisición. Este es el caso de los vecinos de Ávila, Alonso y Gonçalo Galván, ambos reconciliados en el año 1497. Otras variantes de este nombre, entre judíos, son: Galvano, Galvao y Gálvez. Muchas de las familias Galván que llegaron a Argentina eran judías o descendientes de conversos que ocultaron su origen. Espacio geográfico principal: Argentina, España, Italia, Estados Unidos y Francia.

 APONTE, PONTE

El primitivo solar de los Ponte o Apronte (que significa puente) estuvo radicado en La Coruña (Galicia). Esta noble familia pasó a Aragón, fundando casa solar, y formando parte de órdenes militares que acreditaban su nobleza y en la Cancillería de Valladolid y Granada. Como apellido de judíos pudo ser tomado de la localidad de su mismo nombre, Aponte, en Galicia, en el acto del bautismo. Francisco López de Aponte fue un converso acusado de judaizante, quemado vivo en México durante un auto de fe en el que se dedicó a hacer burlas de jueces y religiosos en el año 1659. Los judíos llegaron a América como cristianos nuevos, después de 1492, desde España y Portugal, y desde Gran Bretaña y Holanda como nacionales de aquellos países. Finalizada la conquista de México, prácticamente todos los miembros de la administración española eran de origen converso, pese a los estrictos controles sobre pureza de sangre para viajar a América. La huella de los conversos y judíos Aponte aparece por toda América desde Chile a Canadá. Hoy día, en diferentes lugares de España, se encuentran fincas con el nombre de «Judío Aponte». Actualmente el espacio geográfico principal de Aponte es Argentina, seguido de Estados Unidos, España y Francia.

 ARRIENS / ARIENS

De este notable apellido vasco se tiene conocimiento desde el siglo XI y XV, siendo su presencia más visible entre los siglos XV y XIX. Los Arriens fueron fundadores de la ciudad de Vitoria en el lugar de una aldea llamada Gazteiz y de la ciudad de Monterrey en México. No se encuentran documentos que vinculen Arriens con judíos o conversos. Tampoco hay que confundirlo con el apellido alemán Ariens, muy extendido entre los judíos askenazíes de Europa del Este.


REFERÊNCIA:

Organização e Pesquisa para o blog: Charles Galvão de Aquino

Genealogia Família Galvão de Pitangui: https://www.myheritage.com.br/site-623718131/calvaogalvao#

Official blazon:

Escudo de azul, uma rosa de ouro, botoada de vermelho, entre duas espigas de centeio, de ouro, postas em pala; em campanha, uma ponte de um arco, de prata, lavrada de negro, firmada nos flancos e movente de uma planície ondada de três tiras de prata e azul. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco com a legenda a negro em maiúsculas : “ CALVÃO - CHAVES “. Disponible en: https://www.heraldry-wiki.com/heraldrywiki/wiki/Calv%C3%A3o_%28Chaves%29

Radio Sefarad:  https://www.radiosefarad.com/el-origen-de-los-apellidos-cruces-galvan-aponte-ponte-y-arriens-ariens/

domingo, maio 29, 2022

CÓRREGO DO SOLDADO

POVOADO CÓRREGO SOLDADO ITAÚNA MG


Contaremos a origem do Povoado Córrego do Soldado através deste tronco familiar, que compraram estas terras no final do século XVIII, para isso iremos falar da origem do seu povo.

Pedro Antunes Costa, filho de Pedro Antunes Sadim e Maria da Costa de Amorim, filha de Manoel Costa Pacheco e Maria Machado Amorim. Pedro Antunes Costa se estabeleceu na Vargem do Rio Manso, na segunda metade do séc. XVIII, em sociedade com seu irmão Antônio Antunes Costa. Onde constituíram suas famílias e iniciaram o povoamento do lugar denominado Cachoeira dos Antunes, que atualmente se encontra alagado pelo sistema Rio Manso, que fornece água para maioria das cidades da Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Pedro Antunes Costa casou com Mariana Rosa do Nascimento, filha de Manoel Lopes dos Santos e Ana Maria Avelar, ele faleceu em 1800 e ela em 1810, ambos na fazenda da Cachoeira, à margem do Rio Manso, do então distrito do Brumado do Paraopeba, da Freguesia do Curral del Rey, sendo ela sepultada em 12/09/1810 na Capela de Santa Luzia do Rio Manso e encomendada pelo Padre Joaquim Ferreira Pinto.

Em Sabará os genealogistas Dr. Alan Penido, o Sr. Áureo Nogueira da Silveira e Dr. Guaracy de Castro Nogueira, encontraram o inventario do Padre José Antunes Machado que também é irmão de Pedro Antunes da Costa, o Padre foi batizado em 15/05/1747 em Piedade do Paraopeba. Já Pedro Antunes da Costa, provavelmente nasceu em 1740 pouco mais ou menos, e possui quatro irmãos.

De suas núpcias com Mariana Rosa do Nascimento tiveram 11 herdeiros diretos e dos mesmo para este estudo necessitamos saber da historia de seu oitavo filho Francisco Antunes Campos, que nasceu em 23/01/1785 e foi batizado pelo Padre Francisco Borges do Rego na Capela de Santa Luzia. De acordo com a cópia de um batizado, pesquisado por Áureo da Silveira e Dr. Alan Penido.

Francisco Antunes Campos casou em primeiras núpcias com  Teodósia Maria de Jesus, filha de Manoel Pinto Brandão e Mariana Joaquina de Jesus, ela nasceu em 1785 e faleceu em 1850, como consta em seu inventario, já Francisco possui 72 anos, como constas nas folhas já amareladas deste importante documento.

Em seu segundo casamento Francisco Antunes Campos casou com Umbelina Fortunata de Jesus. Em 08 de outubro de 1856 morre Francisco Antunes  Campos  deixando  uma  grande  geração  de  herdeiros.  De  seu segundo casamento não deixou geração, mas no seu primeiro casamento deixou oito filhos, destes nos interessa, seu filho mais velho o Francisco Antunes Campos Junior.

Francisco Antunes Campos Junior casou com Joana Gomes Leite, filha do Alferes Manoel Gomes Rezende e Angélica Maria de São Camilo, desse matrimonio tiveram quatorze filhos, com sua viuvez, casou-se pela segunda vez com Balbina Umbelina Faria.

Dos quatorze filhos que gerou em seu primeiro casamento, nos interessa seu nono filho Joaquim Antunes Campos, o qual nasceu em 24 de dezembro de 1847 no povoado do Rio Manso e teve sua vida adulta na Fazenda em Lavrinhas, que pertencia a São João do Rio Acima e atualmente pertence ao município de Itatiaiuçu, na fazenda de Lavrinhas da família Antunes Campos

Joaquim Antunes Campos constituiu sua família com sua esposa Maria Constância de Jesus, filha de José Borges Ferreira e Constância Maria de Jesus. Ali criaram lavouras, negociaram escravos, zeram  negócios  e criaram seus filhos fazendo com que surgisse o atual povoado do Córrego do Soldado.

POVOADO CÓRREGO SOLDADO ITAÚNA MG

POVOADO CÓRREGO SOLDADO ITAÚNA MG

No dia 13 de abril de 2018, o pesquisador e genealogista Alexandre Campos e o historiador Charles Aquino, estiveram neste povoado e foram até o Cemitério  daquela  localidade  fazer  registros  fotográficos.  Começando  o trabalho de campo, observaram que para a construção deste local, havia fortes indícios de mão de obra escrava, sinalizando o tempo de construção do mesmo.

No mesmo local foi observado alguns túmulos muito antigos, alguns com apenas uma das hástias da cruz em madeira, outros que o tempo já levou para eternidade e outros que ainda possui identificação, o mais antigo que conseguimos identificar foi de Joaquim Antunes Campos que faleceu em 22 de outubro de 1921, e deixou seis filhos morando naquela localidade, são eles: José, Francisco, Antônio, Joana, João e Josias.

Seu segundo filho Francisco Antunes Campos Primo, nascido em 22 de agosto de 1879, também esta sepultado no mesmo local, ele faleceu de “Miocardite” em 18 de novembro de 1943, deixando na Fazenda da família sua esposa Custodia Antunes Gomes que era sua parenta e nasceu em 3 de agosto de 1889, filha de Manoel Gomes Rezende e Del na Antunes Gomes, do seu matrimonio tiveram doze filhos. Plagiando o Senhor Áureo da Silveira que diz a seguinte afirmação “A família Antunes Campos é meio mundo de Itaúna, Itatiaiuçu e Rio Manso”.

Um dos descendentes de Joaquim Antunes Campos é o corretor Edilenio de Carvalho que conta com orgulho que sua avó doou oito alqueires de terra para Paroquia de Sant’Ana, a região que hoje se encontra a Igreja e o Cemitério, e grande parte do arraial.

Outro tumulo antigo, é de Manoel Antunes Ribeiro, que também é descendente da Família Antunes Campos, ele é bisneto de Francisco Antunes Campos, Manoel Antunes Ribeiro é filho de Ana Gomes Leite e Miguel de Sousa Ribeiro, sua mãe foi sepultada no Córrego do Soldado em 15 de junho de 1916, aos 84 anos, sendo assim nascida em 1832.

POVOADO CÓRREGO SOLDADO ITAÚNA MG

POVOADO CÓRREGO SOLDADO ITAÚNA MG

Manoel Antunes Ribeiro, nasceu provavelmente em 1848 ou 50, já em Santa do São João Acima, em seu primeiro casamento com Maria Cassemira de Jesus Fonseca, tiveram oito filhos, ela faleceu de complicações no parto aos 36 anos em 7/03/1889, no Córrego do Soldado, muito provavelmente sepultada no mesmo tumulo, em segundas núpcias casou com Maria Rita de Jesus em 04/05/1889, em Bonfim pelo famoso Vigário Trigueiro, ela  filha de João Antônio Moreira e Maria Isidora de Jesus, neste matrimonio tiveram outros nove filhos.

Destes matrimônios relatados e de outros pesquisados, podemos observar que de fato estes antepassados deram origem a diversas famílias de Itaúna e região, estes portugueses ajudaram a colonizar as margens do Paraopeba e as do Rio São João, são exemplos de famílias que surgiram através da família Antunes Costa/Antunes Campos: Antunes Ribeiro, Antunes Moreira, Antunes Pinto, Antunes Nogueira, Dias Pereira, Bernardes da Silveira e diversos Antunes Campos casaram com outras famílias tradicionais da região como Gonçalves de Sousa, Silva Campos, Nogueira Penido e outras…

POVOADO CÓRREGO SOLDADO ITAÚNA MG

Informações Diocese de Divinópolis / Capela de Nossa Senhora de Lourdes
 
Anos mais tarde, construíram uma pequena capela para o encontro da comunidade: para recitação do terço, novenas e outras festas religiosas. Como a comunidade crescia, organizou-se um conselho local, cujo tesoureiro, Sr. Augusto, foi um dos entusiastas para a construção de uma capela maior para melhor atender aos moradores da comunidade, além de uma casa paroquial. Um dos usuários mais frequentes da casa paroquial do Córrego do Soldado foi o saudoso Cônego José Ferreira Netto, que tinha uma grande estima pelos moradores da comunidade.

Curiosidade: O porquê do nome “Córrego do Soldado”

Conta-se que anos atrás houve uma discussão séria entre duas pessoas, que culminou na morte de uma delas, no local que atualmente chama-se Santo Antônio da Serra, município de Carmo do Cajuru. Para esclarecer o crime, foram designados dois soldados. Eles foram até o local, mas o agressor não foi encontrado. Antes de iniciarem a busca do agressor em outros lugares,
 fizeram uma “jacuba” (espécie de mexido) e comeram boa parte dela em Santo Antônio da Serra. Horas mais tarde, após buscas sem sucesso, comeram o que restou da jacuba – uma jacubinha, na região que atualmente é conhecida por este nome. Os soldados continuaram a busca. Porém como haviam comido muito, sentiram-se “ empanturrados” e resolveram procurar algum córrego para tentar solucionar aquele problema. Depois de muitas andanças, encontraram o córrego, beberam bastante água, mas infelizmente morreram nas margens daquele que ficou conhecido como “Córrego Soldado”.


Veja também: O VIGÁRIO DO CÓRREGO


Referências:

Pesquisas Genealógicas: documentações de cartórios, Family Search (certidões de nascimento, óbitos, casamentos), Arquivo Histórico Bonfim, IHP-Instituto Histórico de Pitangui. 
Pesquisa e texto: Alexandre Silva Campos
Pesquisa e colaboração:Dr. Alan Penido
Pesquisa e Colaboração: Aureo Nogueira da Silveira
Pesquisa e Colaboração: Guaracy de Castro Nogueira (In Memoriam)
Organização, elaboração e Fotografia: Charles Galvão de Aquino - Historiador 
Imagem da Diocese de Divinópolis: https://www.diocesedivinopolis.org.br