domingo, março 24, 2019

MONUMENTO FUNERÁRIO JOSÉ NETO


Grande figura humana, Modelar Discípulo de Jesus, Pastor dedicado e zeloso de seu rebanho. Educador e formador de gente. Uma vida dedicada aos humildes, principalmente aos carentes e órfãos.

Nasceu no pequeno lugarejo, freguesia do Sagrado Coração do Coco (São Caetano de Moeda), em 19 de junho de 1910. Mário Delfino Moreira, nascido na Moeda e Antônia Ferreira são seus pais. Avós paternos, José Ferreira, português, e Leonor Vieira Braga, do Coco. Avós maternos, Francisco Machado Netto e Maria Ferreira Marques, de São José do Paraopeba.

Encaminhado para a vida sacerdotal pelo grande arcebispo de Mariana, Dom Silvério Gomes Pimenta. Seminarista no Seminário do Coração Eucarístico de Belo Horizonte, com apoio de Dom Antônio dos Santos Cabral, com bolsa que lhe deram as irmãs do Colégio Coração de Jesus, de Belo Horizonte.

O Bispo e arcebispo Dom Cabral lhe devotava grande amizade e afeto, acompanhou sua passagem pelo seminário e lhe deu a tonsura, as ordens menores, o subdiaconato, o diaconato e o presbiterado. Ordenou-se no mesmo dia com Dom Cristiano Portela de Araújo Pena, Padre Sinfrônio Torres e Padre Guilherme Kriger.

Antes de vir para Itaúna, foi cooperador do Monsenhor Guedes na Lagoinha (1938/39), depois, sucessivamente, vigário de Piedade do Paraopeba (1939/43) e de Itaúna (1943/85). Nestes períodos, foi encarregado de várias outras paróquias: São José do Paraopeba (1939/43), Moeda (1941/43), Itatiaiuçu (1943/46), Santanense (1943) e Padre Eustáquio (1960).

Seu colega de ordenação, Dom Cristiano, primeiro bispo de Divinópolis, concedeu-lhe o título honorífico de cônego, por autorização do Papa Paulo VI (1966).

Em nossa cidade, criou novas paróquias: Coração de Jesus de Santanense (1953), Nossa Senhora de Fátima do Padre Eustáquio (1960), Nossa Senhora das Graças, na Ponte (hoje Graças) e Nossa Senhora da Piedade do Serrado (hoje Piedade), em 1970. 

A zona rural foi enriquecida com novas capelas: Córrego do Soldado, Garcias (depois paróquia). Cachoeirinha, Vista Alegre (nome dado por ele ao Pasto das Éguas), Carneiros, Paulas e Santo Antônio da Barragem (construída pela Itaunense, com participação da comunidade).

Professor Guaracy



Cemitério Central de Itaúna
Bairro Cerqueira Lima
Rua Bonfim
Túmulo: 3538
Quadra: 02
Ala: 15


“Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas. ” (Jo 10, 11)

Pe. José Ferreira Netto foi o nosso estimado Pároco de Sant'Ana de 1943 a 1985…42 anos de paroquiato. Praticamente viu a pequena Itaúna crescer, evoluir, desdobrar-se em diversas outras paróquias (hoje são 6: Sant'Ana, Sagrado Coração de Jesus, Fátima, Piedade, São José, Aparecida).

Itaúna, Minas Gerais, o Brasil e o mundo mudaram por demais neste período do paroquiato do nosso saudoso Pe. Zé Netto. Ele viu daqui o mundo e Igreja mudarem…
Quando chegou, a Santa Missa era em latim, com o padre virado para o Sacrário e sempre usando a batina negra como veste talar, ou seja, de uso contínuo mesmo fora da Igreja.

E assim o fez por 22 anos, até o Concílio Vaticano II permitir um novo rito em língua vernácula. A batina, esta, enquanto foi o Pároco, jamais deixou de usar…. Somente a tirou devido a ordens médicas e já bem na sua velhice: honrava seu sacerdócio acima de tudo.

Foi um homem de vida espartana. Metódico, acordava sempre no mesmo horário, antes das seis da manhã, mesmo na velhice e já aposentado das funções paroquiais. Para tomar seu banho, fazer a barba cotidianamente e passar o seu café…

Gostava de cuidar do jardim e da horta…. Muitos ainda se lembram dos jardins da antiga Casa Paroquial (que foi construída no tempo dele) na praça, hoje Centro Pastoral “Pe. José Ferreira Netto) sempre com as roseiras exuberantes e uma horta bem viçosa e cuidada…Costume que levou para sua nova morada, quando se aposentou; situada na rua São Miguel, nº 104 no bairro das Graças.

Pe. José Netto trabalhou muito e muito para fora de sua sacristia…. Para muito além da religião. Tinha preocupações e grandes para com o social, a educação e a saúde em nossa cidade.

Quando aqui chegou em 1943, não havia uma escola para os meninos, pois a Escola Normal (hoje Escola Estadual de Itaúna, da qual foi também seu Diretor entre 1966 e 1970) só atendia as meninas e tocada por uma Congregação Religiosa (embaixo funcionava a escola e no andar superior a capela que possuía uma sacada; as celas das irmãs e o quarto para as internas.

Tratou logo, portanto, com outras pessoas ilustres de nossa cidade, fundar o Colégio Sant'Ana, para atender os meninos daquele tempo.

Por ter contatos na capital, com a obra de Dom Bosco, logo pensou nos menores de rua e desamparados de seu tempo: daí veio a fundação da Granja Escola São José, junto com o então prefeito, Cel. Arthur Vilaça e sua esposa Dona Dorica.

Criou também o antigo Lactário, que desaguou na Pastoral do Menor e hoje “Casa Nossa”; preocupou-se com os idosos e junto com o Cordomar Silveira, abraçou a causa do Asilo “Frederico Ozanam”. Tinha pelos detentos, os presos, um zelo de pai…disso brotou a Pastoral Carcerária, que abriu caminho para a APAC de Itáuna!

Sempre prestou assistência e a fez prestar aos mais necessitados e imbuído do espírito do resgate da dignidade da pessoa humana.

Resgatou a Festa do Reinado de Itaúna, então com sérias divergências com a Arquidiocese de Belo Horizonte, a qual pertencia a nossa Paróquia de Sant’Ana. Presidia sua “missa conga” e colocava no altar da Igreja Matriz, as rainhas e reis do Congado…tudo isso em um tempo onde nada disso era usual. Pe. José Netto marcou indelevelmente sua passagem por estas terras. Itaúna muito lhe deve!

Professor Mascarenhas






REFERÊNCIAS:

Texto 1: Guaracy de Castro Nogueira (In Memoriam)
Texto 2: Prof. Luiz Mascarenhas
Organização e Fotografia: Charles Aquino
Acervo: Marco Antônio Lara


sexta-feira, março 22, 2019

quinta-feira, março 21, 2019

domingo, março 17, 2019

sábado, março 16, 2019

MONUMENTO FUNERÁRIO MONSENHOR HILTON

MOSENHOR HILTON

“Quero morrer filho da Santa Igreja Católica Apostólica Romana, como sempre vivi e a que procurei servir com fidelidade. Peço aos meus paroquianos de Santanense que sufragem minha alma com missas e orações.

A todos da Paróquia eu agradeço a caridade com que sempre me trataram e peço perdão por todas as ofensas que porventura tenha feito contra qualquer pessoa. Em nome de Deus eu peço que me perdoem tudo que na minha vida, possa ter sido mau exemplo e a todos reafirmo minhas disposições de arrependimento por todo mal que tenha praticado.

Que Deus Pai, Filho e Espírito Santo me concedam a felicidade de morrer em estado de graça no seu santo nome. Amém.

Espero morrer tranquilo, confiando na misericórdia de Deus, que me a de perdoar a multidão de pecados. Desejo que meu enterro seja muito simples, em caixão de pano e não em urna de madeira ou de metal assim como peço que não gaste qualquer valor em coroas e flores.

Quero ainda ser sepultado no cemitério de Santanense em lugar bem visível junto ao portão de entrada ou no próprio necrotério para que todos vejam minha sepultura e rezem por mim.

Aceito plenamente a vontade de Deus sobre doença, sofrimentos e tristezas que me amargurarem os últimos dias. Morro contente e feliz, entregando-me confiante nas mãos de Deus. Assim Seja”.





Acervo fotografia Monsenhor Hilton:  Centro Pastoral Monsenhor Hilton Gonçalves de Sousa.
Pesquisa, Fotografia e Organização: Charles Aquino

quinta-feira, março 14, 2019

HINO DE ITAÚNA


Hino do Município de Itaúna, Minas Gerais

O hino do município de Itaúna reflete profundamente o orgulho e a identidade local, destacando elementos históricos, culturais e econômicos que moldaram a cidade. Itaúna, situada em Minas Gerais, é apresentada como uma comunidade de fé, trabalho e progresso, atributos frequentemente exaltados em hinos municipais para fortalecer o sentimento de pertencimento e unidade entre os cidadãos. A menção a Sant'Ana, padroeira da cidade, sublinha a importância da fé religiosa na formação da identidade local.

O hino é composto por três estrofes e um estribilho. A estrutura rítmica e métrica facilita a musicalidade e a memorização, características essenciais para hinos, que são frequentemente cantados em eventos cívicos e escolares. Cada estrofe aborda um aspecto diferente da cidade: sua fundação, seu crescimento e seu desenvolvimento econômico.

A primeira estrofe destaca a fundação da cidade, mencionando "um sonho de fé e grandeza". Os primeiros habitantes, descritos como "boa gente", escolheram Itaúna pela segurança e pela "certeza de um bom pouso". A referência à "pedra bem preta" pode simbolizar a firmeza e a durabilidade do assentamento inicial. A menção a Sant'Ana de São João Acima destaca a conexão religiosa e o início da formação comunitária, refletindo a importância da fé e da proteção divina na história da cidade.

A segunda estrofe celebra o crescimento de Itaúna, ressaltando o esforço dos ancestrais. A cidade é descrita como uma "comuna brilhante", destacando seu desenvolvimento contínuo e a contribuição significativa de sua população. A frase "peleja constante" indica a luta diária e o trabalho árduo dos itaunenses para fazer a cidade prosperar. Este crescimento é visto como um esforço coletivo, onde a comunidade trabalha unida para alcançar um objetivo comum.

A terceira estrofe foca no progresso econômico de Itaúna, destacando a importância da mineração e da indústria. O "ferro que corre em fusão" simboliza a riqueza mineral da região, enquanto "dar movimento às turbinas" sugere o uso eficiente dos recursos naturais para gerar energia. Itaúna é apresentada como um "centro de grande labor", com atividades industriais diversas, incluindo tecelagem, siderurgia e oficinas. Este progresso industrial é visto como um reflexo direto do valor e do trabalho árduo da população local.

A linguagem utilizada no hino é poética e rica em simbolismos. Expressões como "boa gente", "pedra bem preta" e "dorso rochoso" evocam imagens vívidas da história e da geografia locais. A menção ao "tear, alto forno e oficinas" ilustra a diversidade das atividades econômicas que sustentam a cidade. A escolha de palavras reflete uma conexão profunda com a terra e a história de Itaúna, criando uma narrativa que celebra tanto os recursos naturais quanto a determinação dos moradores.

O estribilho serve como um refrão que une todos os habitantes em um sentimento comum de orgulho e esperança. A repetição de "Itaúna, comuna brilhante" e "tua gente te sente crescer" reforça a ideia de crescimento e progresso contínuo. A expressão "deseja, em peleja constante, com anseio, em teu seio viver" destaca o desejo de fazer parte do desenvolvimento da cidade e viver em um lugar que está em constante evolução. Este sentimento de unidade é essencial para fortalecer a coesão social e o orgulho cívico.

O hino de Itaúna é eficaz em cumprir seu propósito de instilar orgulho e identidade cívica. No entanto, uma análise crítica também deve considerar a idealização presente na narrativa. O hino enfatiza as virtudes e realizações da cidade.

O hino do município de Itaúna é uma peça cultural significativa que celebra a fé, o trabalho e o progresso da cidade. Com uma linguagem poética e rica em simbolismos, ele reflete a identidade local e fortalece o sentimento de pertencimento dos itaunenses. A análise crítica revela tanto as virtudes exaltadas quanto as idealizações inerentes ao gênero, oferecendo uma visão abrangente do valor e do impacto desse hino para a comunidade. Ao reconhecer tanto os aspectos positivos quanto os desafios, podemos apreciar a complexidade e a riqueza da história de Itaúna.


Nicole Cássia 13 de set de 2018

HINO DE ITAÚNA

Por um sonho de fé e grandeza

Por aqui boa gente aportou

E na pedra bem preta a certeza

De um bom pouso, sem medo, marcou.

Foi Sant'Ana de São João Acima

Desta forma criada em Gerais.

Dentro em pouco subia na estima

Pelo esforço de seus ancestrais.

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Itaúna, comuna brilhante,

Tua gente te sente crescer

E deseja, em peleja constante, (Estribilho)

Com anseio, em teu seio viver!

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Sem perder de Sant'Ana bondosa

A certeira e feliz proteção,

Itaúna, surgiste grandiosa

E criaste em trabalho um padrão.

Hoje te ergues no Estado de Minas

Como um centro de grande labor.

No tear, no alto forno e oficinas

O teu povo te exalta o valor.

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Do teu dorso rochoso em colinas

Vem o ferro que corre em fusão.

Para dar movimento às turbinas

Em teu solo caminha o São João.

Com amor, Progressista Itaúna,

O teu povo jamais te faltou.

Pode, pois, te orgulhar da fortuna

Que na História teus passos guiou.




Veja mais:


Referências:
Organização e Análise: Charles Aquino
Vídeo Hino de Itaúna:
Interpretação artística em comemoração do aniversário da cidade. 
Publicado por Nicole Cássia no Youtube em 13 de set de 2018.
Gilberto Moura: Cavaquinho e edição de vídeo
Nicole Cássia: Vocal e violinista
Diego Ildefonso: Violonista
Rafael Fuzzatti: Guitarrista
Giuliano Severo: Viola

terça-feira, março 12, 2019

ONTEM & HOJE



Foi numa noite de luar assim ...
Era maio, também ...

Eu te jurei eternamente, eternamente,
Que havia — ai de mim!
Havia de trazer-te no presente,
No presente do peito e da lembrança ...

— E’s minha, Dona Graça da Esperança! ...
— E’s meu, Poeta dos beijos e das rosas! ...
— Crença de glória que meus sonhos embalançam ...
— Fonte d’amor das minhas horas venturosas ...

Era maio, também ...
Foi numa noite de luar assim ...

Juras que o vento leva e o pó consome! ...
Noite de luar, noites de maio,
Sois todas bem iguais ...

Ela esqueceu aquele juramento,
Que jurou que eternamente, eternamente,

Havia de trazer-me no presente,
No presente do peito e da lembrança ...





Referências:
Jornal A Estrella da Oeste, Orgam dos Poderes Municipais, Divinópolis, 27 de junho de 1926, nº 159, p.3.
Título original do poema: Hontem e Hoje
Texto: FILHO, João Dornas, 1925.
Fotografia: Charles Aquino
Local: Cachoeira dos Pintos – Ponta da Serra / Itatiaiuçu-MG, 2011.
Protagonistas: Tuane Aissa & Caique Rabelo.



segunda-feira, março 11, 2019

sexta-feira, março 08, 2019

quarta-feira, março 06, 2019

MONUMENTO ITAUNENSE

COMPANHIA INDUSTRIAL ITAUNENSE

   Construído em 1961 para comemorar o marco de meio século da Companhia Industrial Itaunense, o Monumento aos Fundadores homenageia os pioneiros que embarcaram nesta aventura empreendedora em 1911. Ressaltando a importância deste marco histórico, a inscrição no chão exibe com orgulho as datas da sua criação e o jubiloso aniversário. Inspirando-se no movimento modernista, o projeto arquitetônico do monumento apresenta linhas limpas e planos elegantes, que lembram a estética predominante da época, exemplificada principalmente na construção de Brasília.

   Em nítida justaposição à intrincada e multifacetada história e realizações da Companhia Industrial Itaunense ao longo de seu meio século de existência, uma modesta grade circunda a fachada do monumento. No lado direito, um pequeno jardim com arbustos combina perfeitamente o monumento com o seu ambiente natural, sublinhando a noção de que esta maravilha arquitetônica representa mais do que uma mera construção.

   Serve como um emblema vibrante da notável viagem empreendida pela empresa e pelos seus fundadores visionários, à medida que triunfavam e faziam contribuições significativas para a comunidade local. Este monumento simboliza o legado duradouro e os princípios visionários dos fundadores da empresa, que continuam a servir como fonte de inspiração.


A Companhia Industrial Itaunense foi fundada em 1º de maio de 1911, pelo Cel. João de Cerqueira Lima, Cel. Antônio Pereira de Matos, Dr. Augusto Gonçalves de Souza Moreira, Cel. Jove Soares Nogueira e demais acionistas.

Cel. João de Cerqueira Lima - Diretor Gerente


Cel. Antônio Pereira de Matos – Diretor Secretário,    Dr. Augusto Gonçalves de Souza Moreira – Diretor Presidente,    Cel. Jove Soares Nogueira – Conselheiro Fiscal








Referência:
Pesquisa e Organização: Charles Aquino
Fotografia: Charles Aquino
Acervo: Charles Aquino, Prof. Marco Elísio Chaves Coutinho
Prefeitura Municipal de Itaúna: Relação de bens protegidos por tombamento