quinta-feira, agosto 05, 2021

JOÃO DORNAS FILHO

HISTORIADOR JOÃO DORNAS FILHO - ITAÚNA

UM ITAUNENSE ...

JOÃO DORNAS FILHO - JDF

Nascido no arraial de Santana do Rio São João Acima, hoje Itaúna (MG), em 7 de agosto de 1902, João Dornas Filho despontou como uma figura literária multifacetada, destacando-se como romancista, contista, ensaísta, historiador e biógrafo. Crescendo em uma família de 12 irmãos - Maria (1893), Umbelina (1895), Blandina (1897), Manoel (1898), Helena (1900), Laura (1903), Abel (1905), Noêmia (1906), Margarida (1908), Eunice (1916), Renê (1914) e Suzana (1918) - era filho de João Dornas dos Santos (1858-1938), defensor da emancipação do município, e de Maria Eugênia de Mello Vianna (1874-1960). 

João Dornas, conhecido pelo apelido de Záu, era um indivíduo autodidata e com profunda paixão pela literatura e pelo conhecimento. Apesar de ter frequentado apenas a escola primária no Grupo Escolar Dr. Augusto Gonçalves, conseguiu cultivar uma cultura vasta e refinada através do seu próprio esforço. Considerado por muitos uma excentricidade intelectual, Dornas Filho foi descrito como uma pessoa humilde e afável por seus entes queridos e amigos. Foi nos primeiros anos, enquanto trabalhava como tipógrafo, que a sua paixão pela palavra escrita se enraizou.

O Suplemento Literário Mineiro de 1977, publicou um artigo intitulado "Literatura Mineira: João Dornas Filho e Júlio Ribeiro", que traz um retrato detalhado do escritor que o descreve como uma pessoa de temperamento extrovertido, era companheiro de todos, abraçando um estilo de vida boémio que lhe era único. Ele foi um estudioso diligente e curioso, receptivo a todas as formas de expressão artística e ressonância emocional. Ele defendeu destemidamente suas crenças, disposto a se envolver em debates controversos quando necessário. Um modelo de responsabilidade e integridade intelectual inabalável.

Na década de 1920, Dornas mudou-se para a capital mineira com o intuito de buscar oportunidades de trabalho e estabelecer conexões na área do jornalismo. Foi nesta movimentada capital mineira que fez amizade com conceituados intelectuais e artistas, tanto locais como de todo o mundo. Notavelmente, o renomado pintor Di Cavalcante chegou a imortalizar Dornas por meio de uma caricatura cativante, hoje valorizada e protegida pela Prefeitura de Itaúna.

Em 1928, Dornas colaborou com Guilhermino César e Aquiles Vivacqua para estabelecer ligações com Mário de Andrade, contribuindo ativamente para o avanço do movimento modernista em Belo Horizonte. Seus esforços incluíram a edição do influente panfleto Leite Criôlo, uma importante publicação alternativa dentro da imprensa modernista. Essa publicação não só teve profundo impacto em Minas Gerais, mas também repercutiu em São Paulo e no Rio de Janeiro.

João Dornas Filho é uma figura proeminente na história literária de Itaúna e de Minas Gerais. Ele foi eleito para a cadeira número 12 da Academia Mineira de Letras (AML) em 1945, cujo patrono é Alvarenga Peixoto, um renomado poeta do período colonial brasileiro. Dornas Filho se destacou não apenas por suas contribuições literárias e históricas, mas também por seu empenho em promover a inclusão das mulheres nas atividades acadêmicas da AML.

Durante sua trajetória na AML, João Dornas Filho enfrentou desafios significativos ao tentar modificar os estatutos da instituição para permitir uma maior participação feminina. Ele acreditava na importância da inclusão das mulheres no campo literário e acadêmico, reconhecendo o valor e as contribuições que poderiam trazer para a academia. Apesar de seus esforços persistentes, Dornas encontrou resistência entre seus colegas e não conseguiu implementar as reformas desejadas durante seu tempo na AML.

Dornas Filho é amplamente reconhecido como uma das figuras mais destacadas de Itaúna, expressando continuamente um profundo respeito e apreço por sua cidade natal. Sua obra reflete os valores culturais de Itaúna, e ele usou suas palavras para celebrar e preservar a história e as tradições locais. Como historiador e escritor, João Dornas Filho contribuiu significativamente para o entendimento da história de Minas Gerais e do Brasil, e suas publicações são consideradas referências fundamentais nesse campo.

Além de sua atuação na AML, Dornas Filho deixou um legado duradouro em Itaúna, onde seu compromisso com a cultura e a educação continua a ser lembrado e valorizado. A sua dedicação à inclusão e à promoção da diversidade literária reflete a missão da Academia Mineira de Letras de ser um polo irradiador de educação, inclusão e cidadania. Sua história serve como inspiração para futuras gerações de escritores e acadêmicos, tanto homens quanto mulheres, a continuarem a lutar pela igualdade e pela valorização das contribuições literárias de todos.

"Desafortunadamente", faleceu em 11 de dezembro de 1962, sendo sepultado no Cemitério Bonfim , em Belo Horizonte/MG, na Quadra 16, Jazigo 271.   


Saiba mais 



Referências:
Texto e pesquisa: Charles Aquino  
Óbito João Dornas Filho: Cemitério do Bonfim 
Genealogia da Família Dornas: Alan Penido, Rodrigo Kaukal Valladares


terça-feira, agosto 03, 2021

ADEMAR GONÇALVES DE SOUSA

*06/05/1899 +03/05/1980

Faleceu nesta cidade dia 3 último o conceituado médico itaunense dr. Ademar Gonçalves de Sousa, aqui nascido em 6 de maio de 1899, filho de João Gonçalves de Sousa e Castorina Honorina de Sousa. Deixa viúva a sra. Maria Andrade Gonçalves.

Dr. Ademar era muito estimado em Itaúna e depois que se aposentou ainda permaneceu ligado a medicina tendo um laboratório num cômodo de sua casa aonde atendia aos que o procurava com uma dedicação anormal. Ficava conversando sobre política e demais assuntos do país e do mundo na barbearia do Bismark, seu amigo, e na banca do Ibirité.

Do casamento com dona Maria Andrade vieram os filhos: Argeu, casado com Vera Lúcia Gonçalves Andrade e Murilo, casado com Marlene Coutinho Gonçalves. Deixa um total de seis netos, além de criar desde a infância gessa das Graças dos Santos e Dalva Maria de Oliveira.

A morte do dr. Ademar, mesmo com 81 anos de idade, pela sua bondade, foi muito sentida na cidade e ao seu enterro grande acompanhamento se fez notar.




Referências:

Organização: Charles Aquino

Texto: Jornal Folha do Oeste - Edição 01377, pág.4 10/05/1980, Itaúna/MG

Acervo: Câmara Municipal de Itaúna/MG

domingo, agosto 01, 2021

VELAS EM SANTANA

Fato pitoresco da história da nossa cidade, seria sobre as vendas de velas na Semana Santana que eram empreendidas por Jair Debique. O comerciante nasceu em 1944 no município de Itatiaiuçu, nesta época pertencente ao município de Itaúna. Filho de lavradores, José Juscelino de Faria (Debique) e Amélia Sabina da Silva, mudou-se para Itaúna a fim de acompanhar os pais em 1947. Na ocasião, os irmãos mais velhos aproveitaram a vinda da família e também buscaram oportunidades de trabalho. O primeiro local de moradia, foi na rua Gonçalves da Guia, o principal ponto da boêmia da cidade naquela época.

Jair Debique começou a trabalhar bem cedo com o pai  em diversos serviços, com apenas 7 anos de idade, além de limpar terrenos na enxada era engraxate e aos 14 anos foi trabalhar no Cine Rex vendendo balas e doces. Aos 17 anos foi trabalhar como mensageiro da Dona Mariquita (esposa do José Rosa) nos antigos telefones agendados, aos 21 anos, como quase todos itaunense, foi trabalhar na Companhia Industrial Itaunense - função de Fiandeiro, com 24 anos de idade, serviu Polícia Militar de Minas Gerais na cidade de Passos - 12º Batalhão da PM e segundo Jair, sua saída, foi devido ser muito “brincalhão” e a Polícia daquela época possuía mais dificuldades que a família dele.

Retornou à Companhia Itaunense, depois trabalhou na Juvenila, Companhia Industrial Belo Horizonte, Santa Elizabeth, Companhia Paraense e retornou para Itaunense como fiandeiro, momento em que conheceu sua esposa Vicentina Antunes que trabalhava na função de Fiandeira. Aos 26 anos, foi trabalhar na Dinâmica Têxtil do Deputado Marcos Lima em 1970, quando ela abria as portas. Lá assumiu a função de motorista, conta com orgulho que, várias vezes, dirigiu o Chevrolet do Senhor João Lima Jr. para levar a Dona Tereza em seu sítio no Morro do Engenho.

No ano de 1976, retorna sua habilidade comercial aos 32 anos, em parceria com o seu amigo Raimundo Faria, Teco da Casa Ferreira, comprou um Fusca 74 e começou a vender Calçados de Nova Serrana, viajando por toda Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia e Goiás. Mais tarde, Jair começa a vender a vender calçados em parceria com seu irmão e paralelo a isso, montou uma loja de Calçados Colegial, em Itaúna, depois em Desterro de Entre Rios e Itatiaiuçu.

Jair Debique começou a vender velas na Semana Santa, pois em uma das suas viagens a Guaranésia, no Estado de Goiás, viu os meninos vendendo velas e despertou a curiosidade. Implementando em Itaúna as vendas de vela na Semana Santa, Jair juntou a criançada do Alto do Rosário e do bairro de Lourdes e iniciou a nova empreitada.

Jair comenta orgulhosamente que seu melhor vendedor foi “o Manoelzinho, João do Pulo, o Carlos Roberto - Mudinho Gari, Zé Querosene, Antônio José de Faria Júnior - Da Lua -atualmente vereador em Itaúna”. Jair explica que comprava as velas no quilo em Belo Horizonte e vendia a granel com o auxílio da criançada, que era muito bem remunerada. A venda de vela ficou famosa, por isso ampliou o comércio na vizinha cidade de Carmo do Cajuru.

Certa vez, o Padre José Ferreira Neto implementou a venda por meio da Paróquia de Santana, enviando uma carta a Jair para que parasse as vendas, pois a criançada atrapalhava a venda das velas paroquiais, que eram comercializadas nas barracas  montadas na praça da Matriz.

Foram anos de muitas histórias com a venda das velas. Os jovens (registra o cronista e professor Sílvio Bernardes no jornal S’Passo) iam gritando: “Oiá a véia, oiá a véia” enquanto deveriam estar falando “olhem a vela, olhem a vela”.

Outra inovação de Jair Debique foram as barracas do Jogo do Coelho nas festividades do Reinado.  O Jogo do Coelho foi implementado quando Jair, em um passeio ao Parque Municipal, interessou-se pelo negócio e trouxe a ideia inovadora para o município de Itaúna nas festividades de Nossa Senhora do Rosário. O jogo funcionava por meio de apostas que eram feitas em forma de palpites. Havia várias casinhas e o jogador que acertava a casinha em que o coelho escolhia entrar, levava o prêmio oferecido. O apostador ganhava brindes e, algumas vezes, dinheiro. Nesta época seus irmãos Oscar, Gentil e Marquinho do Táxi ajudaram, além de Zita e Marta. Os irmãos ficaram conhecido como os irmãos bermudas, pelo fato de nunca usarem calça no dia a dia.

 Jair Debique até hoje mora na região do Rosário, onde estes fatos pitorescos e históricos ocorreram em nossas barrancas itaunenses.

Veja a incrível história completa ... agora disponível no vídeo abaixo:


 

REFERÊNCIA:

Texto: Alexandre Campos*

Fonte Impressa: Jornal S’Passo, ed.1378, p.10, 27/03/2021, Itaúna/MG

Fonte Oral: Jair Debique

Entrevista: Alexandre Campos

Organização: Charles Aquino

Acervo: Fotografia meramente ilustrativa. Disponível em: https://flashbak.com/on-this-day-in-photos-june-7th-in-the-20th-century-53404/candle-maker/

* O autor do texto é responsável pela publicação. 

 

terça-feira, junho 29, 2021

DEPUTADO MARCOS LIMA

Marcos Guimarães de Cerqueira Lima  - Politico, Engenheiro Civil, Deputado Federal, Empresário, e sobretudo, um Itaunense!!!

Descendente das famílias dos "Gonçalves" e "Limas", foi bisneto do Coronel Manoel José de Souza Moreira e Ana Joaquina de Jesus, neto de Ana Gonçalves Cerqueira Lima e João de Cerqueira Lima. Descendente de dois impulsionadores econômicos de Itaúna - os fundadores da Companhia Santanense (Tenente Coronel Manoel José de Souza Moreira) e Companhia Industrial Itaunense (Coronel João de Cerqueira Lima). 

Ainda jovem, seu pai, João de Cerqueira Lima Júnior incentivou o filho a ir para o Rio de Janeiro, então capital federal, para estudar. Com 14 anos mudou-se para o Rio de Janeiro e começou a vender canetas do modelo Bic. Graduou-se em Engenharia Civil na Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1969 e pós graduou-se em Engenharia Econômica e Administração Industrial pela mesma instituição em 1970.

Sua avó, Ana Lima, delegou-lhe a representação de tecidos da Companhia Itaunense. Assim, o empreendedor Marcos Lima fundou a Dinâmica. Passando atuar como empresário no ramo têxtil, comercial, calçadista, rádio difusor e agrário. Voltando a morar em Itaúna, onde a sede de sua empresa estava localizada, na Rua Silva Jardim. Todavia, suas duas paixões eram a Política e o mundo Têxtil.

Marcos produziu tecido revendendo para Minas, Rio e Brasil, criando um relacionamento comercial e político com as lideranças locais e ocupando o cargo de Secretário da CDL de Itaúna. Uma vez representando sua tradicional loja de cama mesa e banho - ESTRELÃO.

Sobrinho neto do fundador administrativo de Itaúna, o primeiro Prefeito Dr. Augusto Gonçalves de Souza Moreira e sobrinho de José de Cerqueira Lima que ocupou a vereança por diversos mandatos pelo lado paterno, e, primo de Risoleta Neves pelo lado materno.  No ano de 1976, Marcos Lima foi convidado a filiar-se ao MDB em por Tancredo Neves e com a extinção deste foi para o PMDB e mais tarde para o Partido Popular de Tancredo.

Retornou ao PMDB por causa da incorporação entre as legendas, ocorrida em 1981. Com o voto em chapa vinculada, Tancredo articula o MDB e em Itaúna apresentou-se como candidato a Deputado Federal Marcos Lima que venceu em uma eleição histórica que mudou os rumos políticos de Itaúna e da Companhia Itaunense, eleito Deputado Federal em 1982, ocupou o cargo por 7 mandatos, sendo o representante de Itaúna na Câmara Federal por mais de 24 anos.

Pela reviravolta política em Itaúna em 1982, ascendeu no poder ainda  Jovem com apenas 36 anos como Deputado Federal tendo como prefeito Francisco Ramalho, seguindo de vários vereadores que chegavam nesta legislatura com entusiasmo como Pedro Paulo Pinto, João José Joaquim de Oliveira, José Luiz Guimarães, Naningo Neto e Milton Nogueira de Oliveira e outros promoveram uma reforma estrutural na política Itaunense.

Marcos Lima ficou conhecido como o Gato Guerreiro, por ser bem aparecido e com espírito de bons debates e embates políticos. Seu grupo político formado por Pedro Paulo, Edilênio Carvalho, Dalci Campos, João Lima, Saulo Campos, Antônio Fernandes Quadros, Dona Ieda de Paula Borges Machado, Newton José da Silva, Wallace “Bicudo”, Hélio do Dezi, Chiquito Marinho, José Santos e tantos outros, ficaram conhecidos como os “Dinossauros do MDB”, pois em 1988 venceram a disputa interna do MDB de Itaúna ficando por muitos anos a direção ligada a este grupo Marcolimista.

Marcos Lima sempre desfrutou de alto prestígio juntamente aos políticos do MDB, 1986, Marcos apoiou Newton Cardoso na disputa interna do MDB, viabilizou 16 votos de delegados do partido na convenção, sacramentando o nome de Newton para o governo de Minas Gerais. Marcos participou ativamente dos governos de Tancredo, Hélio Garcia, Newton Cardoso, novamente de Hélio Garcia, Itamar Franco e de Aécio Neves, seu parente e amigo da cidade de Cláudio.

Logo em seu primeiro mandato participou da redemocratização do Brasil. Votou favorável à emenda Dante de Oliveira, articulou na sala do seu apartamento funcional em Brasília a última eleição indireta para Presidência da República que elegeu Tancredo. Fazia reuniões com os deputados novatos, os aproximando do Governador de Minas Gerais Tancredo Neves, último candidato por eleições indiretas. Atuou na Assembleia Constituinte que nos deu a Constituição de 1988 ocupando cargo titular na Comissão de Redação, votou a cassação de Fernando Collor, votou favorável ao Plano Real, votou contra o fator previdenciário e a reeleição para cargos executivos. Assumiu a Presidência do Ceasa-MG e a Diretoria Institucional de Furnas Centrais Elétricas. Presidente do Conselho de Curadores da Fundação Universidade de Itaúna por 14 anos, Marcos Lima atuou como Reitor em diversas oportunidades, com sua influência como deputado conseguiu através do Ministro de Saúde do Governo Sarney Carlos Sant’Anna, 48 equipamentos odontológicos para faculdade de odontologia. Em seu período como reitor, Marcos deu um olhar administrativo para a Universidade e a modernizou.

Em Itaúna fez diversas obras: A escola CAIC no Bairro Morada Nova, Criação da Escola Estadual Padre Luiz Turkenburg no Bairro Irmãos Auler, Escola Leonardo Nogueira Gonçalves no Bairro Jadir Marinho, reformou diversas escolas como a Escola Estadual Manoel da Costa Rezende na Várzea da Olaria, Escola Estadual Zezé Lima no Bairro Itaunense, dentre outras. Em seu mandato ajudou diversas instituições filantrópicas através de suas emendas parlamentares e também quando ocupou os Cargos em Furnas e no Ceasa. Asfaltou o Parque de Exposições Pedro Calambau e diversas ruas da cidade. Foi Marcos Lima que viabilizou o Conjunto Habitacional Jadir Marinho. Seu último projeto no Congresso Nacional foi alocar recursos para a transposição da linha férrea em Itaúna. Na diretoria institucional de Furnas, Marcos Lima trabalhou destinando recursos para entidades filantrópicas nas cidades balnearias da barragem de Furnas. Além de Itaúna, Marcos destacou em um trabalho por várias cidades de Minas Gerais, como Itaguara, Mateus Leme, Pouso Alegre, Camanducaia, Conceição dos Ouros, Borda da Mata e tantas outras. Marcos Lima ocupou vários cargos no MDB de Minas Gerais e no MDB Nacional. Ajudou em 2014 o então Deputado Rodrigo Pacheco. Marcos era um homem inteligente, educado e extremamente simples.

Com uma vida de trabalho afinco e determinação, Marcos Lima deixou bom exemplo, um legado político, familiar e muitos amigos. 

 

PEQUENA GENEALOGIA FAMILIA GONÇALVES 

Guarda-Mor Antônio de Souza Moreira e Maria Sabina do Nascimento, pais de:

1. Tenente Coronel Manoel José de Souza Moreira (1829-1898), casado com Ana Joaquina de Jesus (1826-1889) pais de:

1.1. Anna Gonçalves de Souza (1877-1972), casado com João de Cerqueira Lima (1870-1942) pais de:

1.1.1. João de Cerqueira Lima Junior (1912-2005) casado com Tereza Guimarães Lima pais de:

1.1.1.1 Marcos Guimarães de Cerqueira Lima (1946-2021).

 

PEQUENA GENEALOGIA FAMILIA CERQUEIRA LIMA

 

Antônio Cerqueira Lima casado com Maria Júlia Baeta Neves, pais de:

1. João de Cerqueira Lima (1870-1942) casado com Anna Gonçalves de Souza depois Dona Anna de Cerqueira Lima (1877-1972) pais de:

1.1. João de Cerqueira Lima Junior (1912-2005) casado com Tereza Guimarães Lima pais de:

1.1.1 Marcos Guimarães de Cerqueira Lima (1946-2021).



CÂMARA DOS DEPUTADOS

Data de nascimento: 25/06/1946 (Itaúna/MG)

Data de falecimento: 13/02/2021 (Itaúna/MG)

Profissões: Engenheiro; Empresário / Escolaridade: Superior 

Mandatos (na Câmara dos Deputados):

Deputado(a) Federal - 1983-1987, MG, PMDB, Dt. Posse: 17/03/1983; Deputado(a) Federal - (Constituinte), 1987-1991, MG, PMDB, Dt. Posse: 01/02/1987; Deputado(a) Federal - 1991-1995, MG, PMDB, Dt. Posse: 01/02/1991; Deputado(a) Federal - 1995-1999, MG, PMDB, Dt. Posse: 01/02/1995; Deputado(a) Federal - 1999-2003, MG, PMDB, Dt. Posse: 03/02/1999; Deputado(a) Federal - 2007-2011, MG, PMDB, Dt. Posse: 06/01/2009; Deputado(a) Federal - 2011-2015, MG, PMDB, Dt. Posse: 06/01/2015.

Proposições de Autoria do Deputado

Proposições de Autoria do Deputado Transformadas em Norma Jurídica

Proposições Relatadas pelo Deputado

Proposições Relatadas Transformadas em Norma Jurídica

 

Votações em Plenário (Legislaturas): 53 , 54

Presença em Comissões (Legislaturas): 53 , 54

Presença em Plenário (Legislaturas): 53 , 54

Suplências e Efetivações:

Assumiu, como Suplente, o mandato de Deputado Federal, na Legislatura 1983-1987, em 17 de março de 1983, sendo efetivado em 16 de julho de 1983. Assumiu, como Suplente, o mandato de Deputado Federal, na legislatura 1999-2003, em 3 de fevereiro de 1999, sendo efetivado em 1º de janeiro de 2001. Assumiu e foi efetivado no mandato de Deputado Federal, na Legislatura 2007-2011, em 6 de janeiro de 2009; Assumiu, como Suplente, o mandato de Deputado Federal, na Legislatura 2011-2015, em 6 de janeiro de 2015. .

Atividades Partidárias:

Atividade Partidária - Câmara dos Deputados
Vice-Líder, PMDB, 1995-1999; Vice-Líder, Bloco PMDB, PSD, PSL, PSC,1996.

Atividades Parlamentares:

CÂMARA DOS DEPUTADOS - Legislaturas anteriores à 54ªCOMISSÕES PERMANENTES: Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias: Suplente; Minas e Energia: Presidente, Titular, 4/3/2009-1/2/2010, 3/3/2010-, e Suplente; Relações Exteriores: Titular, e Suplente; Trabalho, Administração e Serviço Público: Titular; Transportes: Titular; Transportes, Desenvolvimento Urbano e Interior: Suplente; Viação e Transportes: Suplente, 4/3/2009-1/2/2010, 3/3/2010-.COMISSÕES ESPECIAIS: PEC nº 4/95, Concessão e Distribuição do Gás Canalizado: Titular; PEC nº 6/95, Monopólio do Petróleo: Suplente; PEC nº 96/92, Modificações na Estrutura do Poder Judiciário: Suplente; PL nº 3.981/93, Produtos que Contenham Asbesto/Amianto: Titular; Projeto em Trâmite Sistema Financeiro Nacional: Suplente; PL nº 630/03, Fontes Renováveis de Energia: Suplente, 12/2/2009-.COMISSÕES EXTERNAS: CEXAPAGA - Apagão em vários Estados Brasileiros: Titular, 12/11/1980-.CPIs: Adoção e Tráfico de Crianças Brasileiras: Suplente.GRUPOS PARLAMENTARES: Grupo Parlamentar de Mineração: Presidente.ASSEMBLÉIA NACIONAL CONSTITUINTEComissão de Redação: Titular; Comissão de Sistematização: Suplente; Subcomissão de Princípios Gerais, Intervenção do Estado, Regime da Propriedade do Subsolo e da Atividade Econômica, da Comissão da Ordem Econômica: Titular. CONGRESSO NACIONALCOMISSÕES MISTAS: Orçamento: Titular.

Atividades Profissionais e Cargos Públicos:

Diretor de Relações Institucionais, Furnas Centrais Elétricas, 2003 - 2006.

Atividades Sindicais Representativas de Classe Associativas e Conselhos:

Membro, Conselho de Curadores da Fund. Univ. de Itaúna, MG, 1983-..

Estudos e Cursos Diversos:

Engenharia Civil, Escola Nacional de Engenharia - UFRJ, RJ, Rio de Janeiro, 1965 - 1969; Pós-Graduação em Engenharia Econômica e Administração Industrial, Escola Nacional de Engenharia - UFRJ, RJ, Rio de Janeiro , 1970.

 

REFERÊNCIAS:

1º Texto: Alexandre Campos

2º Texto e Acervo: Câmara dos Deputados Câmara dos Deputados - Palácio do Congresso Nacional - Praça dos Três Poderes – Brasília – DF. Disponível em: https://www.camara.leg.br/deputados/74745/biografia

Acervo Nota de Pesar: Câmara Municipal de Itaúna

Organização para o blog: Charles Aquino

quarta-feira, junho 23, 2021

CARNAVAL ITAUNENSE SUSPENSO 1975

 
EPIDEMIA MENINGITE EM ITAÚNA

DESFILES DE CARNAVAL SUSPENSOS EM 1975

Em reunião conjunta com sua equipe médica e com diretores das três escolas de samba da cidade, a Prefeitura de Itaúna/MG resolveu não promover desfiles carnavalescos este ano, já que a incidência da meningite recrudesceu no município, à partir de janeiro.

De acordo com o chefe de gabinete do prefeito, Antônio Parreiras, o único hospital da cidade vem mantendo, desde o início do ano, uma média diária de 25 pessoas internadas com meningite. Em Belo Horizonte, havia ontem, nos hospitais Cícero Ferreira e da Baleia, 54 crianças e 27 adultos contaminados por meningite meningocócica.

Ainda esta semana, prefeito de Itaúna, Hidelbrando Canabrava Rodrigues, se reunirá com os presidentes dos quatro clubes sociais da cidade para decidir se serão ou não realizados os bailes infantis diurnos, que a equipe médica aconselhou serem suspensos a fim de evitar maior disseminação da doença. Itaúna, com 50 mil habitantes, é uma das cidades cuja população será vacinada, com prioridade, no final de fevereiro. A vacinação em Minas deverá ser iniciada no dia 23 em Belo Horizonte.

 VACINAS SÓ EM FEVEREIRO

Começa em 24 de fevereiro a vacinação em massa contra a meningite em todo o Estado. A Secretaria da Saúde recebe do Ministério de Saúde 10.800.000 doses, parceladamente – dois milhões de doses por mês -  e já tem esquematizado todo o plano de aplicação.

Serão vacinadas, em primeiro lugar, as populações das cidades que tiveram maior incidência da doença, como Belo Horizonte, Juiz de Fora, Timóteo, Ipatinga, Coronel Fabriciano, Araguari, Divinópolis, ITAÚNA, Patos de Minas, Paracatu, Formiga, Itabira, João Monlevade e João Pinheiro. Nestas Cidades, serão utilizados dez injetores de pressão, sendo cinco elétricos, com a finalidade de aumentar a capacidade de produção das equipes que vão usa-los.

VACINA DUPLA

Todas as pessoas acima de seis meses receberão as vacinas – tipos A e C – associadas na mesma dose. Em Belo Horizonte, o maior núcleo populacional do Estado, a vacinação será nas Unidades de Saúde. Os campos de futebol também serão utilizados, por apresentarem maior capacidade de aglomeração de pessoas. Para isto, 60 injetores de pressão serão utilizados, montados em veículos que, após atender a população urbana, irão percorrer a zona urbana de Belo Horizonte. Em seguida, a campanha se estenderá às outras cidades de Minas, através dos Centros regionais de Saúde, até atingir toda a população do Estado. 

Este instrumento portátil funcionava com um mecanismo de ar comprimido, que, quando acionado por um pedal, proporcionava uma poderosa fonte de pressão. Sem o uso de agulha, a administração percutânea da vacina se dava através de um fluxo de alta pressão.

Inventada por médicos militares norte-americanos, criada no final dos anos 1950, ela tinha como objetivo agilizar a vacinação de grandes grupos de pessoas. Foi utilizada, inicialmente, para vacinar militares e prisioneiros em presídios. 

REFERÊNCIAS:

Pesquisa e Elaboração: Charles Aquino

Acervo: Science Museum Group. Disponível em: https://collection.sciencemuseumgroup.org.uk/objects/co8061806/ped-o-jet-mass-inoculation-gun-inoculation-gun

Texto Jornal A Tribuna – 28/01/1975, número 305, p.5. Disponível em: http://memoria.bn.br/DocReader/153931_02/68383

Texto Museu da Vida. Disponível em:   http://www.museudavida.fiocruz.br/index.php/noticias/1498-objeto-em-foco-pistola-de-vacinacao

Texto Jornal O Processo 15 a 31 de Janeiro 1975, número 41, p.5. Disponível em: http://memoria.bn.br/DocReader/829587/325

Acervo Smithsonian Magazine. Disponível em: https://www.smithsonianmag.com/smart-news/long-shadow-1976-swine-flu-vaccine-fiasco-180961994/

sexta-feira, maio 21, 2021

O VIGÁRIO DO CÓRREGO

AO MODO DA HISTÓRIA

Foto da antiga Igreja de São Sebastião e Nossa Senhora de Lourdes do Córrego do Soldado. Construída de Pau a Pique com piso de terra batida.

Sementes de milho, pregos, formicida, compra de lenha, cimento, material de construção… Estas palavras compõem o pano de fundo para o modo como se organizava a Comunidade do Córrego do Soldado antigamente. Anotações cheias de esmero, extraídas do livro de caixa que contém informações de abertura, datado em 1º de janeiro de 1971, assinado pelo próprio vigário Pe. José Ferreira Netto e que traduz, em parte, o trabalho sério e dedicado do pastor dessa gente.

As anotações contidas neste documento registram o período de 1971 a 1985. Portanto, 14 anos de registros administrativos e históricos sujeitos a admiráveis releituras pastorais.

 Os rendimentos apresentados pelo livro de caixa ilustram receitas simples provenientes de donativos, leilões, semana santa (com o beijo do Senhor morto), esmolas, venda de velas, dízimo, venda de milho, Jubileu do Senhor do Bom Jesus, festas de São Sebastião, Nossa Senhora do Rosário (com o Reinado) e Nossa Senhora de Lourdes.

Nestes registros de fluxo financeiro, notamos como a Comunidade de fé do Córrego do Soldado se solidificou economicamente e era tal como qualquer comunidade urbana naquela época.

Acerca do Livro de Caixa, transcrevo-o tais como estão as suas anotações que relatam os empreendimentos pastorais anotados pelo Vigário a cada troca de mandato dos tesoureiros:


Encerramento de Mandato (17 de março de 1974)
“No dia 17 de março de 1974, após a Santa Missa, foram empossados os novos tesoureiros da Capela de Nossa Senhora de Lourdes do Córrego do Soldado: Senhores Antônio Antunes Filho, Eduardo Honório Militão e Manoel Antunes Moreira. Deixo aqui um voto de profunda gratidão aos tesoureiros: Ataliba Antunes Medeiros e José Antunes Nogueira, que durante (2) dois anos exerceram o seu mandato com muita diligência e boa vontade. Tudo fizeram para que a comunidade do Córrego do Soldado fosse bem servida. As obras de destaque na gestão dos dois: construções de um grande salão anexo ao velho prédio do grupo escolar cedido à comunidade pela Prefeitura, onde funciona o Centro Social Paroquial de N. Sra. de Lourdes. Construção de uma casinha abaixo da casa paroquial. Votos de gratidão às suas senhoras pelo trabalho na casa paroquial. Esperamos que os novos tesoureiros realizem grandes empreendimentos durante a sua gestão de dois anos”. O Vigário Pe. José Ferreira Netto – Córrego do Soldado, 17/3/1974.

Encerramento de Mandato (14 de março de 1976)
“Encerrando hoje o mandato de dois anos dos tesoureiros Eduardo Honório Militão e Antônio Antunes Filho. Foi celebrada a Santa Missa por intenção dos dois e suas exmas. famílias ao meio-dia. O Vigário agradeceu os relevantes trabalhos que fizeram em benefício de nossa capela e de toda comunidade. Obras que realizaram em sua gestão: construção da casa do Sr. Agenor, melhoramentos na casa paroquial – reforma do telhado, quarto de banho e sanitário. Comprou-se a imagem de N. Sr. dos Passos, reforma da torre da Capela, microfone, vasilhame  e objetos para a casa do Agenor, diversos objetos para a casa paroquial e capela. Um voto de muito agradecimento às suas senhoras que muito fizeram na cozinha e conservação da casa paroquial principalmente nas festas e Semana Santa. Que a Virgem de Lourdes recompense os dois com suas famílias”. O Vigário, Pe. José Ferreira Netto – Córrego do Soldado, 14 de março de 1976.

Encerramento de Mandato (14 de março de 1978)
 “Terminando hoje o mandato dos tesoureiros João Antunes da Fonseca e Juscelino Custódio Moreira como pleito de grande e profundo agradecimento pelo serviço que fizeram com tanta dedicação e amor às coisas da igreja, de modo muito especial ao Sr. João Antunes Fonseca, celebramos a Santa Missa em intenção deles e de suas bondosas famílias. A Comunidade do Córrego do Soldado expressa também o seu agradecimento. As obras realizadas durante o mandato dos mesmos: pintura interna e externa da capela que ficou em mais ou menos CR$ 7.000,00. Construção dos pequenos muros em frente à gruta, construção de um muro pré-fabricado em frente à casa paroquial à sua direita na medida de 117 metros – custando CR$ 8.190,00. Construção de uma casa nova para o Sr. Jesus, sob orientação do Sr. Augusto Honório Militão, esta se acha em estado de conclusão. Um agradecimento muito particular a D. (…), esposa do Sr. João A. Fonseca pela sua dedicação na parte da cozinha. Que a nossa padroeira recompense a todos dando-lhes uma grande felicidade em seus lares”. Córrego do Soldado, 14 de março de 1978 – O Vigário Pe. José Ferreira Netto.


Fotografias do  sacrário pertencente à antiga igreja de São Sebastião e Nossa Senhora de Lourdes do Córrego do Soldado:




Encerramento de Mandato (14 de março de 1980)
“Terminando hoje o mandato de nossos queridos tesoureiros João Antunes Venâncio e Iraci Antunes Moreira, aqui fica o meu profundo agradecimento pelos seus relevantes serviços. No mandato dos mesmos foi inaugurada a luz na Igreja, casa paroquial e centro social, um novo amplificador (CR$ 25.000,00). O tapume de muro pré-fabricado do lado direito, quintal da casa paroquial (CR$ 8.000,00). Agradecimentos às suas bondosas esposas que muito se dedicaram à cozinha. Deus lhes pague por tudo. Assumem: Sr. Miguel Honório Militão e Sr. João Antunes Venâncio. Córrego do Soldado 14 de março de 1980 – O Vigário Pe. José Ferreira Neto

Encerramento de Mandato (04 de março de 1982)
“Finalizando o mandato dos Senhores Tesoureiros: Miguel Honório Militão e Juversino Antunes Fonseca, quero deixar aqui os meus agradecimentos pelos serviços que prestaram à nossa Comunidade; bem assim suas senhoras. Deus lhes pague”. O Vigário Pe. José Ferreira Netto. Novos Tesoureiros: Sr. Geraldo Antunes Medeiros e Sr. Luiz Gonzaga da Fonseca.

Encerramento de Mandato (26 de fevereiro de 1984)
“Terminando o mandato dos Tesoureiros: Geraldo Antunes Medeiros e Luiz Gonzaga da Fonseca, deixo aqui os meus agradecimentos pelos seus relevantes serviços prestados à nossa Comunidade de N. Sra. de Lourdes do Córregos do Soldado, bem assim à sua senhora e irmã. Que Deus e Nossa Senhora os recompense muito”. Novos Tesoureiros: Afonso Gomes Pinheiro e Lázaro Pinto de Queiroz. Córrego do Soldado, 26 de fevereiro de 1984 – O Vigário Pe. José Ferreira Neto.

Com as coisas do campo, Padre José Netto lidava muito bem. Fazia renda com o milho que ele mesmo plantava e era muito habilidoso com a terra. Tinha atenção em relação às pragas e formigas, sabia compor uma cerca de arame e estacas no terreno e mantinha tudo organizado com a ajuda das pessoas da comunidade.


ALGUNS FATOS...

O Campanário

O Campanário da Igreja de Nossa Senhora de Lourdes abrigou um sino datado de 1898. Atualmente ele se encontra na torre da nova igreja cumprindo com a sua missão de convocar os fiéis ao culto divino. “Ó Deus, a vossa voz na aurora do mundo ressoou aos ouvidos do homem para convidá-lo à comunicação divina, ensinando-o e admoestando com doçura. (…) Os sinos estão ligados à vida do povo de Deus; o seu som marca os tempos da oração, reúne o povo para realizar ações litúrgicas, avisa os fiéis sobre os acontecimentos mais sérios, que podem significar aflições ou alegrias”. (Ritual de Bênçãos).

Foto do campanário (ou torre do sino) da antiga Igreja do Córrego do Soldado

Os antigos reconhecem a Capela como sendo primitiva, se recordam também do campanário – coisa muito diferente pra época. Os fieis mais antigos se lembram de subir as escadas da capelinha do lado para tocar o sino. (A fotografia está em um quadro no Centro da Pastoral no Córrego).


UMA CAPELA DOIS ORAGOS


A Igreja do Córrego do Soldado tem por padroeira Nossa Senhora de Lourdes, celebrada aos onze de fevereiro; contudo em algum momento da história, a pedido de alguns fazendeiros, começaram a celebrar também a Festa de São Sebastião, santo comemorado aos 20 de janeiro. Fato é que os padroeiros se confundiram… até hoje a Festa do dia onze de fevereiro é dedicada aos dois santos. Surgiu também um pormenor, a Festa do Córrego coincidia com a Festa de São Sebastião da Matriz de Sant’Ana o que gerava um empecilho pastoral.


Banda de Música
Aos 14 de março de 1980 consta no Livro de Caixa da Comunidade do Córrego do Soldado a despesa para com Banda de Música na Festa de São Sebastião incluindo a sua condução. Para abrilhantar a Festa de São Sebastião e Nossa Senhora de Lourdes o Padre José fez vir de Itaúna a Banda de Música para acompanhar a procissão. O Vigário não era músico, mas tinha uma boa inclinação musical, ele pessoalmente se ocupou em ensinar um repertório para ser cantado nas missas.



O Mês de Maria
O nosso povo tem um carinho muito especial com o Mês de Maio. D. Landina e D. Luzia organizavam as coroações, orações e a Ladainha de Nossa Senhora em latim. As festividades do mês de maio se estendiam até a trezena de Santo Antônio, também com as suas orações e cânticos apropriados. Eram 44 dias de orações ininterruptas. Tudo isso por iniciativa das próprias pessoas da comunidade. As receitas anotadas pelo Pe. José Netto, referentes ao mês de maio, eram consideráveis

Sancta Maria, ora pro nobis!

Sancta Dei Génitrix, Virgo Virgininum, Mater Christi…

Festa de Santa Cruz
De acordo com o calendário antigo do Rito de S. Pio V, aos 3 de Maio celebrava-se a Festa de Santa Cruz. A Comunidade do Córrego se ajuntava para rezar aos pés do cruzeiro com a guarda de “Festa de Cruz”. O costume de celebrar esta festa em tal data se manteve por muitos anos. A cruz é o sinal de Cristo Salvador. A cruz que hoje se encontra no altar de Igreja de Nossa Senhora de Lourdes foi entronizada aos 26 de agosto de 1977.

“O meu Coração é só de Jesus, a minha alegria é a Santa Cruz”.

Festividades de São João Batista e São Pedro
Nas noites gélidas dos meses de junho e julho o Sr. José Otacílio Trigueiro e sua família organizavam as festas São João Batista e São Pedro. Rezavam o terço por volta da meia noite. Levantavam bandeiras. Servia-se canjica, pipoca, quentão… A fogueira era acesa e algumas pessoas se aventuravam andando sobre brasas. Lá eram feitos os Batismos de fogueira. Uma forma carinhosa de convidar uma pessoa querida para ficar mais próxima tornando-a “padrinho ou madrinha de fogueira”.







Energia Elétrica
Antes das instalações elétricas do Córrego do Soldado a Igreja era iluminada por lampiões a gás. No Livro de Caixa são citadas diversas vezes as despesas com gás para a Igreja e Salão Pastoral. A Energia elétrica chegou ao Córrego do Soldado por volta de 1980. Inicialmente havia luz na rua principal e na Igreja, depois a rede elétrica foi expandida pela região.



Cercado por um muro de pedra, construído muito provavelmente por mão de obra escrava; entre as suas sepulturas encontra-se uma datada de 1921 – a mais antiga que se pode observar. O Cemitério esteve aos cuidados da Paróquia de Sant’Ana até as décadas de 1970/1980, quando passou aos cuidados da prefeitura. A Comunidade de N. Sra. de Lourdes guarda um arquivo dos sepultamentos realizados nos anos de 1960 e 1970.





Hóstia Santa Imaculada

REFERÊNCIAS:

Pesquisa e Texto: Padre Rodrigo Botelho Moreira Júnior.

Revisão: Delaine Marques

Organização:  Charles Galvão Aquino

Acervo Documental e Fotográfico:  Paróquia Nossa Senhora Aparecida – Itaúna da diocese de Divinópolis

Acervo Fotográfico Padre José Ferreira Netto: Cleide Diniz H. de Souza

Fotografias Sacrário / Cemitério Córrego do Soldado: Charles Galvão Aquino

Fotografia Ilustrativa N.N.Lourdes : Alexandria Católica – Blog

Fotografia São Sebastião: Fineart America. 

segunda-feira, maio 10, 2021

CENSO ITAÚNA 1920





FONTE:

 

Nºde chamada:058.7:631(815.1) -R382r Complemento 1: OR ISBN: Obra rara. ID:16312

Título: Relação dos proprietarios dos estabelecimentos ruraes recenseados no Estado de Minas Geraes / Ministerio da Agricultura, Industria e Commercio, Directoria Geral de Estatistica. Local: Rio de Janeiro. Editor: Typ. da Estatística. Ano: 1924. Descrição física: 3v. Notas: GE00004913-8.

Resumo: Coletânea de resultados do censo de 1920, contendo número de estabelecimentos, nome do proprietário e do estabelecimento, por município. Obra em quatro volumes, a Biblioteca possui os volumes 1, 2 e 3. Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/index.php/biblioteca-catalogo?view=detalhes&id=216312


Pesquisa: Charles Galvão Aquino