quinta-feira, julho 11, 2024

CASA DE CARIDADE

Eduardo Ferreira Amaral encontrou-se na Casa de Caridade Manoel Gonçalves de Souza Moreira no ano de 1954, localizada na cidade de Itaúna, devido a intenso desconforto abdominal. O Dr. Antônio Augusto de Lima Coutinho examinou-o prontamente e constatou que seu quadro era "APENDICITE SUPURADA", necessitando de intervenção cirúrgica imediata.

Nesse período, a cidade contou com um fornecimento limitado de energia elétrica fornecida pela Companhia Industrial Itaunense. A escassez de eletricidade, especialmente no período de seca, exigiu encerramentos noturnos periódicos. Diante disso, Dr. Coutinho despachou um mensageiro à empresa, solicitando que não cortassem a energia naquela tarde devido ao procedimento cirúrgico agendado.  A cirurgia começou no final da noite, por volta das 18h30.

Maria Xavier Ferreira, a devotada esposa de Eduardo, permanecia ansiosa no corredor do hospital, aguardando ansiosamente as novidades. De repente, uma queda de energia mergulhou toda a instalação na escuridão. Em meio à escuridão, um som fraco de uma porta se abrindo ressoou, chamando a atenção de Maria. Para seu espanto, o Dr. Coutinho saiu da sala de cirurgia segurando uma vela. Tomada de preocupação, Maria, com a voz cheia de tristeza e lágrimas nos olhos, perguntou se Eduardo havia falecido. Sem hesitar, o Dr. Coutinho a tranquilizou, afirmando que Eduardo ainda estava vivo.

 Ele então solicitou a Maria que o acompanhasse até a sala de cirurgia, entregando-lhe a vela e disse: acompanhe-me e preste-me sua ajuda dentro do bloco operatório. Por favor, segure esta vela, pois estamos prestes a iniciar a operação e nosso tempo é de extremo valor. O tempo era essencial e não havia espaço para atrasos. Dr. Coutinho realizou habilmente a cirurgia à luz bruxuleante da vela, resultando em um retumbante triunfo. Após ser operado aos 46 anos, o Sr. Eduardo Ferreira Amaral teve a sorte de desfrutar mais 47 anos de vida alegre e plena com seus entes queridos, até falecer pacificamente em 2001.

Fonte Oral:  Professor Marco Elísio Chaves Coutinho & Dª Vera Coutinho

Organização, arte e pesquisa: Charles Aquino

quarta-feira, julho 10, 2024

FORMATURA 1953

A Formatura Memorável de 1953 na Escola Normal Oficial de Itaúna. 

Em dezembro de 1953, a cidade de Itaúna, Minas Gerais, estava em polvorosa com a aproximação de um dos eventos mais aguardados do ano: a formatura dos alunos do Ginásio da Escola Normal Oficial. As festividades prometiam ser grandiosas, refletindo o esforço e a dedicação de uma geração de estudantes que se preparava para dar o próximo passo em suas vidas.

Os convites, delicadamente impressos em papel de alta qualidade, foram enviados a figuras ilustres e respeitadas da comunidade. Entre os convidados de honra estavam o Reverendíssimo Padre José Ferreira Neto, pároco da cidade, e Dona Nair Chaves Coutinho, ex-diretora da Escola Normal Oficial, ambos reconhecidos por suas contribuições inestimáveis à educação e à espiritualidade da comunidade. A eles, os formandos prestariam homenagens de honra, uma justa reverência pela influência positiva que exerceram em suas vidas.

O paraninfo da turma, Dr. Guaracy de Castro Nogueira, professor e diretor da Escola Normal Oficial, seria uma presença inspiradora para todos. Sua liderança e sabedoria tinham guiado os alunos através de desafios acadêmicos e pessoais, preparando-os para os caminhos que seguiriam a partir dali. A oradora da turma, Wanda Nogueira de Mattos, conhecida por sua eloquência e paixão, representaria os sentimentos e as aspirações de seus colegas em seu discurso.

Na manhã de 11 de dezembro, às 8 horas, a cidade se reuniu na igreja matriz para uma missa em ação de graças celebrada pelo Reverendíssimo Padre José Ferreira Neto. A igreja estava adornada com flores e velas, criando uma atmosfera solene e reverente. Os alunos, vestidos com seus melhores trajes, sentaram-se nas primeiras fileiras, acompanhados por seus familiares e amigos. Durante a missa, as palavras do padre ecoaram nos corações dos presentes, lembrando-os da importância da gratidão e da fé no caminho que se seguia.

O dia 12 de dezembro trouxe consigo um ar de excitação e expectativa. Às 20 horas, o Salão do Cine Bagdad estava lotado. As luzes do teatro refletiam-se nos olhos ansiosos dos formandos e de seus entes queridos. Dr. Guaracy de Castro Nogueira iniciou a cerimônia com um discurso inspirador, destacando as conquistas dos alunos e a importância da educação na construção de um futuro brilhante.

A oradora Wanda Nogueira de Mattos subiu ao palco com graça e confiança. Suas palavras, cuidadosamente escolhidas, evocaram risos, lágrimas e aplausos. Ela falou das amizades forjadas, dos desafios superados e dos sonhos compartilhados, criando uma conexão emocional entre todos os presentes.

A entrega dos diplomas foi um momento de grande emoção. Cada aluno, ao ser chamado, recebia seu diploma das mãos de Dr. Guaracy, sob aplausos e vivas da plateia. Nomes como Maria Bernardina Saldanha, Murilo Augusto Gonçalves, Elisa Tarabal Coutinho, Walter Tavares e muitos outros ecoaram pelo salão, cada um representando uma história de dedicação e triunfo.

Após a cerimônia, às 22 horas, o baile teve início. O salão, decorado com elegância, foi preenchido por uma atmosfera de celebração e alegria. As músicas, tocadas por uma banda local, animaram os convidados que dançavam e festejavam até altas horas da noite. Os formandos, em seus trajes de gala, dançavam com seus pais, professores e amigos, criando memórias que perdurariam por toda a vida.

A formatura de 1953 na Escola Normal Oficial de Itaúna foi mais do que um evento; foi um marco na história da cidade e na vida de cada um dos formandos. A celebração de suas conquistas, as homenagens prestadas e as lembranças criadas naquela noite ficaram imortalizadas, um testemunho do poder da educação e da comunidade em moldar futuros brilhantes.

A narrativa histórica é baseada em fatos reais.

Veja também: Convite 1953 

Referências:

Organização e narrativa: Charles Aquino

Colaboração e Acervo: Edward Rodrigues da Silva (Vavá)

Fonte: Convite Diploma do Ginásio Escola Normal 1953

terça-feira, julho 09, 2024

LEGADO DONA COTA

Maria Gonçalves de Souza Moreira, conhecida como Dona Cota, deixou um legado impressionante de filantropia em Itaúna, Minas Gerais. Nascida em 23 de novembro de 1875, Dona Cota casou-se com seu primo Manoel Gonçalves de Souza Moreira, conhecido como Manoelzinho do Hospital. Apesar de não terem filhos, o casal compartilhou um profundo compromisso em ajudar os menos favorecidos, inspirado por suas viagens e pela disparidade social que observaram entre o Brasil e outros países.

Após a morte de seu esposo em 1920, Dona Cota continuou dedicando-se a obras de caridade. Em 1949, ela fundou o Orfanato São Vicente de Paulo, com o objetivo de proteger a moral e materialmente os menores desamparados de Itaúna. Sua decisão de deixar toda a sua fortuna para o Orfanato foi um ato de generosidade e compaixão que marcou a história da cidade.

Segundo registra o Pároco Padre José Ferreira Neto, no Livro do Tombo da Paróquia Santana de Itaúna, no dia 19 de março do ano de 1949, em uma dupla comemoração da festa do “Glorioso São José”, foi inaugurado o grande amparo das meninas órfãs. Na ocasião, o vigário José Neto celebrou a Santa Missa e participou da sessão solene em homenagem à grande benfeitora Dona Cota, sendo nomeada a primeira diretoria da instituição, com Dr. Lincoln Nogueira Machado como provedor, Astolfo Dornas como tesoureiro e um secretário. O Orfanato ficou aos cuidados das “Irmãs Clarissas Franciscanas”, com o Reverendo Padre Oscar Bitiner... como capelão provisionado.

Segundo noticiou o jornal Folha do Oeste em 20 de março do mesmo ano, Dona Cota, “aos 79 anos de idade, sem ascendentes ou descendentes, deixa sua fortuna (seis milhões de cruzeiros) à Fundação São Vicente de Paulo da qual é instituidora juntamente com Dona Tereza Gonçalves de Souza”. Dona Tereza Gonçalves também deixou todo o seu dinheiro para o Orfanato, uma ação muitas vezes pouco comentada ou registrada, apesar de seu valor igual ou maior ao deixado por Dona Cota.

É fundamental relembrar e registrar as contribuições de figuras importantes ao longo das décadas que ajudaram na manutenção e administração da instituição.

Hidelbrando Canabrava Rodrigues, prefeito de Itaúna, desempenhou um papel crucial no suporte ao Orfanato São Vicente de Paulo, onde atuou como presidente. Além disso, envolveu-se ativamente em diversas modalidades esportivas e filantrópicas na cidade. Sua liderança e engajamento social garantiram uma administração eficiente e integrada à comunidade. Sua participação no Lions Club e em outros clubes esportivos ampliou a rede de apoio ao orfanato, assegurando recursos e visibilidade.

Padre José Ferreira Neto foi uma figura espiritual e comunitária vital para o orfanato. Vigário de Itaúna por quase 42 anos, ele exerceu grande influência na instalação do Orfanato São Vicente de Paulo. Sua dedicação em construir uma nova Casa Paroquial e sua habilidade em mobilizar a comunidade para projetos importantes garantiram a sustentabilidade do orfanato. Sua influência espiritual manteve os valores cristãos da instituição, assegurando que sua missão de caridade fosse preservada.

Guaracy de Castro Nogueira trouxe uma abordagem administrativa profissional ao orfanato. Membro do Conselho de Administração do orfanato e de outras instituições filantrópicas, sua experiência no Rotary e na Casa de Caridade Manoel Gonçalves de Souza Moreira foi inestimável para a gestão eficiente da instituição. Sua participação em associações culturais e esportivas ajudou a canalizar recursos e apoio para o orfanato, fortalecendo sua base financeira e administrativa.

Cosme Silva, vereador e radialista, usou suas plataformas de comunicação para dar visibilidade ao orfanato e suas necessidades. Diretor do Orfanato São Vicente de Paulo, ele engajou a comunidade e atraiu apoio através de suas habilidades de comunicação. Sua liderança comunitária e participação em diversos conselhos consultivos foram fundamentais para fortalecer a relação entre o orfanato e a comunidade itaunense, garantindo um fluxo constante de recursos e suporte.

Argemiro Ferreira da Silva foi responsável pela construção física do Orfanato São Vicente de Paulo e de várias outras importantes infraestruturas em Itaúna. Sua habilidade como construtor garantiu uma base física robusta e duradoura para o orfanato. Além do orfanato, ele construiu o reservatório d’água do Alto do Cascalho, casas populares e o Clube União, demonstrando seu compromisso com o desenvolvimento urbano e social de Itaúna. Em especial, o monumento erguido em homenagem ao Doutor Augusto Gonçalves de Souza Moreira, situado na Praça da Matriz de Itaúna, conhecido como “escorregador”.

Relembrar e celebrar essas contribuições é essencial para honrar a memória daqueles que dedicaram suas vidas ao bem-estar da comunidade e ao fortalecimento da instituição. O legado de Dona Cota, perpetuado pelas contribuições de figuras importantes como Hidelbrando Canabrava Rodrigues, Padre José Ferreira Neto, Guaracy de Castro Nogueira, Cosme Silva e Argemiro Ferreira da Silva, é um exemplo brilhante de filantropia e comprometimento comunitário. Cada um desses indivíduos trouxe suas habilidades únicas e dedicação, assegurando que o Orfanato São Vicente de Paulo não só sobrevivesse, mas prosperasse.

Os esforços filantrópicos de Dona Cota não só trouxeram uma profunda transformação na vida de inúmeras pessoas residentes em Itaúna, mas também serviram como catalisadores para a formação de uma rede de apoio comunitário que envolveu diversas figuras influentes. Por meio de suas contribuições individuais, essas personalidades desempenharam um papel vital na solidificação do legado duradouro de Dona Cota, garantindo que sua influência continuaria a ressoar muito depois de seu falecimento, em 27 de novembro de 1954, em Itaúna.

O Orfanato São Vicente de Paulo ou Fundação São Vicente de Paulo e Casa Lar, continuam a ser pilares de apoio social na comunidade, demonstrando que a riqueza e os recursos, quando bem administrados e destinados ao bem comum, podem criar um legado de transformação e esperança. A união de esforços dessas figuras exemplares mostra como a liderança comunitária e a filantropia podem caminhar juntas, promovendo o desenvolvimento social e o bem-estar coletivo. Este legado não só enriquece a história de Itaúna, mas também serve como um exemplo inspirador de como a generosidade e o compromisso com o próximo podem deixar uma marca indelével na sociedade. Essa herança continua a inspirar e beneficiar a comunidade itaunense até os dias de hoje, mostrando que a união de esforços individuais pode gerar um impacto duradouro e significativo.

  História narrada em áudio! Imperdível!


Referências:

Organização, arte, pesquisa e roteiro: Historiador Charles Aquino

Itaúna Décadas. Maria Gonçalves de Souza. Disponível em: https://itaunaemdecadas.blogspot.com/2013/02/dona-cota.html

Itaúna Décadas. Casa de Caridade Itaúna. Disponível em: https://itaunaemdecadas.blogspot.com/2013/11/casa-de-caridade.html

Itaúna Décadas. Hidelbrando Canabrava Rodrigues. Disponível em: https://itaunaemdecadas.blogspot.com/2017/11/hidelbrando-canabrava-rodrigues.html

Itaúna Décadas. Padre José Neto. Itaúna Décadas. Disponível em: https://itaunaemdecadas.blogspot.com/2014/05/padre-jose-netto.html

Itaúna Décadas. Guaracy de Castro Nogueira. Disponível em: https://itaunaemdecadas.blogspot.com/2014/02/guaracy.html

Itaúna Décadas. Cosme Silva. Disponível em: https://itaunaemdecadas.blogspot.com/2013/12/cosme-silva.html

Itaúna Décadas. Monumento da Matriz. Disponível em: https://itaunaemdecadas.blogspot.com/2019/01/argemiro-ferreira-da-silva.html

Itaúna Décadas. Manoelzinho e Dona Cota. Disponível em: https://itaunaemdecadas.blogspot.com/2013/11/batismo-manoel.html

Casa de Caridade Manoel de Souza Moreira. Dona Cota. Disponível em: https://itaunacaridade.blogspot.com/2014/12/maria-goncalves-de-souza-moreira-dona.html

Casa de Caridade Manoel de Souza Moreira. Itaunense Benemérito. Disponível em: https://itaunacaridade.blogspot.com/2014/12/manoelzinho-e-dona-cota.html

Acervo:

Instituto Cultural Maria de Castro Nogueira

Charles Aquino

Adilson Nogueira

Prof. Sérgio Machado

Itaúna Décadas

Professor Marco Elísio (In Memoriam)

Itaúna Bons Tempos - Saudades anos 70, 80 e 90 – Comunidade do Facebook

Fundação São Vicente de Paulo e Casa Lar - Itaúna/MG. 

 

domingo, julho 07, 2024

A SAGA DOS MARRA

A Saga dos Marra: Uma História de Resiliência e Cultura. Nas montanhas pitorescas de Minas Gerais, a pequena cidade de Carmo do Cajuru guarda histórias profundas, entrelaçadas com a memória e a cultura de seus habitantes. Dentre essas histórias, a saga da “família Marra”, se destaca, remontando aos séculos de perseguição, música e coragem. "Cajuru” é uma palavra indígena que significa “boca da mata”, por ter sido a entrada das grandes matas existentes nas margens do Ribeirão do Empanturrado e do Rio Pará.

A história dos “Marra” começa em Nápoles, no coração da Itália, onde, no século XV, a Inquisição Espanhola espalhava terror entre os judeus da Europa. A “família Marra”, uma “Família judia italquita”, viu-se forçada a abandonar seu lar, deixando para trás um legado de cultura e tradição. Andrea Marra, um talentoso violinista e compositor, foi um dos primeiros a migrar, encontrando refúgio e reconhecimento em Lisboa, onde serviu à Câmara e Capela Real a partir de 1750.

Jacó Marra da Silva, nasceu em 1750, na Comarca e termo da Vila de Chaves, Arcebispado de Braga em Portugal, casou-se com Narcisa Antônia Rodrigues da Silva Rosa. O Casal teve 9 filhos...  A família partiu de Cachoeira do Campo para a região de Carmo do Cajuru, Minas Gerais. Ele trazia consigo a força de seus antepassados e o desejo de construir um novo legado. Jacó se estabeleceu como o primeiro “Marra” na região, criando raízes profundas e passando seus valores e tradições para as gerações futuras.

Jacó Marra da Silva faleceu em 1815, em Carmo do Cajuru, deixando um inventário rico em histórias, guardado no Arquivo Judiciário de Pitangui. Sua descendência seguiu forte e determinada, com cada geração enfrentando seus próprios desafios e triunfos...

As mulheres "Marra", através da sua resiliência e determinação inabaláveis, personificam a verdadeira essência e o significado do nome da família.

Francisca Marra da Silva: Trineta de Jacó, que manteve viva a tradição musical da família, ensinando violino para seus filhos e netos.

Balbina Marra da Silva, filha de Cristino Marra da Silva, Tetraneta de Jacó, casou-se com Josias Batista Gomes, descendente de Manoel Gomes Pinheiro, fundador de Carmo do Cajuru. Com descendência igualmente em Itaúna dos Sousa Moreira Gonçalves.

Gení Batista Quadros: Pentaneta de Jacó Marra, Mãe de Maria de Fátima, conhecida por sua generosidade e dedicação à comunidade.

Maria de Fátima Batista Quadros, sexta-neta de Jacó Marra, cresceu ouvindo as histórias de seus ancestrais. Inspirada pela coragem de Jacó e pelo talento musical de Andrea, ela decidiu investigar profundamente suas raízes, revelando um tesouro de documentos e relatos. Seu trabalho culminou na descoberta do inventário de Jacó e na ligação da “Família Marra” com os judeus italquitas (judeus da Itália) e sefaraditas (Judeus Portugal/Espanha).

Muitos membros da “Família Marra” também se destacaram na política, por exemplo, somente em Carmo do Cajuru, Minas Gerais, tivemos quatro prefeitos: José Marra da Silva; Jadir Marra da Silva; Geraldo César da Silva. E na vizinha cidade de Cláudio, Benjamin Teixeira Marra.

Igualmente, graças ao seu “tino para o comércio”, grande parte da família sobressaiu com grande sucesso. Muitos “Marras” estão engajados no ramo do comércio atacadista, empresas, indústrias diversas, além de redes de supermercados, entre outros, como por exemplo, a conceituada Rede de "Supermercados Rena" que tiveram início em Itaúna.

Destacam-se também alguns membros da “família Marra” e um amigo do grande escritor Guimarães Rosa, da cidade de Itaguara, Minas Gerais, é personagem de algumas obras do autor. Inclusive citado no Discurso Inaugural da Academia Brasileira de Letras, da cadeira de número 2 de Mário Palmério, proferido em 22 de novembro de 1968.

“Seu Marra - o bondoso “seu Marrinha”, feitor real, de carne e osso, do grupo de picareteiros a que pertence o maneiroso Lalino - nem o nome dele, a condição de fiscal na construção da rodageira, tampouco a paixão por teatrinhos e pantominas Guimarães Rosa deixou de utilizar. “Seu Marrinha”, que mora hoje em dia em Belo Horizonte - o nome completo é José Benjamin Marra - relata como o doutor ia, em horas livres, assistir ao vaivém das carrocinhas de burro do aterro e puxar conversa com os braçais da estrada. A tentação é muito forte para que se possa a ela resistir; ouçamos Guimarães Rosa...”

O Instituto Cultural Maria de Castro Nogueira, em Itaúna, e o Instituto Histórico de Pitangui, guarda os registros dessa família, lembrando a todos da importância de conhecer e honrar suas raízes. A expressão "na Marra" ressoa com um novo significado, simbolizando não apenas a força e a determinação, mas também a rica tapeçaria de culturas e histórias que compõem a identidade dos Marra.

A história dos Marra é um testemunho do poder da resiliência e da importância de manter viva a memória de nossos ancestrais. Cada membro da família contribuiu com sua própria nota para a sinfonia de sua linhagem, criando uma melodia que ressoa através dos séculos.

 História narrada em áudio! Imperdível!


Referência:

Organização, roteiro e arte: Historiador Charles Aquino

Texto e pesquisa: Poeta e pesquisadora  Maria de Fátima Batista Quadros 

 

MOINHOS DE SANTANA

 O Professor Marco Elísio Chaves Coutinho enfatiza que "VISITAR A HISTÓRIA" dos moinhos d’água é fundamental para a história do município de Itaúna. Esses moinhos, que dominaram as margens do rio São João, são mais do que simples estruturas de moagem; eles representam uma parte crucial da identidade local e da vida comunitária.

Os moinhos transformavam o milho em fubá de angu, um alimento básico, e funcionavam como centros de atividade comunitária, unindo as pessoas em torno do bem comum do alimento. A localização estratégica às margens do rio São João, além de prática, tinha um significado simbólico, conectando a comunidade à natureza e fornecendo a energia necessária para a moagem.

Preservar a história desses moinhos é essencial não apenas para entender o passado de Itaúna, mas também para valorizar o patrimônio histórico da cidade. Essas estruturas/histórias são testemunhas silenciosas de um tempo que moldou a vida local, e sua história continua a ecoar através das gerações. Ao honrar e preservar essa história, reforçamos a conexão com nossas raízes e aprendemos lições valiosas que podem ser aplicadas no presente.


Texto disponível em: MOINHOS DO PROFESSOR

Veja também: PRAIA DOS MOINHOS


Elaboração, arte e roteiro: Historiador C. A. 

Estudo e Apoio a história de Itaúna: Professor Marco Elísio

sábado, julho 06, 2024

SERTANISTA JOVE SOARES

SERTANISTAS/TROPEIROS EM ITAÚNA MG
Cel. Jove Soares Nogueira uma figura notável de Itaúna/MG, nasceu na fazenda das Três Barras, em 1868, durante a Guerra do Paraguai. Filho de Firmino Francisco Soares e Fabiana Nogueira Duarte, cresceu em um ambiente marcado por desafios e pela continuidade familiar. Essa origem moldou seu caráter resiliente e determinado. Em 1894, casou-se com sua prima Augusta Gonçalves Nogueira, uma jovem de 16 anos. Augusta foi uma parceira vital, infundindo-lhe ânimo e força para criar uma família de onze filhos. Jove valorizou a educação e o bem-estar de seus filhos, proporcionando-lhes os melhores colégios e uma base sólida de cultura e moral.

Jove Soares destacou-se como boiadeiro/sertanista, enfrentando sertões inóspitos em busca de gado. Sua tenacidade e habilidade em navegar por trilhos e veredas quase intransitáveis ilustram sua bravura e resiliência. Sem modernidades como aviões ou automóveis, ele dedicava meses a conduzir gado das brenhas para Santana.

Embora com educação formal limitada, Jove era inteligente e socialmente adaptável. Ele sabia portar-se com compostura em reuniões seletas e tinha uma verve irônica para lidar com os arrogantes. Leitor ávido de jornais, mantinha-se informado e relevante, demonstrando um desejo constante de conhecimento. Apesar de não se destacar na política, Jove serviu como vereador e conselheiro municipal, contribuindo significativamente para sua comunidade. Sua atuação cívica reflete seu comprometimento com o bem-estar local.

Após enviuvar-se em 1935, Jove manteve uma devoção profunda à memória de sua esposa, refletindo um lado sensível e humano. Sua luta obstinada contra a morte até o fim reforça a imagem de um homem corajoso e determinado.

Reconhecendo suas contribuições, a cidade de Itaúna prestou homenagem a Jove Soares Nogueira denominando a avenida marginal ao Córrego da Praia como Av. Jove Soares. Instituída pela Lei Municipal 214 de 29 de dezembro de 1953, essa avenida atravessa os bairros Centro, Graça e Pio XII (CEP: 35680-346 e 35680-352). A lei foi sancionada pelo prefeito Dr. Victor Gonçalves de Souza e pelo secretário Antônio Orlando Botelho Nogueira.

Essa homenagem perpetua a memória de Jove Soares Nogueira, destacando sua importância histórica e seu legado na comunidade de Itaúna, reconhecendo seu papel fundamental no desenvolvimento e na história local. 

Biografia narrada em áudio! Imperdível!


Organização, arte e pesquisa:  Charles Aquino


sexta-feira, julho 05, 2024

DÉCADAS VIBRANTES

Nos idos das décadas de 1956 e 1957, a jovem Vicentina Brant vivia uma infância cheia de sonhos e realizações na encantadora cidade de Santana do Rio São João Acima, hoje conhecida como Itaúna, Minas Gerais. Com apenas dez anos, Vicentina já era uma pequena estrela em ascensão, cativando a todos com sua voz doce e sua presença marcante.

Vicentina estudava no Jardim de Infância Ana Cintra, onde era conhecida não apenas por sua inteligência, mas também por sua alegria contagiante. Seus dias eram uma mistura vibrante de atividades: ora estava na escola, ora brincando em casa, ora no Salão de Beleza com sua mãe. A praça da matriz era seu palco de brincadeiras, sempre sob o olhar atento e amoroso de sua mãe.

Toda quarta-feira à tarde e sábado pela manhã, Vicentina se encontrava com o Sr. Antônio Alexandre, um talentoso acordeonista, para ensaiar para o programa "Garotas em Desfile" de Cosme Silva. Esses ensaios eram momentos de intensa dedicação e aprendizado. Sr. Antônio Alexandre era mais do que um mentor; ele era um amigo querido, quase um segundo pai. Quando Vicentina errava, as lágrimas vinham rápido, mas seu perfeccionismo e a falta de pressão da mãe a motivavam a continuar. Sr. Cosme Silva, com sua paciência e palavras de incentivo, sempre conseguia acalmá-la e ajudá-la a retomar os ensaios com confiança renovada.

Os domingos eram especiais. A apresentação no Cine Bagdá, transmitida pela ZYZ4 Rádio Clube de Itaúna, era o ponto alto da semana. Vicentina, com seu figurino impecável preparado por sua mãe e pelas talentosas costureiras Dona Naná e Dona Bela Corradi, encantava a todos. Seus calçados, feitos com carinho pelo Sr. Palomínio, completavam o visual perfeito.

Ao caminhar pelas ruas com sua mãe, Vicentina era frequentemente abordada por admiradores que a reconheciam do programa. "Esta é a sua filha que canta no programa do Cosme?" As pessoas perguntavam, e o coração de Vicentina se enchia de orgulho ao ouvir a resposta afirmativa de sua mãe. Sentia-se uma verdadeira cantora, vaidosa e importante.

Vicentina recebia elogios de todos os lados. Sua professora, Dona Terezinha Lara, sempre acenava do sobrado onde morava quando Vicentina passava de volta para casa. Seu padrasto, Antônio Vilaça, patrocinava suas apresentações e sintonizava no programa para prestigiá-la, aumentando ainda mais seu sentimento de vaidade e importância. Ele também cuidava de seus penteados e da base incolor em suas unhas, garantindo que ela estivesse sempre impecável.

O repertório de Vicentina incluía canções de grandes nomes da música, como Cauby Peixoto, Elizeth Cardoso e Maysa. A cada apresentação, ela se sentia mais segura e preparada, graças aos ensaios cuidadosos com sua mãe. As músicas românticas eram suas favoritas, especialmente "Prece de Amor" de Cauby Peixoto. A emoção de começar a canção como uma oração, com as mãos postas na altura do peito e um olhar rápido para o céu, era um momento mágico que encantava a plateia.

Vicentina Brant cresceu para se tornar uma mulher forte e talentosa, carregando consigo as memórias preciosas de uma infância repleta de música, amor e dedicação. Suas lembranças de Santana do Rio São João Acima, do Jardim de Infância Ana Cintra, do Cine Bagdá e das pessoas queridas que a apoiaram são um testemunho de uma época dourada que moldou sua vida para sempre.

História narrada em áudio! Imperdível!


Referências:

Organização, arte e elaboração: Charles Aquino

Texto: Vicente Brant  

quinta-feira, julho 04, 2024

EDUCADORA BOZA CAMPOS

Thereza Juliano Boza Campos nasceu em 18 de março de 1934, em Belo Horizonte. Foi batizada na Igreja Nossa Senhora das Dores, na mesma cidade, em 11 de novembro de 1934, pelo Juiz de Direito Franklin Azuil e sua esposa Alice. Seu registro de nascimento foi realizado em 20 de janeiro de 1935, no cartório de Mercês, por seu pai Américo Boza Martoni.

Em 25 de dezembro de 1956, Thereza se casou às 15h na avenida Getúlio Vargas, n.º 190, apartamento 04, na cidade de Santos Dumont com Expedito da Silva Campos. A cerimônia, realizada pelo Padre Maximiniano de Oliveira, ocorreu em um altar em honra a Santa Terezinha, organizado por sua mãe, Amélia Juliano Boza. Os padrinhos da cerimônia civil e religiosa foram Rafael Boza e Judith Juliano, além de Geraldo de Paula Barros e sua irmã, Zinha.

Thereza formou-se no curso de Magistério em 8 de dezembro de 1954, na Escola Normal São José de Calazans, em Santos Dumont. No ano seguinte, ingressou na prefeitura da cidade como oficial administrativo e, ainda em 1955, começou a lecionar no Grupo Escolar Estadual Vieira Braga, substituindo a professora Leopoldina Ibrain. Em 1º de novembro do mesmo ano, foi efetivada no mesmo grupo escolar.

Após sete anos de trabalho na Escola Isolada de Elbanck, Thereza foi transferida para o Ginásio Estadual de Santos Dumont, onde trabalhou até 1969. Nesse ano, foi transferida para Itaúna, onde lecionou na Escola Estadual José Gonçalves de Melo. Além disso, trabalhou no Ginásio Santana e na Universidade de Itaúna, exercendo funções cedidas pelo Estado de Minas Gerais.

Thereza Juliano Boza Campos aposentou-se em 23 de outubro de 1982, após uma longa e dedicada carreira na educação. Sua trajetória é marcada por um profundo compromisso com o ensino e o desenvolvimento de seus alunos, deixando um legado significativo na educação. 

Realizado em uma tarde de inverno em Santana do Rio São João Acima, hoje Itaúna, Minas Gerais — Pedra Negra


Referências:

Fonte oral em 04/07/2024:  Thereza Juliano Boza Campos

Entrevista: Alexandre Campos 

Organização e arte: Charles Aquino

 

O VESTIDO

A crônica "O VESTIDO" escrita pela escritora Maria Lúcia Mendes oferece um vislumbre encantador e nostálgico da infância, capturando a magia e a inocência desse período através de uma narrativa simples e evocativa.

O tema central da crônica é a relação afetiva da narradora com um vestido especial, representando a valorização das pequenas coisas e a importância dos símbolos de infância. O vestido não é apenas uma peça de roupa; ele se torna um objeto de desejo, um símbolo de status entre as amigas e, mais profundamente, um guardião de segredos e sonhos.

A narrativa é em primeira pessoa, o que proporciona uma visão íntima e pessoal dos sentimentos da personagem. A autora utiliza uma linguagem simples e direta, refletindo a perspectiva infantil e a pureza das emoções descritas. A repetição de ações e o desejo constante de vestir o vestido acentuam a obsessão e o encanto que a peça exerce sobre a menina.

O vestido branco bordado carrega um simbolismo profundo, enquanto os personagens de contos de fadas remetem ao mundo da fantasia e da imaginação infantil. A imposição de que o vestido é "só pra ir à missa e aniversário" sublinha a importância de ocasiões especiais na vida da criança e a distinção entre o cotidiano e o extraordinário.

O príncipe escondido na costura da manga representa os sonhos e segredos que a criança guarda, uma metáfora para as fantasias e expectativas que a infância carrega. Este detalhe quase invisível simboliza o valor subjetivo e emocional que as crianças atribuem aos seus objetos queridos, muitas vezes imperceptível aos olhos dos adultos.

O conflito principal gira em torno do desejo incessante de vestir o vestido e a proibição imposta pelos adultos. Este conflito se intensifica quando a criança descobre que o vestido não lhe serve mais, provocando uma reação intensa de frustração. A tentativa dos adultos de "engabelar" a menina com uma bainha postiça é vista como uma solução paliativa e insatisfatória, que não apazigua a dor da perda.

A resolução, com o vestido sendo eventualmente relegado ao fundo da mala, simboliza o inevitável crescimento e as transições da infância para a adolescência. A perda do vestido é, portanto, uma metáfora para a perda de uma parte da inocência e da magia da infância.

A linguagem poética e as descrições vívidas contribuem para criar uma atmosfera nostálgica e envolvente. A escolha de palavras e as frases curtas e emotivas capturam perfeitamente a voz e os sentimentos da criança. O uso do tempo presente em "Todo dia era sagrado" e "Só hoje: eu pedia sempre" transmite a sensação de um desejo contínuo e persistente, enquanto o tempo passado em "sapateei, ralei o calcanhar no chão e veio o um choro espichado" enfatiza a intensidade da reação emocional.

Situada em Santana do Rio São João Acima, hoje Itaúna, Minas Gerais, a crônica também oferece um pano de fundo cultural específico. Reflete a vida em uma cidade pequena e a importância de eventos comunitários como missas e aniversários. Este contexto adiciona uma camada de autenticidade e regionalismo à narrativa, permitindo que os leitores se conectem com a cultura local e o ambiente descrito.

A crônica "VESTIDO" de Maria Lúcia Mendes é uma obra sensível e tocante que captura a essência da infância com sua simplicidade e profundidade. Através de uma narrativa evocativa e personagens simbolicamente ricos, a autora nos leva a refletir sobre a importância das pequenas coisas e as transições inevitáveis da vida. A crônica nos lembra que, por mais efêmeros que sejam os objetos da nossa infância, os sentimentos e memórias que eles evocam permanecem profundamente enraizados em nossas lembranças.


História narrada em áudio! Imperdível!



Referência: Organização, arte e análise: Charles Aquino 



quarta-feira, julho 03, 2024

CARNEIRO DE OURO

Lendas em Torno da Fazenda das Peixotas e da Capela do Rosário. Nos confins de Minas Gerais, na pequena vila de Santana do Rio São João Acima, hoje conhecida como Itaúna, repousa a Fazenda das Peixotas, um lugar repleto de histórias e mistérios. Uma das lendas mais fascinantes envolve a antiga proprietária da fazenda, Felipa Peixota (ou Peixoto), uma mulher de grande coragem e astúcia.

Segundo o historiador João Dornas Filho, Felipa era conhecida por sua riqueza e engenhosidade. A história conta que, em um ato de impressionante generosidade e estratégia política, Felipa presenteou o Príncipe Regente D. João (futuro Rei D. João VI) com um "carneirinho" feito de ouro. Este presente magnífico foi produzido nas lavras de ouro da região das Lavrinhas, pertencentes a Felipa. Em troca, ela recebeu uma vasta sesmaria que abrangia Santana e se estendia ao longo do rio São João Acima, alcançando Lavrinhas, Barreiro, Cajurú, e o Rio Pará.

Embora o historiador João Dornas Filho reconheça a lenda como altamente implausível devido ao tamanho exagerado da sesmaria e à existência de documentos que atribuem as terras a outros proprietários, a história do carneiro de ouro permaneceu viva na memória dos habitantes locais. A lenda simboliza a astúcia e a determinação de Felipa Peixota em expandir suas terras e influenciar a história da região.

 A Capela do Rosário

A Capela do Rosário, situada em Santana do Rio São João Acima, também está envolta em mistério e lendas. Os antigos moradores da vila lembram-se de um tempo em que a capela seria construída no chapadão dos Capotes. No entanto, devido à prevalência de doenças na região, decidiu-se erguê-la no morro que hoje é conhecido como Rosário.

A decisão foi influenciada por Torquato Alves, um agricultor local, mas a construção da capela deve-se em grande parte à generosidade de Felipa Peixota. A fazendeira, que já havia conquistado a fama com o carneiro de ouro, doou generosamente terras para a construção da capela. A doação incluía terras agrícolas pertencentes ao Coronel Quintiliano Lopes Cançado. Em 1855, o Coronel registrou a capela como sua propriedade no livro oficial da paróquia, conforme estabelecia a Lei de 1850. Esse registro histórico encontra-se hoje arquivado no APM - Arquivo Público Mineiro.

A capela, situada no topo do morro, tornou-se um ponto de referência espiritual e cultural para os habitantes de Santana. Suas paredes guardam segredos e histórias de fé, esperança e comunidade. As lendas em torno da Fazenda das Peixotas e da Capela do Rosário são um testemunho da rica "tapeçaria histórica e cultural" de Minas Gerais, onde realidade e fantasia se entrelaçam, criando um legado que perdura através das gerações.

História narrada em áudio! Imperdível!


“Rica Tapeçaria Histórica e Cultural”

O termo "rica tapeçaria histórica e cultural" é uma metáfora que descreve a complexidade e a diversidade das tradições, histórias e expressões culturais de uma determinada região ou comunidade. Esse termo sugere que, assim como uma tapeçaria, onde diversos fios de diferentes cores e texturas são entrelaçados para criar um desenho único, a história e a cultura de uma comunidade são formadas pela combinação de múltiplas influências, eventos e práticas culturais.

A utilização dessa metáfora em textos e discursos ajuda a enfatizar a ideia de que a cultura e a história de um lugar não são monolíticas, mas sim uma rica mistura de diferentes influências que, juntas, criam uma identidade complexa e vibrante. Por exemplo, no caso da capela mencionada  no texto, a "rica tapeçaria histórica e cultural" de Minas Gerais é formada pelas lendas locais, as histórias de fé e esperança, e as tradições comunitárias que se entrelaçam para criar um legado duradouro.

No contexto de Minas Gerai s— com sua vasta herança cultural e histórica, é um excelente exemplo de uma "rica tapeçaria". As influências indígenas, africanas e europeias, combinadas com as histórias das fazendas, igrejas e comunidades, criam um panorama cultural diversificado e profundo. As lendas e tradições locais são componentes essenciais dessa tapeçaria, refletindo a forma como a realidade e a fantasia se entrelaçam na memória coletiva do povo mineiro. Portanto, o termo "rica tapeçaria histórica e cultural" encapsula a ideia de uma herança cultural multifacetada e intrincada, que é tecida ao longo do tempo através das contribuições de muitas gerações e influências diversas.

MEMORIAL JOÃO DORNAS ✅

Referências:

Organização, arte e pesquisa: Historiador Charles Aquino

Fonte impressa: FILHO, João Dornas. “Itaúna: Contribuição para a história do município”, 1936, págs. 14-16.

Testamento Felipa Peixota: Cx91/Dc3164, 1804. ICMC. Instituto Cultural Maria de Castro.

Fazenda das Peixotas. Itaúna Décadas.