sexta-feira, outubro 25, 2013

ITAÚNA: CENSO 1831

Mapas de População
Santana do Rio de São João Acima 
( Itaúna MG )


BRANCO
AFRICANO/PRETO
CRIOULO
PARDO
SEM INFOR.
HOMEM
425
353
281
420
0






MULHER
419
135
274
450
4






TOTAL
844
488
555
870
4







(Clicar na imagem para ampliar)



Referências: 

Fonte : Cedeplar - UFMG  

Pesquisa e Organização: Charles Aquino

terça-feira, outubro 22, 2013

HISTÓRIA DA SAÚDE EM ITAÚNA (VI)


BEXIGAS DEVASTOU ITAÚNA

BEXIGAS — Assim era chamada a Varíola, uma doença infectocontagiosa que assombrou também a cidade mineira de Itaúna no século XIX.

Minha avó Amélia Augusta de Faria contava,   era menina na época, que se lembrava de seu irmão Olímpio Nogueira de Souza, havia comprado o sitio onde estavam enterrados os bexiguentos. O local era depois da Santa Casa de Caridade (hoje Hospital Manoel Gonçalves) indo para Santanense.

Anos depois, Antenor Marinho comprou o sítio, a parte bexiguenta e loteou. Como sua mulher chamava Marta, o local tomou o nome de Vila Santa Marta.

João Dornas Filho em seu livro comenta o fato: " A região fronteira à Casa de Caridade Manoel Gonçalves, onde se acha localizado hoje o sítio do Sr. Olympio Nogueira de Souza, chama-se Bexiguento, em virtude de uma epidemia de varíola que (quase) dizimou a população de Sant'Ana em 1880. Ali foram isolados os variolosos e ali mesmo enterrados os que faleciam, em número considerável."

Em “memorias e histórias itaunenses” de um tempo passado ainda com dificuldades, a população sobreviveu ...

Antes : Vila Marinho / Vila Santa Marta

Hoje : Bairro São Judas Tadeu


Texto: Edward Rodrigues da Silva (Genealogista & Historiador Itaunense)
Foto: Google Map / Charles Aquino
Acervo: Shorp
Fonte Pesquisa: FILHO, João Dornas. Itaúna, Contribuição para a História do Município" Editado em 1936 o registro na página 97

segunda-feira, outubro 21, 2013

IRMÃ BENIGNA EM ITAÚNA

Irmã Benigna Victima De Jesus
Casa de Caridade Manoel Gonçalves de Souza Moreira
Itaúna (MG) 


Saiba mais em: 

IRMÃ BENIGNA: UMA LÍDER NEGRA





Acervo Fotográfico: Casa de Caridade Manoel Gonçalves de Souza Moreira / Itaúna/MG  e  Prof. Marco Elísio Chaves Coutinho

Organização, elaboração e montagem: Charles Aquino


terça-feira, março 19, 2013

PRAÇA MATRIZ DÉCADA 50

PRAÇA MATRIZ DE ITAÚNA MG

ITAÚNA: MEADOS DA DÉCADA DE 50

  O Prefeito era o Dr. Milton de Oliveira Penido, que urbanizou nossa praça Dr. Augusto Gonçalves. Na foto aparecem as diversas partes da Praça, já com grama. No número 1 está o centro da Praça. Naquela época, à esquerda do número 1, as moças e rapazes (como se chamavam os JOVENS), iam todas as terças, quintas e sábados fazer o “footing” ou “avenida”, como era mais conhecido.

 Ao lado das calçadas ficavam os rapazes, formando um corredor, e ao centro as moças, várias, de braços dados, iam e vinham, vendo e se mostrando, trocando olhares, etc. Quando havia uma química, logo aparecia um “cupido”, geralmente uma “amiga” para tentar iniciar um eventual encontro, namoro e, em muitíssimos casos estes encontros se transformaram em casamentos, muitos durando até hoje.

 Não é o meu caso, já com 42 anos de casado, pois nosso namoro teve início no Colégio Santana, eu como professor e minha esposa, aluna. Durante a semana este “footing” durava no máximo até 21 horas, quando todos se recolhiam para suas casas, respeitando os horários estabelecidos pelos pais.

 Aos sábados grande parte preferia ir ao cinema. Na foto vemos no número 5 o Cine Rex, com uma grande sala de projeção (construção nova), conservando, porém, a fachada primitiva. Quando o filme chamava atenção a fila começava na entrada do cinema e, por muitas vezes, ia até à Rua Cel. Francisco Franco

Os casais ou os que estavam sós e optavam por não irem ao cinema, iam para o Clube UNIÃO, onde havia a tradicional “hora dançante”, com música ao vivo (conjuntos itaunenses”) ou ao som de discos.

 Algum tempo depois foi construído o ex-Cine Popular e depois Bagdá e a movimentação era a mesma. (Abrindo este parênteses, esclareço que houve uma época que em Itaúna havia 3 (três) salas de cinema: Cine Bagdá (onde hoje está o Bradesco), o Cine Rex e o Cine Popular (depois Bagdá) hoje transformado em estacionamento. 

A juventude de hoje que ler este artigo poderá pensar: que maneira idiota de viver a juventude. O que havia, na verdade, era um absoluto respeito aos pais, aos amigos e amigas, enfim, ao próximo.

 A palavra “DROGA” (maconha, etc.) era praticamente desconhecida. Obviamente que havia a bebida alcoólica, mas poucos, muito poucos abusavam dela. Espero que os “sessentões” que lerem este artigo, gostem. Na época eu tinha cerca de 15 anos e somente comecei a participar aos 18. Meu pai não permitia. Os demais pontos importantes da fotografia estão devidamente identificados.

  Juarez Nogueira Franco


sábado, março 02, 2013

PRAÇA DA LAGOINHA

LENDA OU VERDADE?

O objetivo deste artigo é falar sobre este casarão, que ficava situado na esquina da Rua José Gonçalves com Praça Francisco Marques (LAGOINHA), do lado direito, ao lado do semáforo, onde hoje há um prédio que abriga lojas e uma sorveteria e também sobre a razão pela qual a referida praça tem o apelido de LAGOINHA. Supõe-se que tal imóvel tenha sido construído quando Itaúna ainda era a Vila de Sant'Ana de São João Acima, não se sabe por quem. Sabe-se que pertenceu ao Sr. Alfredo Jorge Mina (Alfredo Turco) (conforme informações da família do comprador). Na década de 20 foi vendida ao Sr. OLÍMPIO JOSÉ DA SILVEIRA e sua esposa MARIA IRENE DA SILVA, vindos de Conquista (ITAGUARA). Aqui o Sr. Olímpio e Dª Maria Irene tiveram outros filhos, e morreram.
Não conheci pessoalmente nenhum, mas sou amigo de dois filhos: Mardoqueu José da Silva (o conhecido DOCA, que trabalhou por mais de 40 anos na Itaunense), e Menevides José da Silva, também ex-funcionário de mesma empresa e casado com a Sra. Zelma Antunes de Castro Silva. Apenas uma vez entrei nesta casa, imensa, como se pode ver pela foto e toda assoalhada. Na parte que dava para a Praça Francisco Marques (LAGOINHA), haviam várias pequenas lojas que serviam de barbearia, engraxataria, mercadinhos, etc. Na década de 60 os herdeiros de do Sr. OLÍMPIO venderam o referido imóvel, quando foi erguido o atual prédio. 
Conforme o título deste artigo há uma história ou estória sobre o porquê de LAGOINHA. Certa vez meu pai SEBASTIÃO ALVES FRANCO (Tião Franco), contou-me que o pai dele, meu avô JOSÉ ALVES FRANCO (Zeca Franco) contava o seguinte caso: ANTONIO JOSÉ ALVES FRANCO (pai de Zeca Franco), dizia (por ouvir falar) que, quando Itaúna ainda era a Vila de Sant'Ana do Rio São João Acima, (meados do século 19), bem no centro da praça havia uma pequena LAGOA
Do lado sul a vila terminava aqui. A atual Rua Marechal Deodoro chamava-se Rua do Canto, justamente por estar no canto da vila e dela saía uma trilha que levava ao Caminho onde hoje é a Rua Mozart Machado. Este caminho levava até ao povoado de São Sebastião do Itatiayussu, (hoje cidade de Itatiaiuçu), povoado de Conquista (hoje cidade Itaguara), Termo de BONFIM e continuando, alcançava a Estrada Real. 
Segundo o saudoso historiador Dr. Guaracy de Castro Nogueira, o fundador de Itaúna, GABRIEL DA SILVA PEREIRA, foi quem abriu a primeira picada (caminho), passando pelo Arraial de Sant'Ana, ligando BONFIM a PITANGUI, os dois mais importantes centros da Região. Voltando à LAGOINHA, meu bisavô dizia (por ouvir falar), que ela era abastecida por uma água vinda de uma mina que estaria situada no terreno onde hoje está o Colégio Santana. A sobra (quando enchia), saía pelo ladrão e descia pelo atual trecho da Rua Dr. José Gonçalves que vai da LAGOINHA até o Rio São João.
No princípio eu disse "lenda" ou "verdade". Realmente nenhum dos historiadores itaunenses, especialmente JOÃO DORNAS, em momento algum fala sobre isto. Por esta razão não há como provar se é Verdade ou Lenda. No entanto, se disser à maioria dos habitantes de Itaúna que moro na LAGOINHA, ninguém terá dúvida. Saberá onde é certamente. Por que razão então do nome LAGOINHA? Alguma coisa houve! 



Texto: Juarez Nogueira Franco (In memoriam)
Fonte Oral: Família de Olímpio José da Silveira / antepassados
Organização: Charles Aquino

domingo, fevereiro 24, 2013

THEREZA ESCRAVIZADA

Sant'Ana do Rio do São João Acima
Livro de Óbito 


(Clicar na fotografia)
Morro do Rosário    Ano 1852

Aos vinte e cinco de Janeiro de mil oitocentos e cinquenta e dois foi sepultado no adro do Rosário o cadáver de Thereza ,crioula, inocente, escrava de João Gomes Moreira. E para constar faço este assento em que me assigno.
O vigário  Encomendado João Baptista  Miranda 

quinta-feira, fevereiro 14, 2013

IGREJA BATISTA DE ITAÚNA



As origens da Egreja Baptista de Itaúna remontam a 1903, quando o Sr. João Antônio Soares, membro da igreja de Bello Horizonte, se transferiu para esta cidade, reunindo em torno de si os primeiros adeptos, que foram os fundadores da igreja local e cujos nomes são os seguintes:

Daniel F. Crosland                    
Messias Nogueira Soares
Joaquim Alves Pinheiro
Francisco Canuto da Silva
Archimedes Caire de Roure       
Theophilo Amâncio das Chagas 
Florentino Ferreira de Sousa
Carlos Alves Galdino                 
Antônio José Rodrigues             
Americo Lopes                          
Francisco Manoel de Abreu
João Evangelista dos Reis
Antônio Querino Soares            
Abel João da Cruz e Sousa
Castorina Ferreira de Abreu      
Maria do Carmo Moreira

Em 1913, a igreja já estava consolidada e realizava suas reuniões na residência de João Antônio Soares por falta de um templo dedicado. Porém, à medida que o número de seguidores crescia, um templo batista foi construído em 1915. João Antônio Soares generosamente cedeu o terreno para este templo, que fica na Rua da Alegria, hoje Melo Viana.
"Produto de grande esforço e fé profunda, esse templo representa para os batistas de Itaúna um atestado de alta significação espiritual e moral, pois é fácil de avaliar-se a dificuldade que venceram para lançar uma religião combatida por todos os meios num centro de baixo nível mental que era Itaúna daquele tempo" (FILHO, p.56-57).
Os obstáculos chegaram ao ponto em que o vigário da freguesia se recusou a autorizar o sepultamento de Américo Lopes Dias e João Antônio Soares no cemitério. A inflexibilidade do vigário provocou uma resposta hostil da população local, que considerou a decisão desumana e insuportável, fazendo com que os corpos permanecessem insepultos durante dias. 
Consequentemente, as autoridades permitiram que os sepultamentos ocorressem no terreno da igreja batista, sendo o sepultamento de Américo Lopes no jardim e o de João Antônio Soares seu repouso final no interior do templo. A Igreja Batista continuou ocupando um lugar especial no coração dos cidadãos de Itaúna, com um número significativo de seguidores e conquistas impressionantes.

TEMPLO 

Na escritura pública do cartório do 2º OFÍCIO do Tabelião José Edwards Santiago, às fls. 53 a 55 do LIVRO DE NOTAS Nº 32 (documento disponível no Cartório de Registro de Imóveis de Itaúna), consta a venda de uma casa coberta de telhas, sem divisão interna, construída no ano de 1912, situada à Rua Afonso Pena (hoje Rua Zezé Lima) em Itaúna MG. O primeiro proprietário do imóvel foi João Antônio Soares, que vendeu à Associação Evangélica Batista do Rio de Janeiro.

Em 08 de Outubro de 1943, representando a Associação, o missionário norte-americano, Rev. Otis Pendleton Maddox, batista e residente em Belo Horizonte, vendeu o imóvel para o senhor Augusto Alves de Souza, casado, maquinista, residente em Itaúna, pelo valor de Cr$ 9.500,00 (nove mil e quinhentos cruzeiros). Diante do exposto, o primeiro endereço do templo da Igreja Batista de Itaúna, foi à Rua da Alegria,  hoje rua Melo Viana, e o segundo, à Rua Afonso Pena, hoje Rua Zezé Lima, nº 77 (fotografia do templo acima).

ANÁLISE

A análise do texto sobre as origens da Igreja Batista de Itaúna revela vários aspectos importantes que podem ser destacados, divididos em contexto histórico, aspectos socioculturais, resistência enfrentada e a evolução da comunidade.

O texto começa ao situar a origem da Igreja Batista de Itaúna no início do século XX, especificamente em 1903, quando João Antônio Soares, um membro da igreja batista de Belo Horizonte, se muda para Itaúna. Sua chegada marca o início da congregação local, que começa a se formar em torno dele. 

A lista de nomes mencionados como fundadores reflete a diversidade dos primeiros membros, incluindo figuras notáveis como Daniel F. Crosland e Joaquim Alves Pinheiro. Este início ressalta a natureza missionária e o esforço coletivo para estabelecer uma nova igreja em um ambiente onde o protestantismo ainda era visto com desconfiança.

A narrativa enfatiza as dificuldades enfrentadas pela igreja em um contexto de "baixo nível mental", como descrito no texto, referindo-se à resistência cultural e religiosa presente na época. A frase "religião combatida por todos os meios" ilustra a hostilidade enfrentada pelos batistas, o que é evidenciado pelo episódio relacionado aos sepultamentos de Américo Lopes Dias e João Antônio Soares.

A recusa do vigário em permitir o enterro desses indivíduos no cemitério local reflete a forte oposição da Igreja Católica, então predominante, contra novas denominações religiosas.
Este confronto religioso culminou em uma resposta da comunidade local, que, apesar de inicialmente oposta, mostrou solidariedade diante da "decisão desumana e insuportável" do vigário. Essa solidariedade pode ser vista como um indicador da complexidade das relações sociais em Itaúna, onde, apesar das divisões religiosas, havia um senso de humanidade que prevaleceu sobre as doutrinas eclesiásticas.

O texto documenta a evolução da Igreja Batista em Itaúna, desde as primeiras reuniões na casa de João Antônio Soares até a construção de um templo próprio em 1915. A doação do terreno por Soares é um gesto significativo, simbolizando o compromisso e a generosidade dos primeiros membros da igreja. O templo na Rua da Alegria (hoje Melo Viana) não só representa um espaço físico de culto, mas também um marco de resistência e afirmação da identidade batista em Itaúna.

A transição do templo para um novo endereço na Rua Afonso Pena (atual Rua Zezé Lima) em 1943 marca outra fase de desenvolvimento. A venda do imóvel pelo missionário norte-americano Rev. Otis Pendleton Maddox para Augusto Alves de Souza é um detalhe importante, mostrando o envolvimento de figuras internacionais na história da igreja e a continuidade da comunidade batista ao longo das décadas. 

O texto sugere que o templo batista em Itaúna possui um profundo significado espiritual e moral para seus seguidores. Esse significado não é apenas religioso, mas também cultural, refletindo a perseverança de uma comunidade que enfrentou oposição e conseguiu se estabelecer e crescer. 

O fato de a igreja continuar a ocupar "um lugar especial no coração dos cidadãos de Itaúna" reforça a ideia de que a fé batista foi capaz de se enraizar profundamente na cidade, influenciando não apenas seus membros, mas também a sociedade em geral.

Por fim, o legado deixado pela Igreja Batista de Itaúna é destacado pela continuidade de suas conquistas e pelo número significativo de seguidores. A transformação do espaço físico da igreja, desde sua fundação até os dias atuais, simboliza a resistência e adaptação da comunidade batista às mudanças sociais e culturais, enquanto mantém suas raízes e valores.

O texto examinado é uma rica narrativa que documenta não apenas a história de uma igreja, mas também o desenvolvimento social e cultural de Itaúna no início do século XX. A trajetória da Igreja Batista de Itaúna é marcada por desafios e conquistas que refletem a dinâmica de um grupo religioso determinado a afirmar sua identidade e contribuir para o tecido social da cidade. 

Com o passar dos anos, prevaleceu a resiliência, determinação e, sobretudo, a fé dos membros da comunidade batista, permitindo que a laicidade e o equilíbrio neste município de Itaúna se estabelecessem. A análise minuciosa do texto permite compreender melhor o impacto da fé batista na cidade e o legado duradouro de seus primeiros membros.


REFERÊNCIAS:
FILHO, João Dornas. Itaúna Contribuição Para História do Município 1936 págs.  56 , 57.
Acervo: Sr. José Alves Nogueira. Residente à Rua Zezé Lima 77
Colaboradora: Heloísa Oliveira
Pesquisa e Elaboração: Charles Aquino/Juarez Nogueira
Cartório Registro de Imóveis de Itaúna
SOUZA, Miguel Augusto Gonçalves de. História de Itaúna. pág. 210  
Realização: Charles Aquino

quarta-feira, fevereiro 06, 2013

A Terra Da Liberdade



Anno 1913

 MINAS GERAES–ESTADOS UNIDOS DO BRASIL 

A TERRA DA LIBERDADE

(LINDOLPHO XAVIER)

Eis nesta curva ideal que aos desertos se extende
As tranquillas regiões dos planatos centraes,
Na larga linha azul que os infinitos fende,
Goyaz, Bahia abraça e Matto Grosso prende,
Vindo fechar-se emfim nestas Minas Geraes.

Cá, o Itacolomy, como impávida tórre,
Ergue a fronte de ferro em eterna atalaya;
Alli, o São Francisco, o Paraopeba corre;
Além, da Mantiqueira o dorso azul percorre,
E fura os céos o pico azul do Itaiaya.

Além, na leda encosta , a dominar o cerro,
Surge altiva e ridente a nova Capital.
E perto, como um vasto elephante de ferro,
A ouvir do trem que passa o estrepitante berro,
Immensa se espreguiça a Serra do Curral.

Eis Morro Velho, alli, Kimberley rica e bella,
O ouro a tirar do ventre em grandes borbotões;
Eis Honório Bicalho, a escancarar a guella,
Gongo-Socco, Tripuhy,Passagem,Gandarella,
Golcondas a esconder nos fundos corcovões.

Eis o Burnier, a mostrar o esburacado flanco,
O ouro negro a jorrar das cavernas sem fim;
Eis adeante, a empinar-se, a Serra do Ouro Branco,
Por onde o trem de ferro, em truculento arranco,
Corta em duro rugido as furnas de Alladin.

Além entre os coxins das verdejantes fraldas,
De Tombos, Manhuassú, Viçosa e Muriahé,
D’alta vegetação nas crúas esmeraldas,
Com as flores a brotar nas túmidas grinaldas,
Eis as ricas regiões das terras de café.

Alli, da verde baga entre os quentes odores,
Com a machina a bufar, arrastando os vagões,
Ao ruido do progresso e ao fumo dos vapores,
Vae A Fortuna a inchar,
com seos mil esplendores,
Nova Colchida a erguer nessas duras regiões.

Nas bordas a sorrir do umbroso Parahybuna,
Juíz de Fóra, a princeza, ergue a fronte real.
Pisa São João D’El-Rey os antros da Fortuna,
Céres hymnos entôa em Pará e Itaúna,
E ao Sul jorram saúde as fontes de Crystal.

De Sabará e Caeté eis as serras distantes,
As cinsas a guardar do estadista de escól.
De Diamantina, além, eis os céos de diamantes,
E Ouro Preto, a acenar aos seos mil visitantes,
Com a sua fronte aureolada e inundada de sol.

Curvello e Pitanguy , Patos e Indayá se inclinam
Entre os renques viris dos mil buritysaes;
Uberaba e Araxá sobre os campos reclinam,
E além , Paracatú e Carmo já se empinam
Sobre o Sahara de anil, entre os Campos Geraes.

De Tiradentes surge o épico fantasma,
- Liberdade! – a rugir com a portentosa voz;
De ottoni o inclyto vulto o estro nos enthusiasma,
E de Santos Dumont o berço além se plasma,
Erguendo um hymno eterno ao ousado albatroz.

De Claudio e Guimarães a lyra inda alli geme;
Eis de Albuquerque o vulto, e Ouro Preto, e Durão;
Eis Baptista Caetano, eis Gonsaga e Paes Leme,
E Capanema a guiar do telegrapho e leme,
E Carneiro, o alto heróe, a morrer como um leão.

E do Triangulo ao Parahyba, e ao Rio Doce distante,
Desde os camnpos do Norte aos pinheiraes do Sul,
Minas vive a sorrir, com o peito de gigante.
Cravejada de ferro, e de ouro, e de brilhante,
Qual princeza encantada, orgulhosa e taful !



Fonte : Hemeroteca Digital Brasileira (http://hemerotecadigital.bn.br/)
Pesquisa: Charles Aquino