quarta-feira, outubro 16, 2019

GUARANY NOGUEIRA

Lei Municipal 3477/99 — CEP: 35681-750
Denomina logradouro público: Distrito Industrial Guarany Nogueira / Rod. MG-050

GUARANY NOGUEIRA

Na rua Silva Jardim, naquele tempo suja, esburacada e cheia de pedras, numa casa antiga, local onde moravam os herdeiros de Cândido Perillo, em 20 de agosto de 1902, nasceu Guarany Nogueira, filho de Manoel Zacharias Nogueira e de Dona Aureslina de Faria Nogueira.
O Guarany tem praticamente a idade do município de Itaúna, instalado a 2 de janeiro de 1902. Presenciou a festa no útero de sua progenitora e deve ter sentido no seu ainda incipiente coração, todas as emoções da jovem mãe. Nasceu oito meses depois. Por isso tano ama Itaúna!
Em 1918 e 1919, transformou-se em representante de gado vacum e suíno. Nas horas vagas, estudava no Externato de Pará de Minas. Em 1920, estabeleceu-se com uma casa de cereais na rua da Ponte. O ano de 1921 foi decisivo em sua vida: trabalhou como quarteio no Hotel Internacional em Belo Horizonte, o melhor e maior da jovem capital. Encarregado de arrumação, gostava das coisas limpas, varria cuidadosamente cada quarto.
Encontrou logo sua verdadeira vocação: Comerciante. Empregou-se na Casa Abras e, até 1925, frequentou a melhor universidade de negócios da época, a rua dos Caetés, constituída principalmente de sírios e libaneses. Passou a viajante comercial da Casa Aziz Abras. Este notável comerciante foi seu grande amigo e protetor.
Conheceu em Santo Antônio do Monte, ainda adolescente, com seus 15 anos, menina-moça, a paixão definitiva de sua vida: Maricas. Aconteceu o primeiro encontro de Guarany com Maricas, sempre acompanhada de amigas. Uma delas, a Pautilha, pianista, tocava sempre para o Magalhães Pinto, também de Santo Antônio do Monte.
Em 10 de abril de 1926, casou-se em Santo Antônio do Monte, onde seu amigo e padrinho Aziz Abras não pode ir, por causa das enchentes do Rio São João em Itaúna. Os trilhos e pontilhões da antiga várzea, inundados, impediram que as “Marias Fumaças” da R.M.V. neles transitassem.
Deste casamento nasceram Guaracy de Castro Nogueira e Eneida Nogueira. Esteve casado e feliz durante 42 anos com Maricas.  Logo após o casamento, Guarany comprou de José Fagundes, na Rua do Rosário, sua casa própria, em 4 de setembro de 1926. Nela montou sua própria loja, adquirindo a parte do Pinheiro, morando nos fundos.
Tornou-se grande acionista das maiores empresas mineiras e, em Itaúna, tem posição de destaque entre os maiores acionistas das Companhias Industrial Itaunense e de Tecidos Santanense. É membro do Conselho Consultivo da primeira e do Conselho Fiscal da segunda.
Em 1950, Itaúna, sem clube, discutia sobre a possibilidade de construir um outro, pois o antigo “Clube Itaunense” desaparecera. Enfrentando opiniões, muitas vezes contrárias, com Vandeir Nogueira e Modestino Gonçalves Franco, construiu, inaugurou e entregou o Automóvel Clube.
Guarany Nogueira, um autêntico itaunense, retrato vivo e sofrido do verdadeiro barranqueiro do Rio São João.

Guaracy de Castro Nogueira

Ano de 1987


 Guarany Nogueira


REFERÊNCIAS:
Organização e Elaboração: Charles Aquino.
Acervo: Instituto Cultural Maria de Castro Nogueira
Acervo e Projetos de Leis dos Logradouros: Câmara Municipal de Itaúna.
Pesquisa: Charles Aquino Patrícia Gonçalves Nogueira.
Correios CEP
Texto biográfico: Guaracy de Castro Nogueira -  JORNAL A VIOLETA,  Ed. Especial, em 20 de agosto de 1987, para comemorar os 85 anos de Guarany Nogueira


quinta-feira, outubro 10, 2019

CONSTRUÇÃO IGREJA MATRIZ

1938

Chegando aqui, encontrei a Egreja Matriz pronpta externamente, mas internamente toda por concluir, estando em funções assim mesmo.

Muito se esforçou e ansiou-se a construção da Egreja Matriz o Coronel João Lima que ficou sendo um benemérito da parochia e Dª Maria Gonçalves de Souza, à Companhia Itaunense e muitas outras pessoas cujo nome me escapa agora.

Os serviços estavam paralisados e logo que cheguei, dei as providências necessárias para a sua continuação, fazendo orações e organizando [...] de esmolas para o prosseguimento dos mesmos serviços estando estes a cargo do engenheiro Dr. Lauro Gonçalves de Souza, Mestres de Obras, o srs. Izaurino [do Vale], sr Antônio Lopes Cançado.

Prosseguem os mesmos regularmente e ajude-nos Deus para que, em futuro não muito remoto, regozijamos realidade a aspiração de todos, que desejam ver Itaúna com um templo condigno.


<O Vigário Padre Waldemar Antônio de Pádua Teixeira>


Ó meu Jesus / Memórias Sonoras e Afetivas


REFERÊNCIAS:
Pesquisa e Organização: Charles Aquino
Livro do Tombo I da Paróquia de Sant'Ana de Itaúna -  15/09/1902 a 31/12/1947, página 50r.
Acervo: Professor Marco Elísio Chaves Coutinho (In Memoriam), Charles Aquino

quinta-feira, outubro 03, 2019

AFOGADELA DO PALHAÇO

Osório FAGUNDES*

Outra passagem relacionada com o Rio São João me foi revelada também por D.ª Clotilde. Ela se casara no ano de 1920 e passara a residir nas proximidades da estação local, hoje, Rua D.ª Cota.

Periodicamente, determinado Circo de Cavalinhos, (como era conhecido pelo povo) dava os seus espetáculos na cidade e era seu costume permanecer aqui boas temporadas. No decorrer do tempo, uma empregada de D.ª Clotilde ficou noiva de um dos palhaços do circo.

Vez por outra, o referido palhaço gostava de tomar banho e nadar no açude do Rio São João, junto aos moinhos de fubá. Certo dia, ele voltara ao referido local para a prática de seu esporte de natação. Constantemente, ele gostava de mergulhar na água, dando as suas braçadas lá pelo fundo do açude.

Numa dessas vezes, ele permaneceu demorando muito debaixo d'água. Alguns meninos que estavam por ali, admirando as proezas do nadador, notando que o palhaço demorava muito a voltar à tona, deram o alarme e dentro de poucos instantes ajuntaram diversas pessoas ao redor daquele represamento d'água.

Alguns dos homens ali reunidos mergulharam na água, a fim de encontrar o corpo do infeliz palhaço. Depois de alguns mergulhos e buscas, acharam-no finalmente, trazendo à tona.

O cadáver foi levado até a pracinha defronte à venda do Serafim. D.ª Clotilde foi também ver o corpo do noivo de sua empregada. Esta ficou inconsolável com a ocorrência, vendo morto o seu noivo.

Ali, ao redor do morto, havia comentários de que o palhaço pulara dentro d'água logo após o almoço, o que lhe ocasionara uma congestão. Comentário comum na boca do povo para explicar tais ocorrências.

A verdade é que o palhaço que fizera rir tantas vezes a criançada da cidade e também adultos foi tragado pelas águas do Rio São João, entregando a sua alma a Deus na terra de Santana! . . . certamente, este seu fim já estava registrado na sua conta corrente do Céu! . . . 

Esta lamentável ocorrência deu-se no ano de 1923.



Texto: *Osório Martins Fagundes (In memoriam). Fragmentos de um Passado, ano 1977, pag. 623.
Organização: Charles Aquino
Acervo: Shorpy

sábado, setembro 21, 2019

HISTÓRIA DA SAÚDE EM ITAÚNA

A assistência à saúde Itaúna (MG)

A formação histórica da assistência à saúde em Itaúna (MG): práticas, instituições e controle social

A história da saúde em Itaúna, município localizado na região centro-oeste de Minas Gerais, permite compreender não apenas a evolução das práticas médicas locais, mas, sobretudo, os modos pelos quais diferentes formas de saber, instituições e relações sociais se articularam na construção de mecanismos de cuidado, controle e exclusão. 

Longe de constituir uma trajetória linear de progresso, a organização da assistência à saúde no município revela tensões entre empirismo e cientificidade, filantropia e institucionalização, bem como entre práticas de cura e dispositivos de disciplinamento social.

Partindo da análise de registros históricos reunidos em iniciativas de memória local, como o acervo digital do blog Itaúna em Décadas, este estudo busca examinar as transformações nas práticas de saúde em Itaúna, desde o período em que ainda era um arraial até a consolidação de instituições hospitalares e políticas sanitárias mais estruturadas ao longo do século XX.

Durante o século XIX, quando Itaúna ainda se configurava como o arraial de Sant’Anna do Rio São João Acima, a assistência à saúde era marcada pela ausência de institucionalização formal. Nesse contexto, predominavam práticas terapêuticas exercidas por boticários, curandeiros e práticos, cujos conhecimentos articulavam elementos da tradição empírica, da farmacologia rudimentar e de concepções herdadas da medicina hipocrática.

As boticas desempenhavam papel central nesse sistema, funcionando como espaços híbridos de atendimento, onde se manipulavam substâncias, realizavam-se orientações terapêuticas e, em muitos casos, intervenções diretas sobre os corpos dos pacientes. 

Procedimentos como sangrias e o uso de sanguessugas eram amplamente empregados, refletindo a permanência de paradigmas médicos pré-científicos, ainda vigentes em diversas regiões do Brasil oitocentista.

Contudo, a distinção progressiva entre o boticário prático e o farmacêutico formado indica o início de um processo de especialização do saber médico, associado à expansão de instituições de ensino e à circulação de novos referenciais científicos. 

Essa transição, embora incipiente, evidencia a inserção gradual de Itaúna em dinâmicas mais amplas de profissionalização da saúde no país.

O início do século XX marca uma inflexão importante na história da saúde em Itaúna, com a presença crescente de médicos formados e a introdução de práticas alinhadas à medicina científica. Profissionais como o médico Hely Nogueira, atuante na década de 1920, exemplificam essa mudança, ainda que em condições materiais limitadas.

Nesse período, os atendimentos médicos eram frequentemente realizados em espaços adaptados, com escassez de instrumentos diagnósticos e terapêuticos. 

Ainda assim, a figura do médico passa a ocupar posição de destaque no tecido social, não apenas como agente técnico, mas como mediador simbólico entre doença, cura e ordem social.

Essa valorização do saber médico está diretamente relacionada à consolidação de um discurso científico que reivindica autoridade sobre o corpo e a doença, contribuindo para a deslegitimação progressiva de práticas consideradas “tradicionais” ou “não científicas”. 

Contudo, esse processo não se deu de forma homogênea, sendo atravessado por resistências, adaptações e permanências.

A criação de instituições hospitalares representa um marco fundamental na organização da saúde em Itaúna. A fundação da Casa de Caridade Manoel Gonçalves de Souza Moreira, cuja pedra fundamental foi lançada em 1916, evidencia o papel central da filantropia e da religiosidade na estruturação dos serviços de saúde.

Antes da consolidação de políticas públicas universais, o atendimento aos enfermos estava fortemente vinculado a iniciativas privadas de caráter assistencial, frequentemente associadas a valores cristãos de caridade e compaixão. 

Nesse modelo, o acesso ao cuidado não se configurava como um direito, mas como um benefício mediado por relações sociais, morais e econômicas.

Tal configuração reforçava hierarquias sociais, distinguindo aqueles que prestavam assistência daqueles que dela dependiam. Ao mesmo tempo, contribuía para a construção de uma cultura de cuidado baseada na solidariedade, ainda que limitada em sua capacidade de alcance e permanência.

A análise da história da saúde em Itaúna também revela o papel das doenças como catalisadoras de práticas de exclusão e controle social. A lepra, atualmente denominada hanseníase, constitui um exemplo emblemático nesse sentido.

Marcada por forte estigmatização, a doença gerava medo coletivo e implicava profundas consequências sociais para os indivíduos acometidos, incluindo isolamento, perda de vínculos econômicos e marginalização. 

A resposta institucional a esse problema frequentemente se dava por meio de políticas de segregação, como o encaminhamento de doentes para colônias especializadas, a exemplo da Colônia Santa Isabel, inaugurada em 1931.

Essas práticas não podem ser compreendidas apenas como estratégias sanitárias, mas como dispositivos que articulavam saber médico, poder estatal e normas sociais na regulação dos corpos. Nesse contexto, a saúde pública se configurava também como instrumento de disciplinamento, definindo limites entre normalidade e desvio.

A trajetória da saúde em Itaúna evidencia um processo complexo, estruturado por disputas entre saberes, desigualdades de acesso e práticas de disciplinamento social, no qual práticas empíricas, saberes científicos, instituições filantrópicas e políticas sanitárias se entrelaçam na construção de formas de cuidado e regulação social.

Ao invés de uma narrativa linear de progresso, o que se observa é a coexistência de diferentes modelos de assistência, marcados por disputas de legitimidade, desigualdades de acesso e tensões entre inclusão e exclusão. 

Nesse sentido, a história da saúde no município oferece um campo privilegiado para a análise das relações entre medicina, sociedade e poder, contribuindo para uma compreensão mais ampla das dinâmicas históricas que moldaram o cuidado com o corpo e a doença no Brasil.

A assistência à saúde em Itaúna MG


PRESERVARÇÃO PATRIMONIAL DA SAÚDE

Referências:
Imagem:
Reconstituição visual ilustrativa gerada por Inteligência Artificial, inspirada nas primeiras salas de operação e nos ambientes hospitalares de Itaúna ao longo do início do século XX, com base em referências históricas sobre a organização da assistência à saúde no município.

A imagem não corresponde a um registro histórico, mas sim a uma interpretação artística que busca evocar a saúde, o cuidado e as condições materiais da prática médica da época, os instrumentos disponíveis, a configuração dos espaços hospitalares e as dinâmicas de atenção e intervenção sobre o corpo. 

Procura-se, assim, representar o contexto em que se estruturavam as práticas cirúrgicas, evidenciando tanto os avanços técnicos quanto as limitações e os desafios enfrentados pelos profissionais de saúde no cenário local.

sexta-feira, setembro 20, 2019

HISTÓRIA DA SAÚDE EM ITAÚNA (IV)

CENTRO OESTE DE MINAS GERAIS - SAÚDE

Teve grande repercussão em nossa cidade o Concurso de Robustez Infantil promovido pelo Centro de saúde de Divinópolis, como preliminar ao grande concurso que será realizado no fim do ano na Capital do Estado.

O dr. Mario Figueiredo, esforçado diretor daquele centro, não tem poupado energias para o maior brilhantismo do certâmen: grande é o número de prêmios que recebeu aquele posto para serem distribuídos às crianças vencedoras.

Em Itaúna já estão fichadas e prontas para concorrerem ao concurso as seguintes crianças:
FILHO
PAI
Evandro Alberto
dr. Lima Coutinho
Luiz Augusto
dr. Augusto Gonçalves
Zenolia
sr. Crispim Magalhães
Ildeu
sr. Francisco Guimarães
José Jorge
Sr. Messias Jorge
José Joaquim
sr. Alcino Ribeiro
Danilo
sr. Bossuet Guimarães
Renée
sr. Tertuliano Queiroz
Carlo Nei
sr. Acrísio Moura Costa
Guido
sr. Francisco Saldanha
Adolfo
sr. Adolfo Mendes

Há ainda várias outras crianças cujas filhas estão em preparação. Os pais que possuírem filhos robustos, com idades de 3 meses a um ano, e desejarem que concorram ao concurso, devem procurar os drs. Lima Coutinho, Lincoln Nogueira, Hely Nogueira e José Drumond.

Robustez em Divinópolis

A campanha em torno do primeiro Concurso de Robustez Infantil em Divinópolis, estava com base na ideologia da “eugenia positiva[1] (SOARES, 2012), por meio de cuidados biológicos e tratando dos problemas sociais, não como questões raciais, mas como decorrência de precárias condições de saneamento, que grande parte da população urbana e rural do início do século XX se encontravam.

O dr. Figueiredo acreditava que o concurso seria uma forma de conscientizar e educar as famílias para o fortalecimento das sociedades humanas e consequentemente a do país, tendo como principal alvo, “a participação da mulher na construção de uma nação forte e saudável”. (ALMEIDA, 1928, p.160).

As inscrições para o primeiro concurso de robustez foram realizadas no próprio Centro de Saúde de Divinópolis, entre o período de agosto a outubro de 1933.

O local do concurso de Robustez, foi realizado no Cine Avenida, localizado no centro da cidade. Neste evento, reuniram-se cerca de quatrocentas pessoas, entre várias personalidades: políticos, médicos, sanitaristas, colaboradores e a população divinopolitana. 

O concurso foi superintendido pelo dr. Mário Augusto de Figueiredo e composto por um grupo de médicos que constituiu uma comissão de júri: dr. José Drumonddr. Aristóteles de Barros, dr. Dario Gonçalves, dr. Antônio de Lima Coutinho, sendo todos médicos da cidade de Itaúna/MG e dr. Ananias Ataliba Teixeira, médico da cidade de Formiga.

CONCURSO ROBUSTEZ INFANTIL -MG

O evento contou com a presença do farmacêutico e prefeito da cidade de Divinópolis, Pedro X. Gontijo, ficando o discurso inicial na incumbência do juiz municipal, dr. José Pereira Brasil. O orador fez “largas considerações sobre a eugenia” e enalteceu o bom trabalho realizado pelo dr. Mário no município.

Em seguida, foi realizada uma conferência pelo universitário, Paulo Augusto de Figueiredo, filho do dr. Mário, com o tema: “Como enriquecer a nação com filhos sadios e robustos”, referindo-se também aos problemas da higiene infantil e pré-natal, focalizando na questão do amparo a infância proletária.

ROBUSTEZ INFANTIL MG

Encerrada a conferência, dr. Mário deu continuidade ao concurso de robustez que chegou ao número de 50 crianças participantes, sendo classificadas as 10 primeiras robustas recebendo prêmios e brindes como forma de incentivo à saúde. 



REFERÊNCIAS:

ORGANIZAÇÃO E PESQUISA: Charles Aquino
ALMEIDA, Jane Soares de. Imagem feminina e maternidade: o concurso de robustez infantil em São Paulo. 1928. p. 160,163,165,166. Disponível em: <http://emaberto.inep.gov.br/index.php/rbep/article/view/769/744> Acesso em:  04 out. 2016.
AZEVEDO Francisco Gontijo de; AZEVEDO, Antônio Gontijo de. Da História de Divinópolis. Divinópolis: Graphilivros,1988. p.50.
JORNAL: CORREIO DA MANHÃ, Rio de Janeiro, 10 de dezembro de 1933, p.6.
JORNAL: CORREIO DA MANHÃ, Rio de Janeiro, 13 de setembro de 1931, p.6.
 JORNAL: CORREIO DA MANHÃ, Rio de Janeiro, 24 de novembro de 1933, p.7.
JORNAL: CORREIO DA MANHÃ, Rio de Janeiro, 28 de outubro de 1933, p.11.
JORNAL: CORREIO DA MANHÃ, Rio de Janeiro, 6 de janeiro de 1934, p.5.
JORNAL: LAVOURA E COMÉRCIO, Uberaba, 23 de julho de 1936, p.2.
JORNAL: O OPERÁRIO, Montes Claros, 15 de setembro de 1934, p.1.
AQUINO, CHARLES; SANTOS, HELENO: UEMG. 6º Período História. JORNADA DA SAÚDE: PRÁTICAS EDUCATIVAS E POLÍTICAS EM DIVINÓPOLIS NA DÉCADA DE 30.
ROBUSTEZ EM ITAÚNA TEXTO: Jornal de Itaúna, 22 de outubro 1933, p.1.
ACERVO: Professor Marco Elísio Chaves Coutinho (In Memoriam), Charles Aquino



[1] A eugenia no Brasil foi apropriada e lida de formas extremamente diversas, produziu vertentes mais radicalizadas, que obtiveram pouco efeito prático e também suscitou aproximações menos radicalizadas, onde alguns dos intelectuais brasileiros responderam a suposta “degeneração” advinda da mestiçagem que “acometia” a população brasileira de forma extremamente criativa e arrojada, defendiam que a mestiçagem não constituía um fator de degeneração na população brasileira, mas pelo contrário, a mestiçagem foi entendida como uma das melhores qualidades da população.



quarta-feira, agosto 28, 2019

O ÚLTIMO CASAMENTO


No bucólico vilarejo de Itaúna, a imponente Velha Matriz de Sant'Ana, erguida com suas pedras gastas pelo tempo, vivenciava o crepúsculo de sua história. Era abril de 1934, mês que marcaria não só o último casamento, mas também o encerramento iminente das portas da igreja que havia testemunhado séculos de histórias.

Na serena manhã de 12 de março, a luz do amanhecer iluminava as antigas vidraças enquanto Emídio Herculano Pereira, um homem de trinta anos, e Alzira Maria de Freitas, uma jovem de vinte e dois, se reuniam no sagrado interior da Matriz. Sob o olhar benevolente do vigário Padre Ignácio Campos, os noivos trocaram votos de amor eterno, unidos pelos laços do matrimônio em uma cerimônia simples, porém repleta de significado.

Emídio, filho de Joaquim Herculano Pereira e Diolina Gonçalves Rodrigues, um homem de semblante sério e olhar determinado, encontrou em Alzira, filha de Francisco Patriocínio e Maria Marra de Freitas, uma companheira de alma e coração. Ela, com sua juventude radiante, e ele, com a maturidade de quem enfrentara os desafios da vida no interior mineiro.

Enquanto as testemunhas Manoel Gomes Pereira e Isaurino do Vale confirmavam a união, a Velha Matriz testemunhava seu último casamento. As paredes que ecoaram tantas preces e bênçãos estavam destinadas a ser silenciadas, seu destino selado para dar lugar ao progresso que avançava inexoravelmente sobre o passado.

Ao final da cerimônia, o Padre Ignácio Campos registrou os detalhes do evento, marcando não apenas o casamento de Emídio e Alzira, mas também a despedida de um capítulo histórico da pequena cidade. O sino da Matriz, que por séculos anunciara nascimentos, casamentos e falecimentos, soou pela última vez antes que as portas se fechassem para sempre, selando o fim de uma era e o início de uma nova história para Itaúna.


Ano 1934

Este casamento foi o último realizado na Velha Matriz (Paróquia de Sant'Ana de Itaúna). No dia 8 de abril de 1934 foi fechada para ser demolida.
Aos doze dias do mês de março do ano de mil novecentos e trinta e quatro pelas 6:30 horas da manhã nesta Matriz de Sant'Ana de Itaúna, depois das denominações canônicas e mais formalidades prescritas não aparecendo impedimento algum, por palavras de presente na forma do Ritual, em minha presença e na das testemunhas Manoel Gomes Pereira e Isaurino do Vale, receberam em matrimônio EMÍDIO HERCULANO PEREIRA e ALZIRA MARIA DE FREITAS.
Ele solteiro com trinta anos de idade, filho legítimo de Joaquim Herculano Pereira e Diolina Gonçalves Rodrigues, nascido e batizado em ibidem (Itaúna).
Ela solteira com vinte e dois anos de idade, filha legítima de Francisco Patriocínio e Maria Marra de Freitas, nascida e batizada nesta freguesia e residente, ibidem (Itaúna).
E para constar lavrei este assento, que assino.
O vigário Padre Ignácio Campos




Referências:
Organização: Charles Aquino
Acervo: Shorpy (Fotografia meramente ilustrativa)
Acervo: Paróquia Sant'Ana de Itaúna