domingo, julho 14, 2024

PROFESSORA CELUTA

Professora Celuta das Neves: uma Vida Dedicada à Educação e Humanidade.

Nascida em 12 de novembro de 1885, na bucólica Passagem de Mariana, um distrito do município de Mariana, Minas Gerais, Celuta das Neves tinha o destino marcado pela dedicação ao ensino e pela paixão por ajudar o próximo. Filha de Augusto de Faria Neves e Sebastiana Neves, desde cedo demonstrou uma inclinação para a educação, que a acompanharia por toda a vida.

Em 1900, Celuta formou-se normalista pelo Colégio Providência de Mariana, um feito notável para a época, especialmente para uma mulher jovem em uma sociedade predominantemente patriarcal. De 1901 a 1907, ela lecionou francês com maestria, deixando uma marca inapagável em seus alunos. Em janeiro de 1908, uma nova fase começou quando foi nomeada professora primária em Pequi, Minas Gerais, pelo então governador João Pinheiro da Silva. Em Pequi, Celuta lecionou até 1919, antes de ser transferida para Itaúna, Minas Gerais, onde continuaria sua missão educacional até sua aposentadoria em 1942.

Itaúna tornou-se não apenas seu local de trabalho, mas também sua casa e a comunidade onde fez contribuições inestimáveis. No Grupo Escolar Dr. Augusto Gonçalves, além de ensinar, ela ocupou o cargo de vice-diretora, influenciando decisivamente a vida de inúmeros alunos. Mesmo após a aposentadoria, Celuta continuou a dar aulas particulares, dedicando-se a ensinar até a véspera de sua morte.

Celuta casou-se em 17 de agosto de 1913, em Pequi, com José Lopes de Oliveira. Juntos, tiveram cinco filhos, cada um deles refletindo a dedicação e os valores que Celuta inspirou. A vida familiar, no entanto, não foi isenta de tragédias. Suas Filhas, Dora Alice e Eni de Oliveira faleceram no mesmo dia, em 10 de maio de 1927, uma de pneumonia e a outra atropelada enquanto se dirigia à igreja, vestida de anjo para coroar Nossa Senhora. Essas perdas profundas marcaram a vida de Celuta, mas não diminuíram seu espírito indomável e sua dedicação à educação.

Reconhecida por sua contribuição extraordinária, Celuta recebeu o título de Cidadã Honorária de Itaúna em 1965. Após sua morte em 5 de junho de 1968, sua memória continuou viva. Em 1974, uma escola no bairro de Lourdes foi nomeada em sua homenagem, perpetuando seu legado de amor pela educação e compromisso com a comunidade. Em 1994, essa escola foi municipalizada, reafirmando a importância de Celuta das Neves na história educacional de Itaúna.

Celuta das Neves não foi apenas professora; ela foi um anjo da guarda e amiga de seus alunos. Sua figura afrodescendente foi um farol de sabedoria e resiliência. Muitos jovens, de diferentes origens sociais, procuraram as suas aulas particulares, encontrando nela não só uma educadora, mas também uma fonte de inspiração e apoio. Suas aulas de português, matemática e datilografia eram mais do que aulas acadêmicas; foram momentos de formação de caráter e preparação para o futuro. Sua influência ultrapassou as paredes da sala de aula, moldando o caráter e as ambições de seus alunos.

Caros alunos e comunidade da Escola Municipal Professora Celuta das Neves, hoje, nos reunimos para honrar e celebrar o legado de uma mulher extraordinária, cuja vida e trabalho deixaram marcas resistentes em nossa história. Celuta das Neves, cuja dedicação à educação e ao bem-estar de seus alunos continua a inspirar-nos, é um exemplo brilhante de como uma pessoa pode transformar vidas e comunidades através do ensino.

Celuta das Neves foi uma exímia educadora em sua época, deixando um legado que transcende gerações. Sua vida é um testemunho do poder transformador da educação e do impacto duradouro que um professor dedicado pode ter na vida de seus alunos e na comunidade em geral. Sua memória continua a ser uma inspiração, lembrando-nos da importância de dedicar-se ao bem-estar e ao desenvolvimento dos outros. Seu trabalho incansável e sua paixão pelo ensino criaram um ambiente de aprendizado e crescimento que beneficiou gerações de estudantes.

Que seu legado nos lembre diariamente da importância de buscarmos o conhecimento com entusiasmo, de apoiarmos uns aos outros com generosidade e de trabalharmos com dedicação para construir um futuro melhor para todos. Como alunos desta escola, vocês são os herdeiros dessa grande história, e cabe a vocês continuar a honrar a memória de Celuta das Neves, mantendo vivos os valores que ela tanto prezava. Que sua jornada de aprendizado aqui na Escola Municipal Professora Celuta das Neves seja sempre guiada pelo espírito de excelência, compaixão e determinação que ela exemplificou em sua vida.

 
 História narrada em áudio! Imperdível!

Organização, arte e pesquisa: Historiador Charles Aquino, ex-aluno da escola Celuta das Neves.

Colaboradores: Direção e professores da Escola Celuta das neves, Professor Luiz Otávio Rabelo e Prefeitura Municipal de Itaúna.

Realizado em Sant'Ana do Rio São João Acima, hoje Itaúna/MG — Pedra Negra!

sábado, julho 13, 2024

PROFESSORA DOLORES

Esta pesquisa inédita inclui a biografia da professora Dolores Nogueira Penido, elaborada por Agostinho Nogueira Araújo em 1982. Inclui também um conciso estudo genealógico de sua linhagem familiar, bem como a imortalização através do projeto de lei que nomeia uma escola municipal em homenagem a sua contribuição e o sincero agradecimento que lhe é demonstrado pelos moradores do "Povoado de Pedra", ou São José de Pedras, no município de Itaúna/MG. Boa leitura.

A Escola Rural do povoado de Pedra, deste Município de Itaúna, vem funcionado há longos anos, prestando inestimáveis serviços à comunidade. Os registros revelam que centenas de pessoas nascidas e criadas nas imediações, tiveram a alfabetização realizada naquela Escola. Principalmente no princípio, quando a dificuldade de comunicação era imensa, quando as famílias se fixavam no local com os seus componentes, a Escola exercia uma função muito importante.

Biografia narrada em áudio! Imperdível!

 Organização, arte e pesquisa: Charles Aquino

sexta-feira, julho 12, 2024

TESTAMENTO JOÃO LOPES

O Testamento de João Lopes da Silva, datado de 26 de setembro de 1848, é um documento em que o testador, gravemente enfermo, estabelece suas últimas vontades e distribui seus bens. João Lopes da Silva, natural da Freguesia de Santa Anna do Rio São João Acima, do povoado do Córrego do Soldado, filho de Salvador Lopes Rodrigues e Maria Fernandes da Silva... declara que sempre se manteve solteiro e não possui herdeiros diretos.

João nomeia seus irmãos Alexandre Lopes da Silva e Manoel Lopes da Silva como seus testamenteiros, dando prioridade ao primeiro. Ele premia Alexandre com os bens das casas da Fazenda da Cachoeira, exceto os trastes, além de seis alqueires de terras de cultura na Cachoeira. A Manoel, João deixa um par de esporas de prata e um garrote lavrado de dois anos.

Como irmão terceiro da Senhora do Carmo, João solicita que seu testamenteiro pague qualquer dívida à Irmandade. Ele especifica que seu corpo seja acompanhado por dois clérigos no enterro e que sejam celebradas 140 missas para sua alma, incluindo dois oitavários, e mais 40 missas, divididas igualmente entre as almas de seus falecidos pais.

João também deixa uma novilha de um ano para cada um de seus três afilhados: Antônio, filho de seu irmão Antônio; José, filho de seu irmão Manoel; e Manoel, filho de seu irmão José. Adicionalmente, determina que um carro de milho seja distribuído aos pobres.

O restante de seus bens é legado a Rita, filha de Manoel Lopes Rodrigues, morador desta Freguesia. Alexandre, como testamenteiro, é encarregado de administrar os bens de Rita até que ela esteja habilitada ou incapaz de fazê-lo, atuando também como seu tutor.

O testamento foi redigido pelo tabelião Quintiliano José Pinto, a pedido de João, e assinado pelo testador. Foi aberto em 11 de outubro de 1848 em Santa Anna pelo juiz de Paz João Nogueira Coelho Duarte, com Alexandre Lopes da Silva aceitando seu papel de testamenteiro.

Narrativa em áudio! Imperdível!

Referências:

Pesquisa e Paleografia: Dr. Alan Penido.

Elaboração, arte e roteiro: Charles Aquino.

Fonte: Acervo Testamentário do IHP – Instituto Histórico de Pitangui – Minas Gerais

Transcrição do documento disponível em: Resgate da História

 

quinta-feira, julho 11, 2024

CASA DE CARIDADE

Eduardo Ferreira Amaral encontrou-se na Casa de Caridade Manoel Gonçalves de Souza Moreira no ano de 1954, localizada na cidade de Itaúna, devido a intenso desconforto abdominal. O Dr. Antônio Augusto de Lima Coutinho examinou-o prontamente e constatou que seu quadro era "APENDICITE SUPURADA", necessitando de intervenção cirúrgica imediata.

Nesse período, a cidade contou com um fornecimento limitado de energia elétrica fornecida pela Companhia Industrial Itaunense. A escassez de eletricidade, especialmente no período de seca, exigiu encerramentos noturnos periódicos. Diante disso, Dr. Coutinho despachou um mensageiro à empresa, solicitando que não cortassem a energia naquela tarde devido ao procedimento cirúrgico agendado.  A cirurgia começou no final da noite, por volta das 18h30.

Maria Xavier Ferreira, a devotada esposa de Eduardo, permanecia ansiosa no corredor do hospital, aguardando ansiosamente as novidades. De repente, uma queda de energia mergulhou toda a instalação na escuridão. Em meio à escuridão, um som fraco de uma porta se abrindo ressoou, chamando a atenção de Maria. Para seu espanto, o Dr. Coutinho saiu da sala de cirurgia segurando uma vela. Tomada de preocupação, Maria, com a voz cheia de tristeza e lágrimas nos olhos, perguntou se Eduardo havia falecido. Sem hesitar, o Dr. Coutinho a tranquilizou, afirmando que Eduardo ainda estava vivo.

 Ele então solicitou a Maria que o acompanhasse até a sala de cirurgia, entregando-lhe a vela e disse: acompanhe-me e preste-me sua ajuda dentro do bloco operatório. Por favor, segure esta vela, pois estamos prestes a iniciar a operação e nosso tempo é de extremo valor. O tempo era essencial e não havia espaço para atrasos. Dr. Coutinho realizou habilmente a cirurgia à luz bruxuleante da vela, resultando em um retumbante triunfo. Após ser operado aos 46 anos, o Sr. Eduardo Ferreira Amaral teve a sorte de desfrutar mais 47 anos de vida alegre e plena com seus entes queridos, até falecer pacificamente em 2001.

Fonte Oral:  Professor Marco Elísio Chaves Coutinho & Dª Vera Coutinho

Organização, arte e pesquisa: Charles Aquino

quarta-feira, julho 10, 2024

FORMATURA 1953

A Formatura Memorável de 1953 na Escola Normal Oficial de Itaúna. 

Em dezembro de 1953, a cidade de Itaúna, Minas Gerais, estava em polvorosa com a aproximação de um dos eventos mais aguardados do ano: a formatura dos alunos do Ginásio da Escola Normal Oficial. As festividades prometiam ser grandiosas, refletindo o esforço e a dedicação de uma geração de estudantes que se preparava para dar o próximo passo em suas vidas.

Os convites, delicadamente impressos em papel de alta qualidade, foram enviados a figuras ilustres e respeitadas da comunidade. Entre os convidados de honra estavam o Reverendíssimo Padre José Ferreira Neto, pároco da cidade, e Dona Nair Chaves Coutinho, ex-diretora da Escola Normal Oficial, ambos reconhecidos por suas contribuições inestimáveis à educação e à espiritualidade da comunidade. A eles, os formandos prestariam homenagens de honra, uma justa reverência pela influência positiva que exerceram em suas vidas.

O paraninfo da turma, Dr. Guaracy de Castro Nogueira, professor e diretor da Escola Normal Oficial, seria uma presença inspiradora para todos. Sua liderança e sabedoria tinham guiado os alunos através de desafios acadêmicos e pessoais, preparando-os para os caminhos que seguiriam a partir dali. A oradora da turma, Wanda Nogueira de Mattos, conhecida por sua eloquência e paixão, representaria os sentimentos e as aspirações de seus colegas em seu discurso.

Na manhã de 11 de dezembro, às 8 horas, a cidade se reuniu na igreja matriz para uma missa em ação de graças celebrada pelo Reverendíssimo Padre José Ferreira Neto. A igreja estava adornada com flores e velas, criando uma atmosfera solene e reverente. Os alunos, vestidos com seus melhores trajes, sentaram-se nas primeiras fileiras, acompanhados por seus familiares e amigos. Durante a missa, as palavras do padre ecoaram nos corações dos presentes, lembrando-os da importância da gratidão e da fé no caminho que se seguia.

O dia 12 de dezembro trouxe consigo um ar de excitação e expectativa. Às 20 horas, o Salão do Cine Bagdad estava lotado. As luzes do teatro refletiam-se nos olhos ansiosos dos formandos e de seus entes queridos. Dr. Guaracy de Castro Nogueira iniciou a cerimônia com um discurso inspirador, destacando as conquistas dos alunos e a importância da educação na construção de um futuro brilhante.

A oradora Wanda Nogueira de Mattos subiu ao palco com graça e confiança. Suas palavras, cuidadosamente escolhidas, evocaram risos, lágrimas e aplausos. Ela falou das amizades forjadas, dos desafios superados e dos sonhos compartilhados, criando uma conexão emocional entre todos os presentes.

A entrega dos diplomas foi um momento de grande emoção. Cada aluno, ao ser chamado, recebia seu diploma das mãos de Dr. Guaracy, sob aplausos e vivas da plateia. Nomes como Maria Bernardina Saldanha, Murilo Augusto Gonçalves, Elisa Tarabal Coutinho, Walter Tavares e muitos outros ecoaram pelo salão, cada um representando uma história de dedicação e triunfo.

Após a cerimônia, às 22 horas, o baile teve início. O salão, decorado com elegância, foi preenchido por uma atmosfera de celebração e alegria. As músicas, tocadas por uma banda local, animaram os convidados que dançavam e festejavam até altas horas da noite. Os formandos, em seus trajes de gala, dançavam com seus pais, professores e amigos, criando memórias que perdurariam por toda a vida.

A formatura de 1953 na Escola Normal Oficial de Itaúna foi mais do que um evento; foi um marco na história da cidade e na vida de cada um dos formandos. A celebração de suas conquistas, as homenagens prestadas e as lembranças criadas naquela noite ficaram imortalizadas, um testemunho do poder da educação e da comunidade em moldar futuros brilhantes.

A narrativa histórica é baseada em fatos reais.

Veja também: Convite 1953 

Referências:

Organização e narrativa: Charles Aquino

Colaboração e Acervo: Edward Rodrigues da Silva (Vavá)

Fonte: Convite Diploma do Ginásio Escola Normal 1953

terça-feira, julho 09, 2024

LEGADO DONA COTA

Maria Gonçalves de Souza Moreira, conhecida como Dona Cota, deixou um legado impressionante de filantropia em Itaúna, Minas Gerais. Nascida em 23 de novembro de 1875, Dona Cota casou-se com seu primo Manoel Gonçalves de Souza Moreira, conhecido como Manoelzinho do Hospital. Apesar de não terem filhos, o casal compartilhou um profundo compromisso em ajudar os menos favorecidos, inspirado por suas viagens e pela disparidade social que observaram entre o Brasil e outros países.

Após a morte de seu esposo em 1920, Dona Cota continuou dedicando-se a obras de caridade. Em 1949, ela fundou o Orfanato São Vicente de Paulo, com o objetivo de proteger a moral e materialmente os menores desamparados de Itaúna. Sua decisão de deixar toda a sua fortuna para o Orfanato foi um ato de generosidade e compaixão que marcou a história da cidade.

Segundo registra o Pároco Padre José Ferreira Neto, no Livro do Tombo da Paróquia Santana de Itaúna, no dia 19 de março do ano de 1949, em uma dupla comemoração da festa do “Glorioso São José”, foi inaugurado o grande amparo das meninas órfãs. Na ocasião, o vigário José Neto celebrou a Santa Missa e participou da sessão solene em homenagem à grande benfeitora Dona Cota, sendo nomeada a primeira diretoria da instituição, com Dr. Lincoln Nogueira Machado como provedor, Astolfo Dornas como tesoureiro e um secretário. O Orfanato ficou aos cuidados das “Irmãs Clarissas Franciscanas”, com o Reverendo Padre Oscar Bitiner... como capelão provisionado.

Segundo noticiou o jornal Folha do Oeste em 20 de março do mesmo ano, Dona Cota, “aos 79 anos de idade, sem ascendentes ou descendentes, deixa sua fortuna (seis milhões de cruzeiros) à Fundação São Vicente de Paulo da qual é instituidora juntamente com Dona Tereza Gonçalves de Souza”. Dona Tereza Gonçalves também deixou todo o seu dinheiro para o Orfanato, uma ação muitas vezes pouco comentada ou registrada, apesar de seu valor igual ou maior ao deixado por Dona Cota.

É fundamental relembrar e registrar as contribuições de figuras importantes ao longo das décadas que ajudaram na manutenção e administração da instituição.

Hidelbrando Canabrava Rodrigues, prefeito de Itaúna, desempenhou um papel crucial no suporte ao Orfanato São Vicente de Paulo, onde atuou como presidente. Além disso, envolveu-se ativamente em diversas modalidades esportivas e filantrópicas na cidade. Sua liderança e engajamento social garantiram uma administração eficiente e integrada à comunidade. Sua participação no Lions Club e em outros clubes esportivos ampliou a rede de apoio ao orfanato, assegurando recursos e visibilidade.

Padre José Ferreira Neto foi uma figura espiritual e comunitária vital para o orfanato. Vigário de Itaúna por quase 42 anos, ele exerceu grande influência na instalação do Orfanato São Vicente de Paulo. Sua dedicação em construir uma nova Casa Paroquial e sua habilidade em mobilizar a comunidade para projetos importantes garantiram a sustentabilidade do orfanato. Sua influência espiritual manteve os valores cristãos da instituição, assegurando que sua missão de caridade fosse preservada.

Guaracy de Castro Nogueira trouxe uma abordagem administrativa profissional ao orfanato. Membro do Conselho de Administração do orfanato e de outras instituições filantrópicas, sua experiência no Rotary e na Casa de Caridade Manoel Gonçalves de Souza Moreira foi inestimável para a gestão eficiente da instituição. Sua participação em associações culturais e esportivas ajudou a canalizar recursos e apoio para o orfanato, fortalecendo sua base financeira e administrativa.

Cosme Silva, vereador e radialista, usou suas plataformas de comunicação para dar visibilidade ao orfanato e suas necessidades. Diretor do Orfanato São Vicente de Paulo, ele engajou a comunidade e atraiu apoio através de suas habilidades de comunicação. Sua liderança comunitária e participação em diversos conselhos consultivos foram fundamentais para fortalecer a relação entre o orfanato e a comunidade itaunense, garantindo um fluxo constante de recursos e suporte.

Argemiro Ferreira da Silva foi responsável pela construção física do Orfanato São Vicente de Paulo e de várias outras importantes infraestruturas em Itaúna. Sua habilidade como construtor garantiu uma base física robusta e duradoura para o orfanato. Além do orfanato, ele construiu o reservatório d’água do Alto do Cascalho, casas populares e o Clube União, demonstrando seu compromisso com o desenvolvimento urbano e social de Itaúna. Em especial, o monumento erguido em homenagem ao Doutor Augusto Gonçalves de Souza Moreira, situado na Praça da Matriz de Itaúna, conhecido como “escorregador”.

Relembrar e celebrar essas contribuições é essencial para honrar a memória daqueles que dedicaram suas vidas ao bem-estar da comunidade e ao fortalecimento da instituição. O legado de Dona Cota, perpetuado pelas contribuições de figuras importantes como Hidelbrando Canabrava Rodrigues, Padre José Ferreira Neto, Guaracy de Castro Nogueira, Cosme Silva e Argemiro Ferreira da Silva, é um exemplo brilhante de filantropia e comprometimento comunitário. Cada um desses indivíduos trouxe suas habilidades únicas e dedicação, assegurando que o Orfanato São Vicente de Paulo não só sobrevivesse, mas prosperasse.

Os esforços filantrópicos de Dona Cota não só trouxeram uma profunda transformação na vida de inúmeras pessoas residentes em Itaúna, mas também serviram como catalisadores para a formação de uma rede de apoio comunitário que envolveu diversas figuras influentes. Por meio de suas contribuições individuais, essas personalidades desempenharam um papel vital na solidificação do legado duradouro de Dona Cota, garantindo que sua influência continuaria a ressoar muito depois de seu falecimento, em 27 de novembro de 1954, em Itaúna.

O Orfanato São Vicente de Paulo ou Fundação São Vicente de Paulo e Casa Lar, continuam a ser pilares de apoio social na comunidade, demonstrando que a riqueza e os recursos, quando bem administrados e destinados ao bem comum, podem criar um legado de transformação e esperança. A união de esforços dessas figuras exemplares mostra como a liderança comunitária e a filantropia podem caminhar juntas, promovendo o desenvolvimento social e o bem-estar coletivo. Este legado não só enriquece a história de Itaúna, mas também serve como um exemplo inspirador de como a generosidade e o compromisso com o próximo podem deixar uma marca indelével na sociedade. Essa herança continua a inspirar e beneficiar a comunidade itaunense até os dias de hoje, mostrando que a união de esforços individuais pode gerar um impacto duradouro e significativo.

  História narrada em áudio! Imperdível!


Referências:

Organização, arte, pesquisa e roteiro: Historiador Charles Aquino

Itaúna Décadas. Maria Gonçalves de Souza. Disponível em: https://itaunaemdecadas.blogspot.com/2013/02/dona-cota.html

Itaúna Décadas. Casa de Caridade Itaúna. Disponível em: https://itaunaemdecadas.blogspot.com/2013/11/casa-de-caridade.html

Itaúna Décadas. Hidelbrando Canabrava Rodrigues. Disponível em: https://itaunaemdecadas.blogspot.com/2017/11/hidelbrando-canabrava-rodrigues.html

Itaúna Décadas. Padre José Neto. Itaúna Décadas. Disponível em: https://itaunaemdecadas.blogspot.com/2014/05/padre-jose-netto.html

Itaúna Décadas. Guaracy de Castro Nogueira. Disponível em: https://itaunaemdecadas.blogspot.com/2014/02/guaracy.html

Itaúna Décadas. Cosme Silva. Disponível em: https://itaunaemdecadas.blogspot.com/2013/12/cosme-silva.html

Itaúna Décadas. Monumento da Matriz. Disponível em: https://itaunaemdecadas.blogspot.com/2019/01/argemiro-ferreira-da-silva.html

Itaúna Décadas. Manoelzinho e Dona Cota. Disponível em: https://itaunaemdecadas.blogspot.com/2013/11/batismo-manoel.html

Casa de Caridade Manoel de Souza Moreira. Dona Cota. Disponível em: https://itaunacaridade.blogspot.com/2014/12/maria-goncalves-de-souza-moreira-dona.html

Casa de Caridade Manoel de Souza Moreira. Itaunense Benemérito. Disponível em: https://itaunacaridade.blogspot.com/2014/12/manoelzinho-e-dona-cota.html

Acervo:

Instituto Cultural Maria de Castro Nogueira

Charles Aquino

Adilson Nogueira

Prof. Sérgio Machado

Itaúna Décadas

Professor Marco Elísio (In Memoriam)

Itaúna Bons Tempos - Saudades anos 70, 80 e 90 – Comunidade do Facebook

Fundação São Vicente de Paulo e Casa Lar - Itaúna/MG. 

 

domingo, julho 07, 2024

A SAGA DOS MARRA

A Saga dos Marra: Uma História de Resiliência e Cultura. Nas montanhas pitorescas de Minas Gerais, a pequena cidade de Carmo do Cajuru guarda histórias profundas, entrelaçadas com a memória e a cultura de seus habitantes. Dentre essas histórias, a saga da “família Marra”, se destaca, remontando aos séculos de perseguição, música e coragem. "Cajuru” é uma palavra indígena que significa “boca da mata”, por ter sido a entrada das grandes matas existentes nas margens do Ribeirão do Empanturrado e do Rio Pará.

A história dos “Marra” começa em Nápoles, no coração da Itália, onde, no século XV, a Inquisição Espanhola espalhava terror entre os judeus da Europa. A “família Marra”, uma “Família judia italquita”, viu-se forçada a abandonar seu lar, deixando para trás um legado de cultura e tradição. Andrea Marra, um talentoso violinista e compositor, foi um dos primeiros a migrar, encontrando refúgio e reconhecimento em Lisboa, onde serviu à Câmara e Capela Real a partir de 1750.

Jacó Marra da Silva, nasceu em 1750, na Comarca e termo da Vila de Chaves, Arcebispado de Braga em Portugal, casou-se com Narcisa Antônia Rodrigues da Silva Rosa. O Casal teve 9 filhos...  A família partiu de Cachoeira do Campo para a região de Carmo do Cajuru, Minas Gerais. Ele trazia consigo a força de seus antepassados e o desejo de construir um novo legado. Jacó se estabeleceu como o primeiro “Marra” na região, criando raízes profundas e passando seus valores e tradições para as gerações futuras.

Jacó Marra da Silva faleceu em 1815, em Carmo do Cajuru, deixando um inventário rico em histórias, guardado no Arquivo Judiciário de Pitangui. Sua descendência seguiu forte e determinada, com cada geração enfrentando seus próprios desafios e triunfos...

As mulheres "Marra", através da sua resiliência e determinação inabaláveis, personificam a verdadeira essência e o significado do nome da família.

Francisca Marra da Silva: Trineta de Jacó, que manteve viva a tradição musical da família, ensinando violino para seus filhos e netos.

Balbina Marra da Silva, filha de Cristino Marra da Silva, Tetraneta de Jacó, casou-se com Josias Batista Gomes, descendente de Manoel Gomes Pinheiro, fundador de Carmo do Cajuru. Com descendência igualmente em Itaúna dos Sousa Moreira Gonçalves.

Gení Batista Quadros: Pentaneta de Jacó Marra, Mãe de Maria de Fátima, conhecida por sua generosidade e dedicação à comunidade.

Maria de Fátima Batista Quadros, sexta-neta de Jacó Marra, cresceu ouvindo as histórias de seus ancestrais. Inspirada pela coragem de Jacó e pelo talento musical de Andrea, ela decidiu investigar profundamente suas raízes, revelando um tesouro de documentos e relatos. Seu trabalho culminou na descoberta do inventário de Jacó e na ligação da “Família Marra” com os judeus italquitas (judeus da Itália) e sefaraditas (Judeus Portugal/Espanha).

Muitos membros da “Família Marra” também se destacaram na política, por exemplo, somente em Carmo do Cajuru, Minas Gerais, tivemos quatro prefeitos: José Marra da Silva; Jadir Marra da Silva; Geraldo César da Silva. E na vizinha cidade de Cláudio, Benjamin Teixeira Marra.

Igualmente, graças ao seu “tino para o comércio”, grande parte da família sobressaiu com grande sucesso. Muitos “Marras” estão engajados no ramo do comércio atacadista, empresas, indústrias diversas, além de redes de supermercados, entre outros, como por exemplo, a conceituada Rede de "Supermercados Rena" que tiveram início em Itaúna.

Destacam-se também alguns membros da “família Marra” e um amigo do grande escritor Guimarães Rosa, da cidade de Itaguara, Minas Gerais, é personagem de algumas obras do autor. Inclusive citado no Discurso Inaugural da Academia Brasileira de Letras, da cadeira de número 2 de Mário Palmério, proferido em 22 de novembro de 1968.

“Seu Marra - o bondoso “seu Marrinha”, feitor real, de carne e osso, do grupo de picareteiros a que pertence o maneiroso Lalino - nem o nome dele, a condição de fiscal na construção da rodageira, tampouco a paixão por teatrinhos e pantominas Guimarães Rosa deixou de utilizar. “Seu Marrinha”, que mora hoje em dia em Belo Horizonte - o nome completo é José Benjamin Marra - relata como o doutor ia, em horas livres, assistir ao vaivém das carrocinhas de burro do aterro e puxar conversa com os braçais da estrada. A tentação é muito forte para que se possa a ela resistir; ouçamos Guimarães Rosa...”

O Instituto Cultural Maria de Castro Nogueira, em Itaúna, e o Instituto Histórico de Pitangui, guarda os registros dessa família, lembrando a todos da importância de conhecer e honrar suas raízes. A expressão "na Marra" ressoa com um novo significado, simbolizando não apenas a força e a determinação, mas também a rica tapeçaria de culturas e histórias que compõem a identidade dos Marra.

A história dos Marra é um testemunho do poder da resiliência e da importância de manter viva a memória de nossos ancestrais. Cada membro da família contribuiu com sua própria nota para a sinfonia de sua linhagem, criando uma melodia que ressoa através dos séculos.

 História narrada em áudio! Imperdível!


Referência:

Organização, roteiro e arte: Historiador Charles Aquino

Texto e pesquisa: Poeta e pesquisadora  Maria de Fátima Batista Quadros 

 

MOINHOS DE SANTANA

 O Professor Marco Elísio Chaves Coutinho enfatiza que "VISITAR A HISTÓRIA" dos moinhos d’água é fundamental para a história do município de Itaúna. Esses moinhos, que dominaram as margens do rio São João, são mais do que simples estruturas de moagem; eles representam uma parte crucial da identidade local e da vida comunitária.

Os moinhos transformavam o milho em fubá de angu, um alimento básico, e funcionavam como centros de atividade comunitária, unindo as pessoas em torno do bem comum do alimento. A localização estratégica às margens do rio São João, além de prática, tinha um significado simbólico, conectando a comunidade à natureza e fornecendo a energia necessária para a moagem.

Preservar a história desses moinhos é essencial não apenas para entender o passado de Itaúna, mas também para valorizar o patrimônio histórico da cidade. Essas estruturas/histórias são testemunhas silenciosas de um tempo que moldou a vida local, e sua história continua a ecoar através das gerações. Ao honrar e preservar essa história, reforçamos a conexão com nossas raízes e aprendemos lições valiosas que podem ser aplicadas no presente.


Texto disponível em: MOINHOS DO PROFESSOR

Veja também: PRAIA DOS MOINHOS


Elaboração, arte e roteiro: Historiador C. A. 

Estudo e Apoio a história de Itaúna: Professor Marco Elísio

sábado, julho 06, 2024

SERTANISTA JOVE SOARES

SERTANISTAS/TROPEIROS EM ITAÚNA MG
Cel. Jove Soares Nogueira uma figura notável de Itaúna/MG, nasceu na fazenda das Três Barras, em 1868, durante a Guerra do Paraguai. Filho de Firmino Francisco Soares e Fabiana Nogueira Duarte, cresceu em um ambiente marcado por desafios e pela continuidade familiar. Essa origem moldou seu caráter resiliente e determinado. Em 1894, casou-se com sua prima Augusta Gonçalves Nogueira, uma jovem de 16 anos. Augusta foi uma parceira vital, infundindo-lhe ânimo e força para criar uma família de onze filhos. Jove valorizou a educação e o bem-estar de seus filhos, proporcionando-lhes os melhores colégios e uma base sólida de cultura e moral.

Jove Soares destacou-se como boiadeiro/sertanista, enfrentando sertões inóspitos em busca de gado. Sua tenacidade e habilidade em navegar por trilhos e veredas quase intransitáveis ilustram sua bravura e resiliência. Sem modernidades como aviões ou automóveis, ele dedicava meses a conduzir gado das brenhas para Santana.

Embora com educação formal limitada, Jove era inteligente e socialmente adaptável. Ele sabia portar-se com compostura em reuniões seletas e tinha uma verve irônica para lidar com os arrogantes. Leitor ávido de jornais, mantinha-se informado e relevante, demonstrando um desejo constante de conhecimento. Apesar de não se destacar na política, Jove serviu como vereador e conselheiro municipal, contribuindo significativamente para sua comunidade. Sua atuação cívica reflete seu comprometimento com o bem-estar local.

Após enviuvar-se em 1935, Jove manteve uma devoção profunda à memória de sua esposa, refletindo um lado sensível e humano. Sua luta obstinada contra a morte até o fim reforça a imagem de um homem corajoso e determinado.

Reconhecendo suas contribuições, a cidade de Itaúna prestou homenagem a Jove Soares Nogueira denominando a avenida marginal ao Córrego da Praia como Av. Jove Soares. Instituída pela Lei Municipal 214 de 29 de dezembro de 1953, essa avenida atravessa os bairros Centro, Graça e Pio XII (CEP: 35680-346 e 35680-352). A lei foi sancionada pelo prefeito Dr. Victor Gonçalves de Souza e pelo secretário Antônio Orlando Botelho Nogueira.

Essa homenagem perpetua a memória de Jove Soares Nogueira, destacando sua importância histórica e seu legado na comunidade de Itaúna, reconhecendo seu papel fundamental no desenvolvimento e na história local. 

Biografia narrada em áudio! Imperdível!


Organização, arte e pesquisa:  Charles Aquino


sexta-feira, julho 05, 2024

DÉCADAS VIBRANTES

Nos idos das décadas de 1956 e 1957, a jovem Vicentina Brant vivia uma infância cheia de sonhos e realizações na encantadora cidade de Santana do Rio São João Acima, hoje conhecida como Itaúna, Minas Gerais. Com apenas dez anos, Vicentina já era uma pequena estrela em ascensão, cativando a todos com sua voz doce e sua presença marcante.

Vicentina estudava no Jardim de Infância Ana Cintra, onde era conhecida não apenas por sua inteligência, mas também por sua alegria contagiante. Seus dias eram uma mistura vibrante de atividades: ora estava na escola, ora brincando em casa, ora no Salão de Beleza com sua mãe. A praça da matriz era seu palco de brincadeiras, sempre sob o olhar atento e amoroso de sua mãe.

Toda quarta-feira à tarde e sábado pela manhã, Vicentina se encontrava com o Sr. Antônio Alexandre, um talentoso acordeonista, para ensaiar para o programa "Garotas em Desfile" de Cosme Silva. Esses ensaios eram momentos de intensa dedicação e aprendizado. Sr. Antônio Alexandre era mais do que um mentor; ele era um amigo querido, quase um segundo pai. Quando Vicentina errava, as lágrimas vinham rápido, mas seu perfeccionismo e a falta de pressão da mãe a motivavam a continuar. Sr. Cosme Silva, com sua paciência e palavras de incentivo, sempre conseguia acalmá-la e ajudá-la a retomar os ensaios com confiança renovada.

Os domingos eram especiais. A apresentação no Cine Bagdá, transmitida pela ZYZ4 Rádio Clube de Itaúna, era o ponto alto da semana. Vicentina, com seu figurino impecável preparado por sua mãe e pelas talentosas costureiras Dona Naná e Dona Bela Corradi, encantava a todos. Seus calçados, feitos com carinho pelo Sr. Palomínio, completavam o visual perfeito.

Ao caminhar pelas ruas com sua mãe, Vicentina era frequentemente abordada por admiradores que a reconheciam do programa. "Esta é a sua filha que canta no programa do Cosme?" As pessoas perguntavam, e o coração de Vicentina se enchia de orgulho ao ouvir a resposta afirmativa de sua mãe. Sentia-se uma verdadeira cantora, vaidosa e importante.

Vicentina recebia elogios de todos os lados. Sua professora, Dona Terezinha Lara, sempre acenava do sobrado onde morava quando Vicentina passava de volta para casa. Seu padrasto, Antônio Vilaça, patrocinava suas apresentações e sintonizava no programa para prestigiá-la, aumentando ainda mais seu sentimento de vaidade e importância. Ele também cuidava de seus penteados e da base incolor em suas unhas, garantindo que ela estivesse sempre impecável.

O repertório de Vicentina incluía canções de grandes nomes da música, como Cauby Peixoto, Elizeth Cardoso e Maysa. A cada apresentação, ela se sentia mais segura e preparada, graças aos ensaios cuidadosos com sua mãe. As músicas românticas eram suas favoritas, especialmente "Prece de Amor" de Cauby Peixoto. A emoção de começar a canção como uma oração, com as mãos postas na altura do peito e um olhar rápido para o céu, era um momento mágico que encantava a plateia.

Vicentina Brant cresceu para se tornar uma mulher forte e talentosa, carregando consigo as memórias preciosas de uma infância repleta de música, amor e dedicação. Suas lembranças de Santana do Rio São João Acima, do Jardim de Infância Ana Cintra, do Cine Bagdá e das pessoas queridas que a apoiaram são um testemunho de uma época dourada que moldou sua vida para sempre.

História narrada em áudio! Imperdível!


Referências:

Organização, arte e elaboração: Charles Aquino

Texto: Vicente Brant