sexta-feira, dezembro 13, 2013

PADRE EUSTÁQUIO

Fundação do Bairro Padre Eustáquio

Foi o Padre Eustáquio, que na época prestava serviços a Deus na paróquia do bairro Carlos Prates , que tem hoje o seu nome, em Belo Horizonte, quem por volta de 1942, deu a bênção à pedra fundamental da Companhia Nacional de Ferro Puro, que estava projetada para ser implantada em Itaúna, em terreno que fora da fazenda do Coronel Arthur Vilaça, sendo prefeito o Dr. Lincoln Nogueira Machado, quando a Prefeitura Municipal de Itaúna entraria com o terreno.
Padre Eustáquio ficou hospedado na residência do Dr. Antônio Augusto de Lima Coutinho, oportunidade em que , no dia  seguinte ao seu pouso, uma menina naturalmente curiosa, estando em casa do Dr. Coutinho, olhou pelo buraco da fechadura do quarto de hóspede e viu que o seu leito estava intocável e que ele estava dormindo no chão.
Estavam à frente deste projeto em Itaúna o Dr. Lincoln Nogueira Machado, Dr. Antônio Augusto de Lima Coutinho, Arthur Contagem Vilaça e outros. Como o Banco do Brasil S.A. não forneceu recursos para o projeto em Itaúna, os mesmos foram aplicados em Volta Redonda (São Paulo).  E a pedra fundamental, com jornais da época ,moedas e outros acervos constituídos de documentos da época, foram então transferidos para onde o Padre Luiz Turkenburg projetara a nova matriz, por volta de 1958.
Mais tarde, no final da década de 40, Geraldo Alves Parreiras  decidiu implantar um bairro com o nome de Vila Padre Eustáquio , onde teria sido a Companhia Nacional de Ferro Puro, criando também a Siderúrgica  Itatiaia e a Fergás.
A vinda do Padre Eustáquio ensejou que ele retornasse a Itaúna para pregar em um retiro espiritual para as mães itaunenses, no primeiro ano do paroquiato do Pe. josé Neto , em 26 de julho de 1943.
Cada participante recebeu um santinho com os dizeres " ser mãe extremosa não é fazer todas as vontades dos filhos e deixá-los crescer sem cultura, como ervas ruins do campo. Ser verdadeiramente mãe é cuidar da saúde e bem estar dos filhos, não se esquecendo de sua alma infantil. É corrigir os seus defeitos em criança. antes eles chorem em criança do que depois, quando forem homens"
Estas brilhantes palavras, de sadia verdade, deveriam ser lidas e meditadas por certas mães que, cumulando os filhos de mimos demasiados, os tornam voluntariosos e mal criados e lhes preparam um caminho que no futuro se torna um verdadeiro calvário de amargura.

Fonte:  Livro Pe. José Neto  60 anos de Sacerdócio - Pags: 129,130

terça-feira, dezembro 10, 2013

PADRE MAXIMIANO

1863 — 1902

Por volta de 1870, o Padre Antônio Maximiano de Campos comprou de Dona Custódia, proprietária da fazenda Berto, um terreno à margem do rio São João, abrangendo a várzea, onde há ainda hoje o pontilhão da estrada de ferro, e no sentido oeste, uma outra passagem de água, indo até às proximidades da cachoeira da usina que hoje tem o nome do Dr. Augusto Gonçalves, medindo 132 alqueires.

O padre era inclinado a lidar com criações e plantações. Naquele tempo, a Dona Custódia vinha assistir às missas, carregada numa liteira pelos escravos. Primeiramente, o Padre Antônio Maximiano fez uma pequena construção na parte alta de onde hoje se encontra o curral.

Só depois construiu a sede com 14 cômodos, com uma capela no seu interior, dedicada a Santo Antônio, e mudou-se para a fazenda, passando a dar assistência na Matriz somente aos domingos, indo a cavalo, hospedando-se na casa de Josias Gonçalves de Souza.

Moravam com o padre, que era também delegado de ensino, dois escravos, Manoel Carolina e Generosa.  Naquele tempo, a várzea era naquele trecho um alagado pantanoso que, no seu lento escorrimento, formava dois braços de rio, lugar infestado por pernilongos, e o Padre Antônio Maximiano usava uma canoa para fazer a travessia do rio.

Na sua fazenda, o Padre Antônio Maximiano cuidava de muitas variedades de frutas, principalmente uvas, e fabricava vinho, que era guardado no teto da casa onde ele subia usando uma escada móvel.  Certa vez, a escrava Generosa estava zangada com ele e tirou a escada do lugar, deixando-o de castigo por um bom tempo no teto da casa, o que custou à escrava uma boa refrega.

Só em 1875, na administração do Padre Antônio Maximiano de Campos, as obras de reforma foram terminadas, com a pintura interna feita pelo artista Pedro Campos de Sabará, auxiliado por Antônio dos Santos, conhecido por Tonho do Bá. Era uma pintura sem graça, que os reparos de 1916 e 1926 fariam desaparecer.

O Padre Antônio Maximiano de Campos foi durante todo o período de sua assistência em Santana, um bom amigo da paróquia. Era gorducho, bonachão, caridoso, displicente e apreciava bons pratos.  Soube reunir a seu redor muita simpatia e amizade. Morreu em 28 de fevereiro de 1902, vítima de uma dilatação do estômago, e durante seis meses, a paróquia esteve sem vigário.

Logo, Emídio Caetano Moreira foi a Bonfim e comprou a fazenda aos herdeiros do padre. Também em Santana, o padre tinha parentes, como o seu sobrinho Antônio Lopes Campos Sobrinho, o Tonico Lopes.

Emídio Caetano Moreira, o velho, era fazendeiro na época em que o Padre Antônio Maximiano chegou a Santana.

Olímpio Moreira, o Olimpinho, nasceu em 23 de novembro de 1906 e sempre morou onde morava o Padre. Agora mora atualmente o Sr. Romeu Moreira e a fazenda, que hoje se chama Boa Vista, é conservada zelosamente no mesmo estilo em que foi construída.

                            Padre Antônio Maximiano de Campos       



Foi proprietário da Fazenda Boa Vista;
Foi delegado de ensino;
Terminou as obras da ampliação da matriz de Sant’Ana em 1875;
Foi presidente do” Clube Literário e Progressista” de 1884/85;
Secretariou a assembleia de constituição da fábrica de Tecidos Santanense fundada em 1891;
Abençoou as instalações da Cia de Tecidos Santanense em sua inauguração em 7 de setembro de 1895;
Foi vereador da primeira Câmara de Itaúna e ocupou o cargo de vice-presidente da mesma;
Na câmara propôs a troca do nome da cidade(município recém-criado – 16/09/1901) para BURGANA (pequena cidade de Ana), não sendo aprovado;
Bom amigo da paróquia, caridoso e bonachão;
Soube reunir ao redor de sim simpatia e muita amizade;
Faleceu em 28/02/1902;
Após sua morte, a paróquia ficou seis meses sem vigário;
Foi enterrado dentro na antiga Matriz demolida em 1934.




Referências:
Resumo do Livro Pe. José Neto (Comemoração 60 anos de Sacerdócio) Ano 1997. págs :105,106,107108
Jornal O Paroquial, págs: 06 / 07, Abril 2001.
Arquivo Fotográfico: Esposa do Sr. Romeu (In Memoriam)
Fotografias: Charles Aquino
Organização e Pesquisa: Charles Aquino

quarta-feira, dezembro 04, 2013

PRAÇA DA MATRIZ

PRAÇA DA MATRIZ ITAÚNA MG

A MANIA DE MUDAR NOMES TRADICIONAIS DE LOGRADOUROS PÚBLICOS

A Praça da Matriz, localizada no coração de muitas cidades brasileiras, é um testemunho vivo da história e das mudanças políticas e culturais ao longo das décadas. A constante mudança de seu nome reflete não apenas os acontecimentos históricos, mas também as influências políticas e as homenagens prestadas a diversas figuras importantes do cenário nacional.

Originalmente conhecida como Largo da Matriz até o final da década de 1920, a praça era um ponto de encontro central para a comunidade, cercada pela Igreja Matriz de Santana. Este nome permaneceu até que, em 25 de outubro de 1930, uma portaria alterou oficialmente o nome para Praça João Pessoa

Essa mudança foi uma homenagem a João Pessoa, um líder paraibano e candidato a vice-presidente na chapa de Getúlio Vargas, que foi tragicamente assassinado na capital de Pernambuco.

Na década de 1930, durante o mandato do Prefeito Artur Vilaça, a praça manteve seu nome até 1936, quando Vilaça foi exonerado e substituído pelo Dr. Lincoln Nogueira Machado, nomeado pelo então governador Benedito Valadares

Um dos primeiros atos do novo prefeito foi renomear a praça principal, retirando o nome de João Pessoa e denominando-a Praça Mário Matos. Essa decisão refletia as novas orientações políticas e as preferências do novo prefeito.

No entanto, as mudanças não pararam por aí. Durante o período ditatorial, houve uma lei que determinava que todos os municípios brasileiros deveriam nomear um de seus logradouros públicos em homenagem ao Presidente da República. 

Isso resultou na renomeação da tradicional Rua Direita para Avenida Getúlio Vargas e, pela terceira vez, a praça principal teve seu nome alterado, passando a ser conhecida como Praça Benedito Valadares, em homenagem ao governador que tinha grande influência política na época.

Com a queda de Getúlio Vargas e Benedito Valadares na década de 1940, o descontentamento popular se manifestou de forma significativa. A população, que não tinha uma boa relação com Benedito Valadares, arrancou a placa que levava seu nome. 

Em um ato de resgate histórico e valorização do fundador do município, a praça foi então renomeada para Praça Dr. Augusto Gonçalves, também conhecida popularmente como Praça da Matriz, devido à presença da Igreja Matriz de Santana.

Essa sequência de mudanças de nome da praça reflete uma "mania" de modificar os nomes tradicionais dos logradouros públicos, muitas vezes motivada por questões políticas e de poder. Cada renomeação traz consigo um pedaço da história local, mostrando como as influências externas e internas moldaram a identidade urbana e a memória coletiva da comunidade.

Assim, a Praça da Matriz, em suas diversas denominações ao longo dos anos, continua a ser um símbolo central da vida pública, um espaço que testemunha as transformações políticas, sociais e culturais, preservando em cada mudança um fragmento da rica história local.

PRAÇA DA MATRIZ E SEUS NOMES 

LARGO DA MATRIZ  - ATÉ FINAL DA DÉCADA 20 

PRAÇA JOÃO PESSOA  - DÉCADA 30

PRAÇA MÁRIO MATOS - DÉCADA 30

PRAÇA BENEDITO VALADARES - DÉCADA 40 

PRAÇA DR. AUGUSTO GONÇALVES - DÉCADA  50




Referencia:

Organização e pesquisa: Charles Aquino  

NOGUEIRA, Guaracy de Castro. Homenagem ao 60º aniversário da ordenação sacerdotal do Pe. José Ferreira Neto. Itaúna: Vile Editora e Escritório de Cultura, 1997. p. 60-61.



segunda-feira, dezembro 02, 2013

COSME SILVA

COSME CAETANO DA SILVA
MEIO SÉCULO DE VERSATILIDADE NO RÁDIO

"Considerado um artista nato, com atuação em diversos segmentos da arte dedicou mais de 50 anos ao rádio"

Extremamente versátil, inteligente, criativo e com uma veia artística muito forte, o jornalista, advogado, radialista, dramaturgo instrumentalista e compositor. Cosme Caetano da Silva deixou um considerável legado, sobretudo no rádio, onde atuou mais de 50 anos. Ele iniciou sua carreira, neste veículo de comunicação, como músico da Rádio Clube de Itaúna tão logo foi inaugurada em 1950, passando em seguida por diversas funções na emissora e, nos últimos anos, apresentou o programa de variedades "Shôsme Silva Show" até a sua morte em 21 de agosto de 2003.

Cosme Silva nasceu em 24 de fevereiro de 1928 em São Gonçalo do Pará MG e aos 75 anos era um exemplo de entusiasmo e dedicação ao rádio. E tinha muita história para contar. Aliás, contar histórias era com ele mesmo, o que fazia com competência e propriedade ao escrever inúmeras peças teatrais, a exemplo de sua obra prima " E Ela não Voltou”, encenada pela primeira vez em Itaúna em 1964.

Essas habilidades de escritor também foram empregadas na criação de radionovelas, as quais, além de escrever, apresentava, narrando, interpretando e criando todos os sons necessários para compor a trama, a partir do seu aprendizado na Rádio Nacional do Rio, onde estagiou.

A Rádio Clube de Itaúna foi a primeira emissora do interior a produzir novelas radiofônicas em capítulos, fazendo grande sucesso em toda a região Centro Oeste de Minas.

Consta do anedotário do rádio que durante a transmissão - era tudo ao vivo _ de um capítulo de suas novelas, um dos personagens morreria vítima de um tiro, mas na hora prevista, a espoleta falou. O ator, contudo, não se atrapalhou e teve a iniciativa de começar a gritar: "Você não merece um tiro. Você vai morrer é na faca".

MÚSICA - Um instrumentista por excelência tocava piano, violão, cavaquinho, gaita, acordeom e escaleta, destacando-se, ainda, como compositor. Cosme Silva chegou a liderar dois conjuntos musicais: "Ases do Samba e "Garotas Tropicais" , mas abandonou sua atuação musical em decorrência das atividades que desempenhava no rádio, passando a acumular somente a função de promotor de shows, levando renomados artistas nacionais e internacionais à Itaúna, como : Nelson Gonçalves, Gauby Peixoto , Oscarito e Baden Powel .

 Ele também produziu inúmeros programas de auditório, revistas musicais, repostagens e transmissões de jornadas esportivas, sendo pioneiro nas transmissões do interior - a primeira foi ralizadade Uberaba pra Itaúna e foram gastas oito horas na construção da linha telefônica entre o estádio nacional e a central telefônica local.

Sem jamais abandonar a Rádio Clube de Itaúna, Cosme Silva participou da fundação da Rádio Santa Cruz de Pará de Minas - atualmente pertencente à Diocese de Divinópolis - e foi um dos sócio -fundadores da Rádio Tropical de Lagoa da Prata. Seu nome também está ligado à Associação Mineira de Rádio e Televisão — AMIRT, já que ele assinou a ata de criação da entidade, como representante da Rádio Clube de Itaúna.

 Suas múltiplas atividades não o impediram, contudo, de ter uma expressiva atuação social - isto muito antes do conceito de responsabilidade social e de voluntariado estar na moda.
Ele participou de conselhos consultivos, como membro atuante, de entidades diversas, desde hospitalares até clubes recreativos de operários, passando por unidades escolares, irmãos vicentinos e clubes de serviços como Rotary e Lions. Chegou a ser diretor do Orfanato de Itaúna e, ainda, arrumou um tempinho pra se enveredar pela política, sendo chefe de gabinete do prefeito Milton Penido e , posteriormente, vereador por dois mandatos  : 1970 a 1972 e de 1972 a 1976.

HOMENAGENS -  Pelos inúmeros projetos que desenvolveu, seja na área artística ou nos meios radiofônicos e empresariais, Cosme foi contemplado com medalhas, troféus e títulos. Dentre eles, o de Cidadão Honorário de Itaúna, em 1974; medalha de Ouro, concedida pela Associação dos Cronistas radiofônicos de Minas Gerais, em 1963; Troféu Força Nova, pelo jornal Diário de Minas, em 1969; Troféu Gutemberg, recebido em Araxá, em 1974; Operário Padrão de Itaúna, em 1978; e Troféu Bandeirantes, concedido pelo Programa Jota Silvestre, da Tv Bandeirantes de São Paulo, em 1983.

Também foi agraciado com diversos troféus de contos e poesias.  Sua produção deu se, na maioria das vezes, como autodidata, já que só aos 40 anos ele pôde concluir o Madureza Supletivo, atualmente -e em seguida passar no vestibular para o Curso de Direito da Universidade de Itaúna em nono lugar, data a sua inteligência acima da média.

Casado com Dª Noêmia Maria Caetano, com quem teve dois filhos: Giovanni Vinícius e Cristine Guadalupe, Cosme Silva foi e continua sendo um exemplo para todos aqueles que conviveram com ele, aqueles que puderam acompanhar a sua trajetória ou que possam vir a tomar conhecimento da sua história.



Referência:
Texto: Guaracy de Castro Nogueira
Apoio: Instituto Cultural Maria de Castro Nogueira - ICMC
Organização e pesquisa: Charles Aquino
Acervo: Prof. Giovanni Vinícius

quinta-feira, novembro 28, 2013

CASA DE CARIDADE ITAUNA


Entre os itaunenses ilustres, um dos maiores foi, sem dúvida, Manoel Gonçalves de Sousa Moreira. Morreu no primeiro quartel, quando ainda havia muita insensibilidade diante do sofrimento. E ele pensou em todos  os necessitados. Dono de uma fortuna considerável, usou de seu patrimônio para construir a Santa Casa e deixar-lhe fartos meios de subsistência . Pediu em testamento , que com o excesso das rendas do hospital, fossem construídos dois colégios - um para moças e outro para moços. E temos a Escola Normal e o Colégio Santana , erguidos com o que sobrava à Santa Casa. Mais tarde, sua viúva, Maria Gonçalves de Souza Moreira, Dª Cota, como a chamávamos, fundou o Orfanato São Vicente, dotando-o também com valioso patrimônio.
Assim , o que temos de melhor, nas área da educação e da caridade - exceto a Universidade - devemos a Manuel Gonçalves de Souza Moreira . Não o conheci, lembra-me apenas o dia em que seu corpo chegou para um velório, numa das salas da Santa Casa, recém construída . Lá estive ainda criança, com minha mãe que lhe fora prestar sua última homenagem.
Um dos grandes valores doados à Santa Casa por Manoel Gonçalves de Sousa Moreira foi sua casa de residência , ampla e bonita , que eu conheci. Ocupava um lote enorme , na Rua Tupis, quase na esquina da Avenida Afonso Pena , onde hoje se erguem uma igreja e um colégio protestantes. O lote e o local eram de tal modo privilegiados que Ferreira Gonçalves, um grande amigo de Itaúna, na época de seu apogeu, fez uma oferta  extraordinária à Santa Casa. Construiria ali um belo prédio de 14 pavimentos .  A Santa  Casa exploraria as lojas, no térreo e ele, Ferreira Gonçalves , durante 10 anos  os 13 pavimentos superiores. 
Ao fim dos 10 anos a Santa Casa se tornaria proprietária de todo o prédio . Pude ver o projeto , pois Ferreira Gonçalves , ainda hoje é um bom amigo, apesar de agora nos encontrarmos  raramente e ele já estar vivendo os seus noventa e tantos anos.
 Itaúna é devedora a Manoel Gonçalves  de Sousa Moreira de uma justa homenagem . Faz pena ver o seu túmulo, ali na velha Santa Casa , tão esquecido e abandonado. Nada mais justo do que perpetuar-lhe a memória, com um bom monumento , numa das praças da cidade. Mais que ninguém ele o merece. A administração que o fizer terá honrado um dos maiores , se não o maior dos itaunenses .

Monsenhor Hilton Gonçalves de Sousa

Fonte : Jornal Brexó 1983


segunda-feira, novembro 25, 2013

MÁRIO MATOS


Nasceu em Santana do Rio São João Acima, atual Itaúna (MG), no dia 28 de setembro de 1891, filho de Antônio Pereira de Matos e de Maria Gonçalves de Sousa Matos. Fez o curso secundário no município mineiro de Dores do Indaiá e o preparatório nas cidades de Belo Horizonte e Juiz de Fora.

Transferindo-se para a então capital federal, matriculou-se na Faculdade Livre de Direito. Ainda nos tempos de estudante começou a atuar no campo do jornalismo e das artes. Em 1912 escreveu seu primeiro texto teatral, intitulado “A chegada do Presidente”. Dois anos depois terminou a peça Seu Anastácio chegou de viagem. Em 1915 começou a escrever para o jornal carioca Gazeta de Notícias e logo após para a Revista ABC, da qual se tornou redator-chefe. Em 1920, ano em que se formou, escreveu a peça Itaúna em fraldas de camisa. Escreveu a famosa peça teatral "As Cigarras do Sertão" em 1925.

Recém-formado, retornou a Itaúna, onde foi vereador e vice-presidente da Câmara Municipal. Eleito deputado estadual em 1923, exerceu o mandato na Assembleia Legislativa mineira até 1926, tendo sido vice-presidente da casa e membro da Comissão de Finanças. Em 1927 foi eleito deputado federal pelo Partido Republicano Mineiro e em maio tomou posse na Câmara dos Deputados, no Rio de Janeiro. Reeleito em março de 1930, teve o mandato interrompido em outubro seguinte em decorrência da vitória da revolução que levou Getúlio Vargas ao poder e extinguiu todos os órgãos legislativos do país. Voltou então para Itaúna e passou a advogar.

Em fins de 1933 foi nomeado diretor da Imprensa Oficial de Minas Gerais e, em 1935, ministro do Tribunal de Contas mineiro. Em julho de 1939 assumiu a Secretaria do Interior e de Justiça do estado e em julho de 1940 foi nomeado desembargador do Tribunal de Apelação, corte da qual posteriormente se tornaria vice-presidente. Foi ainda diretor da Escola Normal e do periódico Centro de Minas, em seu município de origem, e professor do Instituto de Educação, diretor do Diário de Minas e redator-chefe da Revista Alterosa, em Belo Horizonte.

No Rio de Janeiro trabalhou na Imprensa Nacional e foi docente no Instituto Lafayette. Foi membro do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, presidiu a Associação de Cultura Franco Brasileira e a Academia Mineira de Letras, e foi diretor da Associação Mineira de Imprensa. Faleceu em Belo Horizonte em 28 de dezembro de 1966.

Casou-se com Elisa de Moura Matos e, posteriormente, com Hermelinda de Almeida Matos. Seu genro Paulo Campos Guimarães foi deputado estadual em Minas Gerais. Em seu vasto número de publicações destacam-se Discursos (1927), Último Canto da Tarde, Machado de Assis: o homem e sua obra (1939) e O homem persegue o autor (1945).



REFERÊNCIAS:
TEXTO: Luciana Pinheiro
FONTE: CÂM. DEP. Deputados brasileiros (p. 191);
MONTEIRO, N. Dicionário (v. 1, 2, p. 305-306; 404-405); PREF. MUN. ITAÚNA.
ORGANIZAÇÃO: Charles Aquino 

Academia Mineira de Letras by Itaúna Décadas

sábado, novembro 23, 2013

ISMA PEREIRA FRADE

Conheça a história inspiradora de Isma Pereira Frade, ou simplesmente Dona Isma, uma mulher que dedicou sua vida ao serviço público e à comunidade de Itaúna, Minas Gerais.

Nascida em Salvador, Bahia, e órfã desde jovem, Dona Isma superou desafios e, em 1947, foi incumbida de abrir a primeira agência do Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Industriários (IAPI) em Itaúna.

Sua jornada é marcada por dedicação, amizades e conquistas, tanto no trabalho quanto na vida pessoal. 

Ela foi reconhecida com o título de Cidadã Honorária de Itaúna, fundou o setor de assistência social de uma das maiores empresas da cidade e, mais tarde, foi eleita vereadora, sempre lutando pelos menos favorecidos.

Mesmo após sua aposentadoria, continuou contribuindo para a comunidade, até falecer em 2005, deixando um legado admirado por todos que a conheceram. Venha se inspirar com a história dessa grande mulher baiana/itaunense!

 

Uma baiana que amou Itaúna


ISMA PEREIRA FRADE ou simplesmente Dona Isma, nasceu em Salvador (BA) em 29 de dezembro de 1924. Ainda muito nova Dona ISMA perdeu seus pais, tendo sido criada uma tia-avó Amália do Sacramento Pereira e seu marido Octaviano Marques Pereira. Iniciou seus estudos no Instituto Normal da Bahia e, em 1941 formou-se Normalista (hoje professora primária). Ingressou no ex-IAPI (Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Industriários) através de Concurso Público. Em 1947, no Rio de Janeiro, recebeu o seguinte desafio que ela mesma contava: "ir para uma cidadezinha do interior de Minas Gerais, chamada Itaúna e lá abrir um Posto do IAPI". 

Como boa baiana, aceitou e desafiou e dizia: "viajei de locomotiva a vapor (Maria Fumaça), do Rio de Janeiro para Belo Horizonte e de lá para Itaúna". Aqui chegou em 1947, sem conhecer nada nem ninguém da cidade. Havia, como há ainda hoje, uma pensão quase ao lado da Estação Ferroviária. Hospedou-se lá e, quem a conheceu sabe, tinha uma imensa facilidade de fazer amizades. E foi o que aconteceu. Em pouco tempo era conhecida por todos. A primeira pessoa a quem ela procurou foi Sr. Prefeito Municipal, à época Dr. Antônio Augusto de Lima Coutinho (DR. COUTINHO), expondo-lhe sua missão aqui em Itaúna. Dizia ela que recebeu total apoio e, em pouco tempo conseguiu abrir a Agência do IAPI, contando, também, com a colaboração da Cia. Industrial Itaunense e Cia. Tecidos Santanense, as duas maiores empresas da cidade. 

Em outubro de 1950, casou-se aqui em Itaúna com ERNESTO FRADE, bancário, natural de Formiga (MG), que veio transferido para o extinto Banco Comércio e Indústria, depois Banco Nacional. Desta união nasceu IONE COUTINHO, filha única do casal. Depois da Agência funcionar em diversos locais, durante o período revolucionário houve a fusão dos diversos Institutos, passando a ser o Instituto Nacional de Previdência Social e Dona ISMA continuou a ser a AGENTE (Chefe da Agência).

O Instituto então adquiriu um terreno à Rua Dr. José Gonçalves, onde construiu a Agência Local, tudo sob a supervisão de Dona ISMA e, conforme ela mesmo dizia, contou com a inestimável colaboração do Engº. SÉRGIO DE CASTRO, atual Secretário Municipal de Obras da Administração Municipal. Depois de 35 anos de profícuo e dedicado trabalho ao Instituto, decidiu aposentar-se, o que aconteceu em 1977. 

Em 1971, a Câmara Municipal de Itaúna concedeu-lhe, merecidamente o título de CIDADÃ HONORÁRIA DE ITAÚNA, título do qual ela muito se orgulhava, pois dizia "SOU ITAUNENSE DE CORAÇÃO". Coincidentemente, em 1978 a Cia. Industrial Itaunense ainda em boa situação, através de sua Diretoria, decidiu fazer uma reformulação completa, moderna e mais dinâmica em seu organograma, criando Departamentos, Divisões e Setores.

Em vista da experiência da Dona Isma na área social e da necessidade de uma empresa do porte da então Itaunense ter um setor especializado em assistência social, ela foi contratada, com o objetivo de implantar o Setor de Assistência Social, tendo sido nomeada Chefe do Setor. Eu, pessoalmente, acompanhei Dona ISMA em várias visitas que fez a diversas empresas que já tinham o referido setor já bem estruturado e, baseada nas diversas experiências que conheceu, estruturou o Setor na Itaunense. 

Para que funcionasse bem, a Diretoria destinou uma verba para que ela pudesse, entre outras coisas, atender aos funcionários de qualquer cargo ou nível, oferecendo pequenos adiamentos de salários, ajuda em caso de doença, etc. E o mais importante, com exceção da Diretoria, era a única pessoa que teve autorização para abrir uma conta bancária em nome da Cia. e assinar cheques. 

Em 1982, Dona ISMA resolveu ingressar na política, candidatando-se a vereadora. Foi eleita e cumpriu o mandato de 01-02-83 a 31-12-88. Foi considerada uma boa representante do povo, especialmente dos menos favorecidos, que ela conhecia bem devido anos de experiência vividos com AGENTE do INPS. Com a piora da situação da Itaunense ela decidiu parar de trabalhar definitivamente. 

Por problemas de saúde, mudou-se para BOCAIÚVA (MG), indo morar com sua filha IONE que para lá se mudara desde o casamento. Os problemas se agravaram e ela foi transferida para Montes Claros, onde acabou falecendo dia 14 de julho de 2005. Seu sepultamento foi aqui em ITAÚNA, terra que tanto amou e dedicou sua vida. Houve um sentimento generalizado de perda em toda a comunidade itaunense. Perdemos a "Dona Isma do INPS". Esta é resumidamente, a vida desta grande itaunense.

 

Texto: Juarez Nogueira Franco (In Memoriam)

Fonte: Ione Coutinho - (filha)

Organização: Charles Aquino


sexta-feira, novembro 15, 2013

JOVE SOARES



Ombro alto, magro, 1,75 de altura, cenho carregado, cabelos ralos e grisalhos, barba e bigode feitos, lúcido e jovial, aos 85 anos de idade, andava o Cel. Jove Soares teso e desempenado como um moço.
Nascera aqui mesmo na fazenda das Três Barras, quando Santana do Rio São João Acima era distrito da cidade de Pitangui, em 8 de julho de 1868, na quadra mais tormentosa da guerra do Paraguai, entre as batalhas de Humaitá e Itororó. Era filho de Firmino Francisco Soares, de Onça de Pitangui, hoje Jaguaruna, e de Fabiana Nogueira Duarte, filha caçula do velho Manoel Ribeiro de Camargos, da fazenda da Vargem da olaria, um dos turunas da sua época, nos tempos de Santana.
Aos 26 anos de idade, isto é, em 25 de agosto de 1894, casara-se com sua prima Augusta Gonçalves Nogueira, uma garota de 16 anos , viva e bonita, inteligente e prendada, filha primogênita de Josias Nogueira Machado, que lhe enfeitiçou a vida e lhe infundiu animo e força de vontade para trabalhar como um gigante, criar uma família de onze filhos, dar a estes educação e estudo nos melhores colégios, deixando a todos, tranquilo e orgulhoso de sua obra, o amparo de uma dignificante educação moral e cívica, de uma boa cultura e de regular fortuna. No tempo de sua mocidade, fora sobretudo boiadeiro.
Não era do tipo desgracioso, desengonçado e torto da personagem de Euclides da Cunha, mas possuía em toda a sua plenitude a tenacidade, a bravura e a fortaleza do sertanejo.

Não possuía o hábito de se recostar, quando parado, ao primeiro umbral ou à parede que encontrasse; nem cair de cócoras sobre os calcanhares; nem o de descansar sobre   os estribos, quando sofreava o animal, pra trocar duas palavras com um conhecido. Era um sertanejo um tanto quanto civilizado, sem chapéu de abas largas, de vestimenta comum, com muita compostura nos gestos e nas palavras.

Impulsionado pela fibra inata, deste meninote se acostumou a varar os sertões. Acompanhado do crioulo Hortêncio, ou do preto Paulino, ou do seu primo Versol, ombro alto, relho de cabo de peroba à mão, tronco pendido para frente e oscilando à feição do trote de seus surrados cavalos, desferrados e tristonhos, rumava para Goiás, por trilhos, veredas e estradas quase intransitáveis, em busca de gado.

 Sem saber nadar, vadeava rios caudalosos agarrado à cauda de seu animal. Isto numa era em que não existia nem o avião, nem o automóvel e nem o rádio.
Levava três meses tangendo vagarosamente, daquelas brenhas longínquas para Santana, o gado bravio e chucro ali adquirido. Ora cantarolava em surdina atrás daquela mole ondulante toadas de senzala; ora afundava nas caatingas garranchentas colado a um garrote arribado e esquivo; ora lutava loucamente para conter o estouro da boiada.

Em casa, só ficava o tempo necessário à engorda do gado invernado nas suas fazendas da Bagagem, das Três Barras e do Pedro Gomes.
Se não lhe aparecesse comprado à porta, com a mesma fibra e tenacidade, punha o gado gordo em marcha e ia vende-lo à charqueada de Santa Cruz, ou abatê-lo em Niterói, no Estado do Rio, outra tirada de mais de seiscentos quilômetros no lombo de seus célebres cavalos.

Tinha apenas o conhecimento das primeiras letras; mas, inteligente e cônscio disso, sabia porta-se com compostura, nas reuniões mais seletas. Trazia sempre pronta uma verve de ironia para os pomadistas, para os pelintras e para os metidos a sabichões. Bom palrador, deliciava-se com uma boa prosa, simples ou picante. 
Pouco crédulo, desconfiado e sem respeito humano, nunca se deixou apanhar por espertalhões. Estava sempre a par do que ia pelo mundo, através da leitura dos jornais, no que era um viciado. Não fumava, não bebia e não jogava, mas em compensação fora um emérito galanteador, fino e respeitoso.
Na luta pelo direito, era um obstinado; demandista, ferrenho, porém leal. Chegara até a demandar, em pleitos memoráveis, na repulsa daquilo que julgava intolerável injustiça, com um irmão amado e com o vigário João Ferreira Álvares da Silva. Era visceralmente econômico. Dava ao dinheiro extraordinário valor, talvez pelas canseiras do trabalho honrado e duro em adquiri-lo e por possuir no mais alto grau o senso da previdência.

Depois dos quarenta e dois anos, convidado respectivamente pelos amigos Dr. Augusto Gonçalves de Souza, Cel. João de Cerqueira Lima, Dr. Cristiano França Teixeira Guimarães, e Dr. Thomas de Andrade, fundara com os mesmo, em maio de 1911, a Companhia Industrial Itaunense, e em janeiro de 1923 o Banco Comércio e Indústria de Minas Gerais, S.A. , de que fora grande entusiasta e onde invertia invariavelmente as suas economias na compra de suas ações.
Com o falecimento do Cel. Antônio Pereira de Matos, ocorrido em 27 de fevereiro de 1926, fora eleito diretor secretário da Itaunense, posto em que se manteve pela consideração de seus amigos até o fim de sua vida.

Nunca fora forte em política.  Mas vangloriava-se em tom de caçoada, em poder contar, em qualquer emergência, com dois votos seguros: o da Galinha Gorda, seu rendeiro da fazenda da Bagagem, e o do Antônio Luiz, seu sobrinho por afinidade, mas, mesmo assim, foi vereador à primeira Câmara Municipal de Itaúna, em 1902, mandato que lhe foi renovado até 1916; e foi Conselheiro Municipal em 1932 e 1936.

Enviuvou-se em 14 de maio de 1935. E venerou a memória de sua esposa querida até o último alento. Todas tardes, ao pôr do sol , em casa ou em qualquer lugar em que estivesse, voltava-se em espírito e coração pra o local onde jazia a amada,  guardando uns minutos de silêncio, rezando baixinho, ou balbuciando coisas ininteligíveis, como a confidenciar  com alguém de muita estima  e respeito.

Falecera em 17 de novembro de 1953. Fora um bravo até para morrer. Se lhe fosse possível vencer a morte, ele a venceria, porque com ela disputava palmo a palmo, conscientemente, bravamente, o direito de viver um pouco mais, contendo, inúmeras de suas tremendas investidas, contrariando todos os prognósticos dos médicos assistentes, até tombar inconsciente, debaixo de seus inexoráveis tentáculos.




REFERÊNCIAS:
Pesquisa e Organização: Charles Aquino.
Texto biográfico: Mário Soares
Fonte: Revista Acaiaca nº 56, org. Celso Brant,1952, p.28,29,30,31.

quarta-feira, novembro 13, 2013

MANOELZINHO E DONA COTA

HOSPITAL MANOEL GONÇALVES ITAUNA MG
 Manoel Gonçalves de Souza Moreira, o "Manoelzinho do Hospital", nasceu em Santana do São João Acima, aos 19 de dezembro de 1851, filho de Manoel José de Souza Moreira e de Dª Ana Joaquina de Jesus. Seu pai, Manoel José de Souza Moreira, nascido em Bonfim, em 5 de fevereiro de 1829 e falecido em Santana do são João Acima , aos 22 de dezembro de 1898, foi o pioneiro da industrialização local e a mais importante  expressão da família Souza Moreira de Bonfim. 
   Fundou a Casa Comercial "Moreira & Filhos", de grande importância para a formação econômica e histórica de Itaúna. Contribuiu pra transformar o arraial de Santana no principal empório comercial da região Centro Oeste de Minas.
    Foi na firma "Moreira & Filhos" que Manoel Gonçalves de Souza Moreira, João de Cerqueira Lima e Josias Nogueira Machado, respectivamente filho e genros do seu patrão, aprenderam e se tornaram hábeis comerciantes. 
   Manoel Gonçalves de Souza Moreira foi um legítimo herdeiro das qualidades e virtudes de seu notável pai, Ainda muito jovem se tornou sócio da firma "Moreira & Filhos". Nela trabalhando arduamente fez carreira de balconista a gerente. Acumulou desde cedo bom patrimônio, vivendo exclusivamente para o trabalho. Participou ativamente na estruturação da Companhia de Tecidos Santanense, de que foi fundador com seu pai Manoel de Souza Moreira. 
    Quando da Assembleia Geral da fundação realizada em 23 de outubro de 1891, com apenas 29 anos de Idade, subscreveu 400 ações, no valor de 80 contos, importância altamente expressiva para época, somente precedido por seu pai, Manoel José de Souza Moreira, que subscreveu 600, no valor de 120 contos de réis. 
   Ele e seu pai eram realmente os únicos ricos da família. Depositaram no Banco do Império do Brasil os 60 contos necessários, 30 de cada um deles, como caução, para lançaras ações da primeira sociedade anônima de Itaúna. Foi a pedra fundamental da mentalidade capitalista de Itaúna.
     Capitalismo caboclo, familiar e paternalista. Foi diretor tesoureiro da empresa, desde sua fundação até o ano de 1904, quando, atraído pelo rápido progresso na nova capital mineira, inaugurada em 12 de dezembro de 1897, se transferiu pra Belo Horizonte
   Lá com sua mentalidade de empresário bem sucedido, foi um dos fundadores da Companhia Industrial Belo Horizonte, com capital de 600 contos de réis, sendo eleito na Assembleia de Constituição, realizada aos 28 dias de agosto de 1906, membro da primeira diretoria, para o mandando de 1906 a 1911, composta pelos fundadores da sociedade, a saber: Cel. Inácio Magalhães; Cel. Manoel Gonçalves de Souza Moreira e Cel. Américo Teixeira Guimarães.
    Antemonarquista histórico foi o principal fundador , em 21 de abril de 1889, do Clube republicano "21de Abril", de Santana do São João Acima, sendo eleito pelos noventa membros que o acompanharam na fundação, e também pelas principais lideranças santanenses, presidente do clube e que se filiou ao Centro Republicano, de igual nome, em Ouro Preto
   Foi também o criador, em 13 de abril de 1890, do semanário o "Centro de Minas", o primeiro jornal a circular em Santana do São João Acima. Ao regressar de sua viagem à Europa, em Paris, na Cidade Luz, já idoso, passou a meditar em profundidade sobre o destino a ser dado ao expressivo patrimônio por ele acumulado. Não possuía filhos e amava Itaúna , a terra de seu nascimento. 
    Espírito cristão e fraterno tomou a mais importante decisão de sua vida modelar: fundar, em sua terra natal, uma "Casa de Caridade", e doar parcela substancial de seu grande patrimônio a uma instituição que viesse a ser construída com o objetivo de instalar e manter o hospital, um asilo de velho, um pavilhão pra tuberculosos; bem como investir, conforme recomendado em seu testamento, na educação dos jovens itaunenses. Casou-se com a sua prima Maria Gonçalves de Souza Moreira, conhecida por Dª Cota. 
    Foi uma das mais extraordinárias personalidades de Itaúna, sem dúvida o maior filantropo do século XX em nossa cidade, pelo seu alto espírito humanitário. Este ato o credenciou ao respeito, ao apreço e à eterna gratidão de todos itaunenses, pois se transformou em nosso maior benfeitor. Faleceu em Belo Horizonte, aos 20 dias de junho de 1920, aos 68 anos de idade, sendo sepultado, como do seu desejo, em Itaúna, junto à  "Casa de Caridade" que ostenta o seu benemérito nome. 
    Sua Viúva, Dª Maria Gonçalves de Souza Moreira, a caridosa Dª Cota, alguns anos após, impulsionada por seus sentimentos cristãos e inspirada no belo ensinamento de seu esposo, fundou o "Orfanato São Vicente de Paula". 
   Ela faleceu em 26 de novembro de 1954, aos 79 anos de idade, sendo sepultada, em Itaúna, como de sua vontade, sendo verdadeiro que ela se tornou benfeitora e benemérita. Esta é a origem da "Casa de Caridade Manoel Gonçalves de Souza Moreira", da Escola Normal e do Colégio Santana.

Guaracy de Castro Nogueira