domingo, junho 04, 2017

RUA PADRE UBALDO


Projeto de Lei 1510/80 - CEP: 35680-177
Denomina logradouro público: Rua Pe. Ubaldo / Conjunto Habitacional Victor Gonç. De Sousa

PADRE UBALDO: PASSAGEM EM ITAÚNA
Desde 1933, Padre Ubaldo Anselmo da Silveira, capelão da Santa Casa “Manoel Gonçalves”, município de Itaúna, dirigiu com zelo e carinho o serviço espiritual desta capela do Sagrado Coração de Jesus, povoado de Santanense, até em 1937. Padre Ubaldo, dedicado e bondoso para com as crianças, procurou organizar com muito êxito a missa dialogada das crianças.
Em março de 1937, foi nomeado auxiliar do vigário de Itaúna, o Revmo. Padre Everaldo Molengraaff, o qual logo se interessou muito por Santanense. Introduziu uma missa aos domingos e organizou o catecismo para as crianças. Floresceu com muita alegria o catecismo.
Pe. Ubaldo faleceu na cidade de Itaúna, com 82 anos de idade, no dia 17 de maio de 1951 e foi enterrado no cemitério central. Em nota, o Pe. José Ferreira Netto registra no livro do tombo da paróquia — Em substituição ao Revmo. Pe. Ubaldo Anselmo da Silveira, que a mais de quinze anos vinha sendo capelão da Santa Casa de Itaúna, foi provisionado para este cargo o Revmo. Pe. Waldemar Antônio de Pádua Teixeira que exercia o cargo de Vigário dos distritos de Maravilhas e Papagaios, pertencentes a Pitangui.


PADRE UBALDO: NOTAS HISTÓRICAS
Padre Ubaldo Anselmo da Silveira foi, sem dúvida, o maior vulto histórico da localidade ao lado do maestro e notável compositor, seu contemporâneo, o professor Antônio Batista Gonçalves Sampaio.
Ubaldo nasceu em 21/04/1869, em Piedade do Paraopeba, e foi batizado na igreja matriz desta mesma localidade em 01/06/1869. Era filho legítimo de Joaquim José da Silveira e Maria Emilia do Amaral. A avó paterna era Josefa Justa da Silveira, filha de Francisco José da Silveira Frade e de Ana Rosa de Oliveira.
Francisco tornou-se padre depois de enviuvar-se pela segunda vez (casou-se, em segundas núpcias, com a irmã da sua primeira esposa). Josefa era também a mãe de Pe. Domingos Cândido da Silveira, que se encarregou da formação do sobrinho Ubaldo de teve sobre ele grande influência.
O bisavô de Pe. Ubaldo, o Pe. Francisco José da Silveira Frade, era natural e batizado na freguesia de N. S. da Conceição de Raposos, do Bispado de Mariana. Francisco era filho legítimo do Capitão José Bernardo da Silveira Frade e de D. Ignácia Cleta Maciel de São José. Seus avós paternos eram Matheus da Silveira Frade e Joana Maria Vandergrat, da freguesia de São Cristóvão, ambos da cidade de Lisboa. Seus avós maternos eram o Capitão Manuel Nunes Velho, natural da freguesia de São Pedro Fin...(?) de Ferreira, arcebispado de Braga, e Agostinha Cleta Maciel, natural da freguesia de Raposos, bispado de Mariana. Agostinha Cleta era filha do Capitão João Álvares (Alves) Maciel, natural de Portugal, e de Teodora Francisca, parda.
A avó materna de Ubaldo era Anna Gonçalves Netta. Foram seus padrinhos de batismo: José Baptista Gonçalves Sampaio (o Juca Baptista, irmão do maestro e compositor Antônio Baptista) e Josefa Justa da Silveira, avó de Ubaldo. As informações sobre o batizado, o nascimento e a ascendência foram dadas pelo Pe. Domingos Cândido da Silveira, em 26/09/1888. Diz ele constarem elas de "assento" que fez em Capela Nova de Betim. Ubaldo foi crismado em 1870 ou 1871[1]. Seu processo de habilitação como sacerdote iniciou-se em 15/01/1891. Ordenado, passou a fazer parte da Ordem dos Agostinianos[2].
Seus irmãos eram: Conceição Maria da Silveira, Joaquim Cândido da Silveira, Ubaldina Nila da Silveira, Anselmo Silveira, Leão Treze da Silveira (Tenente), Saturno da Silveira e Maria Josefa da Silveira.
Pe. Ubaldo possuía uma casa em Piedade onde hoje (2013) é a residência do autor deste Caderno e de sua esposa, Ângela Maia[3].
Padre Ubaldo – então com 26 anos de idade – assumiu a paróquia em 1895, sucedendo o Padre José Joaquim de Mello Alvim, falecido em 23/4/1893. Já nos primeiros dias após sua posse, instituiu o ensino do catecismo e a seguir, no primeiro domingo de seu exercício como vigário, durante a missa, falou sobre a devoção ao Sagrado Coração de Jesus e iniciou uma subscrição para obter recursos para adquirir uma “imagem de vulto” do Sagrado Coração. O valor necessário foi arrecadado em poucas horas. Continuando seu trabalho apostólico, organizou o Apostolado da Oração na forma de um grupo masculino e outro feminino; divergências que surgiram no grupo feminino fez com que Pe. Ubaldo o unisse ao masculino, “cortando o mal pela raiz”. Organizou ainda a comunhão na primeira sexta-feira do mês, que passou a ser como “um dia de festa religiosa na Piedade”, tal era o número de pessoas que iam comungar neste dia. Para tanto, ele iniciava as confissões na terça-feira precedente e passava horas no confessionário, até nove horas da noite, para atender, um a um, uma grande quantidade de fiéis[4].
No mesmo ano em que se tornou vigário, iniciou também a construção das duas torres da Igreja Matriz, contratando, para isso, Eduardo Frias de Oliveira, que era natural da cidade de Ouro Fino, José Bernardes Rodrigues, português que aqui residiu, faleceu e foi sepultado e alguns portugueses de Itabira do Campo (atual Itabirito).
Ao assumir o cargo Pe. Ubaldo encontrou vários problemas e enfrentou dificuldades e opositores, como infelizmente tem ocorrido com vários de seus sucessores. De temperamento enérgico e destemido, tomou as providências que julgou necessárias e conseguiu implantar práticas que pensava ser as corretas. Ele mesmo, em suas “Reminiscências” diz que “cortou, de raiz, todos os abusos introduzidos e fez respeitado o templo de Deus. Tal foi então o respeito na casa de Deus que não se ouvia dentro e nem fora a menor palavra durante os atos religiosos e se alguém entendesse de saudar “intra templum” algum conhecido, parente ou amigo, fazia-o apenas com uma simples inclinação da cabeça. Disse um venerando e experimentado Missionário Redentorista que em Minas ainda não vira um lugar em que houvesse completo e absoluto silêncio como na igreja matriz da Piedade”[5].
Padre Ubaldo foi vigário de Piedade até 1912, período em que fez muitos melhoramentos e em que criou o Jubileu de N. Sa. da Piedade (1907).
O motivo pelo qual Padre Ubaldo deixou a paróquia de sua terra natal não é bem claro. De acordo com depoimentos de alguns moradores antigos, retransmitidos ao autor deste Caderno pelo Sr. Daniel da Silveira Ataíde, a causa da renúncia ao cargo teria sido uma acusação que lhe fizeram de envolvimento com uma professora do curso primário da localidade, calúnia esta que teria lhe causado profundo desgosto e motivado a sua saída da localidade.
Todavia, outro pode ter sido o motivo: no último parágrafo do último capítulo que encontramos, o de número XX, Pe. Ubaldo faz alusão a uma disputa pelo cargo de vigário e se refere a si mesmo como se falasse de outro, artifício que utilizou em outras passagens, certamente para manter o anonimato que o pseudônimo “Uasil”, por ele adotado, encobria. Diz ele no capítulo XX, publicado em 1935: “há vinte e três anos que o vigário empossado em 1895[6] deixou aquela freguesia, ambicionada por outro que não logrou possuí-la, como ardente e apaixonadamente desejava. Altos desígnios de Deus! ”.
De acordo com outra versão, também provinda do Sr. Daniel Ataíde, o padre que ambicionava a paróquia era o Pe. Xisto José da Silveira, cujo papel no estabelecimento do Jubileu de N. Sa. da Piedade já elucidamos no Caderno II. De fato, o então Major Xisto, tendo ficado viúvo em 1911, ingressou no seminário em Mariana e lá se ordenou padre no dia 10 de Maio de 1914. Segundo o Sr. Daniel, o Major Xisto teria comunicado ao Pe. Ubaldo, antes mesmo de ir para Mariana, sua intenção de tornar-se vigário e teria jogado duro, na intenção de removê-lo do cargo o quanto antes. Talvez a calúnia acima referida tenha sido originada do Major Xisto ou de seus amigos ou parentes, hipótese que não pode ser descartada devido ao fato de que Piedade sempre foi marcada, infelizmente, por rivalidades, às vezes bem fortes, entre alguns grupos e famílias – rivalidades que apenas há poucos anos vêm diminuindo. Tendo conseguido a renúncia de Pe. Ubaldo, o Major e seminarista Xisto conseguiu, por meio de seus contatos, que fosse indicado para o cargo de vigário de Piedade um padre de Ouro Preto, o Monsenhor Cândido Veloso, com quem Xisto teria feito um trato: logo que ele, Xisto, fosse ordenado, Monsenhor Cândido renunciaria ao cargo e Xisto o assumiria.
Após ordenar-se Xisto tentou ocupar o cargo, mas o Monsenhor, apoiado pela grande maioria da população, não o deixou. Conforme informamos no Caderno II, Monsenhor Veloso era pessoa calma, inteligente e grande protetor dos pobres. Com seu carisma, logo conquistou todos os fiéis. Xisto, que sempre vivera em Piedade, era voluntarioso, exercera a política com entusiasmo e, durante sua vida no arraial como farmacêutico, tomara partido de alguns grupos contra outros, criando inimizades e oposições. Diziam os antigos que Monsenhor Veloso, com voz mansa, ponderou com Xisto as razões pelas quais não deixaria o cargo e aconselhou-o a permanecer em Piedade como seu auxiliar. Xisto, sem opções, assim o fez até o fim da vida. Alguns que o conheceram bem de perto diziam que ele costumava rezar missa com seu revólver debaixo da batina, preso ao cinto, mantendo o costume dos seus tempos de Major e sempre preparado para os possíveis ataques de seus inimigos.
Qualquer que tenha sido a causa, em 1912, quando contava com 43 anos de idade, Pe. Ubaldo deixou a terra que amava e à qual tanto se dedicou, a terra de seus antepassados e dos seus grandes amigos. Em 1913 assumiu a paróquia de Prados - MG, cargo que exerceu por cerca de 8 meses. Retornou a Piedade somente 38 anos depois de sua saída, em setembro de 1950, com 81 anos de idade, para presidir o 43º Jubileu. Mais tarde, estabeleceu-se em Itaúna.

  
REFERÊNCIAS:
Texto Padre Ubaldo Passagem em Itaúna: Livro da Paróquia do Coração de Jesus de Santanense: Histórico da Paróquia de Santanense, pag.26 e Livros do Tombo II da Paróquia de Sant’Anna de Itaúna, 1951, p.14.
Texto Padre Ubaldo Notas Históricas: Engenheiro Euler de Carvalho Cruz - Cadernos de História do Distrito de Piedade do Paraopeba.
Pesquisa: Charles Aquino
Organização e Fotografia: Charles Aquino
Acervo: Professor Marco Elísio Chaves Coutinho
Consulta do Requerimento de Sepultamento: Prefeitura Municipal de Itaúna
Projeto de Lei dos Logradouros: Prefeitura Municipal de Itaúna 


[1] (Processo "De genere et moribus", Arquivo da Cúria de Mariana, Armário 16, Pasta 1371, ano 1891).

[2] A Ordem dos Agostinianos Recoletos (OAR) é uma ordem religiosa católica, da família agostiniana, seguidora do pensamento de Santo Agostinho. Nasceu na Espanha, em 1588, em plena Reforma Católica, a partir da renovação da Província Agostiniana de Castela. No Brasil possui três províncias: Província de Santa Rita de Cássia (região centro-oeste), Província de Santo Tomás de Villanueva (região centro-oeste e região sul) e Província de São Nicolau Tolentino (região norte e região nordeste). Trabalham em paróquias, missões colégios e seminários.

[3] Após a morte de Pe. Ubaldo, sua irmã Ubaldina vendeu a casa para José Luiz, esposo de Ana Pinto. Este, colocou para morar na casa, como caseiro, o Sr. Valdomiro que para lá se mudou com sua esposa Tereza e filhos. José Luiz vendeu a casa e o terreno a Antônio Caldeira e a sua esposa D. Geruza. Esta, viúva, vendeu a propriedade a Euler Cruz em 1982.
[4] Informações retiradas do Capítulo XX das “Reminiscências”.
[5] Informações retiradas do Capítulo XVII das “Reminiscências”.
[6] Na verdade, foi em 1986.




sexta-feira, junho 02, 2017

ELEIÇÕES NA ZONA RURAL

Tornei-me eleitor tão logo completei dezoito anos. Precisava do título eleitoral para prestar exame vestibular. Isso se deu em 1961. Em sessenta e dois, votei a primeira vez em um plebiscito que devolveu o Brasil ao regime presidencialista. Desde a primeira vez que votei, fui convocado para ser mesário. Por azar, escalado para trabalhar em uma secção eleitoral na cidade. Cheia de eleitores jovens, com um presidente de mesa muito "caxias". Um sacrifício num dia de feriado.
Pior ainda: dia de eleição, todo mundo que estudava ou morava fora de Itaúna, dava as caras na cidade. Ótima ocasião para rever amigos e festejar. Já era proibida a venda de bebidas alcóolicas, mas, sempre se dava um jeito de tomar umas e outras por baixo do pano. Menos para quem trabalhasse na eleição. De sete da manhã as cinco da tarde, firme no "dever patriótico". Um enfado!!!
Bom mesmo era ser designado para uma secção eleitoral na Zona Rural. Certeza de boa comida, frango e pernil e até um golinho despistado. Afinal, ninguém era de ferro.
Não sei precisar em que lugar se deu o fato que passo a narrar. Suponhamos que foi na Fazendinha, ou nos Garcias, no Retiro dos Faria ou qualquer outro local das redondezas de Itaúna. Deixo a critério dos leitores eleger onde foi. Afinal, em democracia, nada melhor do que deixar na mão do povo.
O título de eleitor era diferente. Tinha retrato do portador, dados do mesmo, zona, secção, etc. No verso, vários quadrados nos quais os mesários anotavam a data da eleição e a rubrica. Simples assim. Cabia ao segundo auxiliar, organizar a fila e recolher os títulos. Passava ao primeiro auxiliar que os entregava ao segundo mesário, que conferia os nomes na folha de votação. Se estivesse tudo de acordo, entregava a cédula devidamente rubricada ao eleitor. Na cabine, normalmente atrás de um tabique à guisa de biombo, o cidadão sufragava ou "naufragava" seu candidato. Tudo na caneta. Não tinha urna eletrônica. Não enguiçava e funcionava. Se havia fraudes, as desconheço. Em tempo: o segundo mesário recebia os documentos e ia convocando os eleitores. Debaixo de sua autoridade, caprichava na voz e na entonação.
Pois foi numa dessas eleições que aconteceu o incidente. O segundo mesário leu o nome do dono do título em silêncio. Ajeitou os óculos, para ver se não havia engano. Fixou bem a vista e bem empertigado, caprichou na pronúncia: " senhor quinhento reis de bosta".
Um murmúrio e espanto geral. Todo mundo de olho no portador de nome tão estranho e escatológico. Da ponta da fila se apresenta o dito cujo. Um senhor já grisalho, recém-chegado no lugar. Viera de outras bandas e comprara uma propriedade rural. 
O murmúrio e o espanto se transformaram em risadinhas abafadas e o forasteiro continuou impávido. O segundo mesário arregalou os olhos e encarou o simpático cidadão. Indagou com voz tremida: " é o senhor mesmo?
O eleitor, com gentileza e educação, respondeu afirmativamente e disse-lhe: " com muito orgulho, há cinquenta e seis anos fui registrado com este nome. Sou o senhor Quintino Reis de Bastos!!!!!
Em tempo: o padrão monetário brasileiro, há muito tempo era o cruzeiro. Persistia, entretanto, chamar as moedas de dez centavos de tostões, vinte centavos de duzentos reis e cinquenta, de quinhentos reis. Apesar de tirar o título eleitoral em 1961, só fui votar para presidente da república em 1989. Olhando para o passado: perda de tempo!!!

*Urtigão (desde 1943) é pseudônimo de José Silvério Vasconcelos Miranda, que viveu em Itaúna nas décadas de 50 e 60. Causo enviado especialmente para o blog Itaúna Décadas em 02/06/2017. 



ITAÚNA: RUA DO FUTEBOL

Um ponto comum da maioria dos moradores da Godofredo Gonçalves e região é a paixão pelo futebol. Principalmente pelo Atlético Mineiro. Quando ainda existia o Bar do Lava Jato – do Luizinho – a festa dos atleticanos da rua era grande! Juntava-se até pessoas de outras partes da cidade para assistirem aos jogos decisivos, do Mineiro ou Brasileiro. Aqueles que não iam ao Mineirão ficavam na rua com suas bandeiras, camisas e palavras de ordem: Gaaaalllôôô!
         Neca do Correio, Del do Miranda e seu irmão Son, Busão, Ildeuzinho e Maurício da Neguita (Ral), Lucinho Lingüiça, Sr. Fone, Galdino, Sormane. Dóse, Zezito Chaves e eu éramos parte daquela legião de fanáticos torcedores. Aparecia por lá também o Dr. Pery Tupinabás (atleticano doentíssimo) e o Jeferson dos Foguetes. O Jeferson soltava seus foguetes de rabo e de lágrimas e a festa era geral nas vitórias do galo. Os cruzeirenses eram minoria na rua, e tinham que aturar toda a baderna dos atleticanos. Certa vez eu fui convidado pelo Lucinho para ouvir um jogo do galo em sua casa, junto com seu pai, o Sr. Fone (outro fanatissíssimo!). Chegando lá a tensão foi tanta que quase passei mal... A cada lance de perigo de gol (seja contra, ou a favor) o Lucinho e o Fone iam ao delírio, me obrigando a fazê-lo também! E aquilo ia me envolvendo, eu roendo as unhas, e tudo era uma nervosia só, ouvindo a Ita...ti-aia...
         Em certa época havia o campinho (na rua Manoel Gonçalves) onde eram travados os duelos futebolísticos da plebe. Havia dois times rivais, o Granada, (que eu e meu irmão defendíamos), comandado pelo César Matos; e o Colorado, comandado pelo Lucinho Lingüiça. Estes dois times travaram verdadeiras batalhas no campeonato do campinho. Às vezes, saia até briga, certa vez o César "coçou" o Lucinho, e até eu que era rival do Lúcio, fiquei com dó. Posteriormente a Neguita “adotou” o Granada, e o Lincoln Drumond adotou o Colorado. Sob estes patrocínios os times conseguiram novos e lindos jogos de camisas, e as partidas foram disputadas no sítio do Bebeto Corradi (Granja Glória), num belo gramado society. Aí vieram reforços para ambos os times, o pessoal da Francisco Santiago andou jogando no Granada (Donta, Dê, Zezinho, Carrapa e outros). Vieram também reforços de Santanense, como os irmãos gêmeos Alexandre e André e gente de outras partes da cidade. Granada e Colorado acabaram quando, certa vez um menino caiu da camionete do Lincoln, que os levava para treinar em outro campo – já que o César havia os “proibido” de treinar no campinho.
No dia 07/07/77 o campinho foi destruído por uma escavadeira, e hoje no local existe um pequeno prédio – a data considerada de azar, foi mesmo, nós da rua, que ficamos triste com a destruição do nosso berço futebolístico.
         O mundo do futebol me esteve sempre presente, certa época eu e o Joacy criamos o Joanel, um time que jogava no campo do Esporte (hoje da Universidade de Itaúna) todos os domingos. Também aos domingos eu e o Joacy, juntamente com seu pai, o Cabeça, íamos assistir jogos amadores nos campos de Itaúna e região.
Foram vários domingos que o Cabeça abarrotava seu fusca de meninos para levar o Joanel em seus jogos, certa vez, ele conseguiu colocar todo o time, incluindo reservas, dentro de seu carro, foram onze pessoas no fusca cor de vinho de que ele tinha!


Texto: Pepe Chaves — Desenhista, pesquisador, ufólogo, músico, documentarista e jornalista.
Digitação: Ana G. Gontijo e Ícaro N. Chaves
Organização: Charles Aquino
Acervo:  depositphotos



RÁDIO CLUBE ITAÚNA ZY-Z4


Nesta época, havia em Itaúna somente uma estação de rádio, que por sinal estava naquela rua: a Rádio Clube de Itaúna ZY-Z4. Foram marcantes as tardes em que eu descia para a rádio (às vezes escondido de minha mãe) e ia ouvir o programa do Mineirinho ao vivo, a inesquecível “Tarde Sertaneja”.
         Era uma Itaúna sonolenta, naquelas tardes ensolaradas, que levavam sob as ondas do rádio a voz popular do Mineirinho. Figuras marcantes fizeram da Clube AM uma verdadeira tradição dentro dos valores culturais daquela época, lembro-me bem do Cosme Silva com seu incansável programa na hora do almoço. Do Naningo Neto, do Cabacinha, e também de um locutor esportivo que passou por lá: o Mário Savaget. O Mário tinha um programa de esportes diário, às seis da tarde. Todo dia eu descia, (às vezes o Buzão ia também) e ouvia o programa “ao vivo”, ao lado do operador, o Nilson. Gostava do Mário porque ele (apesar de mais velho) era como eu, viciado em jogo de botão. Ele sempre falava que faria o “1º Torneio de Jogos de Botões de Itaúna”, e nos deixava empolgados, mas na verdade nunca o realizou... Locutores que sempre ficarão na memória marcaram minha infância, como o próprio Mineirinho, o Cosme Silva, o Naningo Neto, o Geraldo Lopes. Toda esta gente fez parte – direta ou indiretamente – de minha pacata infância na rua Godofredo Gonçalves.


Texto: Pepe Chaves — Desenhista, pesquisador, ufólogo, músico, documentarista e jornalista.
Digitação: Ana G. Gontijo e Ícaro N. Chaves 
Organização: Charles Aquino
Acervo: Revista de Itaúna, 1958, p.27


PAPAGAIOS E LAÇADAS


Quando eu e o Dóse meu irmão mudamos para a Godofredo, antes de fazer amizade com a rapaziada, inventamos de soltar papagaios. Mas não tínhamos técnica nenhuma para fazer papagaios, o que fomos aprender mais tarde. Mas nessa época, nas férias, acordávamos cedinho para aprumar nossos papagaios. Costumava dizer que acordávamos antes do vento, pois quase sempre às 6 da manhã não ventava (não sei porque!). A gente comprava folha de seda na Papelaria “Novo Mundo”, na rua Antônio de Matos e arrumávamos bambus e fazíamos os papagaios.
         Uma vez, apareceu um papagaio para a gente “laçar”, era de um dos nossos vizinhos, o Marco Antônio Bernardes (Marco Tija), que m ainda não conhecíamos. Nesta época não existia cerol, e ele tinha uma manivela superpotente, muito melhor que a nossa. Os papagaios se aproximaram e enroscaram a linha, os dois puxando a manivela, mas o vento estava para o nosso lado... e ganhamos a laçada com nossa manivelinha. Só que depois, minha mãe vendo nossa comemoração, quis saber do que se tratava. Explicamos, e para nossa tristeza, ela nos fez devolver o papagaio, devolvemos e ganhamos novos amigos: o Marco e o Môl, seu irmão.
         Certa vez, a gente já era maior – já sabíamos fazer os melhores papagaios – apareceu um rapaz de B.H. com uma pipa na rua. Pipa era raro por aqui, e a gente via “papagaio estranho” logo já queríamos laçá-lo. O cara aprumou a pipa em frente à minha casa, eu bati o olho em sua linha: era verde. Eu me fingindo de bobo, lhe perguntei: - Que linha é essa? Ele bem mais velho que eu, respondeu: - É linha de retrós! Tava no papo! Linha de retrós arrebentava atoa, não era páreo para o meu barbantinho, vou laçá-lo – pensei! Aprumei meu surucão e me coloquei na posição para a laçada, investi nele! Ele parecia estar com medo, tentava fugir. Aproximei e dei o golpe fatal na manivela: para minha surpresa a linha do meu papagaio se rompeu ao tocar a sua e eu fiquei sem entender! Minutos depois o rapaz arrebentava a linha de todos que tentavam laçá-lo. Por fim ele virou o terror, e enquanto permanecei na área impediu a todos de aprumar papagaios! Foi a primeira vez que ouvimos falar em cerol, uma mistura de vidro moído e cola, que se passa na linha. Cortava qualquer outra linha que lhe encostasse. O sujeito estava de férias em Itaúna, nos outros dias, era só ele aprumar sua pipa, que todos desciam seus papagaios. A partir destas férias a moçada começou a usar cerol nas linhas. Acredito que foi este rapaz de Belo Horizonte quem “trouxe” o cerol para Itaúna.

Texto: Pepe Chaves — Desenhista, pesquisador, ufólogo, músico, documentarista e jornalista.
Digitação: Ana G. Gontijo e Ícaro N. Chaves
Organização: Charles Aquino
Acervo: Agência da Boa Notícia


UMA RUA HUMANA


Quando me mudei para a Rua Godofredo Gonçalves, tinha oito anos, a rua ainda se chamava São José, ainda calçada com pedras retangulares, com seus postes antigos (quadrados) e sua iluminação precária com lâmpadas sob “pratos”. Era a Itaúna dos anos 70, mais precisamente em 1972 mudamos para aquela rua, vindo da rua Sesóstres Milagres (a famosa e especial rua da Gruta) no bairro de Lourdes.
         Eu com oito anos, e meu irmão Joel (Dóse) com sete, fomos estudar no Grupo Dr. Augusto Gonçalves, onde aprendemos a ler e escrever. Mais tarde nosso irmão mais novo Marco se iniciou também naquela escola. Quando mudamos para a rua São José não conhecíamos ninguém, e ainda por cima morávamos na casa mais modesta da rua. Mas posteriormente, vimos saber que meu pai tinha vários amigos por ali, como o Neca do Correio, o Cabeça, o Pedro Miguelão, a Neguita e o Euber, o Zú, o Geraldo Bernardes, o Mineirinho, o Joaquim Penido (nosso vizinho de lado), a Alicinha (nossa outra vizinha de lado, esposa do falecido Clóvis), o Sr. Galdino (nosso vizinho de fundo), Dª Margarida, o Sr. Miranda, o Zé da Iara e vários outros, todos, ótimas pessoas.
         Assim fomos aos poucos conhecendo os filhos dos amigos de nosso pai, e criando verdadeiros laços de amizade com estas pessoas. Muitas foram as aventuras vividas nos quarteirões próximos à rua Godofredo Gonçalves, e de diversas formas, diga-se de passagem. Mas antes de entrar nas aventuras, gostaria de lembrar o quanto esta rua era bucólica, e o quanto eu aprendi ali, com aquela gente.
Morávamos num meio que predominava a classe média (quando esta ainda existia), e como tal tínhamos os costumes padrões da época: anualmente havia festa de quadrilha na rua, então era rua toda enfeitada, vizinhos em festa, ensaios da quadrilha no pátio da Rádio. Todos os meninos torcendo para fazer par com uma menina bonita! Eu sempre dava azar... Os Natais vividos ali também foram inesquecíveis, uma verdadeira comunhão de brinquedos, era o que se podia dizer do que fazíamos após o dia 24 de dezembro. Juntava-se toda a turma: Os meninos do Zé da Iara (Zé Márcio, Ricardo, Rodrigo, Fernando e Rogério), seus primos Joacy e Bráulio; Sérgio Henrique (Môl), seu irmão Marco Antônio, meus irmãos Marco Antônio e Joel (Dóse), Maurício e Hildelzinho da Neguita, Emanuel (Déo), Nilinho, Chinês, Buzão, Poti e outros.
         Após o Natal era renovado o ânimo da moçada: bolas novas, jogos de botões novos, e ainda, brinquedos de toda natureza! Nos tempos de Natal era feita também a Novena de Natal, época em que os vizinhos se reuniam diariamente, indo a cada dia rezar em uma casa da rua.
Meu pai era caminhoneiro, tinha um Fenemê verde, conhecido na cidade inteira. Às vezes passava dias viajando, mas, quando a gente ouvia o barulho daquele Fênêmê de longe, tudo era festa! Ele chegava e parava o caminhão em frente à nossa casa. Nós corríamos para abraçá-lo, barbado e suado, mas como era bom senti-lo, após dias de ausência! Meu pai, o Zezito Chaves, trazia em sua mala vários presentes para nós, uma vez ele trouxe a minha primeira bola de couro, um grande sonho de todo menino, acostumado com bolas de plástico.
         Era a época em que a Rede Globo começou a sintonizar por aqui, época do “Cavalo de Aço”, “O Bem-Amado”, de “Vila Sésamo”, e de marcantes novelas que mais tarde seriam a galinha dos ovos de ouro da emissora.


Texto: Pepe Chaves — Desenhista, pesquisador, ufólogo, músico, documentarista e jornalista.
Digitação: Ana G. Gontijo e Ícaro N. Chaves
Organização: Charles Aquino, Historiador
Acervo: Shorpy



ITAÚNA: MEMÓRIAS DE UMA RUA


A todos que residiram e residem na rua Godofredo Gonçalves e imediações...
Em especial à Itajacy Nogueira Paulino, a Cica (In Memoriam) e José Paulino Júnior, o Cabeça.


Produção artística: Pepe Arte Viva – pepearteviva@bol.com.br
Digitação: Ana G. Gontijo e Ícaro N. Chaves
Diagramação: Pepe Chaves
Acervo: Criação e Arte de Pepe Chaves em fotografia tirada por Zezito Chaves no quintal de sua casa na rua Godofredo Gonçalves em meados dos anos 70. Nela figura Pepe, seu irmão Joel e os pombos: Gladiador, Boneca e Rolando. Ao fundo uma bandeira do “Galo”, confeccionada pela Neusa e pintada pelo Pepe.
Agradecimentos: Aos meus pais. Meus irmãos. Meus filhos. Meus vizinhos de ontem, de hoje e de amanhã. Ao pessoal da rua do meu tempo e de todos os tempos. Aos amigos de SEMPRE.
A Itaúna, minha mátria.

quinta-feira, junho 01, 2017

NOSSOS LIVROS DA ESCOLA NORMAL

Em abril de 1930, houve a festa de oficialização da Escola Normal, que passou a ser dirigida e mantida pelo Estado de Minas Gerais. A Escola Normal de Itaúna foi um grande veículo de cultura e educação no Oeste de Minas. Aqui vinham estudar meninas de muitas cidades de Minas — Pompéu, Abaeté Morada Nova, Tiros, São Gotardo, Santo Antônio do Monte, Bom Despacho, Pitangui, Araújos, Dores do Indaiá, Belo Horizonte, Igaratinga, São Gonçalo do Pará, Divinópolis, Carmo do Cajuru, Pará de Minas, Itaguara, Mateus Leme, Serra Azul, Azurita, Nova Serrana e outras. Cá chegavam geralmente viajando de trem.
Todas estas alunas, aqui levavam para suas cidades muita vontade de ensinar, de transmitir tudo que aprenderam, de alfabetizar. Contribuíram para melhorar a vida de muitas crianças, de muita gente. Foi grande o impulso emanado da Escola Normal de Itaúna para muitos municípios mineiros. Para isto contribuíram, com grande esforço, dedicação e ideal, os professores que ali lecionaram, desde o princípio, e lecionam até hoje.
O estudo, naquele tempo, baseava-se muito nos livros adotados pelos professores. Eis uma lista desses livros, adotados no curso normal:
Ø Grammatica Theorica e prática de Lingua Francesa, 2 volumes, José Frcº Halbout, Livraria Francisco Alves, RJ,1930;
Ø Lectures pratiques de langue Française, J. Monteiro, Librairie Aillaud, Paris-Lisconne, 1909;
Ø História do Brasil, João Ribeiro, Livraria Frcº Alves, RJ, 1929;
Ø Pontos de História do Brasil, carlos Goes, Officinas Graphicas de Oliveira Costa & Comp., Belo Horizonte, 1927;
Ø Geographia do Brasil, Delgado de Carvalho, Livraria Frº Alves, São Paulo – Belo Horizonte, 1931;
Ø Psycgologia, A. de Sampaio Dória, Cia. Ed.Nacional S.P;
Ø História Natural, Curso superior, 3 volumes, Collecção F.T.D., Livraria Paulo de Azavedo & Cia. Rio – SP – BH, 1924;
Ø Primeiras noções de sciencias, Collecção F.T.D., Livraria Paulo de Azavedo & Cia. Rio – SP – BH, 1923;
Ø Noções de sciencias physicas e naturais: Physica e chimica, por uma reunião de Professores, Livraria Paulo de Azevedo & Cia., Rio – SP – BH, 1927;
Ø Tratado de química elementar, Francisco Ribeiro Nobre, Livraria Chardron-Lelo & Irmão Ltda, Porto, 1926;
Ø Tratado de física elementar, Francisco Ribeiro Nobre, Livraria Chardron-Lelo & Irmão Ltda, Porto, 1929.
Estes são apenas alguns dos livros, que todas as alunas deviam adquirir, os quais ainda tenho em meu poder. Às vezes, tenho a impressão de que o “curso normal” daquele tempo era quase um curso superior de educação.

Texto: *Maria Batista Bechelaine (In Memoriam)

REFERÊNCIA:
BECHELAINE, Maria Batista. Traços de giz em quadro negro: Memórias de uma estudante que se tornou professora. Belo Horizonte, ed, O Lutador, 1999, p.29,30.
Acervo: Shorpy
Pesquisa & Organização: Charles Aquino


quarta-feira, maio 31, 2017

O MAGO DAS LENTES

ADILSON NOGUEIRA

Primeiro surgiu Louis Daguerre, depois o mundo teve Niépce e Fox Talbot, em meados do século dezenove. Itaúna foi povoada por diversos deles e já existe um interessante estudo sobre os fotógrafos itaunenses ao longo dos tempos (Abel Alexander – argentino). Recordo-me do Benevides Garcia, do Osvaldo e sua Kombi azul e do Pedro. A França deu ao mundo Daguerre; Itaúna oferece hoje Daniel Henrique (hors concours) ... Assinalo também Márcio Carvalho... e diversos outros dignos de nota na contemporaneidade.

Contudo, feitas as devidas reverências a quem de direito, discorro estas linhas sobre um outro fotógrafo. Eu o chamo de “O Mago das Lentes”. Na tardinha deste dia, eu o surpreendi – na saída do meu trabalho – e pude deleitar-me com a cena do artista em plena execução de sua obra: lá estava ele em passos lépidos – armado de sua câmera- correndo atrás de uma cena a ser registrada. Lá no horizonte, a imagem de uma revoada de pássaros rumo ao crepúsculo.

Itaúna é celeiro das artes. Itaúna tem em seu solo, o húmus fertilizador das artes – umedecido pelas águas calmas do rio São João; donde as musas (travestidas de garças) inspiram e fazem brotar artistas das mais variadas nuances. Humana e pitoresca – como afirmou Pancrácio Fidélis. Pitoresca, artística, bucólica, bela, encantadora... pelas lentes da máquina fotográfica de Adilson Nogueira.

Esse moço – pobre moço – de tantas artes e arteiro também, vem se revelando o guardião do tempo presente. Adilson fotografa, registra, eterniza, emoldura, dignifica, diviniza o bucólico. Adilson fotografa Itaúna. Adilson nos revela Itaúna. Adilson redescobre a cidade e nos dá de presente.

Aquela paisagem ali está. Em sua normalidade cotidiana. Cenas que ninguém vê, pois todos estão imersos no mundo que criaram.... Estão cegos diante do belo, pois só tem visão para aquilo que o sistema lhes permite enxergar. Adilson não. Dá as costas para o real ou o irreal do mundo acinzentado de nossos atropelos e nos oferece dia a dia a Itaúna a nossa volta.

As pessoas, admiradas, logo elogiam a arte do Mago das Lentes. Entretanto, não conseguem e jamais conseguirão ver com os seus olhos o belo do mundo. É como se vissem a foto e não a enxergassem no mundo.

A arte da fotografia é da mais místicas e mágicas. Foto não faz barulho, não tem som, não tem sabor, não tem cheiro, despidas de movimento..., no entanto, o observador ao mirá-la se lhe é dado a capacidade mística de nela mergulhar e quase num transe sentir tudo aquilo presente na realidade estática da foto. É uma viagem. E como em todas as artes, uma vez feita, já não pertence ao artista e sim àquele que a contemplar.

Não precisa de legenda. Terá um milhão de significados tantos quantos forem os seus observadores. Não sabemos que mística tem Adilson. Se é bruxo, anjo ou feiticeiro ou mago...o que sabemos é do encantamento que derrama em suas fotos. Tivemos a sorte de ser por ele fotografados... no emblemático alto do Rosário...Encantado e mistificado estamos todos. Um salve para o Mago das Lentes.   Um salve para a nossa Itaúna – humana e pitoresca...

 

Texto: Professor Luiz Mascarenhas

Organização: Charles Aquino