domingo, outubro 20, 2019

FAMÍLIA TEIXEIRA


Este subsídio genealógico apresenta uma tradicional família itaunense originada de portugueses — OS TEIXEIRAS.
Como imigrantes, chegaram ao Brasil em busca de seus sonhos, trabalho e uma vida melhor. Seus descendentes já estabelecidos em Santana do Rio São João Acima, hoje Itaúna, se casaram nas famílias Alves de Sousa, Herculano Pereira, Nogueira Penido e outros.  


ABREVIATURAS E SIGLAS:
c.c:  casado com
bat.: batismo 
f.: folha
pp: padrinhos
L.: Livro
c.1.c: casado primeira vez com
n.: nasceu 
img.: imagem
CRC: Cartório Registro Civil
f.: faleceu
obi.: óbito
cas.: Casamento
f.: filho
fam.: família


F1: Filho
N1: Neto
B1: Bisneto
T1: Trineto
Q1: Quadrineto



TEIXEIRAS EM ITAÚNA

Joaquim Teixeira Pires (filho legitimo de João Teixeira Camello e Anna Pires) casou em 23/10/1873 em Vila Real, Campeã, Igreja de Santo André, Portugal com Maria Martins Serqueira (filha legitima de Jacintho Rabello Martins e Maria Joaquina de Serqueira), ele com 24 anos, natural desta freguesia e ela com 17 anos natural e batizada na freguesia de S. Sebastião [L. Mat. Vila Real/Campeã/Santo André 1860/1911, f.30 img.32], foram testemunhas José Dias Pinheiro e Joaquim Rodrigues Pinheiro, falecidos na Vila de Trás os Montes em Portugal, pais de:

F.1 José Teixeira Pires, nascido em 02/04/1879 e batizado em 05/04/1879 na Matriz Santo André em Campeã, pp. José Rodrigues de Carvalho e Maria Pires [L. Bat. 1860/1911 f.130 img.132], natural de Aldeia Campeã, Portugal, faleceu em Itaúna aos 27/05/1955 aos 76 anos [L.16-Obi-1952/1956-CRC-Itaúna F.458-Nº5899] casou em 10/10/1901 com Carolina Costa Teixeira (Carolina Gonçalves Teixeira), ela filha legítima de José Joaquim Martins ou José Gonçalves da Costa (filho de Luiz Martins e Maria Gonçalves Mourão) e  Rita da Costa Tereza ( ela filha legitima de Ant° Teixeira da Costa e Anna da Costa), nascida em 27/05/1882, batizada aos 04/06/1882, foram padrinhos João Gonçalves e Maria Custodia natural De Vila Real – Portugal [L. Bat. 1860/1911 f.154 img.156], [L. Mat. 1860/1911 f.91 img.93], e faleceu aos 06/11/1976 em Itaúna [L.23-Obi1975/1978-CRC-Itaúna F.177v-Nº326].

{Obs.: Casamento de José Joaquim Martins e Rita da Costa ocorreu em 15/11/1876 em Campeã conforme acostado no {L. Mat. 1860-1911, Img.40 f. 38} ele com 24 anos, natural da freguesia de Ermello e ela com 23 anos, natural desta freguesia, Pelo Sarcedote Manoel Pinto de Andrade, testemunhas Jacintho Gonçalves e Israel Bias} pais de:


F1N1 - Adelina Teixeira Alves, n. em 30/10/1902 e bat. em 01/11/1902, PP Manoel Gonçalves Mourão e Tereza Diniz, nat. De Vila Real – Portugal [L. Bat. 1860/1911 f.284 img.286], c.c Francisco Alves de Sousa Francisco Alves de Sousa, operário, n. 4/11/1895 em Itaúna (Ver. Fam. Alves de Sousa), pais de:
F1N1B1. Teófilo Alves de Sousa [F.125v-L.11];
F1N1B2. Maria Alves de Sousa, n. 2/8/1925 Itaúna; c.c. Célio César Nogueira (industriário; n. 26/7/1922 Garcias-Itaúna; f. José Esteves Gaia e Avantjour Nogueira) 22/4/1954 Itaúna [F.201v-L.16-Cas-CRC];
F1N1B3. Roberto Alves Teixeira, n. 4/8/1929 Itaúna; escriturário; c.c. Maria do Carmo Silva (depois M.C.Alves Silva; n. 19/8/1932 Igaratinga; f. Bento José Sobrinho e Maria Jacinta Jesus) 12/5/1953 Itaúna [F.54-L.16-Cas-CRC];
F1N1B4. Inês Alves de Sousa, func. pública federal, n. 31/8/1931 Itaúna; c.c. Paulo Gomes (func. público federal; n. 9/5/1924 Gouveia-MG; f. Augusto Paulino Gomes Jr. e Maria Leonor America?) 22/4/1954 Itaúna [F.200v-L.16-Cas-CRC];
F1N1B5. Margarida
F1N1B6. Moema
F1N1B7. João Marimbondo
F1N1B8. José Lucio


F1N2 - Maria da Graça Teixeira, n. 03/01/1905 e bat. 08/01/1905 PP. Maximiano Carvalho e Maria Louvinda, nat. De Vila Real – Portugal [L. Bat. 1860/1911 f.302 img.301] (solteira e sem descendentes).

F1N3 - Clementina Teixeira, n. 14/09/1907 e bat.16/09/1907 PP.Manoel Martins Frade e Clementina Ferreira, nat. De Vila Real – Portugal [L. Bat. 1860/1911 f.320 img.319 c.1.c José Alves Machado (ver. Fam. Alves de Souza) c.2.c Henrique Grau, pais de:
F1N3B1.Maria José Braz Franco c.c Braz Franco pais de:
F1N3B1T1. Ana Maria c.c Albaniz Lucio Guimarães Ribeiro
F1N3B1T2. Cristiane c.c Aurélio Augusto da Silva Campos
F1N3B1T2Q1. Gustavo Franco Campos (ver fam. Campos)
F1N3B1T3. Denize

F1N4 - Dalila Teixeira Machado c.c Antônio (Machado) parente de Wolston, pais de:
F1N4B1. Geralda Inês (faleceu ainda nova)
F1N4B2. América
F1N4B3. Antônio
F1N4B4. Maria Angela
F1N4B5. Eloiza
F1N4B6. Carolina


F1N5 - Rita Teixeira Pereira, f. em 31/12/2008 aos 95 anos, c.c Alberto Herculano Pereira, f. aos 64 anos em 26/12/1970 pais de:
F1N5B1. Angela Regina Herculano Reda, f. aos 51 anos em 16/07/2001.
F1N5B2. Carlos
F1N5B3. Eunice
F1N5B4. Sueli

F1N6 - Isolina Teixeira Machado, nascida em Cardosos, MG em 07/02/1916 e c.c Wolston Alves Machado, nasc. em 21/03/1911 (ver fam. Alves de Souza) em Itaúna aos 15/09/1941, ela f. em 04/11/2008 aos 92 anos, ele faleceu em 20/08/1972. Pais de: [F.110v-L.10-Cas-CRC]; [F.190-L.24-Obi-CRC]; [F.9-L.49-Obi-CRC]; (Ver fam. Alves de Sousa) pais de:
F1N6B1. José Nicomedes Teixeira Machado (f. 03/07/2007 aos 61 anos) c.c com sua prima Janete Soares Machado, n. 17/8/1936 Itaúna, ela filha de Waldomiro Alves Machado e Patrocínia Soares Machado.
F1N6B1T1. Kellen Cristina Machado (n. Campinas em 15/02/1970 e f. em Itaúna 12/07/2004
F1N6B1T2. Marco Aurélio Machado (n. Campinas em 19/06/1971)
F1N6B1T3. Jane Eire Machado (n. Campinas em 27/12/1972) c.c. Alexandre Magno Martoni Debique Campos (ver. Fam. Silva Campos)
F1N6B2. Antônio de Pádua Teixeira Machado (f. em Itaúna 18/02/2000 aos 57 anos)
F1N6B3. Maria Helena Teixeira Machado
F1N6B4. Jorge Teixeira Machado
F1N6B5. Ana Clara Teixeira Machado.

F1N7 - José Teixeira Filho, falecido aos 60 anos em 22/04/1979, enterrado junto aos pais no tumulo 151 quadra 01 ala 08, c.c Amalia, pais de:
F1N7B1. Ralf

F1N8 - Helena Teixeira Nogueira, nascida em 25/04/1922 e falecida em 28/06/1996 aos 74 anos c.c Francisco Nogueira Penido, n. em 1/1/1922 f. aos 80 anos em 07/11/2002, casou em 09/12/1945 (ver f. Nogueira Penido) ele filho de Manoel Zacharias.
F1N8B1. Inês, n. 21/1/1923 e b. 15/7/1923 (L. bat. Itaúna, 1918-1927, Fo. 170) pelo padre João Ferreira, tendo por PP Senocrit Nogueira e Teresa Gonçalves
F1N8B2. Francileno Nogueira Teixeira, f. aos 72 anos aos 26/07/2019 c.c Terezinha Dentista
F1N8B3. José







Túmulo:151  Quadra:01  Ala: 08

João Batista Alves Teixeira
José Teixeira Filho
Carolina da Costa Teixeira
Clementina Teixeira
Maria da Graça


REFERÊNCIAS:
Pesquisa & Elaboração: Alexandre Campos
Colaboradores: Alan Penido, Janete Nicomedes Machado, Albaniz Lucio Guimarães Ribeiro, Charles Aquino e Maria Helena Machado Moreira
Acervo: Janete Nicomedes Machado e Albaniz Lucio Guimarães Ribeiro
Fotografia: Alexandre Campos
Brasão: Wikipédia
Organização & Arte: Charles Aquino

sábado, outubro 19, 2019

CAPELA EM CARNEIROS

Construção da Capela Sagrado Coração de Jesus
Comunidade de Carneiros, Itaúna/MG - Década 1947

Em Carneiros comecei a construção da Capela do Sagrado Coração de Jesus. Celebrei lá a santa missa e com o povo dei início as fundações. Ganhei o terreno, telhas, tijolos.

Procurei logo depois da Semana Santa reunir os elementos representativos de Itaúna para lançar a ideia e organizar imediatamente tudo. Assim fiz e a banda está organizada, sendo o maestro o sr. Oséias Alves de Sousa, com trinta e tantos músicos.

Fiz barraquinhas para aquisição de instrumentos que renderam CR$28.000,00 (vinte e oito mil cruzeiros), ficando 17 mil cruzeiros para a banda e o resto para pagar dívidas da paróquia.

O senhor Hermínio Corradi, o antigo maestro da banda velha, doou à Matriz todos os instrumentos.

Padre José Ferreira Netto



Inauguração da Capela Sagrado Coração de Jesus - Década 1953

 





REFERÊNCIAS:
LIVRO DO TOMBO I: Paróquia de Sant'Ana de Itaúna -  15/09/1902 a 31/12/1947, pág. 100r, 100v. 
ACERVO: Paróquia de Sant'Ana de Itaúna, Prof. Marco Elísio, Charles Aquino
PESQUISA, TRANSCRIÇÃO, ORGANIZAÇÃO E FOTOGRAFIA: Charles Aquino.

quarta-feira, outubro 16, 2019

GUARANY NOGUEIRA

Lei Municipal 3477/99 — CEP: 35681-750
Denomina logradouro público: Distrito Industrial Guarany Nogueira / Rod. MG-050

GUARANY NOGUEIRA

Na rua Silva Jardim, naquele tempo suja, esburacada e cheia de pedras, numa casa antiga, local onde moravam os herdeiros de Cândido Perillo, em 20 de agosto de 1902, nasceu Guarany Nogueira, filho de Manoel Zacharias Nogueira e de Dona Aureslina de Faria Nogueira.
O Guarany tem praticamente a idade do município de Itaúna, instalado a 2 de janeiro de 1902. Presenciou a festa no útero de sua progenitora e deve ter sentido no seu ainda incipiente coração, todas as emoções da jovem mãe. Nasceu oito meses depois. Por isso tano ama Itaúna!
Em 1918 e 1919, transformou-se em representante de gado vacum e suíno. Nas horas vagas, estudava no Externato de Pará de Minas. Em 1920, estabeleceu-se com uma casa de cereais na rua da Ponte. O ano de 1921 foi decisivo em sua vida: trabalhou como quarteio no Hotel Internacional em Belo Horizonte, o melhor e maior da jovem capital. Encarregado de arrumação, gostava das coisas limpas, varria cuidadosamente cada quarto.
Encontrou logo sua verdadeira vocação: Comerciante. Empregou-se na Casa Abras e, até 1925, frequentou a melhor universidade de negócios da época, a rua dos Caetés, constituída principalmente de sírios e libaneses. Passou a viajante comercial da Casa Aziz Abras. Este notável comerciante foi seu grande amigo e protetor.
Conheceu em Santo Antônio do Monte, ainda adolescente, com seus 15 anos, menina-moça, a paixão definitiva de sua vida: Maricas. Aconteceu o primeiro encontro de Guarany com Maricas, sempre acompanhada de amigas. Uma delas, a Pautilha, pianista, tocava sempre para o Magalhães Pinto, também de Santo Antônio do Monte.
Em 10 de abril de 1926, casou-se em Santo Antônio do Monte, onde seu amigo e padrinho Aziz Abras não pode ir, por causa das enchentes do Rio São João em Itaúna. Os trilhos e pontilhões da antiga várzea, inundados, impediram que as “Marias Fumaças” da R.M.V. neles transitassem.
Deste casamento nasceram Guaracy de Castro Nogueira e Eneida Nogueira. Esteve casado e feliz durante 42 anos com Maricas.  Logo após o casamento, Guarany comprou de José Fagundes, na Rua do Rosário, sua casa própria, em 4 de setembro de 1926. Nela montou sua própria loja, adquirindo a parte do Pinheiro, morando nos fundos.
Tornou-se grande acionista das maiores empresas mineiras e, em Itaúna, tem posição de destaque entre os maiores acionistas das Companhias Industrial Itaunense e de Tecidos Santanense. É membro do Conselho Consultivo da primeira e do Conselho Fiscal da segunda.
Em 1950, Itaúna, sem clube, discutia sobre a possibilidade de construir um outro, pois o antigo “Clube Itaunense” desaparecera. Enfrentando opiniões, muitas vezes contrárias, com Vandeir Nogueira e Modestino Gonçalves Franco, construiu, inaugurou e entregou o Automóvel Clube.
Guarany Nogueira, um autêntico itaunense, retrato vivo e sofrido do verdadeiro barranqueiro do Rio São João.

Guaracy de Castro Nogueira

Ano de 1987


 Guarany Nogueira


REFERÊNCIAS:
Organização e Elaboração: Charles Aquino.
Acervo: Instituto Cultural Maria de Castro Nogueira
Acervo e Projetos de Leis dos Logradouros: Câmara Municipal de Itaúna.
Pesquisa: Charles Aquino Patrícia Gonçalves Nogueira.
Correios CEP
Texto biográfico: Guaracy de Castro Nogueira -  JORNAL A VIOLETA,  Ed. Especial, em 20 de agosto de 1987, para comemorar os 85 anos de Guarany Nogueira


quinta-feira, outubro 10, 2019

CONSTRUÇÃO IGREJA MATRIZ

1938

Chegando aqui, encontrei a Egreja Matriz pronpta externamente, mas internamente toda por concluir, estando em funções assim mesmo.

Muito se esforçou e ansiou-se a construção da Egreja Matriz o Coronel João Lima que ficou sendo um benemérito da parochia e Dª Maria Gonçalves de Souza, à Companhia Itaunense e muitas outras pessoas cujo nome me escapa agora.

Os serviços estavam paralisados e logo que cheguei, dei as providências necessárias para a sua continuação, fazendo orações e organizando [...] de esmolas para o prosseguimento dos mesmos serviços estando estes a cargo do engenheiro Dr. Lauro Gonçalves de Souza, Mestres de Obras, o srs. Izaurino [do Vale], sr Antônio Lopes Cançado.

Prosseguem os mesmos regularmente e ajude-nos Deus para que, em futuro não muito remoto, regozijamos realidade a aspiração de todos, que desejam ver Itaúna com um templo condigno.


<O Vigário Padre Waldemar Antônio de Pádua Teixeira>


Ó meu Jesus / Memórias Sonoras e Afetivas


REFERÊNCIAS:
Pesquisa e Organização: Charles Aquino
Livro do Tombo I da Paróquia de Sant'Ana de Itaúna -  15/09/1902 a 31/12/1947, página 50r.
Acervo: Professor Marco Elísio Chaves Coutinho (In Memoriam), Charles Aquino

quinta-feira, outubro 03, 2019

AFOGADELA DO PALHAÇO

Osório FAGUNDES*

Outra passagem relacionada com o Rio São João me foi revelada também por D.ª Clotilde. Ela se casara no ano de 1920 e passara a residir nas proximidades da estação local, hoje, Rua D.ª Cota.

Periodicamente, determinado Circo de Cavalinhos, (como era conhecido pelo povo) dava os seus espetáculos na cidade e era seu costume permanecer aqui boas temporadas. No decorrer do tempo, uma empregada de D.ª Clotilde ficou noiva de um dos palhaços do circo.

Vez por outra, o referido palhaço gostava de tomar banho e nadar no açude do Rio São João, junto aos moinhos de fubá. Certo dia, ele voltara ao referido local para a prática de seu esporte de natação. Constantemente, ele gostava de mergulhar na água, dando as suas braçadas lá pelo fundo do açude.

Numa dessas vezes, ele permaneceu demorando muito debaixo d'água. Alguns meninos que estavam por ali, admirando as proezas do nadador, notando que o palhaço demorava muito a voltar à tona, deram o alarme e dentro de poucos instantes ajuntaram diversas pessoas ao redor daquele represamento d'água.

Alguns dos homens ali reunidos mergulharam na água, a fim de encontrar o corpo do infeliz palhaço. Depois de alguns mergulhos e buscas, acharam-no finalmente, trazendo à tona.

O cadáver foi levado até a pracinha defronte à venda do Serafim. D.ª Clotilde foi também ver o corpo do noivo de sua empregada. Esta ficou inconsolável com a ocorrência, vendo morto o seu noivo.

Ali, ao redor do morto, havia comentários de que o palhaço pulara dentro d'água logo após o almoço, o que lhe ocasionara uma congestão. Comentário comum na boca do povo para explicar tais ocorrências.

A verdade é que o palhaço que fizera rir tantas vezes a criançada da cidade e também adultos foi tragado pelas águas do Rio São João, entregando a sua alma a Deus na terra de Santana! . . . certamente, este seu fim já estava registrado na sua conta corrente do Céu! . . . 

Esta lamentável ocorrência deu-se no ano de 1923.



Texto: *Osório Martins Fagundes (In memoriam). Fragmentos de um Passado, ano 1977, pag. 623.
Organização: Charles Aquino
Acervo: Shorpy

sábado, setembro 21, 2019

HISTÓRIA DA SAÚDE EM ITAÚNA

A assistência à saúde Itaúna (MG)

A formação histórica da assistência à saúde em Itaúna (MG): práticas, instituições e controle social

A história da saúde em Itaúna, município localizado na região centro-oeste de Minas Gerais, permite compreender não apenas a evolução das práticas médicas locais, mas, sobretudo, os modos pelos quais diferentes formas de saber, instituições e relações sociais se articularam na construção de mecanismos de cuidado, controle e exclusão. 

Longe de constituir uma trajetória linear de progresso, a organização da assistência à saúde no município revela tensões entre empirismo e cientificidade, filantropia e institucionalização, bem como entre práticas de cura e dispositivos de disciplinamento social.

Partindo da análise de registros históricos reunidos em iniciativas de memória local, como o acervo digital do blog Itaúna em Décadas, este estudo busca examinar as transformações nas práticas de saúde em Itaúna, desde o período em que ainda era um arraial até a consolidação de instituições hospitalares e políticas sanitárias mais estruturadas ao longo do século XX.

Durante o século XIX, quando Itaúna ainda se configurava como o arraial de Sant’Anna do Rio São João Acima, a assistência à saúde era marcada pela ausência de institucionalização formal. Nesse contexto, predominavam práticas terapêuticas exercidas por boticários, curandeiros e práticos, cujos conhecimentos articulavam elementos da tradição empírica, da farmacologia rudimentar e de concepções herdadas da medicina hipocrática.

As boticas desempenhavam papel central nesse sistema, funcionando como espaços híbridos de atendimento, onde se manipulavam substâncias, realizavam-se orientações terapêuticas e, em muitos casos, intervenções diretas sobre os corpos dos pacientes. 

Procedimentos como sangrias e o uso de sanguessugas eram amplamente empregados, refletindo a permanência de paradigmas médicos pré-científicos, ainda vigentes em diversas regiões do Brasil oitocentista.

Contudo, a distinção progressiva entre o boticário prático e o farmacêutico formado indica o início de um processo de especialização do saber médico, associado à expansão de instituições de ensino e à circulação de novos referenciais científicos. 

Essa transição, embora incipiente, evidencia a inserção gradual de Itaúna em dinâmicas mais amplas de profissionalização da saúde no país.

O início do século XX marca uma inflexão importante na história da saúde em Itaúna, com a presença crescente de médicos formados e a introdução de práticas alinhadas à medicina científica. Profissionais como o médico Hely Nogueira, atuante na década de 1920, exemplificam essa mudança, ainda que em condições materiais limitadas.

Nesse período, os atendimentos médicos eram frequentemente realizados em espaços adaptados, com escassez de instrumentos diagnósticos e terapêuticos. 

Ainda assim, a figura do médico passa a ocupar posição de destaque no tecido social, não apenas como agente técnico, mas como mediador simbólico entre doença, cura e ordem social.

Essa valorização do saber médico está diretamente relacionada à consolidação de um discurso científico que reivindica autoridade sobre o corpo e a doença, contribuindo para a deslegitimação progressiva de práticas consideradas “tradicionais” ou “não científicas”. 

Contudo, esse processo não se deu de forma homogênea, sendo atravessado por resistências, adaptações e permanências.

A criação de instituições hospitalares representa um marco fundamental na organização da saúde em Itaúna. A fundação da Casa de Caridade Manoel Gonçalves de Souza Moreira, cuja pedra fundamental foi lançada em 1916, evidencia o papel central da filantropia e da religiosidade na estruturação dos serviços de saúde.

Antes da consolidação de políticas públicas universais, o atendimento aos enfermos estava fortemente vinculado a iniciativas privadas de caráter assistencial, frequentemente associadas a valores cristãos de caridade e compaixão. 

Nesse modelo, o acesso ao cuidado não se configurava como um direito, mas como um benefício mediado por relações sociais, morais e econômicas.

Tal configuração reforçava hierarquias sociais, distinguindo aqueles que prestavam assistência daqueles que dela dependiam. Ao mesmo tempo, contribuía para a construção de uma cultura de cuidado baseada na solidariedade, ainda que limitada em sua capacidade de alcance e permanência.

A análise da história da saúde em Itaúna também revela o papel das doenças como catalisadoras de práticas de exclusão e controle social. A lepra, atualmente denominada hanseníase, constitui um exemplo emblemático nesse sentido.

Marcada por forte estigmatização, a doença gerava medo coletivo e implicava profundas consequências sociais para os indivíduos acometidos, incluindo isolamento, perda de vínculos econômicos e marginalização. 

A resposta institucional a esse problema frequentemente se dava por meio de políticas de segregação, como o encaminhamento de doentes para colônias especializadas, a exemplo da Colônia Santa Isabel, inaugurada em 1931.

Essas práticas não podem ser compreendidas apenas como estratégias sanitárias, mas como dispositivos que articulavam saber médico, poder estatal e normas sociais na regulação dos corpos. Nesse contexto, a saúde pública se configurava também como instrumento de disciplinamento, definindo limites entre normalidade e desvio.

A trajetória da saúde em Itaúna evidencia um processo complexo, estruturado por disputas entre saberes, desigualdades de acesso e práticas de disciplinamento social, no qual práticas empíricas, saberes científicos, instituições filantrópicas e políticas sanitárias se entrelaçam na construção de formas de cuidado e regulação social.

Ao invés de uma narrativa linear de progresso, o que se observa é a coexistência de diferentes modelos de assistência, marcados por disputas de legitimidade, desigualdades de acesso e tensões entre inclusão e exclusão. 

Nesse sentido, a história da saúde no município oferece um campo privilegiado para a análise das relações entre medicina, sociedade e poder, contribuindo para uma compreensão mais ampla das dinâmicas históricas que moldaram o cuidado com o corpo e a doença no Brasil.

A assistência à saúde em Itaúna MG


PRESERVARÇÃO PATRIMONIAL DA SAÚDE

Referências:
Imagem:
Reconstituição visual ilustrativa gerada por Inteligência Artificial, inspirada nas primeiras salas de operação e nos ambientes hospitalares de Itaúna ao longo do início do século XX, com base em referências históricas sobre a organização da assistência à saúde no município.

A imagem não corresponde a um registro histórico, mas sim a uma interpretação artística que busca evocar a saúde, o cuidado e as condições materiais da prática médica da época, os instrumentos disponíveis, a configuração dos espaços hospitalares e as dinâmicas de atenção e intervenção sobre o corpo. 

Procura-se, assim, representar o contexto em que se estruturavam as práticas cirúrgicas, evidenciando tanto os avanços técnicos quanto as limitações e os desafios enfrentados pelos profissionais de saúde no cenário local.