sábado, abril 19, 2025

LIBERTOS EM PITANGUI XVIII

ESCRAVOS EM PITANGUI XVIII
Descubra como ex-escravos moldaram a economia no coração de Minas Gerais colonial! Na edição nº 11 da Revista GALO (jan./jun. 2025), o historiador Charles Galvão de Aquino assina o artigo: “Práticas Creditícias: dinâmicas de poder entre libertos em Pitangui no século XVIII”.
Nesta análise minuciosa, o historiador revela como libertos — muitos deles trazidos da África pelo tráfico escravista — participaram ativamente do mercado de crédito na vila de Pitangui. 
O texto mostra que, mesmo após a experiência do cativeiro, essas pessoas exerceram papéis centrais como credores e devedores, demonstrando notável capacidade empreendedora ao oferecer empréstimos, comercializar produtos e construir reputações que garantiam acesso ao crédito.
Mais do que simples sobrevivência, a atuação desses agentes revela formas complexas de inserção social, poder e mobilidade, que incluíam inclusive a aquisição de cativos. Um retrato revelador da contribuição dos libertos para a sustentação das estruturas econômicas e sociais da sociedade colonial.

O artigo nos revela a participação de ex-escravos nas práticas creditícias em Minas Gerais. Considerando que os personagens que aparecem como credores e devedores nos processos de dívidas que o autor analisa eram pessoas que viveram a escravidão, muitos chegados ao Brasil pela migração forçada do tráfico, sua atuação no mercado de crédito demonstra uma incrível capacidade empreendedora, tanto ao fornecer empréstimos ou produtos e serviços à crédito, quanto ao construir reputação para tomar dinheiro emprestado.
Como corolário dessa competência, o autor mostra que egressos do cativeiro frequentemente adquiriram escravos e conclui que os libertos desempenharam um papel essencial na sustentação das relações econômicas e sociais da vila mineira de Pitangui, no século XVIII”.

Curiosidade histórica: O arraial de Santana do Rio São João Acima — atual município de Itaúna/MG — integrava, no século XVIII, a jurisdição da vila de Pitangui, estando sujeito às suas autoridades civis, eclesiásticas e judiciárias.

REVISTA GALO - ED.11/2025

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Dossiê: Formas de liberdades e vidas de libertos no escravismo atlântico

Ano 6, nº 11 – jan./jun. de 2025 – doi: https://doi.org/10.53919/g11

Organização Dr. Afonso de Alencastro Graça Filho; Me. Bruno Martins de Castro e Dr. Carlos de Oliveira Malaquias

O sucesso da historiografia sobre escravidão e liberdade tem demonstrado que as diversas estratégias empreendidas por africanos e seus descendentes – como a alforria, a fuga ou revolta, ou a demanda à justiça – correspondiam a variadas experiências de autonomia, seja como produtor independente, trabalhador subordinado, foragido ou diversas outras formas mais ou menos precárias de liberdade.

Partindo dessas e de tantas outras questões que a temática proposta enseja, objetivamos congregar aqui trabalhos de pesquisa que possam explorar a riqueza e a complexidade das relações sociais, econômicas e políticas que pautaram e conformaram as diversas experiências de escravidões e liberdades no escravismo atlântico, ao longo de sua história. Fitar essa realidade, acima de tudo, permite-nos compreender e problematizar muito daquilo que nos tornamos. Afinal, a intolerância, as desigualdades e o racismo, marcas deletérias de nosso tempo, possuem raízes históricas profundas e sua superação não se dará sem conhecermos os caminhos trilhados até aqui.


Freed People in Pitangui: Economy and Society in 18th-Century Colonial Brazil

During the eighteenth century, the region of Pitangui, in Minas Gerais (Portuguese America), was characterized by dynamic social and economic interactions shaped by the broader context of colonial expansion and the gradual decline of gold mining.

Within this setting, formerly enslaved individuals—commonly referred to as freed people—played a significant and often underestimated role in local society. Far from occupying marginal or passive positions, they actively participated in economic exchanges, social networks, and legal practices.

Evidence from historical studies shows that freed individuals were integrated into a wide range of economic activities, including trade, credit relations, and even slave ownership. Their participation reveals a complex social reality in which freedom did not necessarily imply exclusion, but rather a reconfiguration of roles within the colonial hierarchy.

The village of Pitangui functioned as an important regional center, where diverse groups—including merchants, landowners, enslaved individuals, and freed populations—interacted within a structured yet flexible social system. Judicial and administrative institutions provided spaces in which these interactions could be negotiated and formalized.

In this context, freed people contributed significantly to the maintenance of local economic and social relations. Their involvement in credit systems, commercial exchanges, and community life demonstrates that they were active agents in shaping the colonial order, rather than merely subjects of it.

Moreover, the historical connection between Pitangui and surrounding regions—such as the area that would later become the municipality of Itaúna—highlights the broader territorial networks in which these dynamics unfolded.

Understanding the role of freed populations in Pitangui allows for a more nuanced interpretation of colonial Brazilian society, emphasizing the importance of agency, adaptation, and social negotiation within a system marked by inequality and hierarchy.

sábado, abril 05, 2025

CANSADA

ESCRITORAS EM ITAÚNA MG

Vivemos num tempo em que parecer forte é mais importante do que ser verdadeiro. Ser cansado virou fraqueza. Pedir ajuda virou drama. Mas e quando o silêncio grita por dentro?

Este poema é sobre isso: sobre o peso de ser forte o tempo todo. Sobre fingir que dá conta, enquanto desmorona por dentro.

Sobre uma sociedade que exige produtividade, mas nega cuidado, escuta e humanidade. 

"Cansada" é um poema que não pede licença. Ele chega como um grito abafado, uma lágrima escondida,

uma verdade que muita gente sente, mas não consegue dizer.

 Ler este poema é também fazer uma escolha: de não romantizar a resistência, e de lembrar que sentir também é uma forma de existir.

Charles Aquino


CANSADA

Cansada de ouvir discursos prontos,

E de responder com educação.

Cansada de calar diante da injustiça,

E de gritar no vazio da multidão.

 

Cansada de fingir que está tudo bem,

Enquanto o mundo pesa sobre os ombros.

Cansada de sorrir para agradar,

E de engolir a própria dor pra não incomodar.

 

Cansada de esperar que algo mude,

Enquanto tudo exige que eu mude primeiro.

Cansada de agir como se tivesse forças,

Quando já me roubaram até o suspiro.

 

Cansada da esperança que vendem,

Como se fosse moeda de troca.

Cansada do trabalho que me suga,

E do retorno que nunca vem.

 

Cansada de sonhar com justiça,

E acordar com a mesma miséria de sempre.

Cansada das promessas dos que mandam,

E da apatia dos que seguem.

 

Cansada de andar com passos firmes,

Só porque esperam firmeza de mim.

Cansada de seguir, sem saber pra onde,

Porque parar virou sinônimo de fraqueza.


Cansada da dor disfarçada em produtividade,

Do alívio vendido em gotas e frases feitas.

Cansada de continuar,

Porque desistir não é uma opção permitida.

 

Cansada de acreditar que mudar depende só de mim,

Quando tudo está armado contra quem nasce com menos.

Cansada da pobreza romantizada,

E da abundância que se gaba de ser meritocrática.

 

Cansada da guerra diária por dignidade,

E da paz que só chega nos discursos de campanha.

Cansada de ser forte todos os dias,

Quando o mundo nunca foi gentil com os fracos.

 

Cansada, sim.

Mas não vencida.

A verdade é:

ninguém deveria precisar ser tão forte assim.

E isso… isso não é só cansaço.

É denúncia.

 

Escritoras Contemporâneas em Itaúna: Lótus Negra

 Elaboração: Charles Galvão de Aquino

Ilustração criada com IA, inspirada no conteúdo do texto. 

sexta-feira, abril 04, 2025

ITAUNENSE MODERNISTA

HISTORIADOR JOÃO DORNAS FILHO

Minas também foi moderna: a história esquecida do modernismo fora de São Paulo

Quando se fala em modernismo no Brasil, quase sempre o foco recai sobre a Semana de Arte Moderna de 1922, em São Paulo. É como se tudo tivesse começado ali, com Mário de Andrade, Oswald e companhia. 

Mas será que é justo contar essa história como se outros estados fossem apenas plateia? Minas Gerais, com sua tradição literária riquíssima, também teve papel fundamental nesse movimento e já passou da hora de darmos a devida atenção a isso.

Em seu artigo “O modernismo mineiro” de 1970 do “suplemento Literário” paulista, o crítico e Professor Fábio Lucas nos convida a olhar para o modernismo sob outro ângulo.

 Ele se apoia em estudos do sociólogo Fernando Correia Dias para mostrar que o modernismo mineiro não foi uma simples réplica do paulista. Pelo contrário: teve vida própria, personalidade forte e raízes bem fincadas no solo mineiro.

Antes mesmo de 1922, autores mineiros como João Alphonsus e Ronald de Carvalho já estavam experimentando formas novas de expressão literária. Em 1921, a obra Panóplia, de Carvalho, já trazia o frescor do novo em um momento em que o modernismo paulistano ainda se organizava. Ou seja, enquanto os refletores ainda nem tinham sido ligados em São Paulo, Minas já respirava modernidade.

Mas o que torna o modernismo mineiro tão especial não é apenas sua cronologia. É a forma como os escritores mineiros conseguiram integrar a tradição local à ousadia estética. Eles não queriam romper com tudo, mas sim reinterpretar com espírito crítico e linguagem nova  aquilo que fazia parte da alma mineira. 

Um exemplo marcante é a revista Leite Crioulo, idealizada pelo itaunense João Dornas Filho com colaboração de jovens como José de Guimarães Alves. A publicação foi ousada, provocativa, e acabou sendo censurada em 1929, sinal claro de que mexeu com estruturas conservadoras.

Ainda assim, por que essa história ficou esquecida? Talvez porque os mineiros não fizeram tanto barulho. O modernismo em Minas foi mais silencioso, mais profundo, menos performático e talvez por isso tenha sido deixado de lado pelas narrativas mais convencionais. Fábio Lucas questiona justamente isso: por que insistimos em contar uma história do modernismo tão centrada em São Paulo, quando há tanta riqueza criativa em outras regiões?

Em suma, revisitar o modernismo mineiro é mais do que um exercício de memória é um gesto de justiça literária. É reconhecer que a modernidade no Brasil sempre foi plural, diversa e profundamente enraizada nas realidades regionais. Autores como João Dornas Filho, Rosário Fusco, Aquiles Vivacqua, Guilhermino César e Francisco Inácio Peixoto merecem estar no mesmo panteão daqueles que transformaram a literatura brasileira. E mais: merecem ser lidos, discutidos e redescobertos ao lado dos modernistas mineiros já consagrados como Carlos Drummond de Andrade, Murilo Mendes, Pedro Nava, Cyro dos Anjos, Abgar Renault e outros (grifo meu).

No fim das contas, valorizar o modernismo mineiro é valorizar a diversidade cultural do Brasil. É perceber que nossa identidade literária não cabe em um só palco. Minas também foi moderna  e talvez tenha sido moderna à sua maneira, com silêncio, sutileza e força. E isso, convenhamos, é muito mais interessante do que uma história contada pela metade.


Quem é Fábio Lucas?

Fábio Lucas foi um renomado crítico literário, ensaísta e professor mineiro. Autor de dezenas de livros sobre literatura brasileira, especialmente sobre a literatura mineira, ele foi membro da Academia Mineira de Letras (Cadeira 22/1931) e teve atuação destacada na valorização de vozes regionais na crítica literária. Sua obra é marcada por uma visão crítica e plural da cultura nacional, sempre buscando destacar autores e movimentos esquecidos ou marginalizados pela historiografia tradicional.

 Saiba mais 


Referências:

Pesquisa e elaboração: Charles Galvão de Aquino

Jornal Suplemento Literário, São Paulo, 30 de maio 1970, p.4, Ed.672.

Hemeroteca Digital Brasileira – Biblioteca Nacional 

terça-feira, abril 01, 2025

MANOELZINHO & COTINHA

HISTÓRIA HOSPITAL DE ITAÚNA MG
Conheça o Legado que Transformou Itaúna!

Você já ouviu falar de Manoel Gonçalves de Souza Moreira e Dona Cota?
Eles não foram apenas nomes da história — foram símbolos de amor ao próximo, fé e generosidade que marcaram gerações em Itaúna.

Fundadores da Casa de Caridade Manoel Gonçalves e do Orfanato São Vicente de Paulo, seu legado vive até hoje, inspirando novas ações e tocando vidas.

Assista ao vídeo especial que preparamos e emocione-se com essa linda trajetória de solidariedade, coragem e visão!


Elaboração: Charles Aquino

Apoio: Guaracy de Castro Nogueira (In memoriam)


quinta-feira, março 27, 2025

PRESERVAR X DEMOLIR (VI)

HISTÓRIA DA SAÚDE EM ITAÚNA MG
 

Temos diante de nós uma chance especial de preservar um marco da nossa história: o Antigo Hospital, a Casa de Caridade Manoel Gonçalves de Souza Moreira, também conhecida como Santa Casa de Itaúna, em Minas Gerais.

Este prédio, que por tantos anos foi sinônimo de cuidado e acolhimento para nossa comunidade, hoje necessita de nossa atenção/participação para ser restaurado e continuar vivo, contando as histórias de gerações passadas e inspirando as futuras.

A restauração do Antigo Hospital vai além de uma simples obra. É um resgate do nosso patrimônio material e imaterial, uma forma de manter viva a memória de quem somos como povo. 

Imagine caminhar pelas ruas de Itaúna, passar em frente a esse edifício restaurado e sentir o orgulho de saber que você fez parte dessa transformação. Cada pessoa que contribui, independentemente do valor, torna-se peça essencial nessa missão histórica.

A obra de restauração do Antigo Hospital está sendo realizada com verba específica do Patrimônio Histórico Tombado, direcionada pelo Ministério Público, por parlamentares e empresários comprometidos com a preservação desse importante patrimônio. 

No entanto, para que possamos concluir esse grande feito, garantindo um legado para a saúde de Itaúna e região, toda ajuda é bem-vinda!

Qualquer quantia importa! Seja um real ou mais, cada doação é um passo adiante na reconstrução deste símbolo da nossa cidade. Não é o tamanho do gesto que conta, mas o coração colocado nele. 

Juntos, com a soma de pequenas e grandes contribuições, podemos devolver ao Antigo Hospital sua dignidade e garantir que ele continue sendo um orgulho para todos nós.

Para facilitar sua participação, aqui estão os dados para doação:

Banco Sicoob: 4101 -  Conta: 5588001-0

Chave PIX: CNPJ Hospital Manoel Gonçalves 2125450570001-97

Doe hoje e seja parte deste resgate histórico. Vamos unir forças para transformar o Antigo Hospital em um legado renovado, um testemunho do amor e da união da nossa comunidade.

 Com gratidão,

Charles Aquino  — Historiador - Registro Nº 343/MG

PRESERVAR X DEMOLIR (PARTE VII)




domingo, março 23, 2025

ITAÚNA PANORÂMICA XX

HISTDÓRIA MUNICÍPIO DE ITAÚNA MG

A fotografia panorâmica de Itaúna/MG, datada da primeira década do século XX, é mais que uma simples imagem; é um testemunho silencioso da cidade que florescia, imortalizada no instante em que a modernidade começava a desenhar novas linhas na história. 

O cenário retratado revela uma Itaúna jovem, mas já marcada por traços profundos de sua identidade, preservados até os dias de hoje. Essa imagem carrega a memória de seus cidadãos e das gerações que ajudaram a construir o município.

Ao fundo, destaca-se a imponente antiga Igreja Matriz de Santana, com seu Cruzeiro erguido no alto. Suas paredes centenárias, testemunhas de inúmeras celebrações, mesmo após a demolição, permanecem vivas na memória da cidade. 

No mesmo local, ergue-se hoje a nova igreja, que continua sendo um ponto de encontro da fé e da esperança em Itaúna.

O Cruzeiro, fincado ali, permaneceu firme por muito tempo como símbolo de resistência e devoção — assim como a própria cidade, que, apesar das transformações, preserva em seu coração os valores e crenças que moldaram sua gente.

O imponente Casarão dos Lima, situado na Rua Silva Jardim, reflete a força econômica e a influência de famílias proeminentes. Suas portas e janelas antigas, que já viram tantos passantes, mantêm viva a conexão com o passado. Cada detalhe daquela construção conta histórias de conquistas e desafios de um município que, por meio da força de seus habitantes, foi ganhando relevância no cenário regional.

A Estação Ferroviária se impõe como símbolo de uma época em que o trem era o motor da modernidade. O som do apito da locomotiva, que no passado cortava o ar da cidade, ainda ecoa na memória de quem viveu aquele período de crescimento e integração.

No centro da imagem, o Grupo Escolar, hoje Escola Municipal Augusto Gonçalves, representa um marco na história educacional de Itaúna. Desde sua construção, tem sido peça fundamental na formação de gerações de cidadãos que contribuíram para o progresso local. Seus tijolos, como os das demais edificações da época, carregam o peso de um passado que, por mais distante que pareça, segue intimamente ligado à identidade dos itaunenses.

Mais ao longe, a Capela de São Miguel, localizada no centro do Cemitério Velho, ergue-se como guardiã da memória dos que partiram, mas deixaram um legado eterno. Singela e serena, reflete a espiritualidade de um povo que, mesmo nos momentos mais difíceis, sempre encontrou consolo e esperança.

Por fim, a Companhia Industrial Itaunense surge como um dos grandes símbolos do progresso e da revolução industrial que marcou o início do século XX. Suas fábricas, movimentadas pelas mãos de inúmeros trabalhadores, não apenas impulsionaram a economia local, mas transformaram Itaúna em um polo de produção e inovação.

Essa fotografia panorâmica não é apenas um registro do espaço, mas uma verdadeira cápsula do tempo. Ao ser observada nos dias atuais, transporta-nos a um passado de suor, fé, luta e esperança. É o retrato de uma Itaúna do início do século XX que, com coragem e determinação, pavimentou o caminho para o futuro. Suas construções permanecem como símbolos vivos de uma história que não será esquecida, mas sempre lembrada por todos aqueles que amam esta cidade.

Com um olhar mais atento, certamente ainda há muitos outros registros a serem descobertos, cada um dialogando com nossa história.


Pesquisa, arte e elaboração: Charles Aquino

Acervo: Guaracy de Castro Nogueira (In Memoriam)

quinta-feira, março 20, 2025

MISSA TRADICIONAL

A Igreja Matriz de Sant’Ana, localizada no coração de Itaúna/MG, é um marco da história e do desenvolvimento do município. Símbolo de fé e tradição, a Matriz tem sido, ao longo dos anos, o cenário de importantes celebrações religiosas que reúnem a comunidade itaunense. 

A missa, como expressão de devoção e encontro, sempre teve papel central na vida dos fiéis.

Em anexo, apresentamos uma fotografia que registra um momento especial da celebração da tradicional missa na década de 1960, preservando a memória litúrgica e cultural da cidade.

Esse registro histórico permite vislumbrar a vivência religiosa da época e a importância da Igreja Matriz de Sant’Ana como ponto de referência para gerações de itaunenses.

Antes do Concílio Vaticano II (1962-1965), a Missa Católica era tradicionalmente celebrada em latim, com  o sacerdote voltado de costas para os fiéis, seguindo a orientação ad orientem (voltado para o Oriente). Esse posicionamento não significava um afastamento do povo, mas sim uma forma simbólica de todos – padre e fiéis – estarem juntos em oração na mesma direção, voltados para Deus (GUÉRANGER, 2005).

A tradição de celebrar voltado para o Oriente remonta aos primeiros séculos do Cristianismo. Para os cristãos antigos, o Oriente tinha um profundo significado espiritual, pois era associado à luz, à ressurreição e à Segunda Vinda de Cristo, que, segundo algumas interpretações bíblicas, viria do Leste (RATZINGER, 2004). Essa prática foi mantida e oficializada na Missa Tridentina, instituída pelo Concílio de Trento (1545-1563) e codificada pelo Papa São Pio V em 1570.

Além disso, na teologia litúrgica tradicional, o altar era visto como o ponto central da celebração, onde se realizava o Sacrifício Eucarístico. O padre, agindo in persona Christi (na pessoa de Cristo), oferecia o sacrifício a Deus Pai, e a posição ad orientem reforçava essa ideia de direção para o divino, em vez de uma relação meramente horizontal entre o padre e a assembleia (BOUYER, 2017).

Com as reformas litúrgicas do Concílio Vaticano II, buscou-se uma maior participação dos fiéis na celebração. Assim, a Missa passou a ser rezada na língua local, e o altar foi reorganizado para permitir que o sacerdote ficasse voltado para a assembleia (versus populum). Essa mudança visava tornar a liturgia mais acessível e envolvente, destacando a Eucaristia como um banquete comunitário, além de um sacrifício (GAMBER, 1993).

O Papa Bento XVI, por meio do motu próprio Summorum Pontificum (2007), ampliou a permissão para a celebração da Missa na forma tradicional. No entanto, em 2021, o Papa Francisco revogou essa medida com o documento Traditionis Custodes, restringindo o uso do rito tridentino. Desde então, a celebração da Missa Tridentina só é permitida com a autorização do bispo diocesano, que, por sua vez, deve obter permissão direta de Roma para concedê-la (FRANCISCO, 2021).

Assim, a mudança na posição do sacerdote e as recentes decisões papais refletem não apenas uma adaptação litúrgica, mas também diferentes ênfases teológicas sobre a forma como os fiéis se relacionam com a celebração eucarística ao longo da história da Igreja.


 Referências

Organização, arte e pesquisa: Charles Galvão de Aquino – Historiador  Registro nº 343/MG

BOUYER, Louis. A Eucaristia: Teologia e Espiritualidade da Oração Eucarística. South Bend: University of Notre Dame Press, 2017.

FRANCISCO. Carta Apostólica Traditionis Custodes (Guardiões da Tradição). Vaticano, 2021. Disponível em: https://www.vatican.va. Acesso em: 4 mar. 2025.

GAMBER, Klaus.  A Reforma da Liturgia Romana: Seus Problemas e Contexto.San Juan Capistrano: Una Voce Press, 1993.

GUÉRANGER, Prosper. A Santa Missa. Loreto Publications, 2005.

RATZINGER, Joseph. O Espírito da Liturgia. San Francisco: Ignatius Press, 2004. 

sexta-feira, março 14, 2025

MAIS OU MENOS DIAS?

"Hoje seria mais um, ou menos um dia em nossas vidas?"—tal indagação, revestida de aparente simplicidade, encerra uma profunda inquietude acerca da própria existência. 

Ao questionar se cada dia transcorrido representa uma soma ou uma subtração em nossa trajetória, a frase lança-nos em um labirinto de reflexões sobre a temporalidade, a finitude e o valor que atribuímos ao decurso das horas. 

A resposta, contudo, não se encontra na matemática impassível dos calendários, mas na maneira como optamos por habitar o presente.

Sob a ótica da vida como acréscimo, cada dia se revela como uma oportunidade singular: um novo ensejo para aprender, amar, criar ou transformar. 

Nesta perspectiva, o tempo desponta como um aliado generoso, um solo fértil onde semeamos memórias e colhemos experiências. A cada alvorecer, somos presenteados com a consciência de estarmos vivos, celebrando a existência como uma jornada de expansão, em que cada instante se converte em semente do porvir.

Em contrapartida, se concebermos a vida como uma subtração, cada dia constitui um degrau a menos na ascensão rumo ao inexorável final. Nesse cenário, a morte transforma o tempo em uma ampulheta implacável, e cada grão de areia que se esvai reitera a efemeridade de todas as coisas. 

Ainda que essa visão se apresente carregada de uma melancolia sombria, ela não precisa semear o desespero; pelo contrário, pode instigar-nos a viver com um propósito, recordando as palavras de Sêneca: "Não é que temos pouco tempo, mas que desperdiçamos muito." Aqui, o "menos um" emerge não como derrota, mas como um alerta para que não deixemos os dias escaparem desprovidos de significado.

A dualidade entre "mais um" e "menos um" evidencia, pois, que o tempo transcende sua mera quantificação objetiva, constituindo uma experiência eminentemente subjetiva. Para Henri Bergson, o tempo cronológico—rigorosamente medido pelos relógios—distingue-se radicalmente do tempo vivido, a chamada duração, que se modula conforme a intensidade e o peso emocional de cada momento. 

Assim, um único dia pode revelar-se uma eternidade quando permeado pela paixão, pela dor ou pela descoberta, ou dissipar-se como um breve sopro se atravessado pela indiferença. Dessa forma, a indagação inicial desdobra-se: o que importa não é a contagem dos dias, mas a forma como os tornamos dignos de serem lembrados.

No âmago desta reflexão está o "hoje", termo que ancorou a pergunta e sublinha a urgência do presente. O pretérito já se converteu em história, o futuro se apresenta como uma promessa incerta, mas o presente é o único território onde a vida se desvela em sua plenitude. 

É nele que decidimos se este dia se transmutará em "mais um" na rotina da repetição, em "menos um" na contagem regressiva da ansiedade, ou se, quiçá, transcenderá a lógica numérica, assumindo a singularidade de um instante inefável. Conforme preconizava o existencialismo, o sentido não está predeterminado: somos nós os artífices do significado por meio das escolhas que fazemos no agora.

Em última análise, a pergunta não demanda uma resposta definitiva, mas um posicionamento existencial. Ela convoca-nos a renunciar à ilusão de domínio sobre o tempo e a abraçar a ambiguidade inerente à existência. 

Se um dia é ganho ou perdido, tal veredicto depende menos do destino e mais da profundidade com que o vivenciamos. Como asseverou Fernando Pessoa, "tudo vale a pena se a alma não é pequena." Assim, a verdadeira medida de um dia talvez não resida na aritmética das adições e subtrações, mas na audácia de transmutá-lo em algo que desafie qualquer quantificação—um instante, por ter sido vivido em sua totalidade, que se eterniza no tempo."

"Escritoras Contemporâneas" ✅

Lótus Negra

Arte e design: Charles Aquino

Ilustração criada com IA, inspirada no conteúdo do texto.  

 

REMIÇÃO PELA LEITURA

SISTEMA PRISIONAL APAC - LEITURA

APAC ITAÚNA/MG

O Projeto "Remição pela Leitura" consiste em proporcionar ao recuperando quitar parte de sua pena através da leitura mensal de uma obra literária, clássica, científica ou filosófica, dentre outras.

A Constituição Federal enfatiza a responsabilidade social, destacando a Dignidade da Pessoa Humana e Cidadania como fundamentos do Estado Democrático de Direito, e que estes direitos devem ser estendidos àqueles em situação de privação de liberdade, sempre partindo da premissa que seus direitos fundamentais não foram suspensos e devem ser resguardados.

Dessa forma, o TJMG instituiu o Projeto "Remição pela Leitura" nas unidades prisionais do estado de MG, como meio de viabilização da remição de pena por estudo, prevista na Lei Federal n° 7.210, de 11 de julho de 1984 (A remição de pena por leitura de livros permitirá a redução de até 48 dias de pena a cada 12 meses). 

Como exemplo, o projeto/parceria foi adotado pela Associação de Proteção e Assistência aos Condenados- APAC de Itaúna/MG (Masculino e Feminino), reforçando seu compromisso com a ressocialização e a reintegração dos recuperandos.

O Projeto "Remição pela Leitura" consiste em proporcionar ao recuperando quitar parte de sua pena através da leitura mensal de uma obra literária, clássica, científica ou filosófica, dentre outras. A remição da pena é o abatimento dos dias e horas de trabalho ou de estudo do tempo total de condenação do preso.

Resolução Conjunta SEDS/TJMG nº 204/2016 regulamentou o funcionamento desse projeto.

QUEM PODE PARTICIPAR?

Os recuperandos do Sistema Prisional do Estado de Minas Gerais, inclusive nos casos de prisão cautelar, poderão participar das ações do Projeto "Remição pela Leitura", sendo preferencial o atendimento àqueles que ainda não têm acesso ou não estão matriculados no Ensino Formal, Educação Profissional e Trabalho, ofertados e disponibilizados nas Unidades Prisionais do Estado de Minas Gerais.

COMO PARTICIPAR?

A participação do recuperando no Projeto "Remição pela Leitura" será voluntária, mediante inscrição no Núcleo de Ensino e Profissionalização - NEP nas respectivas Unidades Prisionais.

O recuperando que participar das ações no Projeto "Remição pela Leitura" deverá:

I - Realizar a leitura de uma obra literária, clássica, científica ou filosófica, dentre outras; e II - elaborar uma resenha que será corrigida e avaliada pela Comissão Organizadora.

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) estabeleceu que o prazo de leitura de cada obra deve ser de 21 a 30 dias. Cada resenha aprovada pode remir até quatro dias de pena.

Após a aprovação, a resenha será encaminhada ao Juiz responsável pela execução da pena, para análise sobre a concessão da remição ao recuperando.

COMISSÃO ORGANIZADORA DA "REMIÇÃO PELA LEITURA":

As obras serão previamente selecionadas pela Comissão Organizadora - Remição pela Leitura, a ser instituída nas Unidades Prisionais do Estado de Minas Gerais.

A Comissão Organizadora - Remição pela Leitura será composta por, no mínimo, 3 integrantes:

I - Um profissional com nível de escolaridade superior, preferencialmente graduado em Letras; II - um profissional com qualquer graduação superior; III - um profissional do NEP.

A Comissão será presidida preferencialmente pelo profissional graduado em Letras e, na ausência deste, será presidida por profissional com qualquer graduação superior.

Os integrantes assinarão um termo de ciência advertindo da possibilidade de caracterização de crime, na hipótese de se atestar com falsidade um pedido de remição de pena.

COMPETÊNCIAS:

I - relacionar as obras literárias, clássicas, científicas, filosóficas, dentre outras, que compõem o acervo do Projeto "Remição pela Leitura"; II - diversificar, anualmente, os títulos das obras do acervo do Projeto "Remição pela Leitura"; III - orientar os recuperandos do Projeto "Remição pela Leitura" sobre como escrever, reescrever textos e síntese do conteúdo para a elaboração da resenha; IV - corrigir a versão final das resenhas; V - emitir declaração quando solicitada, relativa à leitura das obras literárias, clássicas, científicas, filosóficas, dentre outras, contendo: nome das obras literárias lidas, nota obtida na resenha e quantidade de dias a serem remidos. Esta declaração atestará a participação do recuperando no projeto "Remição pela Leitura". 

Referência:

Pesquisa, arte e elaboração: Charles Galvão de Aquino – Historiador  Registro nº 343/MG

TJMG - TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE MINAS GERAIS - Projeto Remição pela Leitura

SENADO FEDERAL - NOTÍCIAS

VEJA MAIS:

AESP - Academia Estadual de Segurança PúblicaIntrodução às Normas e aos Procedimentos para Docentes atuantes no Sistema Prisional de Minas Gerais.

APAC / ITAÚNA: UTILIDADE PÚBLICA

sábado, março 08, 2025

MULHERES NOTÁVEIS

MULHERES PROTAGONISTAS EM ITAÚNA MG

Mulheres notáveis em Itaúna

Prestamos homenagem às mulheres notáveis em Itaúna, Minas Gerais, que, com coragem, dedicação e resiliência, moldaram a história da cidade em áreas como educação, saúde, filantropia, resistência, cultura e tradição. Este texto celebra a diversidade e contribuições e reforça a importância de seu legado para as gerações atuais e futuras.

 Mulheres de Fé e Serviço

Irmã Benigna Victima de Jesus: Madre superiora da Casa de Caridade Manoel Gonçalves de Souza Moreira por 12 anos, liderou as Irmãs Auxiliares da Piedade desde sua chegada a Itaúna em 1945. 

Sob sua gestão, o hospital ofereceu serviços médicos internos, administração exemplar e atendimentos gratuitos na policlínica, trazendo esperança aos necessitados. Sua missão em Itaúna terminou em 1948, mas seu impacto na saúde e espiritualidade da comunidade permanece vivo.

 Educadoras que Transformaram Gerações

A educação em Itaúna foi profundamente marcada por mulheres que dedicaram suas vidas ao ensino, enfrentando desafios e deixando legados duradouros:

Professora Elsa Nogueira Gomide: Normalista e funcionária pública, superou preconceitos para se tornar influente na educação. Atuou no Ministério da Educação e assegurou verbas federais para a Universidade de Itaúna, um marco educacional.

Professora Thereza Juliano Boza Campos: Nascida em 1934, lecionou por mais de 20 anos em cidades como Santos Dumont e Itaúna, incluindo a Universidade de Itaúna, com paixão e compromisso.

Professora Gilka Drumond de Faria: Iniciou sua carreira aos 16 anos na zona rural e dedicou 49 anos à educação. Como professora e diretora, inspirou suas filhas a seguirem o magistério, sendo homenageada com a Escola Estadual Professora Gilka Drumond de Faria.

Professora Celuta das Neves: Nascida em 1885, formou-se em Mariana e lecionou até 1942, oferecendo aulas particulares até sua morte em 1968. Afrodescendente, foi um farol de sabedoria, recebendo o título de Cidadã Honorária em 1965 e a homenagem da Escola Municipal Professora Celuta das Neves em 1974.

Professora Yedda de Paula Machado Borges: Nascida em 1925, foi essencial na criação da Universidade de Itaúna, lecionando matemática e participando de cursos em Israel. Recebeu a Medalha de Ouro na primeira turma de Filosofia da universidade e foi uma das “Melhores do Ano” em 1981.

Professora e Escritora Nise Campos: Nascida em 1907 em Itapecerica, formou-se na Escola Normal de Itaúna em 1925. Lecionou até a aposentadoria e escreveu poesias de humanismo e melancolia, como a “Ode ao Tempo”. Faleceu em 1987.

Professora Graciana Coura de Miranda: Nascida em 1914, dedicou quase 50 anos à educação. Implantou o Jardim de Infância Ana Cintra em Itaúna e lecionou por 30 anos na cidade, sendo um ícone até sua morte em 1997.

Professora Jesuína Americana Brasileira e Silva: Nascida em 1866, foi uma educadora pioneira que atuou por mais de 40 anos em Minas Gerais. Casada com Francisco de Paula Machado em 1884, teve 10 filhos e começou sua carreira docente antes de 1885, inicialmente como professora interina em Itatiaiuçu. Tornou-se efetiva em São João del Rei em 1888 após vencer um concurso e lecionou em áreas rurais e industriais, como a Fábrica da Cachoeira (Companhia de Tecidos Santanense), onde recebeu um aumento salarial de 5% em 1898 por seu desempenho excepcional. Atuou em Mateus Leme, Itatiaiuçu e São Sebastião do Gil, enfrentando recursos limitados e mudanças frequentes. Faleceu em 1960 em Belo Horizonte, deixando um legado transformador que inspirou gerações de educadores e contribuiu para o avanço das comunidades.

Professora Nair Chaves Coutinho: Descendente de famílias tradicionais de Itaúna, como os Gonçalves Chaves, foi educadora e diretora da Escola Normal "Manoel Gonçalves de Souza". Eleita Rainha de Itaúna em sua juventude, antes dos concursos de Miss, destacou-se por sua beleza estonteante e formação primorosa em Oliveira. Casou-se em 1924 com o médico e ex-prefeito Dr. Antônio Augusto de Lima Coutinho, com quem teve nove filhos. Sua vida foi marcada pela harmonia entre beleza, fé cristã, cultura didática e dedicação à família e à comunidade. Após sua morte, foi homenageada com a Praça Nair Chaves Coutinho (Lei Municipal 2987/95), reconhecida como exemplo de dignidade e virtude. 

Professora Dolores Nogueira Penido: Atuou na Escola Rural do Povoado de Pedra, alfabetizando gerações em uma região remota. Sua contribuição foi eternizada com a Escola Municipal Dolores Nogueira Penido.

Filantropia e Compromisso Social

Maria Gonçalves de Souza Moreira (Dona Cota): Nascida em 1875, fundou o Orfanato São Vicente de Paulo em 1949, doando sua fortuna para proteger crianças desamparadas. Seu trabalho, apoiado por figuras como Dona Tereza Gonçalves, é um exemplo de solidariedade.

Trabalhadoras e Resilientes

Associação de Santa Zita: Formada na década de 1950 por mulheres afrodescendentes como Dona Edite Marques de Oliveira Melo e Dona Geni Ferreira Pinto, apoiava empregadas domésticas. Celebraram a Lei 5.859/1972, que garantiu direitos à categoria.

Anna Egipcíaca (1807-1852): Mulher escravizada que resistiu com fé, unindo misticismo cristão e tradições afro-brasileiras.

Maria Adriana da Silva ("Bisa"): Afrodescendente nascida por volta de 1879, aprendeu a ler e escrever antes da abolição de 1888. Viveu até os 91 anos, inspirando sua descendência.

Dona Sinhá e Maria da Piedade: Representam a força das trabalhadoras rurais.

Maria Tião: Conhecida por seus biscoitos fritos de polvilho, trouxe alegria à vida cotidiana.

 Parteiras e Cuidadoras

Balbina Fortunata da Silva: Nascida em 1902 em Itatiaiuçu, foi parteira em Itaúna, ajudando centenas de nascimentos. Acolheu os pobres e foi ativa na política até sua morte em 1975.

Maria Viana Mendes: Parteira gratuita na região das ruas Agripino Lima e Getúlio Vargas, também costureira de vestidos de noiva. Faleceu em 1965.

 Guardiãs da Memória

Maria Augusta de Faria: Nascida em 1887, criou 13 filhos e foi homenageada em 1972 com uma escola em seu nome.

Maria Joaquina Parda: Faleceu em 1852 aos 95 anos, deixando uma grande descendência em Itaúna.

 Guardiãs da Cultura e Tradição

Eponina Maria do Carmo Nogueira Gomide Soares: Idealizadora da Bandeira de Itaúna, contribuiu para a identidade cultural da cidade.

Maria da Conceição Basílio de Jesus (Dona Sãozinha): Nascida em 10 de novembro de 1925 em Divinópolis, foi coroada Rainha da Irmandade de Santa Ifigênia aos 13 anos e liderou o Reinado de Nossa Senhora do Rosário em Itaúna por 85 anos. Sua casa no bairro Santo Antônio tornou-se o "quartel-general" das celebrações de 1º a 15 de agosto, atraindo milhares de participantes, incluindo políticos, artistas e congadeiros. Casada com João Ferreira em 1947, levantava a Bandeira de Santa Ifigênia todo 1º de agosto, marcando o início das festividades com danças, música e símbolos culturais. Faleceu em 26 de dezembro de 2023, aos 98 anos, e seu velório incluiu o ritual de "descoroação". Seu legado cultural afro-brasileiro será perpetuado por suas filhas e netas.

 

Essas mulheres — religiosas, educadoras, filantropas, trabalhadoras, parteiras, figuras culturais e guardiãs da tradição — construíram Itaúna com suas mãos e corações. Seus legados estão nas escolas, hospitais, ruas e celebrações da cidade, inspirando-nos a lutar por igualdade e valorizar as mulheres de hoje. Que possamos honrar suas histórias e trabalhar por um futuro onde todas as vozes sejam ouvidas, perpetuando os valores de coragem, compaixão, determinação e preservação cultural que elas exemplificaram. 

Organização, arte e elaboração: Charles Aquino