segunda-feira, novembro 25, 2013

MÁRIO MATOS


Nasceu em Santana do Rio São João Acima, atual Itaúna (MG), no dia 28 de setembro de 1891, filho de Antônio Pereira de Matos e de Maria Gonçalves de Sousa Matos. Fez o curso secundário no município mineiro de Dores do Indaiá e o preparatório nas cidades de Belo Horizonte e Juiz de Fora.

Transferindo-se para a então capital federal, matriculou-se na Faculdade Livre de Direito. Ainda nos tempos de estudante começou a atuar no campo do jornalismo e das artes. Em 1912 escreveu seu primeiro texto teatral, intitulado “A chegada do Presidente”. Dois anos depois terminou a peça Seu Anastácio chegou de viagem. Em 1915 começou a escrever para o jornal carioca Gazeta de Notícias e logo após para a Revista ABC, da qual se tornou redator-chefe. Em 1920, ano em que se formou, escreveu a peça Itaúna em fraldas de camisa. Escreveu a famosa peça teatral "As Cigarras do Sertão" em 1925.

Recém-formado, retornou a Itaúna, onde foi vereador e vice-presidente da Câmara Municipal. Eleito deputado estadual em 1923, exerceu o mandato na Assembleia Legislativa mineira até 1926, tendo sido vice-presidente da casa e membro da Comissão de Finanças. Em 1927 foi eleito deputado federal pelo Partido Republicano Mineiro e em maio tomou posse na Câmara dos Deputados, no Rio de Janeiro. Reeleito em março de 1930, teve o mandato interrompido em outubro seguinte em decorrência da vitória da revolução que levou Getúlio Vargas ao poder e extinguiu todos os órgãos legislativos do país. Voltou então para Itaúna e passou a advogar.

Em fins de 1933 foi nomeado diretor da Imprensa Oficial de Minas Gerais e, em 1935, ministro do Tribunal de Contas mineiro. Em julho de 1939 assumiu a Secretaria do Interior e de Justiça do estado e em julho de 1940 foi nomeado desembargador do Tribunal de Apelação, corte da qual posteriormente se tornaria vice-presidente. Foi ainda diretor da Escola Normal e do periódico Centro de Minas, em seu município de origem, e professor do Instituto de Educação, diretor do Diário de Minas e redator-chefe da Revista Alterosa, em Belo Horizonte.

No Rio de Janeiro trabalhou na Imprensa Nacional e foi docente no Instituto Lafayette. Foi membro do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, presidiu a Associação de Cultura Franco Brasileira e a Academia Mineira de Letras, e foi diretor da Associação Mineira de Imprensa. Faleceu em Belo Horizonte em 28 de dezembro de 1966.

Casou-se com Elisa de Moura Matos e, posteriormente, com Hermelinda de Almeida Matos. Seu genro Paulo Campos Guimarães foi deputado estadual em Minas Gerais. Em seu vasto número de publicações destacam-se Discursos (1927), Último Canto da Tarde, Machado de Assis: o homem e sua obra (1939) e O homem persegue o autor (1945).



REFERÊNCIAS:
TEXTO: Luciana Pinheiro
FONTE: CÂM. DEP. Deputados brasileiros (p. 191);
MONTEIRO, N. Dicionário (v. 1, 2, p. 305-306; 404-405); PREF. MUN. ITAÚNA.
ORGANIZAÇÃO: Charles Aquino 

Academia Mineira de Letras by Itaúna Décadas

sábado, novembro 23, 2013

ISMA PEREIRA FRADE

Conheça a história inspiradora de Isma Pereira Frade, ou simplesmente Dona Isma, uma mulher que dedicou sua vida ao serviço público e à comunidade de Itaúna, Minas Gerais.

Nascida em Salvador, Bahia, e órfã desde jovem, Dona Isma superou desafios e, em 1947, foi incumbida de abrir a primeira agência do Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Industriários (IAPI) em Itaúna.

Sua jornada é marcada por dedicação, amizades e conquistas, tanto no trabalho quanto na vida pessoal. 

Ela foi reconhecida com o título de Cidadã Honorária de Itaúna, fundou o setor de assistência social de uma das maiores empresas da cidade e, mais tarde, foi eleita vereadora, sempre lutando pelos menos favorecidos.

Mesmo após sua aposentadoria, continuou contribuindo para a comunidade, até falecer em 2005, deixando um legado admirado por todos que a conheceram. Venha se inspirar com a história dessa grande mulher baiana/itaunense!

 

Uma baiana que amou Itaúna


ISMA PEREIRA FRADE ou simplesmente Dona Isma, nasceu em Salvador (BA) em 29 de dezembro de 1924. Ainda muito nova Dona ISMA perdeu seus pais, tendo sido criada uma tia-avó Amália do Sacramento Pereira e seu marido Octaviano Marques Pereira. Iniciou seus estudos no Instituto Normal da Bahia e, em 1941 formou-se Normalista (hoje professora primária). Ingressou no ex-IAPI (Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Industriários) através de Concurso Público. Em 1947, no Rio de Janeiro, recebeu o seguinte desafio que ela mesma contava: "ir para uma cidadezinha do interior de Minas Gerais, chamada Itaúna e lá abrir um Posto do IAPI". 

Como boa baiana, aceitou e desafiou e dizia: "viajei de locomotiva a vapor (Maria Fumaça), do Rio de Janeiro para Belo Horizonte e de lá para Itaúna". Aqui chegou em 1947, sem conhecer nada nem ninguém da cidade. Havia, como há ainda hoje, uma pensão quase ao lado da Estação Ferroviária. Hospedou-se lá e, quem a conheceu sabe, tinha uma imensa facilidade de fazer amizades. E foi o que aconteceu. Em pouco tempo era conhecida por todos. A primeira pessoa a quem ela procurou foi Sr. Prefeito Municipal, à época Dr. Antônio Augusto de Lima Coutinho (DR. COUTINHO), expondo-lhe sua missão aqui em Itaúna. Dizia ela que recebeu total apoio e, em pouco tempo conseguiu abrir a Agência do IAPI, contando, também, com a colaboração da Cia. Industrial Itaunense e Cia. Tecidos Santanense, as duas maiores empresas da cidade. 

Em outubro de 1950, casou-se aqui em Itaúna com ERNESTO FRADE, bancário, natural de Formiga (MG), que veio transferido para o extinto Banco Comércio e Indústria, depois Banco Nacional. Desta união nasceu IONE COUTINHO, filha única do casal. Depois da Agência funcionar em diversos locais, durante o período revolucionário houve a fusão dos diversos Institutos, passando a ser o Instituto Nacional de Previdência Social e Dona ISMA continuou a ser a AGENTE (Chefe da Agência).

O Instituto então adquiriu um terreno à Rua Dr. José Gonçalves, onde construiu a Agência Local, tudo sob a supervisão de Dona ISMA e, conforme ela mesmo dizia, contou com a inestimável colaboração do Engº. SÉRGIO DE CASTRO, atual Secretário Municipal de Obras da Administração Municipal. Depois de 35 anos de profícuo e dedicado trabalho ao Instituto, decidiu aposentar-se, o que aconteceu em 1977. 

Em 1971, a Câmara Municipal de Itaúna concedeu-lhe, merecidamente o título de CIDADÃ HONORÁRIA DE ITAÚNA, título do qual ela muito se orgulhava, pois dizia "SOU ITAUNENSE DE CORAÇÃO". Coincidentemente, em 1978 a Cia. Industrial Itaunense ainda em boa situação, através de sua Diretoria, decidiu fazer uma reformulação completa, moderna e mais dinâmica em seu organograma, criando Departamentos, Divisões e Setores.

Em vista da experiência da Dona Isma na área social e da necessidade de uma empresa do porte da então Itaunense ter um setor especializado em assistência social, ela foi contratada, com o objetivo de implantar o Setor de Assistência Social, tendo sido nomeada Chefe do Setor. Eu, pessoalmente, acompanhei Dona ISMA em várias visitas que fez a diversas empresas que já tinham o referido setor já bem estruturado e, baseada nas diversas experiências que conheceu, estruturou o Setor na Itaunense. 

Para que funcionasse bem, a Diretoria destinou uma verba para que ela pudesse, entre outras coisas, atender aos funcionários de qualquer cargo ou nível, oferecendo pequenos adiamentos de salários, ajuda em caso de doença, etc. E o mais importante, com exceção da Diretoria, era a única pessoa que teve autorização para abrir uma conta bancária em nome da Cia. e assinar cheques. 

Em 1982, Dona ISMA resolveu ingressar na política, candidatando-se a vereadora. Foi eleita e cumpriu o mandato de 01-02-83 a 31-12-88. Foi considerada uma boa representante do povo, especialmente dos menos favorecidos, que ela conhecia bem devido anos de experiência vividos com AGENTE do INPS. Com a piora da situação da Itaunense ela decidiu parar de trabalhar definitivamente. 

Por problemas de saúde, mudou-se para BOCAIÚVA (MG), indo morar com sua filha IONE que para lá se mudara desde o casamento. Os problemas se agravaram e ela foi transferida para Montes Claros, onde acabou falecendo dia 14 de julho de 2005. Seu sepultamento foi aqui em ITAÚNA, terra que tanto amou e dedicou sua vida. Houve um sentimento generalizado de perda em toda a comunidade itaunense. Perdemos a "Dona Isma do INPS". Esta é resumidamente, a vida desta grande itaunense.

 

Texto: Juarez Nogueira Franco (In Memoriam)

Fonte: Ione Coutinho - (filha)

Organização: Charles Aquino


sexta-feira, novembro 15, 2013

JOVE SOARES



Ombro alto, magro, 1,75 de altura, cenho carregado, cabelos ralos e grisalhos, barba e bigode feitos, lúcido e jovial, aos 85 anos de idade, andava o Cel. Jove Soares teso e desempenado como um moço.
Nascera aqui mesmo na fazenda das Três Barras, quando Santana do Rio São João Acima era distrito da cidade de Pitangui, em 8 de julho de 1868, na quadra mais tormentosa da guerra do Paraguai, entre as batalhas de Humaitá e Itororó. Era filho de Firmino Francisco Soares, de Onça de Pitangui, hoje Jaguaruna, e de Fabiana Nogueira Duarte, filha caçula do velho Manoel Ribeiro de Camargos, da fazenda da Vargem da olaria, um dos turunas da sua época, nos tempos de Santana.
Aos 26 anos de idade, isto é, em 25 de agosto de 1894, casara-se com sua prima Augusta Gonçalves Nogueira, uma garota de 16 anos , viva e bonita, inteligente e prendada, filha primogênita de Josias Nogueira Machado, que lhe enfeitiçou a vida e lhe infundiu animo e força de vontade para trabalhar como um gigante, criar uma família de onze filhos, dar a estes educação e estudo nos melhores colégios, deixando a todos, tranquilo e orgulhoso de sua obra, o amparo de uma dignificante educação moral e cívica, de uma boa cultura e de regular fortuna. No tempo de sua mocidade, fora sobretudo boiadeiro.
Não era do tipo desgracioso, desengonçado e torto da personagem de Euclides da Cunha, mas possuía em toda a sua plenitude a tenacidade, a bravura e a fortaleza do sertanejo.

Não possuía o hábito de se recostar, quando parado, ao primeiro umbral ou à parede que encontrasse; nem cair de cócoras sobre os calcanhares; nem o de descansar sobre   os estribos, quando sofreava o animal, pra trocar duas palavras com um conhecido. Era um sertanejo um tanto quanto civilizado, sem chapéu de abas largas, de vestimenta comum, com muita compostura nos gestos e nas palavras.

Impulsionado pela fibra inata, deste meninote se acostumou a varar os sertões. Acompanhado do crioulo Hortêncio, ou do preto Paulino, ou do seu primo Versol, ombro alto, relho de cabo de peroba à mão, tronco pendido para frente e oscilando à feição do trote de seus surrados cavalos, desferrados e tristonhos, rumava para Goiás, por trilhos, veredas e estradas quase intransitáveis, em busca de gado.

 Sem saber nadar, vadeava rios caudalosos agarrado à cauda de seu animal. Isto numa era em que não existia nem o avião, nem o automóvel e nem o rádio.
Levava três meses tangendo vagarosamente, daquelas brenhas longínquas para Santana, o gado bravio e chucro ali adquirido. Ora cantarolava em surdina atrás daquela mole ondulante toadas de senzala; ora afundava nas caatingas garranchentas colado a um garrote arribado e esquivo; ora lutava loucamente para conter o estouro da boiada.

Em casa, só ficava o tempo necessário à engorda do gado invernado nas suas fazendas da Bagagem, das Três Barras e do Pedro Gomes.
Se não lhe aparecesse comprado à porta, com a mesma fibra e tenacidade, punha o gado gordo em marcha e ia vende-lo à charqueada de Santa Cruz, ou abatê-lo em Niterói, no Estado do Rio, outra tirada de mais de seiscentos quilômetros no lombo de seus célebres cavalos.

Tinha apenas o conhecimento das primeiras letras; mas, inteligente e cônscio disso, sabia porta-se com compostura, nas reuniões mais seletas. Trazia sempre pronta uma verve de ironia para os pomadistas, para os pelintras e para os metidos a sabichões. Bom palrador, deliciava-se com uma boa prosa, simples ou picante. 
Pouco crédulo, desconfiado e sem respeito humano, nunca se deixou apanhar por espertalhões. Estava sempre a par do que ia pelo mundo, através da leitura dos jornais, no que era um viciado. Não fumava, não bebia e não jogava, mas em compensação fora um emérito galanteador, fino e respeitoso.
Na luta pelo direito, era um obstinado; demandista, ferrenho, porém leal. Chegara até a demandar, em pleitos memoráveis, na repulsa daquilo que julgava intolerável injustiça, com um irmão amado e com o vigário João Ferreira Álvares da Silva. Era visceralmente econômico. Dava ao dinheiro extraordinário valor, talvez pelas canseiras do trabalho honrado e duro em adquiri-lo e por possuir no mais alto grau o senso da previdência.

Depois dos quarenta e dois anos, convidado respectivamente pelos amigos Dr. Augusto Gonçalves de Souza, Cel. João de Cerqueira Lima, Dr. Cristiano França Teixeira Guimarães, e Dr. Thomas de Andrade, fundara com os mesmo, em maio de 1911, a Companhia Industrial Itaunense, e em janeiro de 1923 o Banco Comércio e Indústria de Minas Gerais, S.A. , de que fora grande entusiasta e onde invertia invariavelmente as suas economias na compra de suas ações.
Com o falecimento do Cel. Antônio Pereira de Matos, ocorrido em 27 de fevereiro de 1926, fora eleito diretor secretário da Itaunense, posto em que se manteve pela consideração de seus amigos até o fim de sua vida.

Nunca fora forte em política.  Mas vangloriava-se em tom de caçoada, em poder contar, em qualquer emergência, com dois votos seguros: o da Galinha Gorda, seu rendeiro da fazenda da Bagagem, e o do Antônio Luiz, seu sobrinho por afinidade, mas, mesmo assim, foi vereador à primeira Câmara Municipal de Itaúna, em 1902, mandato que lhe foi renovado até 1916; e foi Conselheiro Municipal em 1932 e 1936.

Enviuvou-se em 14 de maio de 1935. E venerou a memória de sua esposa querida até o último alento. Todas tardes, ao pôr do sol , em casa ou em qualquer lugar em que estivesse, voltava-se em espírito e coração pra o local onde jazia a amada,  guardando uns minutos de silêncio, rezando baixinho, ou balbuciando coisas ininteligíveis, como a confidenciar  com alguém de muita estima  e respeito.

Falecera em 17 de novembro de 1953. Fora um bravo até para morrer. Se lhe fosse possível vencer a morte, ele a venceria, porque com ela disputava palmo a palmo, conscientemente, bravamente, o direito de viver um pouco mais, contendo, inúmeras de suas tremendas investidas, contrariando todos os prognósticos dos médicos assistentes, até tombar inconsciente, debaixo de seus inexoráveis tentáculos.




REFERÊNCIAS:
Pesquisa e Organização: Charles Aquino.
Texto biográfico: Mário Soares
Fonte: Revista Acaiaca nº 56, org. Celso Brant,1952, p.28,29,30,31.

quarta-feira, novembro 13, 2013

MANOELZINHO E DONA COTA

HOSPITAL MANOEL GONÇALVES ITAUNA MG
 Manoel Gonçalves de Souza Moreira, o "Manoelzinho do Hospital", nasceu em Santana do São João Acima, aos 19 de dezembro de 1851, filho de Manoel José de Souza Moreira e de Dª Ana Joaquina de Jesus. Seu pai, Manoel José de Souza Moreira, nascido em Bonfim, em 5 de fevereiro de 1829 e falecido em Santana do são João Acima , aos 22 de dezembro de 1898, foi o pioneiro da industrialização local e a mais importante  expressão da família Souza Moreira de Bonfim. 
   Fundou a Casa Comercial "Moreira & Filhos", de grande importância para a formação econômica e histórica de Itaúna. Contribuiu pra transformar o arraial de Santana no principal empório comercial da região Centro Oeste de Minas.
    Foi na firma "Moreira & Filhos" que Manoel Gonçalves de Souza Moreira, João de Cerqueira Lima e Josias Nogueira Machado, respectivamente filho e genros do seu patrão, aprenderam e se tornaram hábeis comerciantes. 
   Manoel Gonçalves de Souza Moreira foi um legítimo herdeiro das qualidades e virtudes de seu notável pai, Ainda muito jovem se tornou sócio da firma "Moreira & Filhos". Nela trabalhando arduamente fez carreira de balconista a gerente. Acumulou desde cedo bom patrimônio, vivendo exclusivamente para o trabalho. Participou ativamente na estruturação da Companhia de Tecidos Santanense, de que foi fundador com seu pai Manoel de Souza Moreira. 
    Quando da Assembleia Geral da fundação realizada em 23 de outubro de 1891, com apenas 29 anos de Idade, subscreveu 400 ações, no valor de 80 contos, importância altamente expressiva para época, somente precedido por seu pai, Manoel José de Souza Moreira, que subscreveu 600, no valor de 120 contos de réis. 
   Ele e seu pai eram realmente os únicos ricos da família. Depositaram no Banco do Império do Brasil os 60 contos necessários, 30 de cada um deles, como caução, para lançaras ações da primeira sociedade anônima de Itaúna. Foi a pedra fundamental da mentalidade capitalista de Itaúna.
     Capitalismo caboclo, familiar e paternalista. Foi diretor tesoureiro da empresa, desde sua fundação até o ano de 1904, quando, atraído pelo rápido progresso na nova capital mineira, inaugurada em 12 de dezembro de 1897, se transferiu pra Belo Horizonte
   Lá com sua mentalidade de empresário bem sucedido, foi um dos fundadores da Companhia Industrial Belo Horizonte, com capital de 600 contos de réis, sendo eleito na Assembleia de Constituição, realizada aos 28 dias de agosto de 1906, membro da primeira diretoria, para o mandando de 1906 a 1911, composta pelos fundadores da sociedade, a saber: Cel. Inácio Magalhães; Cel. Manoel Gonçalves de Souza Moreira e Cel. Américo Teixeira Guimarães.
    Antemonarquista histórico foi o principal fundador , em 21 de abril de 1889, do Clube republicano "21de Abril", de Santana do São João Acima, sendo eleito pelos noventa membros que o acompanharam na fundação, e também pelas principais lideranças santanenses, presidente do clube e que se filiou ao Centro Republicano, de igual nome, em Ouro Preto
   Foi também o criador, em 13 de abril de 1890, do semanário o "Centro de Minas", o primeiro jornal a circular em Santana do São João Acima. Ao regressar de sua viagem à Europa, em Paris, na Cidade Luz, já idoso, passou a meditar em profundidade sobre o destino a ser dado ao expressivo patrimônio por ele acumulado. Não possuía filhos e amava Itaúna , a terra de seu nascimento. 
    Espírito cristão e fraterno tomou a mais importante decisão de sua vida modelar: fundar, em sua terra natal, uma "Casa de Caridade", e doar parcela substancial de seu grande patrimônio a uma instituição que viesse a ser construída com o objetivo de instalar e manter o hospital, um asilo de velho, um pavilhão pra tuberculosos; bem como investir, conforme recomendado em seu testamento, na educação dos jovens itaunenses. Casou-se com a sua prima Maria Gonçalves de Souza Moreira, conhecida por Dª Cota. 
    Foi uma das mais extraordinárias personalidades de Itaúna, sem dúvida o maior filantropo do século XX em nossa cidade, pelo seu alto espírito humanitário. Este ato o credenciou ao respeito, ao apreço e à eterna gratidão de todos itaunenses, pois se transformou em nosso maior benfeitor. Faleceu em Belo Horizonte, aos 20 dias de junho de 1920, aos 68 anos de idade, sendo sepultado, como do seu desejo, em Itaúna, junto à  "Casa de Caridade" que ostenta o seu benemérito nome. 
    Sua Viúva, Dª Maria Gonçalves de Souza Moreira, a caridosa Dª Cota, alguns anos após, impulsionada por seus sentimentos cristãos e inspirada no belo ensinamento de seu esposo, fundou o "Orfanato São Vicente de Paula". 
   Ela faleceu em 26 de novembro de 1954, aos 79 anos de idade, sendo sepultada, em Itaúna, como de sua vontade, sendo verdadeiro que ela se tornou benfeitora e benemérita. Esta é a origem da "Casa de Caridade Manoel Gonçalves de Souza Moreira", da Escola Normal e do Colégio Santana.

Guaracy de Castro Nogueira



sexta-feira, outubro 25, 2013

ITAÚNA: CENSO 1831

Mapas de População
Santana do Rio de São João Acima 
( Itaúna MG )


BRANCO
AFRICANO/PRETO
CRIOULO
PARDO
SEM INFOR.
HOMEM
425
353
281
420
0






MULHER
419
135
274
450
4






TOTAL
844
488
555
870
4







(Clicar na imagem para ampliar)



Referências: 

Fonte : Cedeplar - UFMG  

Pesquisa e Organização: Charles Aquino

terça-feira, outubro 22, 2013

HISTÓRIA DA SAÚDE EM ITAÚNA (VI)


BEXIGAS DEVASTOU ITAÚNA

BEXIGAS — Assim era chamada a Varíola, uma doença infectocontagiosa que assombrou também a cidade mineira de Itaúna no século XIX.

Minha avó Amélia Augusta de Faria contava,   era menina na época, que se lembrava de seu irmão Olímpio Nogueira de Souza, havia comprado o sitio onde estavam enterrados os bexiguentos. O local era depois da Santa Casa de Caridade (hoje Hospital Manoel Gonçalves) indo para Santanense.

Anos depois, Antenor Marinho comprou o sítio, a parte bexiguenta e loteou. Como sua mulher chamava Marta, o local tomou o nome de Vila Santa Marta.

João Dornas Filho em seu livro comenta o fato: " A região fronteira à Casa de Caridade Manoel Gonçalves, onde se acha localizado hoje o sítio do Sr. Olympio Nogueira de Souza, chama-se Bexiguento, em virtude de uma epidemia de varíola que (quase) dizimou a população de Sant'Ana em 1880. Ali foram isolados os variolosos e ali mesmo enterrados os que faleciam, em número considerável."

Em “memorias e histórias itaunenses” de um tempo passado ainda com dificuldades, a população sobreviveu ...

Antes : Vila Marinho / Vila Santa Marta

Hoje : Bairro São Judas Tadeu


Texto: Edward Rodrigues da Silva (Genealogista & Historiador Itaunense)
Foto: Google Map / Charles Aquino
Acervo: Shorp
Fonte Pesquisa: FILHO, João Dornas. Itaúna, Contribuição para a História do Município" Editado em 1936 o registro na página 97

segunda-feira, outubro 21, 2013

IRMÃ BENIGNA EM ITAÚNA

Irmã Benigna Victima De Jesus
Casa de Caridade Manoel Gonçalves de Souza Moreira
Itaúna (MG) 


Saiba mais em: 

IRMÃ BENIGNA: UMA LÍDER NEGRA





Acervo Fotográfico: Casa de Caridade Manoel Gonçalves de Souza Moreira / Itaúna/MG  e  Prof. Marco Elísio Chaves Coutinho

Organização, elaboração e montagem: Charles Aquino


terça-feira, março 19, 2013

PRAÇA MATRIZ DÉCADA 50

PRAÇA MATRIZ DE ITAÚNA MG

ITAÚNA: MEADOS DA DÉCADA DE 50

  O Prefeito era o Dr. Milton de Oliveira Penido, que urbanizou nossa praça Dr. Augusto Gonçalves. Na foto aparecem as diversas partes da Praça, já com grama. No número 1 está o centro da Praça. Naquela época, à esquerda do número 1, as moças e rapazes (como se chamavam os JOVENS), iam todas as terças, quintas e sábados fazer o “footing” ou “avenida”, como era mais conhecido.

 Ao lado das calçadas ficavam os rapazes, formando um corredor, e ao centro as moças, várias, de braços dados, iam e vinham, vendo e se mostrando, trocando olhares, etc. Quando havia uma química, logo aparecia um “cupido”, geralmente uma “amiga” para tentar iniciar um eventual encontro, namoro e, em muitíssimos casos estes encontros se transformaram em casamentos, muitos durando até hoje.

 Não é o meu caso, já com 42 anos de casado, pois nosso namoro teve início no Colégio Santana, eu como professor e minha esposa, aluna. Durante a semana este “footing” durava no máximo até 21 horas, quando todos se recolhiam para suas casas, respeitando os horários estabelecidos pelos pais.

 Aos sábados grande parte preferia ir ao cinema. Na foto vemos no número 5 o Cine Rex, com uma grande sala de projeção (construção nova), conservando, porém, a fachada primitiva. Quando o filme chamava atenção a fila começava na entrada do cinema e, por muitas vezes, ia até à Rua Cel. Francisco Franco

Os casais ou os que estavam sós e optavam por não irem ao cinema, iam para o Clube UNIÃO, onde havia a tradicional “hora dançante”, com música ao vivo (conjuntos itaunenses”) ou ao som de discos.

 Algum tempo depois foi construído o ex-Cine Popular e depois Bagdá e a movimentação era a mesma. (Abrindo este parênteses, esclareço que houve uma época que em Itaúna havia 3 (três) salas de cinema: Cine Bagdá (onde hoje está o Bradesco), o Cine Rex e o Cine Popular (depois Bagdá) hoje transformado em estacionamento. 

A juventude de hoje que ler este artigo poderá pensar: que maneira idiota de viver a juventude. O que havia, na verdade, era um absoluto respeito aos pais, aos amigos e amigas, enfim, ao próximo.

 A palavra “DROGA” (maconha, etc.) era praticamente desconhecida. Obviamente que havia a bebida alcoólica, mas poucos, muito poucos abusavam dela. Espero que os “sessentões” que lerem este artigo, gostem. Na época eu tinha cerca de 15 anos e somente comecei a participar aos 18. Meu pai não permitia. Os demais pontos importantes da fotografia estão devidamente identificados.

  Juarez Nogueira Franco


sábado, março 02, 2013

PRAÇA DA LAGOINHA

LENDA OU VERDADE?

O objetivo deste artigo é falar sobre este casarão, que ficava situado na esquina da Rua José Gonçalves com Praça Francisco Marques (LAGOINHA), do lado direito, ao lado do semáforo, onde hoje há um prédio que abriga lojas e uma sorveteria e também sobre a razão pela qual a referida praça tem o apelido de LAGOINHA. Supõe-se que tal imóvel tenha sido construído quando Itaúna ainda era a Vila de Sant'Ana de São João Acima, não se sabe por quem. Sabe-se que pertenceu ao Sr. Alfredo Jorge Mina (Alfredo Turco) (conforme informações da família do comprador). Na década de 20 foi vendida ao Sr. OLÍMPIO JOSÉ DA SILVEIRA e sua esposa MARIA IRENE DA SILVA, vindos de Conquista (ITAGUARA). Aqui o Sr. Olímpio e Dª Maria Irene tiveram outros filhos, e morreram.
Não conheci pessoalmente nenhum, mas sou amigo de dois filhos: Mardoqueu José da Silva (o conhecido DOCA, que trabalhou por mais de 40 anos na Itaunense), e Menevides José da Silva, também ex-funcionário de mesma empresa e casado com a Sra. Zelma Antunes de Castro Silva. Apenas uma vez entrei nesta casa, imensa, como se pode ver pela foto e toda assoalhada. Na parte que dava para a Praça Francisco Marques (LAGOINHA), haviam várias pequenas lojas que serviam de barbearia, engraxataria, mercadinhos, etc. Na década de 60 os herdeiros de do Sr. OLÍMPIO venderam o referido imóvel, quando foi erguido o atual prédio. 
Conforme o título deste artigo há uma história ou estória sobre o porquê de LAGOINHA. Certa vez meu pai SEBASTIÃO ALVES FRANCO (Tião Franco), contou-me que o pai dele, meu avô JOSÉ ALVES FRANCO (Zeca Franco) contava o seguinte caso: ANTONIO JOSÉ ALVES FRANCO (pai de Zeca Franco), dizia (por ouvir falar) que, quando Itaúna ainda era a Vila de Sant'Ana do Rio São João Acima, (meados do século 19), bem no centro da praça havia uma pequena LAGOA
Do lado sul a vila terminava aqui. A atual Rua Marechal Deodoro chamava-se Rua do Canto, justamente por estar no canto da vila e dela saía uma trilha que levava ao Caminho onde hoje é a Rua Mozart Machado. Este caminho levava até ao povoado de São Sebastião do Itatiayussu, (hoje cidade de Itatiaiuçu), povoado de Conquista (hoje cidade Itaguara), Termo de BONFIM e continuando, alcançava a Estrada Real. 
Segundo o saudoso historiador Dr. Guaracy de Castro Nogueira, o fundador de Itaúna, GABRIEL DA SILVA PEREIRA, foi quem abriu a primeira picada (caminho), passando pelo Arraial de Sant'Ana, ligando BONFIM a PITANGUI, os dois mais importantes centros da Região. Voltando à LAGOINHA, meu bisavô dizia (por ouvir falar), que ela era abastecida por uma água vinda de uma mina que estaria situada no terreno onde hoje está o Colégio Santana. A sobra (quando enchia), saía pelo ladrão e descia pelo atual trecho da Rua Dr. José Gonçalves que vai da LAGOINHA até o Rio São João.
No princípio eu disse "lenda" ou "verdade". Realmente nenhum dos historiadores itaunenses, especialmente JOÃO DORNAS, em momento algum fala sobre isto. Por esta razão não há como provar se é Verdade ou Lenda. No entanto, se disser à maioria dos habitantes de Itaúna que moro na LAGOINHA, ninguém terá dúvida. Saberá onde é certamente. Por que razão então do nome LAGOINHA? Alguma coisa houve! 



Texto: Juarez Nogueira Franco (In memoriam)
Fonte Oral: Família de Olímpio José da Silveira / antepassados
Organização: Charles Aquino