sábado, novembro 17, 2018

CASA PAROQUIAL DE ITAÚNA

IGREJA MATRIZ DE ITAÚNA MG
29 de julho de 1945
Graças à Nosso Senhor e a generosidade de seis moças da sociedade de Itaúna, vamos começar no dia 7 de janeiro a construção da nova Casa Paroquial, sendo já a planta aprovada pelo Sr. Arcebispo. O orçamento ficou em cento e cinquenta mil cruzeiros (CR$ 150. 000,00).
Devo deixar aqui um voto de louvor à srta. Ivolina Gonçalves, residente a praça da Matriz, pelo trabalho que fez em pedindo as 6 moças o seu valioso auxílio em prol de tão grande obra. O sr. Arthur Contagem Vilaça aqui prontamente cedeu um pedaço de terreno para aumentar a Casa Paroquial.
No dia 29 de julho foi solenemente benta a primeira pedra fundamental pelo representante do Sr. Arcebispo — o Revmo. Padre Armando de Marco, chanceler do Arcebispado, com a presença do sr.  Prefeito Dr. Lincoln Nogueira Machado, Pe. João Ferreira, Pe. Waldemar Teixeira — vigário de Igaratinga, Pe. José Nobre — diretor do Ginásio, Pe. Ignácio Campos —vigário Bom Sucesso, Pe. Ubaldo Silveira — capelão da Santa Casa de Itaúna, José de Cerqueira Lima — gerente da Itaunense, Arthur Contagem Vilaça.
Enfim, todos os elementos representativos de Itaúna e grande número de pessoas.  Tudo vai correndo bem pela união de trabalho.


IGREJA MATRIZ DE ITAÚNA MG
 Inauguração e Benção da Nova Casa Paroquial

26 julho de 1948

 Já há muito Itaúna vinha necessitando de uma casa paroquial digna de tão boa paróquia. Procurei fazer um apelo ao bom e caro povo itaunense. Imediatamente apareceu uma criatura boa e dedicada dando-me sugestão como deveria fazer.
Dirigi-me à sete moças abastadas e fui imediatamente atendido por seis, uma se esquivou, apesar de seu riquíssima. As doadoras foram: Laura Gonçalves de Sousa, Maria de Cerqueira Lima, Lígia Gonçalves de Sousa, Alice de Cerqueira Lima e Maria Gonçalves de Sousa. A grande benemérita organizadora foi a srta. Ivolina Gonçalves. A construção ficou em mais de duzentos mil cruzeiros (Cr$ 200.000,00). Além da caridade tão elevada destas moças, quis ainda outras pessoas oferecer os móveis, assim distribuídos:
1) um escritório completo, duas estantes, um balcão, cadeira giratório, um arquivo e três cadeiras — doação feita por Dona Teresa Gonçalves e srta. Ivolina Gonçalves;
2) sala de visitas, um sofá, duas poltronas, uma mesa de centro — doação da família Olímpio Nogueira;
3) Sala de jantar doação de um anônimo;
4) uma copa completa — doação de Francisco Edwards Santiago;
5) duas mobílias simples de quarto — doação da Pia união das Filhas de Maria e do Apostolado da Oração;
6) três mobílias boas e completas para quarto — doação feita pelo senhor Roman Soares, Geniplo Dornas e José Carvalho Júnior.
7) um fogão de ferro usado, oferta da dona Maria Gonçalves de Sousa (Dona Cotinha);
8) uma panela de alumínio para cozinha — oferta da família Tavares;
9) um aparelho de louça fina para jantar — oferta da família Pereira;
10) Copos, taças e cálices — oferta da família Astolfo Dornas;
11) um aparelho de louca para jantar — oferta dos Congregados Marianos; 12) Talheres — doação do dr. Ademar Gonçalves e Tales Santos;
13) Sete cobertores — oferta da família Luís Ribeiro;
14) dois jogos de linho (talheres e guardanapos) para jantar — oferta de dona Zezé Dornas e srta. Maria José de Faria Matos;
15) sete crucifixos para os quartos e sala de visitas — oferta de Ítalo Mirra e senhora;
16) Dois quadros do Coração de Jesus e de Maria — oferta das alunas da Escola Normal;
17) Lenções e fronha de linho, 2 pares — oferta de dona Teresinha Guimarães Lima e família Augusto Alves de Sousa;
18)  A planta da Casa Paroquial foi feita por um engenheiro residente no Rio de Janeiro. As obras da construção foram confiadas a Companhia Imobiliário (Cicobe) sob orientação do senhor José de Cerqueira Lima. A obra ficou pronta em meados do mês de julho de 1948. A Casa Paroquial foi inaugurada no dia 26 de julho de 1948, festa da Padroeira da Paróquia Sant’Ana.
Após a missa cantada em procissão da Matriz para nova Casa Paroquial, os sacerdotes presentes e o povo seguiram para assistir à benção solene. Não podendo comparecer o Exmo. e Revmo. Sr. Arcebispo Dom Cabral, foi o mesmo representado pelo digno vigário geral Monsenhor José Dias Bicalho que oficiou a benção da nova Casa. Achava-se presentes, as doadoras da casa (menos Maria e Alice Lima), Frei Carlos, vigário de Divinópolis, padre José Mariano Tavares, cooperador do Divino em Divinópolis, Frei Resprício, O.F.M., guardião de Divinópolis, 17 colegas do Seminário Franciscano de Divinópolis, Frei Ambrósio, Diretor do Ginásio Sant’Ana, Frei Cipriano, O.F.M, dr. Antônio de Lima Coutinho, D.D. Prefeito Municipal, Padre Cooperador, Padre Ubaldo da Silveira, autoridades civis e militares e grande massa do povo. Usaram da palavra, o Vigário, o Prefeito e monsenhor Bicalho — abrilhantou bastante as solenidades a Escola [...] dos frades de Divinópolis. Após a benção da Casa o vigário ofereceu um almoço as doadoras, sacerdotes e seminaristas franciscanos, no Ginásio Sant’Ana; A tarde procissão de Sant’Ana, Te Deum e Benção do Santíssimo Sacramento.

 * 1) Pe. José Netto 2) Pe. Waldemar Teixeira 3) Pe. José Nobre 4) José de Cerqueira Lima 5) Olímpio Arruda 6) Francisco Santiago 7) dr. Lincoln Machado 8) Pe. Armando de Marco


PRAÇA MATRIZ DE ITAÚNA MG




REFERÊNCIAS:
ACERVO: Paróquia de Sant’Ana de Itaúna e Prof. Marco Elísio Chaves Coutinho (In memoriam)
COLABORAÇÃO HISTÓRICA: Paróquia de Sant’Ana de Itaúna
COLABORADOR: Prof. Marco Elísio Chaves Coutinho (In memoriam)
LIVRO TOMBO I: Paróquia de Sant’Ana de Itaúna — 1902 a 1947, p. 85.
LIVRO DO TOMBO II:  Paróquia de Sant’Ana de Itaúna — 1948 a 1992, p. 4,5.
PÁROCO E REGISTRO NOS LIVROS DE TOMBOS I & II: Padre José Ferreira Netto (In memoriam)
PESQUISA E ORGANIZAÇÃO: Charles Aquino

sexta-feira, novembro 16, 2018

ESCOLA NORMAL DE ITAÚNA 1924


DECRETO N. 6.478— DE 15 DE JANEIRO DE 1924
Concede à Escola Normal de Itaúna as regalias de equiparação à Escola Normal Modelo da Capital

O Vice-Presidente do Estado de Minas Geraes, em exercício, usando da atribuição que lhe confere o art. 57, nº 1, da Constituição do Estado, e de conformidade com a lei nº 286, de 1 de outubro de 1921, resolve conceder à Escola Normal de Itaúna as regalias de equiparação à Escola Normal Modelo da Capital.
Palácio da Presidência do Estado de Minas Geraes, em Bello Horizonte, 15 de janeiro de 1924.
Olegário Dias Maciel*
Fernando Mello Vianna**






*Olegário Dias Maciel nasceu em Bom Despacho (MG), em 1855.


Engenheiro, formou-se pela antiga Escola Politécnica do Rio de Janeiro, em 1878. De volta a Minas, iniciou sua carreira política ainda durante o período imperial, como deputado provincial pelo Partido Liberal, entre 1880 e 1883. Em 1890, já no período republicano, elegeu-se deputado estadual. Em 1894, chegou à Câmara Federal, na legenda do Partido Republicano Mineiro (PRM). Obteve, a partir de então, sucessivos mandatos, permanecendo na Câmara até 1910. De 1914 a 1918, ocupou o cargo de inspetor-geral do Serviço de Vias Férreas do Ministério de Viação e Obras Públicas, no governo de Venceslau Brás.

Após alguns anos afastado da vida pública, elegeu-se vice-presidente do estado de Minas Gerais, em 1922, na chapa encabeçada por Raul Soares. Exerceu o governo por alguns meses, em virtude da doença e do falecimento do presidente estadual. Elegeu-se ainda, nesse período, para o Senado de Minas Gerais.

Em 1930, foi indicado por Antônio Carlos para sucedê-lo no governo mineiro, quando já contava mais de 70 anos de idade. Ao mesmo tempo, as forças políticas dominantes no estado se alinhavam no plano federal à Aliança Liberal, coligação que lançou o gaúcho Getúlio,Vargas à presidência da República, em oposição ao candidato situacionista, Júlio Prestes. 

Eleito para o governo de Minas e empossado em setembro de 1930, Olegário hesitou em apoiar o movimento revolucionário articulado pelos membros mais exaltados da Aliança Liberal com o objetivo de depor o presidente Washington Luís e evitar a posse de Júlio Prestes. Sua adesão ao movimento só se deu após consultas ao ex-presidente Artur Bernardes.

Vitorioso o movimento insurrecional, deflagrado em outubro de 1930, Olegário foi o único governante estadual mantido em seu posto por Vargas, que nos demais estados optou pela nomeação de interventores federais. Isso não evitou, porém, que nos anos seguintes a política mineira passasse por um processo tumultuado, não muito diferente do observado nas outras unidades da federação. Olegário apoiou, então, a formação em Minas da Legião de Outubro, agremiação de inspiração fascista, idealizada para oferecer apoio ao novo regime.

 O surgimento da nova organização comprometia as bases políticas do PRM, o que fez com que Bernardes se opusesse decididamente à sua consolidação. Olegário chegou a anunciar a incorporação do PRM à Legião de Outubro, mas os seguidores de Bernardes reagiram contra isso e, ainda que enfraquecidos, mantiveram o partido em funcionamento. Ao mesmo tempo, Olegário foi vítima, em agosto de 1931, de uma tentativa de golpe para afastá-lo do governo mineiro, articulado por Oswaldo Aranha e outros membros do governo federal. O golpe, no entanto, foi derrotado pela ação da Força Pública estadual, comandada por Gustavo Capanema, membro de seu secretariado.

Em fevereiro do ano seguinte, Olegário tentou promover a unificação das forças políticas mineiras no Partido Social Nacionalista. Essa tentativa, contudo, fracassou com início do movimento constitucionalista em São Paulo, que voltou a dividir os mineiros. Olegário, que no início de 1932 se havia mostrado simpático à proposta de reconstitucionalização do país, preferiu permanecer fiel ao governo federal quando o levante foi deflagrado pelos paulistas, no mês de julho.

 Nesse sentido, enviou tropas mineiras para combater os rebeldes e tomou medidas punitivas contra os elementos que tentararm promover ações de apoio aos paulistas a partir do território de Minas, como os ex-presidentes Artur Bernardes e Venceslau Brás.

No início de 1933, participou da fundação do Partido Progressista (PP), que obteve expressiva vitória nas eleições para a Assembléia Nacional Constituinte, realizadas em maio daquele ano.
Morreu em Belo Horizonte, em setembro de 1933.


Fonte: Dicionário Histórico Biográfico Brasileiro pós 1930. 2ª ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001]. Disponível em: FGV - Fundação Getúlio Vargas




**FERNANDO DE MELO VIANA
(Sabará, 15 de março de 1878 — Rio de Janeiro, 10 de fevereiro de 1954)

Foi presidente de Minas Gerais entre 1924 e 1926 e vice-presidente da república no governo de Washington Luís. Depois do mulato Nilo Peçanha, Melo Viana foi o segundo mulato a ocupar a vice-presidência.

Formou-se em ciências jurídicas pela Faculdade de Direito de Ouro Preto (atual Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais). Foi advogado em Uberaba, no início da sua carreira, onde se declarou ateu. O Fórum de Uberaba é nomeado em sua homenagem.

Foi juiz de direito em Carangola de 1912 a 1919. Segundo o cientista político João Batista Damasceno, em 03 de agosto de 1914, Fernando de Melo Viana proferiu sentença extintiva de punibilidade de Olympio Joventino Machado, acusado juntamente com o João Baptista Martins pelo evento dos qual tinham sido vítimas e denominado Mazorca, após eleição distrital em Orizânia, em 1899, perpetrados pelo chefe político local de Carangola, Coronel Novaes, aliado do Governador Silviano Brandão.

 A mudança na política mineira com a ascensão do grupo político de João Pinheiro levou João Baptista Martins a ocupar o cargo de Procurador Geral do Estado, cargo criado para ele. Fernando de Melo Viana exerceu a judicatura em Carangola, período no qual conviveu com Pedro Baptista Martins, filho do advogado João Baptista Martins, e que viria a redigir o CPC de 1939.

Em agosto de 1924 assumiu o governo do estado de Minas Gerais, permanecendo no cargo até setembro de 1926. Neste mesmo ano foi eleito vice-presidente da República, ao lado de Washington Luís, que conquistou a chefia do governo.

Em 1929, aliou-se à Concentração Conservadora, movimento político mineiro de apoio à campanha de Júlio Prestes, candidato governista á Presidência da República. Em 6 de fevereiro de 1930, poucos dias antes da eleição presidencial, foi ferido com três tiros no pescoço quando fazia campanha em Montes Claros. Seu secretário particular, Dr. Rafael Fleury da Rocha, morreu no local. O famoso "Atentado de Montes Claros" causou no total 5 mortos e 14 feridos.

Com a vitória da Revolução de 30 exilou-se por oito anos na Europa. Em 1945 foi eleito senador à Assembleia Nacional Constituinte na legenda do Partido Social Democrático (PSD). Logo depois foi eleito presidente da Assembleia, obtendo a maioria dos votos junto aos constituintes. Após a promulgação da nova carta, em setembro de 1946, passou a exercer a vice-presidência do Senado.

Disponível em: wikipedia.org


ORGANIZAÇÃO: Charles Aquino

ITAÚNA E SUA GENTE

HISTÓRIAS E CRÔNICAS ITAÚNA MG
Charmosa Rua Direita, hoje Avenida Getúlio Vargas

O grande escritor, dramaturgo e jornalista Nelson Rodrigues cunhou uma frase antológica: “ o mineiro só é solidário no câncer”. Tenho setenta e três anos vividos, vivi fora de Minas Gerais e concordo com ele quase na sua totalidade. Tive muitas decepções com mineiros.  
No entanto, tomo a liberdade de acrescentar o seguinte: mineiro só é solidário no câncer, exceto os mineiros de Itaúna. Acho difícil encontrar no Brasil povo mais solidário. Relato alguns exemplos: durante toda a vida de trabalho de minha mãe na cidade o pagamento de seus vencimentos saia direto da Coletoria Estadual. 
Graças às indústrias de tecidos, fundições e altos-fornos de gusa, a arrecadação de impostos no município era muito boa.
Resultado: não havia atraso de pagamento. Até aí, ótimo. Mas ficava melhor quando o coletor estadual, o saudoso Morzart Machado, adiantava o salário dos funcionários públicos mais precisados. Acontecia sempre com minha mãe. Ele sabia que dela dependia a manutenção da família.
Atos de pura e sincera solidariedade. Não existia nenhum outro motivo. Aliás, atos parecidos aconteciam através do seu Alfredo da Farmácia Nogueira, que além de debitar as contas na caderneta, algumas vezes emprestava dinheiro para ajudar-nos a chegar ao fim do mês. 
O mesmo se dava com o Messias, do Armazém Assis, e seu Armando Prado, dono da padaria. Atrasos no aluguel eram revelados pelo Djair Gonçalves, nosso senhorio na rua Cassiano Dornas, e o Severino Lara, homem grandalhão, agradável e prestativo.
Atos de pura solidariedade vinham também dos médicos Thomaz Andrade e José Campos. Atendiam em domicílio, nas urgências e só recebiam honorários quando o paciente pudesse pagar. 
Mais relevantes ainda se tornam tais atitudes se levarmos em conta que não tínhamos raízes na cidade. O mesmo pode-se dizer do padre José, eterno vigário, e o padre Waldemar, ensimesmado e resmungão.
Até nos inúmeros males feitos que marcaram a minha adolescência em Itaúna, houve compreensão e condescendência. Só num lugar de gente boa, ordeira e prestativa, tais gestos puderam ser observados. 
O que dizer do prefeito Milton Penido e dos políticos locais, que possibilitaram um enorme progresso na carreira de minha mãe. Em certa parte dessa narrativa eu disse que ao escolher Itaúna para trabalhar e morar, minha família tinha acertado na loteria e não percebeu. Nenhum dinheiro, nenhuma riqueza poderia se igualar com os ganhos que tivermos em Sant’Ana de São João Acima.

*Urtigão é pseudônimo de José Silvério Vasconcelos Miranda, que viveu em Itaúna nos anos cinquenta e sessenta. 

REFERÊNCIA:
SILVÉRIO, José. Dona Graciana: biografia / José Silvério -  Itaúna/MG: Folha do Povo, 2018, p.106.
Organização: Charles Aquino
Acervo: José Silvério (In memoriam)

quinta-feira, novembro 15, 2018

APARECIDA EM ITAÚNA

1965



Padre José Ferreira Netto

Itaúna teve a grande honra de receber festivamente a imagem de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. No trevo de Divinópolis e Pará de Minas a imagem foi recebida pelos itaunenses em seus carros, que ultrapassava o número de cem.

No trevo de Santanense foi recebida pelas autoridades civis, militares e eclesiásticas, tendo à frente o Exmo. Sr. Bispo auxiliar de Belo Horizonte, Dom Serafim, Coronel José Geraldo e Comissão organizadora de Belo Horizonte.

No trevo de Itaúna foi recebida pelo Vigário, Comissão de Recepção, deputados Oscar Dias Corrêa e José Moreira, Vigário Geral Monsenhor Hilton Gonçalves de Souza, Tiro de Guerra 80, Colégios, Grupos Escolares, Irmandades, imensa massa humana e banda de música da polícia estadual.

Um artístico carro andor em forma de uma barca com pescadores dentro, foi ofertado pelos operários da Companhia Itaunense. Ao chegar da imagem milagrosa, realizou-se   uma oração nunca feita, todos acenderam as suas velas — um mar de luzes. Sirene de todas as indústrias apitaram, fogos, repiques dos sinos das igrejas, vivas e o hino Nacional pela banda militar.

Dom Macedo, Arcebispo auxiliar de Aparecida colocou a imagem em seu lugar no carro andor. Desde o trevo até a praça da matriz, foi um verdadeiro delírio da multidão.

Toda rua Silva Jardim e toda praça da matriz, foi feito um grande e artístico tapete de serragem colorida e flores. Foi uma obra maravilhosa, trabalho incansável e adorno dos moradores da rua e da praça.

Todas as partes foram ornamentadas com a bandeira de Itaúna. A Companhia de Tecidos Santanense fez toda iluminação elétrica da praça da matriz. Durante o trajeto de todas as casas, foram lançadas pétalas de flores sobre a imagem.

A chegada em frente à matriz foi um verdadeiro delírio e aclamação comoventes. Foi um instante de emoção para todos, provocando lágrimas. Num rico altar composto de mais de cem anjos estava preparado o trono para a imagem da Virgem.

O Vigário recebeu a imagem das mãos de Dom Macedo e a colocou em seu trono. Em nome da cidade, saudou à Virgem Mãe, sr. Milton de Oliveira Penido, prefeito municipal, Dona Nívia Santiago dos Santos em nome das mães e Cidélia Antunes Gonçalves em nome das crianças, ofertando a imagem um ramalhete de flores.

Em seguida falou o Sr. Arcebispo Dom Macedo, o condutor da imagem, dizendo que ficou maravilhado com tal e tão deslumbrante recepção. Iniciou-se logo a santa missa celebrada por Dom Serafim Fernandes de Araújo, que no Evangelho fez uma belíssima homília.

Durante a noite os fiéis numa imensa fila, desfilaram diante da milagrosa imagem deixando cada um o seu ósculo de amor filéo à mãe de Deus e nossa mãe.

Mantivera a imagem os soldados do Tiro de Guerra da cidade. A meia noite Dom Macedo celebrou a missa. Foi enorme o número de comunhões. Três sacerdotes auxiliando na distribuição. Seguiram-se outras missas durante à noite de sacerdotes de fora.

A praça da matriz ficou movimentada de povo durante a noite até ao sair da imagem. A última missa foi celebrada às 7 horas. Às 8 horas a imagem foi levada para frente da matriz, numerosos fiéis aguardavam na praça para receber a benção de despedida da imagem.

Dom Macedo dirigiu à multidão as suas últimas palestras e lançou com a imagem da Virgem a benção de despedida. As lágrimas rolaram nas faces de todos, saudosos pela partida.

Grande fila de automóvel esperavam o desfile da saída. Debaixo de aclamações o séquito percorreu toda praça da matriz, deixando atrás de si, as saudades da imagem milagrosa de Nossa Senhora Aparecida que se foi. O donativo oferecido pela paróquia de Sant’ Ana foi de um (1) milhão de cruzeiros.



Manto doado pela princesa Isabel em 1868 para agradecer graça alcançada.


Hóstia Santa Imaculada / Memórias Sonoras e Afetivas

 REFERÊNCIAS:

Livro Tombo II: Paróquia de Sant’Anna de Itaúna –  1948 a 1992, p. 75r, 75v, 76r, 76v.
Acervo Blog:  Nossa Mãe Padroeira. Disponível em: Virgem Mãe Aparecida
Acervo Grupo: Príncipe D. Bertrand de Órleans e Bragança – Família Real Brasileira. Disponível em: Facebook
Pesquisa e Organização: Charles Aquino.
Texto: Padre José Ferreira Netto (In memoriam)

NOTÁVEL EDUCADORA ITAUNENSE

PROFESSORA YEDDA - ITAÚNA MG
Yedda de Paula Machado Borges é filha do Dr. Ovídio Nogueira Machado e de Zélia de Paula Machado, nasceu em Itaúna em 1º de janeiro de 1925, numa família de seis irmãos. Casada com o Dr. Lauro Carneiro Borges de tradicional família de Patos de Minas, teve uma infância tranquila em que passava parte do dia com seus tios e padrinhos — Tácito Nogueira de Faria e Raquel Nogueira. Esses parentes ajudaram a cria-la desde seu nascimento.

Tácito construiu uma bela casa em Itaúna que denominou “Villa Yedda”, cujo terreno localizava-se na rua Dr. José Gonçalves seguindo até à Capela do Rosário. Aos seis anos de idade, Yedda foi morar com seus tios no município mineiro de São Lourenço, conhecido como uma das mais belas estâncias hidrominerais, o qual, é parte do Circuito das Águas de Minas, na serra da Mantiqueira.

Fez o curso primário (quatro primeiras séries do ensino fundamental) em Itaúna, no Grupo Escolar Dr. Augusto Gonçalves. Foi aluna das educadoras dona Ivolina Gonçalves e de dona Neide Antunes de Morais.

Ao concluir o curso primário na cidade balneária, seus tios e padrinhos se mudaram para a capital mineira e Yedda para lá se transferiu para continuar seus estudos de segundo grau, preparando-se para ingressar a uma Universidade.

Desde cedo, provavelmente por influência de seu pai, o Dr. Ovídio, que além de médico era um grande matemático, dedicou-se ao estudo e ensino desta disciplina, o qual, acompanhou pelo resto da sua vida.

Ainda estudante em Belo Horizonte, o professor João Martins a indicara para ministrar aulas de matemática aos seus colegas   — fez curso de matemática na Faculdade de Filosofia de Belo Horizonte - FAFI.

Terminados os estudos na capital, retornou a Itaúna e começou a lecionar matemática.  Durante muitos anos lecionou nas escolas Estadual de Itaúna, Colégio Santana, Colégio Comercial João de Cerqueira Lima e Colégio Estadual Judith Gonçalves.


Após seu matrimônio, residiu em São Paulo, Cuiabá e Londrina, lecionando em escolas locais. Retornando à Itaúna, no ano de 1965, preparou candidatos para o vestibular do curso de Ciências Econômicas de Divinópolis.

Yedda “lançou” aos seus alunos, a ideia de tentarem junto ao Governador MagalhãesPinto, a criação de uma Faculdade de Economia em Itaúna. Foi a partir dessa ideia, que seguiu um documento ao Governador do Estado, redigido por um dos candidatos.

Miguel Augusto Gonçalves que perfilhou a ideia e trabalhando com afinco, fundou, não uma só Faculdade, mas cinco, que constituíram a Universidade de Itaúna.

Já como aluna da Universidade, no curso de Filosofia, foi convidada para lecionar matemática na Faculdade de Ciências Econômicas da Mesma Universidade. Constantemente participava de cursos de reciclagem e aperfeiçoamento em Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro e até em Israel, onde participou de um curso de aperfeiçoamento pedagógico pela Universidade de Jerusalém.

Fez o curso de Filosofia Pura na Universidade de Itaúna, tendo sido designada a receber a Medalha de Ouro quando da 1º turma de formandos.  Foi diretora de Teatro infantil, quando apresentou várias peças, sendo agraciada com o troféu de melhor Diretora, recebendo em 1981 a comenda “Os Melhores do Ano” na área de ensino.
Foi membro da Lions Clube de Itaúna desde sua fundação em outubro de 1965 e Coordenadora Regional dos Clubes de Mães do Distrito LC-4 de Lions Internacional.
Grande mulher! Notável educadora!
Guaracy de Castro Nogueira

Zélia de Paula Machado e Dr. Ovídio Nogueira Machado

O AMOR PELA EDUCAÇÃO E A ARTE DE ENSINAR

No mês em que é comemorado o Dia dos Professores, em 15 de outubro, a FOLHA conta um pouco da história de uma das mais importantes educadoras da cidade, Yedda de Paula Machado Borges. Algumas décadas após sua aposentadoria, Dona Yedda avalia a atual situação da educação, em que as professoras têm que enfrentar o desafio de uma função dupla, a de formar academicamente e educar os alunos.

Questionada sobre a situação atual da educação, Dona Yedda afirma que vê o comportamento dos estudantes muito negativamente. Para ela, as transformações da sociedade - que valoriza a violência, especialmente os meios de comunicação - transferiram para os professores a responsabilidade não só de ensinar os conteúdos aos alunos, mas também de formá-los para a vida. Função que seria de responsabilidade dos pais, atarefados e sem tempo para dedicar aos filhos a atenção necessária para que os mesmos sejam pessoas de bem.


Jornal Folha do Povo


NOTA: No dia 27 de abril deste ano de 2018, tivemos a rica e feliz oportunidade de conversar um pouco com essa ilustre educadora em sua residência.

Dona Yedda aos 93 anos de idade, ainda preserva uma postura meiga e um olhar de uma mulher forte.
Em seu apartamento, detalhe que nos chamou grande atenção, foi a sala de visitas.

Yedda preserva ainda os quadros de seu tio Tácito, sua mãe e obras de arte de seu ilustre irmão, o artista e professor Ahmés de Paula Machado.
Como não deveria de ser diferente, Dona Yedda nos forneceu importantes informações sobre a história de sua família e de nossa cidade.

Perguntamos qual a palavra definia sua personalidade e logo respondeu — CORAGEM!!!
Uma memorável tarde!!!




REFERÊNCIAS:
PESQUISA ,ORGANIZAÇÃO, ENTREVISTA: Charles Aquino
ACERVO: Itaúna Bons Tempos, Orgs. Hamilton Pereira, Alexandre Campos.
ACERVO E COLABORAÇÃO: Yedda de Paula Machado Borges
COLABORADOR: Albaniz Lúcio Guimares
FONTE: Revista Cidade de Itaúna, p. 36.
FOTOGRAFIAS: Charles Aquino
TEXTO 1: Guaracy de Castro Nogueira (In memoriam)
TEXTO 2: Jornal Folha do Povo, 2013. Disponível em: Jornal folha do Povo

terça-feira, outubro 16, 2018

HISTÓRIA DA SAÚDE EM ITAÚNA (V)


O doutor Dorinato de Oliveira Lima nasceu aos dois dias do mês de julho de 1886, na cidade de Entre Rios de Minas, filho de Adelino de Oliveira e d. Maria Cândida de Lima Oliveira.

Fez o curso secundário na Academia de Comércio de Juiz de Fora e diplomou-se, no ano de 1914, pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, especializando-se em cirurgia. Fixou residência em Itaúna, onde instalou seu consultório médico.

Casou-se, em 1916, com a senhora Geni Nogueira Lima, pertencente a tradicional família itaunense, eis que filha de Josias Nogueira Machado, personalidade das mais influentes no período da formação histórica do município, e de sua esposa Tereza Gonçalves Nogueira, filha de Manoel José de Souza Moreira e irmã do Dr. Augusto Gonçalves de Souza Moreira.

Dorinato de Oliveira Lima, por seu talento profissional, adquiriu grande renome como cirurgião. Pacientes provindos, não apenas do município, mas, também, de toda a região centro-oeste do Estado vinha a Itaúna para serem submetidos a tratamento cirúrgico, especialmente a extração do bócio, hipertrofia da glândula tireoide, popularmente conhecida como “papo”, mal que grassava, em caráter epidêmico, através de diversas regiões mineiras.

A intensa atividade do Dr. Dorinato de Oliveira Lima, como ilustre cirurgião, imprimiu grande movimentação e elevou o conceito profissional da “Casa de Caridade Manoel Gonçalves de Souza Moreira”, especialmente nas décadas de 1920 e 1930, sendo que esta instituição, a que tanto serviu, concedeu-lhe, post-mortem, com integral justiça, o diploma de Irmão Benemérito, em 31 de agosto de 1947 (SOUZA, 1986).

O dr. Dorinato, estudioso e pesquisador, empreendeu duas viagens de estudos à Europa, nos anos de 1927 e 1938. Transferiu-se na década de 1930 para Belo Horizonte, com o objetivo de atuar profissionalmente em cenário mais amplo, mas manteve intactas as suas ligações com a terra de adoção. 

Foi o período em que mais se projetou, tanto no campo profissional como na vida pública, pois se aproximara politicamente pelas mãos de Mário Gonçalves de Matos, do Interventor Benedito Valadares, de quem viria se tornar íntimo colaborador, e, nesta qualidade, passou a exercer, na década de 1930, visível influência na política municipal de Itaúna.

Ele foi nomeado em 28 de maio de 1934, pelo Presidente Getúlio Vargas, por indicação de Benedito Valadares, membro do Conselho Consultivo do Estado de Minas, criado após a revolução de 1930, e o consequente encerramento das atividades do Poder Legislativo (SOUZA, 1986).

Faleceu em 13 de fevereiro de 1947, aos sessenta anos de idade, sobrevivendo-lhe a esposa, D. Gení Nogueira Lima, admirável exemplo de esposa e mãe, e seus dignos filhos, doutores Tito de Oliveira Lima e F. Machado Lima.

O “Minas Gerais”, órgão oficial do Estado, em seu necrológico publicado no dia seguinte ao de sua morte, observou com procedência:
“Mas, no Dr. Dorinato de Oliveira Lima, o político não superava o homem, que aparecia em toda a sua bela formação humana, e no recesso do lar, onde o chefe de família, possuidor de sólidas virtudes e nobres dotes de espírito, formara uma família honrada e digna, rodeada do apreço e da admiração de toda a nossa sociedade”.

Assim, a vida deste ilustre e digno itaunense de adoção, Dorinato de Oliveira Lima, que, mercê de seu talento, bondade e criatividade soube conquistar espaço indelével na rica paisagem humana de Itaúna (NOGUEIRA).





O EXTIRPADOR DE PAPOS

Visto por Gibi

Este cirurgião, que mete medo a tanta gente, pelo seu bisturi famoso, é o cidadão magnânimo, em que o sentimento de solidariedade humana fala mais alto do que as vozes do egoísmo.

Ele faz da sua bondade uma arma terrível, porque desarma as prevenções e tempera as amizades sólidas que cedem que, que não se desarticulam, que prevalecem apesar de todos os choques de opiniões e sentimentos que dividem os homens.

Minas inteira o conhece. Pelo menos, ouvia falar do dr. Dorinato de Oliveira Lima, ou melhor, ouviu falar no “Extirpador de Papos — tout court.

É dos confins do sertão se descocam os desesperados de cura, fiados na proficiência do clínico e do operador. A todos atende com o mesmo desvelo, com a mesma solicitude, ricos e pobres, opulentos e mendigos, fiel ao juramento que prestou e ainda fiel ao seu coração que lhe ordena e comanda os gestos de desprendimento e os atos de generosidade.

 A sua vitória foi obtida pelos lances de bondade. A sua vitória foi alcançada mais ainda pelo seu talento, pela sua perícia, pela precisão da sua técnica. Uma vitória que fica, conseguida pelo esforço próprio, em que há episódios de grandeza moral e golpes de audácia cientifica e abnegação e certeza.

Este é o homem temido. Faz medo a muita gente. Mas o temor humano não envolve o homem em que se confia, em que se crê, em que se fundam as últimas esperanças. O temor vem da sugestão da doença, vem da aversão ao radicalismo cirúrgico. E ele é um grande cirurgião. O bisturi é que faz tremer.

A ciência e a bondade deram-se as mãos, fraternalmente, nesse belo espírito. Tímido, emotivo, sensível perante os fatos quotidianos, é senhor das suas emoções, seguro da sua proficiência quando enfrenta os casos melindrosos, os casos desesperados.

Um temperamento que se comove perante uma desgraça, um caráter que se revolta perante uma injustiça, manso com os humildes, sereno e reto, o dr. Dorinato de Oliveira Lima soube cercar-se dessa simpatia que é fervorosa como um raio de luz.

Porque transfigura a sua ciência e a sua técnica em sacerdócio devocional, no culto puro da bondade e no culto austero da sua profissão. Um sábio e um justo.




REFERÊNCIAS:
Organização e Pesquisa: Charles Aquino
Texto: Guaracy de Castro Nogueira (In memoriam)
Texto: Souza. Miguel Augusto Gonçalves de. História de Itaúna,
BH, Ed. Littera         Maciel Ltda., 1986, p. 258, 260.
Acervo: Dr. Marco Antônio Lara
Fotografia:  F. Ribeiro – Photographo
Revista: Bello Horizonte, 1933, p. 15.
Imagem Dr. Dorinato Lima: Restauração com IA à partir da original.