quarta-feira, março 25, 2020

SANDOVAL 24 HORAS

Bar do Sandoval 24 horas, almoço e jantar, bebidas e tira-gosto na hora a gosto do freguês!
O Osnofa conhece e bem o Bar do Sandoval, fez muitos carnavais ali na Praça da Lagoinha.
Ai, se não fosse as 24 horas do Sandoval esta festa carnavalesca não teria o mesmo gosto para o Pau de Gaiola, bloco carnavalesco de maior envergadura e de pura irreverência!!!
É notório e de conhecimento público que o “Sandoval” só fecha na sexta–feira da Paixão. Então, em qualquer outro dia, até mesmo no dia da eleição, o “Sandoval” está aberto 24 horas. Já pensou como é importante este propósito dos proprietários de servir aos clientes 24 horas.
Bem que o Osnofa pode imaginar uma história com fatos reais e surreais, assim o leitor poderá avaliar o quanto é importante ter em nossa cidade um Bar 24 horas, ou melhor um “Sandoval e um Odilon” (proprietários do bar) sempre prontos a atender a clientela com categoria ímpar, por isto que todos os dias, esta enorme clientela está sempre presente e cada cliente é atendido à sua maneira.
Há quem venha todos os dias e várias vezes ao Bar do Sandoval só para tomar cerveja. Tem casal, como o Manoel da Zinha e sua esposa Roselene, vem de segunda a sexta-feira para o almoço no “Sandoval”; já o meu amigo Manoel Alegria que mora nas proximidades, sempre desce a rua Antônio de Matos com um jogo de marmitas, muito chique, para buscar o almoço da família; meu amigo Marquinho Goiano, “Rei do Pão de Queijo” está sempre passando no Bar do Sandoval para comprar meia dúzia de torresmos.
Assim é o dia a dia dos clientes do Bar do Sandoval: Você nem imagina, eles estão sempre, a qualquer hora do dia e da noite por lá! Já presenciei famílias jantando no Sandoval por volta das 3 da manhã, aquela comida caseira, arroz, feijão, ovo frito, macarrão, tropeiro, bife de porco ou de boi, salada com alface, tomate e cebola, ou aquele vinagrete. Que bom saber que as pessoas de bem, podem curtir com tranquilidade o Bar do Sandoval, sempre foi assim e é assim que deve ser, as pessoas podem chegar tranquilamente e curtir a noite ou o dia no “Sandoval”.
Se seu cigarro acabou, pegue seu carro ou sua bicicleta, ou a pé mesmo, vá comprar seu cigarro no “Sandoval”, do jeitinho que você estiver em casa pode ir ao bar “24 horas do Sandoval”, para comprar o leite das crianças e outras coisas de primeira necessidade que podem faltar na sua dispensa. É assim o Bar do Sandoval, você chega, pede, bebe e come aquilo que você quer e o preço nunca ultrapassa o que o freguês pode pagar.
Este é um dos segredos do Sandoval 24 horas no ar: Você sai de casa ou da balada e quer comer, um bife a cavalo, uma porção de fritas, um tropeiro ou um prato feito, com a competência das cozinheiras literalmente especiais, que na vida diurna e noturna fazem, com competência, o trabalho da cozinha. Aproveite meu amigo, pois o Bar do Sandoval lhe dá esta tranquilidade dia e noite e isto pode fazer você a pessoa mais feliz do mundo.
Ontem à noite encontrei meu amigo engenheiro Júlio Prado, que acabara de guardar seu carro na garagem, ali próximo ao Bar do Sandoval. De prosa com o mecânico Mario Rezende, que estava voltando da missa, justamente comentavam como ficou mais agradável ainda o Bar do Sandoval depois da reforma.
Final dos anos 70, manhã de sábado, por volta das 4 da madrugada, o Osnofa entrava no Bar do Sandoval para comprar um pão de queijo com linguiça, uma Coca-Cola geladinha e assim finalizar mais uma noitada, vindo diretamente da famosa discoteca do Automóvel Clube de Itaúna, onde passou momentos memoráveis,
Naquele instante, quem estava por lá, meu amigo jornalista Sebastião Nogueira Gomide, mais conhecido como “Piu da Folha do Oeste”, semanário que periodicamente cumpria o dever de informar o povo itaunense os acontecimentos da semana.
O Piu, os delegados Olímpio Nolasco e o Dr. Hudson Maldonado, um dos melhores professores de Direito Penal que já passou pela Universidade de Itaúna, comentavam no balcão do bar para os ouvidos do Sandoval e o restante da clientela, a matéria exclusiva da Folha do Oeste, em primeira mão intitulada, “Índio morador da rua Xavante número 600, no bucólico Bairro da Piedade foi preso com quinze quilos e meio de maconha”.
No Bar do Sandoval, há lugar para o encontro com a notícia, com os amigos e com a tranquilidade do dia a dia, 24 horas, almoço, jantar, bebidas e tira-gosto na hora a gosto do freguês, venha pra cá!!!
O Osnofa tem certeza que você leitor deste meu causo, já teve os seus dias de passar de madrugada no Bar do Sandoval, depois de uma balada, com ou sem a namorada ou simplesmente com uma turma de amigos, tomar a saideira degustando aquele prato feito ou um tira-gosto feito na hora, como aquele bife de fígado acebolado que dá água na boca do freguês, de tão suculento. Não é à toa que meu amigo Marcos Antônio Beghine sempre que pode estar jantando no Bar do Sandoval.
O Osnofa está certo que os bons tempos ainda não se foram, estão apenas começando e se você gosta de uma boa comida caseira na hora do almoço ou quer um bar para curtir a noite e o fim da noite, a melhor opção ainda é o Bar do Sandoval.
Como diria o Poeta Osnofa … “Comida boa, no prato ou na quentinha, direto da cozinha, preço sem igual, é no Bar do Sandoval”
“Pinga da roça, cerveja geladinha, tira-gosto da hora, torresmo e linguiça, sopa de galinha, tudo a gosto do freguês, quem vem no Bar do Sandoval, volta outra vez”.
Afonso Osnofa (Afonsinho)

REDUTO DA BOEMIA ITAUNENSE

O Bar do Sandoval, em Itaúna é uma relíquia e último reduto da boemia itaunense. A começar pelo próprio Sandoval, um típico barman itaunense que atravessou décadas trabalhando no ramo, do qual me lembro desde a primeira infância.
Nos anos 70, ele tinha um bar em frente ao seu atual, e meu pai (barzeiro que era) me levava junto aos botecos de Itaúna, onde pude conhecer o Sandoval ainda muito jovem.
Durante a época que morei sozinho na rua Dr. José Gonçalves, o Bar do Sandoval era meio a cozinha da minha casa. Foram inúmeros PFs, pão de queijo com linguiça chapa, pão de sal com almôndegas e muita fanta na madrugada a dentro, sempre trabalhando no VF impresso. De praxe, o Bar 24 horas servia os fregueses com o fiel escudeiro, Zé Luiz, Sandoval e seu irmão.
Lá é o único lugar do mundo que você encontra criaturas de toda espécie, conhece gente nova e tem encontros inusitados. Até mesmo um ET de alfa centauro, uma mera mulher da vida, que usa disfarçadamente o Sandova, como seu ponto de trabalho.
O bar que reúne todas as tribos, foi palco de encontros com pessoas raras pra mim. Ponto de parada e reabastecimento em tantos carnavais, noitadas, serenatas e também de bebedeiras com meus amigos (deles, sou avesso a bebida), e local de matar a fome na madrugada itaunense.
E lá estando da última vez, na virada do ano, revi o Sandoval na ativa e numa jogada do destino, trombei com meu amigo Popó, que foi ali pra comprar o mesmo que eu, antes de cair no réveillon: cigarros para varar a noite. Nada mais itaunense que isso…
Viva, Sandoval!
Pepe Chaves

CORONAVÍRUS: SANDOVAL FECHADO, MAS NÃO CURVADO ...


No “fatídico e histórico dia 23 do mês de março do ano de 2020” pela primeira vez e há pouco mais de  40 anos de trabalho de “portas sempre abertas” o bar 24 horas “fechou”…, e a notícia se espalhou rapidamente por todos …
“Quantas histórias esse lugar poderia contar! Bar do Sandoval, na Praça da Lagoinha, em Itaúna – MG” Adilson Nogueira.
“Fato inédito na história de Itaúna, bar do Sandoval está fechado” Rosse Andrade.
“Gente é o fim dos tempos mesmo, até o Sandoval fechou” Janaína Andrade.
“ITAUNICES – Bar do Sandoval vai fechar pela primeira vez na História de Itaúna! E tem gente achando que é “só” uma gripezinha … Mas informa: Mesmo fechado estará entregando marmitex! O mais gosto de Blackstone! ” Professor Luiz Mascarenhas.
“Hoje dia 23/03/2020 um fato histórico no município de Itaúna mg, desde a sua inauguração o conhecido e muito frequentado BAR DO SANDOVAL localizado na praça da lagoinha teve que pela primeira vez baixar as suas portas ao público, devido a epidemia do coronavírus” Hamilton Pereira.
“Momento histórico para Itaúna/MG. Bar e Restaurante Sandoval 24h fechado a partir de segunda-feira (23) ” Rádio Clube de Itaúna.
“E o Sandoval encontrou as chaves para fechar? ” Elmo Nélio Moreira.
“Isso é raro e tem mesmo que ser registrado e autenticado no cartório !!!” Marquinho Morais.
“Eu nem sabia que tinha porta pra fechar lá” Jardel Alves.
“Acordar as 2:00 da madrugada sem o pf do Sandoval não vai ser fácil! ” Horotimaro Silva.
“Agora sim todos podem buscar a Deus tempo está fechando, cada dia que passa está estreito” Sidinei Douglas.
“Quem nunca passou uma noitada no Sandoval não teve um bom passado!!” Luciene Souza.
“Ele já sabia!  RAUL SEIXAS “Agora sim, a Terra Parou! ” Robson Reis.
Sandoval pra ele fechar é que a coisa tá feia!!! Rosaria Helen.
“Pronto socorro dos Ébrios. . .” Francisco Farias.
“Com tantos anos de funcionamento, isso nunca aconteceu!!!” Jake Santos.
“Uma história da cidade o Sandoval” Alvimar Manoel Pereira.
“Desemperraram as portas” Heriks Nogueira.
“Gente é o fim dos tempos mesmo, até o Sandoval fechou” Janaina Andrade.
“Vivi pra ver o Sandoval fechar” Luiz Carlos.

SANDOVAL ABERTO 24 HORAS: DELIVERY & MARMITEX



Referências:
Textos: Afonso Osnofa, Pepe Chaves e rede social (Facebook).
Acervo Fotográfico: Hamilton Pereira, Charles Aquino, Sandoval Campos, Odilon Campos e redes sociais da internet.
Organização & Arte: Charles Aquino

sexta-feira, fevereiro 21, 2020

O CARNAVAL ITAUNENSE


As festas e comemorações –sejam cívicas, sociais ou religiosas- fazem parte da existência humana. É necessário celebrar. É preciso comemorar- “co-memore”= com a memória, ou seja, trazer à lembrança ou simplesmente festejar.

 A vida humana é um sopro sobre a Terra e essa sensação de finitude leva-nos à entrega até mesmo irracional aos festins e bacanais. A quebra das rígidas regras e normas sociais se faz necessária para a loucura e o devaneio darem um pouco de sentido a tudo.
         E dentre tantas festas do calendário temos o Carnaval. O Carnaval é uma festa originária do cristianismo ocidental e que acontece antes da Quaresma. Normalmente envolve uma festa pública com desfiles combinando alguns elementos circenses, máscaras e até mesmo personagens do antigo teatro italiano, como pierrô, arlequim e colombina

As pessoas se fantasiam durante a festa, permitindo-lhes perder a sua individualidade cotidiana e experimentar um sentido elevado de unidade social.

A origem do Carnaval se perde no tempo. Entre os antigos egípcios havia as festas de Ísis e do boi Ápis; entre os hebreus, a festa das sortes; entre os gregos antigos, as bacanais; na Roma Antiga, as lupercais, as saturnais.  Na Idade Média, o Carnaval não durava apenas alguns dias, mas quase todo o período entre o Natal e o início da Quaresma. 

Nesses dois meses, as populações católicas usavam os muitos feriados dos santos como uma saída para suas frustrações diárias. No entanto, a Igreja Católica já condenava o que chamava de "devastação diabólica" e "rituais pagãos". No ano 325, o primeiro Concílio de Niceia tentou acabar com estas festas pagãs.

         O Carnaval moderno, feito de desfiles e fantasias, é produto da sociedade vitoriana do século XX e a cidade de Paris foi o principal modelo exportador da festa carnavalesca para o mundo.

 O Carnaval ocorre 47 dias antes da Páscoa, em fevereiro, geralmente, ou em março, conforme o seu cálculo, próximo da lua nova. E não se trata de festa própria do Brasil: o carnaval acontece em diversos países do mundo, cada um conforme sua própria Cultura; como exemplo, o famoso e clássico Carnaval de Veneza, com máscaras e trajes luxuosos do séc. XVIII, como uma grande celebração barroca.

Na nossa ITAÚNA – outrora Sant’ana do Rio São João Acima de Pitanguy- o carnaval vem de longa data. Começou pela influência portuguesa do Entrudo (Entrudo era uma festa antiga, anterior ao atual Carnaval).

Segundo pesquisas do Historiador Charles Aquino, temos notícia do Entrudo do ano de1880. No dia 3 de fevereiro daquele ano, a comemoração do entrudo no arraial de Santana de São João Acima resultou em uma grande confusão. 

Aconteceu porque pretendendo José Manoel de Oliveira brincar de entrudo com a filha de Paulino Caetano Alves, a seguiu levando um limão de cheiro e jogou na moça.  O pai “indignado agrediu com uma faca e não podendo feri-lo com ela, armou uma espingarda e com esta disparou-lhe um tiro fazendo-lhe com ele ofensas constantes”.

A história transformou-se em um processo com de mais de 80 páginas. No ano de 1885, Paulino Caetano Alves, o pai da moça, respondia pelos atos praticados naquele dia de festa carnavalesca em Santana do São João Acima; tal procedimento resultou para o denunciado um processo que o torna réu. 

No dia 19 de novembro de 1885, depois de ouvirem 5 testemunhas e analisarem o caso, o julgamento foi a Júri Popular, tendo por unanimidade de votos a favor da absolvição do réu, Paulino Caetano Alves.

Bem distante deste imbróglio carnavalesco do Séc. XIX, encontramos nas páginas do Jornal “FOLHA DO OESTE” a reportagem de Cosme Silva, no ano de 1980: “A grata surpresa do carnaval itaunense.

O Bloco veio de Santanense, pela sua primeira vez, deu o seu recado, todo mundo cantou o seu samba, bem organizado na rua e não tenha dúvidas se os líderes de lá quiserem no próximo ano poderá surgir uma Escola de Samba que vai dar trabalho. ”

E no carnaval de Itaúna, aconteceram também os famosos bailes carnavalescos nos diversos clube: Automóvel Clube, União Operária e Flor do Momo..
Dividindo assim a Sociedade entre a elite, os trabalhadores e os “homens de cor” – expressão utilizada na época e eivada de racismo para se designar os então afrodescendentes.

E as névoas do Tempo nos fazem rever o desfile subindo a rua Silva Jardim, com os diversos blocos caricatos: o eterno Farrapos da Lagoinha – o mais irreverente bloco de “sujos” da cidade - Bloco da Saudade, Cuecões, Caveira, Bloco do Tutu, Demorô e o Alfaces com seu trio elétrico que causou grande sensação entre os jovens de outrora. A Banda Suja do Adelino e sua alegria contagiante.

E nossas antológicas Escolas de Samba (um capítulo à parte nessa História):  Unidos da Ponte, Império dos Castores, Os Pães e o Clube dos Zulus- exibindo as belas e encantadoras fantasias em negro e dourado e ricas plumagens e sambas enredo que fizeram história (leia-se Raimundo Rabello, o nosso ilustre Confrade Mundico e diversos outros).

E figuras singulares como o Miss Itaúna e o histórico “bloco do Eu Sozinho”, sempre em elaboradas e mágicas fantasias que o Newton Regal preparava com grande esmero e carinho, para o encanto de quem o via na avenida...Eterno o seu “Carlitos”.

Outros tempos, outros costumes. Foram-se as escolas de samba e os altos custos de um carnaval mais para ser admirado e assistido do que realmente aproveitado pelo povo. E a festa de Momo foi tomando outros formatos, conforme as intempéries do Tempo. Pelos bairros da cidade, um pré-carnaval que agitou as noites das barrancas. 

Como o “Babalu” de Santanense, “As Piedosas” no bairro da Piedade, “As Virgens” do Pe. Eustáquio com o Rosse Andrade e o “Pau de Gaiola” do Afonsinho (verdadeira apoteose carnavalesca e familiar que literalmente lota a Praça da Lagoinha e adjacências na quinta-feira que antecede a festança).  

Um “Esplendor e Glória” que vem com seu General da Banda Tadeu Nolasco repaginando nosso carnaval há alguns anos e resgatando a tradição das marchinhas com a Banda “Barril de Chope” (Walter Júnior e companheiros), sempre desfilando na contramão da avenida Jove Soares.

Por trás de cada agremiação, uma história de foliões abnegados que lutam para pôr o bloco na rua. Carnaval de rua, de foliões ou dos que preferem o sossego das cachoeiras, dos sítios e dos muitos retiros espirituais também. Vale tudo! Do axé, passando pelo samba, ao aleluia e as marchinhas (as de outrora; muitas censuras por este tempo de mimimis).

E aqui me despeço com o compositor Antônio dos Santos: “Você pensa que cachaça é água/cachaça não é água não/cachaça vem do alambique/e água vem do ribeirão. ”


Referências:

Texto:  Professor Luiz Mascarenhas

Organização e Arte: Charles Aquino

Acervo: Shorpy

terça-feira, fevereiro 04, 2020

CAPELA SÃO MIGUEL

Rapidinhas da História

No séc. XIX, ao passar estas terras, os frades franciscanos capuchinhos, vindos da Itália, ditos “barbôneos” – chefiados pelo pregador apostólico Frei Eugênio Maria de Gênova - com a missão da Sagrada Propaganda “Fide” de Roma, recomendaram que se construísse no interior do cemitério (hoje EE “José Gonçalves de Melo”) a Capela de São Miguel.


Organização ,Pesquisa e Arte : Charles Aquino

segunda-feira, fevereiro 03, 2020

ESTAÇÃO FERROVIÁRIA

Ramon MARRA*

Ali estava eu novamente, não sei quantas vezes estive ali em toda minha vida. Aquele lugar era parte da minha história e estar ali era nova oportunidade de ser por inteiro, mesmo que em muitos momentos estivesse em pedaços.

Naquele dia em especial a estação ferroviária estava gelada. Não havia o calor humano, o trem chegara vazio e não havia quem esperasse e nem quem partisse. 

Somente eu ali, sozinho com minhas imaginações, com minhas fantasias, com minhas ilusões.

A estação ferroviária era meu enigma, era meu refúgio, era simbolismo da minha nostalgia, de um tempo em que o coração pulsava a espera dos sonhos que vinham e dos amores que partiam.

Das alegrias das chegadas e das dores das despedidas. 

Dos beijos não dados, dos acenos de adeus que não precisavam ter acontecidos.

Dos sorrisos largos e as vezes tristonhos dados das janelas entreabertas dos vagões em movimento.

Dos acentos que deixavam o coração machucado a espera de um retorno que jamais poderia acontecer

Da poltrona vazia na chegada que remetia o pensamento a ausência de quem tanto esperávamos.

Ali cresci, ali amei, ali vi a história passar. Em muitos momentos tudo sendo dito e em alguns as melhores coisas da gente ficando escondidas e engasgadas em nossos corações, em nossas almas.

A estação hoje está em pedaços, ela foi destruída e com ela se foram as lágrimas não derramadas, foram as flores não compartilhadas, foram as cartas não lidas, foram as poesias não proclamadas.

Mas nos corações dos transeuntes muita coisa ainda escondida, há para se revelar. O coração pode suportar como uma represa a fantasia que está à espera de se transformar em realidade.

Talvez para sempre, muitos as deixarão represadas. Porque deixá-la seguir o fluxo seria um ato de libertação. E toda liberdade tem seu custo.

Assim como o trem que segue o fluxo, mas tem como obstáculos os trilhos, assim também deixar o coração falar a verdade requer construir uma nova estação.

Nela fatalmente aconteceriam novamente muitos encontros e despedidas.

Mas de repente....

Acordei do meu transe vi que já era tarde.

Lá estou eu voltando pra casa, volto-me mais uma vez para a estação e com o coração apertado, dou um breve adeus. Ali tenho que voltar, pois a história precisa continuar.

Alguém precisa canta-la!

Alguém precisa!

Alguém!


*Pós-Graduação em Psicopedagogia
Texto: Ramon Marra / Santanense -  Itaúna/MG
Organização & Fotografia: Charles Aquino

sábado, janeiro 25, 2020

terça-feira, janeiro 14, 2020

SÍLVIO DE MATTOS

SÍLVIO PEREIRA DE MATTOS 

Nasceu em Campos (Campos dos Goytacazes), Província do Rio de Janeiro em 08/02/1882; profissão guarda-livros (contador); residente em Itaúna, onde casou em 02/05/1914 [F.93-L.3-Cas-CRC] com a itaunense Maria Augusta Guimarães nascida aos 16/03/1891, filha de Ludovico Ferreira Guimarães e Marfisa Augusta Nascimento. 

Após casamento passou a se chamar Maria Guimarães de Matos; ele faleceu em 24/9/1960 em Itaúna/MG [F.76-L.18-Obi-CRC]; ela faleceu em 11/8/1973 em Itaúna/MG [F.148v-L.22-Obi-CRC];

Itaunense que nunca foi líder político, não é homem de fortuna, nem jamais se projetou no cenário comercial ou industrial de Itaúna, não obstante trata-se de uma das mais luminosas inteligências desta terra. Refiro-me ao Sr. Sílvio de Mattos.

O homem podia, indiferentemente, dedicar-se ao teatro, como produtor, como autor e ator de imensos recursos. Indiferentemente, dedicar-se à literatura ou à ciência. Ou à mecânica — que foi sempre seu passatempo predileto. Os mais complicados mecanismos nunca tiveram mistérios para a habilidade e a invulgar inteligência de Sílvio de Matos.

Lembro-me de que certa ocasião, ouvindo uma conversa de rapazes mais idosos, na porta de Igreja, um deles dissera: — “Indiscutivelmente, possui uma inteligência invulgar. A conversa do Silvio, porém, é cansativa”.

Essa afirmação me surpreendeu, pois, meu pai apreciava infinitamente as palestras do Sr. Sílvio, por isso interpelei o velho: — “Papai, como o senhor analisa o Sílvio de Matos? ” A resposta do velho foi categórica: — “A um gênio, não se analisa. Admira-se e pronto”.

— “O que acontece” — explicou ele — “é que o Sílvio tem um raciocínio tremendamente rápido e a gente tem sempre grande dificuldade em seguir o fio do pensamento dele”.

Fiz sempre questão de cultivar a amizade do Sr. Sílvio, colhendo dela os melhores proveitos. Indiscutivelmente, o homem é uma enciclopédia. Em todo assunto, ele dá lição pra gente.

Péricles Gomide Júnior


GENEALOGIA DA FAMÍLIA

Silvio Pereira de Mattos e Maria Augusta Guimarães de Mattos teve 5 filhos:

N1. Mário Guimarães Matos   

N2. Marta Guimarães Matos de Sousa       

N3. Vivi Guimarães Matos     

N4. Sílvia de Matos   

N5. Maria Guimarães Matos de Lima


N1. Mário Guimarães Matos (*20/08/1916/Itaúna)

N2. Marta Guimarães Matos de Sousa (*18/03/1918/Itaúna — †30/06/2017/Itaúna) casou com Hely Alves de Sousa (*15/11/1920/Mateus Leme — †19/09/1979/Itaúna).
O casal teve 9 filhos:

Bn1. Heleno Matos de Souza (*12/09/1942/Itaúna) casado com Marlene Conceição Rezende Matos de Souza (*07/04/1942/Itaúna). O casal teve 2 filhos:
Tn1. Álvaro Augusto Rezende Matos de Souza (*09/01/1982/Itaúna) casado com Eva Antônia Gomes Moreira Matos (*18/03/1984/Itaúna);
Tn2. Beatriz Rezende Matos de Souza (*28/06/1985/Itaúna) casou com Hermano Moreno Santos Araújo (*28/08/1986/Itaúna).
Bn2. Mário Lúcio de Souza Matos (*27/11/1943/Itaúna
†22/06/2018/Itaúna);

Bn3. Marli Matos de Souza Oliveira (*18/02/1945/Itaúna) casada com Wilson de Oliveira (*15/04/1948/Itaúna).
O casal teve 2 filhos:
Tn1. Cristina de Souza Oliveira Brandão (*27/05/1971/Itaúna
†30/12/2018) casada com Eduardo Faria Brandão (*10/05/1971).
O casal teve 2 filhas:
4ªn1. Letícia de Oliveira Brandão (*23/08/1995/Itaúna); 4ªn2. Luiza de Oliveira Brandão (*02/04/2001/Itaúna).

Tn2. Ronald Wilson de Souza Oliveira (*22/04/1974/Itaúna) casado com
Annabella Girelli Boing (*20/12/1981). casal teve 2 filhos:
4ºn1. Marcos Boing de Oliveira (*25/07/2011/Itaúna);

4ªn2. Paola Boing de Oliveira (*05/11/2015).

Bn4. Juarez Matos de Souza (*02/03/1946/Itaúna) casou com Meiry Jorge de Souza (*28/05/1948).
O Casal 2  filhos:
Tn1. Daniel Jorge de Souza Matos (*25/03/1978/Itaúna); Tn2. Lucas Jorge de Souza Mtos (*25/03/1978/Itaúna). 

Bn5. Ana Lúcia Matos de Souza (*22/06/1948/Itaúna);

Bn6. Wallace Matos de Souza (*05/05/1950/Itaúna) casou com Mônica Carvalho Franco Souza (*29/08/1955/Itaúna).
O casal teve 3 filhos:

Tn1. Caroline Franco de Souza (*15/08/1981/Itaúna) casou com Ian Ibsen da Silveira Rabelo (*03/08/1988/Itaúna). O casal teve 2 filhos:

4ªn1. Nina Franco Rabelo (*14/03/2017/Itaúna); 4ºn2. João Pedro Franco Rabelo (*16/09/2019).
Tn2. Leandro de Souza (*08/07/1983/Itaúna) casou com Carolina Cássia Pousa de Oliveira Franco (*19/03/1987/Itaúna);

Tn3. Vinícius Franco de Souza (*22/06/1986/Itaúna).

Bn7. Waldez Matos de Souza (*27/11/1951/Itaúna) casou com Elizabeth Maria Nogueira Matos de Souza (*20/07/1961/Itaúna).

O casal teve 3 filhos:

Tn1. Cinthia Aparecida Matos Nogueira (*07/05/1978/Itaúna);

Tn2. Ricardo Matos de Souza Nogueira (*24/11/1980/Itaúna) casou com Thaynara Marcelina Souza Nogueira (*02/01/1987).

O casal teve 2 filhos:

4ºn1. Rodrigo Matos Souza (*15/09/2010/Itaúna);
4ºn2. Miguel Matos Souza (*04/02/2019/Itaúna.)

Tn3. Fernanda Matos Souza Nogueira Maia (*03/09/1984/Itaúna) casou com Eduardo César de Sousa Maia (*13/05/1968/Itaúna).
O casal teve 2 filhos:

4ºn1. Matheus Henrique de Souza Maia (*21/10/2010/Itaúna); 4ªn2. Maria Eduarda Souza Maia (*28/03/2014/Itaúna).

Bn8. Consulelo Matos de Souza Corradi (*04/07/1955/Itaúna) casou com Armando Sérgio Corradi (*02/03/1956/Itaúna). 
O casal teve 2 filhos:
Tn1. Marco Túlio Matos de Souza Corradi (*25/02/1978/Itaúna) casou com Adriana Oliveira Diniz Corradi (*09/03/1979/Itaúna).
O casal teve 2 filhos:
4ªn1. Júlia Diniz Corradi (*15/04/2006/Itaúna);

4ºn2. Arthur Matos Diniz Corradi (*09/04/2017/Itaúna).

Tn2. Natália de Souza Corradi (*26/12/1981/Itaúna) casou com Cristiano Diniz Nogueira (*22/07/1987/Itaúna).

O casal teve uma filha:

4ªn1. Alice Corradi Nogueira (*20/04/2015/Itaúna).

Bn9. Elimar Matos de Souza (*27/02/1963/Itaúna) casou com Edneia Oliveira Matos de Souza (*28/02/1968/Itaúna).

O casal teve 2  filhas:

Tn1. Bruna Oliveira Matos de Souza (*13/02/1993/Itaúna); 

Tn2. Flávia Oliveira Matos de Souza (*30/05/2001/Itaúna).


N3. Vivi Guimarães Matos (*11/5/1920/Itaúna — † 24/11/2003/Itaúna) casou com Wilson Mendes Nogueira (*1919/Itaúna — †21/061980/Itaúna).
O casal teve 2 filhos:

Bn1. Jesse (*11/3/1946/Itaúna)

Bn2. Sander Wilson de Matos Nogueira (*1947/Itaúna — †29/08/2018/Itaúna)

N4. Sílvia de Matos casada com Mário Soares Nogueira

N5. Maria Guimarães Matos de Lima (*1924/Itaúna — †23/12/2016/Itaúna)



Referências:

Pesquisa Genealógica:  Alan Penido, Charles Aquino

Texto: Péricles Gomide Júnior: Crónicas e Narrativas de Pancrácios Fidélis, BH, 1961, p. 147, 148, 149.

Organização e Fotografia: Charles Aquino 

Colaboração para o estudo da genealogia da família Mattos e Acervo:
Cinthia Aparecida Matos Nogueira

Registros Paroquiais da Paróquia Sant’Ana de Itaúna – 1840/2015: Family Search

Pesquisas : Ofício de registro civil das pessoas naturais – Cartório Lauro de Faria Matos – Itaúna/MG


sexta-feira, janeiro 03, 2020

quinta-feira, janeiro 02, 2020