domingo, abril 10, 2022

ESCOLA PADRE LUIZ TURKENBURG



DECRETO 36876, DE 19/05/1995

TEXTO ORIGINAL

Dá denominação de Padre Luiz Turkenburg a escola de 1º Grau da rede estadual de ensino, em Itaúna.

O Governador do Estado de Minas Gerais, no uso de atribuição que lhe confere o artigo 90, inciso VII, da Constituição do Estado, e tendo em vista o disposto no artigo 1º e seu § 1º da Lei nº 5.378, de 3 de dezembro de 1969, alterado pela Lei nº 7.621, de 13 de dezembro de 1979, DECRETA:

Art. 1º

– A Escola Estadual do Bairro Irmãos Auler, situada à Avenida Lenhita, 1377, Bairro Irmãos Auler no Município de Itaúna, passa a denominar-se Escola Estadual Padre Luiz Turkenburg.

Art. 2º

– Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.

Art. 3º

– Revogam-se as disposições em contrário.

Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte, aos 19 de maio de 1995.

EDUARDO AZEREDO

Amílcar Vianna Martins Filho

Ana Luíza Machado Pinheiro


Presente de DEUS para Itaúna!

* Guaracy de Castro NOGUEIRA

Theodorus Maria Turkemburg, este é o verdadeiro nome do Padre Luiz. Theo (Deus) Dorus (presente) = presente de Deus. Expressa bem o que a comunidade itaunense sentia por ele: foi um verdadeiro presente para Itaúna.

Holandês, nascido em Hillegon no dia 06 de maio de 1926, filho de Nicolaas Gerardus Turkemburg e Alberdina Kroom Van Diest, ordenou-se sacerdote pela Congregação do Espírito Santo, em 20 de julho de 1952. No anos eguinte veio para Itaúna.

Inicialmente professor de música e canto no Colégio Santana. Regente debanda de música, pelas quais era apaixonado, ensaiava corais, compunha peças musicais e executava vários instrumentos, exímio pianista e organista, vibrava com os dobrados marciais.

Na Holanda, obteve diploma de nível superior em um Conservatório Musical. Tão competente nessa área, que a pedido do Diretor, para suprir uma necessidade de ter um professor titular na Escola Normal, naturalizou-se brasileiro a fim de ser nomeado funcionário público e responder pela cadeira de Música e Canto Orfeônico. Graças a ele a Prefeitura de Itaúna doou um piano para o educandário.

Grande sensibilidade, modelar ministro de Deus, semeou muito amor e colheu inúmeros admiradores e amigos entre alunos, professores e pessoas da comunidade. Em 1º de Janeiro de 1960, assumiu a Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, no Bairro Padre Eustáquio. Ali fez desabrochar sua personalidade, mostrou todo o seu caráter e a bondade que sempre teve no coração.

Revelou-se, ainda, ser um homem empreendedor, preocupado com as condições sociais de seus paroquianos, principalmente, pobres, doentes e crianças. Para estas dedicou esforços na construção de várias creches, escolas, como as da Vila Tavares, Padre Eustáquio e Várzea da Olaria.

Desde que assumiu a Paróquia do Pe. Eustáquio, não parou de trabalhar. Na construção da Igreja Matriz do Bairro, ajudou a fazer massa para os pedreiros, carregou tijolos e latas de concreto, “bateu” laje, incansavelmente. Foram inúmeras obras.

Para conseguir tantas melhorias em suas comunidades, Pe. Luiz teve que trabalhar demais. Não media esforços. Atuava como servente de pedreiro, pintor e, desta maneira, dava exemplo para a comunidade que o seguia. Envolvia todos num mutirão.

Viam-se crianças, adultos e idosos colaborando. Era uma verdadeira festa a construção de uma nova Igreja, de uma nova Escola. Impressionante, ele sempre à frente de tudo Além das obras religiosas e educacionais, não se descuidava das caritativas. No Bairro Pe.

Eustáquio fundou um refeitório que fornece alimentação gratuita para as crianças carentes. Nos fins de semana dá alimentação para toda a família dessas crianças. No local também funciona um gabinete dentário, mantido pela Igreja.

Era responsável por aproximadamente quinze comunidades, dentre elas Várzea da Olaria, Irmãos Auler, Vila Tavares, Carneiros, Itatiaiuçu, Pinheiros, Santo Antônio da Barragem, Vieiros e Arrudas.

Achava tempo para coordenar todas as obras, assistir religiosamente suas comunidades, celebrar missas, casamentos e batismos, visitar doentes e pobres, apoiar e promover reuniões de cursilhistas, de jovens, de casais, de todos os inúmeros movimentos de sua Igreja. Parecia biônico, nunca demonstrava cansaço ou irritação.

Quando alguma coisa não o agradava, fazia silêncio. Depois procurava explicar o seu desagrado, com justificadas razões.

Para conseguir fazer tantas coisas em tão pouco tempo, rodava pela cidade com uma velha “Lambreta”, fizesse sol ou chuva. Ganhou um Fusca, da Holanda, o que veio facilitar sua maratona.

Vicente Ventura, um dos grandes amigos do Pe. Luiz, diz que muitas vezes ele ficou atolado nas estradas ruins por onde passava, e “voltava enlameado, mas feliz”. Desde há alguns anos, vinha lutando contra uma dolorosa doença no maxilar, um terrível câncer que lhe corroía o físico, mas não abatia seu vigor intelectual e espiritual.

Chegou a sair do Brasil, indo para a Holanda, fazer o tratamento e, segundo alguns, “viajou para morrer em seu país”. Os médicos deram-lhe três meses de vida. Quando ficou doente, recebeu a moléstia com tranquilidade, resignando-se ao árduo caminho que iria percorrer. Porém, a resignação não significou entrega.

Pe. Luiz com esperanças redobradas em Deus, conseguiu suplantar os piores momentos de sua jornada. Surpreendentemente voltou ao Brasil coma doença sob controle.

Para definir sua luta, e porque não dizer, seu triunfo sobre a doença, é importante relembrar uma afirmação do médico que o atendia em Belo Horizonte, citada por Dona Zulmira Antunes: “na sua cura entrou um pouco de medicina: o restante é algo que não se explica, algo divino, onde a ciência não entra”.

Na década de 90, continuou entre nós, trabalhando, como se nada tivesse acontecido, muitas vezes contrariando as recomendações médicas. A sua força de vontade, a crença em Deus, que o premiou com uma graça sublime, a de servir seus paroquianos, o mantinha vivo e atuante.

Vê-lo alimentar-se através de uma sonda, como auxílio de uma dedicada paroquiana, enfermeira Maria das Graças, era um bálsamo para quantos, desesperados, não aceitam os desígnios da Providência.

Debilitado pela doença, Pe. Luiz lia diariamente, celebrava (fazia a consagração), dava aulas de música, fazia ensaios do Coral. De vez em quando, “assustando” a todos que cuidavam dele, pegava o carro da Paróquia e punha-se a dirigir, principalmente para visitar doentes.

Ele era muito amigo do Dr. José Campos, seu colega de magistério na Escola Normal, marido de Dª Alba Regina, esposa desse ilustre médico e professor. Dª Alba, em decorrência de diabetes, foi ficando cega. Padre Luiz escreveu-lhe, em 24 de abril de 1993, uma carta consoladora, da qual extraio alguns trechos: “é uma cruz pesada que Deus reservou para a senhora e toda a família, sem dúvida!

Mas com seus méritos, costumeira alegria e poder de comunicação, conseguirá aliviar o sofrimento. Seu problema, suponho igual ao meu, surgiu de repente, mudando profundamente nossas vidas. Temos agora muito tempo para refletir e descobrir que há outras pessoas sofrendo mais, nos dão grande exemplo e não perdem a vontade de viver, continuam participando e convivendo com a família e a comunidade. Rezo para a senhora, celebro missa na sua intenção e estou certo de que o bom Deus atenderá nossos pedidos, aumentando nossa alegria de viver dia após dia”.

Grande e Santo Padre Luiz. Em 1989, no 1º Encontro de Bandas de Itaúna, Pe. Luiz deu, mais uma vez, exemplo de força de vontade, de sua crença na vida, sua fé inabalável nos desígnios divinos, e regeu o “Bandão” (união de todas as Bandas participantes do evento), na Praça da Matriz, emocionando a todos.

Compôs um Credo novo para a Paróquia. Em outubro de 1991, teve suas músicas escolhidas para serem executadas no Congresso Eucarístico Internacional, na cidade de Natal.

Na sua humildade, mandou as músicas sob pseudônimo, não quis se identificar, apenas colaborar para o maior brilhantismo do evento. Padre Luiz Turkemburg completou 40 anos de sacerdócio em 20 de julho de 1992, na Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, que lhe tributou as maiores homenagens pela dedicação com que dirigiu os destinos da Igreja no Bairro Padre Eustáquio.

Pela Resolução nº 06/80, a Câmara Municipal de Itaúna concedeu-lhe o título de Cidadão Honorário, entregue solenidade ocorrida no dia 20 de novembro de 1980. Faleceu em 23 de junho de 1994, deixando consternada toda a comunidade católica itaunense. Enterrado no cemitério local, teve seus restos mortais transferidos para a Igreja Matriz de sua paróquia.

THEO-DORUS, nosso presente de Deus, foi para a Casa do Pai, aureolado de santidade.



NORMA: DECRETO 36876, DE 19/05/1995

REFERENCIAIS

Ementa: DÁ DENOMINAÇÃO DE PADRE LUIZ TURKENBURG A ESCOLA DE 1º GRAU DA REDE ESTADUAL DE ENSINO, EM ITAÚNA.

Origem: EXECUTIVO

Fonte: PUBLICAÇÃO – MINAS GERAIS DIÁRIO DO EXECUTIVO – 20/05/1995 PÁG. 3COL. 2 MICRO FILME 527

Nomes: ESCOLA ESTADUAL PADRE LUIZ TURKENBURG. ESCOLA ESTADUAL DO BAIRRO IRMÃOS AULER.

Indexação: DENOMINAÇÃO, ESTABELECIMENTO DE ENSINO, ENSINO DE PRIMEIRO GRAU, LOCALIDADE, BAIRRO IRMÃOS AULER, MUNICÍPIO, ITAÚNA.

Assunto Geral: ESTABELECIMENTO DE ENSINO. PRÓPRIO PÚBLICO.


Referência para o Blog/Site: Itaúna Décadas

Organização Pesquisa e Arte: Charles Aquino

Acervo: Instituto Cultural Maria de Castro Nogueira

Acervo: Juarez Nogueira Franco e Prof. Marco Elísio

Fotografias: Antônio Gomes e outros

Texto: Guaracy de Castro Nogueira

Placa/Arte: Dionisio Codama, São Paulo, Brasil, (Retirado da internet).

VOCABULÁRIO QUIMBUNDO PARTE II

Parte II

E é coisa curiosa a examinar o povoado do Catumba, que se me afigura às ruínas de considerável quilombo. Ainda hoje só é habitado por pretos que só falam entre si o quimbundo [...].

Ainda me lembro bem de vários tipos populares negros, hoje desaparecidos, que serviam de troça para os moleques de Itaúna. Eram pretos de ascendência africana, si não direta, pelo menos muito próxima.

E como era costume aditar ao nome do negro o da nação a que pertencia, chamavam a esses pretos Vicente Bunda[1], Chico Bié, Cristina Bunduda, sendo que está me parece Kakuana, pela pequena estatura e a monstruosa esteatopigia[2] que apresentava.

Língua de formação bem rudimentar ainda, o congoês, pelos seus dialetos, não possui os atributos e as flexões que apresentam as línguas mais evoluídas como o português. 

Por isso, o quimbundo que surpreendi em Minas recorre sempre ao português nos casos em que o dialeto não possui recurso para a expressão. Estão neste caso os artigos demonstrativos, as conjunções, etc. 

Aliás, utilizam esses recursos em casos absolutamente indispensáveis por motivo de clareza. O dialeto não os possui. Quando querem dizer:  - “ O João fala muito bem a língua de preto”, se expressam assim: - “João oméra navuro quiapossóca undaca de quimbundo”.

A formação do feminino também é de simplicidade infantil. Resume-se em ajuntar a palavra -  mulher (ocaia ou mandumba) ao subistantivo a ser modificado: - rei (vicóra), Rainha (ocaia do vicóra) – mulher do rei. Porco (camguro), porca (mandumba do canguro) [3].

O número de verbos é reduzidíssimo e nunca flexionam para as diversas expressões de tempo e modo. A compreensão exata da frase se consegue pelo assunto de que trata a oração. Cachia, por exemplo, é o infinito do verbo chegar.

E a frase: O cuêto vindêro cachia no curimã, que dizer: -  o branco está chegando no serviço ...

[1] É interessante o fenômeno que se deu com esta palavra no Brasil. Bunda ou M’bunda pe adjetivo gentílico de um povo bántu. Por extensão, empregavam-na com a significação de ruim, feio, reles, inferior. E por isso é empregada vulgarmente para designar a anatomia posterior aos ossos da bacia (nádegas) ...

[2] Esteatopigia é um termo médico que define o acúmulo de gordura nas nádegas.

[3] Quer me parecer que mandumba eles empregam quando se tratam de irracionais e vicóra quando de gente.



Texto extraído do livro: FILHO, João Dornas. A Influência Social do Negro Brasileiro. Ed. Guaíra, São Paulo, 1942, p.72-73. 
Pesquisa e elaboração: Charles Aquino

VOCABULÁRIO QUIMBUNDO PARTE I


 O vocabulário quimbundo, é evidentemente lacunoso e como acredito que seja a primeira tentativa feita no Brasil com o fim de recolher esse importante material etnográfico, penso que prestará algum serviço aos estudiosos do assunto e concorra para trabalho mais amplo exigido pela afrologia brasileira.

Belo Horizonte, outubro de 1942

VOCABULÁRIO QUIMBUNDO
Parte I
Os estudos sobre o negro brasileiro têm se ressentido da falta de um conhecimento mais exato da língua que falavam os pretos importados pelo tráfico, talvez porque hoje, quando o interesse por esses assuntos cresceu à altura da sua importância, já quase não existem mais africanos ou descendentes próximos de africanos que conheçam a língua dos seus maiores.

E o conhecimento desse ramo do assunto é fundamental a uma análise perfeita, porque a língua, nas suas características, no seu gênio, nas suas formas diversas, é a chave de muitos problemas de folclore, sociologia, etnografia e outros prismas da questão.

O vocabulário que apresento aos estudiosos brasileiros é evidentemente lacunoso, mas já constitui uma contribuição aqueles que melhor aparelhados quiserem completa-lo, ampliando-lhe o número de palavras e retificando-lhe a pronuncia e a significação.

Principalmente a pronúncia que varia de pessoa a pessoa e a gente não pode fixa-la porque não tem um ponto de referência na literatura escrita, que a língua não possui.

O quimbundo, ou “undaca de quimbundo”, que conhecemos, é um dialeto congoês que, em presença do novo meio onde se expandiu, há de ter se modificado bastante em relação à pureza original. 

Mas é justamente por esse motivo que ele mais nos interessa. Por essa transformação operada com o fim de servir de expressão num ambiente estranho aquele em que se gerou, adaptando-se e vincando a língua do Brasil.

E o vocabulário que organizei, com o auxílio do preto Manuel da Cruz, e dos srs. Serjobes Augusto de Faria, de Itaúna, oeste de Minas, e José Aristides de Sales e João Justino, de Belo Horizonte, fixa justamente esse momento de transformação que a “undaca” sofreu em presença do meio brasileiro.

O município de Itaúna, sob o ponto de vista dos estudos negros, é uma região, digna de apreço, antes que desapareçam os últimos vestígios quimbundos que ali tiveram marcada importância. São comuns na toponímia do município as palavras bántus como Catumba, Calambau, CaxambúMarimbondo, Cafuringa, etc.


Texto extraído do livro: FILHO, João Dornas. A Influência Social do Negro Brasileiro. Ed.Guaíra, São Paulo, 1942, p.71-72.

Pesquisa, organização e Arte: Charles Aquino

    sábado, abril 02, 2022

    HISTÓRIA DA SAÚDE EM ITAÚNA (VII)

    HISTÓRIA DA SAÚDE EM ITAÚNA MG
     
    PRIMEIRO TEXTO

    O texto "ITAÚNA: OS MALES DA ÉPOCA" aborda as doenças que afligem a população do município, destacando a importância do saneamento para a prevenção e controle dessas enfermidades. Inicialmente, são mencionadas doenças como impaludismo (malária), verminose (amarelão) e sífilis, enfatizando que todas elas têm tratamentos conhecidos e medidas preventivas que podem ser adotadas pela população. O autor explica que o impaludismo pode ser combatido eliminando mosquitos, enquanto a verminose pode ser evitada com práticas higiênicas e o uso de vermífugos. A sífilis, por sua vez, é tratável com medicamentos específicos.

    No entanto, o texto destaca a morféia (lepra) como o maior desafio, dada sua gravidade e dificuldade de tratamento. A lepra é descrita como uma doença que causa grande temor e que, ao ser diagnosticada, requer isolamento do paciente em leprosários para evitar a disseminação. A presença de um grande número de doentes no município de Itaúna é apontada como uma ameaça ao bem-estar coletivo e à economia local, já que a desvalorização dos produtos agrícolas e das terras pode ocorrer devido ao estigma associado à doença.

    O autor apela para a colaboração da população na construção de novas instalações no Leprosário Santa Isabel, argumentando que isso permitirá isolar todos os doentes e, consequentemente, erradicar a lepra do município. É feita uma proposta concreta de arrecadação de fundos, solicitando contribuições financeiras de diferentes segmentos da sociedade, como fazendeiros, comerciantes e industriais, além das mulheres da cidade. O objetivo é reunir uma quantia suficiente para construir um grupo de casas no leprosário e, assim, alcançar o saneamento completo de Itaúna.

    O texto conclama os habitantes de Itaúna a não medirem esforços e sacrifícios para realizar essa "grandiosa obra de saneamento" e garantir a salvação e prosperidade do município. O apelo é reforçado pelas assinaturas de várias figuras proeminentes da sociedade local, como médicos e autoridades, demonstrando a seriedade e urgência da questão.

    Essa síntese crítica evidencia a preocupação com a saúde pública e o impacto socioeconômico das doenças na comunidade. O texto reflete um período em que o combate a doenças infecciosas era central para o desenvolvimento das localidades e destaca a importância da mobilização coletiva para enfrentar desafios de saúde pública.


    ITAÚNA: OS MALES DA ÉPOCA

    Excelentíssimo Senhor Prezado Conterrâneo. Iniciamos como não ignorais um movimento, visando o saneamento do município. Muitos males atacam o homem.

    Conheceis todos: o impaludismo [1] ou maleita, a verminose ou amarelão [2], a sífilis ou o gáico e a morfeia [3], lepra ou mal de São Lázaro.

    Quando a maleita vos ataca, sabeis que o quinino a debéla. Procurais um médico e ele vos aconselhará a evitardes os mosquitos chamados pernilongos, a exterminá-los mesmo, fazendo desaparecer de um torno as vossas casas qualquer poça d´agua, qualquer vasilha que possa coletá-la, ainda que seja em quantidade mínima, porque é na água limpa e parada que os mosquitos se criam e desenvolvem.

    Não havendo mosquito, não haverá impaludismo. A verminose ou amarelão quando vos ataca, quando sentis dores nas pernas, desanimo, falta de forças, o rosto pálido, sabeis que os “bichos” vos molestam.

    Procurais na farmácia um lombrigueiro ou vermífugo ou consultais a um médico e ele vos receitará esses mesmos medicamentos que já vos são familiares, e vos aconselhará a não andares descalços e a vós utilizares das latrinas sempre, a terdes as mãos sempre limpas, enfim, vos dará os conselhos higiênicos com os quais evitareis o mal.

    Se manifestações súbitas de sífilis adquirida, ou tardias de sífilis hereditária, vos aparecem, os médicos em poucos dias as combaterão, preservando-vos o novecentos e quatorze, o mercúrio e as injeções de bismuto que, a breve trecho, farão desaparecer os sintomas alarmantes, tranquilizando o vosso espírito.

    São este os males que atacam o homem. São eles curáveis e perfeitamente evitáveis.

    Existe, porém um, maior que todos esses outros, que, muitas vezes, vos ataca traiçoeiramente e que vos leva, um dia ao consultório de um médico.

    A morféa, esse mal hediondo que a todos aterroriza. Para ela, pode-se dizer, que não encontrais remédios. O médico horrorizado, depois de longo e cuidadoso exame, vos dará a triste notícia e, imediatamente, vos aconselhará a vos afastardes dos vossos.
    Aconselhar-vos-á, com um elevado espírito de humanidade, que vos recolhais a um Leprosário, onde podereis vos tratar melhor, com maior probabilidade de cura, ou pelo menos paralisação do mal, isentando, assim, do perigo os demais membros da vossa família e os vossos amigos.

    Atentai bem para essa perspectiva dolorosa que a todos nós deve atormentar, enquanto tivermos no município um elevado número de doentes contagiantes, isto é, indivíduos que vos poderão transmitir tão horripilante mal.

    No Leprosário Santa Isabel já conseguimos recolher mais de 50 doentes. Temos ainda no município cerca de 200 morféticos espalhados por todos os recantos, menos, felizmente no perímetro da cidade e nas sedes dos distritos, que já se acham saneados. Carecemos recolhe-los todos para que possamos orgulhosamente dizer que no território do município não há mais um único leproso.

    Está na vossa boa vontade alcançarmos essa grande conquista. Se o povo do município de Itaúna concorrer para a construção de um grupo de casas no Leprosário, teremos no menor prazo de tempo possível, o município perfeitamente saneado, Lá fora, na Capital e nas outras zonas do Estado, sabe-se que o número de leprosos, em vez de diminuir, vai aumentando, os vossos produtos e irão, casa vez mais, se desvalorizando.

    Aquilo que plantais passará a valer menos. Todos os mercados rejeitarão os vossos produtos, os depreciarão de tal forma que não vos valerá a pena vende-los. As vossas terras serão tidas como terras amaldiçoadas, passarão também a nada valer e, assim. O município irá de queda em queda e se transformará numa vasta tapera.

    O mal crescerá sempre, contaminará todas as vossas famílias, transformará os vossos filhos nessas guras horrorosas de enfermos, enfermados, mutilados e chagados.

    Em 1931 a estatística fornecida pela Saúde Pública dava o município de Itaúna como tendo 75 morféticos, somente. Agora coma remessa de 50 e tantos para o Leprosário, verificou-se que ainda existem perto de 200. Vede como em dois anos aumentou o número de portadores do mal! Vede como se alastra a moléstia!

    Auxiliando a construção da vila do município, na Colônia Santa Isabel, concorreis para livrar-nos do grande mal, concorreis para a vossa própria defesa e dos vossos.

    Se cada indivíduo der, no prazo de um ano, a quantia mínima de 10$000 (dez mil réis), poderemos dentro de pouco tempo levar a efeito essa grande obra. Fazemos a todos um apelo veemente para que contribuam com o que puderem.

    Na classe dos fazendeiros temos 1400 propriedades registradas na Prefeitura. Se cada proprietário der 10$000, serão 14 contos de contribuição só dessa laboriosa classe, para tão útil cometimento. Muitas pessoas hão de dizer que não podem dar tal quantia, mas também quantos poderão, sem sacrifício, da mais do que isso?

    Continuando o mal a crescer na proporção que se verifica, serão os fazendeiros os mais prejudicados, pois, todos os seus produtos e suas terras passarão a nada valer.

    A grande e numerosa classe dos negociantes se prejudicará também indiretamente, os industriais da mesma forma, todas as classes, enfim toda a coletividade sofrerá um forte desequilíbrio e caminhará para o aniquilamento. O combate incansável, sem tréguas, sem desalento, à morféa é questão de vida ou de morte para essa coletividade, que tanto tem trabalhado para o engrandecimento do município.

    Estabelecemos um plano que, certamente, dará resultado se não houver desfalecimentos, se todo o povo medir bem o perigo que lhe apontamos, clara e insofismavelmente.

    Se conseguirmos a quantia de 50 contos de réis para as construções que planejamos, teremos dentro de pouco tempo o município saneado. Para isso basta que cada classe contribua, no prazo de um ano, com 10 contos.
    Todos os fazendeiros, negociantes, industriais, todos os homens formados, contribuirão, qualquer que ela seja, para constituir também uma quota de 10 contos.

    Para mostrar como não é difícil isso damos um exemplo. Itaúna, só a cidade, tendo calculadamente 5.000 habitantes, terá certamente 2.000 mulheres que podem dar 1$000 (mil réis) no prazo de 1 ano, menos de UM TOSTÃO POR MÊS. Estão aí 2 contos de réis. Que representadora perspectiva, poderemos dentro de um ano conseguir tudo isso.

    Mãos à obra, pois itaunenses!

    Nós vos conclamamos a não medir sacrifícios, a empenhar a todos esforços para essa grandiosa obra de saneamento, para a salvação do nosso grande e próspero município.

    Assinaturas:

    Dr. Antônio Augusto de Lima Coutinho
    Dr. Dario Gonçalves de Souza
    Dr. Lincoln Nogueira Machado
    Dr. Hely Nogueira
    Dr. Ademar Gonçalves de Souza
    Dr. José Drummond
    Dr. Elizeu M. Jardim — Juiz de Direito e Vice-Presidente de Honra da mesma Sociedade de Proteção aos Lázaros
     
    [1] IMPALUDISMO: é o mesmo que Malária. Infecção causada por protozoários do gênero Plasmodium transmitida pela picada de mosquitos do gênero Anopheles, e que se caracteriza por calafrios e febre.

    [2] AMARELÃO: A ancilostomose, também conhecida por amarelão, é uma doença causada por vermes nematódeos (espécie: Necator americanus e Ancylostoma duodenale). As formas adultas desses parasitas se instalam no aparelho digestivo dos seres humanos, onde se fixam na porção que compreende o intestino delgado, nutrindo-se de sangue do hospedeiro e causando anemia. Essa doença é transmitida através da penetração ativa de pequenas larvas infectantes na pele de um indivíduo em contato com ambientes propensos, principalmente o solo, contendo fezes contaminadas por ovos que eclodem e desenvolvem as larvas.

    [3] MORFEIA: A hanseníase é uma doença infecciosa causada pela bactéria Mycobacterium leprae. Também conhecida como lepra, morfeia, mal de Hansen ou mal de Lázaro, é responsável por severos danos aos nervos e ao tecido epitelial.



    SEGUNDO TEXTO

    O texto "Entrevista com o Dr. Alcides Gonçalves de Souza" faz parte de uma campanha de um jornal em Itaúna para promover a internação de todos os leprosos do município no Leprosário Santa Isabel. A entrevista com o Dr. Alcides Gonçalves, um advogado local e figura respeitada, revela a importância desta iniciativa para a comunidade.

    Dr. Alcides considera o esforço de combate à lepra como extremamente útil e louvável. Ele destaca que a presença da lepra prejudica as relações sociais, econômicas e comerciais em qualquer localidade. Portanto, livrar Itaúna dos leprosos seria um grande alívio e um exemplo do valor do entusiasmo juvenil ao serviço de uma boa causa. Ele elogia o jornal e os líderes da campanha pela sua dedicação.

    Em relação aos possíveis prejuízos causados pela propaganda sobre a lepra, Dr. Alcides menciona que alguns comerciantes de fora estão prevenidos contra produtos de Itaúna, devido à desinformação. Ele relata um caso em que um viajante impediu sua filha de comprar frutas e doces na estação da cidade, devido ao medo da lepra. Dr. Alcides argumenta que a solução está em corrigir esses equívocos, não em paralisar a propaganda útil. Ele sugere que o jornal enfatize que apenas dois casos de lepra foram diagnosticados na cidade, e que os outros doentes estão localizados em zonas rurais afastadas.

    A biografia do Dr. Alcides Gonçalves revela suas raízes em Itaúna, sua formação em Direito em Belo Horizonte e sua carreira bem-sucedida em Pitangui, onde foi um colaborador político significativo. Ele faleceu em 1957, e seu legado continua a ser lembrado.

    O texto também fornece um contexto histórico sobre a Colônia Santa Isabel, inaugurada em 1931 em Betim, para isolar pessoas com lepra. Na época, a lepra era uma doença temida, e os doentes eram abandonados por suas famílias e isolados na colônia. As condições de vida eram difíceis, pois a medicina ainda não tinha conhecimentos profundos sobre a doença.

    Hoje, a lepra, ou hanseníase, está praticamente controlada no Brasil, e a Colônia Santa Isabel vive dias de glória. Este histórico reforça a importância da campanha em Itaúna para evitar que o município sofra os mesmos estigmas e prejuízos enfrentados por outras localidades no passado.

    Em síntese, a entrevista com o Dr. Alcides Gonçalves de Souza destaca a importância do combate à lepra em Itaúna, enfatizando tanto os benefícios sociais e econômicos quanto os desafios de desinformação enfrentados. Sua opinião reforça a necessidade de uma abordagem equilibrada, que inclua a correção de equívocos e a continuidade da propaganda educativa.



    Entrevista com o dr. Alcides Gonçalves de Souza

    Este jornal está fazendo, como sabem os nossos leitores, uma campanha em favor da internação de todos os leprosos do município de Itaúna, no Leprosário Santa Isabel.

    Procurou ausculta a opinião da classe média, naturalmente mais em contato com o assunto, e agora vai ampliar as pessoas destacadas de nosso meio, sua sindicância.

    Procuramos ouvir, entre os das classe liberais, o dr. Alcides Gonçalves , antigo advogado no Oeste, em Pitangui e nesta cidade e filho de Itaúna.. Prestou-se ele a responder nossas perguntas, como que se segue:

    — Acha o senhor útil e louvável o trabalho que se está fazendo, com relação à lepra?

    Julgo – o dos mais úteis, louváveis. Alheio a questões que não sejam da minha profissão, acompanho, entretanto, com simpatia qualquer movimento interessante aos problemas capitais de nossa terra. E nenhum supera o da profilaxia da lepra.
    Esta moléstia, pelo justificado receio que inspira, prejudica os centro em que existe, nas relações sociais, econômicas, comerciais, para não falar senão da parte alheia no campo médico.

    Ora, se Itaúna conseguisse ver-se livre de todos os leprosos do município, seria um pesadelo retirado de sobre todos nós, além de um belo exemplo do valor do entusiasmo de alguns moços, ao serviço de uma boa causa.

    É de se louvar o esforço do seu jornal e dos que se acham à frente desta benemérita campanha .

    — Pensa que esta propaganda prejudica o município de Itaúna?

    Há no caso grandes objetivos, conquistas preciosas, embora acredite em pequenos equívocos momentâneos. Tenho ouvido dizer que alguns comerciantes de fora, mal informados sobre o assunto, estão se prevenindo contra os produtos itaunenses, e corre como autêntico que um viajante impediu, na estação desta cidade, sua   filhinha de adquirir frutos e doces, sob a alegação da morféa ou receio dela.

    O remédio está na correção do engano, e não no paralisar a propaganda útil.

    Vocês deverão frisar sempre, no seu jornal, que Itaúna possui apenas dois morféticos com diagnósticos positivo. Estes, pela defesa sanitária, como pelo pavor da moléstia, vivem segregados da população.

    Outros, existentes no município, e o que vocês dizem orçar por uma centena, localizam-se em zonas rurais afastadas, em regra congregados, pela própria natureza da moléstia, em pequenos núcleos.

    O que convém, pois, é esclarecer bem a situação; e se a campanha der o resultado esperado, esses pequenos prejuízos momentâneos serão fartamente compensados.

    O Advogado Dr. Alcides Gonçalves de Souza nasceu em Santana de São João Acima (hoje Itaúna/MG), aos 25 dias do mês de abril de 1888,  filho de João Gonçalves de Souza e dona Castorina Honorina Gonçalves de Souza.

    Ele era, portanto, pelo lado materno, neto de Manoel José de Souza Moreira e, pelo lado paterno, neto de José Gonçalves de Souza Moreira e bisneto do guarda-mor Antônio José de Souza Moreira.

    O dr. Alcides cursou a Faculdade de Direito, em Belo Horizonte, pela qual se diplomou, em 8 de dezembro de 1910, transferindo, em seguida, sua residência, para a cidade de Pitangui, onde instalou, com êxito, sua banca de advocacia, além de se transformar no principal colaborador político de seu tio, dr. José Gonçalves de Souza, que exercia, na importante cidade mineira, expressiva liderança. 

    Ele se casou, em janeiro de 1912, com a distinta e prendada senhora dona Alzira Gonçalves de Matos, tornando – se, pois, cunhado do dr. Mário Gonçalves de Matos. O dr. Alcides Gonçalves de Souza faleceu, em 13 de março de 1957, sendo sepultado em Belo Horizonte. (SOUZA, 2002).
     
    Inaugurada em 23 de abril de 1931, a Colônia Santa Isabel, instalada no município de Betim, a 30 quilômetros de Belo Horizonte, local onde se enclausuravam pessoas com a doença de lepra e atualmente chamada de hanseníase, vive hoje dias de glória, uma vez que a assustadora doença está praticamente controlada no Brasil.

    As pessoas que descobriam serem portadoras da enfermidade eram abandonadas pelas famílias e, como inválidas, eram levadas para a colônia, onde cavam à mercê da sorte, sem a menor chance de sobrevida, visto que, na época, a medicina não possuía conhecimentos profundos da doença, o que impedia que os doentes se curassem.

    Naquele tempo os hansenianos eram obrigados a se isolarem na pequena comunidade que era cercada com correntes para impedir o acesso de transeuntes que não fossem portadores da doença. (Blog Notícias de Minas)


    Referências:

    Pesquisa, Organização, Síntese e Arte: Charles Aquino

    Colaboração: Terezinha Pereira (Pará de Minas/MG)

    Fonte Impressa: Jornal de Itaúna 17 de setembro de 1933, nº58, pág.1.

    Fonte primária: Texto do Museu Sagarana (cidade de Itaguara/MG) sobre “Os Males da Época” década 1930’s.

    Impaludismo:
    https://www.dicionarioinformal.com.br/significado/impaludismo/2779/

    Hanseníase: disponível em: https://www.stoodi.com.br/blog/2018/10/26/hanseniase/
    Acervo Portal da Colônia Santa Isabel. Hoje em Dia: https://www.hojeemdia.com.br/primeiro-plano/       filhos-de-pessoas-com- hansen%C3%ADase-ter%C3%A3o-de-ser-indenizados-pelo-estado-1.673114

    Acervo Portal da Colônia Santa Isabel: Jornal O Tempo: https://www.otempo.com.br/o-tempo-betim/homem-foi-morto-a-luz-do-dia- na-colonia-st-izabel-1.20052

    Acervo: Professor Marco Elísio Chaves Coutinho, Charles Aquino.

    SOUZA, Miguel Augusto Gonçalves de. ITAÚNA: sua trajetória política, social religiosa, econômica e cultural… : 1765-2002, BH, Ed. Santa Clara, 2002, p.179,180,182.

    Fonte Impressa: Hemeroteca Digital Brasileira – Jornal A Noite: Suplemento, 1942, p.2. edição 709

    Texto: COLÔNIA SANTA ISABEL, O HOMEM E A LEPRA.
    http://jornalistaruitherferrao.blogspot.com/2007/06/colnia-santa-isabel-o- homem-e-lepra_19.html

    quarta-feira, março 23, 2022

    quarta-feira, março 09, 2022

    terça-feira, março 08, 2022

    MULHERES EM ITAÚNA

     MULHERES QUE FIZERAM HISTÓRIA EM ITAÚNA

      A cidade de Itaúna, ao longo de sua rica história, foi moldada por mulheres extraordinárias cujas contribuições reverberam através dos tempos. Desde as figuras mais abastadas até as mais humildes, cada uma delas desempenhou papéis vitais que transcenderam suas épocas, deixando marcas indeléveis no coração da comunidade.
       Entre as mulheres empreendedoras, destacam-se empresárias visionárias que impulsionaram o desenvolvimento econômico da cidade junto com seus cônjuges. Elas fundaram empresas e instituições que se tornaram exemplo de caridade e fomento a educação local. Suas histórias são de inovação e coragem, desbravando caminhos que antes eram considerados inacessíveis.
       Por outro lado, as mulheres trabalhadoras de Itaúna, com sua dedicação e espírito comunitário, desempenharam um papel igualmente crucial. Trabalhadoras incansáveis, elas contribuíram para a construção de uma sociedade mais justa e solidária. Como professoras, enfermeiras, donas de casa e voluntárias, essas mulheres teceram uma rede de apoio que fortaleceu a coesão social e promoveu o bem-estar coletivo.
       A força, resiliência e dedicação dessas mulheres estão presentes em cada canto de Itaúna. Seus legados são visíveis nas escolas que educam as futuras gerações, nos hospitais que cuidam da saúde dos cidadãos e nas organizações comunitárias que promovem a cultura e a solidariedade. Elas deixaram um exemplo de liderança e altruísmo que continua a inspirar e guiar os habitantes da cidade.
       Essas mulheres notáveis não apenas construíram uma cidade, mas também criaram uma herança de valores e conquistas que permanece viva. Em Itaúna, cada rua, cada praça e cada instituição carrega consigo a essência das mulheres que, com suas histórias e feitos, fizeram da cidade um lugar onde a força do espírito humano brilha intensamente. O legado dessas mulheres é um testemunho poderoso de que, independentemente das circunstâncias, é possível transformar o mundo ao nosso redor com coragem, visão e coração.
     
    Nair Chaves Coutinho:  uma educadora dedicada, transformou a Escola Estadual de Itaúna através de sua liderança como professora e diretora. Seu compromisso com a educação pavimentou o caminho para o desenvolvimento intelectual da comunidade itaunense.

    Irmã Benigna Victima de Jesus  Madre superiora na direção da Casa de Caridade Manoel Gonçalves de Souza Moreira ao longo de 12 anos.  Serviços internos nas enfermarias, administração do hospital e serviços externos gratuitos da policlínica, trabalho este, apoiado também pelas Irmãs Auxiliares da Piedade, que trouxe alívio e cuidados essenciais para muitos necessitados.

    Maria Joaquina Parda:   Sepultada na Capela do Rosário no ano de 1852 com 95 anos de idade, deixando grande descendência em Itaúna.

    Maria Adriana “Bisa”: conhecida como “Bisa” e filha da escrava Francisca Claudina da Silva, também é lembrada por sua numerosa prole, muitos dos quais se destacaram na área da educação.

    Dona Sinhá e Maria da Piedade: representa a força e resiliência das trabalhadoras rurais, respectivamente, demonstrando a importância do trabalho árduo na construção da comunidade.


    Balbina Fortunata da Silva: Parteira das mais conceituadas e solicitadas em Itaúna, ajudando centenas de cidadãos itaunenses a vir ao mundo.

    Alice Nogueira: ao ser coroada Miss Itaúna em 1949, colocou a cidade no mapa da beleza e elegância. 

    Maria do Carmo: lembrada por sua vida de trabalho e pela luta em criar os filhos sozinha, mas deixou o impacto de suas contribuições.

    Maria Viana Mendes Uma mulher de admiráveis virtudes e habilidades. Era excelente costureira, especialmente para noivas e, sobretudo, parteira, sempre pronta para servir ao próximo.

    Maria Gonçalves de Souza Moreira “Dona Cota”:  deixou um legado duradouro ao instituir a Fundação São Vicente de Paulo, que continua a servir a comunidade desde 1948.

    Maria Batista Alves: Trabalhadora, deixando grande descendência em Itaúna.

    Maria Tião: com seus deliciosos biscoitos fritos de polvilho, trouxe alegria e sabor. 


     Organização e Pesquisa : Charles Aquino