sábado, março 21, 2015

Década 20

PRAÇA MATRIZ DE ITAÚNA MG
Itaúna na Década de 1920: O Coração Histórico ao Pé do Morro do Bonfim

A imagem resgata um dos momentos mais emblemáticos da antiga Vila de Itaúna, já consolidada como município, na década de 1920. O cenário é dominado pela imponência do Morro do Bonfim (1), marco natural e espiritual da paisagem itaunense, que se ergue como guardião silencioso da história e da fé local. À sua sombra, pulsa o centro urbano em formação, onde as primeiras ruas e edificações públicas revelam o vigor de uma cidade que crescia sem perder o elo com suas raízes religiosas e comunitárias.

À esquerda, destaca-se o antigo Cemitério (2), delimitado por muros baixos e árvores esparsas, símbolo da transição entre o sagrado e o cotidiano. Logo acima, ergue-se a Cadeia Pública (3) — construção de linhas sóbrias, representando a autoridade e o controle municipal, tão característicos das vilas mineiras do período pós-império. Ao lado, o Fórum (4) completa o conjunto institucional, compondo, junto à Igreja Matriz (6), o núcleo político, jurídico e religioso da urbe.

A Rua Silva Jardim (5), que passa ao lado da Matriz, surge como um dos primeiros eixos urbanos do município, ligando a vida cotidiana aos espaços de poder e devoção. É nessa via que se consolidava o comércio e a sociabilidade da população, entre casarões de alvenaria e sobrados de traçado colonial.

O olhar se detém na Igreja Matriz de Sant’Ana (6) — epicentro espiritual e urbano de Itaúna. Com sua arquitetura imponente e paredes espessas, a Matriz simbolizava a centralidade da fé católica e o poder da Irmandade que, desde o século XIX, articulava tanto a vida religiosa quanto as decisões comunitárias. Atrás dela, ergue-se o Grupo Escolar (7), símbolo da modernidade republicana e do avanço da instrução pública, projetando no alto da colina a nova face de uma Itaúna que se abria à educação e ao progresso.

Mais ao fundo, o Casarão do Dr. Augusto Gonçalves (8) surge como testemunho do prestígio das elites locais, que entre a medicina, a política e o comércio, formavam a base do poder social e econômico da cidade. A Rua Antônio de Matos (9), repleta de pequenas residências, costura a malha urbana, conectando o centro à zona periférica e revelando o traçado irregular típico das vilas mineiras de topografia acidentada.

Em primeiro plano, destaca-se uma das curiosidades da época: o Circo Arethusa (10) — estrutura circular de lona clara, instalada para apresentações que encantavam o público itaunense. O circo, com suas músicas, risos e acrobacias, simbolizava o lazer e o encontro comunitário, rompendo a rotina de uma cidade que vivia entre o sagrado e o trabalho.

Por fim, a Rua Melo Viana (11) completa o registro visual, margeada por casas simples e árvores frondosas, sugerindo o cotidiano tranquilo da população que começava a se acostumar ao ritmo urbano do novo século. Cada telhado, cada rua e cada sombra captada nessa fotografia compõem um mosaico de memórias e permanências que ainda hoje ecoam na Itaúna contemporânea.

 Praça da Matriz Itaúna




03 - Cadeia Pública

04 - Fórum








Restauração digital : Charles Aquino


quarta-feira, março 18, 2015

QUEIMA DO JUDAS

SEMANA SANTA EM ITAÚNA MG

Paróquia de Sant’Ana de Itaúna: a tradição da Queima do Judas

A tradicional “Queima do Judas” constitui um costume de origem ibérica, difundido na América Latina durante o período colonial por portugueses e espanhóis e incorporado às práticas culturais de matriz católica. Associada ao Sábado de Aleluia, a encenação remete simbolicamente à figura de Judas Iscariotes, conhecido por sua traição a Jesus Cristo.

O ritual consistia na confecção de um boneco em tamanho humano, geralmente produzido com tecidos e preenchido com materiais inflamáveis e explosivos populares. Mais do que uma representação estritamente religiosa, o Judas assumia, em muitas ocasiões, um caráter simbólico ampliado: podia representar não apenas o traidor bíblico, mas também figuras públicas, autoridades ou indivíduos locais alvo de críticas. Dessa forma, a prática articulava devoção, teatralidade e crítica social, tornando-se um espaço de expressão coletiva.

Em Itaúna, a “Queima do Judas” consolidou-se como um evento amplamente aguardado pela população. O boneco era transportado pelas ruas, frequentemente em cortejo acompanhado por crianças e jovens, até a praça principal, onde ficava exposto até o momento da encenação final. A expectativa em torno do evento revelava seu papel como importante ocasião de sociabilidade urbana.

As celebrações do Sábado de Aleluia reuniam a comunidade em um ambiente marcado pela convivência e pelo encontro. A praça tornava-se um espaço de circulação, conversa e observação, no qual diferentes grupos sociais se encontravam, reforçando laços comunitários e práticas culturais compartilhadas.

Um dos momentos mais significativos da festividade era a leitura do chamado “Testamento do Judas”. Trata-se de uma peça satírica, tradicionalmente elaborada com humor e ironia, que apresentava críticas a acontecimentos recentes e a personagens da vida local. Por meio dessa leitura, a comunidade exercia, de maneira simbólica, uma forma de julgamento social, utilizando a linguagem como instrumento de comentário e reflexão coletiva.

O ápice da celebração ocorria com a queima do boneco. Envolto em chamas e frequentemente acompanhado por fogos de artifício, o Judas era consumido diante do público, marcando simbolicamente o encerramento do ciclo festivo. O espetáculo visual e sonoro reforçava o caráter ritualístico do evento, ao mesmo tempo em que consolidava sua dimensão lúdica e comunitária.

Ao longo das últimas décadas, contudo, a tradição da “Queima do Judas” em Itaúna entrou em declínio. Transformações sociais, mudanças nas formas de sociabilidade, maior regulamentação do uso de materiais explosivos e novas dinâmicas culturais contribuíram para a perda de centralidade desse costume. Ainda assim, sua memória permanece viva entre os moradores, constituindo um importante registro das formas de convivência, expressão crítica e celebração coletiva que marcaram a história local.

sábado, fevereiro 07, 2015

MARIA LINDA NOGUEIRA

Moça elegante e com uma pinta no rosto, trajava-se muito bem e era admirada por muitos pela simplicidade e simpatia. Maria nasceu aos 30 de setembro de 1900 em casa de seus pais, à Rua Silva Jardim, no arraial de Sant'Ana do Rio São João Acima.

Sendo seu nascimento registrado às folhas 30 do livro nº 2 do Registro Civil na presença do oficial João Ferreira do Carmo no dia 15 de outubro de 1900. Seus pais foram o sr. Manoel Zacharias Nogueira e Dona Auresina de Faria Nogueira.

Era neta paterna de Zacarias Ribeiro de Camargos e Anna Nogueira de Castro, pelo lado materno, neta de Flávio José de Faria Santos e Maria Isabel dos Santos.

Maria Linda Nogueira estudou nas escolas de Itaúna e depois tirou o título de normalista na famosa Escola Normal da cidade de Oliveira. Exercendo o cargo de professora, lecionou no grupo escolar de Itaúna e dava aulas particulares em várias casas e nos bairros de Santanense e Garcias.

Casou-se com Aníbal Castelo Branco no dia 06 fevereiro de 1924 no Edifício do Fórum de Itaúna, na presença do 1º Juiz de Paz o Cel. Acácio Baeta Coelho e do Oficial do Registro Civil Serjobes Augusto de Faria, perante as testemunhas sr. Antônio Rabello Zenha (gerente do Banco Pelotense em Belo Horizonte) e o Dr. Jacintho Alves Pereira e suas respectivas esposas. O casamento realizou-se na Matriz de Sant'Ana com grande festa seguido de um jantar.

O sr. Aníbal Castello Branco nascido na cidade de Sabará, aos 24 de junho de 1895, era farmacêutico e alto funcionário do Banco Pelotense em Belo Horizonte. Era filho de Adelino C Fernão Castelo Branco e de Dª Maria José Castelo Branco. Maria Linda Nogueira chegou a falecer ainda jovem aos 23 de maio de 1926 no município de Pará de Minas e não deixou filhos.


Fonte: Instituto Cultural Maria de Castro Nogueira - ICMC
Organização e Pesquisa: Charles Aquino

sábado, dezembro 20, 2014

CAPIXABA ITAUNENSE

CORONEL MARCONDES ALVES DE SOUZA


Este ilustre itaunense nascera em 1870, nos tempos de Santana. De inteligência viva, atirado e de espírito bandeirante, aos 16 anos deixou a sua terra natal, internando-se pelo vale do rio Doce, indo radicar-se em Cachoeiro do Itapemirim, no estado do Espírito Santo. Aos 23 anos, fora eleito presidente do diretório político daquele próspero município Capixaba, mantendo-se no cargo com grande tino até 1912. Em 1905, eleito vereador municipal. Em 1907, nomeado suplente de Juiz de Direito da Comarca. Em 1909, presidente da Câmara Municipal. E pouco depois, vice-presidente do Estado.


Em 1912, foi eleito presidente do Estado, numa fase difícil de sua política, como nos informa o historiador João Dornas Filho em sua monografia sobre Itaúna, tendo uma aguerrida oposição chefiada pelo senador Muniz Freire. O que foi a sua atuação nesse elevado cargo, atesta o gesto dos próprios oposicionistas que, nem belo exemplo de patriotismo, fizeram causa comum com a política do seu presidente, que era a do progresso do Espírito Santo. Na qualidade de presidente eleito, o Cel. Marcondes Alves de Souza, num gesto de cavalheirismo e de amor a sua terra e a sua família, visitou Itaúna em 1912, sendo recebido solenemente.


Das inúmeras homenagens que lhe foram prestadas pelos itaunenses, constou a da representação, no Teatro Municipal, da revista denominada "A visita do Presidente", de autoria do dr. Mário Matos, então primeiranista de direito, e de seu tio Silvio de Matos, representada com grande sucesso pelos autores e por Aquilino Gomide, Péricles Gomide, Tácito Nogueira, Artur de Matos, Rossini de Matos, Adélia Gomide, Celisa Gomide, Aristides Nogueira Machado, Serjobes Augusto de faria, Ivolino de Matos, Jovelina Carvalho, Olga Matos e Josias Nogueira Filho.¹


MARCONDES ALVES DE SOUSA

15º GOVERNADOR DO ESPÍRITO SANTO

PERÍODO DE GOVERNO: 23 DE MAIO DE 1912 - 23 DE MAIO DE 1916

NASCIMENTO: 12 DE SETEMBRO DE 1870, ITAÚNA

MORTE: 29 DE ABRIL DE 1938, BELO HORIZONTE

NACIONALIDADE: BRASILEIRA

PROFISSÃO: MILITAR

 


 

[1]  Revista Acaiaca: Cel. Marcondes Alves de Souza. p. 196. Ano: 1952. Digitado conforme original.

quinta-feira, dezembro 18, 2014

quarta-feira, dezembro 17, 2014

CAMAREIRO SECRETO

MONSENHOR HILTON GONÇALVES DE SOUSA

Monsenhor Hilton Gonçalves de Sousa, elevado à categoria de Camareiro Secreto Extranumerário pela Santa Sé, nasceu em Itaúna, em 31 de dezembro de 1912. Sua jornada terrena foi marcada por um profundo compromisso com a fé e um serviço incansável à Igreja.

Desde sua infância, demonstrou uma inteligência notável, sendo alfabetizado antes dos sete anos. Embora tenha inicialmente seguido a carreira de professor, logo sentiu o chamado de Deus e ingressou no Seminário do Coração Eucarístico de Jesus, em Belo Horizonte, por volta de 1925.

Após alguns anos de dúvida e reflexão, e também dedicando-se ao cuidado de sua mãe durante seus últimos anos de vida, Monsenhor Hilton finalmente abraçou plenamente sua vocação sacerdotal. Ordenado em 1944, dedicou-se ao serviço pastoral em várias paróquias, deixando sua marca não apenas como um habilidoso administrador, mas também como um líder espiritual compassivo e dedicado.

Seu último posto foi na Paróquia do Coração de Jesus de Santanense, onde seu dinamismo e disponibilidade para o serviço religioso foram amplamente reconhecidos. Sua morte, em 20 de fevereiro de 1985, foi um choque para todos que o conheciam, deixando um vazio profundo na comunidade e naqueles que o amavam.

Monsenhor Hilton será lembrado não apenas por suas realizações pastorais, mas também por sua personalidade gentil, sua sabedoria e sua capacidade de transmitir os ensinamentos da fé de uma maneira autêntica e inspiradora. Seu legado perdurará nas memórias daqueles cujas vidas ele tocou e nos corações daqueles que foram abençoados por sua presença e orientação espiritual.


Camareiro Secreto Extranumerário da Santa Sé

Por ato recente da Santa Sé, acaba de ser elevado à categoria de Camareiro Secreto Extranumerário o Exmo. e Revmo. Monsenhor Hilton Gonçalves de Sousa. Esse sacerdote nasceu em Itaúna, aos 31 de dezembro de 1912, cursou o Seminário de Belo Horizonte e ordenou-se em sua terra natal em 1º de novembro de 1941.
Conferiu-lhe o Presbiterado o Exmo. e Revmo. Dom Antônio dos Santos Cabral. Exerceu diversos cargos relevantes na Arquidiocese de Belo Horizonte, entre os quais o de Reitor do Seminário de Belo Horizonte. Trabalhou intensamente para a organização da diocese de Divinópolis e, atualmente desempenha as funções de Vigário Geral do Bispado de D. Cristiano de Araújo Pena.

Jornal O Diário, 21 de novembro 1959


Organização e elaboração: Charles Aquino

segunda-feira, novembro 10, 2014

GUARDIÕES DO MEIO AMBIENTE

A preservação e o interesse pelo meio ambiente não são cuidados recentes; o Imperador do Brasil D. Pedro I decretou, por meio da Carta de Lei de 15 de outubro de 1827, que em cada uma das freguesias e capelas haveria um Juiz de Paz e um suplente, conforme estipulado no Artigo 5º:

§12 Vigiar sobre a conservação das matas e florestas públicas, onde as houver, e obstar nas particulares o corte de madeiras reservadas por Lei.

§14 Procurar a composição de todas as contendas e dúvidas que se suscitarem entre moradores do seu distrito, acerca de caminhos particulares, atravessadouros e passagens de rios e ribeiros, acerca do uso das águas empregadas na agricultura ou mineração; dos pastos, pescas e caçadas; dos limites, tapagens e cercados das fazendas e campos; e acerca finalmente dos danos feitos por escravos, familiares, ou animais domésticos.


Entre os períodos de 1892 a 1903 com a função de descentralizar o poder político, outorgando autonomia aos lugarejos através de minicâmaras constituídas de conselheiros que deliberavam sobre os problemas de suas comunidades, foi criado o Conselho Distrital que era uma instituição política em Minas Gerais. O Conselho também era responsável pela limpeza e conservação de água potável, fazendo o esgotamento e o escoamento das águas paradas em terrenos do distrito e de particulares.

Em Sant'Anna de São João Acima, em 1892 era criado o Conselho Distrital para a proteção do Meio Ambiente com suas proibições seguida de multa com os seguintes casos:
Entulhar as ruas, becos e praças com materiais, executando-se os para construção;
Lançar animais mortos ou moribundos nos mesmos lugares;
Fincar estacas, esteios que excedessem de um metro do alinhamento das casas;
Lavar roupas e barrigadas de animais nos chafarizes públicos ou em lugares acima deles, ofendendo a pureza da água;
Criar ou cevar porcos em chiqueiro e cercadão de madeiras, que estivessem no alinhamento das frentes de serventia pública;
Os moradores das casas eram obrigados a extrair ervas e formigueiros de seus domicílios, já em lugares públicos o mesmo eram extraídos à custa do cofre distrital.  Era proibido deixar animais soltos em praças ou ruas, que pudessem vir a agredir pessoas que estivessem transitando no local. 

Após as dez da noite era proibido correr a galope com animais nas ruas, dançar com algazarra ou qualquer outro tipo de barulho que viesse perturbar a ordem do local; nos muros caiados era proibido riscar ou sujar; era proibido danificar as grades de amparo às plantas; cortar árvores de aformoseamento das ruas, largos, praças e logradouros públicos; matar rês magra ou doente sem que o fiscal examinasse; proibido a construções de valos nos perímetros da sede do distrito e zelar pela limpeza e manutenção dos mesmos.
No ano de 1864 o empresário Tenente Coronel Manoel José de Souza Moreira exercia o cargo de 1º Juiz de Paz na freguesia de Sant'Anna do Rio de São João Acima, hoje Itauna, e zelava pela execução destes preceitos legais de cuidados ao meio ambiente.



Juiz de Paz
1º Manoel José de Souza Moreira
2º Justino José Machado
3º Vicente Gonçalves de Souza
 Zacharias Ribeiro de Camargos

Subdelegado
Vago

Primeiro Suplente
1º Francisco Alves da Costa

Inspetor Paroquial
Rev º João Batista de Miranda

Professor de primeiras letras
Lourenço Justiniano Ribeiro

Vigário Colado
João Batista de Miranda

Negociantes
Custódia Maria da Silva
Daniel José Soares
Francisco da Costa Borges
Francisco Gomes Barboza
Francisco Gonçalves de Souza
Francisco Lopes Cançado
Jerônimo José dos Santos
João Antônio da Fonseca
João Lucas Dias Azêdo
João Paulo de Camargos
Joaquim Fernandes de Souza
José Joaquim da Silva
Justino José Machado
Manoel André de Siqueira
Manoel Caetano Alves
Manoel José de Souza Moreira
Maria Felizarda
Rufino Rodrigues Rabelo
Vicente Gonçalves de Souza
Zacharias Ribeiro de Camargos

Fazendeiros que cultivam cana
Felizardo Gonçalves Cançado
Francisco Nunes da Costa
João Francisco da Silva
José Bernardes de Carvalho
Dona Luiza Maria de Jesus
Manoel Gonçalves Cançado
Manoel Lopes da Silva
Salviano José da Silva
Dona Umbelina Nogueira Duarte




Referências:
Câmara dos Deputados. Legislação Informatizada: Lei de 15 de Outubro de 1827. Disponível em: http://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei_sn/1824-1899/lei-38396-15-outubro-1827-566688-publicacaooriginal-90219-pl.html >. Acesso em: 11 nov. 2014.
Hemeroteca Digital Brasileira. Almanak Administrativo, Civil e Industrial - 1864 a 1874: Freguezia e Districto de Santo Anna Do Rio de S. João Acima, p.303. Disponível em http://hemerotecadigital.bn.br/acervo-digital/almanak-administrativo-civil-industrial/393428 > Acesso em: 11 nov.2014.
CARVALHO, David de. A revitalização de um rio. Itaúna: Vile, 2001.

sexta-feira, outubro 24, 2014

TREM DA ALEGRIA

(Praça da Estação)

    Mário Soares Nogueira

 Fundada em 29 de abril de 1961, para, entre outras finalidades, promover o congraçamento de todos os itaunenses e reverenciar a memória de conterrâneos ilustres, a Sociedade dos Amigos de Itaúna, sediada em Belo Horizonte, programou romaria ao torrão natal, no maravilhoso "Trem da Alegria".

     À noite, no adro da matriz, onde se armou uma espécie de anfiteatro, com uma grande mesa ao centro, em solenidade belíssima, deu-se início às homenagens comemorativas do centenário de nascimento do ilustre filho, dr. Augusto Gonçalves de Souza. Tomaram assento à mesa as autoridades e os membros da família do homenageado, inclusive a sua única irmã viva, a adorável Donana, viúva do industrial João de Cerqueira Lima.

E nas cadeiras em torno, os caravaneiros. Falou o vice-prefeito, dr. Heli Gonçalves de Souza, em nome da municipalidade e do povo de Itaúna. Dr. José Luis Gonçalves Guimarães agradeceu em nome da família do homenageado.  Por fim, entre outros oradores, o desembargador Mário Matos descreveu a seu modo o tio Augusto como ainda o enxergava na mocidade, um sujeito extraordinário de bem, ótimo clínico, especialista em curar "dor atravessada".

     Em seguida, inaugurou-se na praça um artístico monumento em memória do homenageado. Dali, descemos para os salões do Automóvel Clube, para a festa de lançamento da coletânea "Itaúna - Humana e Pitoresca". Dr. Guaraci de castro Nogueira fez a apresentação magnífica. E o professor Luis Gonzaga da Fonseca, em seu nome no de seus companheiros escritores e no do editor Bernardo Álvares, agradeceu em belo improviso. Seguiu-se o atropelo dos autógrafos. Depois, em todos os clubes, houve baile animado até o raiar da madrugada.

     No dia seguinte, dia 30, após a missa matinal, visita coletiva ao cemitério. Ao meio dia foram à barragem do Benfica, onde à beira do grande lago de água "azulíssimas", criado pela força de vontade dos dirigentes das fábricas de tecidos itaunense e Santanense, foi servido suculento churrasco, com outras comedeiras e bebidas, supervisionado, pelo dr. Lauro Antunes de Morais.

Ali, ao som da orquestra do João Bigode e da banda de música dos alunos do seminário, a turma em brasa entrou no carnaval, e cantou e dançou e cirandou e saracoteou  e rodou e pulou e gritou até às quatro da tarde, rumando então em caminhões automóveis e  ônibus para a estação, onde às cinco e meia, em carros ligados aos expresso, retornou à capital, satisfeita da vida.  Em testemunho da verdade, os filmes tirados pelo Dr. Oromar estão aí para dirimir qualquer dúvida.

     Que a nova romaria ora programada tenha o mesmo sucesso, são os meus e os votos da Sociedade dos Amigos de Itaúna.





segunda-feira, julho 21, 2014

TREM-HOSPITAL


NA FRENTE MINEIRA
Na Revolução de 30, no estado de Minas Gerais na cidade de Belo Horizonte, foi montado um "Trem-Hospital" de Primeiros Socorros que ajudaram a socorrer os combatentes feridos. 

A organização do trem-hospital que prestará socorro ás tropas. Do serviço de Publicidade da Secretaria do Interior de Belo Horizonte recebemos o seguinte comunicado: "Encontra-se definitivamente organizado o "Trem-Hospital" que se destina a prestar socorros medico-cirúrgicos ás tropas mineiras em combate. A execução do plano coube ao Hospital Militar da Força Pública, por determinação do dr. Gustavo Capanema, secretário do Interior.

 O trem-ambulância, que se acha encostado numa das plataformas da Oeste de Minas, foi hoje visitado pela nossa reportagem, que obteve informações completas sobre o aparelhamento e distribuição do comboio-hospital, que se acha provido de todos os recursos necessários para prestar socorros ás forças em operações. A iniciativa de ser colocar o hospital numa composição da Estrada de Ferro Oeste de Minas atende plenamente aos objetivos visado, por isso que o trem pode trafegar livremente na linha desta estrada, estando, portanto, assegurado o seu deslocamento para as zonas de localização de nossas linhas de frente.


FINALIDADES DO "TREM HOSPITAL"
 De acordo com o esboço de regulamento apresentado aos srs. Secretários do Interior e coronel chefe de E.M. das forças em operações, são as seguintes as finalidades do "TREM-HOSPITAL": prestar socorro de urgência aos feridos mais graves que possam ser atendidos na linha de frente; operar todos os casos que exijam intervenção imediata; transportar para os hospitais fixos os feridos, operados ou não, que devam ser hospitalizados e fornecer aos diversos postos fiscais avançados todo o material de que os mesmos necessitem.

COMO SE DISTRIBUI O PESSOAL
 Quanto ao pessoal contratado para o serviço, o "TREM-HOSPITAL" conta com a colaboração de dois cirurgiões, dois médicos internistas e três internos, doutorandos em medicina, cirurgião dentista, um farmacêutico, que é também radiologista, tenente-intendente, prático de farmácia, enfermeiro-chefe, ajudante e copeiro.

OS CARROS E SUAS INSTALAÇÕES

Sete são os carros que formam a composição do "Trem Hospital". No primeiro, próprio para transporte de enfermos em estado grave, além de camas, existe um moderníssimo aparelho de Raio X portátil. Num cômodo desse carro, que é pintado a laquê, há ainda a câmara escura para revelações. Os dois carros seguintes, cedidos pelo dr. diretor da Saúde Pública, foram destinados, um, a sala de operações, munida de material cirúrgico de primeira ordem, e o outro ao serviço de clinica medica, curativos ligeiros e secretaria. Anexo à sala de operações foi instalado o serviço odontológico.

 Além desses carros, há mais o seguinte: carro dormitório, onde se adaptou a enfermaria e o ocupado pela farmácia, onde verificamos a existência de grande stock de drogas, avaliado em 45 contos. Os medicamentos estão acondicionados em 23 malas de campanha, numeradas e providas de um índice, afim de simplificar a procura do remédio desejado. Da mesma composição faz parte uma prancha destinada a condução de uma ambulância-automóvel, posta à disposição do governo mineiro pelo dr. Antônio de Lima Coutinho de Itaúna.


Fonte: Jornal Correio da Manhã, Rio de Janeiro 29 de Julho 1932 pág. 03
Acervo: Prof. Marco Elísio
Pesquisa: Charles Aquino 

sábado, maio 17, 2014

PADRE JOSÉ NETO

PADRE JOSÉ FERREIRA NETTO

  Grande figura humana, Modelar Discípulo de Jesus, Pastor dedicado e zeloso de seu rebanho. Educador e formador de gente. Uma vida dedicada aos humildes, principalmente aos carentes e órfãos.

  Nasceu no pequeno lugarejo, freguesia do Sagrado Coração do Coco (São Caetano de Moeda), em 19 de junho de 1910. Mário Delfino Moreira, nascido na Moeda e Antônia Ferreira são seus pais. Avós paternos, José Ferreira, português, e Leonor Vieira Braga, do Coco. Avós maternos, Francisco Machado Netto e Maria Ferreira Marques, de São José do Paraopeba. Encaminhado para a vida sacerdotal pelo grande arcebispo de Mariana, Dom Silvério Gomes Pimenta . Seminarista no Seminário do Coração Eucarístico de Belo Horizonte, com apoio de Dom Antônio dos Santos Cabral, com bolsa que lhe deram as irmãs do Colégio Coração de Jesus, de Belo Horizonte. O Bispo e arcebispo Dom Cabral lhe devotava grande amizade e afeto, acompanhou sua passagem pelo seminário e lhe deu a tonsura, as ordens menores, o subdiaconato, o diaconato e o presbiterado. Ordenou-se no mesmo dia com Dom Cristiano Portela de Araújo Pena, Padre Sinfrônio Torres e Padre Guilherme Kriger.

Antes de vir para Itaúna, foi cooperador do Monsenhor Guedes na Lagoinha (1938/39), depois, sucessivamente, vigário de Piedade do Paraopeba (1939/43) e de Itaúna (1943/85). Nestes períodos, foi encarregado de várias outras paróquias: São José do Paraopeba (1939/43), Moeda (1941/43), Itatiaiuçu (1943/46), Santanense (1943) e Padre Eustáquio (1960). Seu colega de ordenação, Dom Cristiano, primeiro bispo de Divinópolis, concedeu-lhe o título honorífico de cônego, por autorização do Papa Paulo VI (1966).

Em nossa cidade, criou novas paróquias: Coração de Jesus de Santanense (1953), Nossa Senhora de Fátima do Padre Eustáquio (1960), Nossa Senhora das Graças, na Ponte (hoje Graças) e Nossa Senhora da Piedade do Serrado (hoje Piedade), em 1970. A zona rural foi enriquecida com novas capelas: Córrego do Soldado, Garcias (depois paróquia). Cachoeirinha, Vista Alegre (nome dado por ele ao Pasto das Éguas), Carneiros, Paulas e Santo Antônio da Barragem (construída pela Itaunense, com participação da comunidade).

Presença decisiva na criação da Granja Escola São José, realizando um sonho de quando seminarista frequentava o Instituto João Pinheiro em Belo Horizonte, um centro de amparo a órfãos, carentes e meninos com desvio de conduta. Co-fundador do Colégio Santana, que passou pelas mãos do Padre José Nobre, do professor Raimundo Corrêa de Moura e do professor José Coutinho (com a colaboração de sua esposa Dª Vani e do saudoso professor Geraldo dos Santos), no casarão dos Cerqueira Lima na Rua Silva Jardim.

Construída a nova sede do Colégio pela Santa Casa, fruto do testamento do maior benemérito de Itaúna no século XX, Manoel Gonçalves de Sousa Moreira (através da Sociedade Anônima com o nome do benemérito instituidor da Fundação), Padre Netto foi o responsável pela vinda dos padres americanos, frei Ambrósio e Cipriano, franciscanos conventuais e, finalmente pelos padres espiritanos ( Adriano, Pedro Schoonnaker, Cauper, Luiz e outros), os quais se tornavam vigários, ficando o colégio nas mais deste notável educador que é o Padre José "das crianças", que transformou em educandário orgulho da comunidade, sala de visitas de Itaúna. 

Exerceu grande influência na instalação do Orfanato São Vicente de Paula, obra meritória de Dona Cota. Vigário de Itaúna ao longo de quase 42 anos. Pastor que mais tempo ficou à frente da paróquia de Santana. Conseguiu uma nova Casa Paroquial com a ajuda de dedicadas senhoras das famílias Cerqueira Lima e Gonçalves de Souza. Além disso, são imensas as marcas deixadas pelo operoso e dinâmico vigário em Itaúna.

Membro do conselho fiscal da Universidade de Itaúna, completou a construção da Igreja da Matriz, terminando o coro, instalando os altares laterais e o púlpito. Assumiu a direção da Escola Normal oficial de Itaúna (Colégio Estadual), em momento de grande crise.  Inspirador da APAC, obra que sempre contou com o trabalho e a dedicação de Waldeci Antônio Ferreira. Ergueu o Centro Comunitário da Paróquia, contando com o patrocínio do senhor Joaquim Soares Nogueira (Quincas), numa homenagem ao seu falecido Cláudio.

Muito pode ser acrescentado à biografia deste notável e humilde homem de Deus. Esta ligeira exposição, ao ensejo dos 160 anos da criação da Paróquia de Sant'Ana, atende apenas ao desejo jornalístico da Tribuna da Imprensa, solidária com as manifestações prestadas no Museu Francisco Manoel Franco, pela comunidade itaunense, a tão grande benfeitor cidadão honorário da terra de Sant'Ana, merecedor do eterno reconhecimento dos barranqueiros do Rio São João Acima.

Padre José Ferreira Netto está na galeria de honra dos mais notáveis itaunenses !

Guaracy de Castro Nogueira