domingo, abril 05, 2015

ESCOLA MANOEL GONÇALVES


A história da Escola Manoel Gonçalves de Souza Moreira é um exemplo marcante de dedicação e compromisso com a educação em Itaúna. Fundada pela Casa de Caridade, a escola teve seu início em um período de grande efervescência educacional, refletindo o desejo do fundador desta instituição em proporcionar uma formação de qualidade para os jovens da região.

Em 5 de junho de 1921, o Conselho Deliberativo da Casa de Caridade se reuniu com um objetivo claro: a criação de uma Escola Normal em Itaúna. Este objetivo encontrou um caminho repleto de desafios, desde a indiferença de alguns até o ceticismo de outros. No entanto, a maioria apoiou a iniciativa, autorizando a Mesa Administrativa a fundar a escola. Em 31 de dezembro do mesmo ano, a Mesa Administrativa se reuniu novamente para formalizar os próximos passos. Os membros dessa mesa eram figuras importantes da comunidade:

- Provedor: Dr. Augusto Gonçalves de Souza Moreira

- Vice-Provedor: Acácio Baeta Coelho

- Secretário: Afonso dos Santos

- Tesoureiro: Francisco de Araújo Santiago

- Procurador: Dr. Dario Gonçalves de Souza

 Foi decidido que a escola seria inaugurada em 15 de março de 1922, e uma diretoria foi nomeada para liderar o novo estabelecimento de ensino. Esta diretoria era composta por:

- Diretor: Dr. Afonso dos Santos

- Vice-diretor: Dr. Mário Matos

- Secretário: Hidelbrando Clark

- Diretoria interna: Maria Augusta Gonçalves

Com a escola já em funcionamento, em 1º de fevereiro de 1923, o signatário deste esboço histórico foi eleito Provedor da Casa de Caridade e reeleito em biênios sucessivos até a presente data, evidenciando seu compromisso e dedicação contínuos à instituição. No dia 3 de fevereiro de 1924, o Conselho Deliberativo autorizou a Mesa Administrativa a transformar a Escola Normal Manoel Gonçalves em uma Sociedade Anônima, com um capital inicial de Cr$ 140.000,00. 

A Casa de Caridade subscreveu a maior parte desse capital, Cr$ 100.000,00, e o restante foi deixado para os itaunenses que desejavam contribuir com o moderno estabelecimento de ensino secundário. Também foi deliberada a construção de um novo prédio para a sede da escola. A sociedade foi organizada legalmente e a seguinte diretoria foi eleita:

 - Presidente: Arthur Contagem Vilaça

- Tesoureiro: Aristeu Gonçalves

- Secretário: Dr. Lincoln Nogueira Machado

Sob a liderança desta diretoria, que foi reeleita sucessivamente, a escola prosperou e trouxe grandes benefícios para a cidade e para seus estudantes. Em 5 de maio de 1924, a construção do imponente edifício da escola teve início na rua Arthur Bernardes. Este evento contou com a presença de figuras ilustres, como Dr. Fernando de Melo Viana, Secretário do Interior de Minas, representando o Presidente do Estado Dr. Raul Soares de Moura, e a Sra. D. Maria Gonçalves de Souza Moreira, viúva do fundador da Casa de Caridade. 

A Escola Manoel Gonçalves de Souza Moreira, ao longo dos anos, consolidou-se como um pilar educacional em Itaúna, refletindo a visão e o empenho de seus fundadores e administradores. Seu legado continua vivo, perpetuando os valores de educação e caridade que inspiraram sua criação.



Referências:
Organização e pesquisa: Charles Aquino

Ata Casa de Caridade Manoel Gonçalves de Souza Moreira: Registrado sob nº 16.539 às fls 272 vº do Livro A-XI. 
Revista Acaiaca: Esboço Histórico da Casa de Caridade "Manoel Gonçalves de Souza Moreira". Dr. Dario Gonçalves de Souza. Paginas: 100, 101. Ano: 1952.

GINÁSIO SANTANA

 Na década de trinta, a cidade de Itaúna contava com o Grupo Escolar Dr. Augusto Gonçalves, para o denominado “Ensino Primário” e a Escola Normal (hoje escola Estadual de Itaúna) que oferecia continuidade de ensino para as meninas, oportunizando lhes tornarem-se professoras. Para os meninos, a oferta se restringia aos quatro anos de curso primário.  Aqueles cujas famílias possuíam melhores condições financeiras iam para internatos em Pará de Minas, Belo Horizonte e Caraça.  

Os menos favorecidos não tinham oportunidade de continuarem os estudos. Percebendo a necessidade de se corrigir tal situação, alguns itaunenses se reuniram para criar um ginásio.  Entre esses, destacamos o então vigário da Paróquia, Pe. José Ferreira Neto; Sr. José de Cerqueira Lima, diretor da Itaunense; Sr. Victor Gonçalves de Sousa, diretor da Santanense; Dr. Lincoln Nogueira Machado, prefeito; o Dr. Niso Pena, juiz de direito.

Fundaram o Ginásio Sant’Ana a 22/10/43 que funcionou primeiramente na casa da Família Cerqueira Lima, à Rua Silva Jardim e era mantido pela Casa de Caridade Manoel Gonçalves de Sousa Moreira. Dificuldades várias foram enfrentadas galhardamente pelo Sr. José Edwards Santiago, encarregado de levar o projeto adiante. Decidiu-se então por buscar o auxílio de Padres americanos para a administração do Ginásio Sant’Ana. Esses padres ficaram aqui por pouco tempo.

E as dificuldades aumentavam. Optou-se, então, por vender o Ginásio para os padres holandeses da Congregação do Espírito Santo, que constituíram a Sociedade Civil Ginásio Sant´Ana. Inicialmente, colocaram funcionando um internato, seminário e externato masculino. Mais tarde, o regime passou a ser apenas de externato misto. [...]. ¹

[...] Em 3 de junho de 1945, reuniu-se o Conselho Deliberativo, convocando extraordinariamente, para estudar e opinar sobre uma proposta da Mesa Administrativa, de encampação do GINÁSIO SANT'ANA, estabelecimento de ensino secundário para rapazes, fundado, nesta cidade, por plêiade de patriotas itaunenses. 

Nessa reunião, ficou a Mesa Administrativa autorizada a subscrever Cr$ 260.000,00 (Duzentos e sessenta mil cruzeiros), em ações da Escola Normal Gonçalves S/A, cujo capital foi elevado a Cr$ 500.0000,00 (Quinhentos mil cruzeiros), passando o Ginásio a pertencer a esta sociedade. Em novembro do mesmo ano, iniciou-se a construção do edifício do GINÁSIO SANT'ANA, seção de externato, à rua José Gonçalves. Em dezembro de 1946, passou a funcionar em sua sede própria o Ginásio e a Escola de Comércio Sant'Ana.[...]².

 [...] Em reunião do conselho Deliberativo, realizada a 31 de agosto de 1947, foi a Mesa Administrativa autorizada a subscrever mais Cr$ 1.500.000,00 (Um milhão e quinhentos mil cruzeiros), em ações da sociedade EDUCANDÁRIOS MANOEL GONÇALVES S/A., para construir o majestoso edifício onde funciona o internato do Ginásio Sant'Ana.[...]³.

  

[1] http://www.colsantana.com.br/Site/historia.aspx

[2] Revista Acaiaca: Esboço Histórico da Casa de Caridade "Manoel Gonçalves de Souza Moreira". Dr. Dario Gonçalves de Souza. Pagina: 102. Ano: 1952.

[3] Revista Acaiaca: Esboço Histórico da Casa de Caridade "Manoel Gonçalves de Souza Moreira". Dr. Dario Gonçalves de Souza. Pagina: 103. Ano: 1952.

domingo, março 22, 2015

JOÃO DORNAS: MONOGRAFIAS


    A História do Brasil só poderá ser escrita quando o trabalho de análise, que é o de pesquisas arquivais, estiver levantado em todas as suas minúcias.  Aí, então, as possibilidades de ser erguidas com a solidez e a serenidade necessárias.
Estamos ainda no período inicial da grande obra, quando se levantam os alicerces construídos de monografias sobre os vários aspectos da nossa realidade. [...].
Macaulay e Michelet seriam impossíveis se ao seu tempo a Inglaterra e a França não estivessem com o material reunido em milhares de monografias sobre todos os aspectos da civilização dos seus países.
    A sabedoria e a prudência dos nossos estadistas do primeiro reinado sentiram a necessidade de se promoverem os elementos para os futuros historiadores do Brasil, quando impuseram a obrigação de o vereador mais moço apresentar anualmente à Câmara Municipal a resenha dos fatos e acontecimentos ocorridos em seus municípios no ano anterior. Nada mais sábio e mais prudente. 
    E se esta determinação tivesse sido cumprida, que volume de material de primeira ordem não estaria já à disposição de mais amplas e abrangentes monografias! O nosso desamor pelo papel velho e pelos arquivos estaria assim anulado ou atenuado, sendo bem menores os prejuízos causados pelo desaparecimento de arquivos inteiros das paróquias e das municipalidades, consumidos pelas traças e pelos sacristães analfabetos. O arquivo paroquial de Itaúna foi quase todo consumido pelo fogueteiro local, que era também e funestamente o sacrista da matriz ...
    Bem andou, pois, o sr. arcebispo D. Antônio Cabral, quando criou o Arquivo da Cúria Metropolitana em Belo Horizonte, ao qual se deve recolher o arquivo paroquial do arcebispado. O mesmo deveria dar-se com outros arquivos, até mesmo particulares, que o governo do Estado faria recolher ao Arquivo Público Mineiro.
Há, todavia, a esperança de melhores dias para assunto de tanta magnitude [...].

MEMORIAL JOÃO DORNAS


Referência: 
Texto original João Dornas Filho: Vultos e Fatos de Diamantina, 1954, pág. 6
Organização e pesquisa: Charles Aquino

sábado, março 21, 2015

Década 20

PRAÇA MATRIZ DE ITAÚNA MG
Itaúna na Década de 1920: O Coração Histórico ao Pé do Morro do Bonfim

A imagem resgata um dos momentos mais emblemáticos da antiga Vila de Itaúna, já consolidada como município, na década de 1920. O cenário é dominado pela imponência do Morro do Bonfim (1), marco natural e espiritual da paisagem itaunense, que se ergue como guardião silencioso da história e da fé local. À sua sombra, pulsa o centro urbano em formação, onde as primeiras ruas e edificações públicas revelam o vigor de uma cidade que crescia sem perder o elo com suas raízes religiosas e comunitárias.

À esquerda, destaca-se o antigo Cemitério (2), delimitado por muros baixos e árvores esparsas, símbolo da transição entre o sagrado e o cotidiano. Logo acima, ergue-se a Cadeia Pública (3) — construção de linhas sóbrias, representando a autoridade e o controle municipal, tão característicos das vilas mineiras do período pós-império. Ao lado, o Fórum (4) completa o conjunto institucional, compondo, junto à Igreja Matriz (6), o núcleo político, jurídico e religioso da urbe.

A Rua Silva Jardim (5), que passa ao lado da Matriz, surge como um dos primeiros eixos urbanos do município, ligando a vida cotidiana aos espaços de poder e devoção. É nessa via que se consolidava o comércio e a sociabilidade da população, entre casarões de alvenaria e sobrados de traçado colonial.

O olhar se detém na Igreja Matriz de Sant’Ana (6) — epicentro espiritual e urbano de Itaúna. Com sua arquitetura imponente e paredes espessas, a Matriz simbolizava a centralidade da fé católica e o poder da Irmandade que, desde o século XIX, articulava tanto a vida religiosa quanto as decisões comunitárias. Atrás dela, ergue-se o Grupo Escolar (7), símbolo da modernidade republicana e do avanço da instrução pública, projetando no alto da colina a nova face de uma Itaúna que se abria à educação e ao progresso.

Mais ao fundo, o Casarão do Dr. Augusto Gonçalves (8) surge como testemunho do prestígio das elites locais, que entre a medicina, a política e o comércio, formavam a base do poder social e econômico da cidade. A Rua Antônio de Matos (9), repleta de pequenas residências, costura a malha urbana, conectando o centro à zona periférica e revelando o traçado irregular típico das vilas mineiras de topografia acidentada.

Em primeiro plano, destaca-se uma das curiosidades da época: o Circo Arethusa (10) — estrutura circular de lona clara, instalada para apresentações que encantavam o público itaunense. O circo, com suas músicas, risos e acrobacias, simbolizava o lazer e o encontro comunitário, rompendo a rotina de uma cidade que vivia entre o sagrado e o trabalho.

Por fim, a Rua Melo Viana (11) completa o registro visual, margeada por casas simples e árvores frondosas, sugerindo o cotidiano tranquilo da população que começava a se acostumar ao ritmo urbano do novo século. Cada telhado, cada rua e cada sombra captada nessa fotografia compõem um mosaico de memórias e permanências que ainda hoje ecoam na Itaúna contemporânea.

 Praça da Matriz Itaúna




03 - Cadeia Pública

04 - Fórum








Restauração digital : Charles Aquino


quarta-feira, março 18, 2015

QUEIMA DO JUDAS

SEMANA SANTA EM ITAÚNA MG

Paróquia de Sant’Ana de Itaúna: a tradição da Queima do Judas

A tradicional “Queima do Judas” constitui um costume de origem ibérica, difundido na América Latina durante o período colonial por portugueses e espanhóis e incorporado às práticas culturais de matriz católica. Associada ao Sábado de Aleluia, a encenação remete simbolicamente à figura de Judas Iscariotes, conhecido por sua traição a Jesus Cristo.

O ritual consistia na confecção de um boneco em tamanho humano, geralmente produzido com tecidos e preenchido com materiais inflamáveis e explosivos populares. Mais do que uma representação estritamente religiosa, o Judas assumia, em muitas ocasiões, um caráter simbólico ampliado: podia representar não apenas o traidor bíblico, mas também figuras públicas, autoridades ou indivíduos locais alvo de críticas. Dessa forma, a prática articulava devoção, teatralidade e crítica social, tornando-se um espaço de expressão coletiva.

Em Itaúna, a “Queima do Judas” consolidou-se como um evento amplamente aguardado pela população. O boneco era transportado pelas ruas, frequentemente em cortejo acompanhado por crianças e jovens, até a praça principal, onde ficava exposto até o momento da encenação final. A expectativa em torno do evento revelava seu papel como importante ocasião de sociabilidade urbana.

As celebrações do Sábado de Aleluia reuniam a comunidade em um ambiente marcado pela convivência e pelo encontro. A praça tornava-se um espaço de circulação, conversa e observação, no qual diferentes grupos sociais se encontravam, reforçando laços comunitários e práticas culturais compartilhadas.

Um dos momentos mais significativos da festividade era a leitura do chamado “Testamento do Judas”. Trata-se de uma peça satírica, tradicionalmente elaborada com humor e ironia, que apresentava críticas a acontecimentos recentes e a personagens da vida local. Por meio dessa leitura, a comunidade exercia, de maneira simbólica, uma forma de julgamento social, utilizando a linguagem como instrumento de comentário e reflexão coletiva.

O ápice da celebração ocorria com a queima do boneco. Envolto em chamas e frequentemente acompanhado por fogos de artifício, o Judas era consumido diante do público, marcando simbolicamente o encerramento do ciclo festivo. O espetáculo visual e sonoro reforçava o caráter ritualístico do evento, ao mesmo tempo em que consolidava sua dimensão lúdica e comunitária.

Ao longo das últimas décadas, contudo, a tradição da “Queima do Judas” em Itaúna entrou em declínio. Transformações sociais, mudanças nas formas de sociabilidade, maior regulamentação do uso de materiais explosivos e novas dinâmicas culturais contribuíram para a perda de centralidade desse costume. Ainda assim, sua memória permanece viva entre os moradores, constituindo um importante registro das formas de convivência, expressão crítica e celebração coletiva que marcaram a história local.

sábado, fevereiro 07, 2015

MARIA LINDA NOGUEIRA

Moça elegante e com uma pinta no rosto, trajava-se muito bem e era admirada por muitos pela simplicidade e simpatia. Maria nasceu aos 30 de setembro de 1900 em casa de seus pais, à Rua Silva Jardim, no arraial de Sant'Ana do Rio São João Acima.

Sendo seu nascimento registrado às folhas 30 do livro nº 2 do Registro Civil na presença do oficial João Ferreira do Carmo no dia 15 de outubro de 1900. Seus pais foram o sr. Manoel Zacharias Nogueira e Dona Auresina de Faria Nogueira.

Era neta paterna de Zacarias Ribeiro de Camargos e Anna Nogueira de Castro, pelo lado materno, neta de Flávio José de Faria Santos e Maria Isabel dos Santos.

Maria Linda Nogueira estudou nas escolas de Itaúna e depois tirou o título de normalista na famosa Escola Normal da cidade de Oliveira. Exercendo o cargo de professora, lecionou no grupo escolar de Itaúna e dava aulas particulares em várias casas e nos bairros de Santanense e Garcias.

Casou-se com Aníbal Castelo Branco no dia 06 fevereiro de 1924 no Edifício do Fórum de Itaúna, na presença do 1º Juiz de Paz o Cel. Acácio Baeta Coelho e do Oficial do Registro Civil Serjobes Augusto de Faria, perante as testemunhas sr. Antônio Rabello Zenha (gerente do Banco Pelotense em Belo Horizonte) e o Dr. Jacintho Alves Pereira e suas respectivas esposas. O casamento realizou-se na Matriz de Sant'Ana com grande festa seguido de um jantar.

O sr. Aníbal Castello Branco nascido na cidade de Sabará, aos 24 de junho de 1895, era farmacêutico e alto funcionário do Banco Pelotense em Belo Horizonte. Era filho de Adelino C Fernão Castelo Branco e de Dª Maria José Castelo Branco. Maria Linda Nogueira chegou a falecer ainda jovem aos 23 de maio de 1926 no município de Pará de Minas e não deixou filhos.


Fonte: Instituto Cultural Maria de Castro Nogueira - ICMC
Organização e Pesquisa: Charles Aquino

sábado, dezembro 20, 2014

CAPIXABA ITAUNENSE

CORONEL MARCONDES ALVES DE SOUZA


Este ilustre itaunense nascera em 1870, nos tempos de Santana. De inteligência viva, atirado e de espírito bandeirante, aos 16 anos deixou a sua terra natal, internando-se pelo vale do rio Doce, indo radicar-se em Cachoeiro do Itapemirim, no estado do Espírito Santo. Aos 23 anos, fora eleito presidente do diretório político daquele próspero município Capixaba, mantendo-se no cargo com grande tino até 1912. Em 1905, eleito vereador municipal. Em 1907, nomeado suplente de Juiz de Direito da Comarca. Em 1909, presidente da Câmara Municipal. E pouco depois, vice-presidente do Estado.


Em 1912, foi eleito presidente do Estado, numa fase difícil de sua política, como nos informa o historiador João Dornas Filho em sua monografia sobre Itaúna, tendo uma aguerrida oposição chefiada pelo senador Muniz Freire. O que foi a sua atuação nesse elevado cargo, atesta o gesto dos próprios oposicionistas que, nem belo exemplo de patriotismo, fizeram causa comum com a política do seu presidente, que era a do progresso do Espírito Santo. Na qualidade de presidente eleito, o Cel. Marcondes Alves de Souza, num gesto de cavalheirismo e de amor a sua terra e a sua família, visitou Itaúna em 1912, sendo recebido solenemente.


Das inúmeras homenagens que lhe foram prestadas pelos itaunenses, constou a da representação, no Teatro Municipal, da revista denominada "A visita do Presidente", de autoria do dr. Mário Matos, então primeiranista de direito, e de seu tio Silvio de Matos, representada com grande sucesso pelos autores e por Aquilino Gomide, Péricles Gomide, Tácito Nogueira, Artur de Matos, Rossini de Matos, Adélia Gomide, Celisa Gomide, Aristides Nogueira Machado, Serjobes Augusto de faria, Ivolino de Matos, Jovelina Carvalho, Olga Matos e Josias Nogueira Filho.¹


MARCONDES ALVES DE SOUSA

15º GOVERNADOR DO ESPÍRITO SANTO

PERÍODO DE GOVERNO: 23 DE MAIO DE 1912 - 23 DE MAIO DE 1916

NASCIMENTO: 12 DE SETEMBRO DE 1870, ITAÚNA

MORTE: 29 DE ABRIL DE 1938, BELO HORIZONTE

NACIONALIDADE: BRASILEIRA

PROFISSÃO: MILITAR

 


 

[1]  Revista Acaiaca: Cel. Marcondes Alves de Souza. p. 196. Ano: 1952. Digitado conforme original.

quinta-feira, dezembro 18, 2014

quarta-feira, dezembro 17, 2014

CAMAREIRO SECRETO

MONSENHOR HILTON GONÇALVES DE SOUSA

Monsenhor Hilton Gonçalves de Sousa, elevado à categoria de Camareiro Secreto Extranumerário pela Santa Sé, nasceu em Itaúna, em 31 de dezembro de 1912. Sua jornada terrena foi marcada por um profundo compromisso com a fé e um serviço incansável à Igreja.

Desde sua infância, demonstrou uma inteligência notável, sendo alfabetizado antes dos sete anos. Embora tenha inicialmente seguido a carreira de professor, logo sentiu o chamado de Deus e ingressou no Seminário do Coração Eucarístico de Jesus, em Belo Horizonte, por volta de 1925.

Após alguns anos de dúvida e reflexão, e também dedicando-se ao cuidado de sua mãe durante seus últimos anos de vida, Monsenhor Hilton finalmente abraçou plenamente sua vocação sacerdotal. Ordenado em 1944, dedicou-se ao serviço pastoral em várias paróquias, deixando sua marca não apenas como um habilidoso administrador, mas também como um líder espiritual compassivo e dedicado.

Seu último posto foi na Paróquia do Coração de Jesus de Santanense, onde seu dinamismo e disponibilidade para o serviço religioso foram amplamente reconhecidos. Sua morte, em 20 de fevereiro de 1985, foi um choque para todos que o conheciam, deixando um vazio profundo na comunidade e naqueles que o amavam.

Monsenhor Hilton será lembrado não apenas por suas realizações pastorais, mas também por sua personalidade gentil, sua sabedoria e sua capacidade de transmitir os ensinamentos da fé de uma maneira autêntica e inspiradora. Seu legado perdurará nas memórias daqueles cujas vidas ele tocou e nos corações daqueles que foram abençoados por sua presença e orientação espiritual.


Camareiro Secreto Extranumerário da Santa Sé

Por ato recente da Santa Sé, acaba de ser elevado à categoria de Camareiro Secreto Extranumerário o Exmo. e Revmo. Monsenhor Hilton Gonçalves de Sousa. Esse sacerdote nasceu em Itaúna, aos 31 de dezembro de 1912, cursou o Seminário de Belo Horizonte e ordenou-se em sua terra natal em 1º de novembro de 1941.
Conferiu-lhe o Presbiterado o Exmo. e Revmo. Dom Antônio dos Santos Cabral. Exerceu diversos cargos relevantes na Arquidiocese de Belo Horizonte, entre os quais o de Reitor do Seminário de Belo Horizonte. Trabalhou intensamente para a organização da diocese de Divinópolis e, atualmente desempenha as funções de Vigário Geral do Bispado de D. Cristiano de Araújo Pena.

Jornal O Diário, 21 de novembro 1959


Organização e elaboração: Charles Aquino

segunda-feira, novembro 10, 2014

GUARDIÕES DO MEIO AMBIENTE

A preservação e o interesse pelo meio ambiente não são cuidados recentes; o Imperador do Brasil D. Pedro I decretou, por meio da Carta de Lei de 15 de outubro de 1827, que em cada uma das freguesias e capelas haveria um Juiz de Paz e um suplente, conforme estipulado no Artigo 5º:

§12 Vigiar sobre a conservação das matas e florestas públicas, onde as houver, e obstar nas particulares o corte de madeiras reservadas por Lei.

§14 Procurar a composição de todas as contendas e dúvidas que se suscitarem entre moradores do seu distrito, acerca de caminhos particulares, atravessadouros e passagens de rios e ribeiros, acerca do uso das águas empregadas na agricultura ou mineração; dos pastos, pescas e caçadas; dos limites, tapagens e cercados das fazendas e campos; e acerca finalmente dos danos feitos por escravos, familiares, ou animais domésticos.


Entre os períodos de 1892 a 1903 com a função de descentralizar o poder político, outorgando autonomia aos lugarejos através de minicâmaras constituídas de conselheiros que deliberavam sobre os problemas de suas comunidades, foi criado o Conselho Distrital que era uma instituição política em Minas Gerais. O Conselho também era responsável pela limpeza e conservação de água potável, fazendo o esgotamento e o escoamento das águas paradas em terrenos do distrito e de particulares.

Em Sant'Anna de São João Acima, em 1892 era criado o Conselho Distrital para a proteção do Meio Ambiente com suas proibições seguida de multa com os seguintes casos:
Entulhar as ruas, becos e praças com materiais, executando-se os para construção;
Lançar animais mortos ou moribundos nos mesmos lugares;
Fincar estacas, esteios que excedessem de um metro do alinhamento das casas;
Lavar roupas e barrigadas de animais nos chafarizes públicos ou em lugares acima deles, ofendendo a pureza da água;
Criar ou cevar porcos em chiqueiro e cercadão de madeiras, que estivessem no alinhamento das frentes de serventia pública;
Os moradores das casas eram obrigados a extrair ervas e formigueiros de seus domicílios, já em lugares públicos o mesmo eram extraídos à custa do cofre distrital.  Era proibido deixar animais soltos em praças ou ruas, que pudessem vir a agredir pessoas que estivessem transitando no local. 

Após as dez da noite era proibido correr a galope com animais nas ruas, dançar com algazarra ou qualquer outro tipo de barulho que viesse perturbar a ordem do local; nos muros caiados era proibido riscar ou sujar; era proibido danificar as grades de amparo às plantas; cortar árvores de aformoseamento das ruas, largos, praças e logradouros públicos; matar rês magra ou doente sem que o fiscal examinasse; proibido a construções de valos nos perímetros da sede do distrito e zelar pela limpeza e manutenção dos mesmos.
No ano de 1864 o empresário Tenente Coronel Manoel José de Souza Moreira exercia o cargo de 1º Juiz de Paz na freguesia de Sant'Anna do Rio de São João Acima, hoje Itauna, e zelava pela execução destes preceitos legais de cuidados ao meio ambiente.



Juiz de Paz
1º Manoel José de Souza Moreira
2º Justino José Machado
3º Vicente Gonçalves de Souza
 Zacharias Ribeiro de Camargos

Subdelegado
Vago

Primeiro Suplente
1º Francisco Alves da Costa

Inspetor Paroquial
Rev º João Batista de Miranda

Professor de primeiras letras
Lourenço Justiniano Ribeiro

Vigário Colado
João Batista de Miranda

Negociantes
Custódia Maria da Silva
Daniel José Soares
Francisco da Costa Borges
Francisco Gomes Barboza
Francisco Gonçalves de Souza
Francisco Lopes Cançado
Jerônimo José dos Santos
João Antônio da Fonseca
João Lucas Dias Azêdo
João Paulo de Camargos
Joaquim Fernandes de Souza
José Joaquim da Silva
Justino José Machado
Manoel André de Siqueira
Manoel Caetano Alves
Manoel José de Souza Moreira
Maria Felizarda
Rufino Rodrigues Rabelo
Vicente Gonçalves de Souza
Zacharias Ribeiro de Camargos

Fazendeiros que cultivam cana
Felizardo Gonçalves Cançado
Francisco Nunes da Costa
João Francisco da Silva
José Bernardes de Carvalho
Dona Luiza Maria de Jesus
Manoel Gonçalves Cançado
Manoel Lopes da Silva
Salviano José da Silva
Dona Umbelina Nogueira Duarte




Referências:
Câmara dos Deputados. Legislação Informatizada: Lei de 15 de Outubro de 1827. Disponível em: http://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei_sn/1824-1899/lei-38396-15-outubro-1827-566688-publicacaooriginal-90219-pl.html >. Acesso em: 11 nov. 2014.
Hemeroteca Digital Brasileira. Almanak Administrativo, Civil e Industrial - 1864 a 1874: Freguezia e Districto de Santo Anna Do Rio de S. João Acima, p.303. Disponível em http://hemerotecadigital.bn.br/acervo-digital/almanak-administrativo-civil-industrial/393428 > Acesso em: 11 nov.2014.
CARVALHO, David de. A revitalização de um rio. Itaúna: Vile, 2001.