segunda-feira, novembro 10, 2014
sexta-feira, outubro 24, 2014
TREM DA ALEGRIA
Fundada em 29 de abril de 1961, para, entre outras finalidades, promover o congraçamento de todos os itaunenses e reverenciar a memória de conterrâneos ilustres, a Sociedade dos Amigos de Itaúna, sediada em Belo Horizonte, programou romaria ao torrão natal, no maravilhoso "Trem da Alegria".
E nas cadeiras em torno, os caravaneiros. Falou o vice-prefeito, dr. Heli Gonçalves de Souza, em nome da municipalidade e do povo de Itaúna. Dr. José Luis Gonçalves Guimarães agradeceu em nome da família do homenageado. Por fim, entre outros oradores, o desembargador Mário Matos descreveu a seu modo o tio Augusto como ainda o enxergava na mocidade, um sujeito extraordinário de bem, ótimo clínico, especialista em curar "dor atravessada".
Ali, ao som da orquestra do João Bigode e da banda de música dos alunos do seminário, a turma em brasa entrou no carnaval, e cantou e dançou e cirandou e saracoteou e rodou e pulou e gritou até às quatro da tarde, rumando então em caminhões automóveis e ônibus para a estação, onde às cinco e meia, em carros ligados aos expresso, retornou à capital, satisfeita da vida. Em testemunho da verdade, os filmes tirados pelo Dr. Oromar estão aí para dirimir qualquer dúvida.
segunda-feira, julho 21, 2014
TREM-HOSPITAL
sábado, maio 17, 2014
PADRE JOSÉ NETO
Antes de vir para Itaúna, foi cooperador do Monsenhor Guedes na Lagoinha (1938/39), depois, sucessivamente, vigário de Piedade do Paraopeba (1939/43) e de Itaúna (1943/85). Nestes períodos, foi encarregado de várias outras paróquias: São José do Paraopeba (1939/43), Moeda (1941/43), Itatiaiuçu (1943/46), Santanense (1943) e Padre Eustáquio (1960). Seu colega de ordenação, Dom Cristiano, primeiro bispo de Divinópolis, concedeu-lhe o título honorífico de cônego, por autorização do Papa Paulo VI (1966).
Em nossa cidade, criou novas paróquias: Coração de Jesus de Santanense (1953), Nossa Senhora de Fátima do Padre Eustáquio (1960), Nossa Senhora das Graças, na Ponte (hoje Graças) e Nossa Senhora da Piedade do Serrado (hoje Piedade), em 1970. A zona rural foi enriquecida com novas capelas: Córrego do Soldado, Garcias (depois paróquia). Cachoeirinha, Vista Alegre (nome dado por ele ao Pasto das Éguas), Carneiros, Paulas e Santo Antônio da Barragem (construída pela Itaunense, com participação da comunidade).
Construída a nova sede do Colégio pela Santa Casa, fruto do testamento do maior benemérito de Itaúna no século XX, Manoel Gonçalves de Sousa Moreira (através da Sociedade Anônima com o nome do benemérito instituidor da Fundação), Padre Netto foi o responsável pela vinda dos padres americanos, frei Ambrósio e Cipriano, franciscanos conventuais e, finalmente pelos padres espiritanos ( Adriano, Pedro Schoonnaker, Cauper, Luiz e outros), os quais se tornavam vigários, ficando o colégio nas mais deste notável educador que é o Padre José "das crianças", que transformou em educandário orgulho da comunidade, sala de visitas de Itaúna.
Exerceu grande influência na instalação do Orfanato São Vicente de Paula, obra meritória de Dona Cota. Vigário de Itaúna ao longo de quase 42 anos. Pastor que mais tempo ficou à frente da paróquia de Santana. Conseguiu uma nova Casa Paroquial com a ajuda de dedicadas senhoras das famílias Cerqueira Lima e Gonçalves de Souza. Além disso, são imensas as marcas deixadas pelo operoso e dinâmico vigário em Itaúna.
Membro do conselho fiscal da Universidade de Itaúna, completou a construção da Igreja da Matriz, terminando o coro, instalando os altares laterais e o púlpito. Assumiu a direção da Escola Normal oficial de Itaúna (Colégio Estadual), em momento de grande crise. Inspirador da APAC, obra que sempre contou com o trabalho e a dedicação de Waldeci Antônio Ferreira. Ergueu o Centro Comunitário da Paróquia, contando com o patrocínio do senhor Joaquim Soares Nogueira (Quincas), numa homenagem ao seu falecido Cláudio.
terça-feira, fevereiro 25, 2014
GUARACY DE CASTRO NOGUEIRA
Advogado, professor, jornalista, empresário, político. Advogado: Diplomado pela Faculdade de Direito da Universidade de Minas Gerais em 1951. Presidente da 34ª Sub-seção da Ordem dos Advogados do Brasil por 34 anos. Magistério: A criação da Universidade de Itaúna foi o marco mais importante de sua atuação. Foi seu primeiro Reitor e, conforme ele mesmo disse, “peguei uma obra na estaca zero, deixei com todos os cursos reconhecidos, com o terreno para o Campus”.
Durante 18 anos, dedicou-se à Universidade, da qual foi co-fundador e Reitor, até 1983. Professor aposentado depois de 30 anos no magistério estadual, e também lecionando em estabelecimentos de Ensino Médio (Científico, Comercial e Normal), foi professor nas Faculdades de Direito, Economia e Engenharia, em Itaúna, Diretor do Colégio Estadual e Instituidor e Presidente da Fundação Educacional “Maria de Castro Nogueira”, que proporciona cursos da 1ª a 8ª séries. Jornalista: Fundou três jornais na empresa em que trabalhou trinta e oito anos e da qual foi superintendente: Voz Operária, Avante e O Itaunense. Redator da Folha do Oeste.
Articulista nos jornais O Brexó, Tribunal Itaunense, Gazeta de Itaúna, Integração, Folha do Povo e Itaúna Acontece. Presidente da Rádio Clube de Itaúna por 20 anos. Empresário (indústria): Na Companhia Industrial Itaunense, empresa têxtil e siderúrgica, exerceu, por 38 anos, cargos executivos, chegando a Superintendente do Departamento de Planejamento e Relações Industriais. Foi membro do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS), sediado no Rio de Janeiro, integrando as Comissões de Relações Industriais e Comunicação Social. Político: Membro da União Democrática Universitária, na Faculdade de Direito da UFMG. Com atuação sempre na cidsade natal, foi Secretário Geral do PSD, depois Presidente do Diretório da ARENA, vereador mais votado em 1966, Presidente da Câmara Municipal [1967-1970].
Vice-prefeito e Secretário Municipal de Educação. Participação em associações filantrópicas, beneficentes e de serviços: Fundador dos três Rotary de Itaúna, presidente duas vezes e Governador do Rotary Internacional [1984-1985]. Provedor da Casa de Caridade Manoel Gonçalves de Souza Moreira [1963-1966]. Membro do Conselho de Administração do Orfanato São Vicente de Paula, Granja Escola São José e Fundação de Proteção à Maternidade e Infância de Itaúna. Participação em associações culturais e esportivas: Sócio Honorário da Associação Artística Coral Júlia Pardini. Sócio Honorário e Presidente do Automóvel Clube de Itaúna. Presidente do Universidade Itaúna Futebol Clube. Fundador do Itaúna Tênis Clube.
Sócio Benemérito do Iate Clube de Itaúna e da Associação Atlética Banco do Brasil. Sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, titular da Cadeira nº 46. Membro do Arquivo Histórico de Pitangui, do Instituto Genealógico Brasileiro, da Arcádia de Minas Gerais, do Arquivo Jurídico e do Instituto Histórico de Pitangui-MG. Associou-se ao Colégio Brasileiro de Genealogia a 19.07.1993.
Títulos, medalhas e condecorações: Diploma de “Mérito Cultural José Maria dos Santos” do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano – 1994. Cidadão Honorário de Pitangui – MG. Medalhas: “da Inconfidência”, pelo Governo do Estado de Minas Gerais; “do Mérito Legislativo”, pela Assembléia Legislativa de MG; “de Mérito Industrial”, pela Federação das Indústrias de MG; “da Revolução de Sorocaba de 1842”, pelo Governo do Estado de São Paulo; “Santos Dumont” grau prata em 2002 e grau ouro em 2008, pelo Governo do Estado de Minas Gerais; “João Pinheiro” e “Israel Pinheiro” pelo Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais; “da Universidade Federal de Sergipe”, 1982; “Luís Alves de Lima e Silva”, pelo Exército Brasileiro, Comando da 4ª Divisão; e diversas outras. Genealogia: iniciou as pesquisas genealógicas em 1948, quando ainda estudante de Direito. Seu foco de atenção era o centro-oeste mineiro.
Pesquisou em cartórios e arquivos religiosos em muitas cidades mineiras, dentre as quais Sabará, Mariana, Ouro Preto, Pitangui e Santo Antônio do Monte, onde tinha suas raízes maternas. Associado, conforme citação acima, ao Instituto Genealógico Brasileiro e ao Colégio Brasileiro de Genealogia (1993). Publicou “Os Nogueira de Santana”, monografia, na obra “Efemérides Itaunenses” de João Dornas Filho. Ao falecer, deixou pronta a obra “Genealogia dos Gonçalves de Souza Moreira de Itaúna”.
Trabalhos publicados: “A Necessidade de novas Universidades em Minas Gerais e sua Interiorização” – 1966; “A Indústria e a Universidade” – 1968; “Itaúna de Amanhã”; “História de Itaúna” – nos anais da Câmara Municipal, 1975; “História da Fundação de Mateus Leme” – nos anais da Câmara Municipal de Martins Leme; “História da Fundação de Bonfim”, no Dicionário Escolar da Prefeitura Municipal de Bonfim; “Centro Oeste-Mineiro: História e Cultura” – 2008; “História de Itaúna”, em 40 fascículos semanais publicados no jornal Folha do Povo.
Publicou trabalhos nas Revistas do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, na Arcádia de Minas Gerais e na Associação Brasileira dos Pesquisadores em História e Genealogia (ASBRAP) de São Paulo. Publicava, semanalmente, no jornal “Folha do Povo”, uma crônica, em coluna sob sua responsabilidade, assuntos educacionais, históricos e políticos.
sexta-feira, fevereiro 14, 2014
MORRO DE SANTA CRUZ
CAPELA
NOSSO SENHOR DO BONFIM
Historicamente, foi no ano de 1853, que os barbônios que nesta região estiveram pregando missões alertaram e recomendaram à população itaunense sobre a necessidade de ser construído na cidade de Itaúna a Capela de São Miguel, no interior de um cemitério localizado na região, e também da Capela de Nosso Senhor do Bonfim, no monte ao norte do arraial que naquela época era chamado Morro de Santa Cruz.
A capela de São Miguel foi edificada através de doações da comunidade e a de Nosso Senhor do Bonfim foi construída pelo Tenente José Ribeiro Azambuja no mesmo ano de 1853, no morro atualmente conhecido como Morro do Bonfim (antigo Santa Cruz).
Localizada
a aproximadamente 25 km do centro da cidade de Itaúna, a Capela do Senhor do
Bonfim sempre foi um local de peregrinação religiosa da população do antigo
arraial de Itaúna.
A
Capela de Nosso Senhor do Bonfim está situada no ponto mais alto da região de
Itaúna, ou seja, a 1000m de altitude. Construída em meados do século XIX, em
pleno período imperial brasileiro, possui estilo colonial.
O
Alto do Bonfim com sua Capela de Nosso Senhor do Bonfim, ilumina do ponto mais
alto de uma cidade em pleno desenvolvimento, porém, preocupada em não perder
seus marcos históricos, afim de continuar uma cidade com identidade cultural e
memória afetiva.
Atualmente,
Itaúna, através do Morro do Bonfim integra as 14 (quatorzes) cidades do
Circuito dos Bandeirante – Circuito Verde, sendo alvo de iniciativas futuras
para viabilização de investimentos em atividades turísticas/religiosas.
Local
de tradição das peregrinações religiosas em devoção ao Nosso Senhor do Bonfim,
a Capela de mesmo nome, representa para toda a comunidade itaunense um exemplar
valioso da arquitetura colonial, tendo a simplicidade de seus traços ainda
originais, guardando a identidade religiosa própria de um povo já enraizada na
alma popular.
Sua
conservação é, portanto, inerente ao anseio da modernidade, pois sobressai a
referência cultural da edificação.
A Capela de Nosso Senhor do Bonfim por estar localizada no ponto mais alto da região de Itaúna tem sido estudado a viabilidade de torná-la um ponto turístico religioso, pois o morro do Bonfim oferece todas as condições para tal empreendimento.
A 25 km de distância do centro da cidade além da arquitetura colonial
da Capela, toda a região é propicia para a exploração turística religiosa e
ecológica.
A
25 km de distância do centro da cidade além da arquitetura colonial da Capela,
toda a região é propicia para a exploração turística religiosa e ecológica.
O
morro do Bonfim oferece uma visão privilegiada podendo a cidade ser vista
parcialmente num ângulo fascinante.
Museu Municipal Francisco Manoel Franco
Janete
Rodrigues da Silva – Coordenadora
Praça
João Pessoa (Praça da Estação), s/nº Centro
Itaúna/Mg Cep. 35680-059
sexta-feira, janeiro 31, 2014
VOLUNTÁRIOS DA PÁTRIA: PITANGUI/ITAÚNA
Voluntários da Pátria na Guerra do
Paraguai
A Guerra do Paraguai, que durou de dezembro de 1864 a março de 1870, é
amplamente considerada um dos genocídios mais significativos da história da
América do Sul e desempenhou um papel fundamental na formação da identidade
brasileira ao longo do século passado.
O impacto disto superou até mesmo as declarações de Independência e da República, uma vez que o apelo à independência apenas provocou uma mobilização significativa em regiões selecionadas do país. Um total de 135 mil militares compunham a força terrestre que combateu no Paraguai. Entre eles, 59 mil eram membros da Guarda Nacional, enquanto 55 mil serviam em corpos de voluntários. Isso foi um marco significativo à medida que indivíduos de diversas regiões do Brasil se uniram, formando novos conhecidos e lutando lado a lado por um propósito comum.
A importância de coagir voluntários ao recrutamento torna-se crucial quando se estuda o processo de guerra. No entanto, é importante diferenciar as diferentes fases dos conflitos. À medida que os conflitos se arrastavam, o entusiasmo diminuía e a resistência crescia, resultando numa maior necessidade de recrutamento. No meio de circunstâncias desafiadoras para um conflito ao longo das fronteiras do sul, o Exército Imperial percebeu a sua incapacidade de combater sozinho o agressor inimigo.
Confrontado com a vulnerabilidade das forças armadas, o Imperador D Pedro II tomou medidas decisivas em 7 de janeiro de 1865, emitindo o decreto nº. 3.371 para mobilizar o espírito patriótico da população brasileira. Isto levou ao estabelecimento dos Voluntários da Pátria, batalhões especializados formados especificamente para as exigências da guerra. Esses soldados eram facilmente reconhecíveis pela proeminente placa de metal adornada com o escudo imperial, orgulhosamente exibido em seu braço esquerdo.
No início, o apelo do governo à ação teve uma
recepção notável e inesperada. Grupos de voluntários surgiram em diversas
regiões do país. Os relatos das partidas destes voluntários revelam uma
completa ausência de coerção. Em Pitangui, cidade localizada no interior de
Minas, um grupo de 52 voluntários se despediu em meio a uma combinação de
festividades religiosas e cívicas. Isto incluiu discursos patrióticos
apaixonados, a interpretação do Hino Nacional e uma cerimônia solene onde uma
jovem apresentou a bandeira ao primeiro voluntário. O povo pitanguense sempre
considerou o amor pela pátria uma forma de devoção, que nutriu de todo o
coração e com inabalável reverência.
Em resposta à ameaça iminente à
sua pátria, responderam rapidamente ao apelo e reuniram-se no Palácio Municipal
no dia 2 de fevereiro daquele ano. Foi lá que fundaram a sociedade Amor da
Pátria, dedicada à captação e consolidação de recursos municipais. O objetivo
principal desta sociedade era fornecer assistência mais eficiente e oportuna ao
governo imperial na defesa do Brasil contra potenciais hostilidades da
Inglaterra, bem como quaisquer circunstâncias futuras imprevistas.
Num curto espaço de tempo, a
comissão arrecadou com sucesso uma quantia significativa que foi posteriormente
destinada para cobrir as despesas do Estado durante a Guerra do Paraguai. Em 3
de fevereiro de 1865, o desembargador Pedro de Alcântara Cerqueira Leite, então
presidente de Minas, escreveu uma carta ao presidente e ao secretário da
sociedade conhecida como Amor da Pátria. Nesta carta, informou-lhes que havia
recebido autorização do governo de S. M., o Imperador, para aceitar uma
generosa doação de 2:110$000 (Dois contos cento e dez mil réis) do Dr.
Frederico Augusto Álvares da Silva e Joaquim Antônio Gomes da Silva Júnior, que
eram membros da comissão da sociedade. Esta doação destinava-se a ser utilizada
para despesas do Estado.
No Palácio Municipal, realizou-se
na noite do dia 22 de março uma notável e grandiosa sessão. Esta sessão foi
repleta de solenidade e grandeza quando a sociedade conhecida como Amor da
Pátria expressou sua profunda gratidão e sincera despedida aos corajosos
voluntários de Pitangui. Foi um abraço nostálgico que tocou o coração de todos
os presentes.
Dª Rosinha, estimada filha do
Tesoureiro Tenente Azevedo, fez uma entrada triunfal na sociedade, exibindo
orgulhosamente uma luxuosa bandeira adornada com as armas do Brasil, da Coroa
Imperial, e a inscrição: "VOLUNTÁRIOS DA PÁTRIA DE PITANGUI",
deixando uma marca duradoura impressão.
Nos primeiros tempos, o Império
do Brasil incentivou com sucesso o recrutamento de homens através de promessas;
contudo, à medida que as notícias tristes e desoladoras dos campos de batalha
se espalhavam, a resposta a estes incentivos tornou-se menos desejável. A
partir de 1866, houve uma notável ausência de fervor no recrutamento militar.
As autoridades, incertas sobre o curso de ação apropriado, seguiram os seus
próprios motivos e agendas individuais, sejam eles económicos ou partidários.
Isto demonstrou que o processo de recrutamento era imprevisível e em constante
mudança, sujeito aos caprichos e favores dos responsáveis.
Ao tomar conhecimento desta
informação, o mineiro, conhecido pelo seu comportamento cauteloso e
desconfiado, sentiu medo e percebeu os agentes recrutadores como um perigo
genuíno. Por outro lado, os agentes tinham a delicada e precária tarefa de
recrutar indivíduos. Neste contexto particular, torna-se evidente que a guerra
e a sua intrincada dinâmica introduziram circunstâncias sem precedentes: uma
ligação entre “necessidade e limites” que inegavelmente definiu aquela época.
Itaúna, estando sob jurisdição administrativa de Pitangui, naturalmente
contribuiu com seus próprios voluntários para a Guerra do Paraguai.
Indivíduos que "voluntariamente" ofereceram seus serviços para defender sua pátria durante a Guerra do Paraguai. O historiador João Dornas Filho forneceu informações sobre o processo único de voluntariado naquela época. As autoridades responsáveis pelo recrutamento prenderiam os cidadãos e, se considerados indignos de confiança, seriam algemados e transportados para Pitangui, o centro central de alistamento na região. Evaristo Cunha conseguiu escapar ao recrutamento refugiando-se durante vários dias na capela do Senhor do Bonfim. Infelizmente, nem todos tiveram a mesma sorte. José Alves Galdino, voluntário, foi detido pelos chimangos, partido liberal no poder, e transportado para Pitangui. Porém, segundo a tradição, ao chegar, recorreu a uma medida desesperada: consumir um dente de alho inteiro, o que o fez ficar febril e considerado impróprio para o serviço. Ele acabou retornando para Sant'Ana (Itaúna), onde faleceu pouco depois devido às consequências dessa manobra inteligente.
Por outro lado, alguns seguiram para o teatro da luta e prestaram serviços até o fim. São eles:
O Sargento Basílio Domingues
Maia, conhecido pela “alcunha de Bá”, junto com Furriel Joaquim Mariano Villas
Boas e Mestre Januário, também conhecido como Caraco, que era um educador
dedicado, ensinando seus alunos vestido com uniforme militar. Infelizmente, os
outros não receberam qualquer reconhecimento pelo seu serviço altruísta à
Pátria, pois morreram em circunstâncias terríveis, deixando-os desamparados.
Apesar de suas ações heroicas e altruístas, apenas Mestre Januário foi
homenageado com a cátedra de mestre escolar.
A complexidade da situação fica
evidente em correspondência datada de 23 de novembro de 1866, onde o Comandante
Superior de Pitangui expressou ao presidente da província de Minas Gerais sua
insatisfação com o flagrante desrespeito às diretrizes de recrutamento:
”
Com pesar levo a presença de V. Exa que os Guardas designados no 12° batalhão
para o serviço da guerra não aquartelarão se hontem, como havia sido ordenado
ao Chefe do mesmo Corpo. Esta falta não he so filha do desamino, do terror, e
da repugnância que se nota nos Guardas Nacionaes para o serviço de guerra; he
talves antes devida a froxidão dos officiais, que apesar das mais terminantes
ordens, não tem elles comprehendido nossa situação e a responsabilidade que nos
cabe.
He
ella sem dúvida ainda a falta de interesse, a indiferença com que as
autoridades policiais tem encarado este tão importante serviço, e para provar
que digo refiro o ultimamente passado com o Delegado de Polícia deste Termo
João Evangelista de Oliveira a quem communicando eu hontem a participação que
me fes o Alferes Commandante do Destacamento que constava lhe haverem grupos de
povo armado nos subúrbios da Cidade para opporem embaraços a prisão dos
designados nenhuma providencia me consta fosse tomada, nem ao menos se dignou
aquella autoridade responder o meo officio.
Assim he que contando os designados com a
froxidão da Policia, com a dos officiaes facilmente se negão ao cumprimento de
seos deveres. Fiz já extrair a relação dos designados, remettia ao Delegado de Polícia
de quem solicitei a prisão, e ordenei terminantemente ao Chefe d’aquele
Batalhão que debaixo de sua responsabilidade os fisesse imediatamente prender,
empregando para isso a força destacada."
Na coleção intitulada SP-1272, que contém correspondência oficial e documentos adicionais relativos ao recrutamento, consta uma carta datada de 10 de junho de 1867, do Secretário de Estado dos Assuntos de Guerra. Este acervo específico encontra-se no Arquivo do Ministério Público.
O recrutamento de guardas
nacionais apresenta preocupações subjacentes, particularmente devido à própria
composição da Guarda Nacional. Em teoria, a Guarda Nacional consistia em
indivíduos íntegros e com estabilidade financeira, o que significava que tinham
maior probabilidade de receber proteção das autoridades. Um agente de
recrutamento da cidade do Serro chamou a atenção do presidente provincial para
os desafios enfrentados no recrutamento, esclarecendo o facto de certas
autoridades da região estarem a agir contra os interesses do governo, perturbando
assim o destacamento da guarda nacional.
Durante os meses de novembro e dezembro do ano
de 1866, numerosas cartas e documentos adicionais foram enviados ao Governo
sobre assuntos relativos à força pública. Especificamente, essas
correspondências, que estão catalogadas sob a referência SP-1145, são
originárias da Cidade de Pitangui e foram datadas de 23 de novembro de 1866.
Esses valiosos registros estão atualmente guardados no arquivo do APM (Arquivo
do Ministério Público).
A necessidade de guerra exacerbou
as relações já tensas entre as partes envolvidas, como resultado da crise no
fornecimento militar. Numerosas tentativas de fuga, desaparecimentos na
floresta, uma abundância de pedidos de isenção e discórdia entre as próprias
autoridades resultaram na perda de controle sobre o objetivo principal: a
execução da campanha.
Os líderes políticos e oficiais
da Guarda Nacional em cada província iniciaram o recrutamento forçado,
obrigando os seus adversários a alistar-se como parte da força voluntária
nacional. A exigência era que cada província contribuísse com um mínimo de 1%
de sua população. No caso de alguém tropeçar em uma esquina, pode receber
inesperadamente um golpe na cabeça e acordar com uma espingarda em sua posse,
destinada ao campo de batalha.
Independentemente disso, existiam vários caminhos para escapar ao chamado: os ricos contribuíam com recursos, equipamentos, escravos e funcionários em vez de envolvimento pessoal; aqueles com recursos limitados alistaram seus familiares, filhos, sobrinhos ou empregados domésticos; O único recurso para os marginalizados era procurar refúgio nas profundezas da floresta. Tornou-se costume que os proprietários de escravos empregassem seus escravos como soldados em batalha. A Guerra do Paraguai viu mais de 20.000 escravos entrarem na luta, representando aproximadamente 16% da força militar brasileira.
Além disso, o governo, juntamente com sociedades e conventos patrióticos, começou a comprar escravos para se juntarem à luta durante a guerra. O império prometeu conceder liberdade àqueles que se voluntariassem para o serviço militar, ignorando convenientemente quaisquer escravos que conseguissem escapar. Sem dúvida, a guerra exerceu imensa influência na formação da identidade brasileira. No entanto, é verdadeiramente desanimador que, juntamente com a perda de inúmeras vidas, este processo também tenha resultado na desumanização de outros seres.
quinta-feira, janeiro 23, 2014
MAJOR SENÓCRIT NOGUEIRA
Filho do tenente coronel Zacarias Ribeiro de Camargos e Dª Ana Nogueira de castro, o major Senócrit Nogueira nasceu na fazenda da "República" a 24 de abril de 1870.
Aos dez anos de idade, quando já assumia a direção da aula do mestre José João nas faltas do professor, concluía o curso primário e tomava as responsabilidades da escrituração da fazenda paterna.
Em 1894 edificava a Capela do Senhor dos Passos no largo desse nome, e demolida em 1950. Em 1895 era eleito presidente do Clube Teatral e no ano seguinte presidente do Clube Literário e Progressista, associações recreativas e culturais que grandes serviços prestaram à população de Santana.
No ano de 1898, como presidente de uma mesa eleitoral do distrito, fez da Junta Apuradora do Pará, e depois da Junta da Comarca em Sabará, quando evitou, por sua energia, a depuração de um deputado legitimamente eleito.
Homem enérgico, inteligente e trabalhador, muito cedo era figura indispensável nos empreendimentos locais de desenvolvimento do distrito, sendo eleito em 1895 para o cargo de Juiz de Paz, que exerceu até 1897.
Vereador do distrito à Câmara Municipal do Pará, de 1898 a 1900, fez passar várias Leis de interesse para o nosso crescimento, e em 1901 era eleito Presidente do Conselho Distrital quando, junto com o Dr. Augusto Gonçalves, iniciou a campanha para a criação do município.
O trabalho que então desenvolveu para a consecução deste desiderato foi admirável. Todas as providências necessárias para este fim, como a aquisição dos edifícios para a Câmara Municipal e a Escola Pública, foram por ele, coadjuvado neste passo pelos suplentes de vereador Jove Soares Nogueira e Washington Alves da Cunha.
A documentação justificativa da criação do município apresentada por Senócrit Nogueira ao deputado José Gonçalves de Sousa atesta a dedicação e o empenho que punha no empreendimento. Vitoriosa a ideia pela Lei Estadual de 16 de Setembro de 1901, era nesta data nomeado coletor estadual que ocupou até 1906.
A batalha da fundação do município teve lances emocionantes que é bom relembrar, como o da manobra do município de Bonfim para não perder o distrito de Conquista. O chefe bonfinense Dr. Moreira da Rocha, não se conformado com o desmembramento de tão próspero distrito, fundou junto à sede deste, com o fim de ficar com a melhor parte, um novo distrito, como aliás permitia em certas condições, a legislação em vigor deu-lhe o nome de Floriano Peixoto, e mandou logo que se fizesse o lançamento de impostos e tomou outras medidas que caracterizassem a soberania do município de Bonfim sobre o novo distrito.
Senócrit Nogueira intervém então energicamente para anular a manobra e, aconselhado por amigos, convida os contribuintes do distrito de Conquista a pagar os seus impostos em Itaúna. E sabendo que um inventário de pessoa residente no novo distrito estava se processando em Bonfim, entrou em juízo com uma petição de nulidade, acolhida pela justiça do Pará, que ordenou o processamento pelo município de Itaúna.
O Major Senocrit Nogueira exerceu o cargo de Coletor Estadual até quando foi nomeado secretário da Câmara Municipal e seu coletor, cargo que desempenhou desveladamente até 1920, juntamente com o de delegado de polícia.
Em 1908, com a cooperação de Damas de Caridade do Sagrado Coração de Jesus, adquiriu uma casa na rua 14 de julho, hoje rua Diógenes Nogueira, com o fim de transformá-la em abrigo dos pobres, casa que prestou serviços até 1951, quando foi demolida.
Padrinho de Rossini Cândido Nogueira, criou-o e educou-o o nosso biografado, ordenando-o padre em 1927 falecido em Juiz de Fora em 1941, o padre Rossini, pelos seus dotes intelectuais foi uma saliente figura do clero mineiro.
Chefe do serviço do recenseamento de 1920, em Itaúna passava o nosso biografado em 1921 para Belo Horizonte, onde fixou residência e foi nomeado funcionário da Prefeitura Municipal aposentando-se em 1936.
Homem público, funcionário exemplar, amigo dedicado dos interesses da sua terra, homem de religião e de sociedade, batalhador infatigável, patriota da mais nobre estirpe, filantropo e benemérito cidadão itaunenese Senócrit Nogueira foi um dos fundadores do Partido Republicano Mineiro, que a sua inteireza moral abandonou quando viu desviados os seus princípios. As novas gerações de Itaúna hão de sempre reverenciar a figura do nobre ancião e nela beber os mais sadios exemplos de patriotismo e inteireza.
Referências:
Fonte:
Efemérides Itaunenses ,1951 - Pag:
63,64,65,66.
João
Dornas Filho - Historiador & Escritor da Academia Mineira de Letras
Organização: Charles Aquino
https://orcid.org/0009-0002-8056-8407









